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Como se já não bastasse a corrupção já conhecida há décadas, e agora cada vez mais oficializada e comprovada; o trabalho como espião da CIA dentro do Brasil, revelado por documentos do Wikileaks; o desmanche do Governo, da política, da sociedade, das leis, do Estado de Direito; o desrespeito e as barbaridades feitas contra os interesses do povo brasileiro, e em prol da elite brasileira e internacional; o nosso atual tomador do Poder Executivo brasileiro mostra que diplomacia também não é sua área de domínio.

Temer inventou para a imprensa um almoço com Putin – Presidente Russo – almoço este que jamais existiu, durante o encontro dos BRICS.
Antes de viajar a Rússia, o Governo brasileiro lançou que iriam viajar à República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Uma mistura da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com a atual Federação Russa (mais conhecida como Rússia), e criaram um Frankenstein. Uma lambança, inacreditável ao se pensar no departamento de mídia e comunicação de um Governo Federal.

Chegando à Rússia, Temer foi recebido pelo VICE-ministro de Relações Exteriores. Ou seja, não foi por ninguém de importância relativa do Governo Russo, muito menos por Putin. O “mínimo” a se esperar seria que o próprio Ministro das Relações Exteriores russo o recebesse, mas nem isso. Sinal mais claro de insignificância não há, e um grande vexame para nossa Pátria.

Em seus trajetos na Rússia, Temer foi acompanhado principalmente por grupos de pessoas em protesto e vaiando.
Na Embaixada brasileira na Rússia, somente metade dos convidados compareceram na cerimonia com o Presidente, e mesmo assim, poucos quiseram conversar com ele. Ele é quem se aproximava das pessoas.

Temer ainda disse a Putin que a cultura Russa está muito presente na sociedade brasileira!!!! (pausa para respirar). Algum de vocês conhecem algo russo que não seja Vodka e estrogonofe, quer dizer, stroganoff em russo? Inclusive, o stroganoff russo é bastante diferente do nosso.

Por fim, Temer saiu da Rússia sem qualquer acordo bilateral ou diplomático. Só gastou dinheiro e passou vergonha.

Em seguida foi para Noruega. O Governo norueguês é o maior financiador internacional da luta contra o desmatamento da Amazônia. E já estava flertando um corte neste financiamento, pois percebeu que este Governo não está nem aí para este assunto, pelo contrário, parece apoiar políticas pró-desmatamento.

Temer foi recebido pelo chefe interino do aeroporto, ninguém do Governo!
No encontro Temer ignorou o conflito diplomático na questão do desmatamento da Amazônia, e tentou encher a bola de seu Governo sobre os avanços econômicos e sobre seu apoio dentro do Congresso, e falou da “luta contra a corrupção” (nova pausa).

Quando chegou no assunto Amazônia, Temer deixou a responsabilidade para o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o qual disse aos noruegueses “o problema é dos governos passados”. Sarney ignora que houve um aumento de 58% no ritmo do desmatamento da Amazônia nos últimos 2 anos, e que se o problema realmente estivesse nos Governos passados, ele também é responsável, pois foi também Ministro do Meio Ambiente no Governo de FHC entre 1999 e 2002, época onde Amazônia sofreu um dos maiores desmatamentos da história.

No fim, quando perguntado quando o desmatamento acabará, Sarney disse: “Só Deus pode garantir isso”.
Esta frase de Sarneyzinho nos diz muita coisa. Ela mostra a falta de responsabilidade pessoal do Ministro, a molecagem e pilantragem com a qual ele trata de um assunto de tamanha importância para o Mundo e para a humanidade, e também mostra a ortodoxia religiosa dentro da política brasileira; também percebemos a falta completa de conhecimento de Sarney quanto ao país visitado, pois a Noruega está entre os 5 países menos religiosos do Mundo, tem mais da metade de sua população não praticante de qualquer religião ou ateia, mais de 70% dos noruegueses dizem não acreditar em um Deus nos parâmetros cristãos, e menos de 20% dos noruegueses dizem que a religião tem um papel importante em suas vidas.
Jogar responsabilidades político-humanas para Deus, num país Europeu, ainda mais na Noruega, é a melhor demonstração de atraso civilizatório e intelectual que se pode dar.

Mas uma coisa eu preciso salientar: Sarney mostrou ao governo norueguês um retrato bastante real do nível de informação e preparo intelectual da sociedade brasileira.

Assim o governo brasileiro se despediu da Noruega, com um corte de 200 milhões de Reais na ajuda contra o desmatamento amazônico, mais da metade do dinheiro que era investido pela Noruega anualmente.
Parabéns!

