Posts Tagged ‘esquerda’

Começo compartilhando um vídeo extraído do Youtube (aqui a entrevista completa, para quem quiser ver o original).
Quem fala no vídeo é Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs, ícone do rap nacional, e de toda a periferia paulista, desde o início dos anos 90. A entrevista é sobre o novo disco, o “novo estilo” do músico que “brinca” com a carreira solo.

Meu destaque vai para a análise de Brown sobre o Brasil, em pergunta provocativa já no final da entrevista.
Faz sentido sermos um país hoje “de direita”, enfrentando tantos problemas sociais?
Faz sentido vislumbrarmos o radicalismo de Malafaias e Bolsonaros, na política, antes mesmo de evoluir socialmente e nos certificarmos que nossa nova democracia, nossas jovens instituições funcionam? Antes de assegurar que podemos evoluir em ética (comportamental, política, social)?

Independente do resultado da Lava Jato, da pizza que venha a surgir…
Independente das delações, das listas de Janot, dos conchavos dos políticos que tentarão até o fim safar-se…
Independente dos infindáveis processos do STF, que julga até brigas de trânsito dos ricos em última instância…
Independente do esvaziamento das manifestações pós-PT, como se todos os problemas já estivessem resolvidos…
É preciso continuar lutando!

Por mais ingrato que seja a luta, por mais longo que seja o processo, por mais improvável que seja a condenação, por mais absurda que seja a a lei de última hora, aprovada durante a noite…

É preciso ouvir. É necessário que prestemos atenção aos pequenos grupos, às opiniões pirata, aos pensadores que arriscam “fora da caixa”.
Que os vídeos do Bob Fernandes, que blogs como o do Josias, que revistas como a Piauí e que TVs como a Cultura, sejam lidos e vistos. Principalmente como alternativas ao conteúdo normal de Globo, Estado, Folha e das revistas mais lidas do país (aqui).

Que tenhamos mais Browns, Mandelas, Luther Kings, Mujicas, Angelas Davis, Fred Haptoms…
Mas que a internet nos traga também entidades coletivas, onde a multiplicação da opinião do indivíduo ecoe rapida- e eficazmente, como o Avaaz, o Greenpeace, o Change.org

O tal “Caixa 2” é mesmo crime; e não duas vezes um “Caixa 1”. Qualquer coisa que digam contra ou qualquer isenção que seja aprovada no Legislativo é manipulação das mais reles.
As medidas de combate à corrupção, apresentadas por Dilma no longínquo março de 2015 (avaliadas aqui), quase dois anos atrás, e foco de ação popular pouco depois, não serão adotadas. Não adianta ter esperança nesse ponto. Ao menos não serão aprovadas sem drásticas mudanças. Como já escrevemos recentemente, a Câmara prepara a pizza, pois ainda verifica as assinaturas da ação popular (aqui).
As investigações dos políticos e empresários delatados, sobretudo nessa fase da Operação Lava Jato, levarão muitos anos. E provavelmente não extinguirão a corrupção. Se houverem condenações e prisões, mesmo tardias, teremos iniciado REALMENTE um movimento positivo.
A reforma da previdência, ou reforma trabalhista, será aprovada. Não por ser melhor para o país, mas aproveitando a maioria confortável que o governo Temer tem no Congresso atualmente. Não que eu seja contra reformas, só acho que essa merecia ser exaustivamente discutida e avaliada; sobretudo ouvindo empregados e sindicatos.
As aposentadorias de “marajás”: militares, juízes e políticos, que trabalham por pouco tempo e ganham salários exorbitantes não vai acabar; por mais que queiramos e por mais que seja mais justo e efetivo.

Somos poucos. Mas somos inconformados e continuaremos lutando!
No Legislativo ainda temos PSOL, outros pequenos partidos de esquerda como PCB e PCdoB, parte da Rede, do PDT e o que sobrou do PT. Nas ruas temos os inconformados, os pensadores, os curiosos, os críticos…

Terminando com outra frase de Mano Brown…

Nunca foi fácil, junta seus pedaços e desce para arena, mas lembre-se: Aconteça o que acontecer, nada como um dia após um outro dia!

por Celsão revoltado, já que citei Racionais e Congresso. 🙂

P.S.: figura retirada daqui, mais por não saber se o vídeo apareceria como figura no Facebook

P.S.2: abaixo o mesmo trecho de vídeo, no formato MOV, caso alguém tenha dificuldade em abrir o MP4

Ciro-Gomes-de-anel-560x250Compartilho uma entrevista recente do provável pré-candidato à presidência (adorei o termo!) Ciro Gomes.
Na entrevista concedida ao InfoMoney, Ciro fala de inverdades difundidas pela mídia, que é cúmplice de um “pacto de estupidez”, na tentativa de proteger o atual presidente e a esperada retomada do crescimento econômico. Cito como exemplo a reforma da previdência: o ex-ministro e ex-governador nega que haja déficit e propõe mudanças numa direção distinta da atual. Critica a disparidade de valores para juízes e políticos, e a punição ridícula aplicada a juízes, da aposentadoria compulsória integral. (pontos já criticados nesse blog aqui)
Há algum tempo Ciro fala da reforma da previdência, focando no modelo de poupança própria (ou capitalização) em oposição ao regime atual de repartição (achei duas referências de 2001: aqui, onde Ciro falou em Harvard sobre o seu plano de Governo e aqui, onde usaria as reformas tributária e previdenciária para elevar o valor do salário mínimo)

Ciro critica Temer, como vem fazendo desde que o mesmo assumiu a presidência e nomeou o seu primeiro escalão.
Está pessimista em relação a 2017. Tomando uma das frases dele, dita logo antes do impeachment: “vocês estão completamente equivocados em querer colher maracujá em pé de laranja. Dessa coalizão de corruptos, incompetentes e entreguistas, não sai nada senão corrupção, incompetência e entreguismo

Ciro também cita uma das ideais “pirata” defendida aqui nesse post: redução da taxa de juros. Mesmo não sendo brusca, a redução, segundo ele, faz todo o sentido. Inclusive daria para aproveitar que as economias do mundo estão praticando taxas negativas de juros, e transformar nossa dívida interna em externa (totalmente “fora da caixa”).

Enfim… no mínimo, vale a leitura e a reflexão.
Segue abaixo, na íntegra.


InfoMoney: O senhor defende que não há rombo na Previdência. As estimativas de que o déficit do INSS vai superar os R$ 180 bilhões em 2017 estão erradas?

Ciro Gomes: Todas as vezes em que se reflete sobre um problema complexo no Brasil, os oportunistas a serviço dos interesses prevalecentes acabam reduzindo opiniões que deveriam ser complexas. A grande questão hoje é que, se você tem as receitas destinadas pela lei versus as despesas para a Previdência, não há déficit. Se somarmos CSLL, PIS, Cofins, as contribuições patronais do setor privado e público e as contribuições dos trabalhadores, contra as despesas do presente exercício, temos ainda um pequeno superávit. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de decência e não esteja a serviço da manipulação de informações vê isso. Eles têm a audácia de falar em déficit, porque propõem uma DRU [Desvinculação de Receitas da União], que capta 30% de todas essas receitas e aloca para pagar os serviços da dívida, com a maior taxa de juros do mundo, no momento da pior depressão da história do Brasil.

Dito isso, a Previdência Social tem dois problemas. Um é estrutural, derivado de uma mudança da demografia. Tínhamos seis pessoas ocupadas para cada aposentado quando o sistema foi montado, com expectativa de vida de 60 anos. Hoje, temos 1,7 trabalhador ocupado por aposentado, para expectativa de vida superior a 73 anos. Para resolver estrategicamente a equação de poupança e formação bruta de capital do Brasil, precisamos avançar com prioridade em uma reforma, mas nunca na direção que estão propondo. E aí vem o segundo problema: o futuro ou potencial déficit da previdência brasileira se dá pelas maiores pensões, dos maiores rendimentos, que levam mais da metade das despesas. Juízes, políticos, procuradores precocemente aposentados e com pensões acima de qualquer padrão de controle do país. Isso é uma aberração. A maior punição a um juiz ladrão que vende uma sentença no Brasil é a aposentadoria compulsória com 100% de seus proventos.

IM – E o que fazer para resolver o problema?

CG – O superávit vai sumir em dois ou três anos. Temos que evoluir do regime de repartição [em que as contribuições dos trabalhadores em atividade pagam os benefícios dos aposentados] para o de capitalização [em que cada trabalhador poupa para sua aposentadoria], que é o que todos os países do mundo fazem. E fazer uma espécie de transição, que é o mais complexo mas há como fazer também, de maneira que, ao fim do processo, tenhamos uma previdência básica para 100% da população da transição, e a previdência complementar pública, porém sob controle de coletivos de trabalhadores e com regramentos de governança corporativa, com prêmios para um grupo de executivos recrutados por concurso e com coletivos de apuração dos riscos dos investimentos.

IM – Qual é sua avaliação sobre a fixação de uma idade mínima para aposentadoria?

CG – Sou a favor, desde que se compreenda as diferenças do país. Considero uma aberração estabelecer uma idade mínima igual para um trabalhador engravatado, como eu, e um professor, que, no modo como Temer vê as coisas, precisaria trabalhar ao menos 49 anos para ter aposentadoria integral. A expectativa de vida no semiárido do Nordeste, por exemplo, não chega a 62 anos. Um carvoeiro do interior do Pará também não. É preciso evoluir para um padrão que conheça o País. Há de se estabelecer uma idade mínima, mas não pode ser por um modo autoritário e elitista, ditado pelos setores privilegiados da sociedade.

