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Coreografia_CavernaImagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles.

Imagina homens que passem para além da parede, carregando objetos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro.
Não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?

Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam.
Se lhe mostrarem imediatamente as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?

Quando você vê uma sombra, Sofia, na mesma hora você pensa que alguma coisa deve estar projetando esta sombra. Por exemplo, pode acontecer de você ver a sombra de um animal. Talvez a de um cavalo, mas você não está bem certo. Então você se vira e vê o animal verdadeiro, que, naturalmente, é muito mais bonito e de contornos mais nítidos do que a imprecisa sombra. É por isso que Platão considera todos os fenômenos da natureza meros reflexos das formas eternas, ou ideias. Só que a maioria das pessoas está satisfeita com sua vida em meio a esses reflexos sombreados. Elas acreditam que as sombras são tudo o que existe, e por isso não as veem como sombras.

Os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.
Nós mesmos contribuímos para o que sentimos e percebemos, pois somos nós que escolhemos aquilo que nos é importante.
… saber que não se sabe também é uma forma de conhecimento.

Os homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram.
Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar.
Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.
Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.

Os que questionam são sempre os mais perigosos. Responder não é perigoso. Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.
… perguntar é importante, mas não é preciso se apressar com uma resposta.


Acima está uma colagem, um tanto quanto aleatória, de passagens dos livros “O pequeno príncipe”, “O mundo de Sofia”, e da “Alegoria da Caverna” presente na obra “A República” de Platão.

Cada um em sua maneira, essas obras visam despertar o bom senso, o senso crítico, o interesse, a moral e ética, o discernimento no leitor, e automaticamente, na sociedade.

Diante dos acontecimentos recentes do Brasil, com uma intensificação da utilização da mídia e da justiça como ferramenta de caça partidária, com a radicalização, principalmente da parcela mais rica e “branca” da sociedade, no ato de condenar de forma “seletiva” atos de corrupção e/ou antiéticos (inaceitável quando praticado por um partido político específico, mas se praticado por outros, ignora-se ou alivia-se). Frente a protestos com direito a abadá, carros alegóricos, madame rica lançando garrafa de prosecco em caminhão da tropa de choque estacionado, “esquentas” para protestos em hotéis de luxo, passeatas regadas a muita cerveja, música e coreografia estilo carnaval.

Diante dos atos de um Juiz e seus comparsas do Ministério Público de São Paulo, em sua caça implacável e irredutível a um ex-presidente e aos integrantes de um partido, atos esses criticados por quase unanimidade dos juristas brasileiros mais respeitados, por ministros do STF, pela OAB, e até mesmo por políticos da oposição ao atual Governo.

Em meio a tudo isso, e ao notar a celebração, da maioria das pessoas pelas quais tenho apresso, comemorando e concordando com esses absurdos, essas aberrações; e notando assim a que grau de primitividade, insensatez, desonestidade intelectual, baixaria e agressividade o ser humano pode chegar, encontro-me sem palavras para expressar o tamanho de minha dor e frustração.
Sendo assim, ficam as passagens acima, algumas delas pensadas a milhares de anos, mas que hoje se fazem tão necessárias quanto antes, e outras destinadas a um público infantil, mas que podem ser aplicadas muito bem aos adultos das “Avenidas Paulistas” Brasil afora.

por Miguelito Filosófico

A figura é uma montagem de duas imagens, retiradas daqui e daqui

O seguinte texto foi postado no Facebook de Philippe Araújo, autor do mesmo.

Philippe faz uma investigação aprofundada sobre as questões jurídicas, morais, lógicas e éticas do processo de impedimento (impeachment) da Presidente Dilma, passando por diversos atores, cenários e motivações dessa resenha, como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, ministros do STF, a sociedade brasileira, interesses políticos, entre outros.

