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Baghdad

Peço a atenção de vocês para este desabafo longo. Penso ser de vital importância, e por isso convido nossos leitores a lê-lo até o fim.

Todos vocês já notaram, pelo menos superficialmente, como funciona propaganda e marketing em cadeia na internet, não é mesmo?

Por exemplo, você abre um site como Amazon, ou Mercado Livre, e olha computadores. Quando você abre o Facebook, tem propaganda de computador na lateral do Face sendo anunciado para você.
Essas empresas, como Amazon, Ebay, Mercado Livre, e qualquer outra de venda online, pagam ao Facebook para que os produtos deles sejam mostrados para os usuários, e claro, com uma inteligência de rastreamento ferrada, que direciona os produtos certos para as pessoas certas.

O mesmo acontece quando você abre o youtube, ou outros diversos sites da internet. Através de um Data Mining eficiente, a maioria dos sites podem te rastrear, analisam seu perfil e fazem chegar até você EXATAMENTE aquilo que você QUER !

Não é crítica, nem elogio. Tampouco é uma análise ideológica, ou de opinião. Estou relatando um fato concreto, matemática e inteligência digital sendo usada para fins de marketing e propaganda, consumo.

Da mesma forma, se você tem um blog ou um site, você pode pagar ao Facebook, ao google, etc, para que seus posts, artigos, fotos, etc, sejam “divulgados” como prioridade. Por exemplo, um blog que não paga pelo serviço, é difícil ser encontrado no google. Este é o caso do meu blog, Opiniões em Sintonia Pirata. Você pode digitar no google várias palavras-chave de algum artigo do meu blog, e com muita sorte, o artigo aparecerá na 4°, 5° página.
Diversos outros artigos, de outros sites, que nem possuem todas aquelas palavras-chave no texto, aparecerão antes do meu artigo, o qual você procura. Isso acontece, principalmente, por eles pagarem o serviço, e assim, o google empurra o site deles na frente da lista.

No Facebook eu posso pagar para aumentar o “alcance” dos meus posts do blog, ou até posts pessoais (nunca o fiz, pois meu blog não tem fins lucrativos, pelo contrário, temos uma despesa de 99 dólares por ano, num perfil “TOP”, que nos permite, basicamente, bloquear anúncios em nossa página, e não ganhamos 1 centavo – só fazemos isso, pois eu e Celsão temos a utopia e esperança de estarmos ajudando a sociedade).
Se eu pagar, o Facebook usará ferramentas inteligentes para que mais pessoas, com interesses parecidos, ou com amigos em comum, ou que curtam as mesmas páginas que eu, ou ou ou, tenham contato com o meu post. De repente, o meu blog começará a aparecer ao lado direito do Facebook alheio, ou o Facebook te sugerirá curtir meu artigo, ou minha página, mesmo você não sendo meu amigo no Face.
Isso se chama “impulsionar”.

Por que estou falando tudo isso?

Bom, na época do atentado em Paris, escrevi uma crítica bem diplomática, onde eu explicava porque as pessoas se comovem, mudam fotos, colocam as cores da bandeira, quando uma tragédia ocorre na França, na Alemanha, na Bélgica, nos EUA, etc…. mas quando a tragédia é na Síria, Iraque, Bangladesh, Nigéria, Venezuela, Afeganistão, etc, ou a pessoa nem fica sabendo, ou, se fica sabendo no máximo diz “nossa, que absurdo, que triste”, e no dia seguinte já esqueceu.

Na época expliquei que, a culpa direta não é do cidadão comum, apesar do cidadão comum também ter sua parcela de culpa indireta (explico no fim do texto). Mas o principal culpado para essa indignação e tristeza seletiva é a alienação, e a manipulação exercida por aqueles que detêm os meios de comunicação, e os usam em interesse próprio.

Explicando melhor.
Assim como quando alguém quer anunciar um produto, ele paga por isso, faz seu marketing, as notícias também precisam de financiamento. Quando terroristas islâmicos invadem um jornal francês e matam quase todos da redação, há centenas de diferentes interesses por trás de tal tragédia, por exemplo:
1) países poderosos e imperialistas veem neste episódio a oportunidade de conseguir comoção popular e assim, enfim, legitimar uma possível invasão militar em algum país de onde, “teoricamente”, vêm os terroristas.
2) Um atentado no metrô de Londres pode ser usado pelos grandes jornais do mundo ocidental para conseguir muito IBOPE. Ao encherem os noticiários com aquelas notícias, cobertura ao vivo, etc, lucrarão ainda mais com as propagandas.
3) Fabricantes de armas podem patrocinar a divulgação intensa de certo atentado, para que as pessoas se sintam inseguras, e comprem armas. E claro, no caso de uma invasão militar (item 1), eles irão vender mundos de armas – dinheiro fácil.
4) Políticos com popularidade baixa podem usar tais tragédias para criar um sentimento de “comoção nacional”, o que gera UNIÃO. O resultado desta união é o desvio do foco, fazendo a população esquecer a insatisfação para com o governo. Isso pode até aumentar sua popularidade.

Eu poderia citar muitos outros exemplos aqui, dos interesses que estão envolvidos por trás de tais episódios.
Outro ponto importantíssimo é que estes políticos, fabricantes de armas, meios de comunicação, empresas, etc, podem eles mesmos, armar, organizar e/ou financiar um atentado terrorista, para atingirem seus objetivos. Neste caso, eles podem fazer um acordo com algum grupo radical terrorista, e facilitar e organizar o atentado; como também podem eles mesmos praticarem o atentado com as próprias mãos, e depois adulterarem as provas e manipularem as informações, fazendo parecer que o atentado foi causado por um grupo de terroristas (por exemplo, islâmico). Isso já deixou de ser teoria da conspiração, afinal documentos do Wikileaks e da NSA mostram que essa prática é real, e corriqueira.

Onde quero chegar?

Se você não muda sua foto de Facebook para as cores da bandeira de Bangladesh. Tampouco escreve diariamente sua revolta para com os ataques à Síria. Nem traz para suas discussões em mesas de bar a guerra do Iraque, que perdura até hoje, justificada por presença de armas químicas, e posteriormente gerando um pedido de desculpas do próprio G. W. Bush dizendo que se enganou e que no Iraque não haviam armas químicas. Se você nunca parou para refletir por que a produção de drogas no Afeganistão quase triplicou desde que os EUA, França e Inglaterra invadiram aquele país, e por que eles até hoje não conseguiram implantar um sistema democrático e gerar paz, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem entre Israel e Palestina, nem, nem nem…..

Nunca parou para refletir que, nos últimos 50 anos, todas as guerras que ocidente iniciou na África e Ásia, sempre com o pretexto de levar “democracia” e “paz” para aqueles países, NUNCA geraram paz, nem democracia naqueles países, mas somente mais dor, mais pobreza, mais caos! (dê-me um exemplo como exceção, eu não conheço.)
Se você sequer toma conhecimento das quantas vezes por semana, grupos terroristas, lutas entre grupos de guerrilha, guerras e massacres (quase sempre financiados por empresas e governos das potências ocidentais), ataques de potências mundiais, geram centenas de mortes semanalmente em países da África, Ásia e América do Sul.