IM – Há economistas que, assim como o senhor tem feito nessa discussão da reforma da Previdência, questionam os atuais termos do debate. Qual deveria ser a agenda econômica atual na sua avaliação, levando-se em consideração a força do governo e do mercado em conduzir as discussões?

CG – O setor financeiro está produzindo uma crise para si próprio, com a proporção dívida/PIB indo de 75% para 90% no ano que começou. É tão estúpido o modelo feito com [Henrique] Meirelles que agora estão produzindo o próximo ciclo de crise. É uma crise do setor bancário, cujas sementes estão dadas. Já são a maior inadimplência e o maior volume de reserva de crédito para recuperação duvidosa da história, e eles estão querendo compensar os prejuízos com a taxa de juros real, que simplesmente está fazendo despencar a receita pública. Nos estados, já é caricata a situação de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e mais 14 estados por conta desse receituário absolutamente estúpido do ponto de vista técnico.

Temos que inverter essa ideia boba de ganhos de confiança, que vai se deteriorar todo dia muito mais. Confiança depende de números práticos, e o mais relevante deles é proporção dívida/PIB para o setor financeiro, mas para o setor produtivo é emprego, renda. Tudo isso está se deteriorando. O que tem que ser feito é o oposto do que essa gente está fazendo. Em todo momento de depressão econômica, até os mais conservadores sabem, é preciso que o governo aja de forma anticíclica para liberar uma dinâmica de retomada de desenvolvimento. E não é com farra fiscal, porque quem está produzindo desequilíbrio é a queda substantiva da receita. Basta ver que as despesas que estão aumentando são todas de iniciativa do senhor Michel Temer. A saber: reajuste das maiores corporações, a forma descuidada com que negociou a dívida dos estados e municípios.

Enquanto isso, há uma porção de iniciativas semiprontas que eles estão descontinuando. Desencomendaram 17 navios da recém-retomada indústria naval brasileira e desempregaram 50 mil pessoas; descontinuaram as obras da Transnordestina, que tinha 7 mil homens trabalhando; descontinuaram as obras do Rio São Francisco, enquanto o Nordeste brasileiro amarga seu quinto ano de seca. Tem áreas importantes colapsando o abastecimento de água humano. Essa é a realidade do governo.

IM – Qual seria a taxa de juros ideal para a retomada do crescimento, na sua avaliação como crítico à atual política monetária?

CG – Todos os grandes mercados do mundo estão com juros negativos neste momento. Qual é a razão de o Brasil ter os maiores juros reais do planeta? Teoricamente, defende-se juro alto para desconjurar inflação, que é o princípio mobilizante desses enganadores há duas ou três décadas no Brasil. Qual é a inflação de demanda que temos no país? Qual setor de produção brasileiro está com hiato de produto (demanda maior que oferta)? Estamos com a maior capacidade instalada ociosa da história moderna do Brasil.

Quando a taxa de juros foi estabelecida pela Dilma em 14,25%, a inflação estimada era de 11,5%. Portanto, se aceitássemos para argumentar — o que é uma aberração, porque a inflação que se apresentou derivou-se de preços administrados pelo governo e das consequências da desvalorização do câmbio, ambos fenômenos sobre os quais os juros não têm efeito — que 14,25% é uma taxa correta para enfrentar inflação anualizada a futuro de 11,5%, hoje a inflação projetada para 12 meses está inferior a 5%. Qual é a explicação para o atual patamar a não ser a boçalidade com que o Banco Central serve o setor financeiro?

IM – Mas seria possível reduzir essa taxa tão rapidamente?

CG – Evidentemente que está interditada a ideia, mas nada justifica que o Brasil não traga a taxa de juros tão rapidamente o quanto possível, para não quebrar expectativas e nem causar prejuízos mais graves a ninguém, e de forma profunda.

IM – O senhor mesmo tem o diagnóstico de que haveria um confronto entre as coalizões, sobretudo no mercado financeiro, no caso de uma queda abrupta na taxa. Como sair disso?

CG – Não estou falando em ser abrupto. Mas acho que o Banco Central tem que acabar com a história de reunir o Copom a 45 dias. Tem que se reunir, reduzir em um ponto [percentual a Selic] agora e anunciar um viés de baixa, que o mercado inteiro entenda. Os bancos mais sóbrios sabem que tenho razão. O Bradesco, por exemplo, sabe que a taxa de juros está causando prejuízo aos bancos. Em São Paulo, ninguém está pagando ninguém. Hoje, o Brasil está proibido de crescer também, porque o passivo das 300 maiores empresas estrangulou. No último trimestre, nenhuma das grandes empresas de capital aberto do Brasil gerou caixa para pagar o trimestre de dívida.

Os bancos privados estão todos saindo da praça e os créditos de recuperação duvidosa estão todos de novo se concentrando no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Enquanto isso, ninguém abre a boca. Só no calote da Oi, foram R$ 65 bilhões espetados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica — ouça-se: nas costas do povo brasileiro.

IM – Alguns especialistas chamam atenção para a situação de endividamento das empresas e seus efeitos sobre o sistema financeiro. Existe a percepção de um processo de deslavancagem em curso, que pode culminar em transferências de controle de companhias brasileiras a grupos estrangeiros. Qual é o seu entendimento sobre esse processo?

CG – É o passivo externo líquido explodindo. O desequilíbrio das contas externas brasileiras é outro fator que nos proíbe de crescer. Então, tem-se a depressão imposta, com o governo fazendo um processo restritivo, cíclico, as empresas com passivo estrangulado e o passivo externo líquido do país explodindo, inclusive com o governo fazendo desinvestimentos na Petrobras. É um crime, e o jornalismo brasileiro é cúmplice, por regra.

IM – O senhor se diz contrário às privatizações, ao passo que existem aqueles que veem nessa iniciativa a melhor saída, tendo em vista os recentes escândalos de corrupção revelados por operações como a Lava Jato…

CG – A Odebrecht é estatal?

IM – Não.

CG – Então está aí minha resposta.

IM – O senhor é um dos poucos candidatos que se define ideologicamente de esquerda e se dedica a um debate macroeconômico…

CG – O que eu advogo é uma grande aliança de centro-esquerda, que produza um projeto explícito, fora dos adjetivos desmoralizados gravemente pelo próprio PT, que malversou o conceito ‘esquerda’ e virou uma agremiação que cooptou setores organizados da sociedade para praticar uma agenda mista de alguma atenção ao consumismo popular, mas de absoluto conservadorismo nas estratégias de desenvolvimento do país. O que advogo é a coisa prática, que dê condição de novo da sociedade brasileira voltar a produzir e trabalhar.

IM – Quais são os riscos de sua candidatura não acabar vista como representante do eleitorado progressista e tampouco conquistar alguma adesão em um debate de maior controle da direita?

CG – No Brasil, infelizmente estamos olhando de forma rasa sobre problemas complexos. Não vou mudar minha posição, continuarei tentando pedagógica e pacientemente conscientizar o brasileiro sobre essas necessidades estratégicas do país.

IM – As esquerdas no mundo estão tendo um diagnóstico errado sobre o que representa a eleição de Donald Trump (e outros fenômenos globais), ao atribuí-la exclusivamente a um discurso reacionário e xenófobo? O pré-candidato Bernie Sanders, por exemplo, teve chances consideráveis de vencer o pleito e não poderia oferecer leitura mais antagônica.

CG – Acho que esse é um olhar superficial. Evidentemente, estamos com um debate em efervescência no mundo, com o colapso da Europa, a saída do Reino Unido [da União Europeia], vis-à-vis a tensão que a China está produzindo nas novas relações mundiais. Não sei o que Trump vai afirmar, mas ele foi eleito pela negação da perversão neoliberal e do rentismo prevalecendo sobre a produção. É o trabalhador branco, desempregado, do setor industrial americano a substância da base da eleição. Bernie Sanders sistematizou um pouco mais claramente esses valores, mas de forma dialeticamente difícil de ser engolida pelo grande sistema americano.

Mas o debate está fervendo na Europa, e todo mundo percebendo que a solução para o problema é recuperar os mecanismos de coordenação estratégica do governo e por interação com a iniciativa privada. Não é estatismo ao modo velho, muito menos esse liberalismo estúpido que produziu a maior agonia do capitalismo mundial com a crise de 2008, cujos escombros estamos vivendo ainda hoje.

IM – Muitos nomes favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, pensando em uma retomada da economia, começaram a se ajustar a projeções mais negativas. O país ainda pode evoluir em 2017?

CG – Não vamos evoluir. É claro que você vai assistir o Banco Central correndo um pouco mais rapidamente na direção correta, mas ainda muito mais lentamente do que o necessário, de forma insuficiente para reverter expectativa. O ano de 2017 também já está comprometido.

Em uma palestra em um think tank em Washington, logo na iminência do impeachment, com todos muito animados, eu disse: “vocês estão completamente equivocados em querer colher maracujá em pé de laranja. Dessa coalizão de corruptos, incompetentes e entreguistas, não sai nada senão corrupção, incompetência e entreguismo”.

IM – O ajuste fiscal não seria uma saída?

CG – A única forma de o Brasil sair da profunda crise fiscal em que se encontra é aumentar a receita. Nessas circunstâncias, há duas condições — o que não quer dizer que não se tenha que impor a eficiência da despesa. Uma delas é, de forma segregada, imediatamente aumentar alguns tributos, como Cide e CPMF. Mas estrategicamente só há um jeito de fazer a receita voltar a crescer: o país assumir a decisão de crescer.

