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2Herói ou tirano?
Ditador sanguinário ou ultra-protetor nacionalista?
Creio que a primeira avaliação passa, infelizmente, pelo “lado político” que nos últimos tempos classifica as pessoas.
E hoje, infelizmente para um “esquerdopata” convicto, como eu, creio que a História absolveria Recep Erdogan e Bashar al-Assad, usando como trocadilho um dos textos mais conhecidos de Fidel.

Pra mim, Fidel Castro foi ambos: herói e tirano.
É impossível negar avanços sociais em Educação, Saúde e Segurança.
Principalmente para a parte mais carente da população cubana: até hoje o sistema de saúde é referência na América Latina e os índices estudantis também o são (aqui uma notícia da UNESCO. Cuba não participa do PISA).
O herói Fidel mudou a realidade de um país que, a menos de 150 quilômetros de distância dos Estados Unidos, servia há anos como “bordel” à cidadãos americanos. Antes da revolução, Cuba era conhecida por seus cassinos, hotéis de luxo e pela prostituição, diversão completa com praias deslumbrantes em mar caribenho…
Fidel e sua revolução mudaram a condição de milhares em Cuba.

O tirano Fidel, tomou propriedades, bens e meios de produção, nos anos seguintes à tomada do poder, para efetivar as melhorias, para fazer valer a revolução.
E obviamente isso não agradou aos burgueses e proprietários roubados. Que, aos muitos, deixaram o país nos êxodos observados nas décadas de 60 e 80, sobretudo para os Estados Unidos.
Difícil governar sem tirania e transformar o futuro dos compatriotas (ou companheiros) com o “peso” e a “pressão” dos outrora donos e mandantes americanos, com a própria irmã como informante da CIA, com um mundo dividido entre esquerda e direita (ou bem e mal).

1Mas o tirano venceu.
Enfrentou a maior potência mundial, seu boicote, seu bloqueio, seus golpes e assédios contra cidadãos.
Talvez pela extrema preocupação, o entusiasta do Nacionalismo negou-se ao permanecer no comando e tornar-se ditador, título que criticava nos primeiros anos de golpe e contestou como rótulo enquanto pode.
Escolheu o lado “mau”, a esquerda, representada pelo apoio soviético, não por afinidade direta; viu-se cercado de ameaças do lado “bom” e foi forçado a buscar uma saída para a produção agrícola da ilha. Arrisco dizer que após a escolha, percebeu o alinhamento com as teorias anunciadas na União Soviética e nos países sob sua influência.

O erro de Fidel, pra mim, foi exatamente esse: permanecer no poder por tempo demais.
Alguns estudiosos citam que o carisma e a firmeza o impediram de deixar o poder. Passando de General Comandante no período de transição a Primeiro Ministro e a Presidente no governo.
Mas não seria o mesmo carisma populista que vemos hoje em Ângela Merkel, que vai para o seu quarto mandato como chanceler Alemã e provavelmente passará de 15 anos no poder?
E não é o mesmo carisma buscado por muitos brasileiros que falam em intervenção militar ou num governante “salvador” e sobre-humano, ora Joaquim Barbosa, ora Sérgio Moro?
(Parêntese importante: será que não elegeríamos Sérgio Moro presidente? E que poderes ele teria como presidente-juiz-supremo do Brasil?)

“Lutar pela liberdade ou contra ela. Não é a mesma coisa”.
Fulgêncio Batista, o presidente anterior, ex-militar, perseguia dissidentes e usava de métodos severos de tortura aos oposicionistas. Fidel fez o mesmo, não na mesma intensidade, mas o fez como parte de um serviço de (contra-)inteligência necessária naquele momento.
Difícil defender isso hoje, eu sei.
Nem se lembrássemos que houve apoio popular, em toda a campanha da Sierra Maestra (ou guerrilha)? E o mesmo apoio não ocorreu anos depois, quando rebeldes apoiados e financiados pelos Estados Unidos invadiram a ilha?
Fidel e os revolucionários lutaram pela liberdade de um povo!

Aproveito e cito outra frase, dessa vez do filósofo e ativista Noam Chomsky: “A necessidade de possuir Cuba é a mais antiga questão da política externa norte-americana”.
Treinar e armar rebeldes, planejar atentados, bloquear todo e qualquer negócio de parceiros comerciais, mesmo contra a OMS e ONU, tomar parte de um território soberano e reconhecido internacionalmente para construir uma prisão, para presos políticos e terroristas… foram apenas alguns dos atos patrocinados pelos Estados Unidos a Cuba.
E, evidentemente, a mídia americana também contribuiu para a difamação e para a distorção. Alguém lembra de notícias falsas sobre a morte do ex-presidente cubano? (aqui uma notícia de 2015, aqui uma confusão de 2013)

Fidel era classe média alta.
Filho de um migrante espanhol, fazendeiro, produtor de cana-de-açúcar. Estudou em bons colégios, aprendeu inglês. Fatalmente seria bem-sucedido na Cuba-Americana, no país de Fulgêncio, dada a condição social e as oportunidades aproveitadas.
“Somos pessoas pobres num país rico”, frase dele, mostra a preocupação, então nova no continente, no terreno da justiça social, da distribuição de renda, da isonomia ansiada.

“Patria o Muerte!”
Isonomia atingida, mas aplastada.
A Revolução Social foi feita, mas depois do pão, o povo pede, fatalmente, o circo!
E a cobrança desse circo tirou um pouco o brilho das conquistas. Da ideologia. Da resistência. Da luta contra o imperialismo.

Abraço carinhoso entre os amigos Fidel e Mandela

Adeus Fidel!
Se nacionalizar companhias de eletricidade, de telefonia, fazendas, indústrias e até postos de gasolina não trouxe a integridade e a soberania nacional tão preconizadas por Marx… Se alcançar e distribuir o básico para o seu povo, incluindo uma educação de qualidade que os fez críticos… Se reduzir a desigualdade social gerou ainda desejos além do possível e atingível a todos… Paciência!
Certamente, valeu a intenção da semente*.

por Celsão correto

figuras retiradas do documentário da Fox – “Especial Fidel” e de post publicado aqui

(*) frase do escritor brasileiro Henfil (aqui)

 

bandeira-do-brasil-se-derretendo_v1Eu queria que ser esquerda no Brasil não fosse condenável, não fosse sinônimo de burrice ou vagabundagem.
A esquerda daqui, ou classificando melhor, a esquerda em sua essência, quer reparação de injustiças, quer oportunidades iguais, ou seja, quer ISONOMIA! Afinal é impossível falar de meritocracia sem equiparidade de condições.
Vagabundos (disléxicos, preguiçosos, deficientes) surgem e surgirão qualquer que seja o regime de governo e qualquer que seja o partido político no poder.
Num regime justo ou de condições “iniciais” equiparadas, eles teriam as mesmas oportunidades, sem razão para os “mimimis” tão criticados. Seria lhes garantido um emprego e um salário suficiente (?) para sobreviver dignamente. E, se não houver emprego ou capacidade de exercer função produtiva, há auxílio estatal, como em outros países do mundo.
Em nosso país, de regime distorcido, um vagabundo bem nascido usará seus meios e contatos familiares para seguir exercendo sua influência e seu poder. Terá casa, carro, férias e Facebook. Mas se houver nascido pobre, passará por necessidades e sequer terá o básico para si.

Eu queria que o PT fosse a esquerda.
Que todo o sonho de ascensão do povo, dos trabalhadores ao poder fosse bem representado. Não somente com aumento real de renda e diminuição da desigualdade social (que inegavelmente ocorreu), mas que as reformas tão pleiteadas e necessárias também fossem realizadas: tributária, política, midiática, agrária…
Como seria bom se o discurso do PSOL de hoje, vide Luciana Genro nas eleições de 2014, pudesse ser implementado. Do povo e para o povo!