Se você pensa no máximo uma vez por mês, quiçá uma vez por semana, nos milhões de refugiados de guerra, que chegam em condições precárias na Europa, buscando fugir do inferno de suas vidas em seus países. Morrem nas fronteiras, por frio e por fome. Morrem afogados em naufrágios na tentativa de cruzar o mar. E quando alojados, vivem com uma esmola de ajuda de custo, e em muitos países, vivem somente com a ajuda de ONGs e doações.
E se, quando pensa nestes refugiados, logo diz “mas eles tem que resolver o problema nos países deles, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, EUA, não têm nada a ver com isso. A Europa não é OBRIGADA a aceitar essa imigração desenfreada. A Europa conquistou sua estabilidade, eles que conquistem a deles”.

Isso tudo não é culpa direta sua. A culpa disso é do SISTEMA.
O Sistema não se interessa em gerar uma comoção e revolta sua, quando o problema é num país pobre, pouco conhecido, e principalmente, quando este país tem uma política de resistência a este mesmo sistema ocidental. Por isso, os jornais e revistas não dão a devida cobertura. Por isso, o Facebook não disponibiliza aplicativos para você mudar a cor da foto. Por isso, ao procurar no google, os melhores artigos sobre tais fatos não serão listados no topo da lista. Por isso, seus amigos falarão pouco disso, o que gera pouca reação em cadeia, e tal notícia chegará de forma superficial e rala até você, se chegar.
Quem manda na informação e quem detêm o poder do Capital, não está interessado em “Impulsionar” tais verdades.

Tudo isso é assim, pois há motivos e interesses MUITO CLAROS por trás, interesses que determinam o que deve nos revoltar, e o que deve ser esquecido por nós. Determinam o que devemos ter conhecimento, e o que não deve chegar até nós.
E assim, manipulam o nosso saber, e nos fazem pensar exatamente da maneira que ELES querem que pensemos.

E por que temos culpa indireta?
Ora, pois somos seres pensantes. Se você tiver interesse, se você resolver conscientemente ativar o pininho do “humanismo”, da “ética”, da “solidariedade”, do “não-comodismo”, do “pensamento crítico”, da “sensibilidade generalizada”, do “auto-combate” contra o próprio orgulho, da “predisposição para construir novos valores” e “rever opiniões e formas de pensar”, dentro de você, e escolher por ABRIR SEUS OLHOS, você deixará de ser tão facilmente manipulado, e terá mais chances de entender o mundo, e fazer sua pequena parte para que este planeta se torne um lugar melhor no futuro, para nossos filhos, netos, bisnetos, etc…..

Mas enquanto você aceitar passivo que “ah, é assim, não posso mudar nada”, ou disser “ah, não é culpa minha, pelo menos demonstro minha tristeza e revolta com as mortes na França”; você estará abastecendo esse marketing predatório, imperialista, escravagista, que faz com que as riquezas do mundo, que são muitas, sejam concentradas nas mãos de menos de 0,001% da população do mundo, e que mais de 50% do mundo passe fome, ou viva em áreas de guerra.

E sim, junto com nossa falta de interesse, vem a questão do TEMPO. Sempre dizemos que “poxa, até entendo isso que você está dizendo, mas não tenho tempo de me informar a esse ponto”.
Eu digo: No mundo atual, globalizado e digital, ninguém tem tempo! Ninguém. Mas tempo a gente não tem, tempo a gente ARRUMA! Basta definir prioridades em sua vida, e bingo, achou tempo.

Obviamente, a falta de tempo é também um dos mecanismos do sistema para que não nos informemos, não nos preocupemos, não nos interessemos. Te sugam com cargas diárias de trabalho de 8 a 12 horas. Depois temos que malhar, fazer esporte, fazer compras, arrumar o equipamento estragado, visitar o amigo, cuidar da família, cozinhar, pagar impostos, resolver burocracias idiotas, pesquisar não sei o que na internet, programar as próximas férias, etc…. e nunca sobra tempo para pensar nas barbaridades do mundo.
A falta de tempo é uma das estratégias do opressor, para nos alienar. Simples assim!
Então, arrume tempo. Se interesse.
Sem sua participação, o mundo não vai melhorar, pelo contrário.

Sim, sinta-se mal, pois suas mãos estão sujas deste sangue.

* Aqui, um vídeo crítico sobre o ataque em Baghdad, e a ausência de solidariedade e revolta mundo afora com relação ao ocorrido. 
* E Aqui, um experimento muito bacana e didático, mostrando a força da publicidade e do dinheiro nas redes sociais. 

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio vídeo do youtube

 

Natal_GuerraE mais uma vez o Natal se aproxima, e traz com ele a virada de ano.

O Natal é tempo de união familiar, de demonstrar nosso amor aos nossos entes queridos, de dar um abraço gostoso no melhor amigo, nos nossos pais, nossos avós e nossos filhos. Também no Natal, devido ao que ainda resta de vínculo religioso desta data com o cristianismo, lembramos de Jesus, e com isso, lembramos do amor ao próximo. É neste momento que dedicamos pensamentos positivos e orações aos pobres, aos menos favorecidos, aos que sofrem de enfermidades, aos cidadãos de países em guerra.

O Réveillon carrega a esperança do novo. Novamente abraçamos com muito afeto os nossos entes e amigos mais queridos, nos emocionamos, agradecemos pelos maravilhosos momentos vividos juntos no ano que se vai, e desejamos momentos ainda mais maravilhosos para o ano que se inicia.

Aproveitamos essa data para fazermos algumas promessas, definirmos alguns objetivos, normalmente visando tornar nossa vida mais feliz, ou nos tornarmos uma pessoa melhor e/ou mais saudável e/ou mais bem sucedida.

Mas e o nosso cotidiano fora destas datas, como anda? Andamos fazendo nosso dever de casa para que o mundo seja um lugar melhor, e assim, necessite menos de nossas orações e pensamentos positivos? Afinal, o nosso voto em 2014 levou em consideração as propostas daquele político para reduzir a pobreza e a fome no Brasil, levou em consideração suas propostas a favor das minorias que mais sofrem (pobres, deficientes físicos, negros, homossexuais, mulheres, povos indígenas)?

Quantas vezes por ano cumprimentamos o mendigo que vive no nosso bairro? Com qual frequência convidamos o mesmo para tomar um café na padaria conosco? E aquele cobertor que está no armário há quatro anos sem utilização; já pensamos em descer as escadas e oferecer-lhe para o mendigo? Ou mesmo, alguma vez nos interessamos pela sua história de vida; já sentamos ao seu lado para bater um papo e ver o que ele tem a dizer?

Visitamos durante este ano alguma instituição que cuida de meninos de rua, órfãos, ou menores infratores? Será que estudamos ou buscamos nos interessar pelos principais motivos da criminalidade no Brasil, ou no mundo? Visitamos um asilo para perguntar se precisam de alguma ajuda? Fomos num abrigo de refugiados da Síria e Afeganistão para saber como podemos ser úteis e conhecer a forma como estas pessoas estão sendo tratadas?

