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Tentei tirar férias e “sumir” no curto período das notícias, absurdos e desmandos do Brasil e do mundo.
Quase deu.
Descobri que o intento é bem difícil quando não se “some” realmente do Brasil ou mundo.
Mesmo sem buscar você acaba ouvindo algo, lendo comentários no whatsapp do celular, escutando sem querer uma conversa numa padaria ou metrô…

E nesse intervalo teve goleiro condenado aplaudido em estádio, teve prefeito viajando só para ser elogiado, depois demitindo secretária “ao vivo” na internet; uma quase declaração de Guerra via Twitter, ataque de gás químico, de Estado Islâmico, de terrorista…
E teve também a delação da Odebrecht, com seus oito ministros, 39 deputados, 24 senadores e até três governadores. Uma ferida tão feia e purulenta que acabou de vez com pompas e argumentos de “partido honesto”, “bancada decente”, “político honrado” que alguns insistiam em ostentar.

E um dos textos lidos em meu “retorno” à internet e às leituras me rememorou algo que coloquei aqui na descrição do “integrante” Celsão revoltado, a Dissolução do Congresso. O texto é do Wladimir Safatle, e está disponível aqui e aqui (para assinantes Folha)

Explicando as origens, penso nisso desde o escândalo dos anões, no início dos anos 90. (referência da Wikipedia aqui)
O deputado João Alves, em discurso na CPI disse com cara limpa que “Deus o ajudou e o fez ganhar na loteria”, seguidas vezes!
O rombo, segundo a Wikipedia foi de R$100 milhões. Dentre os envolvidos, temos nada menos que Geddel Vieira Lima, ex-Ministro do governo Temer.

Bem… Na época pensei na injustiça de termos mais de quinhentos sustentados parlamentares, com poder para aumentar o próprio salário e uma distância abissal do povo e de suas aspirações.
Já se fazia difícil e improvável a aprovação de medidas e reformas. Aliás, bem da verdade, qualquer pauta deveria “tramitar” algumas semanas antes de entrar em votação.
E esse “tramitar” possui aspas pois o governo de Fernando Collor tinha que negociar SEMPRE, e com todos os partidos, aliados ou não, cargos e favores.
Algo sujo e indigno.
Os analistas e cientistas políticos diziam que era o “preço” de pertencer a uma legenda pequena, na época; mas eu pensava diferente: mesmo que o presidente tenha boas ideias e queira aprovar leis que beneficiem os mais carentes, não conseguiria. Se essas leis forem contra direitos injustos e mamatas do Legislativo, pior ainda…
A solução?
Dissolver o Congresso!

Em meu sonho utópico, o então presidente (e aqui poderia ser Collor, Itamar, FHC, Lula, qualquer um) começaria um discurso em rede nacional com frases do tipo…
Temos tentado aprovar essa e essa medida, essa e essa reforma”, languidamente narra alguns feitos e os conchavos que precisou fazer para lograr o êxito obtido – “o Ministério tal foi trocado pelo projeto tal, a diretoria de estatal tal foi negociada pelo apoio aqui”…
E nos últimos dois minutos de um discurso de meia hora sentencia:

“Me vejo forçado a dissolver o Congresso Nacional por um período de 30 dias!
 Nesse ínterim convocarei um referendo popular para aprovação ou não dos seguintes pontos:
      – Redução do número de parlamentares
      – Redução do salário, dos benefícios e fim da legislação em causa própria; não será mais possível aumento próprio dos vencimentos
      – Fim do quórum eleitoral e dos ‘carregadores de votos’
      – (…) outros pontos importantes
 Certo de sua compreensão e apoio, aguardo os resultados e acatarei a decisão popular.
 Os pontos aprovados tornar-se-ão lei por decreto e voltaremos a ter um Poder Legislativo Nacional no final desse período”

Hoje eu acrescentaria outros pontos, como fidelidade partidária, atrelando a vaga à pessoa e ao partido; fim dos suplentes, fim da aposentadoria especial, extinção do foro privilegiado, limitaria o número de mandatos (em dois), etc., etc…

Mas na época pensava em resolver esses três pontos, que nunca seriam (nem nunca serão) aprovados pelo legislativo, sobretudo corrupto!

Agora temos legisladores comprovadamente corruptos, respondendo a processos e acusações, de crimes dos mais diversos, decidindo temas importantes para a sociedade e para as próximas gerações.
Um Congresso demasiadamente conservador, com interesses declaradamente escusos. De bancadas pré-estabelecidas, como a bancada chamada de BBB (Bala, Boi e Bíblia), que defende ideias e sugestões de grupos distantes das reais necessidades da população…
Independente de vermelho ou azul, penso que é hora de acabarmos com intermináveis abusos, como viagens em aviões da FAB…
E de quebra tornar todos os citados na Lava Jato e em outras operações, e os demais criminosos pertencentes às duas casas, inelegíveis por ao menos um período eleitoral.

Sim, é radical e anti-democrático. Ditatorial até.
Mas não vejo outra alternativa para realmente “limpar” parte da imunda e indecente lista de representantes políticos da atualidade.
A representatividade é baixa, pelas regras eleitorais, pelo modo como votamos, pelas substituições de legisladores nomeados a outros cargos… Que recomecemos!

Fora da utopia, se o Álbum de Figurinhas que circulou via WhatsApp for realmente lançado, e tem gente se empenhando para que a “brincadeira” se torne verdade (aqui), quem sabe nem precisemos de Ficha Limpa. Os políticos citados, investigados e condenados sairão automaticamente da vida pública…
É… foi utópico de novo…

por Celsão revoltado

figura recebida pelo WhatsApp, do portal de humor Kibe Loco.

laerte-os-pobres-e-os-ricos
Não bate em Francisco no Brasil. Infelizmente.

Aqui me refiro às leis e às punições que elas geram/criam. E num paralelo entre pobres e ricos, entre os que possuem recurso financeiro e os que não possuem e sequer conhecem os próprios direitos.