Eu queria que o sistema político brasileiro fosse diferente. Fosse outro.
Queria que não houvessem conchavos, que os partidos e políticos avaliassem as leis propostas independente de um “comando geral”, ligado a diretórios e interesses espúrios. Que não houvesse troca de cargos por favores em votações… Ou que o poder do legislativo não fosse tão vasto.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criticou nessa semana o sistema político na revista Isto É (aqui). Eu admirava bastante o FHC. A clareza em expor ideias, a fluência em idiomas, o período de transição de Ministro a Presidente e o plano Real.
Mas ele foi o presidente que mais “se afundou” em conchavos, em minha curta experiência de observação política. E o fez exatamente para que a reeleição fosse aprovada e para que tivesse o seu segundo mandato! Assunto que o desagrada atualmente…
Voltando ao parágrafo anterior, se o PT não tivesse “se rendido” ao PMDB e outras alianças ainda piores, talvez não tivesse um governo longo, talvez não tivesse “surfado” na onda de popularidade, mas seria ideologicamente elogiável.

Eu queria que o país não fosse intrinsecamente corrupto.
Que ao realizar um boletim de ocorrência em uma delegacia, eu não precisasse ouvir da própria delegada que fui tolo ao entregar a minha licença de conduzir ao órgão competente, para uma punição de três meses, após atingir um limite de pontos determinado por lei. A delegada em questão disse que não o faria e que aconselha amigos e familiares para que não o façam…
Queria que criticássemos a corrupção olhando para nós mesmos, sem hipocrisia. E que a palavra ‘corrupção’ fosse classificada como palavrão, ideia já publicada aqui no blog no final de 2013 como desejo para 2014.

Eu queria que os partidos políticos envolvidos com corrupção fossem extintos! Que fossem dissolvidos.
E que os futuros partidos a se formar tivessem de se adaptar a “correntes políticas”, já que o meu sonho dos cinco ou seis partidos é utópico demais no Brasil (aqui).

E eu queria que não fossemos tão egoístas e preconceituosos. E que aceitássemos gays, mulheres, negros e pobres na sociedade que vivemos, nos mesmos lugares ou em posições de liderança e poder.
Pense! Realmente aceitaríamos essas minorias em todos os lugares que eles podem ocupar?
Aceitaríamos eles nos mesmos restaurantes, no açougue e no mercado? Como colegas de trabalho ou como chefes… síndico do prédio, diretor da escola do filho…
No barzinho, também com um chinelo havaianas, mas talvez como o único calçado, aceitaríamos que um morador de rua comesse ao nosso lado?

Voltando ao PT, eu queria que a opção para 2014 não fosse a Dilma. Ou que ela fosse uma política nata, boa de retórica e de convencimento. Que ela fosse uma estadista como a Merkel ou pudesse unificar o Congresso o suficiente para conseguir governar.
Queria que a esquerda tivesse se desenvolvido aceleradamente e se apresentasse com um quadro político e técnico suficiente para compor pastas e secretarias.

Eu queria que, também, o apoio no Congresso não fosse tão importante para a governabilidade.
Pois afinal, não foram somente os discursos atrapalhados e as conclusões confusas que afastaram a presidente do povo e das graças da Grande Mídia. A falta de apoio legislativo, a ausência de “tato” fez ruir a apertada diferença de votos obtida nas eleições de 2014.
Criamos a jurisprudência de afastar qualquer presidente sem apoio majoritário do Congresso. Tão grave quanto danoso à nossa jovem democracia.

Eu queria que o afastamento, se tivesse de ocorrer, fosse por um crime inegável e irrefutável. De dolo provado. Por exemplo, pela utilização de recurso proveniente de corrupção para financiamento de campanha. (acusação ainda em trâmite, no TSE, levantada pelo derrotado PSDB de Aécio Neves)
Nesse caso não teríamos Temer, talvez sequer PMDB no cargo mais alto do Executivo da Nação.
Teríamos uma nova eleição, de resultados pouco previsíveis…
Voltando ao ponto do apoio do Congresso, o crime perpetrado, das pedaladas, nunca seria sequer investigado se a presidente ainda gozasse de apoio no Legislativo. Se ainda tivesse os mesmos aliados do primeiro mandato.

Eu queria também que as revistas mais lidas do Brasil, os programas de TV mais vistos, os sites mais acessados não pertencessem a grandes grupos, de grandes famílias, representando oligarquias históricas. Meios sem escrúpulos que guiam suas matérias e coberturas meramente pelo interesse, que comandam os golpes suaves, que se alinham a movimentos internacionais de controle…

Concluindo, usarei a chance para migrar para os recentes acontecimentos políticos.
Eu queria que todos avaliassem a seguinte hipótese: se o PT fosse direita, se não houvesse corrupção, se Dilma fosse homem e se Lula fosse um burguês paulista e bem nascido, da família Frias ou Marinho?
Não quero defender ninguém de modo unilateral. Nos desejos para 2015 também publicado aqui, eu já defendia “cortar na carne” quando houvesse desvio de conduta e/ou de comportamento.
Eu queria que esquecêssemos a frase do “ele também fez” e passássemos a uma nova fase, de oposição atuante e apoio consciente à boas ideias.

Eu queria que todos os culpados fossem presos (e que sejam!). Ou ao menos condenados ao ostracismo político (que, creio, seria igualmente dolorido).
Deixemo-los filiados e militantes, mas os proibamos de ocupar cargos, de exercer poder. Se o interesse for realmente ideológico e puramente político, a militância seguirá e o trabalho pode ser bem útil, no sentido de despertar interesse em outras pessoas.

E, finalmente, eu queria que a esquerda ressurgisse já em 2018, como alternativa sempre necessária ao status quo capitalista e segregacionista.

por Celsão revoltado

figura: montagem do contorno do mapa do Brasil com figura retirada do Pinterest aqui

Post_9mesesNove meses. Reta final.
Dessa vez não é um bebê que vem ao mundo, mas uma presidente eleita que deve ser permanentemente afastada, sofrerá o quase certo impeachment.

Hoje pensei em exercitar a memória e me perguntar o que aconteceu no período.

Primeiro o processo foi iniciado pelo então (e provavelmente futuro) presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, exercendo o poder a ele concedido.
O senhor Cunha não precisa de apresentações. Procrastina o próprio processo de cassação há um bom tempo e articulou sabiamente até aqui para que o mesmo acabe em pizza.
Se alguém não mais acompanha, o atual presidente, Rodrigo Maia, marcou para 12 de Setembro a seção de votação do processo de cassação de Cunha. A data é propositalmente uma segunda-feira, historicamente sem grande movimento na casa, e o mais próximo possível da data das eleições municipais deste ano. Sem quórum, sem cassação.
Sem contar que ocorrerá depois da definição sobre Dilma, aumentando as chances do perdão ao peemedebista.
Além disso, não esqueçamos, que o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal é de Setembro de 2015! Mais precisamente, 01/09/2015. E só foi aceito pelo ilustríssimo Eduardo Cunha em Dezembro (!) após a bancada do PT votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.
Ou seja, tudo começou por birra e pelo fato de deputados do PT buscarem algo de ética no legislativo!
(referências aqui sobre o pedido de impeachment e aqui sobre o início do processo)

Depois vieram as reuniões e promessas da oposição (não querendo simplificar nem classificar aqui como direita).
Foi um período de discussões ácidas e acusações mútuas em redes sociais. Julgamentos. Dicotomia. Ou se era coxinha, ou petralha. Um lado precisava ser escolhido, como o sexo com que se nasce…
Foi o período também que as palavras golpe e democracia foram usadas pelos “dois lados” com interpretações e maquinações diversas.
Destaco que o lado coxinha, “apelou” de modo confuso e unilateral para o fim da corrupção, para a retomada do crescimento, da confiança dos empresários, do fim da crise.
O lado petralha acusava a oposição de fazer (e haver feito) o mesmo “crime”, das tais pedaladas fiscais.
Escrevemos sobre isso algumas vezes, destaco uma interpretação de americanos que estudam o Brasil e os chamados “golpes suaves”, aqui.