Quantas vezes nos interessamos, enquanto brancos, em nos colocar no lugar do negro e entender sua dor; ou como hetero, no lugar do homossexual ou transexual; ou como homem, no lugar da mulher; ou como negro, no lugar do índio?

Quantas horas de nosso tempo dedicamos este ano a buscar informação de qualidade, para não nos deixarmos ser manipulados por grandes grupos de monopólio da mídia? Quantas vezes engolimos nosso orgulho, neste ano, quando um amigo, ou professor, ou parente, bem informado e preocupado com as questões do mundo, chegou até nós para nos alertar sobre nossa opinião equivocada sobre algo?

Quantas vezes nos preocupamos se aquilo que escrevemos, falamos, defendemos, argumentamos, realmente são ideias que visam promover um mundo mais justo e ético? Quantas vezes, ao invés de emitirmos rapidamente nossa opinião, não nos sentamos e ouvimos o que o outro tem a falar, e refletimos sobre a possibilidade dele estar certo, e enxergamos uma oportunidade de evoluirmos intelectualmente e espiritualmente?

Refugiados africanos, europeus e asiáticos na Europa; o Congresso mais conservador do Brasil desde 1964, eleito PELO POVO BRASILEIRO, aprovando projetos e leis sem fim que reduzem os já poucos direitos do povo sofrido brasileiro; este mesmo Congresso, com intenções parecidas com as anteriores, caça a Presidente Dilma e busca convencer o povo brasileiro, através da mídia, que a solução para o Brasil é um impeachment, mesmo que não haja argumentos legais para tal; homossexuais continuam a ser espancados e assassinados, enquanto a popularidade de Bolsonaros e Felicianos só aumenta;

Ataques terroristas em Paris justificam o bombardeio de todo um país, com a morte de milhares de civis; este mesmo país é estratégico no controle do petróleo no Oriente Médio pelos EUA e os países aliados da OTAN, mas acreditamos que o bombardeio à Síria se deve ao atentado em Paris; na Alemanha, movimentos como o Pegida crescem e ganham popularidade.

Alguém diz estar ciente que Eduardo Cunha é um bandido e mafioso inescrupuloso, mas defende o impeachment de Dilma, liderado e encabeçado por esse mesmo Cunha;

Afeganistão, Iraque, Egito, e dezenas de outros países da Ásia e África continuam em eterno estado de guerra, com milhares de mortes semanalmente, financiados por empresários e governos de países ricos, mas nós só nos indignamos pra valer quando 100 pessoas morrem num atentado terrorista em Paris, ou nos EUA, ou em Londres.

Eu já escrevi isso anteriormente, mas assim como o Natal e Réveillon se repetem, também irei me repetir: “eu desejo para o próximo ano, que todas as pessoas ajam como se Natal e Réveillon fossem todos os dias do ano”.

por Miguelito Filosófico

figura daqui

Anjos e Demônios
A notícia a seguir inspirou esse meu texto: Jovem de 21 anos é condenado à decapitação e crucificação na Arábia Saudita (clique para abrir a reportagem)

Ao que parece, a pena foi motivada pela rivalidade política entre o governo e o tio do rapaz. Inclusive, o tio também foi condenado à pena de morte.

Sem jamais querer defender governos como o da Síria, muito longe disso, mas…. por que ouvimos tanto falar, normalmente de forma grotesca, sobre os governos da Síria, de Cuba, da Venezuela, da Coréia do Norte, do Irã, mas raramente, ou nunca, ouvimos falar de governos no mínimo tão cruéis como estes, como é o caso da Arábia Saudita, Israel, Omã?

Inclusive, de uns anos para cá, ouvimos também pouco sobre dois outros países em estado de guerra civil e horror social: Afeganistão e Iraque.

Bush confessou que se “equivocou” achando que havia armas químicas no Iraque. Armas Químicas foram o argumento principal que justificou a invasão daquele país. Mesmo assim, os EUA continuam lá, em guerra e gerando guerra civil. Por que? E a vida da população do Iraque, assim como a economia do país, melhorou ou piorou depois da invasão da OTAN e EUA?

Lembremo-nos que Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe de Estado apoiado pelo governo americano. Os EUA por sua vez financiaram tal golpe, para garantir, através do Iraque, seus interesses militares, geográficos e econômicos sobre/contra o Irã. Anos mais tarde Saddam resolveu quebrar o pacto com os EUA, pois queria mais independência e nacionalismo em seu país. A partir deste dia começou o trabalho de lavagem cerebral midiático ocidental/americano na sociedade mundial para transformar a figura de Saddam em um diabo personificado.

No Afeganistão a estória não é diferente. Os atentados no World Trade Center e no Pentágono em 2001 abriram as portas para a invasão do país. Teoricamente, há uma confissão do Talibã (Osama Bin Laden) assumindo a autoria do atentado. Mas afinal, esta confissão existe? Quem garante que foi Osama Bin Laden o homem que falava nos vídeos? Quem garante que essa confissão divulgada em canais de TV através de um “vídeo amador” não é uma montagem cinematográfica?

Os EUA financiaram o Talibã para que esse expulsasse a Rússia do território afegão, e assim surge a figura de Bin Laden, ex-agente da CIA, contratado para trabalhar para os EUA em seus interesses naquela região. Mais tarde ele haveria de se voltar contra os EUA por motivos parecidos com aqueles que motivaram Saddam a se rebelar contra os americanos.

Inclusive, o que não falta é documentário, livros, documentos e artigos que mostram as centenas de discrepâncias e contradições das descrições e dos relatórios oficiais sobre este atentado nas Torres Gêmeas. Muitas provas e lógicas racionais indicam envolvimento direto de agentes americanos, do governo e do exército americano, neste atentado.

Mesmo assim, EUA invadiram o Afeganistão, e por causa de algumas centenas de pessoas mortas no atentado das Torres Gêmeas, justificaram uma invasão que matou dezenas ou centenas de milhares de civis afegãos. O país, que já era um caos, hoje é um inferno. Difícil até dizer que há algum tipo de governo lá. A miséria é generalizada, desemprego acima dos 40%, e o risco é constante de morrer em um tiroteio ou bombardeio.

Segundo relatórios e documentos, o Afeganistão é responsável por 80% da produção de ópio do mundo, e é o maior fornecedor de drogas derivadas do ópio para Europa e Ásia. (Clique AQUI para relatório da ONU)

Esse ópio produzido no país é responsável por aproximadamente 90% da heroína mundial. O negócio das drogas é responsável por 50% do PIB do Afeganistão. Em 2001 o Talibã proibiu a produção de papoula (ópio) no país. “COINCIDENTEMENTE” em 2001 o Afeganistão foi invadido pelas tropas dos EUA e da OTAN. Desde então a produção de papoula mais do que dobrou.

