Posts Tagged ‘ética’

maxresdefaultEu estava com pressa.
Daquela maneira que todos estão com pressa em São Paulo, sobretudo a caminho do trabalho numa manhã de Janeiro, pós-recesso de fim de ano.
Os tradicionais desvios de rota, buscando espaços vazios, me levaram para uma ruela, ladeira, e eu tinha de cruzar para a esquerda. E os carros estavam enfileirados no trânsito da avenida Dr. José Maciel…

E aconteceu.
Um gesto de um motorista amigo, sinalizando “Venha!“, fez com que eu avançasse para cruzar à esquerda. Meu plano era dar aquela “paradinha” no meio fio e perceber se o movimento da outra pista me permitiria seguir sentido centro.
Mas no momento de “embicar” e sem prever o acidente, uma moto pequena que trafegava pela faixa amarela que dividia as duas pistas encontrou o meu “bico” prateado.
O “Fodeu!” saiu instantaneamente. E os momentos posteriores se misturaram entre terminar a conversão com as mãos suadas, buscar um local para estacionar o mais rápido possível, praguejar por ter saído atrasado e com pressa, buscar apoio pra minha culpa com o colega motorista que sinalizou aquele “Venha!“…

Tive calma para ligar o pisca-alerta do meu carro, buscar meu triângulo, isolar a área do acidente e pedir para que o motoqueiro (meu Deus, era um senhor grisalho!) não se levantasse.
Tive paciência com a vítima que não quis sequer falar comigo e com os transeuntes que saíam do bar da esquina e que vinham pela rua censurando todos os motoristas de automóveis. “Você viu?” – me perguntavam alguns. “Vi que o motorista fugiu! Alguém anotou a placa?” – respondiam acusando outros. “Ninguém enxerga as motos” – era o consenso de quem sequer havia acompanhado o ocorrido.
Tive a sapiência de esperar CET (no caso, CIRETRAN), esperar familiares e amigos da vítima, esperar a ambulância.
Tive a educação de oferecer transporte para o hospital e de compartilhar meus contatos com a irmã do Sr. Elói e com quem me pedisse.

Nada mencionei (ao CET ou ao meu seguro) sobre a meia de compressão que o Sr. Elói usava no momento do acidente; nem sobre os comentários de sua própria irmã, Dona Sílvia, que dizia “Ele não poderia estar andando de moto! Eu falo pra ele“.
Tampouco alardeei os detalhes do problema: cirurgia de trombose recente e solicitação para recuperação em repouso. Ao contrário: nas minhas ligações para a Dona Silvia, me oferecia para ajudar, proativamente.
Soube da transferência para o Hospital Geral e da probabilidade de nova cirurgia na perna direita. Soube da ocupação no pequeno comércio, o que explicava todos aqueles sacos de salgadinhos espalhados pela avenida naquela manhã; ocupação que exercia depois de aposentado.

Não entendi quando as notícias pararam de ser transmitidas, as conversas interrompidas, as ligações pararam de ser atendidas.
Não entendi tampouco quando recebi a negativa do registro da ocorrência pela internet. “Quando há vítima é necessário ir até uma Delegacia da Polícia Civil“, dizia a mensagem por email.
Piorou quando fui informado na Delegacia da impossibilidade do registro do boletim sem a vítima. “Você quer que ele pague o amassado do seu carro?“, me perguntava o atônito policial. Eu só queria cumprir as exigências do seguro para um eventual suporte para terceiros.

Eis então que, meses depois, sem aviso anterior, recebo um email do “doutor” Daniel, advogado, representando a vítima, me solicitando guincho e conserto da moto, ressarcimento de gastos hospitalares, indenização pelos lucros não computados no comércio, danos morais…
As conversas me enojaram a tal ponto que passei, tão rápido quanto pude, as tratativas para o departamento responsável da empresa de seguros.
Não sei como acabou, não quis buscar outros detalhes, não investiguei vítima, advogado, detalhes da internação. Preferi acreditar que não haveriam outros “Elóis” e “Daniéis” no decorrer do ano.
Deu certo!

____________________________________________________________________________

Essa é uma estória real, com excessão dos nomes, que omiti sem sequer saber o porquê.
Aconteceu no início do ano passado e me afligiu em alguns momentos, por um longo período. Não pelo eventual trabalho de preparar documentos e descrever o acidente, mas pela pequenez e mesquinhez dos seres humanos envolvidos. Por ter me encontrado com alguns dos que só pensam em si, em lucrar sobre qualquer custo, em levar vantagem…

Vejo o fato de não “jogar no ventilador” a doença prévia e a provável proibição de conduzir motos como um ato ético de minha parte (uns usariam trouxa), visando proteger o “frágil” e garantir que ele tivesse um suporte digno, ao invés de responder juridicamente a um processo.
Eticamente também, assumi a responsabilidade que me cabia, sem fazer picuinha ou buscar justificativas que me amparassem. Mesmo ouvindo de diferentes colegas relatos com desfechos horrendos, ocorridos com motoqueiros, não busquei advogados e realmente acreditei que a senioridade da vítima, trazia ética e bom senso.
No frigir dos ovos, a ética pagou o pato!