E, complementando, o período também foi de Lava Jato. De furor, de heroísmo do poder Judiciário, que vivia uma ganância por aparecer. Uma “ambição de vitrine” no ícone Sérgio Moro.
Este personagem dantesco, vivia um período de absolutismo. Deteu, coagiu, forçou delações premiadas. Aqui, o interessante foram as críticas de juristas e juízes aos seus métodos. E a comparação à uma operação semelhante ocorrida na Itália.
Naquele país, o juiz que condenou políticos e empresários, entrou para a política.
Aqui, o nosso herói deixava escapar sorrisos ao ser aclamado nas ruas e ao receber convites para filiações partidárias.
Os crimes também foram relativizados. Uma escuta clandestina pôde valer para um, mas não para outro. Uma acusação em delação, idem. A mídia execrou quem ela quis, apoiando a oposição e direcionando o brasileiro mediano a aceitar os caminhos que estavam em curso…
Um exemplo do que ocorreu, quando Jucá assume em gravação que participou da manipulação para o impeachment, pode ser lido aqui. Um exemplo dos contrapontos jurídicos do herói Moro pode ser lido aqui.

Temer assume.
Glória a Deus nas alturas! Nesse caso quase que literalmente, pois nosso interino se declarou católico e simpatizante dos evangélicos nas redes sociais. Além disso, fez aparecer que sua esposa, apesar de muito mais nova que ele, era “bela, recatada e do lar”. Segundo uma tal revista, apoiadora de todo o movimento (aqui).
A imagem estava em plena construção.

Ministros nomeados. Patética demonstração de rabo preso e desconstrução do passado recente.
Se toda a mudança é positiva, não é tudo o que se precisa mudar…
Muitos condenados na lista, nenhuma minoria: negro, mulher. Cortes de pastas em setores “pouco importantes”, como a Cultura (totalmente desinteressante quando se quer manipular) e a reforma agrária (afinal, quem quer terra é pobre aproveitador. Um pobre correto busca outro trabalho!)
A confusão se instaura quando muitas das decisões são revogadas e ministros afastados (como o próprio Jucá, citado em link acima). Nós publicamos a nossa análise do ministério, vindo de outra fonte, aqui.

E agora estamos aqui.
A Operação Lava-Jato, ícone para muitos do “combate à corrupção” caminha a passos de tartaruga. Como que se já tivesse cumprido a função pré-determinada…
A tal redução de gastos virou chacota. Um dos maiores aumentos de salários do STF e poder judiciário está em curso. Aumento, lembremos, vetado por Dilma no ano passado e adiado por Meirelles no momento da posse (para não correr o risco de causar problemas e revoltas no princípio da “retomada”).
Tal aumento, certamente desencadeará outros tantos. Pois os outros poderes terão prerrogativas de equiparação.
E o rombo, que seria de R$139 bilhões, pode passar facilmente dos 200!
E, ao meu ver, isso não preocupa o presidente interino, nem a sua equipe. Parodiando Ciro Gomes: “Cobrar austeridade de Temer é esperar maracujá em pé de maçã” (aqui)

Ainda espero a mágica do fim da corrupção, do fim da crise, do crescimento industrial, do Brasil rico!
Pois a mágica do Brasil igualitário, essa está cada dia mais distante…
Enquanto esperamos, vemos coisas como o plano de demissões voluntárias da Embraer. Numa economia em plena recuperação…

por Celsão revoltado

figura: composição entre figuras retiradas daqui e daqui

 

Neste último sábado, 02 de julho de 2016, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, deu uma entrevista ao vivo para o jornal televisionado Upfront, da Al Jazeera.
Para assistir à entrevista com legenda em português, clique Aqui
Ou sem legenda, no próprio site da Al Jazeera (Aqui)

É inegável que FHC é um dos políticos mais importantes da história do Brasil, bastando para isso o fato de ter sido presidente por 8 anos. A partir do Plano Real, Fernando Henrique começou a fazer jogadas políticas, no mínimo, de cunho desleal, para chegar até o poder: a começar com o próprio Plano Real, onde FHC se auto-intitulou de “pai do Real”, como forma de chegar à Presidência.

Um homem que em meio a alguns acertos políticos e econômicos importantíssimos durante seu governo, carregará o legado das privatizações criminosas e da entrega de nossos recursos para o capital estrangeiro. Carregará o peso do trabalho tímido feito nas áreas humanas e sociais. Carregará o aumento da dívida pública, da dívida externa e da dívida com o FMI. Carregará escândalos, documentos revelados por Snowden e Wikileaks, que mostram que seu governo tinha um “pacto de sangue” com os EUA, e os interesses yankees eram priorizados, muitas vezes inclusive em detrimento dos interesses da própria Nação Brasileira e de seu povo. Portanto, ele carregará a mancha de ter feito um governo anti-soberano e anti-nacionalista.

FHC_AlJazeera

Entrevista

Dos méritos de FHC:
Ele apresenta um bom inglês, com bom vocabulário e bastante fluência (nada novo para mim, que já assisti a outras entrevistas dele em inglês).
O que mais me admira é a coragem de colocar a cara a tapa em um programa da Al Jazeera, mídia extremamente competente e profissional, de orientação de esquerda, e principalmente, anti-imperialismo ocidental (EUA/Europa), ou seja, uma empresa de mídia com ideologias bastante contrárias às de FHC.

Dos pecados de FHC:
Com mais de 80 anos, ao invés de caminhar para um final de vida maduro, brando, pacífico, transmitindo sabedoria e formando opiniões harmoniosas como um sábio idoso formador de opinião, prefere ele intensificar a hipocrisia e o cinismo, defendendo seus próprios interesses pessoais ao invés de pensar no futuro da sociedade brasileira. É incapaz de responder a algumas perguntas, e as evita, por vezes, por mais de 5 vezes, mesmo com a insistência do moderador. Uma máscara de falsidade, cara-de-pau, que eu, do fundo do meu coração, preferiria não assistir sendo vestida por um senhor como ele, que acumula anos de intensa história política e de experiências pessoais, certamente, riquíssimas.
Eu lamento termos que presenciar tais cenas.

Como seria aliviador, ver o Sr. Cardoso sendo sincero, e falando de forma serena, firme, ética, sem interesses pessoais, transmitindo uma sabedoria pura, e servindo de inspiração intelectual e moral para nosso povo.

Já sem expectativas políticas, devido a sua idade já avançada para tal, poderia praticar nos anos que lhe restam, atos e discursos valiosos para elucidar e desobscurecer a mente desta sociedade tomada pela alienação, fanatismo e ódio.

Eu lamento vê-lo gaguejando para defender monstros como Michel Temer, Eduardo Cunha, entre outros, e se manter firme na acusação retórica, cínica e hipócrita contra uma mulher de ética inabalável, que é a Dilma.
Do fundo do meu coração, é tanto desalento, que a vontade é de chorar.

* Para interessados, eu aconselha acompanhar o trabalho da mídia Al Jazeera. Extremamente profissionais, com corpo de colaboradores competente e com foco na informação e na criação de um pensamento crítico dos ouvintes/espectadores, numa batalha contra o senso comum. Possuem um posicionamento corajoso e rígido contra as atrocidades que as potências ocidentais praticam mundo afora, atrocidades essas omitidas ou amortecidas por todas as grandes mídias do mundo.

por Miguelito Nervoltado

figura retirada do próprio vídeo

Dilma_Cabisbaixa
Privar o Palácio Alvorada de comida (comida para Dilma).
Restringir os voos de Dilma.
Proibir a TV pública de usar a palavra Presidenta.

Para qualquer pessoa com um mínimo de sanidade mental e honestidade intelectual, SÓ isso já é suficiente para entender que o Brasil está vivendo um golpe de Estado, com características presentes em qualquer ditadura da história.

E olha que nem mencionei o processo de impeachment, que ocorreu sem legalidade constitucional, pois faltaram os princípios geradores de Impeachment. Nem mencionei as conversas de Jucá, Sarney, Calheiros, etc, onde confessam tirar a Dilma para se livrarem da Lava-Jato, tampouco mencionei que, também nessas conversas gravadas, o Ministro da Transparência (órgão máximo anti-corrupção), Fabiano Silveira, dá dicas a Renan Calheiros de como driblar a Lava-Jato.

Não mencionei que a Transparência Internacional, maior organização do mundo no combate à corrupção, rompeu relações com o Brasil e o governo Temer, após o escândalo envolvendo o Ministro Fabiano Silveira. (Aqui)

Olha que não mencionei que documentos do Wikileaks e de Snowden (NSA) revelam SEM CHANCE DE REFUTAÇÃO, que Michel Temer serviu de informante para inteligência americana CONTRA os interesses nacionais do Brasil, o que configura o crime mais grave contra a soberania da nação.