Para isso, é preciso fazer grandes movimentos de conjuntura, como consolidar o passivo do setor privado, descendo a taxa de juros aceleradamente. Mas também proponho que se possibilite a consolidação de passivo com US$ 50 a 70 bilhões extraídos das reservas e alocados em um fundo soberano, que pode ser feito nos BRICS ou em um fundo soberano que o Brasil crie. Seria trocada dívida interna no juro brasileiro por uma dívida externa, com câmbio razoavelmente estabilizado, correndo a taxa de juros negativa no exterior. Você pagaria o hedge e ainda compensaria dramaticamente, também sendo um grande coadjuvante para a retomada do investimento privado e da queda da taxa de juros pela consolidação dos passivos de grandes empresas brasileiras, que tinham plano de investimento quando esses estúpidos começaram a destruir a economia.

IM – Nesse cenário de dificuldades na economia, o senhor vê Michel Temer encerrando o mandato em 2018?

CG – Não consigo ver. A elite brasileira sabe que não dá para esperar tanto tempo e vai cavar o buraco para ele também.

IM – Levando-se em consideração sua experiência parlamentar e como ministro e governador, qual é a avaliação que tem da atual situação de governabilidade de Temer? Um forte apoio congressual, mesmo em meio às fraturas na base, e a contradição com o elevado nível de reprovação popular.

CG – Ele não tem forte apoio no Congresso. A elite brasileira, a plutocracia, o baronato que manda no país e que baseou o impeachment é quem controla, de fora para dentro, esses congressistas. Eles deram a Michel Temer, que é uma pinguela ou um trambolho, tarefas para serem cumpridas. Para elas, há apoio no Congresso. Mas basta rivalizar com qualquer outro tipo de assunto [que se observa a fragilidade do governo]. Por exemplo: a reforma trabalhista não vai acontecer. Pergunte a opinião de Paulinho da Força (SD-SP), que estava junto com ele no impeachment, sobre esse assunto. Outro exemplo é a negociação dos governadores sobre a dívida. Pergunte ao filho do César Maia [Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados] a qual senhor ele serviu quando agiu lá. Então, vivemos de ilusões. Também é tarefa minha pedir ao jornalismo brasileiro que saia desse pacto de estupidez.

IM – O senhor compartilha do entendimento de que houve um golpe contra Dilma Rousseff e que ele não se restringe ao nível doméstico. Qual é o seu desenho da geopolítica do processo?

CG – Basicamente, o impeachment foi provocado ancestralmente pela descontinuação do governo Dilma, em função da distância entre a marketagem de campanha e a prática no início do segundo governo. Isso criou um ambiente que desconstruiu muito precocemente seu laço com o povo brasileiro. Ela fez uma opção de, ao não politizar os problemas estratégicos na campanha, enganar o povo e achar que teria tempo para corrigir. Essa é a causa remota.

A causa que se organizou – fissura, inclusive, pronta nessa contradição de Michel Temer — tem três interesses bastante práticos:

1) Gerar excedentes fiscais, em ambiente de agonia fiscal, a qualquer preço para proteger a inflexão da proporção dívida/PIB, para o rentismo. Essa é a primeira grande razão e a tarefa de Temer, que tem que cumpri-la e não o está fazendo. O déficit primário vai se aproximar de R$ 200 bilhões, enquanto o nominal, R$ 450 bilhões.

2) O alinhamento internacional do Brasil completamente desmontado. [Apesar de] Contraditória e despolitizada, a presença do país em uma ordem internacional difusamente multipolar teve aproximações sensíveis com Rússia em uma hora de Crimeia, com a China, em uma hora em que a estratégia americana era o Tratado do Transpacífico (que Trump prometeu revogar). Em um momento estratégico como esse, os primeiros centrais princípios da política do império são não permitir uma ordem multipolar que não se renda ao monopólio do poder que ganhou na bala, na Segunda Guerra Mundial, e se sustenta na base do termo de troca (dólar) e na sofisticação tecnológica.

3) A entrega do petróleo. Observe a pressa com que [José] Serra apresentou um projeto para eliminar as restrições de acesso da Petrobras a reservas [do pré-sal], de eliminar o conteúdo nacional e a pressa como estão vendendo subfaturados vários dos investimentos da companhia. Na cara da imprensa brasileira, venderam o campo de Carcará por US% 1,35 o barril de petróleo para uma estatal norueguesa e agora venderam, por US$ 2 bilhões coisa que custou recentemente US$ 9 bilhões, para a empresa francesa Total. Tudo com muita pressa.

As três grandes demandas Temer está tentando entregar. Não vai conseguir a mais grave, e, por isso, vai cair.

IM – Se o senhor se candidatar à Presidência em 2018, como pretende governar com um Congresso tão conservador, fragmentado e empoderado como o atual?

CG – Digo de novo: vou pensar mil vezes em me candidatar. Meu partido vai definir e cumprirei minha obrigação. Mas, se for, irei para fazer história.

O presidencialismo tem mil desvantagens e a mais grave delas é essa lógica de impasses, em que o presidente tem as responsabilidades pela saúde dos negócios de Estado e um Congresso, que não tem, no sentido jurídico do tema, responsabilidade nenhuma, pode diminuir ou aumentar despesas, sem pagar qualquer consequência, enquanto, no Parlamentarismo, isso não acontece.

Mas o presidencialismo também tem sua vantagem, que é a capacidade que o presidente da República tem tido, na tradição brasileira, de se escorar na opinião pública e fazer a construção de uma maioria de forma qualitativa. Fui ministro da Fazenda no governo Itamar Franco. Ele não tinha partido, não tinha maioria orgânica — o que não é meu caso, que tenho experiência política e tenho um partido, onde as alianças políticas são perfeitamente praticáveis –, mas, ainda assim, conseguiu governar com força política imensa e, cada vez que precisou, apostou no povo, na mobilização da opinião pública, para que os grupos de pressão clandestinos não o esmagassem.

IM – Um entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e uma lei recentemente aprovada pelo Congresso, à revelia do que determina a Constituição Federal, apontam para chances de eleições diretas em caso de queda do governo Michel Temer. O senhor se vê apto a se candidatar se o processo eleitoral se iniciasse amanhã?

CG – Meu partido que vai resolver isso e cumprirei minha responsabilidade. Mas, se for, farei o que deve ser feito pelo País, para voltar para casa com a consciência tranquila. Tenho muita esperança e confiança de que é possível resolver o problema do país, não que seja simples ou fácil, mas é perfeitamente praticável fazer o Brasil retomar seu destino, que não é essa mediocridade corrupta que tomou conta.

Mas estou muito incomodado com esse estado de anarquia que as coisas têm acontecido. A Constituição diz que, se o presidente da República for cassado, o vice assume. Se o vice, por alguma razão, sair antes de dois anos de mandato, há eleições diretas. E, se ele sair depois de dois anos, a eleição é feita indireta pelo Congresso. Eu tenho nojo e pavor da ideia de que isso vá acontecer. Mais nojo e pavor tenho da ideia de se ficar manipulando a Constituição, desses juízes que fazem discursos políticos, porque isso é um estado de baderna e é muito pior do que qualquer outra coisa.

IM – A Operação Lava Jato é um tabu para a esquerda. Enquanto parte apoia, outra foge do debate, e uma terceira parcela critica abusos cometidos e os efeitos gerados para a economia do país e as empresas. Como promover um combate à corrupção sem provocar grandes fissuras na economia? O que o senhor proporia de diferente?

CG: Temos que olhar as coisas complexas com olhares complexos. A Lava Jato é uma coisa essencialmente importante para o Brasil, porque parece dar fim ao histórico de impunidades do baronato da política e do mundo empresarial. Por isso, ela merece todo o apoio e estímulo.

Isto dito, temos também alguns problemas, como o excesso de aplausos e exibicionismos de juízes e procuradores. Isso não é bom, mesmo para a Lava Jato, porque à medida que você extrapola, o risco de suspeições está dado. Várias sentenças que alçaram a segunda instância da Justiça foram anuladas, é só se lembrar da Operação Satiagraha. É isso que está fadado a acontecer se não forçarmos a mão com essa garotada de Curitiba. Eles têm que se lembrar que Justiça é severidade, modéstia e não ficar se exibindo.

Outra coisa gravíssima é que quem comete crime é a pessoa física. No ordenamento jurídico brasileiro, pessoa jurídica não comete crime. Então, as punições têm que ser severas, mas destinadas exclusivamente à pessoa física, que praticou o ato ilícito. O mundo inteiro salva a cara das empresas. A Construção Civil é um dos raros setores em que temos algum protagonismo global, mas eles estão destruindo as empresas. Isso, no entanto, não é culpa dos juízes, mas dos políticos, que não têm coragem de fazer acordo de leniência e não deixam que os juízes cumpram suas tarefas de dar a pena que for necessária para as pessoas. Mas salvar as empresas para que elas atuem é um imperativo de ordem pública no Brasil.


por Celsão correto

figura retirada de outro post nosso (aqui). A entrevista também pode ser lida aqui e aqui.

jesus-rosto-realTodo o alvoroço de fim de ano, agregado a alguns prazeres que o dinheiro pode comprar, coisas fúteis e exageradas em qualquer cultura, me fizeram pensar na razão disso tudo.
E então vieram as mensagens de final de ano via whatsapp… e um amigo me lembrou que Jesus era de esquerda.