Começando pela lei recém aprovada no Congresso sobre a terceirização.
Já fui temporário, terceiro, funcionário “residente”, prestando serviço em outra empresa. Também já contratei empresas prestadoras para serviços dos mais diversos e digo com certa propriedade: é diferente.
O terceiro é um semi-escravo que pode ser trocado a qualquer momento, a qualquer deslize; como um carro alugado que apresenta ruído, ou sobremesa imperfeita num hotel all inclusive.
Um terceiro tem de fazer mais e melhor, tem de ir além, a todo momento.
E a empresa prestadora, mesmo quando possui boas intenções e é comandada por pessoas de caráter, sofre a cada renovação de contrato e pode ser trocada pelo simples argumento preço. Resultado: a esmagadora maioria dos terceiros recebem o piso da categoria, o mínimo da lei. E quando há a troca, uns poucos funcionários da empregadora terceirizada anterior são aproveitados, num período de adaptação.

Para quem não sabe, atualmente, o serviço terceirizado não pode ser usado para a atividade-fim, somente para atividades “intermediárias”. Ou seja, uma empresa de transporte coletivo não pode ter motoristas terceirizados, uma fábrica de cerveja não pode ter operadores de máquina terceirizados e por aí vai.
Mas ambas podem ter segurança, limpeza e manutenção feitas por funcionários contratados via terceirização. O perigo da mudança é passarmos a ter semi-escravos em todos os níveis…

Concordo que a legislação trabalhista brasileira está estagnada por décadas e “pesa” na conta de pequenos e microempresários. Mas o razoável aqui seria fazer uma transição, preparar empregados e empresas para uma nova realidade.
Sem educação básica é impensável que os novos profissionais tenham preparo para a nova realidade de mercado e as novas profissões. Tenham, por exemplo, controle dos próprios gastos e saibam se preparar para eventuais férias, emergências médicas e aposentadoria…

A aposentadoria, ou a reforma da previdência é mais um ponto discordante, quando tomamos ricos e pobres.
Os primeiros têm melhores empregos, possuem assistência médica, planos privados de aposentadoria e ainda conseguem adquirir bens durante a idade produtiva, gerando renda extra. Sem contar políticos, militares, juízes e outros funcionários públicos que não obedecem o teto da iniciativa privada e só oneram a folha e o rombo da previdência nacional.
Os outros, além de não alcançarem a comodidade dos ricos, possuem trabalhos mais pesados e desgastantes, menor expectativa de vida, piores condições sociais…

Sem considerar esse fator de diferenciação, estabelecendo 65 anos como idade mínima para advogados e estivadores, médicos e cortadores de cana, fazendeiros e pequenos agricultores… teremos o segundo grupo sem possibilidade de exercer o próprio trabalho após os 50 e sem emprego nos últimos quinze anos de trabalho obrigatório!
E é esse grupo que começa a trabalhar (e contribuir) mais cedo. E é esse grupo também que precisa de suporte público para atendimento medico-hospitalar. E coincidentemente é o grupo que mais precisa do valor da aposentadoria, saído dos cofres públicos.

Outro “pau” que não agride Francisco é a Justiça.
É incrível ver os processos intermináveis e recursos contestáveis que “gente rica” consegue.
Basicamente, todo rico tem direito ao STF. Enquanto o pobre sequer sabe que pode ter um defensor público. E muitas vezes é coagido para aceitar uma culpa que não é dele.

Um exemplo é o goleiro Bruno, ex-Flamengo, cujo recurso foi deferido pelo juiz do Supremo Marco Aurélio Mello, após pouco mais de seis anos de reclusão…
Será que um pedreiro ou operador de máquina teria as mesmas condições?
Certamente não teria dinheiro suficiente para arquitetar sua defesa e programar seus recursos até o STF. Mas a pergunta certa seria: ele teria emprego assim que saísse da penitenciária?

Não é que eu condene o Clube Boa Esporte pelo que fez.
Mas eu gostaria de ver a mesma atitude em relação a presos “comuns”.
Uma vez que o discurso é de reintegração social, que tal contratar roupeiros, gandulas, cozinheiras, enfim, outros funcionários com ficha criminal, vindos de reclusão ou Febem/CASA?
Isso não calaria a minha boca e outras,  mas traria um exemplo a ser seguido.

Mas…
Enquanto tivermos políticos aumentando o próprio salário e usando jatos da FAB para viagens particulares, no fim de semana, levando família e amigos (aqui).
Enquanto houver conchavos e nepotismo para cargos de confiança, ministérios, cargos no STF.
E enquanto a oposição no Legislativo se resumir a PSOL e Rede… fica difícil acreditar na ética e mais difícil ainda acreditar no fim dessas diferenças.
Lamentavelmente.

por Celsão correto

P.S.: figura retirada de um excelente quadrinho do Laerte, que achei aqui

Começo compartilhando um vídeo extraído do Youtube (aqui a entrevista completa, para quem quiser ver o original).
Quem fala no vídeo é Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs, ícone do rap nacional, e de toda a periferia paulista, desde o início dos anos 90. A entrevista é sobre o novo disco, o “novo estilo” do músico que “brinca” com a carreira solo.

Meu destaque vai para a análise de Brown sobre o Brasil, em pergunta provocativa já no final da entrevista.
Faz sentido sermos um país hoje “de direita”, enfrentando tantos problemas sociais?
Faz sentido vislumbrarmos o radicalismo de Malafaias e Bolsonaros, na política, antes mesmo de evoluir socialmente e nos certificarmos que nossa nova democracia, nossas jovens instituições funcionam? Antes de assegurar que podemos evoluir em ética (comportamental, política, social)?

Independente do resultado da Lava Jato, da pizza que venha a surgir…
Independente das delações, das listas de Janot, dos conchavos dos políticos que tentarão até o fim safar-se…
Independente dos infindáveis processos do STF, que julga até brigas de trânsito dos ricos em última instância…
Independente do esvaziamento das manifestações pós-PT, como se todos os problemas já estivessem resolvidos…
É preciso continuar lutando!

Por mais ingrato que seja a luta, por mais longo que seja o processo, por mais improvável que seja a condenação, por mais absurda que seja a a lei de última hora, aprovada durante a noite…

É preciso ouvir. É necessário que prestemos atenção aos pequenos grupos, às opiniões pirata, aos pensadores que arriscam “fora da caixa”.
Que os vídeos do Bob Fernandes, que blogs como o do Josias, que revistas como a Piauí e que TVs como a Cultura, sejam lidos e vistos. Principalmente como alternativas ao conteúdo normal de Globo, Estado, Folha e das revistas mais lidas do país (aqui).