Nem mencionei que, entre os ministros de Temer, não há 1 negro nem 1 mulher, e que mais de 70% dos ministros sofrem atualmente processos judiciais por corrupção e outros crimes até mais graves (esse corpo do Governo JAMAIS venceria uma eleição, e só é possível assim, tirando um presidente eleito democraticamente pelo voto, e se apoderando do Estado sem a menor legitimidade do povo)…..

Não mencionei que TODOS os ministérios extintos pelo Governo Temer, são ministérios que servem aos já poucos direitos de minorias, e/ou que servem à cultura e educação do povo. E que os cortes públicos que estão ocorrendo, todos eles, somente impactam o bolso e as vidas do povo pobre, já tão sofrido…. enquanto isso, servidores do judiciário e cargos políticos como os parlamentares, têm “gordo” aumento salarial aprovado pela Câmara em MEIO Á CRISE e a CORTES DE GASTOS PÚBLICOS.

Nem mencionei que José Serra, Ministro das Relações Exteriores, já anuncia medidas claras para abrir a exploração de nosso Petróleo para o capital estrangeiro, e já “abana o rabo” para a privatização total ou parcial da Petrobrás (os recursos advindos do Petróleo representa”va”m o nosso sonho de um país realmente melhor, e emancipado.

Eu nem mencionei….. Ah, nem mencionei um monte de coisa.

Mesmo que você não acredite, com toda essa boa/má-fé sua, que não houve golpe de Estado, pelo menos, o mínimo que você deveria aceitar e entender, é que o maior golpe está sendo dado contra o POVO brasileiro e em nossa soberania enquanto Nação.

* Assistam ao vídeo, de apenas 3 minutos, inspirador deste texto. Comentários de política com Bob Fernandes (Aqui)

por Miguelito Formador

figura daqui

Compartilhamos um texto originalmente publicado no viomundo (aqui) e assinado pelo jornalista Renan Quinalha.
Confesso que é estranho pra mim a palavra “brasilianista”, ainda mais quando este tal “estudioso do Brasil” é um americano, vulgo “gringo”.

São estes mesmos especialistas que variam as notas e brincam com o grau de investimento do país. E provavelmente os mesmos que, do outro lado, incentivam seus compatriotas a comprar ações da Petrobrás (aproveitando a temporária desvalorização irreal) e/ou filiar-se a empresários brasileiros da 3G Capital.

Mas a análise feita pelo especialista James Green (a esquerda na foto) é, no mínimo interessante. Principalmente por escancarar o apoio do governo de seu país à ditadura brasileira iniciada em 1964, correlacionando-a ao apoio dado em carta pelo Embaixador Michael Fitzpatrick (direita) sobre o impeachment da presidente Dilma em processo no Brasil.

Aproveito para traçar um paralelo com uma declaração mais recente, do Papa Francisco, sobre o que chamou de “golpes suaves” na América Latina (aqui)

Tirem suas próprias conclusões.

por Celsão correto e Miguelito Formador

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Green_embaixador

Um dos maiores brasilianistas da atualidade, o professor James N. Green da Brown University (EUA), enviou hoje uma carta aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick, representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA), contestando as declarações deste no sentido de que o processo de impeachment no Brasil seria legítimo por estar conforme os procedimentos constitucionais e as regras democráticas.

Green começa a carta afirmando: “Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos”.

Após examinar detidamente como o golpe de 1964 “respeitou” alguns procedimentos formais e legais para manter sua aparência de legitimidade, James Green analisa diversos aspectos do atual processo do impeachment que, guardadas as devidas proporções, em muito se aproximam do golpe que deu início à ditadura militar.

E conclui assim sua carta: “Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la”.

A íntegra da carta segue abaixo, traduzida em português, e na sua versão original, em inglês.

 Renan Quinalha é advogado, doutorando em Relações Internacionais pela USP e Visiting Research Fellow na Brown University, EUA.

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19 de maio de 2016.

Carta Aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick

Representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA)

Caro Embaixador Fitzpatrick,

Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos.

Você declarou o seguinte: “Há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes. No Brasil, é claramente a lei que prevalece, emergindo com soluções pacíficas para as disputas”. Você também afirmou: “Nós não acreditamos que isso seja um exemplo de um “golpe brando” ou, para esse efeito, um golpe de qualquer tipo. O que aconteceu em Brasil cumpriu rigorosamente o procedimento legal constitucional e respeitou totalmente as regras democráticas”.

Esses são precisamente os argumentos que o Embaixador Lincoln Gordon usou 52 anos atrás, quando ele insistiu que a administração Johnson imediatamente endossou a tomada do poder pelos militares, que foi legitimada pela aplicação formal da Constituição e pela votação majoritária do Congresso.

Tenho certeza de que você esteja familiarizado com a história recente do Brasil. Mesmo assim, vale certamente a pena uma revisão, dada a situação atual. Peço desculpas se minhas observações são extensas. Eu sou um historiador e, honestamente, acredito que o entendimento do passado é importante para compreender o presente. E, como o compositor brasileiro Tom Jobim uma vez gracejou, “o Brasil não é para principiantes”.

Em 1960, Jânio Quadros, um candidato de centro-direita, foi eleito presidente. João Goulart, um político de centro-esquerda, tornou-se vice-presidente, porque se votava separadamente para presidente e vice-presidente. Sete meses depois, Quadros repentinamente renunciou do cargo. Setores militares tentaram, sem sucesso, impedir Goulart de assumir a presidência.

A direita, infeliz com o fato de que Goulart assumiu o cargo, organizou uma ampla coalização para retirá-lo do poder. Ela incluiu a Igreja Católica, empresários, grande mídia e grandes setores das classes médias. Esses eventos ocorreram em um contexto de uma crise econômica, inflação e movimentos de base de trabalhadores, camponeses e marinheiros clamando por maior inclusão econômica e social.

Como já foi largamente documentado e revelado pelos documentos liberados do Departamento de Estados dos EUA, o Embaixador Lincoln Gordon e o seu adido militar Vernon Walters ativamente apoiaram a conspiração para depor Goulart. Eles usaram os argumentos da Guerra Fria, segundo os quais Goulart estava sendo manipulado pelo Partido Comunista Brasileiro, que ele era corrupto e que ele queria assumir um poder ilimitado. Eles garantiram aos generais brasileiros que, caso eles forçassem a saída de Goulart do cargo, o governo norte-americano daria apoio ao novo governo que assumisse. A administração de Johnson chegou a organizar a Operação Brother Sam, que mandou porta-aviões, armas, suprimentos, para apoiar as tropas rebeldes caso uma guerra civil eclodisse.

Brasilianistas

No dia 31 de março, tropas marcharam no Rio de Janeiro para depor Goulart. No dia seguinte, o presidente voou do Rio de Janeiro para Brasília para mobilizar apoio político contra essa tomada ilegal do poder. Ele queria evitar o derramamento de sangue, então ele não convocou seus apoiadores a resistir ao golpe de Estado.

Assim que o avião decolou, o Presidente do Senado e o Presidente da Corte Suprema, argumentando que eles estavam seguindo os procedimentos constitucionais, empossaram Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados, como Presidente em exercício. De acordo com a Constituição, o Congresso tinha trinta dias para escolher um novo presidente. Hoje, todo mundo, exceto os que defendem a ditadura militar, chamam esses eventos de golpe de Estado, o golpe de 1964.

Em vários telegramas com a Casa Branca, o Embaixador Gordon argumentou que o que se passou no Brasil cumpria perfeitamente com os procedimentos legais constitucionais e respeitava totalmente as regras democráticas. Ele trabalhou duro para convencer o Presidente Johnson a reconhecer o novo governo, o que foi feito no dia 2 de abril, legitimando o golpe e colocando o selo de aprovação do governo dos EUA nessa mudança ilegal de poder que foi implementada de acordo com “os procedimentos legais constitucionais”.

No dia 11 de abril, os 295 membros do Congresso elegeram o General Castelo Branco como Presidente do Brasil. Isso completou a transição “democrática” de um governo legalmente eleito para uma ditadura militar ilegítima.