É inacreditável o quanto se consome, se gasta, se desperdiça, nas duas principais datas do cristianismo: Natal e Páscoa. Coincidentemente, ambas têm relação com o mais famoso dentre os cristãos: Jesus Cristo.

“Se o aniversário é de Jesus, por que você quer presente?” – dizia uma piadinha em meu celular – enquanto eu me perguntava quantos realmente sabiam que era aniversário “dele”, e quantos, mesmo sabendo, se importavam com o fato.
Percebo, infelizmente, que aquele “espírito natalino”, que nos toma e nos acomete de bondade, caridade e boas ações para com o próximo, está um tanto raro. E, num desperdício de “all inclusive”, imagino quantas famílias seriam abastecidas pelo que se consome aqui; e por quanto tempo…

Todo aquele que teve educação cristã, mesmo não sendo um católico ou protestante praticante, sabe que Jesus pregava a igualdade. Condenava a usura, a desigualdade e a exploração do homem por si próprio.
Mesmo que não acredite em toda essa “inclinação política”, sabe também que Jesus pregava contra o domínio irrestrito dos romanos e da elite judaica do seu tempo em Israel. E… andar, sentar-se a mesa com “impuros”, quer sejam eles mendigos, prostitutas e leprosos, era uma afronta às classes dominantes (e por que não dizer), ao imperialismo da época.

Numa das passagens mais famosas da Bíblia, Jesus, criticando o comércio exploratório nas portas do templo de Jerusalém, durante a Páscoa, quebra as barracas e condena aquela exploração; até os historiadores que pesquisam o “Juses real” (link no final do post), acreditam que essa arruaça existiu mesmo e foi causada por um judeu pobre, provavelmente descontente com a desigualdade social e o excesso de tributos.

Citando parte de um texto do comediante Gregório Duvivier (aqui), que escreveu como Jesus em primeira pessoa, fazendo crítica direta ao pastor evangélico Silas Malafaia, como outro exemplo do Jesus-esquerda:

(…) eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro [Bíblia] em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

(…) Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin — esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar.
Mesmo para os que não acreditam, em Deus, Jesus, na “Força” do Star Wars ou em qualquer entidade-pai à qual atribuimos as coisas que não explicamos… Fazer o bem, repartir, compartilhar é esquerda!
E é disso que precisamos para o futuro. É isso que desejo para o ano vindouro: mais esquerda para o mundo!
Se essa “revolução da esquerda” virá através da Alemanha revogando a “devolução” dos refugiados que entraram na Europa nesse 2016, na erradicação da fome, na devolução das terras palestinas ocupadas por assentamentos de Israel, através de mais empregos com salários justos, da doação de fortunas de bilionários, de melhores condições sociais nos países em desenvolvimento, de campanhas de melhoria no saneamento básico, proporcionando melhor saúde para populações carentes, ou, simplesmente de nós próprios, ajudando àqueles que precisam e estão bem próximos… não sei.
Sei que o ser humano, como tal, precisa evoluir. Darwin, na contramão da espiritualidade e da religião, provou que há evolução e ela é constante.
E EVOLUIR, ou ser melhor, na minha opinião, não é possuir mais, comprar mais, mostrar ao outro o que fez e faz…
É, sim, SER mais, no sentido puro, de evolução pessoal, principalmente evolução moral e intelectual. Sem descartar possíveis evoluções espiritual, física e material, que não impedem nem atrapalham necessariamente as citadas primeiramente.

Estou há dias encucado com essa filosofia cristã-consumista-cara-de-pau que temos adotado e atormentado com maneiras de irromper isso em palavras.
Ei-las aqui.

Que os ensinamentos cristãos do primeiro esquerdopata, Yeshua de Nazaré, ou que a evolução de Darwin nos guiem para um 2017 de ensinamentos, evolução e consequentes realizações.

por Celsão correto

figura retirada daqui. É a foto aproximada do Jesus real. Sem o romantismo Europeu que o transformou num ser bonito e mais aceitável…

P.S.: quem quiser disfrutar de duas leituras sobre o tema Jesus e sua real existência, a revista Super Interessante escreveu em 2003 e 2013 dois artigos aqui e aqui.  Outro texto que recomendo, principalmente ao que acreditam em Deus e criticam as instituições que o “amarram” a preceitos e dogmas, é o atribuido ao filósofo Espinoza, chamado “Deus segundo Espinoza” (aqui um link que apresenta ao fim uma breve biografia do autor)

P.S.2: Valeu Fabinho!

2Herói ou tirano?
Ditador sanguinário ou ultra-protetor nacionalista?
Creio que a primeira avaliação passa, infelizmente, pelo “lado político” que nos últimos tempos classifica as pessoas.
E hoje, infelizmente para um “esquerdopata” convicto, como eu, creio que a História absolveria Recep Erdogan e Bashar al-Assad, usando como trocadilho um dos textos mais conhecidos de Fidel.

Pra mim, Fidel Castro foi ambos: herói e tirano.
É impossível negar avanços sociais em Educação, Saúde e Segurança.
Principalmente para a parte mais carente da população cubana: até hoje o sistema de saúde é referência na América Latina e os índices estudantis também o são (aqui uma notícia da UNESCO. Cuba não participa do PISA).
O herói Fidel mudou a realidade de um país que, a menos de 150 quilômetros de distância dos Estados Unidos, servia há anos como “bordel” à cidadãos americanos. Antes da revolução, Cuba era conhecida por seus cassinos, hotéis de luxo e pela prostituição, diversão completa com praias deslumbrantes em mar caribenho…
Fidel e sua revolução mudaram a condição de milhares em Cuba.

O tirano Fidel, tomou propriedades, bens e meios de produção, nos anos seguintes à tomada do poder, para efetivar as melhorias, para fazer valer a revolução.
E obviamente isso não agradou aos burgueses e proprietários roubados. Que, aos muitos, deixaram o país nos êxodos observados nas décadas de 60 e 80, sobretudo para os Estados Unidos.
Difícil governar sem tirania e transformar o futuro dos compatriotas (ou companheiros) com o “peso” e a “pressão” dos outrora donos e mandantes americanos, com a própria irmã como informante da CIA, com um mundo dividido entre esquerda e direita (ou bem e mal).

1Mas o tirano venceu.
Enfrentou a maior potência mundial, seu boicote, seu bloqueio, seus golpes e assédios contra cidadãos.
Talvez pela extrema preocupação, o entusiasta do Nacionalismo negou-se ao permanecer no comando e tornar-se ditador, título que criticava nos primeiros anos de golpe e contestou como rótulo enquanto pode.
Escolheu o lado “mau”, a esquerda, representada pelo apoio soviético, não por afinidade direta; viu-se cercado de ameaças do lado “bom” e foi forçado a buscar uma saída para a produção agrícola da ilha. Arrisco dizer que após a escolha, percebeu o alinhamento com as teorias anunciadas na União Soviética e nos países sob sua influência.

O erro de Fidel, pra mim, foi exatamente esse: permanecer no poder por tempo demais.
Alguns estudiosos citam que o carisma e a firmeza o impediram de deixar o poder. Passando de General Comandante no período de transição a Primeiro Ministro e a Presidente no governo.
Mas não seria o mesmo carisma populista que vemos hoje em Ângela Merkel, que vai para o seu quarto mandato como chanceler Alemã e provavelmente passará de 15 anos no poder?
E não é o mesmo carisma buscado por muitos brasileiros que falam em intervenção militar ou num governante “salvador” e sobre-humano, ora Joaquim Barbosa, ora Sérgio Moro?
(Parêntese importante: será que não elegeríamos Sérgio Moro presidente? E que poderes ele teria como presidente-juiz-supremo do Brasil?)

“Lutar pela liberdade ou contra ela. Não é a mesma coisa”.
Fulgêncio Batista, o presidente anterior, ex-militar, perseguia dissidentes e usava de métodos severos de tortura aos oposicionistas. Fidel fez o mesmo, não na mesma intensidade, mas o fez como parte de um serviço de (contra-)inteligência necessária naquele momento.
Difícil defender isso hoje, eu sei.
Nem se lembrássemos que houve apoio popular, em toda a campanha da Sierra Maestra (ou guerrilha)? E o mesmo apoio não ocorreu anos depois, quando rebeldes apoiados e financiados pelos Estados Unidos invadiram a ilha?
Fidel e os revolucionários lutaram pela liberdade de um povo!

Aproveito e cito outra frase, dessa vez do filósofo e ativista Noam Chomsky: “A necessidade de possuir Cuba é a mais antiga questão da política externa norte-americana”.
Treinar e armar rebeldes, planejar atentados, bloquear todo e qualquer negócio de parceiros comerciais, mesmo contra a OMS e ONU, tomar parte de um território soberano e reconhecido internacionalmente para construir uma prisão, para presos políticos e terroristas… foram apenas alguns dos atos patrocinados pelos Estados Unidos a Cuba.
E, evidentemente, a mídia americana também contribuiu para a difamação e para a distorção. Alguém lembra de notícias falsas sobre a morte do ex-presidente cubano? (aqui uma notícia de 2015, aqui uma confusão de 2013)

Fidel era classe média alta.
Filho de um migrante espanhol, fazendeiro, produtor de cana-de-açúcar. Estudou em bons colégios, aprendeu inglês. Fatalmente seria bem-sucedido na Cuba-Americana, no país de Fulgêncio, dada a condição social e as oportunidades aproveitadas.
“Somos pessoas pobres num país rico”, frase dele, mostra a preocupação, então nova no continente, no terreno da justiça social, da distribuição de renda, da isonomia ansiada.

