Posts Tagged ‘hipocrisia’

Cunha_Repatriação_02Deus é amor.
Deus é compaixão, solidariedade, Deus é caridade, desprendimento, é fazer para os outros o melhor, é amar o teu próximo como a ti mesmo; Deus é abnegação, é deixar o seu em prol de um bem maior, é pensar na comunidade, no povo de Deus!

Mesmo para aqueles que não confessam uma religião, mesmo para os que não acreditam em Deus, mesmo aos que são avessos a crenças; imaginar um crente, um cristão com as características acima, não é difícil, idealmente falando. E seguir o exemplo D’Ele (de Deus) é o esperado pela assembléia que congrega a mesma fé.

Não sou contra religião alguma. E acho interessante a laicidade declarada do Estado Brasileiro, dando liberdade de religião a todo cidadão. Tampouco condeno, sob qualquer forma, o acúmulo de riquezas que foi uma das razões do surgimento do protestantismo; enfim, acho que todo aquele que produz algo e recebe pelo seu trabalho, deve escolher quando usufruir do seu dinheiro.

Muito bem.
Me pergunto há algum tempo qual seria o Deus do Sr. Eduardo Cunha.
Ele mente, manipula, engana, inventa, transgride. Dá entrevistas afirmando, por exemplo, não possuir conta no exterior. Sua declaração de imposto de renda (aberta ao público por conta da candidatura) não atesta os valores encontrados na Suiça.
A estória muda e passa a usar o nome oblíquo de trust para a titularidade das contas encontradas! Pois é… ele possui mais de uma conta fora do Brasil! Mas mesmo assim ele segue dizendo na imprensa que aquilo não lhe pertence, ao melhor estilo Maluf, da clássica: “Essa assinatura é minha, mas não fui eu que assinei”. Cunha usou: “A conta possui o meu nome, mas não sou eu que a manipulo, não a movimento”.

Agora novamente essa mentira caiu. Uma procuração enviada por autoridades suiças mostra que o próprio Cunha possui plenos poderes de movimentação da conta. (link aqui)

E, como se não bastasse, Cunha a seu modo maniqueísta e manipulador; contando obviamente com seu apoio costumeiro na casa, conseguiu aprovar (pasmem!) uma absurda lei de repatriação de dinheiro ilegal no exterior!
Quer dizer que o dinheiro dele, surgido sem explicação plausível no início de Outubro (aqui), negado e disfarçado de trust após novas denúncias e, muito provavelmente, criminalmente condenável no futuro próximo poderá ser trazido de volta? SIM!
E o absurdo maior pra mim é que a lei vem com anistia a crimes como: lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, falsificação de identidade e documentos para manipulação de câmbio, etc.
Ou seja, se você, deputado pilantra, político corrupto ou empresário inescrupuloso sonegou impostos, pagou salários e propinas para um “laranja” com identidade falsa e usou os paraísos fiscais para mandar os seus dólares, euros ou francos suíços… basta pagar 15% de imposto e outros 15% de multa… aproveitando que a moeda aqui se desvalorizou na mesma proporção.
Cunha e toda a gentalha pode trazer a grana da aposentadoria de volta, sem que sejam considerados criminosos, numa boa taxa de câmbio e com a desculpa perfeita de ajudar o governo a aumentar a arrecadação de impostos! (aqui uma matéria com vídeo do resultado da votação, explicando a proposta absurda)

Não fosse só isso, retomando o ponto da religião, surgiu também nos últimos dias uma declaração de apoio a Cunha, vinda de partidos da chamada “bancada evangélica”, como o PSC (Partido Social Cristão), cujo líder na Câmara, deputado André Moura, foi o leitor da nota.
Pois bem… Aqui temos aqueles que só querem manter Cunha para que ele tire Dilma, como declarou o Solidariedade através do deputado Paulinho “da Força”; temos os que “seguem o fluxo”, como o PMDB; mas temos os que estão apoiando Cunha pelo simples fato dele ser “de bem”, “um homem de Deus”…
Mais uma vez pergunto: que Deus é o dele?

por Celsão revoltado

P.S.: figura retirada do vídeo citado acima, sobre a aprovação prévia da lei de repatriação

18jun2015---comitiva-formada-por-senadores-de-oposicao-no-brasil-foi-cercada-por-manifestantes-em-caracas-capital-da-venezuela-quando-estava-a-caminho-do-presidio-para-visitar-leopoldo-lopez-preso-por-1434669132064_300x300– E não é que deu certo mesmo essa viagem pra Venezuela, com avião da FAB? – pergunta o colega do DEM
– Eu te falei Senador. Era só colocar pressão e falar em “luta pela democracia” que a liberação viria bem rápido. Ironizou um dos tucanos a bordo
– Mas aposto que uma parte da mídia vai questionar o valor dessa nossa brincadeira! – profetizou o senador do PMDB