Para quem busca entender melhor este processo, o texto a seguir é uma excelente oportunidade, pois apesar de sucinto, traz um aglomerado de informações técnicas, fruto das intensas pesquisas do autor, e expostas de forma didática, acessível e bastante imparcial.

por Miguelito Formador

figura daqui


fachin_cunha_dilma
Sobre questões jurídicas e morais no processo de impeachment:

Eu não fazia a menor ideia de como rolava um processo de impedimento (impeachment pros americanizados). Não estudo direito nem era consciente (tinha 1 ano) quando Collor foi o único presidente impedido na historia da democracia moderna mundial (Nixon também quase foi, mas renunciou ao cargo antes das vias de fato). Com as noticias recentes, fiquei confuso com as leis, regras e tal, cada um falando uma coisa na TV… Fato é que, pelo visto, nem mesmo o poder legislativo está muito unânime em relação as regras do jogo. Mas vamos lá, pesquisei e vou tentar explicar brevemente como é que funciona para depois desenvolver no tema. Se você anda lendo muitas noticias sobre isso recentemente e já sabe como é o esquema e sabe tudo que rolou em Brasilia até ontem de noite, pule para o penúltimo parágrafo, antes do post-scriptum.

Começa assim: alguém escreve um pedido de impeachment (no caso foi o quase já senil ex-promotor Helio Bicudo, a professora de direito penal Janaína Paschoal e o jurista Miguel Reale Jr, mas qualquer cidadão poderia ter feito o mesmo) e entrega ao presidente da câmara dos deputados (nosso querido Eduardo Cunha). Cabe ao presidente da câmara aceitar o pedido e começa a brincadeira. Elege-se uma comissão especial que analisará o pedido e formulará um parecer favorável ou contra a abertura do processo de impeachment. Esse parecer é formulado a partir do pedido original aceito por Cunha e pela defesa de Dilma, realizada ao longo de 10 sessões. Ao final deste processo eles leem esse parecer na câmara e aí todos os deputados votam, sim ou não, pela abertura do processo de impeachment. Caso 2/3 (342 dos 513 deputados) vote a favor, o processo é aberto e encaminhado ao senado, onde aí sim rola o julgamento e a decisão final.

Ok, entendemos como é o jogo. Em que etapa estamos agora? Estávamos na etapa de eleger a comissão especial que formula um parecer. Esta seria formada como qualquer outra comissão especial na câmara dos deputados, a partir de indicações dos lideres de cada partido, respeitando a proporcionalidade do numero de deputados de cada partido na câmara. Ou seja, PT, PMDB, PSDB que tem muitos deputados, poderiam indicar muitos para a comissão especial. PSOL, por exemplo, que tem poucos deputados por la, indicaria também poucos deputados para compor a comissão. Justo, proporcional e democrático, não é? Também acho. Mas aí uma galera começou a achar que tava rolando muito indicado “anti-impeachment”, aliados do governo. O que eles fizeram? Criaram uma nova chapa composta apenas por partidos pró-impeachment e disseram “oi, queremos brincar também, vamos votar qual é a melhor chapa”. Votaram todos (entre tapas e xingamentos), numa votação secreta e ganhou a chapinha dos “pró-impeachment”. Aí deu uma confusão danada.
O PCdoB fez um pedido ao supremo tribunal federal (STF) para anular tudo. Os argumentos eram, entre outros, a ilegalidade da votação secreta na eleição da chapa, a ilegalidade da própria existência de outra chapa alternativa, o fato do Cunha ter aceito o pedido inicialmente antes mesmo de uma possibilidade de defesa prévia da presidente e pedia também o direito ao senado de poder anular o pedido de impeachment caso a câmara vote e abra o processo com 2/3 dos votos. O PCdoB pedia também que O STF ditasse as regras, já que consideravam a lei do impeachment (do ano de 50) defasada em relação a nossa constituição atual. O ministro do STF Fachin acatou o pedido do PCdoB e ontem rolou (e hoje continua) a sessão no STF onde todos os 11 ministros discutem e votam sobre essas reclamações.

O STF é a instância máxima do poder judiciário, aquele que tem a função de interpretar e fazer cumprir leis e normas. Não cabe ao STF criar leis nem regras, afinal isso é função do legislativo (esse é o sentido de ter 3 poderes, afinal de contas). Dar novas regras a um jogo já iniciado constituiria o que se chama de tribunal de exceção, onde criam-se leis posteriormente a um fato antes não previsto em lei. Isso meio que fere alguns vários princípios democráticos, não é mesmo? Seria tipo fazer o gol e depois definir de quem é, ou atirar o dardo e só depois colocar o alvo. Dessa forma, derrubaram todas as reclamações do PCdoB. E com razão. Quer que eu enumere os principais pontos?