(Leia mais sobre esse assunto clicando nos artigos do Viomundo, BBC e Folha: AQUI, AQUI e AQUI)
(E AQUI para ler um texto nosso sobre drogas, onde falamos um pouco do envolvimento dos EUA e da CIA com o tráfico de drogas no mundo)

A Síria de Assad está sendo bombardeada, neste momento, pelas tropas da OTAN, liderados pelos franceses, americanos, ingleses e alemães. Justificativa para bombardear o país, destruindo as tropas do governo e matando civis? Ora, os atentados terroristas em Paris.

Curioso pensar que devido a atentados terroristas, supostamente realizados por rebeldes islâmicos da Síria, o país seja atacado enquanto Nação.
O provável desfecho desta guerra na Síria será: assassinato de Assad, empossamento de algum presidente ou ditador que agrade o ocidente (EUA e Europa), e consequente controle do ocidente sobre o petróleo do país e de sua rota ao mar.
(Para não prolongar-me em demasia neste assunto, indico AQUI um post recente nosso onde publicamos um texto juntamente com um vídeo no youtube, ambos muito didáticos, e que visam explicar os interesses geográficos e econômicos na Síria e no Oriente Médio)

Em paralelo a isso, a Venezuela acaba de passar por um processo eleitoral do Legislativo onde o partido de Maduro foi derrotado, de forma bastante esmagadora. Maduro, mais que rapidamente, foi a público confirmar os resultados, e disse que o momento é de juntar forças para que a Venezuela volte a tomar o rumo do progresso. (Leia AQUI)

Lição de respeito à democracia, que deveria ser seguida por alguns políticos brasileiros na atualidade, os quais não aceitam a sua própria derrota ou a derrota de seus aliados, e buscam a todo modo dar um golpe de Estado e retirar do poder através de impeachment a presidente, eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros.

Enquanto isso, vamos acreditando que Assad, Fidel Castro, Maduro, são demônios que produzem as ditaduras mais perversas existentes no Mundo. Vamos acreditando, como sempre fazemos, e gracas à nossa incapacidade de sermos críticos, o mundo vai rodando em volta das mesmas barbaridades, num ciclo vicioso.

por Miguelito Formador

Montagem feita com figuras dos seguintes links: aqui, aqui, aqui e aqui

Síria_FrançaA Roda Viva da história vai girando, causando perplexidade e assombro nos incautos. Para quem conhece – só um pouquinho – a história do Oriente Médio, o cenário atual, o mais complexo das últimas décadas, não causa assim tanta estranheza, ainda que grupos como o ISIS verdadeiramente nos assustem.

Ora, a região vem sofrendo com as intervenções políticas e militares desde o colapso do Império Otomano. Num breve resumo, assistimos:

– O 1º ministro Mossadegh foi derrubado do Irã, em 1954, por nacionalizar a indústria do petróleo. Sua queda deu poderes ilimitados ao monarca Reza Pahlavi, que erigiu um regime corrupto, anti-nacional e tirânico. Em 1979 ele foi deposto por Khomeini, que liderou a revolução Islâmica
– Nasser, presidente Egípcio e pai do Pan-Arabismo, também sofreu sabotagens das potências ocidentais. Viu o canal de suez ser invadido em 1956 por Franceses, Ingleses e Israelenses quando decidiu nacionalizar o canal. Se seguiu um bloqueio político e econômico que o forçou a buscar assistência técnica com os Soviéticos. Após a derrota em 67, na guerra dos 6 dias, viu seu poder minguar até que a morte o encontrou, em 70. Foi substituído por Sadat, militar de carreira, que levou a cabo a guerra de 73 contra Israel. Foi assassinado em 81 após, em tese, ter obtido um acordo com os Israelenses em 78. Seu assassinato possibilitou a subida de Mubarak, um dos mais corruptos líderes políticos da região, que mergulhou o Egito no caos e na pobreza. O Egito se tornou peça chave da geopolítica ocidental na região. A pobreza possibilitou o fomento de grupos fundamentalistas, que arrebanhavam jovens cansados da pobreza e da falta de perspectivas. A irmandade muçulmana venceu as eleições de 2012, após a queda de Mubarak, mas foi destronada poucos meses depois por um golpe militar.
– O Baathismo Sírio e Iraquiano, secularista, nacionalista e de tendências socialistas, inspirado na revolução modernizadora Turca, levada a cabo por Ataturk, manteve durante décadas as pressões internas de grupos distintos, em busca de unidade e lealdade ao poder central. Os Americanos destruíram o Iraque, levando-o para uma guerra sem sentido com Irã (1980-1988), e, falido pelos empréstimos contraídos durante a década passada (insuflado pelos americanos e sauditas), comete o erro de invadir o Kwait em 1993. O estado Iraquiano virtualmente acaba com a invasão americana de 2004.
– E temos assistido, no presente atual, o flagelo Sírio.

Ou seja, o ocidente minou e sabotou as experiências nacionalistas e seculares na região e fomentou (direta ou indiretamente) o surgimento de grupos fundamentalistas (como o ISIS) que arregimentam jovens cansados da pobreza e desacreditados da política.

Veja o caso Palestino. Arafat, filho político de Nasser, foi, durante sua vida, quase uma obsessão da política externa Israelense, que o tratava como terrorista. E quando este cria a gênese do estado palestino, chamado de “autoridade”, Israel torna o seu governo algo virtualmente impossível. Com a queda da OLP, surge o movimento do Hamas, religioso e fundamentalista. O Fatah, herdeiro da OLP e laico na sua essência, continua recebendo ataques israelenses.

Além disso, a Arábia Saudita, cuja família real governa o país com mão de ferro, violando várias leis internacionais de direitos humanos, é a virtual financiadora desses grupos radicais, além de inimiga de primeira ordem do Irã, Xiita e Persa. Aliás, a Arábia Saudita se converteu no GRANDE ALIADO do ocidente na Região.

Falem o que quiserem do Irã, mas ele sempre se portou com um agente geopolítico previsível, constituindo uma teocracia complexa e contraditória, mas previsível, e até certo ponto, responsável. Mesmo seu apoio ao Hezbollah é compressível, considerando que o Irã vive quase um cerco geopolítico e militar desde a revolução islâmica, em 79.

O Ocidente praticamente LEVOU O ORIENTE MÉDIO para o estágio atual de violência e caos, terreno fértil para o fanatismo religioso que despreza o diferente, resultado da frustração e do ódio de décadas e décadas de atrasos, interferências e interrupções dos processos históricos nacionais.

O ISIS é a resposta caótica e violenta da história.

Uma hora a conta chegaria. Chegou.


Este texto é de autoria de Rene Guedes, e foi publicado originalmente em seu facebook.

Clique AQUI para assistir um excelente vídeo sobre a história do Oriente Médio. E AQUI para entender quem, como e porque financiam os grupos rebeldes da Síria. O primeiro vídeo tem somente 10 minutos, e o segundo 14 minutos. Ambos cabem muito bem como complemento e como forma de ilustração ao texto de Rene.
Figura retirada do primeiro vídeo indicado acima.

por Miguelito Formador

borussia-dortmund-hannover-96-0-1Eu não queria colocar nenhuma das figuras tristes e drásticas dos acontecimentos recentes para dar uma ênfase dramática ao assunto. Mesmo descobrindo ser bem difícil encontrar uma figura que não seja trágica sobre o tema.
Apelei para o futebol…
Quer seja entrando na Grécia, quer seja invadindo o Eurotunel para Londres, em barcos apertados no Mediterrâneo tentando entrar na Itália ou mesmo embarcando em ônibus no Acre para chegar a São Paulo, inúmeros são os refugiados que saem de seus países forçadamente, fugindo de perseguições políticas, religiosas ou mesmo de guerras.