Imediatamente depois de reconhecer o governo de Mazzilli, no dia 3 de abril, o Presidente Johnson chamou os líderes do Congresso para a Casa Branca para convencê-los de que o governo dos EUA estava apoiando a democracia no Brasil. O senador democrata Wayne Morse, de Oregon, deixou o encontro e declarou para a imprensa: “os acontecimentos no Brasil não resultaram da ação de uma junta militar ou de um golpe. Ao invés disso, a deposição da presidência do Brasil resultou de um desenvolvimento no qual o Congresso do Brasil, agindo sob a Constituição, foi a força condutora e foi reforçado por um grupo militar que garantiu a preservação do sistema constitucional brasileiro”.

Em comentários para seus colegas senadores mais tarde naquele mesmo ano, Morse reiterou suas conclusões:“Nesta noite, nenhum senador pode citar o Brasil como um exemplo de ditadura militar, porque ele não é. O autogoverno por parte do povo brasileiro continua prosseguindo. Se alguém pensa que não, deixe-o olhar ao que está acontecendo no Brasil com o respeito ao intercâmbio de pontos de vista no Parlamento, na imprensa e em muitas fontes e forças da opinião pública”.

Um ano depois, em outubro de 1965, quando o governo militar aboliu as eleições presidenciais, Morse chegou a uma conclusão diferente. Percebendo que as armadilhas do regime democrático eram só para manter as aparências, ele afirmou: “novidades da captura do poder ditatorial pela junta militar brasileira assinala uma reversão para a liberdade na América Latina. O que é ainda pior é a continuidade do apoio financeiro americano a esse regime (…) As semânticas de Washington e da trama brasileira, buscando acalmar os receios pelas instituições democráticas naquela grande nação, não vão enganar qualquer um, mas aqueles que querem ser enganados”.

Muitos que lutaram contra o regime militar e muitos outros que lembram ou que estudaram sobre o regime autoritário têm sustentado que a manobra política em curso para expulsar o governo eleito democraticamente da Presidenta Dilma Rousseff é um outro golpe de Estado.

Você afirmou, vigorosamente, que “há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes” no Brasil hoje. Mas será mesmo isso? Estaria você, como o Senador Wayne Morse em 1964, talvez sendo enganado pelas aparências de procedimentos democráticos e separação de poderes no processo de impeachment porque não há tanques nas ruas e nem generais no comando do governo?

Como pode ter havido procedimento democrático na Câmara dos Deputados quando Eduardo Cunha, que controlava totalmente essa instituição, foi afastado do seu cargo um semana após a votação de admissão do processo do impeachment? Um pedido para seu afastamento dessa posição havia sido feito em dezembro do ano passado por desvio de finalidade e abuso de poder, mas o membro da Suprema Corte sentou sobre esse pedido até que Cunha tivesse garantido que a oposição teria os dois terços necessários para aprovar o seguimento do processo do impeachment da Presidenta Dilma. Quantos congressistas Cunha e seus aliados compraram ou ganharam com suas promessas de um novo governo? Como um processo conduzido por uma pessoa que é processada por lavagem de dinheiro e por recebimento de suborno pode ser legitimado?

Como pode haver separação de poderes quando integrantes da Suprema Corte fazem afirmações públicas sobre casos que estão sob sua alçada, revelando suas opiniões políticas na mídia, pré-julgando casos e, com isso, influenciando o debate público e os atores políticos? Além disso, a Suprema Corte tem sido excessivamente arbitrária em decidir quais casos analisar, levando quase seis meses para julgar o afastamento de Eduardo Cunha e proferindo uma decisão veloz contra a indicação de Lula para um cargo no governo Dilma. Esses casos são exemplos, dentre tantos outros, das maneiras perversas como o Judiciário se enredou com a política, ao invés de permanecer separado dela.

Como você pode dizer que houve procedimentos democráticos quando agentes da polícia e do sistema de justiça vazam seletivamente informações da Operação Lava Jato para criar um clima hostil ao governo e aos seus aliados? Por que era um desvio de finalidade a Presidenta Dilma nomear o ex-Presidente Lula como seu ministro da Casa Civil sob alegação de que ele estaria supostamente esquivando-se das investigações, quando o Presidente interino Michel Temer indicou sete pessoas sob investigação para ministérios? Não estaria ele abusando do seu poder em um esforço para proteger seus aliados?

Por que a Presidenta Rousseff está sendo acusada de violação à Lei de Responsabilidade Fiscal pela prática de pedaladas, sendo que o Presidente interino Michel Temer fez exatamente a mesma coisa enquanto substituía a presidenta em viagens desta? E os antecessores, presidentes Lula e Cardoso, que também praticaram atos semelhantes, para não falar de pelo menos 16 governadores, incluindo Aécio Neves, que também fizeram as pedaladas?

Você também falhou em assinalar no seu discurso outra deficiência na situação política atual do Brasil, ou seja, a liberdade de imprensa (e das mídias de massa em geral) apenas para os que são proprietários delas. Hoje, as forças conservadoras que controlam os maiores jornais, revistas e canais de televisão sistematicamente apresentam visões parciais dos acontecimentos apenas para influenciar a opinião pública. É como se a Fox New pudesse controlar todos os canais da grande mídia dos EUA. Felizmente, as mídias sociais estão servindo como uma fonte alternativa de informação, mas elas não têm o mesmo peso da mídia hegemônica.

A primeira semana do novo governo revelou uma agenda radicalmente nova, mas verdadeiramente antiga, para o Brasil, que pretende retroceder todos os avanços sociais que tiveram lugar nos últimos 30 anos desde o fim da ditadura. Aqueles que se sentiram ultrajados pelo fato de Michel Temer não ter indicado nenhum mulher ou pessoa negra para posições ministeriais não estão clamando por demagogia. Esse ato não é trapalhada de relações públicas.

Isso simboliza a intenção desse governo. Temer culpou seus aliados por não indicarem nomes de mulheres e negros, em um esforço para se eximir da responsabilidade. Ao menos seus comentários falam alto sobre a natureza dos seus aliados que o levaram ao poder e sobre a natureza desse novo governo “democrático”. Na primeira semana de sua gestão, ele já anunciou que vai reduzir direitos sociais, com cortes no sistema de seguridade social, educação e moradia, que afetam largamente os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la.

Respeitosamente,

James N. Green
Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University
Director of the Brown-Brazil Initiative

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May 19, 2016

An Open Letter to Ambassador Michael Fitzpatrick

U.S. Representative at the Organization of American States

Dear Ambassador Fitzpatrick:

I was extremely disappointed to read today that you have unequivocally argued that impeachment process currently taking place in Brazil is democratic and legitimate. While acknowledging the dangers of comparing historical events from different time periods, the U.S. government is running the risk of repeating a tragic mistake it make in April 1964 when President Lyndon B. Johnson recognized the military dictatorship that had taken power, which ended up ruling the country for twenty-one years.

You have declared that: “There is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers. In Brazil it is clearly the law that prevails, coming up with peaceable solutions to disputes.” You have also stated: “We don’t believe that this is an example of a ‘soft coup’ or, for that matter, a coup of any sort. What happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms.”

These are precisely the arguments that U.S. Ambassador Lincoln Gordon used fifty-two years ago when he insisted that the Johnson administration immediately endorse the seizure of power by the military, which was legitimized by the formal application of the Constitution and a majority vote in Congress.

I am sure that you are familiar with the recent history of Brazil; nevertheless, it is certainly worth reviewing, given the current situation. I apologize if my remarks are extensive. I am an historian, and I honestly believe that understanding the past is important for comprehending the present. And, as Brazilian composer Tom Jobim once quipped, “Brazil is not for beginners.”

In 1960, Jânio Quadros, a Center-Right candidate, was elected president. João Goulart, a Center-Left politician, became vice president on a split ticket. Seven months later, Quadros suddenly resigned from office. Sectors of the military unsuccessfully tried to block Goulart from assuming the presidency.

The Right, unhappy with the fact that Goulart had taken office, organized a broad coalition to overthrow him. It included the Catholic Church, entrepreneurs, the major media, and large sectors of the middle classes. These events took place within the context of an economic crisis, inflation, and grassroots movements of workers, peasants, and sailors clamoring for greater economic and social inclusion.