Desejo a todos os leitores que as páginas do livro de 2016 sejam preenchidas com utopias e agradáveis surpresas. E, mesmo se houverem problemas a transpor, que não venham acompanhados de “Elóis” e “Daniéis”.

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui – um entre tantos vídeos do Youtube gravados por motoqueiros com câmera

 

Eu queria não falar de política, não falar de Cunha, não falar de STF, nem do Congresso.
Queria não falar de desmandos, picuinhas, manipulações, desrespeitos e “jeitinhos”.

Por isso, decidi começar falando de futebol…
Mesmo após os recentes escândalos envolvendo a entidade máxima do esporte e demais entidades locais e regionais, resultando em prisões (como a de José Maria Marin, presidente da CBF) e investigações pesadas (por exemplo, da Alemanha, que supostamente comprou votos para ser país sede em 2006), nosso esporte preferido segue na mesma toada: recente veiculação na mídia denuncia que todos os clubes paulistas com direito a voto, votarão em conjunto no candidato “apadrinhado” da situação, ou seja, de Marco Polo del Nero e Marin: Coronel Nunes (notícia aqui)
Não diferente da situação política da Nação, os clubes de São Paulo optam por prováveis regalias na escolha de árbitros, calendário, horários de jogos, transmissão de TV. Optam pela manutenção do status quo, pela hipocrisia, pela mesmice, pela corrupção!
É triste, mas, infelizmente, é o retrato de um ponto em que nada mais assusta. Sequer está assustando os poucos que se revoltavam antes.

Discutindo com o Miguelito hoje, chegamos à triste conclusão de serem inclassificáveis as aberrações que temos visto e vivido no Brasil.
Os bombardeios da mídia, a busca por culpados, o fascismo que desponta como solução indesconfiável…
É como se lêssemos uma estória em quadrinhos da Turma da Mônica contendo uma cena de estupro! E houvesse indiferença por parte de uns e aplausos por parte de outros. Os primeiros diziam apenas: no meu tempo as estórias para crianças não eram assim; os demais mandariam os poucos reclamantes se adaptarem e os acusariam de golpe ao direito de expressão.
Não! Não é normal o que temos visto!

Se durante a campanha eleitoral havia um “salvo conduto” para atacar de formas sujas e ilícitas adversários e companheiros de coligações… Situação deplorável e infelizmente vivida nas últimas décadas, sobretudo para a sucessão presidencial; agora há um “toma lá, dá cá” sem disfarces, sem escrúpulos. Cada qual querendo levar o seu quinhão e apelando a tudo para isso, de cartas “vazadas” a arranjadas delações premiadas (com perdão pela poesia acidental)
Processos são procrastinados indefinidamente por ferirem a interesses; outros são acelerados sem se importar com “os meios” e muitas vezes ignorando a Constituição. E a mídia deforma acusando todos de tudo: os políticos atrapalham, os ministros atrapalham, a polícia atrapalha, procuradores atrapalham! Morte aos corruptos, mas não mexam no meu dinheiro!

O que fazer?
Indignar-se é um bom começo. Filtrar as informações é outro.
Ir às ruas, sabendo o que pedir e contra o quê protestar é igualmente válido!
Rogo para que as teorias conspiratórias de tomada de poder a força, golpe e retorno triunfante da extrema direita (com ou sem militares) estejam erradas. Rogo também para que não hajam mortes, como vimos no passado.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui. Pois estou farto de olhar na cara do Sr. Eduardo Cunha

P.S.: para quem quiser ler notícias diferentes veiculadas nesses dias, aqui a presidente pede para que o Congresso suspenda o recesso e acelere o processo de impeachment (sim, ela mesma!) e aqui e aqui notícias em que o ex-ministro Ciro Gomes (provável candidato à presidência em 2018) acusa Michel Temer de ser o “capitão do golpe” antes mesmo de “vazar” a carta (veja a data das notícias!)

CarlHartÉ incrível a quantidade de pequenas coisas que reparamos quando nos prestamos a atentar melhor aos detalhes.

A “Semana da Consciência Negra” que pode ser expandida ao mês ou resumir-se ao dia vinte de novembro, me fez apreciar bastante os caprichos dos atos humanos.
Tudo começou num almoço, em que dois colegas de trabalho argumentaram não existir racismo no Brasil, que não passava de “produto da TV”. Exemplos daqueles esdrúxulos e batidos foram usados, como o do “o primo do cunhado do meu pai é negro”, que todos os negros conhecemos; como se o ter convivido com negros no passado tivesse o poder de bloquear o racismo.
Respirei fundo e decidi somente ouvir; decidi há algum tempo escolher as lutas a lutar, e pelo perfil dos que me falavam e pelo modo como os argumentos foram colocados no início, seria apenas stress pra mim.

Enfim, saí de lá determinado a experimentar o racismo, a testar novamente constatações que conheço há muito tempo; como ser seguido por seguranças no Shopping Iguatemi em São Paulo, desde a adolescência, talvez por “afrontar” os transeuntes com minha cor (detalhe interessante, os seguranças são majoritariamente negros).

