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doriaEleições municipais concluídas em São Paulo.
Vitória massacrante, em primeiro turno, da nova estrela da direita, ou centro-direita-anti-PT: João Dória Jr.
O candidato teve pouco mais que 53% dos votos válidos! Desbancando não só o ex-prefeito Haddad, como também o “herói do povo”, Celso Russomano e duas ex-prefeitas: Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Tenho algumas considerações a fazer, ou opiniões a compartilhar, do meu modo “pirata” pra variar. Como estamos no Opiniões em Sintonia Pirata, nada mais natural.

Decepção em relação ao PT e aos outros candidatos? Pode ser.
Falta de opção? Também uma resposta possível.
Afinal, Haddad carregava a estrela do PT, massacrada pela mídia, mesmo evoluindo a cidade com projetos interessantes, como as discussões sobre o zoneamento da cidade (exposto aqui); Marta tinha alta taxa de rejeição, por estórias como Ministra do Turismo, de ex-prefeita, de política polêmica que pensa pouco; e Russomano é aquela incógnita apoiada por evangélicos e radicais conservadores, que sempre começa bem por ser conhecido na mídia antes da campanha da TV…

Pra começar, sabiam que existe um estudo que correlaciona o dinheiro investido, o tempo na TV e o número de votos?
E, nem é tão surpresa assim se pensarmos um pouco, a relação é direta: mais tempo de exposição, maior votação. Aquela velha frase de avó: “quem é visto, é lembrado”.
O estudo está aqui, em PDF. É extenso, mas interessante. Os autores, Bruno Speck e Emerson Cervi, analisam as eleições para prefeito em 2012.
Copio abaixo um trecho da conclusão:

Nos maiores municípios a diferença [do desempenho eleitoral] é ainda maior, com quase nenhuma importância da “memória eleitoral”. O que importa nessas disputas são as condições mais imediatas dos candidatos: estarem em partidos ou coligações com força/tempo de horário eleitoral e conseguirem maior participação no montante de recursos destinados às finanças de campanha.

Ou seja, aquilo que o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do nosso Dória, fez ao negociar uma secretaria com o PP em busca de tempo de horário eleitoral e exposição na TV, valeu muito a pena.
Expulsar uma professora da secretaria do Meio Ambiente fez com que a coligação de João Dória obtivesse um aumento de 25% para o seu sorriso.
Pra quem não leu, a manobra foi tão suspeita que o Ministério Público pediu a cassação da candidatura do peessedebista por desvio de finalidade (aqui e aqui)

Um outro contraponto à “acachapante” vitória de Dória (colei do UOL a rima) é a quantidade de abstenções. Quer seja por falta simples, 21,84% do total, quer seja pela quantidade de nulos (11,35% dos votantes) e brancos (5,3%), somando mais de um milhão, cento e cinquenta mil eleitores, negando todos os candidatos, em análise simples.
Só 65,15% dos eleitores votaram em algum candidato. E os 53% de Dória tornam-se apenas 34,72%…
É relevante? Eu diria que sim, uma vez que o voto é obrigatório em nosso país. Dá pra dizer, de forma distorcida, mas verdadeira, que 65% das pessoas não votaram em João Dória!
(os resultados podem ser obtidos do site do TRE – aqui. Aproveito para colar o link direto para as abstenções e para a votação)

Agora o que julgo ser mais grave: o governo Alckmin beneficiou empresas do “amigo” e afilhado João Dória Jr. em seu governo.
Foram anúncios nas revistas de Dória e eventos patrocinados pelo banco de fomento Desenvolve SP. Os “investimentos” somam R$4,5 milhões entre 2010 e 2015, período em que ambos se tornaram mais próximos.
E não é só nos governos do PSDB, o Grupo Doria usufruiu do “jeito petista de administrar”, de Lula a Dilma. Mesmo apartidário e apolítico, foi patrocinado pela Petrobrás e recebeu repasse dos Correios.
A fonte não é o pragmatismo político ou o Tico Santa Cruz, é a Folha de São Paulo (aqui).

Pra concluir, espero que nosso amigo “dazelite” cale minha boca, e realmente administre como um CEO.
Alguns amigos defendem a teoria de que uma cidade é como uma empresa. Sub-prefeitos são conselheiros, vereadores são diretores, secretários acionistas (não necessariamente nessa ordem). Dória pode provar que, racionalmente, há saída lucrativa (ou não-negativa) para uma cidade como São Paulo, terceiro orçamento da Nação.
Por falar em orçamento, se realmente acabar com a indústria da multa do Haddad, saída do petista para aumentar a arrecadação e diminuir a dívida municipal, já fará muito!
Sou contra as privatizações. Vejo o charmoso estádio do Pacaembu e seu clube tornarem-se prédios de alto padrão; e o mesmo pode acontecer com o Anhembi e o Autódromo de Interlagos… Esse último, inviabiliza de vez o GP Brasil de F1 no país, um dos eventos que mais atrai turistas para a cidade, após inúmeras adequações e reformas feitas em outros mandatos…

Quem viver verá!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: sou contra o “esquema” de aumento de arrecadação através de multas aplicadas por guardas que deveriam ter outras funções, por armadilhas montadas nas ruas, por tocaias nos viadutos. Mas entendo o desespero de quem tinha uma grande dívida e pensava em fazer algo para a cidade…

P.S.2: atualizei o link do estudo sobre dinheiro e tempo em TV na campanha para prefeito de São Paulo em 02/11/2016. E coloco aqui outro link para download, passível de cadastramento no site, caso o anterior também mude ou “desapareça”.
Outra leitura que vale a pena, resenha feita por Gabriela Siqueira, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema, citando múltiplos estudos e textos está aqui

15155110E não é que depois dos rolezinhos com as “invasões” das classes baixas desejosas por aparecer em centros de compras da elite, como a rua Oscar Freire e o Shopping JK; e depois dos funkeiros “ostentação” e seus carrões, cordões e mídia, eis que surje mais um problema para a elite?