Que tenhamos mais Browns, Mandelas, Luther Kings, Mujicas, Angelas Davis, Fred Haptoms…
Mas que a internet nos traga também entidades coletivas, onde a multiplicação da opinião do indivíduo ecoe rapida- e eficazmente, como o Avaaz, o Greenpeace, o Change.org

O tal “Caixa 2” é mesmo crime; e não duas vezes um “Caixa 1”. Qualquer coisa que digam contra ou qualquer isenção que seja aprovada no Legislativo é manipulação das mais reles.
As medidas de combate à corrupção, apresentadas por Dilma no longínquo março de 2015 (avaliadas aqui), quase dois anos atrás, e foco de ação popular pouco depois, não serão adotadas. Não adianta ter esperança nesse ponto. Ao menos não serão aprovadas sem drásticas mudanças. Como já escrevemos recentemente, a Câmara prepara a pizza, pois ainda verifica as assinaturas da ação popular (aqui).
As investigações dos políticos e empresários delatados, sobretudo nessa fase da Operação Lava Jato, levarão muitos anos. E provavelmente não extinguirão a corrupção. Se houverem condenações e prisões, mesmo tardias, teremos iniciado REALMENTE um movimento positivo.
A reforma da previdência, ou reforma trabalhista, será aprovada. Não por ser melhor para o país, mas aproveitando a maioria confortável que o governo Temer tem no Congresso atualmente. Não que eu seja contra reformas, só acho que essa merecia ser exaustivamente discutida e avaliada; sobretudo ouvindo empregados e sindicatos.
As aposentadorias de “marajás”: militares, juízes e políticos, que trabalham por pouco tempo e ganham salários exorbitantes não vai acabar; por mais que queiramos e por mais que seja mais justo e efetivo.

Somos poucos. Mas somos inconformados e continuaremos lutando!
No Legislativo ainda temos PSOL, outros pequenos partidos de esquerda como PCB e PCdoB, parte da Rede, do PDT e o que sobrou do PT. Nas ruas temos os inconformados, os pensadores, os curiosos, os críticos…

Terminando com outra frase de Mano Brown…

Nunca foi fácil, junta seus pedaços e desce para arena, mas lembre-se: Aconteça o que acontecer, nada como um dia após um outro dia!

por Celsão revoltado, já que citei Racionais e Congresso. 🙂

P.S.: figura retirada daqui, mais por não saber se o vídeo apareceria como figura no Facebook

P.S.2: abaixo o mesmo trecho de vídeo, no formato MOV, caso alguém tenha dificuldade em abrir o MP4

aroeiramoraes2Agora está feito.
Alexandre Moraes foi nomeado, sabatinado e aprovado em votação do Senado. É o novo Ministro do STF e tomará posse em Março.
É aquela água que misturamos ao vinho. Indissociável. Estará lá por longos 26 anos…

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça foi um “teatro de bonecos”, como escreveu curto e bem, Josias de Souza (aqui).
A começar pelo presidente, Senador Edison Lobão, investigado na Operação Lava Jato, passando por nove outros investigados fazendo parte da mesma sabatina e terminando com outros senadores “da base” elogiando Moraes, sua conduta, suas respostas, seu penteado…

As revistas Veja e Época, notoriamente de direita, portanto extremamente críticas aos governos petistas anteriores e esperançosos (quero crer que somente a princípio) em relação a Temer, divulgaram e divulgam abertamente nos últimos exemplares a verdadeira perseguição à Operação Lava Jato, o provável “estancamento” proposto há algum tempo por Jucá…
A capa da Veja que ilustra esse post é da edição 2517, de 15 de fevereiro.
Dentre as reportagens da Época, destaco essa, “O governo e o Congresso contra a Lava Jato“. São inúmeros os exemplos de medidas lícitas, porém imorais, que as entidades máximas da Nação estão tomando para se protegerem e para “afundar” o inédito combate à corrupção.

post_pizzaO colunista da também conservadora Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, chega a propor aqui que as escolas de Direito devam parar de ensinar as leis e o modo correto de empregá-las, passando a ensinar truques jurídicos.
É isso que estamos vivenciando atualmente: “truques” em todas as esferas: Executivo, medidas e indicações do presidente Temer, Legislativo, com votações rápidas em pontos de interesse próprio, arquivamento de processos de interesses contrários, protelação em alguns casos, sabatinas “teatrais” e até do próprio Judiciário, que arquiteta quando lhe convém suspensões de processos e procrastinações, como o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e a atual “novela” da verificação das assinaturas do projeto popular de medidas anti-corrupção.
O “povo” propôs, com mais de 2 milhões de assinaturas. O Congresso alterou bastante, colocando punições a juízes por abuso de autoridade, o judiciário bloqueia o processo, cria liminar, assinaturas devem ser conferidas, TSE não consegue conferir… pizza a vista! (aqui)

Voltando ao nosso ilustríssimo mais novo Ministro do Supremo, Moraes…
Ele terá o papel de defender Eunício, Maia, Temer. “Defender” não seria a palavra judicialmente perfeita, seria o “truque jurídico”. Enfim… ele vai defender os principais artífices do Executivo e Legislativo atual e blindá-los certamente.
Talvez estenda sua benevolência também a Renan Calheiros e aos tucanos ex-colegas de partido, como Aécio, também citado nas delações da Odebrecht.
Quem tem dúvidas de que Alexandre de Moraes está mesmo “atado” ao PMDB e ao governo Temer, pesquise a primeira visita dele após a votação do Senado (aqui). Ele foi direto para a “casa do padrinho”, pedir a bênção e buscar as primeiras instruções. E essas, aposto, começaram com a sugestão de visita subsequente: Carmen Lúcia.

Tirando a já óbvia pizza da Lava Jato a caminho (está obvia até pra Veja e Época), me espantam os problemas de Ministério que nosso atual presidente enfrenta.
Já havíamos levantado alguns prováveis problemas quando os mesmos foram nomeados (aqui).
Mas os números seguem aumentando e surpreendendo. É difícil até de controlar a contagem: a maioria é de réus, enrolados em inquéritos e escândalos.
Moreira Franco, recém nomeado e Bruno Araújo (Cidades) são os ministros atuais citados pela Odebrecht. Que também conta com os já afastados Romero Jucá e Geddel Vieira. Isso no âmbito da Lava Jato.
Temos José Serra, recém saído do quadro, que responde por improbidade administrativa. A ele juntam-se Eliseu Padilha, Hélder Barbalho e nosso querido Kassab.
Mas tem também crimes “raros”, como fraude de licitação (Ricardo Barros – Saúde), desvio de merenda (Maurício Quintella – Transportes), falsidade ideológica (Marx Beltrão – Turismo), peculato (Raul Jungmann)…

É repetido aqui nesse espaço, mas repetirei.
Triste constatar que todo o movimento do “gigante” durante a pressão pró-impeachment era realmente contra Dilma e contra o PT. E não algo contra a corrupção, como muitos diziam.