E para os que de prontidão são contra, mostrando uma detestável xenofobia, friso que é forçosamente que as viagens desses refugiados ocorrem. Não são férias, nem aquela oportunidade que muitos têm de vivenciar uma experiência noutro país e voltar enriquecido culturalmente. Impossível também comparar com os que migram em busca de melhores empregos e condições financeiras, como o exemplo dos nordestinos que vão para São Paulo ou os brasileiros de todas as partes que foram para Brasília nos anos 60; esses tinham família e lar em outras partes e podiam com uma simples ajuda de um bilhete de ônibus ou avião, voltar para o aconchego de parentes e conhecidos.
Os refugiados deixam para trás o seu passado, sua profissão e suas crenças; abandonam a família, o idioma e a própria cultura por correrem real perigo de vida. Por estarem á mercê de uma Guerra Civil, de uma invasão terrorista, de Boko Haram’s e Estado Islâmico’s. Não é comparável às tentativas de cruzar o mar do Caribe em balsas como fazem os Cubanos, ou a fronteira do Texas com “coiotes” que levam Mexicanos e outros latinos ao sonho americano… É sair para não morrer, sabendo que o tentar e falhar, mesmo morrendo no caminho, é melhor que o ficar e esperar o sofrimento sem fim.

Acho que todos já leram distintas notícias que circulam pela rede nesses tempos. O que me chocou numa delas foi saber que apenas uma pequena parcela é a que aparece na mídia, pois é a que cruza grandes distâncias. Por exemplo, a maioria dos Sírios se refugiou da guerra interminável dentro do próprio país e nos países fronteiriços como Jordânia e Líbano. O caos Sírio tem mais de cinco anos e segue indefinido, pois contra as forças do presidente Bashar Al-Assad, lutam rebeldes contra o regime ditadorial e, contra ambos, está o “califado” terrorista do Estado Islâmico.

Todos também leram que os países mais buscados pelos que enfrentam as largas distâncias são Alemanha, França e Reino Unido. E a razão é clara: oportunidade.

No capitalismo perfeito, a concentração de renda gera “lacunas” de necessidades que os “já ricos” não querem executar e aceitam pagar por isso. E é nessas lacunas que os pobres recém-egressos ao sistema se encaixam perfeitamente: cozinheiros, garçons, babás, lixeiros, pedreiros, empregados domésticos estão na base da pirâmide e só por isso (lembrando que estou falando idealmente), aceitam estes empregos. O pós-guerra europeu recebeu vários povos que se mesclaram aos desenvolvidos pela falta de mão-de-obra e também em busca dessas oportunidades.
Porém ao mesmo tempo, provocativamente falando, o capitalismo perfeito não possui assistencialismo; já que as oportunidades apareceriam independentemente do Estado…

Podemos discutir se o sistema de cotas proposto pela Chanceler Angela Merkel é justo, principalmente para os países “pobres” da zona do Euro (notícia aqui). Só não acho correto discutir o fechamento das fronteiras e alguns argumentos absurdos de perda de empregos ou violência iminente… vale lembrar que muitos dos países europeus financiaram e financiam, junto aos Estados Unidos, as guerras separatistas, os regimes totalitaristas e indiretamente (ou não) o terrorismo advindo desses regimes.
Promover a paz nos países dos refugiados certamente levaria muitos destes de volta ao lar. Negar assistência a essa gente é negar o passado bélico, é deixar de ser humano. Um milhão de pessoas representa menos de 1,5% da população alemã hoje. É muito se pensarmos no número como um todo, mas muito pouco proporcionalmente. Ignorar o fato e bloquear os acessos, como tentaram fazer os ingleses no início da onda migratória, é impossível!
(pra quem não leu, seguem dois posts nossos relacionados com o tema aqui, onde Merkel responde diretamente a uma menina sonhadora Palestina e aqui, onde um conto aborda ludicamente o assunto).

O desejo aqui é que sejamos mais abertos e menos xenófobos. Que abramos um sorriso àquele garçom negro que nos atende com sotaque, àquele taxista… que os respeitemos e busquemos aprender com eles.
Termino com duas indicações de leitura. A primeira é a estória de um refugiado Sírio, professor, que trabalhou na Copa do Mundo graças à ajuda de um bom coração – aqui. E a segunda apresenta opções de ajuda a esses refugiados, seja no Brasil ou no exterior, pra quem quer sair da página 2 (link aqui). Detalhe: nas entidades e ONGs aparecem outras entidades e ONGs.

por Celsão correto.

figura “positiva” retirada daqui. Foram muitas as torcidas alemãs de futebol que fizeram faixas pró-refugiados.

 

Reem_refugiada_PalestinaNa semana passada, um vídeo onde a chanceler alemã, Angela Merkel, dá uma resposta a uma menina, refugiada da Palestina, em um programa de debate com diversos jovens e adolescentes, ficou famoso no mundo inteiro.
clique AQUI

Eu escrevi sobre isso, algumas horas depois do ocorrido, em meu Facebook. Horas mais tarde, o fato já era notícia na maioria dos meios de comunicação do Brasil e do mundo.

A menina, de 13 anos, refugiada palestina na Alemanha, já carregando no rosto um ar de maturidade, mas com um brilho puro nos olhos, cheia de esperança e fé exteriorizadas na expressão facial cativante, diz, em alemão fluente, que sonha com um futuro menos amargo para sua vida, que quer frequentar a universidade e completa dizendo que é muito duro ver tantas pessoas “curtindo” a vida, e não poder curtir junto.

Angela Merkel, num estilo bem estereotipado do alemão, desprovida de sentimentos e de forma incrivelmente racional e direta diz: você é muito simpática, e nós queremos ajudar, mas a Alemanha não suporta milhares de refugiados palestinos e da África. Alguns terão que voltar!

A reação da garota?
Começa a chorar…

O choro dela, não é pela resposta dura. Não é por ela ter sido contrariada. Não é nada disso. O choro dela é por ver todos seus sonhos de futuro desmoronando. Chora por ver as únicas utopias que lhe fazem ainda ter algum tipo de fé na vida, sendo-lhe roubadas. Chora por ser confrontada com o fato de que o mundo dos adultos é muito mais severo e cruel que o mundo das crianças. Chora, por pensar no seu passado, de onde veio, no seu povo, e pensar na ideia de ter, tanto ela quanto outros, que voltar para o inferno de onde saíram.

Refugiada_Angela_01A Sra. Merkel ainda faz um carinho “bem doce” na menina. E diz: sua pergunta foi muito boa, não precisa chorar. WHAAAAT??????