“Patria o Muerte!”
Isonomia atingida, mas aplastada.
A Revolução Social foi feita, mas depois do pão, o povo pede, fatalmente, o circo!
E a cobrança desse circo tirou um pouco o brilho das conquistas. Da ideologia. Da resistência. Da luta contra o imperialismo.

Abraço carinhoso entre os amigos Fidel e Mandela

Adeus Fidel!
Se nacionalizar companhias de eletricidade, de telefonia, fazendas, indústrias e até postos de gasolina não trouxe a integridade e a soberania nacional tão preconizadas por Marx… Se alcançar e distribuir o básico para o seu povo, incluindo uma educação de qualidade que os fez críticos… Se reduzir a desigualdade social gerou ainda desejos além do possível e atingível a todos… Paciência!
Certamente, valeu a intenção da semente*.

por Celsão correto

figuras retiradas do documentário da Fox – “Especial Fidel” e de post publicado aqui

(*) frase do escritor brasileiro Henfil (aqui)

 

bandeira-do-brasil-se-derretendo_v1Eu queria que ser esquerda no Brasil não fosse condenável, não fosse sinônimo de burrice ou vagabundagem.
A esquerda daqui, ou classificando melhor, a esquerda em sua essência, quer reparação de injustiças, quer oportunidades iguais, ou seja, quer ISONOMIA! Afinal é impossível falar de meritocracia sem equiparidade de condições.
Vagabundos (disléxicos, preguiçosos, deficientes) surgem e surgirão qualquer que seja o regime de governo e qualquer que seja o partido político no poder.
Num regime justo ou de condições “iniciais” equiparadas, eles teriam as mesmas oportunidades, sem razão para os “mimimis” tão criticados. Seria lhes garantido um emprego e um salário suficiente (?) para sobreviver dignamente. E, se não houver emprego ou capacidade de exercer função produtiva, há auxílio estatal, como em outros países do mundo.
Em nosso país, de regime distorcido, um vagabundo bem nascido usará seus meios e contatos familiares para seguir exercendo sua influência e seu poder. Terá casa, carro, férias e Facebook. Mas se houver nascido pobre, passará por necessidades e sequer terá o básico para si.

Eu queria que o PT fosse a esquerda.
Que todo o sonho de ascensão do povo, dos trabalhadores ao poder fosse bem representado. Não somente com aumento real de renda e diminuição da desigualdade social (que inegavelmente ocorreu), mas que as reformas tão pleiteadas e necessárias também fossem realizadas: tributária, política, midiática, agrária…
Como seria bom se o discurso do PSOL de hoje, vide Luciana Genro nas eleições de 2014, pudesse ser implementado. Do povo e para o povo!

Eu queria que o sistema político brasileiro fosse diferente. Fosse outro.
Queria que não houvessem conchavos, que os partidos e políticos avaliassem as leis propostas independente de um “comando geral”, ligado a diretórios e interesses espúrios. Que não houvesse troca de cargos por favores em votações… Ou que o poder do legislativo não fosse tão vasto.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criticou nessa semana o sistema político na revista Isto É (aqui). Eu admirava bastante o FHC. A clareza em expor ideias, a fluência em idiomas, o período de transição de Ministro a Presidente e o plano Real.
Mas ele foi o presidente que mais “se afundou” em conchavos, em minha curta experiência de observação política. E o fez exatamente para que a reeleição fosse aprovada e para que tivesse o seu segundo mandato! Assunto que o desagrada atualmente…
Voltando ao parágrafo anterior, se o PT não tivesse “se rendido” ao PMDB e outras alianças ainda piores, talvez não tivesse um governo longo, talvez não tivesse “surfado” na onda de popularidade, mas seria ideologicamente elogiável.

Eu queria que o país não fosse intrinsecamente corrupto.
Que ao realizar um boletim de ocorrência em uma delegacia, eu não precisasse ouvir da própria delegada que fui tolo ao entregar a minha licença de conduzir ao órgão competente, para uma punição de três meses, após atingir um limite de pontos determinado por lei. A delegada em questão disse que não o faria e que aconselha amigos e familiares para que não o façam…
Queria que criticássemos a corrupção olhando para nós mesmos, sem hipocrisia. E que a palavra ‘corrupção’ fosse classificada como palavrão, ideia já publicada aqui no blog no final de 2013 como desejo para 2014.

Eu queria que os partidos políticos envolvidos com corrupção fossem extintos! Que fossem dissolvidos.
E que os futuros partidos a se formar tivessem de se adaptar a “correntes políticas”, já que o meu sonho dos cinco ou seis partidos é utópico demais no Brasil (aqui).

E eu queria que não fossemos tão egoístas e preconceituosos. E que aceitássemos gays, mulheres, negros e pobres na sociedade que vivemos, nos mesmos lugares ou em posições de liderança e poder.
Pense! Realmente aceitaríamos essas minorias em todos os lugares que eles podem ocupar?
Aceitaríamos eles nos mesmos restaurantes, no açougue e no mercado? Como colegas de trabalho ou como chefes… síndico do prédio, diretor da escola do filho…
No barzinho, também com um chinelo havaianas, mas talvez como o único calçado, aceitaríamos que um morador de rua comesse ao nosso lado?

Voltando ao PT, eu queria que a opção para 2014 não fosse a Dilma. Ou que ela fosse uma política nata, boa de retórica e de convencimento. Que ela fosse uma estadista como a Merkel ou pudesse unificar o Congresso o suficiente para conseguir governar.
Queria que a esquerda tivesse se desenvolvido aceleradamente e se apresentasse com um quadro político e técnico suficiente para compor pastas e secretarias.

Eu queria que, também, o apoio no Congresso não fosse tão importante para a governabilidade.
Pois afinal, não foram somente os discursos atrapalhados e as conclusões confusas que afastaram a presidente do povo e das graças da Grande Mídia. A falta de apoio legislativo, a ausência de “tato” fez ruir a apertada diferença de votos obtida nas eleições de 2014.
Criamos a jurisprudência de afastar qualquer presidente sem apoio majoritário do Congresso. Tão grave quanto danoso à nossa jovem democracia.

Eu queria que o afastamento, se tivesse de ocorrer, fosse por um crime inegável e irrefutável. De dolo provado. Por exemplo, pela utilização de recurso proveniente de corrupção para financiamento de campanha. (acusação ainda em trâmite, no TSE, levantada pelo derrotado PSDB de Aécio Neves)
Nesse caso não teríamos Temer, talvez sequer PMDB no cargo mais alto do Executivo da Nação.
Teríamos uma nova eleição, de resultados pouco previsíveis…
Voltando ao ponto do apoio do Congresso, o crime perpetrado, das pedaladas, nunca seria sequer investigado se a presidente ainda gozasse de apoio no Legislativo. Se ainda tivesse os mesmos aliados do primeiro mandato.

Eu queria também que as revistas mais lidas do Brasil, os programas de TV mais vistos, os sites mais acessados não pertencessem a grandes grupos, de grandes famílias, representando oligarquias históricas. Meios sem escrúpulos que guiam suas matérias e coberturas meramente pelo interesse, que comandam os golpes suaves, que se alinham a movimentos internacionais de controle…

Concluindo, usarei a chance para migrar para os recentes acontecimentos políticos.
Eu queria que todos avaliassem a seguinte hipótese: se o PT fosse direita, se não houvesse corrupção, se Dilma fosse homem e se Lula fosse um burguês paulista e bem nascido, da família Frias ou Marinho?
Não quero defender ninguém de modo unilateral. Nos desejos para 2015 também publicado aqui, eu já defendia “cortar na carne” quando houvesse desvio de conduta e/ou de comportamento.
Eu queria que esquecêssemos a frase do “ele também fez” e passássemos a uma nova fase, de oposição atuante e apoio consciente à boas ideias.

Eu queria que todos os culpados fossem presos (e que sejam!). Ou ao menos condenados ao ostracismo político (que, creio, seria igualmente dolorido).
Deixemo-los filiados e militantes, mas os proibamos de ocupar cargos, de exercer poder. Se o interesse for realmente ideológico e puramente político, a militância seguirá e o trabalho pode ser bem útil, no sentido de despertar interesse em outras pessoas.

E, finalmente, eu queria que a esquerda ressurgisse já em 2018, como alternativa sempre necessária ao status quo capitalista e segregacionista.

por Celsão revoltado

figura: montagem do contorno do mapa do Brasil com figura retirada do Pinterest aqui

Post_RafaelaTodos a querem. Agora.
Todas querem estar ao seu lado e mostrar-se parte da conquista.
A direita fala do militarismo, do esforço próprio, da não necessidade de cotas nem de patrocínio público…
A esquerda fala sobre as críticas ácidas feitas na Olimpíada anterior e sobre o estereótipo negra-mulher-suburbana tão odiado pela elite nacional.

É fato que muitas medalhas conquistadas em jogos olímpicos e pan americanos são conquistados por atletas militares. E isso desde o começo do século XX, quando as medalhas vinham exclusivamente das competições de tiro.
Independente do grau de sucateamento, a estrutura militar oferece tempo e disciplina, itens raramente exibidos em clubes nacionais e programas de financiamento ao esporte.
Então…  é (sempre) esperado que algum atleta do exército ou marinha seja laureado com o pódio e, também, por que não, com o hino.