  1. sobre a votação ter sido secreta: assim como nossas eleições para presidente, governador, prefeito e tal, toda ELEIÇÃO na câmara e no senado deve ser feita por voto secreto, ta escrito assim no regimento interno la deles. Olha que o mesmo regimento considera a votação secreta uma exceção e todos os outros tipos de votação devem ser abertos, mas eleição não.
  2. sobre terem criado uma chapa alternativa: ora, uma eleição de fato permite e ate sugere a existência de 2 ou mais candidatos, não é mesmo? Nada mais democrático que quaisquer grupos tenham o direito de se candidatarem a formar uma comissão e vencerem democraticamente por maioria dos votos, como ocorreu.
  3. sobre o Cunha ter aceito antes de ouvir a Dilma: ela terá o momento para isso, nas 10 sessões, durante as quais a comissão especial a ouvirá e formulará o parecer.
  4. sobre o senado poder anular o processo votado na câmara: não pode. seria um gravíssimo crime contra a democracia. O processo de impeachment é um dos raros casos em que a aprovação da câmara requer 2/3 dos votos (ao contrario de praticamente todos os outros casos, onde se requer apenas a maioria). Alem disso, o fato de o processo ser aberto pela câmara e julgado pelo senado contribui para o caráter democrático e honesto deste processo. A decisão não é monopolizada justamente a fim de prevenir (mas não de evitar) processos golpistas. Outorgar o poder de veto ao senado seria dar-lhes o poder autoritário do qual nos livramos ha 30 anos e não faria sentido em termos o poder legislativo dividido em 2 casas.

Pois bem. Vamos ao que penso agora. Juridicamente, tá tudo muito bonito, tá tudo muito bem, em termos da regra do jogo (não é o caso do embasamento jurídico para o pedido do impeachment, mas esse é outro assunto*). O STF cumpriu com sua função e protegeu o caráter legal de todos esses eventos até agora ocorridos. Mas não deixa de gerar revolta. Uma revolta muito pior que a que a gente sente ao ver alguém cometer um ato ilegal. É a revolta contra a imoralidade e a falta de ética. E olha que eu odeio moralismo (seja falso ou verdadeiro). Mas aproveitar-se da nossa constituição e leis democráticas, escritas a fim de proteger a nossa liberdade de expressão e participação política e social em favor de interesses pessoais, ignorando qualquer conceito de equilíbrio, de desejo de fazer o correto, de ética, é complicado.

Tanto se fala de crise econômica, crise política… Não vejo nada tão grave quanto a crise moral que se estabeleceu nesse país, onde em qualquer câmara de vereadores que você entre só se encontrem ladrões e lobistas, onde em qualquer licitação publica so se encontrem empresários fraudulentos e seus laranjas, onde o presidente da câmara dos deputados recebeu mais de 60 milhões de reais (é sério!) em propinas de empreiteiros e recebe 9 votos dos 20 (na comissão de ÉTICA) a seu favor para que nem seja investigado (!!!!!) e ainda dá entrevista todos os dias na TV na maior calmaria do mundo… Gente, ninguém percebe que ele é um psicopata?! Onde o governador da maior economia do pais desce o cacete em alunos que só querem dialogar. No país do aeroporto particular do Aécio Neves, que botava ate a Sandy, o Ronaldo e o Luciano Huck pra viajar em avião do estado, Bicudo, Reale e Paschoale não escreveram nenhum pedido de impeachment. Não por causa do Trensalão em SP, por causa do mensalão do PSDB em Minas, por causa da operação zelotes, conta secreta na Suíça, nada.
Nada acontece a ninguém, nenhum pedido de impeachment foi escrito contra estes. Ninguém vai pra rua, ninguém pede intervenção militar (deus me livre, não peçam mesmo não), nada nada nada. Mas contra uma presidente que sequer uma denuncia de corrupção tem, aí sim. Aí se atiram todas as pedras. Todas as etapas deste incipiente processo de impeachment estão envenenadas pela intolerância política, por ódio a tudo que represente esquerda, movimentos sociais, distribuição de renda, políticas públicas de inclusão social. Isso é golpismo, é falta de ética, é imoral e só se justifica assim. Não nos tornemos vitimas da nossa própria liberdade, diga não ao golpe.