Ainda bem que o moderador no fundo diz: Ela não está chorando por isso, mas pela resposta dura que recebeu e pelo confronto com a realidade.

No que Merkel responde: eu sei disso, mas mesmo assim eu quero fazer um carinho nela.

O que eu penso?
É claro que nem Alemanha, nem França, nem Brasil, nem EUA suportam dezenas de milhares de imigrantes e refugiados chegando em um pequeno intervalo de tempo. Nenhuma economia, nem território, nem infraestrutura, nem sistema de saúde e de educação, sustentam isso. É claro que é preciso ser racional e realista, e tentar delimitar até que ponto o país sustenta abrigar refugiados sem começar a entrar ele mesmo em um caos.

Mas, porém, contudo, todavia, há um caminho muito mais honesto, justo, ético e eficiente. É o caminho do prevenir, para não precisar remediar.

Um bom começo seria se esses países desenvolvidos, como Alemanha, Inglaterra, França, EUA, reparassem danos causados a países mais pobres e em desenvolvimento, devido a cartéis e pagamento de propina a empresários e políticos, feitos por suas grandes empresas e estimulados pelos seus Governos. Tais práticas fizeram/fazem parte de um conjunto de estratégias de desenvolvimento econômico em muitos países desenvolvidos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e que foi fortemente utilizada até um passado recente, mas ainda é recorrente nos dias de hoje. Essas ações causam rombos nos cofres públicos de países já pobres, e geram mais dinheiro para a economia de países já ricos.

Outro bom começo seria tentar reduzir a política de venda de armas para países em guerra. A Alemanha está entre os 5 maiores exportadores de armas do mundo, numa lista que é liderada por EUA em 1°, Rússia em 2°, seguidos por Alemanha, França, Inglaterra e China, que se alteram, ano a ano, entre a 3° e a 6° posições. Os maiores mercados de armas da Alemanha são África e Ásia, Sra Merkel! Continentes de onde veem a maior parte dos refugiados na Alemanha. Que coincidência, não? (Clique AQUI e AQUI para ler mais)
Além disso, dados oficiais apontam que cerca de 2/3 das exportações de armas da Alemanha vão para países fora da OTAN, muitas vezes governados por ditadores em regimes bárbaros, como Argélia, Catar e Arábia Saudita. (Leia mais AQUI)

Resumindo, o que ocorre é o seguinte: para a indústria bélica, não é interessante que as guerras acabem. Assim sendo, estas empresas criam estratégias para que a guerra continue, patrocinando políticas e ideologias, muitas vezes através das mídias e igrejas locais, que gerem mais desavenças e mais ódio, e que evitem movimentos e soluções que visem a paz.

Os Governos destes países ricos, que abrigam as empresas armamentistas, ajudam-nas, ou no mínimo, fazem vista grossa, afinal, quanto mais essas empresas lucrarem, mais impostos o Governo arrecada, mais dinheiro nos cofres do país, ajudando a garantir a boa qualidade de vida.

Enquanto isso, os povos de lá (dos países em guerra), desesperados, fogem e tentam se refugiar em países com a tal “boa qualidade de vida”. Mas estes países, que adquiriram parte desta qualidade de vida com a venda de armas, dizem: nós não podemos lhes abrigar, voltem para a guerra e para seus campos de refugiados.

Que amarga ironia, esta tal de ação e reação, não!?!

por Miguelito Formador

Palestina_devastadaDeixa eu ver se entendi direito…
Quase um mês de confronto em Gaza e agora me aparece o Obama dizendo que mandará 225 milhões de dólares para o sistema de defesa anti-aérea de Israel?
É isso mesmo?

Nem quero falar do passado, das invasões, da criação do Estado de Israel com o “deslocamento forçado” dos palestinos, falemos só dessa última etapa desta “luta contra o terror”.

Inúmeros alvos civis foram atingidos; de acordo com a versão oficial buscavam-se trinta e poucos túneis secretos que levariam ao território Israelense. Entre os alvos civis, 142 escolas foram bombardeadas, sendo 89 delas escolas-refúgio da ONU. Ou seja, mesmo que houvesse um túnel ali, saindo daquele ponto, este túnel não deveria necessariamente ser explodido numa escola, certo?
A própria Unicef calcula que 408 crianças morreram, 2500 ficaram feridas e mais de 370 mil precisarão de apoio psicológico para transpor o trauma (fonte: Unicef).
E isso só pra citar as crianças! Inocentes e indefesas crianças!
Na fonte da Unicef há uma curiosa comparação: pela extensão territorial e densidade populacional, se fosse feito nos EUA, seria como assassinar 200 mil crianças!

Como pedir que estes jovens sobreviventes a tais ataques não odeiem Israel, os Estados Unidos, e, generalizando, o Ocidente?

Como pode um país com a terceira força bélica do mundo, manter um cerco desumano em Gaza por quatro semanas e assassinar mais de 1800 pessoas? E ainda manter a cara-de-pau de bradar ao mundo que os palestinos também mataram israelenses? (a contagem oficial fala em 67, sendo somente três civis)

Como puderam atacar durante um cessar fogo combinado de sete horas para ajuda humanitária, atirando um míssil e matando mais de 50 pessoas?

Como podem os “pobres judeus” ainda se dizerem perseguidos e dependentes de apoio do “primo rico” Estados Unidos após tantas atrocidades?

232512_630x354Li nalgum lugar e repito aqui: é até cômico ver o povo judeu fechando um cerco a outro povo, deixá-lo sem energia elétrica, saneamento básico, comida, ou seja condições dignas e infringi-lo com mísseis de longo alcance a alto poder de destruição.
É o novo campo de concentração! E permito-me dizer: não deixa nada a desejar a Auschwitz! Dada a dessemelhança de condições, poderio bélico e financeiro.
Longe de mim pregar o anti-semitismo. Não odeio os judeus, nem Israel. Mas foi desproposital, desumano, desnecessário…

Uma professora especialista em Oriente Médio declarou que estamos diante do terceiro grande deslocamento populacional palestino da história. O primeiro foi na instituição de Israel (em 1948), a segunda com a ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia em 1967 e neste deslocamento, tem-se 400 mil pessoas deslocando-se da fronteira arrasada para o centro de Gaza.

Não creio que verei a paz entre esses povos, tampouco a devolução da Cisjordânia ou a legitimação do Estado e Povo Palestino por Israel. Mas o que me emputece é ver o apoio unilateral dos EUA a Israel; pois mesmo sabendo que toda ajuda humanitária se faz necessária em Gaza no mesmo momento (a agência das Nações Unidas pediu ajuda de US$187 milhões para reconstrução e suporte aos que se deslocaram – aqui), decidem enviar US$225 milhões para o sistema de defesa “Iron Dome” israelense (notícia aqui – em Inglês).

por Celsão revoltado

figuras retiradas do próprio vídeo sobre a ajuda solicitada pela ONU (aqui) e daqui

P.S.: dois links de leitura rápida: sobre o rompimento do cessar fogo de sete horas (aqui) e a opinião da ONU (infelizmente inoperante) sobre o ataque às escolas da própria ONU (aqui)

Leonardo_BoffUm dos mais conhecidos teólogos do Brasil, Leonardo Boff é um nome atualmente aclamado em todo o mundo. Aos 75 anos, Boff é um intelectual, escritor e professor premiado e respeitado no país, cuja opinião é ouvida por personalidades com o Papa Francisco e os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Já o acompanho e leio suas ideias há um bom tempo. Dificilmente tenho algo a criticar sobre o que ele diz, normalmente é impecável aos meus olhos. Pensador que possui muita sanidade, honestidade intelectual, sabedoria, bondade, vasto conhecimento, e muito, mas muito senso de justiça.