As has been widely documented and revealed in declassified U.S. State Department documents, U.S. Ambassador Lincoln Gordon and his military attaché Vernon Walters actively supported the conspiracy to overthrow Goulart. They used Cold War arguments that Goulart was being manipulated by the Brazilian Communist Party, that he was corrupt, and that he wanted to assume unlimited power. They assured Brazilian generals that if they forced Goulart out of office, the U.S. government would back the regime that replaced it. The Johnson administration even organized Operation Brother Sam, which sent aircraft carriers, arms, and supplies to back rebel troops should a civil war breakout.

On March 31, troops marched on Rio de Janeiro to overthrow Goulart. The next day, the president flew from Rio de Janeiro to Brasília to mobilize political support against this illegal seizure of power. Realizing that he would be unsuccessful, he took his family to his ranch in southern Brazil. He wanted to avoid bloodshed, so he did not call on his supporters to resist the coup d’état. As soon as his airplane took off, the President of the Senate declared that he had abandoned his office. The President of the Senate and the President of the Supreme Court, arguing that they were following constitutional procedures, swore in Ranieri Mazzilli, President of the Chamber of Deputies, as Acting President. According to the Constitution, Congress had thirty days to choose a new president. Today everyone, except defenders of the military dictatorship, call these events a golpe de estado, the coup d’état of 1964.

In numerous cables to the White House, Ambassador Gordon argued that what happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms. He lobbied hard for President Johnson to recognize the new government, which he did on April 2, legitimizing the golpe and placing the U.S. government’s seal of approval on this illegal change of power that was implemented with “legal constitutional procedures.”

On April 11, the 295 members of Congress elected General Castelo Branco as President of Brazil. This completed the “democratic” transition from a legally elected government to an illegitimate military dictatorship.

Immediately after recognizing the government of Mazzilli, on April 3, President Johnson called leaders of Congress to the White House to convince them that the U.S. government was supporting democracy in Brazil. Democratic Senator Wayne Morse of Oregon left the meeting and declared to the press: “The developments in Brazil did not result from action by a military junta or from a coup by a military junta. Instead, the overthrow of the presidency of Brazil resulted from developments in which the Congress of Brazil, acting under the Constitution of Brazil, was the guiding force, and was reinforced by a military group which backed up the preservation of the Brazilian constitutional system.”

In comments to his fellow Senators later that year, Morse reiterated his conclusions: “Tonight no Senator can cite Brazil as an example of a military dictatorship, because it is not. Self-government on the part of the Brazilian people continues to proceed. If anyone thinks not, let them look at what is happening in Brazil with respect to an exchange of points of view in Parliament, in the press, and in many sources and forces of public opinion.”

A year later, in October 1965, when the military government abolished direct presidential elections, Morse came to a different conclusion. Realizing that the regime’s democratic trappings were for appearances’ sake only, he stated: “News of the seizure of dictatorial power by the Brazilian military junta marks a disastrous reversal for liberty in Latin America. What is even worse is the continuation of American financial backing of such a regime. . . . The semantics from Washington and from the Brazilian cabal, seeking to allay fears for democratic institutions in that great nation, will not fool any but those who want to be fooled.”

Many who fought against the military regime and many others who remember or have studied about its authoritarian rule have argued that the current political maneuvers to oust the democratically elected government of President Dilma Rousseff is another coup d’état. You have forcefully argued that “there is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers” in Brazil today. But is that the case? Are you, like Senator Wayne Morse in 1964, perhaps being fooled by appearances of constitutional procedures and separation of powers in the impeachment process when there are no tanks in the streets and no generals heading the government?

How can there have been a democratic procedure in the Chamber of Deputies, when Eduardo Cunha, the president of that body, who entirely controlled that house, was removed from his office a week after the vote to recommend to the Senate impeachment proceedings? An appeal had been made to remove him from that position last December for abuse of power, but a member of the Supreme Court sat on the request until it was clear that Cunha had ensured that the opposition had the necessary two-third vote to favor the impeachment of President Rousseff. How many Congresspersons did Cunha and his allies buy or win over with promises to be in the new government? How can a process overseen by a person who had been indicted for money laundering and taking bribes be legitimate?

How is there a separation of powers when members of the Supreme Court make public statements about cases that are under consideration, reveal their political opinions in the media, pre-judge cases that have not yet been tried, and with this influence the public debate and political actors? Moreover, the Supreme Court has been excessively arbitrary in deciding which cases to review, taking six months to issue an injunction against Eduardo Cunha and then making a speeding decision against the appointment of Lula to a post in Rousseff’s government. These cases are examples, among many, of a perverse ways in which the judiciary has become enmeshed in politics, rather than remaining separate from it.

How can you say that there have been democratic procedures when agents of the police and justice systems selectively leaked information from the Lava Jato (Car Wash) corruption investigations to create a climate hostile to the government and its allies? Why was it an alleged charge of a misuse of a function for President Rousseff to appoint ex-President Lula as her Chief of Staff because she was supposedly shielding him from corruption investigations, when Interim President Michel Temer has appointed seven people under investigation for corruption to ministerial positions? Isn’t he abusing his power in an effort to protect his allies?

Why is President Rousseff being charged with violating the Law of Fiscal Responsibility for pedaladas, when Interim President Michel Temer did the exactly the same thing when he was acting President during times that Rousseff was out of the country? And what about her predecessors, Presidents Lula and Cardoso, who engaged in similar budgetary actions, to say nothing of at least sixteen Brazilian governors, including Aécio Neves, President Rousseff’s rival in the 2014 election.

While you did not mention it in your declarations, you also failed to point out another shortcoming in the current political situation in Brazil, namely, a situation in which there is freedom of the press (and the mass media in general) only for those who own it. Today conservative forces, which control the major newspapers, magazines, and television stations, systematically present partial reporting on events in order to influence public opinion. It is as if Fox News were to control all of the major media outlets in the United States. Fortunately, social media has served as an alternative source of information, but it doesn’t have the weight of the mainstream media.

The first week of the new government has revealed a radical new, but actually old, agenda for Brazil that intends to rollback all of the progressive social changes that have taken place over the last thirty years since the end of military rule. Those who were outraged by the fact that Michel Temer did not appoint a single woman or a person of African-descent to ministerial positions were not clamoring for tokenism. That act was not a public relations blunder. It symbolized the intent of a government. Temer blamed his allies for not provided names of women and Afro-Brazilians, in an effort to free himself of responsibility for the appointments. Yet his comments speak loudly about the nature of his allies that brought him to power and the nature of the new “democratic” government. In the first week of his governance, he has already announced that he is going to reduce social rights in the countryside and introduce cutbacks in the social security system, education, and housing, all of which will largely affect the poorest sectors of Brazilian society.

In 1964, the U.S. government was on the wrong side of history. It never apologized to the Brazilian people for supporting a military dictatorship. Now, five decades later, I fear that it is once again endorsing an illegitimate process. Those who don’t learn from history are forced to repeat it.

Respectfully,

James N. Green

Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University

Director of the Brown-Brazil Initiative

Jucá_grampo
E não é que nem bem o “corpo esfriou” e o atual governo já mostrou as suas verdades…

Grampo telefônico ao Senador Romero Jucá (PMDB-RR), hoje Ministro do Planejamento de Temer, traz revelações “interessantes” sobre as intenções do impeachment e os bastidores da Lava-Jato (trecho da conversa na figura ao lado/acima).
Inclusive, na conversa gravada, o senador afastado havia mencionado que o impeachment de Dilma serviria para frear as investigações da Lava-Jato, a qual envolve todos os grandes partidos brasileiros.

No diálogo telefônico entre Jucá e o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, alguns dos nomes em destaque foram: Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros, Aécio Neves.
Sérgio Machado, antes do PSDB e hoje filiado ao PMDB, diz que “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio [referindo-se a Aécio Neves]”, e que “O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…” (AQUI)

Surpresa?
A minha foi ver explicita- e declaradamente a revelação.
Para os que nos acompanham, para pessoas com discernimento, para outros “esquerdopatas”, o fato implícito da “Operação Fode PT”, a caça à corrupção, era pura maquiagem.
E, infelizmente, o bloqueio à operação Lava-Jato uma vez condenados os políticos petistas e aliados, era uma questão de tempo.