*Ps.: sobre o embasamento jurídico do pedido de impeachment: Cunha não aceitou o pedido na sua integralidade, senão apenas o que se refere a prática de pedaladas fiscais no ano de 2015, um ano fiscal que sequer acabou e, com a aprovação da PLN 5, que revisou a meta fiscal de 2015, o déficit esperado para esse ano está dentro do permitido pela lei de responsabilidade fiscal. Ok, um rombo de 110 bilhões é um absurdo, mas não é ilegal, não configura crime, foi aprovado no senado por maioria e o choro é livre. Eu também não gosto da pessoa Dilma Rousseff, muito menos do governo dela, mas meu compromisso aqui é com a legitimidade do governo. Vou repetir: não há justificativa legal para impeachment.

Eu queria não falar de política, não falar de Cunha, não falar de STF, nem do Congresso.
Queria não falar de desmandos, picuinhas, manipulações, desrespeitos e “jeitinhos”.

Por isso, decidi começar falando de futebol…
Mesmo após os recentes escândalos envolvendo a entidade máxima do esporte e demais entidades locais e regionais, resultando em prisões (como a de José Maria Marin, presidente da CBF) e investigações pesadas (por exemplo, da Alemanha, que supostamente comprou votos para ser país sede em 2006), nosso esporte preferido segue na mesma toada: recente veiculação na mídia denuncia que todos os clubes paulistas com direito a voto, votarão em conjunto no candidato “apadrinhado” da situação, ou seja, de Marco Polo del Nero e Marin: Coronel Nunes (notícia aqui)
Não diferente da situação política da Nação, os clubes de São Paulo optam por prováveis regalias na escolha de árbitros, calendário, horários de jogos, transmissão de TV. Optam pela manutenção do status quo, pela hipocrisia, pela mesmice, pela corrupção!
É triste, mas, infelizmente, é o retrato de um ponto em que nada mais assusta. Sequer está assustando os poucos que se revoltavam antes.

Discutindo com o Miguelito hoje, chegamos à triste conclusão de serem inclassificáveis as aberrações que temos visto e vivido no Brasil.
Os bombardeios da mídia, a busca por culpados, o fascismo que desponta como solução indesconfiável…
É como se lêssemos uma estória em quadrinhos da Turma da Mônica contendo uma cena de estupro! E houvesse indiferença por parte de uns e aplausos por parte de outros. Os primeiros diziam apenas: no meu tempo as estórias para crianças não eram assim; os demais mandariam os poucos reclamantes se adaptarem e os acusariam de golpe ao direito de expressão.
Não! Não é normal o que temos visto!

Se durante a campanha eleitoral havia um “salvo conduto” para atacar de formas sujas e ilícitas adversários e companheiros de coligações… Situação deplorável e infelizmente vivida nas últimas décadas, sobretudo para a sucessão presidencial; agora há um “toma lá, dá cá” sem disfarces, sem escrúpulos. Cada qual querendo levar o seu quinhão e apelando a tudo para isso, de cartas “vazadas” a arranjadas delações premiadas (com perdão pela poesia acidental)
Processos são procrastinados indefinidamente por ferirem a interesses; outros são acelerados sem se importar com “os meios” e muitas vezes ignorando a Constituição. E a mídia deforma acusando todos de tudo: os políticos atrapalham, os ministros atrapalham, a polícia atrapalha, procuradores atrapalham! Morte aos corruptos, mas não mexam no meu dinheiro!

O que fazer?
Indignar-se é um bom começo. Filtrar as informações é outro.
Ir às ruas, sabendo o que pedir e contra o quê protestar é igualmente válido!
Rogo para que as teorias conspiratórias de tomada de poder a força, golpe e retorno triunfante da extrema direita (com ou sem militares) estejam erradas. Rogo também para que não hajam mortes, como vimos no passado.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui. Pois estou farto de olhar na cara do Sr. Eduardo Cunha

P.S.: para quem quiser ler notícias diferentes veiculadas nesses dias, aqui a presidente pede para que o Congresso suspenda o recesso e acelere o processo de impeachment (sim, ela mesma!) e aqui e aqui notícias em que o ex-ministro Ciro Gomes (provável candidato à presidência em 2018) acusa Michel Temer de ser o “capitão do golpe” antes mesmo de “vazar” a carta (veja a data das notícias!)