Nesta entrevista, porém, Boff se supera. Ele consegue, em poucas linhas, tratar laconicamente, mas nem por isso sem eficiência e/ou sem didática, de diversas questões que parecem, aos olhos de muitos, não estarem conectadas, mas na verdade muitas delas se encontram e se influenciam, direta- ou indiretamente, muitas vezes num jogo de “causa e efeito”.

Entre os assuntos tratados por ele estão: pobreza e riqueza, ética social, sistema capitalista selvagem baseado na especulação financeira, política no Brasil, PT e Dilma, candidatos e partidos de oposição, avanços sociais obtidos nos últimos anos e o que ainda falta para o povo. Fala ainda da igreja católica e cristã, passando por Jesus Cristo e chegando ao momento atual da Igreja Católica com o Papa Francisco. Fala do protestantismo e Lutero, critica os religiosos que fazem da religião um grande “negócio”, usando o evangelho para justificar ideias retrógradas, tirar dinheiro dos fiéis e manipular mentes. Tece comentários sobre a situação no Oriente Médio (Israel & Palestina), aborto, violência, crise econômica e social na Zona do Euro, América Latina como esperança para o futuro, e sobre a crise ecológica e econômica mundial.

Sobre essas últimas duas, Boff diz estarem profundamente conectadas, estando o capitalismo fundado na exploração dos povos e da natureza. Ele fala: “Esse sistema não é bom para a humanidade, não é bom para a ecologia e pode levar eventualmente a uma crise ecológica social com consequências inimagináveis, em que milhões de pessoas poderão morrer por falta de acesso à água e à alimentação”.

Para ler a entrevista, clique AQUI.

por Miguelito Filosófico

* figura retirada do perfil de facebook de Leonardo Boff

Caros leitores, gostaria de lhes desejar um 2014 muito produtivo na esfera intelectual. Desejo a todos vocês um despertar ainda mais aguçado do senso crítico, do poder de reflexão, da racionalidade em combinação com a sensibilidade, e que isso tudo gere o desenvolvimento de uma sabedoria cada vez mais concreta, pois afinal, a sabedoria traz todo o resto, inclusive saúde, paz, amor, equilíbrio, uma vez que todos estes são consequência, em muito, de nossos atos e comportamentos.

Para iniciar esse ano sacudindo a poeira, trago um documentário e uma entrevista, que se assistidos por completo e com bastante atenção têm o potencial de quebrar diversos paradigmas de nossa cultura e desmanchar crenças e preconceitos, que foram cravados em nossas almas através de nossa criação e educação.
Quase tudo o que somos é um reflexo de nosso meio, de nossa sociedade e da cultura da mesma. Poucos são aqueles que questionam seus próprios atos, crenças e costumes, pois afinal, não fomos educados para questionarmos, pois questionar é ruim para o Status Quo, e o Status Quo é bom para aqueles que detêm todo o Poder do mundo em suas mãos.
Agimos repetindo nossos pais, nossa família, nossos amigos, nossa televisão, nosso meio. E quase nunca paramos para nos perguntar: “Por que eu penso e ajo desta maneira? De onde veio este meu costume? É certo fazer isso que faço? Será que aquilo no qual acredito, é uma verdade absoluta, ou pode ser uma mentira ou uma bobagem que me foi ensinada como verdade?”

1) A primeira indicação deste blog é o documentário Zeitgeist. Este é composto por 3 filmes, mas aqui venho indicar, inicialmente, somente o primeiro. Obviamente, os outros 2 são altamente recomendáveis, mas não serão tratados neste post. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Zeitgeist

Zeitgeist

Zeitgeist filme 1 é composto por blocos:

  • No Bloco 1 é abordado o fenômeno da religião. O foco é a igreja cristã, mais especificamente, a católica. Mostra-se com um resgate bibliográfico fantástico, como a maioria das religiões têm infinitas semelhanças metafóricas, e que todas essas semelhanças têm uma explicação astrológica bem definida. Resumindo, prova-se com dezenas de exemplos que, o cristianismo, em boa parte de sua essência, não passa de uma cópia de religiões “pagãs” antes de Cristo.
  • No Bloco 2 é abordado o atentado do World Trade Center. Fazendo um apanhado de depoimentos de quem estava dentro dos edifícios e sobreviveu, e realizando um estudo técnico combinado com muito bom senso e lógica trivial, busca-se mostrar que este atentado, obrigatoriamente, foi articulado deliberadamente por pessoas ligadas à CIA e ao exército norte-americano. Ainda mostram como atentados contra a própria nação são uma estratégia utilizada há muitas décadas pelos EUA, como forma de comover a população, buscando gerar um sentimento de patriotismo e com ele o apoio a empreitadas militares fora de seu território.
  • No Bloco 3 é feito um resgate histórico sobre os bancos e o Sistema Financeiro, até chegar os dias atuais. Com uma análise bem técnica, apontando diversos exemplos e dando “nome aos bois” o documentário visa, neste ponto, mostrar que o mundo é refém do Sistema Financeiro. Os poderosos fazem-nos crer que os políticos são responsáveis pelas atrocidades do mundo. Mas a verdade é que todos são vítimas e reféns dos grandes bancos do mundo, desde um cidadão normal até os próprios políticos. Enquanto o Sistema Financeiro continuar sendo o carro condutor, as sociedades não conseguirão prosperar de forma justa e digna.
  • No Bloco Final mostra-se a conexão entre o Sistema Financeiro, as Religiões e os Governos como um complexo bloco detentor do Poder e de quase todo o dinheiro do mundo. E, para conseguirem manter os cidadãos alienados, sem protestarem por mais direitos e mais justiça, utilizam-se da mídia para gerar medo, jogar uns contra os outros, e mantê-los entretidos com todo o tipo de futilidade. Ou seja, a Mídia é o meio utilizado pela alta elite (leia-se religiões, bancos, multinacionais e governos) para controlar toda a população mundial.
    E por fim concluem com uma teoria de controle total do mundo por parte dos poderosos. Teoria essa que se mostra a cada dia mais verdadeira, se observarmos bem ao nosso redor.