Primeiro resultado: eu continuo assustando madames quando atravesso a rua em direção a elas; fiz isso sem intenção, fora da faixa por estar apressado, e uma senhora loira apertou sua bolsa contra si e passou a caminhar olhando para o chão.
Sigo despertando curiosidade em encontros comerciais, principalmente no primeiro encontro, quando o parceiro nota que sou engenheiro e tenho conhecimento sobre os assuntos com os quais trabalho.
Ainda sou visto com extrema estranheza quando seleciono cerejas ou vinhos no Pão de Açúcar, Marché ou outros mercados da classe A.
E pra completar, ao esquecer um brinquedo do meu filho na lotérica perto de casa, causei um alvoroço inimaginável na fila, por entrar quase correndo e buscar o item em cima das mesas de aposta. Como resposta, mostrei aliviado a peça por mim recuperada.
Alguns estudiosos dizem que o dinheiro muda a sua cor, pois muda o modo como a sociedade o vê.
Concordo bastante com a afirmação, pois… independente da minha condição econômica atual (costumo dizer que sou rico – veja aqui), o meu “branqueamento” é limitado e só os que me conhecem podem negar minha negritude.

Pra sair um pouco do tom “racismo”, quero aproveitar a figura recebida no WhatsApp e confrontar outras realidades.

opressorVocê, branco e rico, consegue se colocar no lugar de uma mulher e compreender parte do que ela passa? Aquelas piadas que insistimos em disseminar, até quando elas estão escutando, as insinuações, acusações, ironias… Conseguiria passar pelas humilhações e pelos testes que elas enfrentam todos os dias?
Será que nós homens difundiríamos a asfixia do machismo se estivéssemos no lugar delas?

E em relação aos gays ou transexuais? Difícil, não?
Nordestinos, ex-presidiários, deficientes… Como termos consciência das dificuldades e (muitas vezes) do sofrimento que estes passam para ascender ou “vencer na vida”?

Proponho algo um pouco diferente de um post feito há quase dois anos (aqui); proponho o exercício da discussão, da preparação dos jovens para a sociedade machista e preconceituosa que devem encarar e conviver. Algo semelhante ao que o Miguelito Formador fez dois anos atrás, um dos posts mais lidos deste blog (aqui): discutir e se policiar, sempre!

Explicando a primeira figura do post: ela pertence ao professor americano Carl Hart, da Universidade de Columbia. Quando ele esteve no Brasil, em Agosto passado, causou confusão por ter sido supostamente barrado no hotel cinco estrelas que palestraria (notícia aqui).
Mas mesmo com o episódio desmentido, uma de suas entrevistas me chamou a atenção exatamente pelo fato do professor “se enxergar” de fora do problema racismo, compreendendo-o.
A entrevista toda está disponível aqui (atentar para a nota de esclarecimento) e no youtube aqui. Separei o trecho que queria destacar em upload aqui embaixo:

(como as legendas não apareceram, segue abaixo a tradução do trecho, feita pelo Estúdio Fluxo no youtube)

Na minha fala, eu tentei encorajar as pessoas,
sem ligação com o evento que supostamente aconteceu comigo,
pensar em como usamos a política de drogas
para perpetuar a discriminação racial.
E sobre esse evento… Eu espero que a gente supere
e foque no que realmente importa: os negros do Brasil
que são discriminados todo santo dia.
Não um professor burguês
que se hospede em hotel de cinco estrelas.
Isso não é uma questão. Isso não é um problema.
E receber todas essas desculpas.
Sim, eu não preciso de desculpas e apoio. Nós precisamos apoiar essas pessoas do dia a dia.
Uma das coisas que eu aprendi com esse evento
é que não sou mais um homem negro comum.
Se eu fosse, ninguém se importaria com o que aconteceu comigo.
Então que tal a gente se preocupar com as pessoas comuns e não comigo?

Pra terminar, algo do meu lado romântico (que sempre aparece):
Que possamos assumir todos os nossos pré-conceitos; quer seja com o mendigo que dorme ao léu, com o porteiro do prédio, com a colega de trabalho. E que a partir daí, se houver a possibilidade, que conheçamos as estórias e que peçamos desculpas, caso os tenhamos ofendido/discriminado.
Que expliquemos para as próximas gerações, abertamente, os preconceitos que carregamos.
E que tenhamos oportunidade e coragem de “consertar” o estrago já realizado.

por Celsão correto

primeira figura retirada daqui; segunda vinda do WhatsApp, mas também disponível em outras redes sociais, por exemplo, aqui

P.S.: pra quem quiser, um teste esdrúxulo sobre o “nível de opressor” pode ser encontrado aqui

beatrizMuito se falou nos últimos dias sobre a advogada (ou ex-advogada) Beatriz Catta Preta.
Especialista em delação premiada, gozou de fama e chegou a dar entrevista ao Jornal Nacional da Globo (aqui) por conta de uma convocação dúbia, claramente arquitetada para desestabilizá-la e aos processos de acusações dos politicos, especialmente do PMDB e principalmente do Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Nós mesmos já criticamos esta CPI da Lavo Jato, no momento em que foi constituída, no “longíncuo” Fevereiro (aqui). Na época, criticávamos a ética da formação da bancada, composta por membros receptores de doações de campanha feitas pelas empresas investigadas.
Criticamos também, mais recentemente, aqui, os desmandos do “Reino do Cunha”. Já citando a convocação da advogada para depor na CPI, como subterfúgio ou mudança proposital de foco.