E quando leio estas, e notícias locais aqui na Alemanha, e quando vejo o comentário dos alemães e estrangeiros (colegas de trabalho, amigos, conhecidos) sobre o Brasil atualmente, sempre num sentido pejorativo, negativo, pessimista, humorístico, desrespeitoso, preconceituoso; lembro-me de quando cheguei aqui em 2010, notícias, documentários, e o boca-a-boca do povo conhecido, todos impressionados com o papel de liderança que o Brasil havia assumido na América Latina e no Mundo durante o Governo Lula.

Todos diziam dos avanços econômicos, que o Brasil era super interessante para se investir, passar férias… era claro o respeito adquirido pelo Brasil frente aos governos Europeus e mundiais. Além dos dados e avanços claros que as sociedades internacionais notaram, ainda teve o importante trabalho feito por Lula e Celso Amorim na diplomacia brasileira, trazendo prestígio e respeito.

Naquela época, até as piadas sobre samba, bunda, carnaval e futebol haviam diminuído. Hoje todas elas voltaram, com uma diferença, depois dos 7×1, não somos mais o país do futebol; ufa, menos um estereótipo.
Os estereótipos brotam como peste, e eu digo, corrói ter que viver isso aqui fora, ouvir tantas falácias, e tentar ainda de alguma forma defender nosso moral, é difícil, pois muito do que é dito se justifica na prática política e da sociedade brasileira hoje em dia.

Voltando ao Temeroso; tem gente que ainda defende esse ser inescrupuloso!

Fico admirado, e acho que ficarei até o fim da minha vida, em ver a incapacidade e/ou falta de vontade da grande maioria da sociedade brasileira, de perceber que, este Ser, somado a Eduardo Cunha, e o limpinho e cheiroso Aécim das Neves, juntamente com outros do mesmo naipe, foram os chefiadores do Impeachment de Dilma.

Boicotaram e bloquearam seu segundo governo na Câmara até falir o mesmo, pagaram a imprensa para destruírem a sua imagem, financiaram grupos especializados em rebeliões para agitaram os protestos contra Dilma e PT, usaram de seu Poder no judiciário (como o capataz da direita brasileira, Gilmar Mendes, amigo íntimo de Aécim e de Temeroso), tramaram e organizaram tudo o possível para retirarem Dilma do Governo, e colocarem Temer como Presidente, trazendo com ele toda a base mais radical da oposição ao Governo Dilma para o seu des-Governo, e ainda se aliando ao PSDB no Congresso, sabidamente arque-rival do PT.

Um Impeachment que vestiu uma fantasia de luta contra corrupção do PT e de Dilma (mulher íntegra, contra a qual sequer existem acusações formais, quanto menos condenações), com um pouquinho de perfume de insatisfação para com os rumos econômicos do Governo Dilma; mas que na verdade, nada mais foi que um Golpe de Estado organizado e dirigido durante todo o tempo pelo o que há de mais sujo, bárbaro e vergonhoso na história brasileira, uma elite podre e antinacional que se arrasta desde nossa colonização até hoje, antigos escravagistas e herdeiros das capitanias hereditárias, hoje, corruptos, mafiosos, gangsters, com domínio sobre quase todos os meios de comunicação e com tentáculos em todas áreas do grande Capital, inclusive no tráfico de drogas.

Este grupo de vermes, derrubou a Presidente eleita democraticamente, e provavelmente a/o presidente mais ético e correto que o Brasil já viu em sua história, devido aos interesses daqueles em frear a Lava-Jato (para não serem pegos juntos com seus comparsas), e devido aos seus interesses econômicos, que nada têm a ver com proteção ambiental, avanços sociais, ou direitos humanos ao povo sofrido brasileiro, muito menos interessados no fortalecimento da Nação Brasileira, mas sim um desespero pelo resgate de políticas que privilegiem as elites, o sistema financeiro, o interesse internacional, seus próprios bolsos e coisas do tipo…

Para quem apostava que os dias de Temer estavam contados, e que ele não chegaria até 2018. Eu continuo esperando….. Quase acreditei em sua queda depois dos grampos e denúncias dos donos da Friboi, mas meus instintos funcionaram novamente.
Também continuo esperando sentado a prisão de Aécim; Gilmar Mendes diria: “só por cima do meu cadáver”.