– Como está a nossa agenda? Teremos tempo para compras?
– Começaremos com fotos para a imprensa diretamente do aeroporto com esposas de presos políticos, de lá seguiremos para um presídio e fecharemos protocolando uma moção em nome do Brasil no Senado deles, pedindo a libertação dos políticos de oposição.
– Em nome do Brasil? Eles engoliram essa? Todos sabem que a Dilma, o PT e o restante da base aliada, contando também com parte do meu partido foram contra essa viagem e são contra esse tipo de intervenção em países independentes.
– Nós temos é que exercer nossa liderança regional, deixarmos de ser “bunda-moles” e ganhar uns pontinhos com os EUA!
– Acha mesmo que isso será notícia por lá?
– Receberemos certamente os parabéns do Obama e da Merkel. Acho até que devemos marcar a próxima “comitiva” para a Grécia. Austeridade é bom e eu gosto!

No aeroporto…
– Viu que fácil? Pousamos sem problemas. Ninguém nesse submundo barraria senadores do Brasil em visita oficial!
– Mas e se a população for contra nós?- Você não assiste o jornal, colega, não lê os jornais? A população daqui está acuada há anos; clama por um golpe de Estado que os liberte, precisa de uma intervenção americana e o mais breve possível! E isso sem o apoio da imprensa, que foi duramente caçada pelo governo, só no boca a boca. Ações e apoio populares invejáveis para a nossa direita brasileira.
– Sei não. Teve gente que divulgou que as eleições foram justas…

– Que beleza! As viúvas, digo, as esposas já estão nos aguardando. Vai ser bem rápido e poderemos talvez até nos encontrar com empresários ou banqueiros locais.
– Mas… aqui não é tudo estatal?
– Ah é…
– Os batedores também já estão aqui. Estamos blindados!

Já no ônibus
– Que absurdo de trânsito. Parece São Paulo! Vou atualizar meu twitter. Quem sabe o nome daqui?
– Caracas!
– Verdade… a capital da Venezuela é Caracas. Beleza. Deixa comigo!
– E esse movimento aí na frente, o que é?
– Parece uma manifestação. Deve ser de uma minoria, contratada pelo PT
– Eles estão armados? Tem enxadas ou foices? Morro de medo desses radicais.
– É bom olhar mesmo.
– Ai meu Deus, por que é que eu embarquei nessa loucura! E olha que eu faço parte da coalisão… Meu partido apoia o Governo
– Tarde demais, Senador.
– Tarde demais uma ova. Se cercarem o ônibus eu desço e declaro apoio incondicional ao governo deles, à esquerda brasileira. Conto o que é o meu partido e toda a história recente do PMDB
– Se eles te deixarem falar…

– Olha, estão se aproximando
– Motorista, desvia, déssssvia. – carregou no sotaque nordestino um dos tripulantes.
– Amigo, esta es la ruta principal hacia Caracas. No conosco a ninguna vía llamada Diez!
– Sabem quem somos! E estão batendo no veículo!
– Por que eu topei essa loucura, meu Deus, por quê?
– Calma que tudo se resolve. Vamos ligar pro Itamaraty!
– Eles têm bandeiras vermelhas.
– Liga pro Eduardo Cunha e pede pra ele chamar a imprensa!
– Mas a Globo está aqui no ônibus conosco, esqueceu?
– Só que o equipamento ficou no bagageiro. Vocês disseram que não havia perigo, que tudo estava sob controle. – esbravejou o repórter angustiado
– Filma com o celular. Se atirarem pedras é bom termos provas.
– Será que seremos presos?
– Ou linchados?
– Eu falei que o povo estava do lado do Maduro. São tontos. Iguais aos brasileiros. Ficam do lado de quem faz mal a eles. Povo burro!
– Calma. Vamos pedir para conversar com o líder deles e informar que estamos voltando. Esqueçamos a visita aos presos.
– Mas isso vai pegar muito mal. Viemos até aqui, em avião do governo, para voltar?
– A gente fala em boicote, faz carta pra ONU, reclamação oficial, exige retratação do governo daqui, força a presidente a falar com eles e obter um pedido formal de desculpas…
– Isso. Exagera no ocorrido, no nosso sofrimento, na missão de paz e “bota a boca no trombone” lá no Brasil.
– Se der certo, voltamos aqui na semana que vem e ainda seremos escoltados pelos Federais!
Eu não volto pra cá nem pra receber prêmio. Vocês estão é malucos.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

P.S.: Este post não reflete a realidade, nem a nossa opinião. É uma obra de ficção com o intuito único de divertir (ou seja, não me processem!). Nós costumamos citar bastante a Venezuela em nossos posts; mas, para algo mais diretos sobre nossa opinião sobre a perseguição à Venezuela, clique aqui e aqui

P.S. 2: aqui uma opinião forte do Hugo Chávez sobre o Senado do Brasil

P.S. 3: copio abaixo (para finalizar) uma pesquisa divertida do site conversa afiada, sobre os reais objetivos do Senador Aécio Neves nessa excursão à Venezuela

O que Aécio foi fazer na Venezuela?