Pois bem, o presidente do STF, Ricardo Levandovski, a OAB e outros orgãos, condenaram a leviandade da convocação, dando não só o tom de absurda, mas também mostrando a confusão na medida do Sr. Celso Pansera (do PMDB).
Mas… como se não houvesse eco nas declarações e no espaço que a mídia deu ao caso, o Sr. Hugo Motta (também do PMDB, coincidentemente o mesmo partido do “recusado-a-ser-acusado” Eduardo Cunha), mudou o discurso e quer a presença da advogada Catta Preta para que ela explique o porquê se sentiu ameaçada.
Cômico? Proposital? Pra mim, não é. É um claro movimento (contínuo) de descredenciar o depoimento de Júlio Camargo, que acusou o rei-presidente Cunha.

Muitas perguntas ficaram até então sem resposta; como, por exemplo, se houve mentiras no primeiro depoimento dado por Júlio, se ele planejava mesmo soltar a “bomba” num Segundo momento ou se a doutora do caso sabia sobre a mentira (proposital ou não) desde o princípio.
Mas, pra mim, alguns fatos são claros:
honorários são rastreáveis; se algum advogado recebe dinheiro ilícito, do tráfico de drogas por exemplo. Mesmo que o declare, uma quebra lícita de sigilo de narcotraficantes pode expor o defensor e colocá-lo numa apertada saia justa
algumas profissões suscitam segredo; um padre não pode delatar as confissões que recebem, um médico não pode expor a saúde delicada de um paciente sem a anuência deste, um psicólogo ou analista não tem o direito de reveler segredos contados em consultório e um advogado não pode alcagüetar aquele que defende.
um animal acuado, ataca; e é o que está acontecendo com empresários e políticos acusados. Desmerecer delatores, testemunhas, juízes, advogados e promotores é só o começo. Certamente as tentativas de desdenhar e as ameaças se intensificarão.

Meu lado romântico vibra com as prisões e torce para que elas virem condenações. É um marco por estar acusando “branco e rico”; é como se a Justiça com maiúscula despertasse ou “atravessasse a ponte”, fazendo referência a letras de rap e ao rio que separa a “periferia” do “centro” de São Paulo.
Que órgãos como Polícia Federal e Ministério Público sigam essa vocação e realizem seu trabalho sem intervenção.
E que juízes e advogados usem mais a palavra ética em seu dia-a-dia. Palavra que não existe (ainda) no vocabulário do Congresso.

por Celsão Correto

figura retirada daqui

P.S.: para quem quiser ler um artigo do jurista Joaquim Falcão, sobre a nova fase do direito criminalista, que agora busca minimizar os danos ao invés de procrastinar os casos e desqualificar provas, link aqui.

eduardo_cunha_em_house_of_cards_2Imagine um reino.
Imagine que nesse reino houvesse um conselho e que o chefe do tal conselho fosse popular, inteligente e apoiado por boa parte de seus colegas.
Agora imaginemos que o rei tenha perdido o apoio dos seus súditos, por diferentes motivos; dentre eles falta de apoio do seu próprio conselho para aprovar leis necessárias e urgentes.
A crise no reino aumenta pois o chefe do conselho contratou bobos da corte para espalhar mentiras e supervalorizar problemas existentes; minando ainda mais qualquer tratativa do rei perante seu povo, vassalos e conselheiros.
Com a situação difamatória supostamente sob controle, o conselheiro chefe passa ele próprio a criticar o monarca e a defender investigações mais duras aos problemas conhecidos, sugerindo também outros possíveis problemas a investigar.

Criemos também um cenário onde o chefe do conselho faça conchavos e aprove tudo o que quer; e, caso não consiga, possa desavergonhadamente, repetir a votação até que o resultado lhe agrade. Sem importar com o que pensam súditos e vassalos.
Com as inevitáveis críticas começando a criar corpo, o conselheiro chefe decide conversar com toda a população, uma vez que tem poder pra isso. Na mensagem, exalta os seus feitos maquiando-os; diz, por exemplo, que tem ajudado o rei nas reformas necessárias, cita que a independência do conselho corre perigo e chama pra si a responsabilidade de trabalhar duro para o bem dos súditos.

Ampliemos agora o universo deste reino inserindo um juri, que foi constituido e designado para apurar denúncias contra o rei e seus vassalos.
O juri cumpre bem o seu papel, investigando e acusando poderosos partidários, mas também opositores do rei. Há apoio de todos, até dos bobos da corte.
Daí surge o inesperado na trama: o juri descobre irregularidades do chefe do conselho e o acusa de receber posses e castelos ilegalmente.
De modo repentino o líder do juri é descredenciado, as testemunhas difamadas e o defensor delas ameaçado de morte. “Que absurdo! Alegar sem provas e num juri formado pelo conselho que o próprio chefe é um bandido!” – bradam os apoiadores. “Eu exijo uma retratação do juri, pois um chefe de conselho deveria ser tratado de uma forma real!” – conclama o pretenso ditador.
___________________________________________________________________________________________

1429885700charge-eduardo-cunha-capaVivemos a história todos os dias.
E infelizmente os conflitos políticos e picuinhas do Legislativo remam contra as urgências atuais da Nação.