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad está revendo o zoneamento da cidade. E, com isso, bairros definidos na década de 70 como “estritamente residenciais” podem ganhar comércios, consultórios e até, pasmem, moradias populares!
“Meu Deus, como vamos fazer nossa caminhada, levar nosso Yorkshire Terrier para passear!” – dizem alguns.
“Estacionar minha Cayenne na padaria ao lado de um Chevette, de um carro mil! E se ele bater em mim? Vai querer me roubar! Nunca pensei que isto aconteceria aqui…” – provável frase de outro.

Não posso dizer que gosto de tudo o que foi feito até aqui pelo político.
A meta colocada (talvez a si mesmo) de 400km de faixas exclusivas para bicicletas (as ciclofaixas) criou bizarrices inimagináveis, como ciclofaixas interrompidas em pontos de ônibus e postes no meio das mesmas.
Sou a favor da priorização adotada em prol do transporte público e das bicicletas; mas é notório que não houve muito planejamento na escolha das vias e caminhos dos ciclistas.
Diferentemente do ocorrido com o zoneamento, já que várias chamadas públicas para discussão do Plano Diretor Municipal foram feitas, por exemplo, na TV. Nas subprefeituras, certamente o assunto zoneamento foi citado. E, se um minimercado é prioridade para os assalariados que trabalham para a elite, e não teriam tempo de comprar itens de necessidade ao chegarem duas horas depois em Guaianazes ou Interlagos, só seria visto com bons olhos pelos moradores se for um “Marché” ou “Pão de Açucar”;

Argumentar que aumentará a violência, ou trará drogas é pura piada de mau gosto.
Outros bairros nobres têm favelas na vizinhança e elas não são a razão da violência. Igualmente com as drogas: quem consome continuará consumindo, mas terá como provável vantagem o menor deslocamento até a “boca”.
O que a elite não deseja é ver os seus imóveis de vários milhões de reais, ou R$20mil o metro quadrado, da badalada Vila Leopoldina, desvalorizados com a construção de moradias populares.
E isso realmente acontecerá se os novos zoneamentos da cidade forem levados a cabo. A zona predominantemente residencial (ZPR) da Leopoldina passará a conter uma Zonas Especiais de Interesse Social (ou ZEIS).

Gostaria que a cidade convergisse para menores deslocamentos e maior qualidade de vida para a população. Se o zoneamento é a solução, ou se o é a tentativa de diminuição do número de veículos com as ciclofaixas, ou ainda a criação de parques e áreas públicas de lazer… não sei.
Mas… convenhamos no “cá entre nós”… as três medidas, são passos no caminho certo.

Sem querer tocar no tema do post anterior, mas já tocando. Nós paulistas, temos muito a evoluir socialmente. (post aqui)
Só não proponho, como o título propunha, a invasão de Alphaville (bairro “ilha” da elite paulistana), por ser de impossível locomoção com transporte público. Talvez este seja a única barreira que “salva” esta parcela elite da perigosa miscigenação de classes.
Se bem que para o MST, seria uma boa…

por
Celsão Irônico

figura e ideia do post retiradas daqui (valeu Caldo!)

P.S.: para quem quiser se informar mais, leia este post. A blogueira Raquel Rolnik, que o escreveu originalmente na Folha, explica o zoneamento. Aproveitando, aqui há um resumo sobre o assunto “Plano Diretor da cidade”, em posts excelentemente explicados pela Raquel em seu blog. 

P.S.2: outra notícia interessante da “revolta” da elite (aqui). 

P.S.3: Não menos importante, o plano diretor de São Paulo está disponível para download neste link.

rn188844_0Na semana passada, fomos surpreendidos (ou nem tanto) com uma declaração infeliz de um vereador paraense.
O principal erro do ilustríssimo Sr. Odilon Rocha de Sanção foi ser sincero (a seu modo), considerando que a população, já anestesiada com desmandos e abusos, encontrasse normal a declaração escancarada de corrupção no meio político; “Se não for corrupto, mal se sustenta!” – disse ele.
O político sequer considerou que a cidade de parauapebas, onde legisla, tem renda per capita de R$400; que trabalha quando muito duas vezes por semana; que seus vencimentos ultrapassam os R$10 mil ou 17 salários mínimos considerando despesas com combustível, viagens e telefones; sem contar a nomeação de acessores, que costumam render gordas quantias nos ermos do coronelismo do norte-nordeste brasileiro…
“Se for para eu sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta eu não passaria o padrão de vida que eu levo hoje” – completou ele.
É triste, é pesado ler isso!
Sobretudo num país como o nosso, onde poucos levam a sério a disparidade de condições dos mais ricos comparados aos mais necessitados. Os “de cima” criticam programas sociais e duvidam das reais necessidades e intenções dos “de baixo”, enquanto estes últimos criam antipatias.

Perseguimos aqui e aqui, os médicos, que reclamaram de um piso bem semelhante, por terem muitas outras oportunidades na constante demanda e carente atualidade brasileira. E analisamos aqui alguns salários brasileiros, comparando-os com o resto do mundo.

Ou seja, se o vereador tivesse algum conhecimento de mundo, ou a decência de buscar informação, saberia que está na estreita faixa dos felizes 1% mais ricos do Globo, dado o salário recebido na Câmara de Parauapebas. Desconsiderando outras funções assalariadas que venha a exercer.
Falar em sobreviver é descabido e absurdo. É desconhecer desde a condição humana, passando pela própria comunidade que o elegeu, pelo entorno onde vive e trabalha e chegando à etmologia da palavra. É um insulto!

fotopg5boxMDNa mesma seara está a notícia recente atribuída à Câmara de Blumenau, município catarinense com histórica imigração européia. Os vereadores estudam proposta de aumentar o número de cadeiras em quase 50%, aumentando a casa de 15 para 23 componentes e o gasto público com pagamento de folha de R$400 mil para R$612 mil.
Igualmente abusiva, a medida não para por aí; os gastos aumentariam além das despesas com pessoal, carros, celulares… um novo prédio deverá ser construído, já que o imóvel alugado foi projetado para os atuais 16 gabinetes! (notícia aqui)

Um alento para a população de Blumenau está no protesto de empresários locais, que publicaram frases em outdoors, “provocando” os legisladores, que agora reavaliam a medida. Uma audiência pública sobre este tema foi marcada (provavelmente as pressas) para essa semana.