E… obviamente… meu lado utópico espera estar errado!

por Celsão correto.

figuras retiradas daqui (por Aroeira) e da lista de capas da Veja, aqui

 

americafirst_oesp_v2Caro senhor presidente Donald Trump.
Essa é uma mensagem do blog Opiniões em Sintonia Pirata pra você.

Talvez você esteja se perguntando o porquê um blog do Brasil esteja entrando em contato dessa forma.
A ideia aqui é mostrar o quão próximos somos a você.

Nós também odiamos e disseminamos o ódio. Não através de mascarados da KKK ou de simbolismos pouco claros como bandeiras, confederações e afins.
Nós odiamos a elite e tudo o que ela representa em nosso país fragilizado social e economicamente.
Odiamos a manutenção do status quo e os golpes suaves que nossa elite aplica aqui, juntamente com os seus serviços de inteligência.
Pensando bem, se ainda não foi apresentado à nossa elite e aos nossos partidos de direita, não perca seu tempo!
Você os adorará ainda mais que à Marine Le Pen e aos demais ultranacionalistas europeus. E eles sequer darão trabalho… nada pedirão em troca e aceitarão de bom grado a condição de subalternos e subdesenvolvidos…

Nós odiamos a imprensa também. Nisso estamos de acordo.
Mas não da maneira como você os odeia, por publicarem os fatos maquiando um pouco a verdade. Sabia que publicamos uma estória sua com a imprensa americana aqui?
Nosso problema com a imprensa é um pouco pior. Eles buscam perpetuar o “pão e circo”, conhece isso?
Creio que não. É muito culto e muito “francês” pra você.
Bem… a imprensa brasileira promove acesso difuso à informações de baixo impacto no desenvolvimento do povo. A eles interessa que o povão não leia, não se informe, só reclame. Quem realmente não busca se informar por aqui, vive num universo paralelo, semelhante as “Brumas de Avalon“. Que julgo também que não conheça… É muito “Inglês” e muito “feminino” pra você.
E não é que essa odiada imprensa tem sido censurada pelo atual governo (outro ponto adorável, sob sua ótica, no Brasil). Veja aqui as ordens explícitas de censura sobre uma investigação pública da primeira dama

Voltando às mulheres, você não sabe, mas estamos no Brasil. Onde as mulheres são bonitas e bronzeadas…
Mas diferentemente de você e do que prega, queremos que as mulheres tenham mais liberdade, mesmas oportunidades e condições, tenham salários e benefícios equiparáveis aos dos homens.
E nós somos homens! Não é incrível isso?

Não temos mexicanos aqui. Nem no blog, nem no Brasil.
Corrigindo a informação, no Brasil existem mexicanos, americanos, angolanos, italianos, japoneses, libaneses e pessoas de muitas outras Nações. Nós os recebemos e sabemos de sua importância na construção da nossa Nação.
Ao menos nós aqui no blog reconhecemos isso e sabemos que muitos outros brasileiros também.
Ultimamente, tivemos a imigração de muitos Haitianos para o Brasil. Pessoas que escolheram deixar seu lar, sua família, sua história em busca de melhores alternativas para viver, de novas oportunidades.
Ignorá-los ou expulsá-los é algo impensável para nós. Integrá-los para que se sintam nosso país como um novo “lar” e contribuam para o desenvolvimento nacional é uma sugestão nossa para com os mexicanos, cubanos e demais latinos, bem como para os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos.

Falando em muçulmanos, por que não proibiu a entrada em seu país dos muçulmanos da Arábia Saudita?
Eles cultuam o mesmo “Deus dos terroristas”, bem como os iranianos e sírios. São similares em cultura, possuem até, pasme, reservas de petróleo como os demais!

Enfim… pra terminar gostaria de entrar noutro tema polêmico: voto.
Você adoraria o nosso sistema! Aqui votam inclusive os negros (e negras) desde 1932. Acredite, eles também sofrem bastante aqui, até hoje. Mas podiam votar mais de trinta anos antes dos “afro-descendentes” daí!
Nosso voto é obrigatório. Deixamos opcional para maiores de 70 anos e para os analfabetos. Sim, isso mesmo! Nós temos analfabetos mas tentamos tratá-los como gente!
Nosso sistema é eletrônico, de contagem automática. Mas os derrotados, sobretudo quando semelhantes a você, sempre reclamam e dizem que todo sistema eletrônico é burlável.
E o atual presidente, o mesmo da censura, estava na chapa com aquela “inimiga” que ganhou a eleição, mas foi afastada. Usamos até uma palavra em inglês para isso: impeachment.
Pois bem, esse presidente e o partido dele, fantástico, incrível, “a sua cara”, estão envolvidos até o pescoço com corrupção. Aqui está rolando uma operação federal de combate a corrupção, ou estava… O fato é que a chapa do atual presidente está sendo acusada de receber dinheiro ilegal de campanha. Mas ele conseguiu, aparentemente, desvincular-se da própria eleição. Talvez consiga até desvincular sua imagem do partido. Não é realmente incrível?

Coisas que você, certamente, apoiaria!

Então, entendemos e aceitamos que você busque o “America First”. Mas… poderia (des-)considerar o nosso blog nessa briga?

por Celsão irônico

P.S.: Para quem não viu, a Holanda e outros países europeus lançaram vídeos no youtube satirizando o “America First” de Donald Trump. Eles puseram a maioria numa página (essa). Tem Alemanha, Portugal, Suiça, Namíbia, Austrália… Outros internautas fizeram montagens hilárias também, por exemplo: Marte e Mordor.

figura retirada do vídeo de Mordor no youtube e montada com o “nosso símbolo”. Achamos que Mordor representa bem Donald Trump

post_geddelMais uma de Temer e de seus nomeados Ministros.