Outro fato, inegável, mas talvez de mais complexa compreensão, é a exceção de uma medalha para atletas brasileiros.
Uma Rafaela, um Diogo Silva, um João do Pulo, um Claudinei Quirino no revezamento do atletismo são exceções.
Até mesmo atletas com melhores condições sociais, como César Cielo e Flávio Canto são exceções.
Não há estrutura para atletas profissionais. Sobretudo longe de modalidades como futebol e vôlei (esse nos últimos vinte anos). E mesmo que haja um patrocínio, aderido a ele há sempre uma ameaça de cancelamento, um atraso de pagamento, um prejuízo emocional dificilmente calculável…
E, pior ainda, se não há estrutura para o atleta de hoje, tampouco há futuro para ex-atletas profissionais!

Voltando ao cerne da questão, afirmar que Rafaela ganhou sem cotas e sem feminismo é ignorar o país onde vivemos. Que não gosta de mulher, de negros, de pobres.
E que não tolera fracassos, sobretudo de mulheres, negros e pobres.
A bolsa-atleta é um benefício que não pode ser concedido a todos. E Rafaela a possui.
É parte de um assistencialismo necessário quando a sociedade não oferece as mesmas “condições iniciais” a estudantes, profissionais e atletas. Quando não há ISONOMIA.
Sem isonomia e sem auxílio para se chegar em condições semelhantes a outros atletas no mundo, não há como mensurar deste atleta a MERITOCRACIA, palavra tão adorada pela elite que não percebe o ambiente, as cercanias em que se encontra o nosso Brasil.

O mérito existe. Não há dúvida.
É da Rafaela. É da equipe dela. É da marinha que a treinou. É do governo petista que a ajudou.

Ela venceu. Mas venceu hoje!
O resto da vida terá de aturar comentários machistas, sofrer assédios indesejados, enfrentar discriminação nos mais diversos locais, como em restaurantes, responder questionamentos obtusos sobre as favelas do Rio e a Cidade de Deus…

Coisas que o Faustão e o Luciano Huck de hoje, da festa pós-olímpica, não farão surgir novos patrocínios no amanhã.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: como citei João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, ex-recordista mundial e medalhista olímpico do salto triplo, coloco também o link da Wikipedia do ex-atleta (aqui). João foi exceção em seu tempo e virou a triste regra da falta de oportunidades na carreira de atleta: teve depressão e sofreu com alcoolismo, morrendo solitário e com problemas financeiros.

DelaçãoA notícia dos últimos dias é (ou foi) o vídeo do canal Porta dos Fundos, intitulado “Delação”.
Pra quem não viu, seguem dois links aqui e aqui (pois vai que algum juiz ou desembargador maluco resolva tirar do ar)
O vídeo suscitou inúmeros outros, no próprio Youtube, contendo críticas ferrenhas ao canal, ao ator e diretor Gregório Duvivier e colocou todos os atores no mesmo “balaio” intitulado simplesmente de petralhas.

Mas… quem dissemina o ódio através de palavrões e argumentos difusos, só auxilia a desinformação. Só confunde àqueles que carecem de clareza ou que estão formando o seu caráter.
Infelizmente não é disso que precisamos hoje, dado o momento político delicado…

Então, para continuar o assunto de listas e “perseguidos” da atualidade, a última fase deflagrada da operação Lava Jato, chamada Carbono 14, divulgou estórias de empresas offshore, geralmente localizadas em paraísos fiscais e sempre fora do país de residência das pessoas, muito utilizadas para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal (pra encurtar o assunto).
Os tais “Panamá Papers” contém em sua primeira lista divulgada, 26 brasileiros; alguns do meio político, como o ex-ministro Delfim Neto e políticos como o nobre Eduardo Cunha, além de outros de PMDB, PP, PSD e PSDB.
Pois é… Eduardo Cunha aparece novamente numa lista de empresas quiçá lícitas no exterior. E não existem petralhas, ao menos nessa primeira lista. Como não existem políticos do PSOL, PCO e PSTU citados na Lava Jato até então. Para os que pregam a não-corrupção apartidária, segue como dica de prováveis candidatos para 2016 e 2018! (meu lado extrema esquerda não poderia deixar essa passar…)
Segue link para a lista dos brasileiros citados até aqui. Aliás, nela existem nomes de empresários já atolados em corrupção, de empresas condenadas na Lava Jato, como Odebrecht e Queiroz Galvão.
Existem estrangeiros também: russos ligados a Putin, parentes do primeiro ministro britânico, Maurício Macri, atual presidente argentino (óóóóó) e até o rei da Arábia Saudita (país já conhecido por aqui, dado o cerceamento de direitos, as manipulações, as condenações antidemocráticas, etc) – pra quem quiser a lista completa, de Lionel Messi a Jackie Chan, aqui está.
Adendo interessante: o primeiro ministro da Islândia também estava na lista. E renunciou 48 horas depois do vazamento da mesma. Ah… que inveja da hombridade dos outros…

Voltando a falar do Porta dos Fundos e citando outra lista “famosa” nas redes sociais: a lista de Constantino.
O senhor Constantino, economista e blogueiro de direita, também incitou o ódio ao divulgar uma lista de artistas e intelectuais que “defendem o indefensável PT”, usando palavras dele.
Nessa lista, prévia do AI-5 de 2017 (quem sabe?) constam nomes como Chico Buarque, Laerte, Tico Santa Cruz, Alcione e, também, Gregório Duvivier; ele mesmo!
E o mais espantoso: o Facebook teve a audácia de bloquear o cidadão, sem motivo algum, por sete dias. Ele próprio comenta o fato, chamando-o de “censura petista” (aqui)

Não comprem mais nada deles. Não assistam a seus programas, não leiam suas colunas, não comprem seus livros, não vão a suas peças de teatro, não comprem seus CDs. Eles precisam saber que não será impune atentar contra a democracia brasileira. Xô, petralhas!

Mais um exemplo não só de ódio, mas de polarização burra, resumindo a sociedade em bons e maus e generalizando a esquerda conduzindo-a pro lado mau da estória. (Afinal, Fidel Castro devora criancinhas até hoje!)
Olhando a lista, tá claro que o Porta dos Fundos se encontra nela. Porém, é uma lista, aliás, bem problemática de se seguir à risca, já que atores globais, jornalistas de diferentes meios e músicos de vários seguimentos têm seu nome citado. E… como assim boicotar a Folha e a Rede Globo!?!
A satirização da lista foi enorme, muitos comemorando a presença ou lamentando a ausência. A última versão do próprio blogueiro detinha 767 nomes! Aqui para quem quiser procurar o próprio nome 😉

Mas, diferente de querer somente difundir o ódio ou incitar a violência, termino citando Antônio Tabet, que publicou uma “defesa” do Porta dos Fundos, não só se posicionando politicamente, mas defendendo a liberdade (e o direito) de expressão.

Esse revanchismo bobo só fomenta o ódio. Incentivar a censura ou a intolerância nada mais é que um recibo de que você pode ser tão fascista quanto os fascistas que critica. Sejam eles imperialistas americanos ou comunistas cubanos. Sem falar na ignorância de quem coloca a Lei Rounet no bolo sem saber que não cobramos cachê que cobraríamos em outros filmes, mas pagamos com justiça uma equipe com centenas de profissionais trabalhando no país da crise.

O texto completo do Tabet, humorista sem muita noção e criador do portal Kibe Loco, pode ser lido na Veja, aqui.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo do Youtube, aqui

P.S.: Há um site oficial (em Inglês) sobre o Panamá Papers (aqui); é um trabalho sério, de uma associação internacional de jornalistas investigativos

outro P.S.: compartilho um só link sobre a infrutífera discussão do vídeo “Delação” (aqui). São tantos comentários e vídeos-resposta absurdos, que me entristece e me faz temer Bolsonaros, Cunhas, Felicianos e Marchas da Família.

CapturarSou um crítico convicto.
Do tipo de pessoa que critica inclusive aquilo que acredita e defende.
Ou seja, posso reescrever a frase acima para: sou um crítico da esquerda.

Quando me deparo com textos radicais, de ambos os lados, tendo a discordar mais que concordar com os argumentos lançados. Tomar os meios de produção, estatizar companhias estratégicas, coibir e reprimir oposições soam tão nocivas para mim quanto o conservadorismo, ou permitir que as “forças de mercado” livremente moldem a sociedade, ou privatizar a polícia e ainda a máxima do “garantir direitos individuais acima de coletivos”.

Obviamente, para quem me conhece ou acompanha este singelo blog, sabe que o vértice político-social (ou simplesmente, nosso lado “esquerda”) é muito mais forte.
E, como quem defende um lado mais fraco numa partida de futebol ou briga injusta, evitamos seguir criticando as mazelas da esquerda; não só porque cremos serem menores, mas também por conhecer o poderio “social destrutivo” do outro lado.
O que quero dizer é que: se por um lado sabemos pela história que o comunismo criou outras classes sociais e outras injustiças com seu totalitarismo, que o Estado não evoluiu como imaginado, passando de “transitório” a inexistente… por outro é certo que a injustiça social cada vez mais acentuada do capitalismo priva um número imenso de pessoas de acessos: de oportunidades de bons empregos à cultura, privando também o indivíduo da possibilidade de reação, por desconhecimento simples daquilo que o oprime.