É inconcebível para mim que haja na lei a possibilidade de definir o próprio salário.
É como se fôssemos contratados para definir nós mesmos o que fazer… Cada um faria o que melhor lhe aprouvesse e no prazo determinado pelas necessidades pessoais. Deixar nas mãos de políticos as definições de salários e benefícios é pedir para que haja problema.

No fim, creio que nem uma drástica reforma política, nem o fim do político profissional, resolveriam tudo. Estes resquícios de “Gerson”, certamente passariam como “brinde” ou “praga” por algumas gerações; até que fossem vistos como imorais ou penalizados exemplarmente.

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui (onde pode ser lida a notícia sobre o nobre vereador Odilon) e daqui. Há um filme sobre a campanha contra o aumento do número de cadeiras em Blumenau aqui.

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013 Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013
Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Nos últimos 20 anos, a América Latina tem sido o sustentáculo do mundo na sobrevivência de políticas de esquerda, protecionistas, de luta pelos interesses da própria nação acima dos interesses estrangeiros/imperialistas.

A Europa vem presenciando sua democracia e os direitos do trabalhador enfraquecendo desde a década de 90. É a falência da social democracia nestes países, onde no cabo-de-guerra (povo X capital), vence novamente o capital.

Os países latino-americanos, quase todos, passaram por ditaduras de direita apoiadas e patrocinadas pelos EUA (até mesmo Cuba teve seu ditador aliado aos EUA, Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, quando foi derrubado por Fidel Castro – leia sobre esse processo AQUI), do início da década de 60 até o início da década de 90. Foram 30 anos, aproximadamente, de ditaduras de direita por todos os cantos da América do Sul e Central. Ao término destes períodos de intervenção militar, estes países vieram passando por um acelerado processo de avanço da democracia.

Vencidas as ditaduras, nada mais normal que um processo progressivo de democratização. Sai a ditadura, entram governos parcialmente democráticos, normalmente de centro-direita ou de direita. Políticos conservadores, que se elegem devido à imaturidade democrática da sociedade, e por saberem aproveitar os resquícios do sistema elitista herdado da ditadura e da colonização, que privilegiam aqueles que mais têm.

Porém, na América Latina, grandes mentes surgiram, e souberem se organizar, se uniram para debater ideias e ideais, para trocar experiência e conhecimento. Assim, chegaram a conclusões parecidas em comum. Apoiaram-se mutuamente para chegarem aos Governos, e lutaram, alguns mais, outros menos, para acelerar o processo de democratização destes países, e fazer com que o povo, historicamente excluído e sem voz, pudesse ter mais direitos e ser mais respeitado. Além disso, lutaram pela nossa independência frente às grandes potências, não só no papel, mas na prática, seja na política, na economia, na cultura, militarmente ou diplomaticamente.

Assim vimos nos últimos anos uma ascensão de governos populares em muitos países da América Latina.

No Brasil, o processo ocorreu progressivamente. Sarney (Tancredo) foi eleito de forma indireta. Collor, frente a Sarney, foi um progresso, na minha opinião, e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Brasil, depois da ditadura (vale lembrar que Lula teria vencido, se não fosse a armação que a Globo fez no último debate, fazendo edição do debate antes de transmiti-lo, o que também mostra imaturidade democrática da sociedade).
Depois veio FHC, que frente a Sarney e Collor, está anos-luz à frente no quesito democracia. Mas, aquele PSDB, de origens sociais-democratas, infelizmente, se direcionou ao neoliberalismo e consequentemente, a favor dos interesses imperialistas.

E depois veio o PT, com Lula. Lula concretizou a democracia no Brasil. Um grande avanço, comparado ao que veio antes, o que é normal, seguindo a lógica da evolução progressiva. Claro que, não foi perfeito, até porque perfeição não existe. Mas ainda há/havia MUITO a evoluir, melhorar, tanto na democracia, quanto na vida do cidadão.
Mas antes que isso fosse possível, as forças conservadoras começaram a “reagir”, chegando ao seu auge durante os governos Dilma.

A história se repete, desde a Grécia antiga, e fatos já observados naquela época, acontecem exatamente da mesma forma hoje.
Quando ideais/pensamentos/movimentos “A” avançam, ideais/pensamentos/movimentos “B” começam a crescer proporcionalmente, visando frear “A”. A isso dá-se o nome de “reação”, ou “reacionarismo”. Alguém age, outro alguém reage.

O que ocorre é que, enquanto o povo não tem voz nem direitos, a elite e os pensamentos conservadores ficam hibernando, escondidos. Quando o povo começa a ganhar força, as ideias e atitudes conservadores e opressoras ascendem, e com força bruta, e reagem visando impedir este avanço do progressismo.

Como os governos de esquerda estavam atingindo seus objetivos nas Américas: inclusão social, combate ao imperialismo, evolução da democracia, etc, as forças de direita começaram progressivamente a avançar em paralelo.

Peixes_piloto

Peixes_piloto

Essas forças são principalmente compostas por: EUA e seus principais aliados na Europa (Inglaterra, Alemanha, França), as elites locais (banqueiros, grandes empresários, a mídia privada, e claro, aqueles políticos que representam os interesses destes grupos), e os peixes pilotos (pessoas da classe média, que se acham de elite ou sonham em pertencer a ela, e aí defendem ideias conservadoras, sem perceberem que, na verdade, deveriam defender ideias progressistas, pois eles, classe média, estão muito mais próximos do povo, que da elite).
(Um pouco do ódio desenvolvido pela classe média do Brasil. Mantega recebe gritos e ofensas por médicos no hospital Albert Einstein. Clique AQUI)

Neste movimento, a América Latina está passando por um processo político muito delicado, que lembra os movimentos que se iniciaram na década de 60, e que geraram todos os golpes militares de direita, e afundou a América Latina num período de trevas.
Venezuela e Brasil são países líderes neste processo do avanço da esquerda. E são países riquíssimos em petróleo. Por isso, somos o maior alvo do golpe que se arma. (Venezuela se prepara para reagir contra Golpe e Guerra – Clique AQUI)

Se você é um dos que defende inocentemente o impeachment de Dilma. Se você é um dos que inocentemente acha que o escândalo da Petrobrás trata-se de “mais um esquema de corrupção”, sem perceber o golpe econômico e político que se arma em volta de NOSSO petróleo. Se você é um dos que há anos vem divulgando, espalhando, compartilhando, curtindo, toda e qualquer informação contra o PT, contra Lula, contra Dilma, contra Zé Dirceu, contra Chávez, contra Maduro, contra Fidel Castro, contra Evo Morales, etc. Se você acredita que ser de esquerda é simplesmente ser comunista, e acha que comunista come criancinhas (e não percebe que a esquerda tem um espectro político amplo, incluindo a social democracia, sistema vigente na maioria dos países europeus. E que ser de esquerda significa, basicamente, estar do lado do oprimido).