Depois de Romero Jucá, afastado com uma semana de mandato, após vazamento de uma gravação feita via grampo telefônico, revelando bastidores do impeachment e de intenções de barrar a Lava Jato (post nosso aqui), agora é o secretário de governo e articulação, Geddel Vieira Lima que está na mira da Comissão de Ética da Presidência da República, devido a um escândalo de intervenção no Ministério da Cultura, que causou o pedido de demissão do então Ministro da pasta, Marcelo Calero.
Pra quem nada leu a respeito, seguem notícias aqui e aqui. E um resumo de quem é Geddel, conhecido dos escândalos em nível federal, aqui.
E pra quem não lembra do nosso post descrevendo os ministros nomeados por Temer em Maio, aqui, copio o trecho relacionado a Geddel:

Secretaria de governo – articulação: Geddel Vieira Lima (PMDB/BA); acusado de receber dinheiro de empreiteiras. Citado na operação Lava Jato, é suspeito usar sua influência para atender a interesses da construtora OAS na Caixa Econômica Federal, banco do qual foi vice-presidente de Pessoa Jurídica

Pra começar a expor minha opinião pirata, devo-me o eco de repetir que a tolerância à falta de ética deve ser zero!
E que tráfico de influência, em favorecimento próprio ou de outrem, é corrupção!
Sobretudo quando pede-se algo “fora da lei”, como atuar pressionando um órgão público (Iphan) para garantir a liberação de uma obra embargada, em terreno tombado pelo patrimônio público e cultural!
E… se os citados na denúncia de Calero à Polícia Federal: entre eles o próprio Geddel Vieira Lima e o presidente Michel Temer não negam que falaram com o ex-Ministro sobre o empreendimento, assumindo que ‘possui interesse privado na liberação da obra’ e que ‘esses conflitos e pressões políticas são normais, encaminhe o caso para a AGU dando uma desculpa’, respectivamente; o que será que eles disseram e fizeram, além de REALMENTE pressionar Marcelo Calero a fazer vistas grossas e agir de modo imoral?

Sem medo de perjurar, arrisco-me a dizer que o presidente Michel Temer, amigo de Geddel, agiu sim de forma anti-ética pedindo a intervenção do ex-Ministro, ao menos para que alegasse qualquer problema e passasse para a Advocacia da União o imbróglio. (aqui)
E uma prova forte dessa afirmação é a convocação do porta-voz da presidência para dar esclarecimentos à imprensa. Duvido que o assunto tomaria tais proporções se a denúncia de Marcelo Calero (divulgada em entrevista e colhida como depoimento), cuja reputação ilibada foi defendida por Temer inclusive, não procedesse.

E não me surpreende o fato da base aliada do governo (PMDB, PP, Solidariedade), do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do multi-citado em inquéritos, e presidente do Senado, Renan Calheiros, saírem em defesa do Ministro Geddel.
São “farinha do mesmo saco”, se defendem até o limite da honra, principalmente quando dependem uns dos outros para aprovar temas polêmicos: como o projeto de criminalização do abuso de autoridade, a anistia ao crime de caixa dois, a repatriação de valores evadidos ilegalmente (de relatoria, imparcialíssima, de Romero Jucá), entre outros.

É na articulação com o governo que se buscam defensores para emendas suspeitas, mudanças em textos e em relatórios, subterfúgios (i)legais. E são as casas do Legislativo que podem bloquear o alcance da Lava Jato e de outras operações; ou ao menos amenizar os efeitos na classe política.
Tampouco me surpreenderá, num futuro próximo, uma alteração da PEC do limite de gastos, aumentando os salários dos nobres servidores políticos além do limite a impor para os próximos vinte anos…

É triste. Mas a corrupção e a falta de ética estão cada dia mais presentes, descaradas e aceitas.
Sugeri que todos os ministros de Temer citados em investigações fossem afastados. Agora são muitos os comentaristas que pedem a renúncia de Geddel. Mas tudo parece que vai acabar, infelizmente, em na “Grande Pizza” citada aqui mesmo.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: Recomendo um vídeo sobre o caso, gravado do comentário matinal do Boechat, que analisa outras decisões “inúteis” do Conselho de Ética da Presidência da República (aqui)

P.S.2: Não menos importante, recentemente, Jucá se tornou novamente réu, agora da operação Zelotes, em seu sétimo inquérito / acusação (aqui)

trump-4No próximo dia oito de novembro, a maior força política mundial elegerá o seu próximo presidente.
Republicanos com seu Donald Trump batalham contra Democratas e a ex-primeira dama, Hillary Clinton. O primeiro representa o conservadorismo extremo, a direita liberal, aquele americano médio, individualista, que tem a vida ganha e não precisa se preocupar com o resto do mundo; a segunda pertence ao partido de centro, ou centro-esquerda (sob a ótica capitalista daquele país), é o liberalismo social e a aceitação das diferenças e das imperfeições da sociedade.

Num ambiente globalizado, a preocupação com o destino dos gringos é compreensível. Talvez válida.
E, num momento de crise local, muita gente acompanha o desenrolar da campanha presidencial americana temendo uma piora, ou amarrando-se nessa “piora anunciada”, caso ganhe esse ou aquele.
E não é que descobrimos divertidamente que as campanhas americanas são parecidas com as nossas? Muito ataque gratuito, muita estória distorcida ou realçada para macular os projetos do adversário, ou o próprio como pessoa; como se o alto cargo a ser exercido dependesse simplesmente desta única pessoa. E não de um colegiado de legisladores.
O lado direito mistura fatores relevantes como emails privados tratando de assuntos governamentais confidenciais, com pouco relevantes casos extra conjugais e culpabilidade questionável de Hillary nas promessas de campanha não-cumpridas por Obama. E o lado centro-esquerda usa declarações polêmicas de Trump sobre racismo, sexismo, terrorismo misturado a sonegação de impostos e frases soltas há anos atrás…

Por um lado, sabemos que o “ataque” nos Estados Unidos é mais facilitado pela estrutura dos partidos. Um candidato Democrata só precisa “desmerecer” o Republicano e vice-versa.
O que torna mais fácil uma campanha midiática contra um partido ou candidato.
Traçando um paralelo crítico com o Brasil, na última campanha para a prefeitura de São Paulo, PMDB, PT e PRB digladiaram-se e atacaram-se mutuamente, entregando a vitória em primeiro turno ao PSDB.
O que talvez pudesse ser feito, mais assertiva- e efetivamente, no caso da prefeitura daqui, é um ataque coordenado dos três aspirantes ao segundo turno ao líder das pesquisas. Isso desconsiderando a influência da mídia paulista, pendente ao tucano e o próprio tempo disponibilizado ao PSDB de acordo com as leis eleitorais vigentes.