Frankfurt_Protest_04

Um dos males do povo brasileiro: Achar que vive sozinho, isolado do resto do planeta.

Em Frankfurt na Alemanha (fotos), cerca de 17.000 protestantes de diversas ideologias e “tribos” (inclusive Black Blocs) foram às ruas, na quarta-feira, dia 18.03.2015, protestar contra o sistema capitalista e a crise na Zona do Euro, com foco nas políticas do Banco Central Europeu. Frankfurt_Protest_02Os protestos ocorreram, em boa parte, de forma agressiva, com manifestantes depredando patrimônios privado e público, quebrando vitrines, ateando fogo em veículos (inclusive da polícia) e lojas, e com confronto entre civis e policiais.

A polícia teve que usar bomba de gás, canhões de água e cassetete. Os manifestantes usavam pedras e coquetel molotov. Centenas de pessoas foram detidas. Mais de 100 manifestantes, e quase 100 policiais ficaram feridos.

Frankfurt_Protest_01O fato é que, existe uma crise no sistema vigente, e o Brasil não é uma ilha. Até na Alemanha, país mais estável e desenvolvido da Europa, os ânimos estão à flor da pele. A economia da Alemanha desacelerou, tendo crescido, desde 2009, a uma taxa média de 0,7% ao ano, bem menos que a média de 2% do Brasil no mesmo período. O desemprego começa a subir, com grandes empresas fazendo demissões em massa. A sociedade se divide num debate sobre as possíveis soluções para a Zona do Euro. Já se estuda cortes de direitos dos trabalhadores. Ideologias e movimentos fascistas ganham força, e cada vez menos, estrangeiros e refugiados são bem recebidos, não só na Alemanha, como em toda Europa ocidental.

Frankfurt_Protest_03A diferença é que, na Europa, há realmente uma grave crise do Sistema Político-econômico-social e, segundo previsões de especialistas e intelectuais, é um sistema em decadência e a Europa vive um período de transição, onde muito está indefinido.

Já no Brasil, essa crise é principalmente induzida por interesses políticos de grupos que sempre tiveram enormes privilégios em nossa sociedade e viram seus privilégios serem levemente ameaçados ao longo dos últimos anos. E claro pelo clamor da Grande Mídia que pinta um cenário de caos para tentar desconstruir o Governo. Isso gera um pessimismo generalizado, o que resfria a economia, e causa sensação de insatisfação, principalmente com o Governo. Frankfurt_Protest_05E se a crise ainda não existe, é só questão de tempo para ela chegar.

Keynes e tantos outros estudiosos das sociedades e da economia já explicaram os efeitos deste pessimismo. Isso é estratégia conhecida, e pelo que pudemos perceber nos últimos dias, é eficiente.

por Miguelito Formador

Ps.: Clique aqui para uma das notícias da mídia alemã 

Ps2.: Notícia que mostra que o Brasil manteve recentemente seu grau de investimento avaliado pela Standard & Pools, ao contrário do que especulavam aqueles que querem gerar a crise, que diziam que seríamos certamente rebaixados. Clique AQUI
Mais uma prova de que nossa crise é, antes de mais nada, política. 

Imagens daqui e daqui

 

 

 

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013 Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013
Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Nos últimos 20 anos, a América Latina tem sido o sustentáculo do mundo na sobrevivência de políticas de esquerda, protecionistas, de luta pelos interesses da própria nação acima dos interesses estrangeiros/imperialistas.

A Europa vem presenciando sua democracia e os direitos do trabalhador enfraquecendo desde a década de 90. É a falência da social democracia nestes países, onde no cabo-de-guerra (povo X capital), vence novamente o capital.