Se você pertence ou se aproxima destes grupos descritos acima, ou de qualquer outro parecido…. então VOCÊ é cúmplice dos golpes que se armam. VOCÊ joga contra o Brasil e contra os povos latino-americanos (mesmo que não saiba disso). VOCÊ está ajudando o planeta a escrever um novo capítulo de sua história, onde mais uma vez, uma Era de sombras pode estar se aproximando da humanidade, e você, que se acha bem informado ou bem intencionado, é responsável por esse fenômeno.
(Segue um excelente artigo didático sobre as várias facetas do golpe. Clique AQUI)

Sim, eu sei que o sistema educacional e a mídia nos corrompem, nos ludibriam, nos enganam, nos fazem jogar do lado que eles querem que joguemos. Mas no fundo no fundo, nós somos seres pensantes, e só não nos livramos dessas amarras e alienações, pois somos reféns de nossas fraquezas, nossas ambições, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso ego. Se fossemos seres humanos melhores, como fingimos ou aspiramos ser, seria muito mais fácil sairmos dessa prisão ideológica, e fazermos desse mundo um lugar melhor para todos.
O culpado portanto é VOCÊ!

E se o pior acontecer, eu lamentarei, por mim e por você.

por Miguelito Formador

figura montagem própria (originais daqui + daqui + daqui + daqui)

Combate_CorrupçãoPara os que não leram ainda, o artigo-base deste post foi publicado na Folha de São Paulo no dia 21/11/2014 – link aqui.

Antes que falem: Uai Miguel, mas você critica tanto a mídia, e posta um artigo da Folha?
Explicação: Eu critico o “Editorial” da mídia, ou seja, as linhas gerais, a grande maioria das publicações, as capas, as chamadas, a ideologia da diretoria e conduta antiética da mesma.
Esse artigo aqui é uma coluna dentro da parte “opinião”. Ou seja, tem uma certa liberdade, e existe na maioria das mídias escritas, para transparecer um pouco mais de democracia. Percebam que no final da mesma tem uma nota do jornal, dizendo que a opinião ali exposta não condiz, necessariamente, com a opinião do jornal.
Portanto, é um espaço livre que o jornal disponibiliza para colaboradores. O mesmo não representa 5% do alcance que o editorial do jornal representa.

Bom, depois de separar alhos de bugalhos, já começo a segunda parte dizendo que lamento o fato de que, a maioria dos leitores que “divergem” de mim, não lerão até o fim (mesmo se tratando de um artigo de dois minutos de leitura). E caso leiam, interpretarão somente aquilo que querem, e ignorarão todo o resto, criando internamente em suas mentes desculpas e argumentos para desqualificar passagens do texto. Inclusive, ignorarão a importância do fato do autor mencionar claramente que é eleitor tucano.

E é justamente por não lerem, por pré-julgarem, por filtrarem só aquilo que lhes interessa, e de preferência, coisas simples e de rápida absorção, é que pensam como pensam. Antes de se informarem, estudarem a fundo, buscarem entender as problemáticas, analisarem com cuidado os dois lados, buscarem diversas formas de ver a mesma coisa, preferem sempre, antes de qualquer coisa, opinarem. Por menos informado que se esteja, pensa que o mais importante seja opinar, e garantir a defesa de suas convicções e do seu ego.

Sofro diariamente as mesmas acusações, que se repetem em ondas de clichês da maré do senso comum. É mais ou menos assim: Se o interlocutor está mais preparado que você, e tem mais informação que você, e aponta incoerências e falta de lógica em suas argumentações, não há problemas, basta acusar o interlocutor de ser arrogante, ou agressivo, ou contar algum “tropeço” dele há 20 anos, ou dizer que ele não respeita opiniões divergentes… E se nada disso causar o impacto que se deseja, não se preocupe, comece a debochar, ser sarcástico e fazer piadas, e depois dê a desculpa que você “só queria descontrair”. Para que aprender aquilo que não se sabe, para que evoluir, se é possível se sentir vitorioso assumindo uma postura desonesta intelectualmente, certo?

É o vale-tudo da retórica, para escapar da sua incapacidade de rever seus conceitos e valores.

Também existe a tentativa de acusar “nós” do lado mais à esquerda, de também sermos viciados em nossas leituras, e fecharmos os olhos para o “outro lado”. Esta é mais uma tentativa desesperada de colocar todo mundo no mesmo balaio. Mas ela própria já se auto-desqualifica, por não possuir fundamento lógico.

Todo e qualquer cidadão brasileiro, cresceu vendo Jornal Nacional, Novelas da Globo e do SBT, Boris Casoy, Fantástico, tendo nos bancos de consultórios Veja (Editora Abril) e Época (Globo) para lerem. Os jornais, quando os tinham, eram Estadão, Folha de São Paulo e Estado de Minas. Todos nós, sem exceção, fomos bombardeados por essa mídia que detêm mais de 80% da audiência brasileira, desde que nos entendemos por gente. E continuamos a ser bombardeados, pois mesmo não acreditando na maioria das coisas que eles escrevem, nós somos OBRIGADOS a ler e assistir diariamente à mesma, pois todo mundo tem TV em casa, todo mundo tem uma esposa, um esposo, um filho, um parente, um amigo, uma visita, que não quer perder o fantástico, ou leva na bagagem das férias uma Veja.