Enquanto isso, outra aposta minha vem se concretizando. Bolsomico crescendo nas pesquisas de intenção de voto para 2018, e se encontra na segunda posição, somente atrás de Lula.
Mas este é outro assunto na república da Banana, Bunda, Samba e Futebol.

por Miguelito Nervoltado

figura daqui 
Links inspiradores:

borussia-dortmund-hannover-96-0-1Eu não queria colocar nenhuma das figuras tristes e drásticas dos acontecimentos recentes para dar uma ênfase dramática ao assunto. Mesmo descobrindo ser bem difícil encontrar uma figura que não seja trágica sobre o tema.
Apelei para o futebol…
Quer seja entrando na Grécia, quer seja invadindo o Eurotunel para Londres, em barcos apertados no Mediterrâneo tentando entrar na Itália ou mesmo embarcando em ônibus no Acre para chegar a São Paulo, inúmeros são os refugiados que saem de seus países forçadamente, fugindo de perseguições políticas, religiosas ou mesmo de guerras.

E para os que de prontidão são contra, mostrando uma detestável xenofobia, friso que é forçosamente que as viagens desses refugiados ocorrem. Não são férias, nem aquela oportunidade que muitos têm de vivenciar uma experiência noutro país e voltar enriquecido culturalmente. Impossível também comparar com os que migram em busca de melhores empregos e condições financeiras, como o exemplo dos nordestinos que vão para São Paulo ou os brasileiros de todas as partes que foram para Brasília nos anos 60; esses tinham família e lar em outras partes e podiam com uma simples ajuda de um bilhete de ônibus ou avião, voltar para o aconchego de parentes e conhecidos.
Os refugiados deixam para trás o seu passado, sua profissão e suas crenças; abandonam a família, o idioma e a própria cultura por correrem real perigo de vida. Por estarem á mercê de uma Guerra Civil, de uma invasão terrorista, de Boko Haram’s e Estado Islâmico’s. Não é comparável às tentativas de cruzar o mar do Caribe em balsas como fazem os Cubanos, ou a fronteira do Texas com “coiotes” que levam Mexicanos e outros latinos ao sonho americano… É sair para não morrer, sabendo que o tentar e falhar, mesmo morrendo no caminho, é melhor que o ficar e esperar o sofrimento sem fim.

Acho que todos já leram distintas notícias que circulam pela rede nesses tempos. O que me chocou numa delas foi saber que apenas uma pequena parcela é a que aparece na mídia, pois é a que cruza grandes distâncias. Por exemplo, a maioria dos Sírios se refugiou da guerra interminável dentro do próprio país e nos países fronteiriços como Jordânia e Líbano. O caos Sírio tem mais de cinco anos e segue indefinido, pois contra as forças do presidente Bashar Al-Assad, lutam rebeldes contra o regime ditadorial e, contra ambos, está o “califado” terrorista do Estado Islâmico.

Todos também leram que os países mais buscados pelos que enfrentam as largas distâncias são Alemanha, França e Reino Unido. E a razão é clara: oportunidade.

No capitalismo perfeito, a concentração de renda gera “lacunas” de necessidades que os “já ricos” não querem executar e aceitam pagar por isso. E é nessas lacunas que os pobres recém-egressos ao sistema se encaixam perfeitamente: cozinheiros, garçons, babás, lixeiros, pedreiros, empregados domésticos estão na base da pirâmide e só por isso (lembrando que estou falando idealmente), aceitam estes empregos. O pós-guerra europeu recebeu vários povos que se mesclaram aos desenvolvidos pela falta de mão-de-obra e também em busca dessas oportunidades.
Porém ao mesmo tempo, provocativamente falando, o capitalismo perfeito não possui assistencialismo; já que as oportunidades apareceriam independentemente do Estado…

Podemos discutir se o sistema de cotas proposto pela Chanceler Angela Merkel é justo, principalmente para os países “pobres” da zona do Euro (notícia aqui). Só não acho correto discutir o fechamento das fronteiras e alguns argumentos absurdos de perda de empregos ou violência iminente… vale lembrar que muitos dos países europeus financiaram e financiam, junto aos Estados Unidos, as guerras separatistas, os regimes totalitaristas e indiretamente (ou não) o terrorismo advindo desses regimes.
Promover a paz nos países dos refugiados certamente levaria muitos destes de volta ao lar. Negar assistência a essa gente é negar o passado bélico, é deixar de ser humano. Um milhão de pessoas representa menos de 1,5% da população alemã hoje. É muito se pensarmos no número como um todo, mas muito pouco proporcionalmente. Ignorar o fato e bloquear os acessos, como tentaram fazer os ingleses no início da onda migratória, é impossível!
(pra quem não leu, seguem dois posts nossos relacionados com o tema aqui, onde Merkel responde diretamente a uma menina sonhadora Palestina e aqui, onde um conto aborda ludicamente o assunto).