Agora… Além do “susto” de perceber que eles lá se atacam tanto quanto nós aqui, ainda pior é perceber que a mídia está influenciando, ou pode estar influenciando, o resultado das eleições. Como acontece por aqui.
No Brasil, o medo da mídia é perder o poder “modelador” ou “influenciador” da população. Era (ou é) sofrer uma reforma midiática, fortalecer canais alternativos de informação. E permitir, no fim, que surjam seres pensantes e críticos.
Nos Estados Unidos, também existe influência midiática na população, principalmente voltada ao consumo. A economia e o domínio econômico exercido em todo o Globo dependem disso. A ameaça ao status quo é o extremo do lado direito, é este extremo que pode derrubar os “direitos” de manipular ou o modo com que fazem isso, por mais estranho que possa parecer.

manchetometro_trump_hillaryPor isso, enquanto vimos no Brasil um direcionamento de críticas à esquerda, ou ao PT, como representante mais proeminente; vemos nos Estados Unidos o ataque da mídia direcionado ao Trump. Para cada matéria vinculada negativamente ao Republicano, existe outra neutra ou mesmo positiva em relação ao outro lado da disputa.
Um exemplo sobre essa manipulação nos Estados Unidos, pode ser visto num vídeo aqui. Pra quem quiser, em alguns de nossos posts, destacamos o manchetômetro, falando sobre o modo como a mídia brasileira divulgou notícias sobre o PT em 2014 especificamente (aqui para o Jornal Nacional exclusivamente). A figura ao lado mostra algo semelhante, uma espécie de manchetômetro comparando os emails vazados da democrata, com as frases ditas por Trump.

Assusta isso?
Claro!
É possível evitar isso?
Não. Na minha opinião.
E é saudável condenar e lutar contra isso?
A resposta “humana” é: depende do lado que se está. 🙂

Sou extremamente contra o republicano Trump.
Não gosto do jeito com que ele endereça os problemas existentes de terrorismo, desemprego e saúde pública precária correlacionando quase sempre com grave preconceito contra latinos, negros, muçulmanos e mulheres.
Acho ele um “Bolsonaro” com dinheiro e assustador apoio popular.
E as vezes, devo admitir, eu torço por ele. Torço para que ele ganhe e os americanos percebam o quão nocivo para si próprio é o conservadorismo… A torcida “passa” quando penso na influência que uma vitória de Trump teria aqui e em outras partes menos favorecidas do mundo.
Concluindo: eu também influenciaria beneficiando Hillary se eu pudesse (na realidade, minha preferência inicial era o ex-senador Bernie Sanders, um pouco mais a esquerda que Hillary). E me peguei pensando: é justo criticar a imprensa quando o “meu lado” é desfavorecido, não seria justo criticar também a “main stream media” no caso deste lado ser extremamente beneficiado?

Enfim… vale a pena assistir o vídeo e a análise do que é veiculado nele (link novamente aqui).

por Celsão correto

figuras retiradas daqui e do vídeo citado aqui.

P.S.: para quem quiser ler uma publicação nossa sobre a manipulação da mídia, sobretudo nas eleições brasileiras de 2014, segue link aqui, falando sobre o modo como o Jornal Nacional entrevistou os candidatos à presidência naquele ano.

post_nuzmanNosso ilustríssimo presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) acaba de se reeleger pela sexta vez. E completará ao final do seu mandato, 25 anos no poder.
Mesmo sabendo desde já que esse é seu último mandato, pela idade que terá em 2021, essa perpetuação é algo absurdo e inaceitável.
A lei permite que ele faça isso. Leis semelhantes amparam outros presidentes de entidades desportivas (CBF, CDBA, CBTKD, entre outras) a se manterem nos cargos por décadas.
Mas não são as leis, nesse caso, que estão erradas ou distorcidas (ok! talvez um pouco); o que envergonha é a manipulação das federações, visando esse regime ditatorial e pernicioso.

Não há como negar que a alternância no poder, especialmente nesse caso, seja benéfica.
Se por um lado há o risco do sucessor desfazer as melhorias e processos do sucedido, essas medidas geram o contraexemplo, a “prova dos nove” necessária para que se percebam erros e se descubram falcatruas.
Numa confederação desportiva, numa associação de classe, na gerência de um departamento de uma empresa, a perpetuação gera vícios e favorecidos, gera manipulação e segregação, gera medo!
Ninguém se opõe sabendo que perderá e, além disso, sofrerá consequências graves como isolamento.
No caso desta eleição de Carlos Nuzman para o COB, pobre da Confederação de Tênis de Mesa e de seu atual presidente, Alaor Azevedo. Certamente sofrerá consequências indesejáveis.

Talvez nem seja preciso pontuar os inúmeros escândalos no COB e em outros comitês e confederações.
Temos o caso de compra de material pela CBDA (Confederação Brasileira de Deportos Aquáticos) da empresa Natação Comércio de Artigos Esportivos, que tem como endereço registrado um pet shop em São Paulo (aqui), temos a empresa que recebeu inúmeros pedidos que fica situada a 230 metros da sede do COB na Barra de Tijuca, Rio de Janeiro (aqui), temos o caso das câmeras compradas em esquema de superfaturamento, pela Confederação Brasileira de  Taekwondo (CBTKD), também citado na reportagem…
Muitas são as confederações investigadas pelo Ministério Público e Polícia Federal; algumas inclusive tiveram recentemente seus longevos presidentes afastados por acusações de desvio de recursos (dinheiro) que deveria ser usado na preparação de atletas exatamente para as Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio. Notícias aqui e aqui com exemplos da Natação e Taekwondo.
E, acima dos “pilantras” menores, alguém que manobra seguidamente as regras do jogo do Comitê “maior”, daquele que defende e distribui recursos aos demais, se firma como um ditador. Tão sujo quanto todos os seus vassalos…

E não são poucos os atletas que abandonaram, temporaria- ou permanentemente, as suas federações.
Aurélio Miguel o fez após a medalha de 1988. Competindo em Atenas em 1992, mas após três anos “afastado” da confederação. Uma atleta da esgrima, Élora Ugo, medalhista mundial em 2003, o fez em protesto, por falta de patrocínio, de uma confederação acusada (também) de desvio de recursos (aqui).
O ex-tenista Fernando Meligeni, argentino de nascimento, mas brasileiro de coração, que brilhou nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, fez sua carta de repúdio aqui.
Comum a todos estes atletas está a recusa de aceitar mandos e desmandos de pessoas incompetentes, de corruptos, de políticos infiltrados num meio que deveria buscar evolução e transparência.