O que Cunha vem fazendo parece ter saído de um roteiro de filme.
Independente dos casos de corrupção a investigar, das CPIs a abrir, é importante que os processos sejam concluídos lícita- e transparentemente.
Que venha uma nova investigação após a conclusão da primeira. E, caso não reste nenhum representante para defender o interesse popular, que novas eleições sejam convocadas, sem os candidatos cassados ou impugnados.
Intervir através de “pau mandado”, buscando alterar o curso de um trabalho sério feito por órgãos (ainda) sérios é um inegável absurdo. E não foi somente contra o doleiro delator, que agiu um deputado peemedebista nos últimos dias; o mesmo deputado chamou para depor a advogada de outros réus delatores… para fazê-la revelar segredos da profissão garantidos por lei? Falar sobre conteúdos que não podem ser revelados? Ou somente para desviar o foco da sequência das investigações? (leia notícias aqui e aqui)
Exigir retratação do juiz do caso ou acusar uma testemunha de mentir é leviandade. Não há poder no Legislativo para julgar; para isso existe o Judiciário. E sendo no STJ ou não, todas as denúncias são passíveis de esclarecimento.

O pronunciamento não foi uma preocupação pelo coletivo. Foi propaganda de quem quer ser primeiro ministro. De quem planeja se aproveitar do período de crise e incertezas para sobrepujar os demais ocupantes de uma casa que tem a mais conservadora bancada dos últimos anos.

Não adianta dizer que o Congresso tem trabalhado e produzido “muito mais” se a produtividade não reflete na sociedade.
De nada adiantou, na minha visão, discutir e aprovar a reforma política, se o financiamento de empresas segue possível. Todo o financiamento direcionado de empreiteiras (pra citar um exemplo) continuará ocorrendo.
E, pior ainda, de que vale colocar em pauta um assunto se o mesmo seguirá em “votação contínua” até que o resultado desejado apareça? (post nosso aqui)
Seria mais fácil (e mais barato para o país), nomear o Sr. Eduardo Cunha “Legislador Oficial do Estado” e pronto!

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui e daqui.
quem quiser assistir o pronunciamento do deputado Eduardo Cunha – aqui com texto ou aqui no youtube.

rn188844_0Na semana passada, fomos surpreendidos (ou nem tanto) com uma declaração infeliz de um vereador paraense.
O principal erro do ilustríssimo Sr. Odilon Rocha de Sanção foi ser sincero (a seu modo), considerando que a população, já anestesiada com desmandos e abusos, encontrasse normal a declaração escancarada de corrupção no meio político; “Se não for corrupto, mal se sustenta!” – disse ele.
O político sequer considerou que a cidade de parauapebas, onde legisla, tem renda per capita de R$400; que trabalha quando muito duas vezes por semana; que seus vencimentos ultrapassam os R$10 mil ou 17 salários mínimos considerando despesas com combustível, viagens e telefones; sem contar a nomeação de acessores, que costumam render gordas quantias nos ermos do coronelismo do norte-nordeste brasileiro…
“Se for para eu sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta eu não passaria o padrão de vida que eu levo hoje” – completou ele.
É triste, é pesado ler isso!
Sobretudo num país como o nosso, onde poucos levam a sério a disparidade de condições dos mais ricos comparados aos mais necessitados. Os “de cima” criticam programas sociais e duvidam das reais necessidades e intenções dos “de baixo”, enquanto estes últimos criam antipatias.

Perseguimos aqui e aqui, os médicos, que reclamaram de um piso bem semelhante, por terem muitas outras oportunidades na constante demanda e carente atualidade brasileira. E analisamos aqui alguns salários brasileiros, comparando-os com o resto do mundo.

Ou seja, se o vereador tivesse algum conhecimento de mundo, ou a decência de buscar informação, saberia que está na estreita faixa dos felizes 1% mais ricos do Globo, dado o salário recebido na Câmara de Parauapebas. Desconsiderando outras funções assalariadas que venha a exercer.
Falar em sobreviver é descabido e absurdo. É desconhecer desde a condição humana, passando pela própria comunidade que o elegeu, pelo entorno onde vive e trabalha e chegando à etmologia da palavra. É um insulto!

fotopg5boxMDNa mesma seara está a notícia recente atribuída à Câmara de Blumenau, município catarinense com histórica imigração européia. Os vereadores estudam proposta de aumentar o número de cadeiras em quase 50%, aumentando a casa de 15 para 23 componentes e o gasto público com pagamento de folha de R$400 mil para R$612 mil.
Igualmente abusiva, a medida não para por aí; os gastos aumentariam além das despesas com pessoal, carros, celulares… um novo prédio deverá ser construído, já que o imóvel alugado foi projetado para os atuais 16 gabinetes! (notícia aqui)

Um alento para a população de Blumenau está no protesto de empresários locais, que publicaram frases em outdoors, “provocando” os legisladores, que agora reavaliam a medida. Uma audiência pública sobre este tema foi marcada (provavelmente as pressas) para essa semana.