No facebook, apesar de eu assinar só revistas e jornais alternativos e/ou de esquerda, o que mais me salta na linha do tempo são artigos da Globo e da Folha. E muitos deles eu abro e leio até o fim.
Portanto, a afirmação de que somos “viciados” em nossas mídias, e não abrimos a cabeça para o diferente, é uma falácia. A diferença entre o cidadão que só tem contato com a Grande Mídia e o cidadão que busca outras fontes, é que o segundo teve um “click” durante a vida, e percebeu que há outras realidades, e que elas parecem, na maioria das vezes mais justas, mais honestas, mais éticas que a realidade fabulosa onde vive a maioria do senso comum.

O estudo liberta, e de uma maneira profunda. Estudem, larguem a preguiça de lado. Ou parem de se posicionar como se estivessem super bem informados, como se suas opiniões fossem de extrema confiabilidade. Isso não é legal, e acontece em países de sociedades desenvolvidas, muito menos que no Brasil. Na Alemanha, por exemplo, a maioria das pessoas, quando falam de algum assunto sobre o qual não estão bem informados, eles afirmam a cada 5 minutos de diálogo (não tenho certeza, não sou estudioso de política, isso é só o que eu ouvi, mas não posso afirmar se está certo ou errado… etc). E normalmente prestam muito atenção naquilo que você diz, caso percebam que você está bem informado e pode lhes agregar algo.
(Leiam também nosso artigo sobre opiniões, clicando A Era das Opiniões: direitos e deveres.)

por Miguelito formador


Meus dois centavos…

Tomei conhecimento do artigo/depoimento e logo pensei em publicá-lo aqui. Não somente por escancarar uma verdade conhecida, mas até então não assumida. Mais por mostrar o “dedão na lama” que a elite tem.

Aproveito pra responder à pergunta feita pelo autor: o pessoal do Bolsa Família não usou dessas artimanhas! Poderia colocar um “ainda” na frase, na esperança de que esse pessoal possa ainda ter carro, casa, dinheiro para optar ser atendido por médicos particulares, entre outros benefícios. Daí viria do livre arbítrio a escolha de ser mais um “Gerson”, querendo levar vantagem sobre tudo e todos.
Mas sabemos que a situação de hoje está bem longe dessa realidade. Apesar de representar a generalização da direita, são poucas as pessoas que viviam em condições tão palpérrimas que é mais digno “viver da Bolsa”; a esmagadora maioria realmente utiliza o benefício para morar, comer e se vestir dignamente.

Meu lado romântico, quer e espera que a operação Lava Jato siga abrindo as feridas no empresariado nacional e que leve consigo os políticos envolvidos, de que lado forem e em que lado estejam hoje!

por Celsão correto.

figura daqui

Conservadorismo_Aborto_religiaoAnalisando a pesquisa Ibope da semana passada, podemos tirar algumas conclusões sobre a sociedade brasileira e sobre o perfil dos eleitores de Marina Silva e Dilma Rousseff.

 

 

Ibope delineia a sociedade brasileira: Assustadoramente conservadora!

Pena de morte: Os EUA é um dos únicos países desenvolvidos onde há pena de morte. Na Europa, não há. No Brasil, 46% da população defende a pena de morte. Um atraso mental e totalmente contra os ensinamentos de Jesus Cristo (mais de 80% da sociedade brasileira é Cristã), ou seja, contraditória.

Maioridade Penal: É quase unanimidade entre os países desenvolvidos, a maioridade penal acima de 18 anos, e para alguns efeitos, 21 anos. Mas o Brasil, na contramão da evolução mundial, quer retroceder e reduzir a maioridade penal para 16 anos, ou talvez, 14 anos, com 80% da população sendo a favor da redução.

Casamento Gay: Enquanto Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Canadá, Bélgica, Holanda, Uruguai, Argentina, entre outros, já oficializaram o casamento homossexual, 53% da sociedade brasileira rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanta barbaridade!

Descriminalização do aborto e da maconha: Tópicos importantíssimos também já debatidos e aprovados constitucionalmente em diversos dos países desenvolvidos, entre eles muitos dos já citados acima. No Brasil porém, ambos os temas possuem rejeição de 79% da população. Um número assustador.

Aí percebemos como é difícil levantar bandeiras progressistas, num país tão conservador. Imaginem se um político, presidente, senador, prefeito, governador tentar assumir esses temas como prioridade: acabará sendo rejeitado e odiado pela maior parte da população.
Nessa perspectiva, só há uma solução viável: Uma revolução no sistema de ensino do Brasil, inserindo temas de interesse da sociedade, trabalhando o senso crítico e o interesse pela política, fortalecendo a sociologia e antropologia, trabalhando e dando liberdade às diversas culturas e formas de pensar, trabalhando o respeito às individualidades, e dando ênfase na formação do perfil ético-social do cidadão.

O Ibope delineia o perfil dos eleitores: mais pobres com Dilma, mais ricos com Marina.

Marina: Classe média alta e ricos. Regiões Sul e Sudeste. Evangélicos (num geral, religiosos mais radicais e mais manipulados pelas Igrejas). Jovens de 16 a 24 anos (normalmente despolitizados, sem conhecimento, sem malícia e sem bagagem histórica).

Dilma: Classe média baixa e pobres. Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Católicos. Adultos de mais de 34 anos (normalmente mais politizados, mais cientes de suas responsabilidades civis, e menos ingênuos devido a experiências passadas).

Pense nesses perfis e reflita sobre quem você está apoiando: o povo que necessita de suporte, ou a velha oligarquia que luta para voltar a ter todas vantagens possíveis, em detrimento dos direitos do pobre e das minorias.

Para ler mais sobre o assunto, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui

Pirâmide_SocialQue vivemos em mundo injusto, cruel, desumano, desigual, bárbaro, quase todos nós humanos concordamos. Porém, ao propormos soluções para que estes problemas sejam amenizados e tenhamos um lugar melhor para se viver no futuro, as divergências começam a aparecer.
Há aqueles que acreditam na caridade como forma de solucionar os problemas do mundo (já escrevi sobre isso AQUI). Há aqueles que acreditam no poder da oração. Há aqueles que acreditam na meditação. Há aqueles que acreditam numa mudança de comportamento, buscando uma forma mais bucólica e natural de vida. Há quem não acredite em soluções e que estejamos fadados ao desaparecimento, extinção.

