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Funda-se a partir de hoje o país Oduduwa.
Em sua carta de fundação, pode ser lido o hino Akotun Oweré (Nova Luta) e o ideal de liberdade religiosa para os oprimidos umbandistas.

O seu território compreende a região de Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Brasil, e as regiões cercanas da província de Vergara e Treinta y Tres, seguindo pelo litoral próximo à cidade de Lascano, no Uruguai.
A sua capital está no distrito de Cassino, onde se encontra a imagem de Iemanjá e se realiza, anualmente, a maior festa conhecida dedicada a essa importante entidade da religião Umbanda.
Os parques nacionais de Taim e Curral Alto prestarão a devida homenagem a Oxóssi, Deus das florestas, Oxum e Obá, Deusas das águas e rios e Iemanjá, Deusa dos mares.
A península setentrional chamada Punta del Diablo servirá como base para rituais de cura e equilíbrio.

O Estado da Bahia aceita a proclamação de independência de Oduduwa em relação ao Brasil e declara seu total apoio à causa da religião afro-brasileira. Inclusive com apoio militar, se assim for necessário.
Já está agendada uma última declaração no Congresso Nacional Brasileiro, em português, comunicando a independência e separação territorial, ideológica, religiosa e de idioma, uma vez que a língua oficial de Oduduwa será o Iorubá.

Seguidos os protocolos oficiais, convidaremos umbandistas de todo o mundo a vir morar em Oduduwa.
De forma igualitária, os seguidores de outras regiões que desejarem abandonar a nova Nação Umbandista terão livre acesso para sair; desde que abandonem residências, terrenos, bens móveis e contas bancárias à Akotun Oweré. Não haverá reembolso ou ressarcimento de qualquer natureza.

Se houver, como esperado, o sucesso estimado inicialmente, muitos serão os fiéis e praticantes que buscarão em Oduduwa o seu refúgio espiritual e religioso.
Ocuparemos espaços nas vicindades de Uruguai e Brasil; respeitando, a princípio, as capitais Montevidéu e Brasília.
Se estatisticamente já somos 8% da população brasileira, tomando a porcentagem declaradamente Umbandista, acreditamos que 20-30 milhões de pessoas possam viver confortavelmente no espaço ocupado hoje pelo Estado do Rio Grande do Sul, lar atual da maior população umbandista brasileira.
Caso o futuro Conselho Nacional de Oduduwa decida por ocupar preferencialmente áreas litorâneas, podemos expandir o território pela costa, no sentido norte, mudando a capital de Oduduwa para Florianópolis, ou mesmo, Rio de Janeiro.

Declaramos guerra, desde já, a qualquer invasor que pretenda dirimir nosso propósito ou questionar a nossa fé!
Contamos com apoio irrestrito, financeiro e bélico de apoiadores de religiões indígenas e africanas em todo o Mundo, bem como do Estado da Bahia, lar de tantos orixás e ritos.

(…)

É cômico.
Mas essa é a minha visão, discriminatória talvez, do que aconteceu na criação do Estado de Israel, meio século atrás.
Não sou contra a sua criação, embora acredite que a localização e disposição poderiam ser melhor discutidas, a fim de evitar situações delicadas no tocante às relações internacionais.
A própria ONU e seus conselhos, seriam a meu ver o melhor palco para essas discussões.

O apoio dos Estados Unidos, financeiro e bélico, transformou a região que já era palco de conflitos seculares.
A “ilha” Israel transformou-se numa potência regional. E passou a ameaçar não só os palestinos, mas outros países da região.
As ocupações através de construções não autorizadas são injustas, para dizer o mínimo (post nosso sobre o assunto aqui).
E a mudança da capital para Jerusalém é simplesmente absurda! Só têm apoio americano pelo interesse estadunidense na região e pela aliança escusa entre os dois países.
É o apropriamento de algo inapropriável!

Lamentável que vejamos massacres de civis, tolhimento de direitos, imposição de condições sub-humanas em prol de um Deus que não apregoa essas diferenças.

Se Israel e sua política não choca você, Oduduwa tampouco deveria chocar…

por Celsão irônico

 

figura: montagem de recortes retirados do Google Maps. 

P.S.: peço perdão aos praticantes da Umbanda, Candomblé e demais religiões africanas pela apropriação de nomes e termos. A intenção não foi ridicularizar nem ofender.