Os países latino-americanos, quase todos, passaram por ditaduras de direita apoiadas e patrocinadas pelos EUA (até mesmo Cuba teve seu ditador aliado aos EUA, Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, quando foi derrubado por Fidel Castro – leia sobre esse processo AQUI), do início da década de 60 até o início da década de 90. Foram 30 anos, aproximadamente, de ditaduras de direita por todos os cantos da América do Sul e Central. Ao término destes períodos de intervenção militar, estes países vieram passando por um acelerado processo de avanço da democracia.

Vencidas as ditaduras, nada mais normal que um processo progressivo de democratização. Sai a ditadura, entram governos parcialmente democráticos, normalmente de centro-direita ou de direita. Políticos conservadores, que se elegem devido à imaturidade democrática da sociedade, e por saberem aproveitar os resquícios do sistema elitista herdado da ditadura e da colonização, que privilegiam aqueles que mais têm.

Porém, na América Latina, grandes mentes surgiram, e souberem se organizar, se uniram para debater ideias e ideais, para trocar experiência e conhecimento. Assim, chegaram a conclusões parecidas em comum. Apoiaram-se mutuamente para chegarem aos Governos, e lutaram, alguns mais, outros menos, para acelerar o processo de democratização destes países, e fazer com que o povo, historicamente excluído e sem voz, pudesse ter mais direitos e ser mais respeitado. Além disso, lutaram pela nossa independência frente às grandes potências, não só no papel, mas na prática, seja na política, na economia, na cultura, militarmente ou diplomaticamente.

Assim vimos nos últimos anos uma ascensão de governos populares em muitos países da América Latina.

No Brasil, o processo ocorreu progressivamente. Sarney (Tancredo) foi eleito de forma indireta. Collor, frente a Sarney, foi um progresso, na minha opinião, e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Brasil, depois da ditadura (vale lembrar que Lula teria vencido, se não fosse a armação que a Globo fez no último debate, fazendo edição do debate antes de transmiti-lo, o que também mostra imaturidade democrática da sociedade).
Depois veio FHC, que frente a Sarney e Collor, está anos-luz à frente no quesito democracia. Mas, aquele PSDB, de origens sociais-democratas, infelizmente, se direcionou ao neoliberalismo e consequentemente, a favor dos interesses imperialistas.

E depois veio o PT, com Lula. Lula concretizou a democracia no Brasil. Um grande avanço, comparado ao que veio antes, o que é normal, seguindo a lógica da evolução progressiva. Claro que, não foi perfeito, até porque perfeição não existe. Mas ainda há/havia MUITO a evoluir, melhorar, tanto na democracia, quanto na vida do cidadão.
Mas antes que isso fosse possível, as forças conservadoras começaram a “reagir”, chegando ao seu auge durante os governos Dilma.

A história se repete, desde a Grécia antiga, e fatos já observados naquela época, acontecem exatamente da mesma forma hoje.
Quando ideais/pensamentos/movimentos “A” avançam, ideais/pensamentos/movimentos “B” começam a crescer proporcionalmente, visando frear “A”. A isso dá-se o nome de “reação”, ou “reacionarismo”. Alguém age, outro alguém reage.

O que ocorre é que, enquanto o povo não tem voz nem direitos, a elite e os pensamentos conservadores ficam hibernando, escondidos. Quando o povo começa a ganhar força, as ideias e atitudes conservadores e opressoras ascendem, e com força bruta, e reagem visando impedir este avanço do progressismo.

Como os governos de esquerda estavam atingindo seus objetivos nas Américas: inclusão social, combate ao imperialismo, evolução da democracia, etc, as forças de direita começaram progressivamente a avançar em paralelo.

Peixes_piloto

Peixes_piloto

Essas forças são principalmente compostas por: EUA e seus principais aliados na Europa (Inglaterra, Alemanha, França), as elites locais (banqueiros, grandes empresários, a mídia privada, e claro, aqueles políticos que representam os interesses destes grupos), e os peixes pilotos (pessoas da classe média, que se acham de elite ou sonham em pertencer a ela, e aí defendem ideias conservadoras, sem perceberem que, na verdade, deveriam defender ideias progressistas, pois eles, classe média, estão muito mais próximos do povo, que da elite).
(Um pouco do ódio desenvolvido pela classe média do Brasil. Mantega recebe gritos e ofensas por médicos no hospital Albert Einstein. Clique AQUI)