Eu acredito que a única ferramenta capaz de causar mudanças no Status Quo, enfraquecendo o sistema vigente onde poucos tanto têm e muitos nada têm, é a educação crítica em paralelo com ações governamentais progressistas em prol das minorias.

O mundo caminha cada vez mais para uma manipulação em massa das sociedades, uma vez que é interesse da elite que os sistemas educacionais se degenerem em qualidade para que os alunos se tornem especialistas em determinadas áreas, mas sejam completamente alienados e acríticos com relação ao mundo como um todo. Assim, as escolas a cada dia mais, formam ótimos especialistas, mas péssimos seres humanos.

Em paralelo a isso, a mídia convencional desempenha cada vez mais um papel de geração de medo, ódio e sentimento de caos, o que impulsiona e estimula o consumo desenfreado, tão lucrativo para as grandes empresas e bancos, mas nada sustentável para a sociedade e para o meio ambiente. Sabe-se ainda que a mídia deslumbra e ludibria as sociedades com seus programas sensacionalistas e pobres em conteúdo, o que gera seres humanos incapazes de raciocinar, e hipnotizados com as telinhas.

Essa mesma mídia é tendenciosa e parcial, pois assim como qualquer empresa, defende os interesses daqueles que lhes pagam, no caso, seus anunciantes e patrocinadores, que são as grandes empresas, o capital privado, também conhecido como elite. Assim, a mídia raramente é pró-sociedade, pois ela é pró-capital privado, o que significa em outras palavras, pró-elite.

Essa combinação, sistema educacional degenerado + mídia manipuladora, gera uma sociedade perdida, que não tem sequer consciência que não são donos de seus próprios destinos, nem de suas próprias vontades.

Por isso, tenho plena convicção que se queremos um dia viver num mundo melhor, precisamos lutar pela educação crítica da sociedade, com forte foco em ética, moral, consciência política e consciência social, pois além de tudo, de uma sociedade consciente, florescerão também políticos conscientes que usarão o Estado cada vez mais em prol de gerar equilíbrio, justiça e igualdade em todos os níveis e patamares da sociedade.

Obs.: Por falar em ter sonhos e utopias, aproveito para indicar um excelente e sensato texto do religioso e filósofo Leonardo Boff, que muito tem a ver com o que acabo de escrever. Clique AQUI

por Miguelito Formador

figura retirada do perfil do facebook

figura_post Há algum tempo estão sendo veiculadas na mídia, notícias de rebeliões e assassinatos no presídio de Pedrinhas, estado do Maranhão.

Tais notícias, assustadoras por sinal, expõem três problemas interessantes de uma só vez:

 1) o descaso ao sistema prisional ou penitenciário no Brasil

 2) as mazelas do governo coronelista do Maranhão

 3) a abordagem distorcida da mídia, manipulando as notícias e ocultando detalhes importantes

 

Sobre o primeiro ponto, que sequer é o foco deste post, é incrível como o Estado isola os presos “num mundo a parte” e quer simplesmente esquecer-se deles. Creem que por mágica, todos se recuperarão, se arrependerão e voltarão à sociedade por si só para trabalhar e pagar impostos.

Sem me aprofundar muito, ficou latente pra mim a já divulgada “equalização” dos presos. Não importa se o crime foi roubo a banco, sequestro ou furto de pães para comer; ao entrar na cadeia superlotada o detento se envolve com outros e tem de se alistar em uma facção criminosa sob pena de morte. Começa aí um novo “estágio” para o preso chamado “recuperável”, ou o popular “ladrão de galinhas”; a universidade de bandidos, como tantos pregam.

São as guerras entre facções do crime organizado que dão o tom nessas últimas rebeliões em Pedrinhas. Busca-se o poder não só interno, no presídio, mas da distribuição de droga fora dali.

Quanto à “Fazenda Maranhão”, propriedade da família Sarney há algumas décadas, me revoltam as ações, ou falta delas, por parte do “senhorio”.

Enquanto a oligarquia Sarney segue encomendando toneladas de camarão, caviar, lagosta e vinho importado para o Palácio dos Leões, aparecem na TV apenas o secretário de Segurança e alguns chefes do Judiciário.

Pois é, enquanto uns sofriam com a violência desenfreada e com atentados a ônibus, delegacias e postos policiais; outros orçavam mais de um milhão de reais para rechear a despensa.

Li na mesma semana uma opinião que classificava como absurdas as críticas à lista de encomendas da governadora maranhense; afinal, um estado no Nordeste brasileiro consome geralmente frutos do mar e, por ser residência oficial e contar com muitos visitantes e compromissos, duas toneladas de camarão não eram, de modo algum, exagero.

Respondo a este comentário com a direta acusação de descaso, ou melhor, de abissal diferença entre os governantes e o povo daquele estado. Um estado, diga-se a verdade, que detém os mais vergonhosos índices de educação, saúde e bem estar social: maior analfabetismo, pior IDH e a segunda pior mortalidade infantil do Brasil.

Se foi apenas coincidência, o fato é que foi infeliz e teria “queimado o filme” da Dona Roseane se não fosse o terceiro fato levantado no início deste post: a manipulação da mídia!

 

É incrível como sempre volta a ocorrer. Já apontamos alguns desses “equívocos”, como omissão de nomes ou troca proposital de partidos aqui, aqui e aqui. Mas é rara a correlação entre as rebeliões no Maranhão e a família Sarney.

E não é por acaso. A família Sarney é dona de boa parte da mídia Maranhense (pra não dizer toda); sendo inclusive dona da afiliada Rede Globo por lá.

Em todas as reportagens que vi, são outros que aparecem falando sobre o problema: assistentes carcerários, representantes da Polícia, família das vítimas e, quando muito, o secretário estadual de Segurança.