CapturarDiscuti com alguns amigos e colegas nas últimas semanas, expondo o prejuízo que previa, após o afastamento de Dilma: o surgimento de uma “Grande Pizza”, que ofuscaria a corrupção e os desmandos, latente em todos os partidos e instituições.
A “Pizza” serviria como panos quentes aos aliados da oposição a Dilma.
E como “tapa na cara” aos que foram a favor do impeachment usando o argumento de moralização.

Já haviam sinais implícitos, como o próprio corpo ministerial de Temer, divulgado por nós aqui.
Argumentos que os “isentões” ou desinformados poderiam refutar. “Coincidências”, ” teoria da conspiração”, diriam outros.
Mas foi tão explícito e grotesco, que Jucá já foi afastado, ou melhor, “pediu licença”. (aqui)

Também os militares são citados na conversa. Jucá diz: “Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
Ou seja, setores das forças militares, compactuantes com o Golpe, estariam de olho no MST, caso estes decidissem criar resistência e protestar/lutar pela democracia e a favor da Presidente Dilma. Salvando as devidas proporções, ler isso dá um Déjà-Vu de 1964. (AQUI)

Outro fato esdrúxulo da conversa telefônica revelada entre Romero Jucá e Sérgio Machado, é o envolvimento do nosso STF (Supremo Tribunal Federal), o órgão máximo da justiça do Brasil; que no frigir dos ovos não parece ser tão imparcial assim, como alguns insistem em acreditar. (eu mesmo faço minha mea culpa – Celsão)
Jucá fala claramente que um dos únicos Ministros com os quais ele não tem ligação é o Teori Zavascki (AQUI). E que seria preciso encontrar alguém que tenha ligação com este… Caso de cadeia! Obstrução da justiça (ou tentativa de). Algo semelhante ocorreu para que prendessem o agora ex-Senador Delcídio.
Fato que, aliás, desencadeou todo este “esquema”, ou como disseram os próprios envolvidos, “Acordo Nacional”, a ser fechado com Michel Temer, com o Supremo, com todo mundo…

O que acontece daqui para frente?
Teremos uma investigação imparcial de todos os envolvidos? Principalmente aqueles já citados anteriormente em delações da Lava-Jato? Apenas Jucá será deposto e condenado (talvez preso), tornando-se ele próprio o “boi de piranha” necessário ao processo? Teremos realmente a “Grande Pizza” quanto à corrupção e à operação Lava-Jato?

Façam suas apostas.

Por Miguelito Formador e Celsão Correto

figura retirada da Mídia Ninja no Facebook

P.S.: Essa noite acompanhei o Jornal Nacional, curioso pela reação de William Bonner. Ele não estava na apresentação do programa, que obviamente não contou com narrações apaixonadas do conteúdo vazado DESSE áudio. O caso foi narrado sem emoção, que surgiu na reportagem sobre a crise de abastecimento na Venezuela, por exemplo…

Como nos últimos tempos todos nós brasileiros nos concentramos em demasia na questão do Impeachment da Presidente Dilma, acabamos dando pouca atenção a outras questões que correm em paralelo.

Resolvi dar minha contribuição para que o leitor possa se atualizar, tomando conhecimento de algumas notícias e fatos bizarros ocorridos nas semanas que antecederam ao Impeachment; ações de nosso Vice-Presidente (Michel Temer – hoje Presidente), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha – recentemente “temporariamente” afastado de seu mandato como deputado por decisão do STF), e do nosso Congresso Nacional (a voz do “povo”).
Vejam as últimas manchetes sobre estes, que buscam derrubar a Presidente Dilma Rousseff com a promessa de fazerem uma “limpeza ética” na política brasileira, e realizarem um Governo para o “povo”.

Obs: ressalto que essas notícias ocorreram antes da votação do impeachment pelo Senado. Pretendo fazer um post na mesma linha, ressaltando as notícias do pós-impeachment no Senado.

Senado_Composicao

  • GLOBO

O Globo, 19.04.2016
Cunha diz que não votará qualquer projeto enviado pelo Governo Dilma, a não ser que seja para “derrubar”
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Temer promete aos ruralistas (Agronegócio) revisar desapropriações e demarcações
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Eduardo Cunha foi derrotado na discussão sobre criação da Comissão da Mulher, que deveria ser adiada. Mas forçando nova votação, aprovou a criação do Colegiado
AQUI

Globo, 26.04.2016
Fernando Collor vai a Temer propor programa contra Crise
AQUI

Globo, 27.04.2016
Dilma vetou no passado, mas Câmara acelera votação do reajuste do judiciário
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Após reprovar filha de Eduardo Cunha em exame de condução (Exame Nacional de Trânsito), em 2008, funcionário do Detran é acusado de extorsão e é suspenso. O mesmo tenta anular até hoje a punição dada em 2009
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Documento de Temer prevê privatização de “tudo o que for possível”
AQUI

  • FOLHA

Folha, 08.04.2016
Cunha quer colocar parentes de Deputados no plenário durante votação do Impeachment, e ainda pretende evitar a presença de manifestantes
AQUI

Folha, 27.04.2016
Temer abre espaço na agenda para receber benção de Silas Malafaia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Temer sonda Bispo da Igreja Universal para ser Ministro da Ciência e Tecnologia. (Nada melhor que alguém com a agenda mais retrógrada, conservadora e anti-científica, que trabalha com a mistificação, o obscurantismo e o charlatanismo para administrar toda a pesquisa científica do país)
AQUI

Folha de São Paulo, 02.05.2016
Bispo licenciado da Igreja Universal é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Em vídeo com Marco Feliciano, Michel Temer pede orações e prega “pacificação”
AQUI

Folha, 12.05.2016
Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel
AQUI

  • ESTADÃO

Estadão, 15.04.2016
Delator aponta propina de 56 milhões a Eduardo Cunha
AQUI

Estadão, 28.04.2016
Sem alarde, comissão do Senado aprovou PEC que derruba a legislação ambiental para licenciamento de obras públicas
AQUI

  • BRASIL 247

Brasil247, 12.04.2016
Roberto Jefferson pede a Temer linha dura com movimentos sociais
AQUI

Brasil247, 27.04.2016
Ministério Público do Maranhão pede prisão de até 29 para Roseana Sarney. Temer quer Roseana como Ministra da Educação
AQUI

Brasil247, 29.04.2016
Globo defende “reformas e ajustes” anunciados por Temer
AQUI

Brasil247, 01.05.2016
Base aliada de Temer é a mais Ficha Suja da história
AQUI

  • UOL

Uol, 25.04.2016
Bancada da Bala (armamentistas), Bíblia (evangélicos) e Boi (ruralista), que foram essenciais na votação do Impeachment, já começam a pressionar Temer
AQUI

Uol, 30.04.2016
Juíza proíbe estudantes da UFMG de discutir Impeachment de Dilma
AQUI

Uol, 03.05.2016
Câmara aprova caráter de urgência no reajuste salarial dos Ministros do STF e servidores do MPU
AQUI

  • OUTROS

O povo, 25.04.2016
Serra deve assumir Ministério da Educação em governo Temer
AQUI
(@ acabou assumindo o Ministério das Relações Exteriores, ainda mais apropriado, para um cidadão de lema: PRIVATIZAÇÃO)

Exame, 26.04.2016
Grupo de Temer quer cortes na saúde e educação
AQUI

Infomoney, 26.04.2016
Moro é eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time
AQUI

Infomoney, 27.04.2016
Ruralista, deputado Marcos Montes, vai propor a Temer mudar a Constituição para que Exército possa atuar com MST
AQUI

Pátria Latina, 27.04.2016
Temer diz que pedido de eleições diretas no caso de afastamento de Dilma é tentativa de Golpe
AQUI

Exame, 27.04.2016
Proposta de Emenda Constitucional, já apelidada de PEC anti-Lula, prevê proibição de candidatura a quem não tiver curso superior
AQUI

Revista Fórum, 28.04.2016
Em discurso contra a criação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, deputado afirma que mulheres “de verdade” não querem ser empoderadas, mas sim cuidadas. Ele ainda afirmou que feministas são mal amadas
AQUI