Neste movimento, a América Latina está passando por um processo político muito delicado, que lembra os movimentos que se iniciaram na década de 60, e que geraram todos os golpes militares de direita, e afundou a América Latina num período de trevas.
Venezuela e Brasil são países líderes neste processo do avanço da esquerda. E são países riquíssimos em petróleo. Por isso, somos o maior alvo do golpe que se arma. (Venezuela se prepara para reagir contra Golpe e Guerra – Clique AQUI)

Se você é um dos que defende inocentemente o impeachment de Dilma. Se você é um dos que inocentemente acha que o escândalo da Petrobrás trata-se de “mais um esquema de corrupção”, sem perceber o golpe econômico e político que se arma em volta de NOSSO petróleo. Se você é um dos que há anos vem divulgando, espalhando, compartilhando, curtindo, toda e qualquer informação contra o PT, contra Lula, contra Dilma, contra Zé Dirceu, contra Chávez, contra Maduro, contra Fidel Castro, contra Evo Morales, etc. Se você acredita que ser de esquerda é simplesmente ser comunista, e acha que comunista come criancinhas (e não percebe que a esquerda tem um espectro político amplo, incluindo a social democracia, sistema vigente na maioria dos países europeus. E que ser de esquerda significa, basicamente, estar do lado do oprimido).

Se você pertence ou se aproxima destes grupos descritos acima, ou de qualquer outro parecido…. então VOCÊ é cúmplice dos golpes que se armam. VOCÊ joga contra o Brasil e contra os povos latino-americanos (mesmo que não saiba disso). VOCÊ está ajudando o planeta a escrever um novo capítulo de sua história, onde mais uma vez, uma Era de sombras pode estar se aproximando da humanidade, e você, que se acha bem informado ou bem intencionado, é responsável por esse fenômeno.
(Segue um excelente artigo didático sobre as várias facetas do golpe. Clique AQUI)

Sim, eu sei que o sistema educacional e a mídia nos corrompem, nos ludibriam, nos enganam, nos fazem jogar do lado que eles querem que joguemos. Mas no fundo no fundo, nós somos seres pensantes, e só não nos livramos dessas amarras e alienações, pois somos reféns de nossas fraquezas, nossas ambições, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso ego. Se fossemos seres humanos melhores, como fingimos ou aspiramos ser, seria muito mais fácil sairmos dessa prisão ideológica, e fazermos desse mundo um lugar melhor para todos.
O culpado portanto é VOCÊ!

E se o pior acontecer, eu lamentarei, por mim e por você.

por Miguelito Formador

figura montagem própria (originais daqui + daqui + daqui + daqui)

Planalto Central

Planalto Central

O Gigante foi acordado.

O Brasil surpreendeu a todos com uma demonstração ao mundo de que sua democracia, e seu nível de patriotismo são exuberantes. Fomos às ruas, marchamos, enfrentamos balas de borracha e por fim derrotamos a polícia fascista e a repressão em SP.  Vencemos, reduzimos o preço das passagens que estes políticos que nos exploram nos fazem pagar.

Eu não fui à rua protestar. Não por ser contrário, pois teria ido se as condições físicas atuais me permitissem, protestaria sim, e com certeza agregaria pessoas à reforma política tão necessária para o país. É um workshop político onde partidos políticos não são bem-vindos, O que é um paradoxo para um manifestação democrática. Todas as causas estão presentes, inclusive a extrema direita, o movimento social brasileiro foi às ruas. O MPL foi o estopim de um levante que contaminou uma parte considerável do país. Há muitas causas, inclusive as antidemocráticas e conservadoras, e nenhum partido.

É fato que o MPL foi vitaminado pelos acontecimentos, a ação imbecil da PM e o oportunismo de uma parcela conservadora da sociedade fez crescer a causa de um transporte mais barato para o trabalhador da periferia. Causa justa. Causa que nunca antes na história deste país foi preocupação da classe média que foi ás ruas e exigiu um direito do pobre, mesmo sabendo que este subsídio sairia do bolso do contribuinte.

A sociedade brasileira não será como antes, a classe média conservadora paulista foi indutora de uma revolta política e com isso mostrou ao pobre que este tem direitos, mudou a sua conduta, pois é essa mesma classe média que sempre negou direitos aos pobres avalizando a conduta dos mais ricos.