Não digo que não seja a função destes; mas a Dona Roseane poderia numa só “cajadada”, mostrar-se ciente do problema, acessível à população que a tem como sua representante maior e explicar os gastos gastronômicos ocorridos que ocorreriam na mesma semana.

Citando um exemplo: o Fantástico do último domingo mostrou os “absurdos” da cadeia de pedrinhas, como telefonemas gravados, ordens partindo do presídio para os ataques incendiários a ônibus, as vítimas, uma pequena estória de rebeliões naquele local, a obrigatoriedade que os detentos têm de escolher a facção que fará parte ao entrar no presídio, etc. Mas nenhuma vez mencionou o nome da governadora Roseane. O mais próximo que “chegou” foi a imagem desfocada de um quadro presente no fundo da sala do secretário de segurança, durante a entrevista. (imagem essa que usei como figura para esse post)

 

por Celsão Correto

link para um vídeo excelente do Bob Fernandes, com suas opiniões contundentes sobre Política, abordando o Maranhão como foco: aqui

Para quem quiser, segue o link do vídeo/reportagem do Fantástico, do qual tirei a figura – aqui.

Caros leitores, gostaria de lhes desejar um 2014 muito produtivo na esfera intelectual. Desejo a todos vocês um despertar ainda mais aguçado do senso crítico, do poder de reflexão, da racionalidade em combinação com a sensibilidade, e que isso tudo gere o desenvolvimento de uma sabedoria cada vez mais concreta, pois afinal, a sabedoria traz todo o resto, inclusive saúde, paz, amor, equilíbrio, uma vez que todos estes são consequência, em muito, de nossos atos e comportamentos.

Para iniciar esse ano sacudindo a poeira, trago um documentário e uma entrevista, que se assistidos por completo e com bastante atenção têm o potencial de quebrar diversos paradigmas de nossa cultura e desmanchar crenças e preconceitos, que foram cravados em nossas almas através de nossa criação e educação.
Quase tudo o que somos é um reflexo de nosso meio, de nossa sociedade e da cultura da mesma. Poucos são aqueles que questionam seus próprios atos, crenças e costumes, pois afinal, não fomos educados para questionarmos, pois questionar é ruim para o Status Quo, e o Status Quo é bom para aqueles que detêm todo o Poder do mundo em suas mãos.
Agimos repetindo nossos pais, nossa família, nossos amigos, nossa televisão, nosso meio. E quase nunca paramos para nos perguntar: “Por que eu penso e ajo desta maneira? De onde veio este meu costume? É certo fazer isso que faço? Será que aquilo no qual acredito, é uma verdade absoluta, ou pode ser uma mentira ou uma bobagem que me foi ensinada como verdade?”

1) A primeira indicação deste blog é o documentário Zeitgeist. Este é composto por 3 filmes, mas aqui venho indicar, inicialmente, somente o primeiro. Obviamente, os outros 2 são altamente recomendáveis, mas não serão tratados neste post. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Zeitgeist

Zeitgeist

Zeitgeist filme 1 é composto por blocos:

  • No Bloco 1 é abordado o fenômeno da religião. O foco é a igreja cristã, mais especificamente, a católica. Mostra-se com um resgate bibliográfico fantástico, como a maioria das religiões têm infinitas semelhanças metafóricas, e que todas essas semelhanças têm uma explicação astrológica bem definida. Resumindo, prova-se com dezenas de exemplos que, o cristianismo, em boa parte de sua essência, não passa de uma cópia de religiões “pagãs” antes de Cristo.
  • No Bloco 2 é abordado o atentado do World Trade Center. Fazendo um apanhado de depoimentos de quem estava dentro dos edifícios e sobreviveu, e realizando um estudo técnico combinado com muito bom senso e lógica trivial, busca-se mostrar que este atentado, obrigatoriamente, foi articulado deliberadamente por pessoas ligadas à CIA e ao exército norte-americano. Ainda mostram como atentados contra a própria nação são uma estratégia utilizada há muitas décadas pelos EUA, como forma de comover a população, buscando gerar um sentimento de patriotismo e com ele o apoio a empreitadas militares fora de seu território.
  • No Bloco 3 é feito um resgate histórico sobre os bancos e o Sistema Financeiro, até chegar os dias atuais. Com uma análise bem técnica, apontando diversos exemplos e dando “nome aos bois” o documentário visa, neste ponto, mostrar que o mundo é refém do Sistema Financeiro. Os poderosos fazem-nos crer que os políticos são responsáveis pelas atrocidades do mundo. Mas a verdade é que todos são vítimas e reféns dos grandes bancos do mundo, desde um cidadão normal até os próprios políticos. Enquanto o Sistema Financeiro continuar sendo o carro condutor, as sociedades não conseguirão prosperar de forma justa e digna.
  • No Bloco Final mostra-se a conexão entre o Sistema Financeiro, as Religiões e os Governos como um complexo bloco detentor do Poder e de quase todo o dinheiro do mundo. E, para conseguirem manter os cidadãos alienados, sem protestarem por mais direitos e mais justiça, utilizam-se da mídia para gerar medo, jogar uns contra os outros, e mantê-los entretidos com todo o tipo de futilidade. Ou seja, a Mídia é o meio utilizado pela alta elite (leia-se religiões, bancos, multinacionais e governos) para controlar toda a população mundial.
    E por fim concluem com uma teoria de controle total do mundo por parte dos poderosos. Teoria essa que se mostra a cada dia mais verdadeira, se observarmos bem ao nosso redor.

2) Entrevista no Roda Viva de 1996 com o intelectual americano Noam Chomsky. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Noam_Chomsky

Noam Chomsky

Noam é um acadêmico linguista, mas atua em diversas áreas, como filosofia, política, sociologia, antropologia, entre outras. Durante a Guerra do Vietnã, Noam se destacou por suas críticas ao imperialismo americano.
Integrando o hall dos intelectuais mais respeitados do mundo, Noam explana no programa Roda Viva suas ideias e críticas ao sistema capitalista vigente, ao imperialismo americano/europeu, ao descaso para com aqueles marginalizados pelo sistema, e aponta aqueles que para ele são os responsáveis pelas grandes barbaridades, as guerras, desigualdades e injustiças existentes no mundo:  as empresas transnacionais, os grandes bancos, a mídia e a indústria armamentista.
Ele faz também críticas aos sistemas ditos “socialistas” que passaram pelo mundo, como o da União Soviética e China, além de falar do Marxismo.