Mas aqui, tomo o título emprestado de um dos capítulos da autobiografia de Martin Luther King para criticar o capitalismo e frisar o avanço do monstro “social destrutivo” representado por ele!
Em novembro de 2013, fizemos um post analisando um vídeo que mostrava, usando dados da ONU, que 2% da população mundial detinha mais dinheiro que os 98% restantes, ou ainda que 300 pessoas possuiam a riqueza de 3 bilhões, equivalente à metade da população mundial (link do post aqui).
Pouco mais de dois anos depois, um novo relatório da organização britânica Oxfam, ligada à ONU, mostra que a situação global se deteriorou ainda mais: agora, pela primeira vez, atingimos 1% da população do mundo possuindo o equivalente aos 99% restante. O estudo, com dados do Credit Suisse, mostra ainda que as 62 pessoas mais ricas tem o mesmo que os 50% mais pobres em riqueza. (link aqui para a notícia no site da bbc e aqui para visualizar o avanço assombroso do número nos últimos anos em gráfico – notícia em Inglês – o gráfico chama-se The wealthy few)

Pensar individualmente e priorizar ganhar a vida a construir uma vida, é fácil e factível para os que já se encontram confortavelmente instalados nas classes “AA” ou faixa dos 10% mais ricos de um país. Para aqueles que anseiam chegar lá, o coletivo é importante, muitas vezes imprescindível, quer seja via oportunidades para ingressar em cursos superiores, bolsas de estudos, programas de incentivo para o primeiro emprego ou auxílios diversos.

14014502Minha “opinião pirata” para os que criticam essa luta contra a desigualdade social, apontando vagabundos profissionais que literalmente “já estão com a vida ganha” com os incentivos governamentais, é simples e direta: inveja! É pura inveja e medo de perder o status de pequeno burguês, medo de dividir uma mesa do Fasano com um porteiro.
Aproveito para deixar outro recado a estes medrosos: fiquem tranquilos, pois isso está muito longe de acontecer! E a figura do post foi colocada propositalmente para o demonstrar; mesmo minimizando as diferenças entre as classes sociais, mesmo com crises, mesmo em períodos de estagnação econômica, haverá aqueles que seguirão tranquilos no topo da pirâmide. E, infelizmente, acumulando ainda mais riqueza, como mostra a evolução dos relatórios da ONU!

O economista Carlos Góes explica em entrevista que existem desigualdades boas e outras ruins, e que nosso modo de taxar o consumo castiga as classes menos favorecidas, transferindo na realidade dinheiro do pobre para o rico. Ele próprio defende os programas de transferência de recursos aos pobres como uma das soluções (aqui está a entrevista, depois de argumentos unilaterais contra o relatório da Oxfam. Sugiro que pulem para a parte de perguntas e respostas, notando que mesmo ao ser conduzido a concordar, o economista retoma a linha de raciocínio criticando o capitalismo e o enriquecimento desenfreado).
Se Venezuela, Brasil e Argentina foram “mães” para os pobres nos últimos anos, foram esses os programas responsáveis por alguma dignidade para as famílias e foram esses os governos que tentaram, de forma incompleta e muitas vezes equivocada, reduzir as desigualdades sociais dos países em desenvolvimento.

Para finalizar, deixo uma pergunta para reflexão: se pudesse escolher, você estaria nos 10% mais ricos de um país pobre ou nos 10% mais pobres de um país rico?
Quando eu paro para pensar, chego a conclusão que os pobres no país rico usufruem de uma “estrutura” talvez inexistente até para os 10% mais ricos do país pobre, como educação, segurança, saúde. Por outro lado, pertencer aos 10% mais ricos de um país pobre permite luxos impensáveis até aos ricos de países ricos, Pode-se possuir diversos carros importados, apartamentos em diferentes cidades, usufruir de serviços de mordomos, motoristas, empregadas domésticas, etc… Isso leva para outra análise: da riqueza absoluta versus a riqueza relativa.

por Celsão correto

Primeira figura retirada do site das publicações do Credit Suisse aqui. O site tem muitos documentos disponíveis para download. Usei o relatório de 2014.
A segunda figura veio daqui. A fonte no rodapé mostra “Datafolha, Novembro de 2013”. Época da nosso primeiro post sobre o tema.

 

revolução_francesa_esquerda_direitaHoje é meu aniversário.
Eu sou um cara de esquerda.

Fico pensando, quantas pessoas deixarão de me parabenizar por esse motivo. Fico pensando em quantos “amigos” já tive, e já não tenho mais, pelo simples fato de eu ser de esquerda, e por não esconder minhas ideias e ideologias. Fico pensando, inclusive, nos parentes que fizeram parte de minha caminhada, ás vezes me pegaram no colo, e hoje não irão me escrever, nem telefonar, e possivelmente, nem querem me olhar, por eu ser como sou, surpreendentemente (para eles), diferente da maioria dos do meu sangue.

No meio desta reflexão, fico pensando o que algumas pessoas entendem como “ser de esquerda”. Será que pensam realmente que comunistas comem criancinhas? Qual a motivação para discriminar, esnobar, menosprezar, desrespeitar, não tolerar, ou até mesmo, odiar alguém de esquerda? Realmente, isso não faz o menor sentido para mim, mas isso deve se dever, muito provavelmente, pela forma como eu conceituo a afirmação “ser de esquerda”. Vou explicar.

Ser de esquerda não significa: ser marxista, ser socialista, ser comunista, ser rebelde, ser ser ser…… Ser de esquerda significa simplesmente, ser de esquerda. E dentro da ideia de ser de esquerda, há uma infinidade de variantes, possibilidades, flexibilidades, ideologias. Assim como o há dentro do conceito “ser de direita”.

Para entender a complexidade disso, é preciso primeiramente entender de onde originam-se os termos “esquerda e direita”?
Bom, há diferentes levantamentos históricos que apontam para as possíveis origens. Aquele com o qual tive contato e mais me pareceu relevante e profissional é o seguinte: Na França, durante a Revolução Francesa, a Assembleia Nacional se dividia em partidários do Rei de um lado, e apoiadores da revolução do outro. Não é coincidência que os revolucionários estavam à esquerda, e os monarcas à direita.

Desde então, o conceito ideológico de “esquerda” indica uma pessoa que tende a ser contra o status quo, uma pessoa que luta por mais direitos ao povo, uma pessoa que se coloca contra a opressão, uma pessoa que levanta bandeiras iguais ou semelhantes à da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).

Por que então definir alguém de esquerda como “socialista”, sendo que o termo tem origem mais antiga que a vida de Karl Marx?

Eu poderia aqui, inclusive, questionar os conhecimentos e preconceitos de quem considera algo “ruim” quando uma outra pessoa se diz admirador das teorias de Karl Marx. Inclusive, outro erro grotesco recorrente, é achar que o regime implantado por Stalin na Rússia, após a morte de Lenin em 1924, com o domínio militar dos arredores daquele país (URSS), ou o sistema vigente na Coréia do Norte, tem sincronia relevante com o trabalho intelectual feito por Marx. A complexidade teórica dos trabalhos de Marx, vai muito além do que qualquer sistema buscou implementar no mundo, e, em muitos aspectos, bem diferente. É o mesmo que criticar Adam Smith pelo fato dos EUA serem o país que mais geram guerras no mundo desde a segunda guerra mundial. Que culpa tem a teoria de Smith (capitalista)? Um simplismo lamentável, que enfraquece e deteriora o debate, gerando, ao invés de agregação de valor, um emburrecimento.

Mas mesmo assim, ser de esquerda, não é ser marxista, necessariamente. Até pode-se dizer, num geral, que ser marxista é ser de esquerda, mas não o contrário. Regra de conjuntos (lembram da matemática? A pertence a B, mas B não pertence a A.)

O conceito “esquerda”, inclusive, é um conceito mutável, variável, de acordo com a cultura, com o “tempo”, com o “espaço” em que se vive.

Por exemplo, há 50 anos no Brasil, eram de esquerda aqueles que lutavam pelos direitos dos mais pobres. Mas poucos de esquerda lutavam pelos direitos civis dos homossexuais. Há 150 anos no Brasil, dificilmente alguém de esquerda estaria lutando pelo fim da escravidão, pois a mentalidade da época, num geral, era atrasada para esse debate, a escravidão era algo completamente normal. Hoje em dia, até gente de direita, num geral, é contra a escravidão (apesar de bem criticarem os aumentos dos direitos trabalhistas e do salário mínimo de seus empregados).

Até mesmo num mesmo “tempo”, a aplicação do conceito “esquerda” pode variar dentro do “espaço”. Em Israel, poderíamos dizer que ativistas que lutam pelo fim do massacre contra a Palestina, e que protestam pelo respeito à vida dos muçulmanos palestinos, são pessoas de esquerda. Ou seja, em Israel, defender os direitos do muçulmanos, e se posicionar a favor dos mesmos, é ser de esquerda.
Já no Afeganistão, ser contra o Talibã, contra todo e qualquer tipo de radicalismo muçulmano, e se posicionar requerendo mais direitos aos católicos e adeptos de outras religiões naquele país, é ser de esquerda.
Portanto, defender muçulmanos pode ser uma ação de esquerda ou não, dependendo do espaço/cultura em questão.

Assim, se quisermos tentar generalizar algo, podemos dizer que ser de esquerda é: defender ideais e atitudes que visem diminuir as injustiças do mundo, que visem trazer direitos, liberdades e responsabilidades iguais a TODOS os seres humanos, independente de sua orientação sexual, cor de pele, religião, cultura, gênero, idade. É lutar por toda e qualquer minoria oprimida dentro de uma cultura naquele “espaço x tempo”. Ser de esquerda é não aceitar barbaridades, sendo elas uma vez identificadas. Ser de esquerda, é, antes de mais nada, sonhar com um mundo cada vez melhor para nós, e para os outros, entendendo limitações de perspectiva de “certo e errado” num determinado “espaço x tempo”.