A dita parcela pensante da sociedade abriu uma caixa de pandora ao deixar o peso dos impostos subir-lhe à cabeça e estourar de raiva ao ver tantos pobres melhorando de vida. Uma revolução conservadora cuja estratégia seria conseguir comprar o apoio do pobre por R$0,20 e com isso vencer Dilma, nas eleições ou derrubá-la antes. Dilma balança. A classe média enfim conseguiu colocar o povo contra o governo.

Quais os motivos para uma classe média tão revoltada? Impostos altos, segurança, trânsito… Sim o serviços são ruins isso é fato. A corrupção é disseminada isto também é fato. O Estado é repleto de corrupção. Obras, legislativo, justiça, polícia, MP, FUNAI… prefeituras e câmaras no Brasil inteiro. Está por todos os lados. Isto é causado por falhas das Instituições do Estado, sobretudo aquelas que não são eleitas pelo povo. Quem garante a impunidade permitindo que a lei não seja igual perante a todos? Quem não processa o empresário corruptor e criminaliza o movimento social?

Algo precisa mudar, isso é fato.

Quais seriam os caminhos pra encampar esta mudança? Existem vários. Todos passam pela reforma política. Porém, a classe média preferiu o caminho revolucionário, demonstrou o tamanho do seu repúdio às práticas da classe política e mostrou ao pobre que ele pode exigir seus direitos, fez algo mais, mostrou ao pobre que ele pode ser superior ao aparato repressivo do Estado.

A classe média, acabou acreditando na ideologia de que é possível não ter ideologias e com isso agiu de forma contrária aos fundamentos conservadores. E ainda não percebeu o que fez.

A classe média, sobretudo paulista, chorou orgulhosa, tão orgulhosa como em 64 quando 500 mil foram às ruas contra a corrupção e o comunismo, O Brasil acordou!! Muitos sentiram esse orgulho de ser brasileiro pela primeira vez na vida, coisa que o pobre nunca perde.

Alguns dizem que a revolta da classe média é contra os políticos.

Porém a própria revolta é política, todos somos políticos, fazemos política quando compartilhamos um meme numa rede social. Xingar políticos de forma generalizada equipara-se a xingar o espelho. Política é algo tão natural quanto o ódio.

Quebrou-se a prefeitura, física e financeiramente, por uma revolta contra a política partidária. A revolta é contra os políticos ligados a partidos. Apenas estes. Não é contra juiz corrupto, o procurador corrupto, o policial corrupto e principalmente não é contra os empresários corruptores.

O Estado é ineficiente e corrupto como um todo. Porque a culpa é única e exclusivamente de uma instituição da sociedade, o partido político?

Sendo o partido uma instituição da sociedade qualquer um pode filiar-se e participar de discussões. A classe média julga que eles não prestam e não vale à pena tomá-los de assalto de forma democrática, fazendo-se ouvir dentro dos partidos.

Ou poderia criar um novo, tá aí a REDE da Marina como prova disso. Mas não foi isso que aconteceu. A classe média não quer se envolver com política. Vota pra salvar o mundo do PT e acha isso um saco.

Ela espera que o Estado incompetente e corrupto torne-se eficiente sem que ela própria participe do processo. Espera que um salvador da pátria apareça no cenário, já escolheram um, e resolva tudo. Um conservador que consiga antes de tudo colocar o pobre em seu lugar, que transforme investimentos sociais em segurança pública, contenha os movimentos sociais que a própria classe média acordou.

O verdadeiro gigante acordou e isso não é nada bom do ponto de vista conservador. Historicamente criminalizado no Brasil, o movimento social ganhou força com as manifestações e a classe média conservadora espera usar a PM no futuro pós-PT, como sempre fez, pra colocar o movimento social onde estava antes do levante.

Dizia Einstein que uma mente quando expande nunca volta ao seu tamanho original. No rescaldo das manifestações os grandes derrotados serão os conservadores, pois acordaram o gigante que a elite fez dormir por mais de um século, e não há bala de borracha que consiga fazê-lo voltar ao sono.
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Texto escrito e enviado pelo nosso leitor Erick Nogueira

por Miguelito Formador