Expressão Sergipana, 28.04.2016
Projeto do deputado Laércio Oliveira proíbe que tempo no banheiro seja computado como horário de trabalho
AQUI

  • O que parece PIADA, mas não é

Globo, 09.05.2016
Waldir Maranhão, presidente em exercício da Câmara dos deputados federais, anula a votação do impeachment.
AQUI

Folha, 10.05.2016
Eis que misteriosamente, poucas horas mais tarde:
Waldir Maranhão revoga a anulação da sessão do impeachment
AQUI

  • Bônus: Quem tem CUNHA, tem medo – Old but gold

Temer-e-Cunha
Folha, 20.08.2015
Cunha recebeu propina por meio da Assembleia de Deus, acusa a Procuradoria Geral da República
AQUI

Pragmatismo Político, 09.10.2015
Jarbas Vasconcelos, fundador do PMDB, chama Cunha de “doente” e “psicopata”.
AQUI

Último Segundo,  04.11.2015
Bancada evangélica aprova PEC que dá à Igreja poder de questionar Supremo
AQUI

Estadão, 30.11.2015
Justiça Suíça multa Cunha por tentar criar obstáculos a investigação sobre contas
AQUI

por Miguelito Nervoltado

Imagens retiradas do Facebook e daqui, respectivamente

Impeachment

Nada tenho escrito, tamanha minha frustração e espanto com a sociedade brasileira. Parece-me em vão escrever para “analfabetos funcionais”.

Mas vou falar um pouco da mídia do país onde vivo, Alemanha.
A maior revista alemã, Spiegel, mais centro que esquerda, chama o processo do impeachment contra Dilma Rousseff de “Revolução dos hipócritas”.

Já no primeiro parágrafo eles dizem: “O Congresso brasileiro mostra sua verdadeira face. A maioria dos parlamentares não somente escolheram pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Estes parlamentares vem trazendo, através de artifícios no mínimo questionáveis, o Brasil a uma guinada para a direita”.

Lembrando que, quando um alemão fala de direita, ele não está a falar de capitalismo, EUA, etc…. ele está a falar de fascismo e nazismo.

A revista ainda lembra que a maioria daqueles que votaram a favor do impeachment, usando a palavra ética e combate à corrupção, são eles próprios políticos investigados por corrupção, enquanto contra Dilma, sendo afastada do cargo, nunca houve qualquer processo investigativo por corrupção!!!

Li nos últimos dias artigos alemães, espanhóis, portugueses (Portugal), e ingleses (EUA e Inglaterra), sempre na mesma linha.
Será que só os brasileiros não percebem a insanidade (hospício mesmo) que se passa em seu país? E pior, com a legitimação do próprio POVO!

Sequer sei como meus amigos de luta ainda têm alguma esperança. Pra mim, apesar de o brasileiro culpar a política, esta é o menor de nossos problemas. Cada um de nós é o maior dos problemas… somos reféns de uma cultura hipócrita, corrupta, individualista, mal educada, grosseira, agressiva, fútil, racista, machista, elitista, coronelista, vira-latista, e o pior, prepotente e arrogante, sendo essa última a responsável por não nos deixar enxergar todas as outras.

Será que estamos fadados ao fracasso e à barbárie eterna?

* Jornal brasileiro falando sobre o artigo da Spiegel: AQUI
* Artigo original da Spiegel: AQUI

* Artigo do The Economist, revista inglesa com orientação centro-direita, critica o processo de impeachment, e fala de cenas bizarras vistar no Congresso brasileiro: AQUI
* The Guardian, na mesma linha: AQUI

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio artigo da Spiegel

Post_02_Festa desdemocraciaNão sei como intitular o que está se passando…
Mas sei que a votação do impeachment será feita de forma declarada (cada deputado se dirigirá ao centro da casa e terá um tempo para explicar os porquês), iniciando-se as 14h de domingo.

Isso mesmo, DOMINGO. Num estabelecimento onde se trabalha normalmente três dias por semana, de terça a quinta.
Não haverá transmissão de partidas de futebol.
Aliás, sequer haverá partidas de futebol no dia mais tradicional para elas.
Mas, afinal, não é a Globo que manda (também) nos clubes de futebol e no calendário das confederações estaduais deste esporte?

Dizem que tampouco haverá Faustão. A rede televisiva “roubará” a melhor oportunidade de audiência que a TV Câmara terá nos últimos tempos.

E o que se espera de tudo isso?
Óbvio: que a votação chegue ao seu final ou ao menos já esteja definida no horário do Fantástico, a revista semanal do Brasil!
Parece piada, mas não é…

Estamos prestes a afastar uma presidente do poder. Uma presidente que teve (aceitando-se ou não) a maioria dos votos dos eleitores em pleito livre, há menos de dois anos.
E não há a seriedade que o ato de afastamento exige. Não há respeito!
Sequer respeito pelos que seguem contra o impeachment, por qualquer motivo que os leve a isso.
E se houverem confrontos na rua? Em frente ao Congresso em Brasília, na Avenida Paulista e em muitos outros lugares, haverá certamente populares pró- e contra-impeachment.

Ao invés da sociedade prestar um “luto democrático”, de conscientização de voto (imaginando que a esmagadora maioria dos votantes de Dilma tenha se arrependido do ato), teremos festas e celebrações.
(por falar em voto, não esqueçamos que, ainda neste ano, elegeremos representantes municipais, para os poderes Executivo e Legislativo)

Dentre as celebrações, haverá em São Paulo, em frente ao MASP, a apresentação do grupo “Carreta Furacão”, que tem os personagens Capitão América, Fofão, Mickey e Popeye como artistas (notícia aquilink alterado e funcionando).
De novo, não é piada!
O MBL (Movimento Brasil Livre) e seus apoiadores contratarão o grupo do interior de São Paulo para brindar (?), comemorar (?), achincalhar o momento, no melhor estilo “paulista golpista”.
Detalhe: o criador do personagem Fofão, Orival Pessini, é contra a utilização do personagem para esta festa de DESmocracia.

Mas não para por aí. A avacalhação segue…
O Partido Solidariedade, cujo líder é o deputado conhecido como Paulinho da Força, está organizando um bolão entre os deputados.
A meta é acertar o placar final da votação de domingo. E o prêmio vai somente para aquele que “cravar” o resultado. (notícia aqui)
Piada, ou palhaçada?
O Congresso não está preocupado com a repercussão desse fato, não está preocupado com sua própria imagem, nem com a governabilidade após o provável afastamento da presidente. Estão preocupados em qual deles acertará o número final do pleito.
É como se a instituição que melhor representa o povo (ao menos deveria), suas demandas e vontades, estivesse abandonado às chacotas!

Outra do Congresso: a ordem da declaração dos deputados.
Dizem que não seguirá critérios lógicos, como sorteio aleatório, ordem alfabética de nomes, de estados da federação ou ordem por partido (maiores bancadas iniciam, ou menor número de representantes primeiro)…
A ordem será definida pelo Sr. Eduardo Cunha e deve começar com representantes do Sul do país, em ordem “geográfica reversa”.
Como se entende e supõe que o Sul tem maior concentração de deputados contra o impeachment, é uma maneira clara de pressionar deputados que ainda não declararam seu voto e apoiadores. E também de reacender a estúpida disputa ou divisão observada logo após a reeleição de Dilma: Norte-Nordeste ignorante e Sul-Sudeste iluminado.
Como se já não bastasse a recente dicotomia que enfrentamos: direita = o bem, Deus; esquerda = o mau, Diabo, o PT.

Para completar a transmissão da Rede Globo no domingo, sugiro escalar o Galvão Bueno para narrar os votos entre 16h e 18h (com comentários de Casa Grande), Faustão assumir a programação na sequência, e William Bonner apresentar excepcionalmente o Fantástico. No final do programa, Pedro Bial pede que a Dilma renuncie, enquanto ouvimos ao fundo a música do Big Brother Brasil…

por Celsão revoltado

figura retirada de outro vídeo muito bom do pessoal da Porta dos Fundos (aqui). Afinal, nós aqui do blog também comemos caviar, defendemos bandidos e somos satanistas