É inconcebível para mim que haja na lei a possibilidade de definir o próprio salário.
É como se fôssemos contratados para definir nós mesmos o que fazer… Cada um faria o que melhor lhe aprouvesse e no prazo determinado pelas necessidades pessoais. Deixar nas mãos de políticos as definições de salários e benefícios é pedir para que haja problema.

No fim, creio que nem uma drástica reforma política, nem o fim do político profissional, resolveriam tudo. Estes resquícios de “Gerson”, certamente passariam como “brinde” ou “praga” por algumas gerações; até que fossem vistos como imorais ou penalizados exemplarmente.

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui (onde pode ser lida a notícia sobre o nobre vereador Odilon) e daqui. Há um filme sobre a campanha contra o aumento do número de cadeiras em Blumenau aqui.

Não há como negar.
A maioria dos brasileiros critica políticos e juízes corruptos, mas assume que roubaria também, ou, sendo mais polido, “jogaria o jogo” se estivesse no poder ou tivesse a chance.

Usar vagas para deficientes, sonegar imposto de renda ou buscar meios ilícitos de aumentar a restituição, dirigir após dois chopps ou uma taça de vinho, são apenas alguns exemplos de maus comportamentos aceitáveis socialmente.

Abaixo, compartilhamos um excelente texto do leitor e amigo Erick Nogueira.
Boa leitura!


cidadania_éticaSempre foi hora de acabar com a hipocrisia e a corrupção neste país, e de tempos em tempos aparece um herói prometendo este milagre.

As práticas condenáveis no setor público, dentre elas a corrupção, são exatamente, ou em sua grande maioria, réplicas de práticas antigas e atuais do setor privado e, para existir, precisam atuar em conjunto com o setor privado.

Apadrinhamento, bola, sonegação, desvios, caixa 2, lavagem de dinheiro, suborno, assédios, puxada de tapete, panelinhas, corporativismo e camaradagens nas relações comerciais tais como carteis, acabam sendo práticas comuns, ora no setor público, ora no privado, ou até em ambos.

Temos atualmente TODAS as maiores e médias empreiteiras do país envolvidas com propina e caixa 2 eleitoral, temos Siemens, Alston, Petrobras, temos toda a mídia corporativa que loteia a informação a serviço do anunciante ou políticos, temos as históricas trocas e disputas entre a Globo e governos de ocasião, temos CBF, os crimes da Veja, envolvida com o bicheiro Carlinhos Cachoeira num esquema político e de corrupção com Demóstenes, senador cassado e procurador do MP, temos os julgamentos de Gilmar Dantas…

Tudo isso nos mostra o quanto a coisa é abrangente e encrustada na sociedade, e essas práticas também são nossas, na carteirinha falsa da UNE ou ao trafegar pelo acostamento quando a estrada está engarrafada, o gato de TV. A nossa sociedade é assim, temos em nós o gene da flexibilidade moral, não é apenas o governo, ou justiça, ou polícia, são todas as instituições brasileiras em algum grau.

Está em mim, e em vc. O desafio hoje é aceitar que o brasileiro, principalmente aquele que detém o poder, o dinheiro, do topo para baixo na pirâmide, carrega um perfil moral que precisa ser corrigido.

Isso seria um bom começo.


por Celsão Correto e Miguelito Formador

coerencia-e-coesaoO texto a seguir foi escrito pelo amigo e leitor Ênio Mendes, perfil de Facebook AQUI.

Projeto para se tornar coerente:

1- Em qualquer assunto científico, aceitar sem falsa rebeldia a obviedade do fato à partir de comprovação segura e credibilizada, tornando-a impreterivelmente verossímil.

2- Diante dos fatos, aceitar “o não saber” sem invejar, sem sentir-se menosprezado por “quem sabe”… Quem sabe “sofreu” a dor do descobrimento e desfruta merecidamente a estabilidade da verdade possível. Quem não sabe “sofre” a constante dor da negação deste “sofrer libertador”, o que é muito pior.

3- Mesmo que os fatos esfreguem na cara alguma “porção-sombra de si”, que antes não se imaginava existir, não permitir que o choque faça manter-se endurecido, pelo susto do vazio de saber que “não se alcança!” Aceitar que apesar dos fatos ainda “não se alcança” evita manipulações doentias do ego. Iluminar a sombra.

4- Ter coragem de não estar em cima do muro. Quem não tem lado não se responsabiliza pelo fracasso, mas não toma parte também do acerto que glorifica! Imparcialidade e neutralidade é na maioria das vezes sinônimo de covardia e fraqueza!

5- Quando alguém argumentar algo baseando-se em religião, lembrar que Jesus repugnava qualquer tipo de neutralidade, se posicionando sempre, colocando-se sempre de um lado. Isto custou historicamente sua morte, mas deu-o o sentido da vida!

*******************************************************************

Aproveitando o excelente texto do amigo Ênio Mendes, creio que valha a pena adicionar algumas palavras sobre o método e postura deste blog.

Desde o início deste projeto, nosso intuito primitivo e essencial é o de difundir conhecimento/informação, e às vezes expor nossa opinião, que nem de longe é a mais “enquadrada” em padrões.