2) Entrevista no Roda Viva de 1996 com o intelectual americano Noam Chomsky. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Noam_Chomsky

Noam Chomsky

Noam é um acadêmico linguista, mas atua em diversas áreas, como filosofia, política, sociologia, antropologia, entre outras. Durante a Guerra do Vietnã, Noam se destacou por suas críticas ao imperialismo americano.
Integrando o hall dos intelectuais mais respeitados do mundo, Noam explana no programa Roda Viva suas ideias e críticas ao sistema capitalista vigente, ao imperialismo americano/europeu, ao descaso para com aqueles marginalizados pelo sistema, e aponta aqueles que para ele são os responsáveis pelas grandes barbaridades, as guerras, desigualdades e injustiças existentes no mundo:  as empresas transnacionais, os grandes bancos, a mídia e a indústria armamentista.
Ele faz também críticas aos sistemas ditos “socialistas” que passaram pelo mundo, como o da União Soviética e China, além de falar do Marxismo.

Como grande intelectual e possuindo um discurso muito didático, num tom humilde e puro, Noam propõe também algumas soluções para o caminhar da humanidade.
Essa entrevista é imperdível, assim como o é toda a obra de Noam Chomsky.

Esses dois “vídeos” têm o potencial de abrir muito os nossos olhos para a podridão que rege nosso Planeta. Espero que essas verdades toquem cada um de vocês e que juntos possamos fazer nossa parte para mudar os rumos do mundo e das sociedades. Este é meu desejo para 2014 em diante.

por Miguelito Formador

Armas químicas na Síria

Armas químicas na Síria

O projetor é ligado. No telão do cinema, os espectadores comem, inertes, sua pipoca e tomam sua coca-cola gelada, de preferência, sem rato. A expectativa é grande, espera-se muita emoção, afinal, todo o filme de guerra proporciona emoções em demasia, e o choque, em alguns mais sensíveis.

O filme começa. O cenário é o Oriente Médio; o país em foco é a Síria. Nas primeiras cenas do filme. Numa sequência de rápidas cenas, mostram-se as instabilidades políticas e sociais do país e da região nas últimas décadas. Vemos conflitos, o rodapé da tela mostra a frase “guerra pela unificação de Egito e Síria. Década de 50“. A união fracassa. Um grande opositor à união, Hafez al-Assad, é nomeado chefe das Forças Aéreas, e o rodapé volta a mostrar “anos 60”. Novos conflitos: “Guerra dos 6 dias”. A Síria é derrotada, perdendo parte de seu território.

“1970”, o Assad dá um golpe de Estado, e assume o poder. Alia-se ao Egito, e começam uma guerra contra Israel. Perdem a guerra. Em Israel, a bandeira americana aparece triunfante balançando ao vento. Vemos cenas do ditador sírio apertando as mãos do ditador soviético, o que remete os telespectadores à Guerra Fria. Outras guerras sucederam-se, como a ocupação do Líbano, ainda na década de 70.

2000″. O presidente sírio tem um ataque cardíaco e morre. Assume a presidência seu filho, Bashar al-Assad. Este aparece em várias cenas discursando e sendo louvado pelo povo. No passar das cenas, entendemos que a euforia do povo havia passado, e volta a instabilidade social.

“2010”. Vemos clima de tensão, dessa vez, no Irã. EUA e aliados ameaçam invadi-los, acusando-lhes de estarem a enriquecer urânio para produzirem bomba nuclear. A interferência diplomática de alguns países evita uma guerra que poderia ser catastrófica. Os anos avançam, no rodapé “2010/2011”. Vemos greves, rebeliões e conflitos militares entre povo e exército. As bandeiras aparecem: Tunísia, Egito, Líbia, entre outras. “Primavera Árabe”. De repente, voltamos à Síria, o presidente discursa dizendo que não será fraco como seus vizinhos, e resistirá com todas as forças à qualquer tentativa de golpe.

A tela escurece, 10 segundos de silêncio. O filme recomeça a rodar em velocidade normal.

“2011/2012”. Vemos intensos conflitos na Síria. Vemos grupos rebeldes de extremistas islâmicos, conspirando e realizando investidas, atentados. A comunidade internacional pede intervenção na Síria, a qual não ocorre. Os conflitos continuam, em ondas, hora mais intensas, hora menos.

“2013”, “arma química lançada contra civis em território sírio”. Vemos cenas fortes, centenas de pessoas mortas, entre elas muitas crianças. A mídia ocidental, mais que depressa, anuncia: Assad usa armas químicas contra civis. Em seguida mencionam que Obama discute a possibilidade de invadir a Síria. Começam pressões internacionais, inclusive da ONU, pedindo que antes de se decidir por uma invasão, seja ao menos investigado quem foi o responsável pela utilização das armas químicas.

Uma equipe da ONU vai até a Síria com o consentimento do governo deste país, e ao chegar ao local onde a arma foi utilizada, são recebidos por tiros. O governo americano acusa o governo sírio. As análises da equipe da ONU prosseguem mesmo assim. Eles confirmam que foi utilizada arma química, mas não conseguem concluir quem a utilizou. Além disso, sugerem que autoria poderia ser dos rebeldes, lembrando que estes já utilizaram armas químicas anteriormente.

O presidente Obama e sua chapa da OTAN ignoram a falta de provas, e buscam apoio em seus legislativos para invadir a Síria. O clima esquenta. Alguns países voltam a se manifestar, dizendo que um ataque à Síria sem provas seria um equívoco e demonstração clara de interesses imperialistas. O Irã diz que se a Síria for atacada, eles (Irã) atacarão Israel, que virará pó! A Rússia diz que auxiliará o Irã, além de atacar a Arábia Saudita (aliado americano). Os rebeldes iraquianos dizem entrar na briga para apoiar a Síria, e que farão ainda mais atentados contra os americanos no Iraque.

E assim, o filme termina.

Não, o filme não acaba, pois não é filme, mas sim, vida real. A história se repete, e a força deixa a história mal contada. Criam-se álibis, a verdade é distorcida, manipula-se a opinião pública, e uma nova guerra se inicia sem que a maior parte do mundo tome conhecimento dos reais motivos da mesma: Dinheiro! Foi assim no Iraque, no Afeganistão, no Irã, e em vários outros conflitos no decorrer da história. Agora, a bola da vez é a Síria.

O discurso da chapa ocidental, liderada pelos EUA, é sempre o mesmo, com ar de “polícia do mundo”, e que querem levar democracia para os outros países. Balela! Aqui estamos a tratar do domínio geográfico do Oriente Médio, maior fonte de petróleo do mundo. Só que desta vez, a guerra pode tomar proporções maiores. Estamos vivendo na iminência de uma Terceira Guerra Mundial.

EUA já controlam, ou têm o apoio da Turquia, Arábia Saudita, Israel, Egito, Jordânia, Qatar, entre outros. Para ter o controle praticamente total de região, resta-lhes controlar a Síria e o Irã, que são os governos mais fortes não aliados.

Enquanto isso, nós cidadãos estamos sentados comendo pipoca e tomando coca-cola, de preferência, com rato. Continuamos nos preocupando com coisas banais de nossas vidas, e damos pouca, ou nenhuma atenção ao fato de que uma Terceira Guerra Mundial pode estar prestes a acontecer, e todos nós, e nosso planeta como um todo, corremos enormes riscos.

por Miguelito Formador