Como grande intelectual e possuindo um discurso muito didático, num tom humilde e puro, Noam propõe também algumas soluções para o caminhar da humanidade.
Essa entrevista é imperdível, assim como o é toda a obra de Noam Chomsky.

Esses dois “vídeos” têm o potencial de abrir muito os nossos olhos para a podridão que rege nosso Planeta. Espero que essas verdades toquem cada um de vocês e que juntos possamos fazer nossa parte para mudar os rumos do mundo e das sociedades. Este é meu desejo para 2014 em diante.

por Miguelito Formador

Rei_Camarote

Vi o comentário do Jornalista Bob Fernandes sobre o vídeo do rei do camarote (vídeo aqui). Confesso que não tive saco de procurar o vídeo do cara no youtube. Alinhado ao comentário do Bob, reparei nas minhas poucas entradas no facebook, que este caso estava bombando por ali. Pois bem, nem vou me aprofundar no mesmo, pois ao perder tempo com ele especificamente, estarei afogando meu ego na mesma futilidade a qual desprezo.

Mas aproveitando as reações que vi a favor do magnata, dizendo que o dinheiro é dele, e por isso ele faz o que quiser com o mesmo, e coisas do tipo, resolvi escrever um breve conto, que segue abaixo:

Pedro Luis nasceu num berço de ouro, papai tinha uma fortuna de 400 milhões de Dólares. Pedro foi criado com muito mimo, nunca aprendeu a dar valor à essência da vida, ao amor, ao próximo, às tristezas e problemas ao seu redor, à pureza da natureza, à satisfação de realizar uma gentileza.

Papai morreu, Pedro herdou tudo, e torrou sempre do jeito que quis, com farras, baladas, drogas, mulheres, com mansões, carros (atropelando os outros em “pegas” nas ruas), etc.

João por sua vez, nasceu num casebre numa favela, à beira do esgoto. Quando chove, o esgoto entra dentro de casa. Ele divide um quarto com seus outros 3 irmãos, com os pais, e os dois cachorros de rua que a mãe adotou. O pai era trabalhador honesto, braçal e a mãe era empregada doméstica. Ambos juntos somavam 900 reais de salário. Justamente por isso, João e seus irmãos tiveram pouco estudo, pois tiveram que ajudar no lar, trabalhando de 6 a 10 horas por dia desde os 6 anos de idade. João tentou se dedicar aos estudos até, mas quando o pai morreu durante uma briga de gangues, com uma bala perdida, tudo ficou mais difícil. A mãe, 2 anos depois, teve uma inflamação muscular, e por falta de acesso a médicos e medicamentos mais caros, ficou praticamente inválida para o trabalho.

Assim João e seus irmãos se tornaram adultos, sem estudos. Por falta de qualificação foram obrigados a repetir as “carreiras” dos pais, trabalhadores braçais que ganham abaixo do salário mínimo.

Pedro, com toda sua fortuna, poderia sim esbanjar, gastar com futilidades, obviamente, é direito dele. Mas se ele fosse um ser humano com o mínimo de compaixão, sensibilidade , ética, moral, amor no coração, então ele pegaria 20%, 30%, 40%, ou até mais de seu dinheiro, e investiria em ONGs de ajudas sociais, ou faria doações, criaria empresas que fizessem projetos para educação ou distribuição de renda, ou coisas do tipo, e mesmo assim, ainda sobraria dinheiro para ele esbanjar, e pagar mulheres e homens para estarem artificialmente com ele.

Mas não, Pedro optou por um caminho, caminho este que é defendido por aqueles que foram alienados por um discurso de inversão de valores: Optou pelo seu magnânimo direito de ser um extremo egoísta, individualista, narcisista, para o qual o fato de milhões, bilhões estarem passando fome, sendo comidos vivos por urubus, e viverem dezenas de gerações no ciclo eterno da inércia da pobreza, assim como João e seus irmãos, não faz a menor diferença. Afinal, Pedro deu sorte, e ter sorte não é culpa dele, ora bolas!!! Ou talvez, Pedro tenha se esforçado e por isso merece tudo que tem, enquanto João não se esforçou suficientemente. Ou seja, culpa do João, incompetente!

por Miguelito nervoltado

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Quando vi esse vídeo a primeira vez, pensei na palavra fútil.

Depois me veio desonroso. Pois pensei num pai de família que “subiu” de classe recentemente e hoje pode não só comer melhor, mas prover educação para um filho pagando sua faculdade, por exemplo.

Façamos outra conta: se a média do salário do brasileiro é de R$1507 (dados divugados em Setembro, provenientes do PNAD 2012 – aqui), por ano, ganha-se R$20.000, tomando em valor bruto e arredondando o valor pra facilitar. Nessa linha, o assalariado precisa economizar por três anos para “curtir” um camarote, como o tal sujeito curte; e, lembrando, sem gastar mais nada com outra coisa.

Mas o que mais me incomodou foi a utilização do verbo agregar. Quando se fala em agregar, penso em algo que realmente traz benefícios, melhora, acresce de alguma forma. E, nem o vídeo, nem o comportamento, nem a utilização do termo “mandamentos” agrega!

O vídeo é tão patético, que inúmeras imitações e paródias surgiram e surgirão.

Ele mostra apenas a futilidade dele e das pessoas que usufruem do dinheiro dele. E, seguindo a cartilha capitalista, cria um ponto inatingível, de desconforto na sociedade, de desejo de consumo; para que o filho daquele cidadão que melhorou de vida e está feliz com suas conquistas, se revolte por ser “muito pobre” e se frustre por não atingir o nível do tal “Rei”.

É isso que a Veja quer. Aliás, não esperava nada diferente dessa revista.

por Celsão revoltado

P.S.: escrevemos nossos textos separadamente e os postamos sem adaptações.

figura retirada no vídeo do youtube da Veja SP (aqui)