Esta “opinião” porém, surge geralmente à partir de estudos, busca de dados, leituras de fontes selecionadas rigorosamente, lógica, racionalidade, senso crítico e humildade para revisão e reflexão, visando sempre dar preferência a informações que tenham sido geradas usando métodos científicos de pesquisa, aumentando assim a confiabilidade das mesmas.
Outros desdobramentos que advém do intuito inicial e também são importantes passam pelo crescimento próprio com as leituras e textos e a geração de uma “entropia positiva do pensar”, baseada no compartilhamento desses textos.

Claro que, vez ou outra, nós dois sócios deste blog discordamos um do outro em nuances. No entanto, temos um lado político bem definido, onde nosso lado direito é canhoto.

Porém, mesmo tendo como princípio a coerência, ética, embasamento e honestidade intelectual durante a formulação de nossos escritos, sabemos que não teremos sempre o mesmo comportamento de todos nossos caros leitores. Mesmo assim,  não pretendemos fazer moderação ideológica nos comentários, abrindo espaço para discussões e opiniões diferentes, e sempre carregando a esperança de que apareçam comentários ricos e/ou críticas construtivas embasadas cientificamente, gerando engrandecimento através da troca de ideias.

Pra quem não conhece ou não lembra mais, segue link para a “ideia do blog

por Celsão correto e Miguelito Formador.

figura retirada daqui

Gilmar_MendesO ministro Gilmar Mendes foi o único ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que votou contra a cassação da candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do DF.

Arruda se envolveu em diversos escândalos durante sua carreira, como a adulteração do painel de votação do Senado, em 2001, juntamente com Antônio Carlos Magalhães; o Mensalão do DEM no Distrito Federal, em 2010; foi preso em 2010 por 2 meses, configurando o primeiro Governador preso na história do Brasil; teve seu mandato cassado pelo TRE por infidelidade partidária; sofreu processo de impeachment enquanto governador do DF.

Arruda foi cassado pela Lei da Ficha Limpa, o que impede sua candidatura a Governador do DF. Dos 7 Ministros do TSE a votarem no processo, Gilmar Mendes foi o único a votar a favor de Arruda. Clique (AQUI).

Gilmar Mendes é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2002, quando indicado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Acumula também o cargo de Ministro do TSE onde é atualmente vice-presidente.
Mendes foi Procurador Geral da República (1985 – 1988 / José Sarney), consultor jurídico da Secretaria Geral da Presidência da República (1991-1992 / Fernando Collor), subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (1996 – 2000 / Fernando Henrique Cardoso), e Advogado Geral da União (2000 – 2002 / Fernando Henrique Cardoso).

O Ministro Gilmar Mendes é aquele que concedeu, em 2010, Habeas Corpus para o médico estuprador, Roger Abdelmassih, que violentou pelo menos 37 mulheres (pacientes), soltando o mesmo e possibilitando sua fuga para o exterior. (AQUI)
O Médico foi preso em agosto deste ano. Estava vivendo luxuosamente numa mansão no Paraguai. (AQUI).

Também esse ministro soltou, mais de uma vez, o banqueiro Daniel Dantas, envolvido em escândalos de corrupção e operações ilícitas, entre elas a Operação Satiagraha (AQUI). Próximo de diversos políticos, de empresários poderosos e do poder público, além do setor financeiro, Dantas é tido como uma das pessoas mais influentes do Brasil.
Leia mais sobre o Habeas Corpus concedido por Gilmar Mendes a Daniel Dantas, clicando (AQUI)

Joaquim Barbosa uma vez proferiu em plenário as seguintes palavras a Gilmar Mendes: “Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso“.

Quando a Constituição/Lei está a favor de seus interesses, ele a usa, e é irredutível para com exceções. Porém, quando esta está contra seus interesses, ele a ignora, e abre exceções.

Vale também lembrar que ele foi rigoroso com os réus do Mensalão, ignorando provas a favor e acatando todas as provas contra os mesmos; ainda apoiou Joaquim Barbosa na inversão do ônus da prova para com os réus.

Agora, não vale ficar gritando que Mendes é um escroto por ter soltado o médico estuprador, o banqueiro sujo ou o político corrupto, mas é um herói por ter condenado os réus do mensalão. Sejamos coerentes, assim como ele o é.
Há uma linha clara de raciocínio a ser seguida aqui, onde podemos observar uma postura bem definida deste Ministro na maioria de suas ações. Se posiciona a favor de Arruda, Dantas e Abdelmassih, e contra José Genoíno e José Dirceu.

por Miguelito Formador

figura daqui

DISCUR~1Entrevistador – Boa noite candidato. Antes de mais nada gostaria de agradecer a sua presença.
Candidato – Eu que agradeço. Mas espero a compreensão do meu partido e dos meus eleitores sobre as respostas que darei.