Dentro destas perspectivas abordadas, penso naqueles que têm qualquer tipo de impressão ou sentimento ruim/negativo contra “pessoas de esquerda”. Há algumas explicações lógicas para esses sentimentos.

1)      Não concordar com as utopias que descrevi acima: Isso implicaria claramente na conclusão de que essa pessoa é desprovida de bondade e amor para com o próximo em seu coração. Portanto, se tem sentimentos ruins contra mim (ou alguém de esquerda), faz sentido, pois somos opostos no coração.

2)      Consideram ingênuos quem possui tais utopias: Bom, mesmo que fossemos ingênuos, seria ingenuidade motivo para dispensarmos más impressões e sentimentos ruins para com a pessoa? Seria, o fato de sonhar “ingenuamente” com um mundo melhor, um motivo para desgostar de alguém? Mesmo que na prática nossas ideologias fossem impraticáveis, não bastaria conhecer os sonhos e o bom coração de alguém para admirar-lhe, ou ao menos, respeitar-lhe?
E…. sabendo que há poucas verdades absolutas no mundo, e que estamos, num geral, buscando evoluir e aprendendo novas verdades, o que seria um erro mais grave: possuir boas e justas ideias, e, mesmo sabendo difícil, tentar buscar formas de aplicar-lhes na vida real; ou dar de ombros e simplesmente viver de acordo com a realidade existente, e aceitando o mal, inclusive, vivendo de parte dele para ganhar sua vida?

3)      Um desconhecimento completo do que o termo esquerda significa: se esse o caso, penso que lendo este meu texto, e possuindo um pinguinho de humildade, já seria suficiente para eliminar o ponto 3 de sua vida.

Mais explicações coerentes não consigo enxergar para explicar tais sentimentos.

Fico feliz por estar aumentando, diariamente, o número de pessoas pelas quais tenho carinho e sou retribuído, mundo a fora. E claro, lamento por aqueles que se foram, deliberadamente, de minha vida, ou aqueles que eu mesmo tive que retirar, por estarem presentes no ponto “1)” descrito acima, pois de pessoas perversas, realmente, eu busco me distanciar.

por Miguelito Formador

figura daqui

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013 Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013
Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Nos últimos 20 anos, a América Latina tem sido o sustentáculo do mundo na sobrevivência de políticas de esquerda, protecionistas, de luta pelos interesses da própria nação acima dos interesses estrangeiros/imperialistas.

A Europa vem presenciando sua democracia e os direitos do trabalhador enfraquecendo desde a década de 90. É a falência da social democracia nestes países, onde no cabo-de-guerra (povo X capital), vence novamente o capital.

Os países latino-americanos, quase todos, passaram por ditaduras de direita apoiadas e patrocinadas pelos EUA (até mesmo Cuba teve seu ditador aliado aos EUA, Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, quando foi derrubado por Fidel Castro – leia sobre esse processo AQUI), do início da década de 60 até o início da década de 90. Foram 30 anos, aproximadamente, de ditaduras de direita por todos os cantos da América do Sul e Central. Ao término destes períodos de intervenção militar, estes países vieram passando por um acelerado processo de avanço da democracia.

Vencidas as ditaduras, nada mais normal que um processo progressivo de democratização. Sai a ditadura, entram governos parcialmente democráticos, normalmente de centro-direita ou de direita. Políticos conservadores, que se elegem devido à imaturidade democrática da sociedade, e por saberem aproveitar os resquícios do sistema elitista herdado da ditadura e da colonização, que privilegiam aqueles que mais têm.

Porém, na América Latina, grandes mentes surgiram, e souberem se organizar, se uniram para debater ideias e ideais, para trocar experiência e conhecimento. Assim, chegaram a conclusões parecidas em comum. Apoiaram-se mutuamente para chegarem aos Governos, e lutaram, alguns mais, outros menos, para acelerar o processo de democratização destes países, e fazer com que o povo, historicamente excluído e sem voz, pudesse ter mais direitos e ser mais respeitado. Além disso, lutaram pela nossa independência frente às grandes potências, não só no papel, mas na prática, seja na política, na economia, na cultura, militarmente ou diplomaticamente.

Assim vimos nos últimos anos uma ascensão de governos populares em muitos países da América Latina.

No Brasil, o processo ocorreu progressivamente. Sarney (Tancredo) foi eleito de forma indireta. Collor, frente a Sarney, foi um progresso, na minha opinião, e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Brasil, depois da ditadura (vale lembrar que Lula teria vencido, se não fosse a armação que a Globo fez no último debate, fazendo edição do debate antes de transmiti-lo, o que também mostra imaturidade democrática da sociedade).
Depois veio FHC, que frente a Sarney e Collor, está anos-luz à frente no quesito democracia. Mas, aquele PSDB, de origens sociais-democratas, infelizmente, se direcionou ao neoliberalismo e consequentemente, a favor dos interesses imperialistas.

E depois veio o PT, com Lula. Lula concretizou a democracia no Brasil. Um grande avanço, comparado ao que veio antes, o que é normal, seguindo a lógica da evolução progressiva. Claro que, não foi perfeito, até porque perfeição não existe. Mas ainda há/havia MUITO a evoluir, melhorar, tanto na democracia, quanto na vida do cidadão.
Mas antes que isso fosse possível, as forças conservadoras começaram a “reagir”, chegando ao seu auge durante os governos Dilma.

A história se repete, desde a Grécia antiga, e fatos já observados naquela época, acontecem exatamente da mesma forma hoje.
Quando ideais/pensamentos/movimentos “A” avançam, ideais/pensamentos/movimentos “B” começam a crescer proporcionalmente, visando frear “A”. A isso dá-se o nome de “reação”, ou “reacionarismo”. Alguém age, outro alguém reage.

O que ocorre é que, enquanto o povo não tem voz nem direitos, a elite e os pensamentos conservadores ficam hibernando, escondidos. Quando o povo começa a ganhar força, as ideias e atitudes conservadores e opressoras ascendem, e com força bruta, e reagem visando impedir este avanço do progressismo.

Como os governos de esquerda estavam atingindo seus objetivos nas Américas: inclusão social, combate ao imperialismo, evolução da democracia, etc, as forças de direita começaram progressivamente a avançar em paralelo.

Peixes_piloto

Peixes_piloto

Essas forças são principalmente compostas por: EUA e seus principais aliados na Europa (Inglaterra, Alemanha, França), as elites locais (banqueiros, grandes empresários, a mídia privada, e claro, aqueles políticos que representam os interesses destes grupos), e os peixes pilotos (pessoas da classe média, que se acham de elite ou sonham em pertencer a ela, e aí defendem ideias conservadoras, sem perceberem que, na verdade, deveriam defender ideias progressistas, pois eles, classe média, estão muito mais próximos do povo, que da elite).
(Um pouco do ódio desenvolvido pela classe média do Brasil. Mantega recebe gritos e ofensas por médicos no hospital Albert Einstein. Clique AQUI)

Neste movimento, a América Latina está passando por um processo político muito delicado, que lembra os movimentos que se iniciaram na década de 60, e que geraram todos os golpes militares de direita, e afundou a América Latina num período de trevas.
Venezuela e Brasil são países líderes neste processo do avanço da esquerda. E são países riquíssimos em petróleo. Por isso, somos o maior alvo do golpe que se arma. (Venezuela se prepara para reagir contra Golpe e Guerra – Clique AQUI)

Se você é um dos que defende inocentemente o impeachment de Dilma. Se você é um dos que inocentemente acha que o escândalo da Petrobrás trata-se de “mais um esquema de corrupção”, sem perceber o golpe econômico e político que se arma em volta de NOSSO petróleo. Se você é um dos que há anos vem divulgando, espalhando, compartilhando, curtindo, toda e qualquer informação contra o PT, contra Lula, contra Dilma, contra Zé Dirceu, contra Chávez, contra Maduro, contra Fidel Castro, contra Evo Morales, etc. Se você acredita que ser de esquerda é simplesmente ser comunista, e acha que comunista come criancinhas (e não percebe que a esquerda tem um espectro político amplo, incluindo a social democracia, sistema vigente na maioria dos países europeus. E que ser de esquerda significa, basicamente, estar do lado do oprimido).

Se você pertence ou se aproxima destes grupos descritos acima, ou de qualquer outro parecido…. então VOCÊ é cúmplice dos golpes que se armam. VOCÊ joga contra o Brasil e contra os povos latino-americanos (mesmo que não saiba disso). VOCÊ está ajudando o planeta a escrever um novo capítulo de sua história, onde mais uma vez, uma Era de sombras pode estar se aproximando da humanidade, e você, que se acha bem informado ou bem intencionado, é responsável por esse fenômeno.
(Segue um excelente artigo didático sobre as várias facetas do golpe. Clique AQUI)

Sim, eu sei que o sistema educacional e a mídia nos corrompem, nos ludibriam, nos enganam, nos fazem jogar do lado que eles querem que joguemos. Mas no fundo no fundo, nós somos seres pensantes, e só não nos livramos dessas amarras e alienações, pois somos reféns de nossas fraquezas, nossas ambições, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso ego. Se fossemos seres humanos melhores, como fingimos ou aspiramos ser, seria muito mais fácil sairmos dessa prisão ideológica, e fazermos desse mundo um lugar melhor para todos.
O culpado portanto é VOCÊ!

E se o pior acontecer, eu lamentarei, por mim e por você.

por Miguelito Formador

figura montagem própria (originais daqui + daqui + daqui + daqui)