P.S.2: para quem quiser assinar uma petição do Avaaz, contra a chacina impiedosa de vidas palestinas, segue o link

 

CriacionismoReproduzo aqui o artigo do Professor Doutor José de Sousa Miguel Lopes, e publicado no blog Navegações nas Fronteiras do Pensamento. Para acessar o artigo original, clique AQUI.

Também não deixem de clicar no link do Youtube indicado no fim do artigo. Trata-se de um vídeo didático e divertido, feito pelo vlogueiro Pirula.


Criacionismo – Modus Operandi

O objetivo da ciência é moldar as nossas crenças à realidade. Não é um processo infalível nem acabado, mas tende a melhorar gradualmente a sintonia entre aquilo que julgamos ser e aquilo que realmente é. Para esse fim, não se pode, por exemplo, abordar a geologia a partir da crença de que a Terra é plana ou a astronomia a partir da crença de que a Lua é feita de queijo. Seja qual for a crença ou problema, não é científico comprometer-se à partida com uma crença, de forma firme e persistente, porque o que se quer com a ciência é explorar as possibilidades e procurar as crenças que melhor correspondam aos dados que se vão acumulando. Para isso exige-se uma atitude cética no sentido de adotar ou rejeitar crenças sempre conforme o peso das evidências e nunca por vontade pessoal. O que é exatamente o contrário da crença religiosa, carente de fé e apregoada como resultando do exercício da vontade livre do crente.

Esta diferença é evidente em várias posições criacionistas. A idade do universo estimada atualmente está muito além do que um cientista criacionista típico aceitaria. Em resposta, muitas cosmologias criacionistas de universo jovem têm sido propostas para discutir a questão da idade. É consensual na cosmologia que o universo tem quase catorze mil milhões de anos. Este valor já foi revisto várias vezes, porque valores anteriores revelaram-se incompatíveis com a informação que se ia obtendo, mas a ciência progride precisamente por encontrar alternativas que se ajustam melhor aos dados. O “cientista” criacionista faz o contrário. Primeiro decide em que hipóteses acredita “a partir da crença de que o universo foi criado por Deus” e depois limita-se a escolher as evidências que forem mais favoráveis a essas crenças.

Noutro exemplo das posições criacionistas, a “criação biológica é basicamente o estudo dos sistemas biológicos, sob a suposição de que Deus criou vida na Terra. A disciplina é estabelecida sob a ideia de que Deus criou um número finito de espécies”. Quando se usa a ciência para estudar algo não se pode estabelecer disciplinas “sob ideias” pré-concebidas nem fixar qualquer suposição. Afinal, o objetivo é perceber o que se passa e não cultivar preconceitos. Por isso, o tal “criacionismo científico” não é ciência, mas apenas uma de muitas trapaças que abusam da ciência para fazer parecer que a sua doutrina tem fundamento.

Se bem que muitos crentes concordem com este juízo acerca do criacionismo, porque rejeitam a interpretação literal dos escritos religiosos, normalmente recusam-se a reconhecer que este conflito entre religião e ciência não depende dessa interpretação literal nem é evitável enquanto a religião professar a fé em alegações acerca da realidade. Quer leiam a Bíblia à letra, quer a leiam como metáfora, a fé firme na “crença de que o universo foi criado por Deus” torna-os todos criacionistas e põe-nos todos em contradição com a ciência. Nem é só pelos indícios, cada vez mais fortes, de que o universo não foi criado com inteligência nem há ninguém encarregue disto tudo que se preocupe minimamente com o que nos acontece ou com o que fazemos. É, principalmente, porque a ciência exige que se tratem todas as crenças como equivalentes à partida e se faça distinção entre elas apenas pelo que objetivamente revelam corresponder à realidade. Isto é incompatível com qualquer fé, dogmatismo ou crença pré-concebida da qual não se queira abdicar.

Como vimos, estas são algumas tentativas,  entre muitas outras, de dar ao criacionismo a aparência de ser científico. Para aprofundar um pouco mais a problemática do criacionismo veja a forma didática como ele é apresentado, clicando no vídeo aqui

Leia o texto “Por que é quase certo que deus não existe” de Richard Dawkins clicando aqui


por Miguelito Formador