Entrevistador – Como assim candidato?
Candidato – Serei sincero e verdadeiro nessa entrevista. Quero expor exatamente o que penso, sem rodeios ou respostas evasivas…

(E) – Ótimo. Começo então perguntando sobre a Previdência. O que o senhor acha do fator previdenciário e da desaposentação?
(C) – Boa pergunta! Infelizmente o nosso modelo previdenciário está condenado à falência e ao fracasso. Não temos como suprir salários dignos àqueles que trabalharam e contribuiram por tanto tempo. A medicina avançou, e com ela, a expectativa de vida da população. E agora, mesmo se aumentássemos a data mínima de aposentadoria para 75 anos, não conseguiremos pagar sequer um salário mínimo aos profissionais da iniciativa privada.

(E) – E qual seria a alternativa?
(C) – Não acho que a desaposentação seja. O único que me vem a cabeça é acabar com as aposentadorias integrais dos setores públicos. O teto deve valer pra todos, de pedreiros a juízes.

(E) – Seguindo na mesma linha, que reformas o senhor acredita serem necessárias?
(C) – Mais que necessárias, acho que as reformas tributária e política sejam essenciais nesse ponto. Chegamos no ápice da curva dos impostos e daqui pra frente, a maioria só buscará meios de burlar e sonegar. Vou taxar de verdade as fortunas e fazer uma “sociedade” com aquele 1% mais rico da população, se o Brasil crescer, eles também ganham, se não crescer muito, o dinheiro deles servirá para algo mais útil que iates e viagens caras. Acho que este é um bom momento para cobrarmos uma boa contribuiçào de quem tem muito a contribuir. Você sabia que 1% das pessoas em São Paulo tem 20% da renda da cidade (aqui)?

(E) – E a reforma política candidato, o senhor nada disse sobre ela.
(C) – Sou contra o financiamento de empresas, uma vez que já temos o fundo partidário e pessoas físicas podem doar e abater do imposto de renda. Sou contra as dezenas de partidos que temos e que se aninham para conseguir mais tempo, mais cargos e mais prestígios. É hora de cada um assumir suas ideologias e lutar por elas. Além disso, defendo o voto distrital misto, como forma de erradicar os “Tiriricas” e fazer com que cada “comunidade” seja representada e observe o seu próprio candidato. O problema é convencer os encostados dos parlamentares do meu partido, que teriam de mudar o modo como fazem política.

(E) – O que o senhor acha do crescimento do agronegócio em contrapartida com nossas florestas?
(C) – São questões imcompatíveis! Contraditórios! Ou bem temos floresta e somos o “pulmão do mundo”, ou bem produzimos safras recordes e suprimos todos os bifes comidos na China, sendo o “alimentador do mundo”. Se eu prometer expansão sustentável do agronegócio estarei mentindo! Acho que os Estados poderiam decidir se querem floresta ou soja, natureza ou pecuária. Ainda melhor seria que limitássemos ambos, estabelecendo um mínimo aceitável para floresta (incrementado ano a ano) e um máximo para produção de alimentos e pecuária (que, idealmente, diminuiria ano a ano, aumentando a produção com novas tecnologias). Mas, para isso, teremos de brigar com forças e famílias poderosas…

(E) – E o senhor lutaria pela reforma agrária?
(C) – Claro! Desde que as pessoas interessadas se comprometam a manter-se no campo e não emigrar para as complicadas áreas urbanas. Eu incentivaria a migração pro campo, mas manteria a posse da terra ao Estado, para proibir a venda afastando o latifundiário.

(E) – Plano de governo para a segurança pública, o senhor tem?
(C) – Essa é difícil. Achava que o aumento da renda diminuiria a violência diretamente… Creio que possamos contratar chefes do crime organizado para uma secretaria anti-crime. Da mesma forma como teremos hackers trabalhando na segurança digital, no meu governo.

(E) – E a educação, será prioridade em seu governo?
(C) – Com certeza! Tudo começa com a educação e deve ser pautado nela. Quero escolas públicas fortes, com processos de antigamente, provas, notas, repetência e até alguma evasão, inerente ao processo. Para os evadidos, escolas em tempo integral combinadas a esporte, música ou outro atrativo que os faça render, funcionando como recompensa. De nada adiantam porcentagens e números de alunos matriculados se formamos analfabetos funcionais e péssimos profissionais. Não podemos desistir da formação de profissionais e cidadãos. Embora seja preciso deixar claro pras famílias que escola sozinha não forma caráter!

(E) – Mas isso não é popular…
(C) – Não adianta manter vagabundo batendo na professora e passando de ano sem esforço. Cidadãos e profissionais, este é o objetivo da minha escola.

(E) – O que pretende fazer em infraestrutura?
(C) – Pretendo financiar as obras em estradas com o lucro das montadoras e demais obras com o lucro das construtoras e dos bancos.

(E) – Como? As montadoras reclamam dos impostos, dizendo que eles travam o desenvolvimento.
(C) – São um bando de chorões. Os bancos e construtoras lucram tanto que são os que mais doam para os partidos políticos.

(E) – Finalizando candidato, você acha que conseguirá aprovar alguma dessas leis no Congresso?
(C) – Minha vontade, prezado entrevistador, é dissolver esse Congresso, eleger um colegiado dez vezes menor, que seguiriam em seus empregos e votariam pela internet ou telefone. De quebra, economizaria uma bela quantia…

por Celsão irônico

figura retirada daqui