O desejo aqui é que sejamos mais abertos e menos xenófobos. Que abramos um sorriso àquele garçom negro que nos atende com sotaque, àquele taxista… que os respeitemos e busquemos aprender com eles.
Termino com duas indicações de leitura. A primeira é a estória de um refugiado Sírio, professor, que trabalhou na Copa do Mundo graças à ajuda de um bom coração – aqui. E a segunda apresenta opções de ajuda a esses refugiados, seja no Brasil ou no exterior, pra quem quer sair da página 2 (link aqui). Detalhe: nas entidades e ONGs aparecem outras entidades e ONGs.

por Celsão correto.

figura “positiva” retirada daqui. Foram muitas as torcidas alemãs de futebol que fizeram faixas pró-refugiados.

 

NazismoO resultado das últimas eleições do parlamento Europeu, nos trouxe preocupação. Pra quem não acompanhou, partidos de extrema direita, ou ultranacionalistas, conseguiram um número considerável de cadeiras, crescendo bastante em participação total desde as últimas eleições.

Na minha opinião é muito cedo para dizer se isto é uma tendência da política européia, abandonar a social-democracia e focar mais ainda no capitalismo/liberalismo ou se é algo momentâneo, reflexo da crise instaurada em toda a Zona do Euro; cuja palavra da moda, austeridade, vem tirando empregos e piorando condições sociais nos países menos desenvolvidos do bloco em prol do bloco em si. Aliás nem sei se minha classificação destes ultranacionalistas como capitalistas está correta.

De qualquer modo, é assustador pensar que uma sociedade altamente evoluída e um mercado livre, capitalista, estabelecido e tecnológico expulsarão imigrantes ou cercearão seus direitos legalmente.
Mesmo tomando este resultado inesperado como algo momentâneo, o que a alta abstenção nesta última eleição explica, como “trazer de volta” o povo que não votou? Como saber se as prováveis medidas e leis “nazistas” são aceitas por todos? E independente disso… Como seguir crescendo como mercado comum, anexando outros países, sem a participação destes (e do resto do mundo) na economia e ao mesmo tempo, diminuindo o desemprego e aumentando a renda?

por Celsão correto

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Esta ascensão do Nazismo na Europa é ainda mais preocupante, uma vez que se dá de forma institucional, dentro da política. Vários países viram uma elevação da representação nazista e/ou da extrema direita entre seus parlamentares no parlamento Europeu.
Em paralelo, uma crise econômica, política e social na Zona do Euro, gerando desemprego, insatisfações, reduções de direitos trabalhistas, e ferindo direitos humanos. Essas crises, como já é sabido, são fermento para inflar ainda mais ideologias e comportamentos extremistas, como o nazismo e fascismo, no caso. Portanto, a crise no Euro mostra que o nazismo provavelmente continuará crescendo.

Ainda devido ao ocorrido, podemos fazer uma crítica a abstenção política, a cruzar os braços, a não agir, a não participar do processo democrático, a não votar ou votar nulo. Claro, não pretendo aqui falar que os impactos de se votar nulo ou se isolar da política na Europa, é o mesmo impacto de quando se faz isso no Brasil. Tampouco quero colocar todos os que optam pelo voto nulo num mesmo balaio, pois sei que tem gente muito bem esclarecida com motivos para fazê-lo. Mas me entristece saber que, ao votar nulo, a pessoa, principalmente aquela provida de conhecimento político e de ética-social, está abrindo espaço para que o “mais pior” vença, pois se exatamente essa pessoa votasse, certamente, ela não escolheria o “mais pior”, o que enfraqueceria o mesmo e reduziria suas chances de vitória.

Outra reflexão que podemos fazer aqui é sobre a eficiência da democracia. Vemos aí países com mais de 20% de representação nazista. Imaginem se chegarem a 30 ou 40% (o que está bem próximo). Basta fazerem algumas coligações/alianças com outras alas radicais ou que comunguem de alguns interesses em comum, e boom, têm mais de 50% de representação no Parlamento. E aí, é ético, legal, democrático, justo, evoluído, termos governos nazistas em pleno século XXI ascendendo através de um processo “democrático”? Quais as consequências disso para nosso futuro?