Imaginemos agora aqueles atletas que tiveram de abandonar a carreira ou a preparação para os jogos por falta de recursos…
Ou aqueles inúmeros “vencedores individuais” que ou através de apoio familiar, ou se valendo de parcos recursos próprios, superaram as dificuldades da falta de dinheiro e venceram! Como seria a vida deles se não tivéssemos esse regime ditatorial e corrupto nas confederações? Quão tranquilos seriam os meses entre uma competição em outra? Com material, treinadores, alimentação e sem o stress emocional de não conseguir viver do esporte…

Aquele velhinho simpático, que tremia em suas declarações intempestivas e nas traduções despretensiosas durante as cerimônias da Olimpíada, que foi alvo de inúmeros memes e que foi defendido por depoimentos benevolentes posteriormente, esse “pobre velhinho” não merece o nosso respeito. Sequer as nossas piadas.

por Celsão correto

figura retirada daqui

Post_9mesesNove meses. Reta final.
Dessa vez não é um bebê que vem ao mundo, mas uma presidente eleita que deve ser permanentemente afastada, sofrerá o quase certo impeachment.

Hoje pensei em exercitar a memória e me perguntar o que aconteceu no período.

Primeiro o processo foi iniciado pelo então (e provavelmente futuro) presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, exercendo o poder a ele concedido.
O senhor Cunha não precisa de apresentações. Procrastina o próprio processo de cassação há um bom tempo e articulou sabiamente até aqui para que o mesmo acabe em pizza.
Se alguém não mais acompanha, o atual presidente, Rodrigo Maia, marcou para 12 de Setembro a seção de votação do processo de cassação de Cunha. A data é propositalmente uma segunda-feira, historicamente sem grande movimento na casa, e o mais próximo possível da data das eleições municipais deste ano. Sem quórum, sem cassação.
Sem contar que ocorrerá depois da definição sobre Dilma, aumentando as chances do perdão ao peemedebista.
Além disso, não esqueçamos, que o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal é de Setembro de 2015! Mais precisamente, 01/09/2015. E só foi aceito pelo ilustríssimo Eduardo Cunha em Dezembro (!) após a bancada do PT votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.
Ou seja, tudo começou por birra e pelo fato de deputados do PT buscarem algo de ética no legislativo!
(referências aqui sobre o pedido de impeachment e aqui sobre o início do processo)

Depois vieram as reuniões e promessas da oposição (não querendo simplificar nem classificar aqui como direita).
Foi um período de discussões ácidas e acusações mútuas em redes sociais. Julgamentos. Dicotomia. Ou se era coxinha, ou petralha. Um lado precisava ser escolhido, como o sexo com que se nasce…
Foi o período também que as palavras golpe e democracia foram usadas pelos “dois lados” com interpretações e maquinações diversas.
Destaco que o lado coxinha, “apelou” de modo confuso e unilateral para o fim da corrupção, para a retomada do crescimento, da confiança dos empresários, do fim da crise.
O lado petralha acusava a oposição de fazer (e haver feito) o mesmo “crime”, das tais pedaladas fiscais.
Escrevemos sobre isso algumas vezes, destaco uma interpretação de americanos que estudam o Brasil e os chamados “golpes suaves”, aqui.

E, complementando, o período também foi de Lava Jato. De furor, de heroísmo do poder Judiciário, que vivia uma ganância por aparecer. Uma “ambição de vitrine” no ícone Sérgio Moro.
Este personagem dantesco, vivia um período de absolutismo. Deteu, coagiu, forçou delações premiadas. Aqui, o interessante foram as críticas de juristas e juízes aos seus métodos. E a comparação à uma operação semelhante ocorrida na Itália.
Naquele país, o juiz que condenou políticos e empresários, entrou para a política.
Aqui, o nosso herói deixava escapar sorrisos ao ser aclamado nas ruas e ao receber convites para filiações partidárias.
Os crimes também foram relativizados. Uma escuta clandestina pôde valer para um, mas não para outro. Uma acusação em delação, idem. A mídia execrou quem ela quis, apoiando a oposição e direcionando o brasileiro mediano a aceitar os caminhos que estavam em curso…
Um exemplo do que ocorreu, quando Jucá assume em gravação que participou da manipulação para o impeachment, pode ser lido aqui. Um exemplo dos contrapontos jurídicos do herói Moro pode ser lido aqui.

Temer assume.
Glória a Deus nas alturas! Nesse caso quase que literalmente, pois nosso interino se declarou católico e simpatizante dos evangélicos nas redes sociais. Além disso, fez aparecer que sua esposa, apesar de muito mais nova que ele, era “bela, recatada e do lar”. Segundo uma tal revista, apoiadora de todo o movimento (aqui).
A imagem estava em plena construção.

Ministros nomeados. Patética demonstração de rabo preso e desconstrução do passado recente.
Se toda a mudança é positiva, não é tudo o que se precisa mudar…
Muitos condenados na lista, nenhuma minoria: negro, mulher. Cortes de pastas em setores “pouco importantes”, como a Cultura (totalmente desinteressante quando se quer manipular) e a reforma agrária (afinal, quem quer terra é pobre aproveitador. Um pobre correto busca outro trabalho!)
A confusão se instaura quando muitas das decisões são revogadas e ministros afastados (como o próprio Jucá, citado em link acima). Nós publicamos a nossa análise do ministério, vindo de outra fonte, aqui.

E agora estamos aqui.
A Operação Lava-Jato, ícone para muitos do “combate à corrupção” caminha a passos de tartaruga. Como que se já tivesse cumprido a função pré-determinada…
A tal redução de gastos virou chacota. Um dos maiores aumentos de salários do STF e poder judiciário está em curso. Aumento, lembremos, vetado por Dilma no ano passado e adiado por Meirelles no momento da posse (para não correr o risco de causar problemas e revoltas no princípio da “retomada”).
Tal aumento, certamente desencadeará outros tantos. Pois os outros poderes terão prerrogativas de equiparação.
E o rombo, que seria de R$139 bilhões, pode passar facilmente dos 200!
E, ao meu ver, isso não preocupa o presidente interino, nem a sua equipe. Parodiando Ciro Gomes: “Cobrar austeridade de Temer é esperar maracujá em pé de maçã” (aqui)

Ainda espero a mágica do fim da corrupção, do fim da crise, do crescimento industrial, do Brasil rico!
Pois a mágica do Brasil igualitário, essa está cada dia mais distante…
Enquanto esperamos, vemos coisas como o plano de demissões voluntárias da Embraer. Numa economia em plena recuperação…

por Celsão revoltado

figura: composição entre figuras retiradas daqui e daqui

 

wersm-facebook-like-gating-657x360Pessoal, bom dia.