A seguir, um texto com a análise detalhada das eleições, extraído do Facebook, na página chamada “Uma Página Numa Rede Social”

Na França, a Extrema-Direita foi a grande vencedora das eleições europeias. O Secretário Geral honorário da Frente Nacional – o partido vencedor – disse, há poucos dias atrás, que o vírus do Ébola resolveria o problema da imigração na França em três meses. O mesmo sujeito disse que as câmaras de gás na II Guerra Mundial foram apenas um pequeno detalhe do regime nazi.

Na Alemanha, o NPD, Partido Nacional Democrático, também conseguiu lugares no Parlamento Europeu. Este partido neo-nazi defende que a Europa é um continente de pessoas brancas, quer expulsar os estrangeiros que vivem e trabalham na Alemanha, e levam para os seus comícios bandeiras proclamando a ideologia nazi do “Nacional Socialismo”.


Na Grécia, os ultra-nacionalistas da Aurora Dourada também conseguiram lugares no PE. O porta-voz do partido enverga, orgulhosamente, uma suástica tatuada no ombro, exclamou que o país tem de libertar-se da escumalha, referindo-se aos imigrantes na Grécia, e vários dirigentes do partido estão actualmente detidos, condenados por crimes de ódio. Foi o terceiro partido mais votado na Grécia.

Na Finlândia, o Finns foi um dos partidos que também assegurou lugares no PE. Este partido defende que só os verdadeiros finlandeses têm o direito a viver no país, quer expulsar os muçulmanos do território nacional e quer proibir a união de casais do mesmo sexo.

Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês teve quase 27% dos votos e duplicou o seu número de eurodeputados. A fundadora do partido defende que a imigração na Dinamarca não é natural nem bem-vinda e alega que os imigrantes na Dinamarca só poluem o país com guerras de clãs, assassinatos e violações.

Na Holanda, o Partido da Liberdade, da Extrema-Direita, conseguiu quatro lugares no PE. O líder do partido quer expulsar todos os muçulmanos do país e já tem tentado formar alianças com outros partidos ultra-nacionalistas de outros países, tentando promover leis europeias de maior controlo de fronteiras e restrição da livre-circulação de cidadãos europeus na Zona Euro.

O Jobbik, na Hungria, é um partido neo-nazi que defende que os judeus que vivem na Hungria devem estar sujeitos a um registo especial, que os sujeite a controlos regulares, pois consideram que os judeus constituem um risco para a segurança nacional. Vários dirigentes do partido também já referiram que gostariam de ver a raça cigana erradicada do planeta. Conseguiram 14,7% dos votos nestas eleições.

Na Áustria, o partido da Liberdade Austríaca aumentou a sua representação no PE para o dobro, conseguindo dois eurodeputados. Este partido, de ideologia ultra-nacionalista, defende que os estrangeiros na Áustria devem voltar para os seus países e que a Áustria não tem lugar para mais imigrantes.

Na Itália, os Lega Nord conseguiram 6% dos votos. Um dos seus eurodeputados disse que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.

Pela primeira vez, o Parlamento Europeu terá um bloco inteiro constituído por partidos da Extrema-Direita, ultra-nacionalistas, defensores da saída dos seus países da União Europeia.

O elemento comum a todos estes partidos é a ideologia fundamentada pelo preconceito racial e xenófobo. Agora, esses grupos têm uma representação europeia forte, que poderá ser decisiva durante os próximos anos, na aprovação e rejeição de muitas das leis que influenciarão a política dos Estados-Membro, incluindo Portugal.

A apatia em relação à política, que se traduziu em níveis massivos de abstenção por toda a Europa, abre espaço para estas dinâmicas eleitorais.
A todos os que se abstiveram, alegando que nenhum dos partidos do boletim de voto os representava, tenham o seguinte em mente: “democracia” não é escolher apenas o partido dos vossos sonhos, que irá realizar todas as políticas que vocês gostariam de ver realizadas. A democracia acontece quando a maioria escolhe o partido cujos valores que mais se aproximam dos valores que o eleitor gostaria de ver defendidos. Não estamos a escolher o partido perfeito, estamos a escolher o mal menor.

E o que acontece quando não nos damos ao trabalho de escolher um mal menor? Ganha o mal maior, como aquele representado pelos neo-nazis que, agora, passarão a influenciar a orientação política europeia.
Com quase 70% de abstenção em Portugal nestas eleições europeias, aqueles que ficam de braços cruzados, dizendo que votar nada irá resolver, têm mais é de abrir os olhos e ver o que está a acontecer à sua volta.

por Miguelito Formador

figura retirada da página Uma Página Numa Rede Social do facebook