Devidos a diversos fatores, os quais alguns de vocês já conhecem por terem uma relação de amizade mais próxima e íntima comigo, irei desativar minha conta de Facebook por tempo indeterminado.

Não quero aqui descrever os motivos, pois eles são muitos e meus. Mas obviamente, não é preciso eu mencionar que um destes motivos é a minha frustração com os caminhos político-sociais escolhidos por uma grande parcela da sociedade brasileira, incluindo-se nesse grupo a grande maioria dos meus conhecidos de longa data, gente que rodeou minha vida desde de meu nascimento, por pertencermos ao mesmo extrato social. Esses caminhos escolhidos por estas pessoas, legitimaram e culminaram na concretização de uma série de aberrações práticas da política brasileira.

Sempre tentei deixar claro que minha luta ideológica não é por mim, mas sim pelos outros. Afinal, se alguém vê interesse pessoal meu quando eu defende os direitos de negros, pobres, mulheres, homossexuais, umbandistas, muçulmanos, obesos, índios; ou dos palestinos, iraquianos, nigerianos, é porque realmente a pessoa não me conhece ou está delirando. Eu sou um homem, brasileiro, branco, hétero, de classe média alta, agnóstico (mas criado numa família católica), magro… simplesmente, não faz sentido eu agir e lutar por interesse pessoal.

Batalhei muito nos últimos anos para evoluir em caráter e espiritualmente. Esforcei-me de forma descomunal (a maior parte de meu tempo livre dedicado a estudos, busca de informação e busca por debates construtivos, o que significa, 1h a 4h diárias, todos os dias, há anos) para, mesmo sendo um engenheiro da área técnica, me tornar uma pessoa bem informada, atenta às mais complexas e diferentes “verdades” sobre o mundo. Informei-me e formei-me, e compartilhei o conhecimento adquirido com o sonho de trazer um pouco de luz nesta escuridão da alienação, individualismo e irracionalidade que assola a sociedade brasileira. Não que eu seja o dono da verdade, mas me esforcei para estar acima da média do conhecimento da massa, e me aproximar mais das possíveis verdades, o que faz, matematicamente, a minha chance de acerto ser bem maior que a chance de acerto de quem se encontra no “senso comum” (a grande massa), os mal informados, ou alienados pela grande mídia.

Tudo isso foi SEMPRE feito por sonhar com uma sociedade mais igualitária, uma sociedade mais respeitosa com as diferenças culturais, anatômicas e vontades alheias, uma sociedade mais consciente e preocupada com o meio ambiente, uma sociedade menos individualista e mais coletiva, uma sociedade menos hipócrita, uma sociedade menos refém dos meios de comunicação e de um sistema educacional deteriorado.
Sempre sonhando…..

E continuo sonhando.

Mas o momento que vivemos, de ascensão da intolerância, intensificação da alienação/manipulação, avanço do ódio e do fascismo, causa-me uma frustração indescritível. Sinto-me preso dentro de um quarto com “vidro falso”, onde quem tá dentro vê o que está fora, mas quem está fora não vê o que está dentro, e esta sala ainda é acusticamente isolada. Eu lá de dentro, vejo as pessoas lá fora sendo comandadas por cordas de fantoche e sendo guiadas para o caldeirão fervente. Eu tento gritar, esmurro o vidro, me desespero, quebro meus bracos, estouro minhas cordas vocais, tentando ser ouvido… mas sem efeito. E no fim, ainda tenho que assistir um por um, desde as pessoas desconhecidas, até aquelas que mais amo, deixarem-se serem atiradas dentro do caldeirão fervente.
Essa dor é uma das mais doídas que já senti.

Isso não é só pelo Impeachment de Dilma, mas sim pela vista grossa e teimosia em não aceitar que o atual governo interino está desmontando o Brasil, e se ficar 2 anos em vigor, nos retrocederá aos fins da década de 80, quando cessado o período militar, ou talvez pior, pois teremos as áreas estratégicas de nossa economia entregue aos corvos gringos. O desmonte social pode ser recuperado no futuro, em algumas décadas de governos razoavelmente honestos e nacionalistas. Mas o desmonte econômico, esse pode durar séculos para ser recuperado, ou talvez, nunca mais…..

….

A maioria que me conhece superficialmente me chama com frequência de “extremamente racional”, e às vezes até de frio e insensível.
Minha mãe, já me disse que sou 100% sensibilidade e emoção.
Alguns dos meus melhores amigos dizem que sou os dois, 100% razão, 100% emoção, afinal, emoção e razão não são conceitos antagônicos.

O fato é que, com a sensibilidade que tenho, está FODA ver “vocês” cavando suas próprias covas. E o Brasil é só uma ilha do arquipélago. Vejam o que ocorre no mundo! Se não sabem do que estou falando, deem uma lida no “meu” blog para verem as questões que mais me incomodam (e ao Celso) mundo afora.

Além de desativar meu Facebook por tempo indeterminado, também entreguei a administração completa do blog Opiniões em Sintonia Pirata https://www.facebook.com/OpinioesEmSintoniaPirata/?fref=ts ao Celsão. Vez ou outra, se calhar, poderei escrever algo para o blog, mas inicialmente tanto a administração quanto a produção literária do blog está concentrada nas mãos do Celsão.
Espero que meus amigos continuem lendo o excelente e admirável trabalho do Celso, pois eu estarei atento a tudo que ele escreve, afinal, é uma de minhas melhores fontes de informação.

Também já avisei à direção do Jornal Gazeta Regional de Ubá, que não pretendo mais colaborar com minha coluna “Do mundo para Ubá: sem meias palavras”.

Peco perdão e a compreensão, dos leitores do blog e do Jornal.

Abraços fraternos a todos, e os meus mais sinceros desejos de um despertar crítico e de evolução espiritual.

por Miguelito “ele mesmo” – licença poética e paródia a Fernando Pessoa feita por Celsão