  • tentar vencer a eleição lá
  • se o Maduro sair, é ele que assume
  • procurar terreno para construir aeroporto
  • queria ir para o Rio, mas errou o voo
  • já que não deu no Brasil, vai tentar o impeachment lá

bandeiraVocê mora em São Paulo?
Acha que estamos no melhor do Brasil, na nata da nata (ou crème dela crème, como diriam os mais “chic“), que temos os melhores restaurantes, melhores serviços, melhor vida noturna e, sobretudo, melhor “extrato” da população brasileira?

Eu não concordo!

Vivo em São Paulo desde que nasci e gosto da cidade (aqui uns podem dizer que sou estranho, pois gosto do Brasil); mas não acho que somos assim tão bons e tão moralmente inexpugnáveis ou perfeitos se comparados a outros brasileiros.
Motor do Brasil? Talvez. Mas as condições dado o ápice da exploração do café, conseguinte força política no cenário nacional e domínio regional (sobre Minas Gerais), trouxeram o dinheiro pra cá. Com ele vieram as indústrias, os bancos, os trabalhadores em busca de oportunidade…

O fato é que somos egoístas, hipócritas e críticos em demasia.
– Não damos lugar a aposentados e grávidas em coletivos. E mais, brigamos se alguém nos cobra isso. Existem inúmeros vídeos amadores com cenas lamentáveis;
– Somos os mais “espertos” no trânsito e também no transporte público: furamos fila, andamos na contramão, estacionamos em vagas demarcadas à prioridades;
– Moramos em ótimos empreendimentos, com opções ilimitadas de lazer; e temos os mais belos carrões, pela simples necessidade de “ostentar”;
– Criticamos com veemência se algum “desclassificado” tenta frequentar o mesmo espaço, mesmo este sendo público. Tal como parques e shoppings, para citar somente dois exemplos;
– Há preconceito aqui contra negros, mulheres, nordestinos, gays, pobres… Mesmo com massivas campanhas na mídia e movimentos e leis contra todos estes preconceitos;
– O carioca é folgado, o mineiro é caipira, inculto, o baiano é preguiçoso, aliás, todos os nordestinos são baianos (o que mais há por lá?), o sul também é uma “mega-região” que tem praias, mulheres bonitas e vinhos. Rótulos…
Mas, se alguém perguntar sobre o nosso rótulo… seremos trabalhadores, esforçados, perfeccionistas, incansáveis.

O que vejo é que poderíamos:
– Tornar o transporte público, melhor ainda, a vida mais humana. Quem teve a oportunidade de dirigir por cidades como Brasília, Blumenau ou Florianópolis, passou pela experiência de ser chamado de “Paulista!” ao cruzar uma faixa de pedestres sem frear para que os pedestres atravessassem. Nestas e em outras cidades brasileiras, é comum termos faixas sem semáforo, onde o motorista dá a preferência para o pedestre (por incrível que possa parecer);
– Passar a conhecer nossos vizinhos, colegas de trabalho e pessoas “invisíveis” do entorno. Não quero aqui pregar a bondade eterna, mas quem sabe o nome da faxineira da empresa ou do prédio? A mesma que passa pela sua mesa todo dia?
– Entender que uma pessoa que te serviu sem um sorriso ou derrubou seu café pode estar com problemas em casa, ou pode ter enfrentado um dia difícil. Como você, ela é humana! E também entender que as frases: “por que trabalha com público se está com essa cara?” e “foi ela que escolheu esse emprego”, podem não servir;
– Aceitar o trânsito, ou buscar alternativas para minimizar seus efeitos sobre nós, como música, tarefas próximas ao trabalho que modem o deslocamento para um horário alternativo, como aulas de Inglês, academia, prática de esportes. No trânsito, lembrar da maxima do “dia ruim” da outra pessoa;
– E, principalmente, reconhecer que somos imperfeitos, que muito do que foi listado é verdade, que o Carioca e o Baiano têm o mar e preferem, corretamente, balancear a vida privada com o trabalho, não se cobrar tanto. Enxergar que, atualmente, boa parte da “nova” indústria automotiva se instalou no Nordeste e Centro-Oeste. Ou seja, lá também haverá mão-de-obra especializada, lá também serão tomadas decisões, lá também há (e haverá mais) desenvolvimento.

Talvez o título seja exagerado, principalmente por comparar São Paulo e sua sociedade à pequenas cidades, de vida pacata e certo “atraso” cultural. Muitas delas seriam a meu ver, perfeitas para se viver.
Obviamente faço um mea culpa, por errar incontáveis vezes e “seguir a cartilha” que pichei.
E, sem dúvida, muitos outros cidadãos de outras cidades brasileiras (grandes e pequenas) ver-se-ão representados como “paulistas”. Não é um problema de onde se nasce, mas sim da maneira de encarar a vida.

por Celsão irônico

figura – montagem com base em figuras daqui e daqui

P.S.: esse post surgiu de uma agradável e construtiva conversa de bar
P.S.2: A Folha publicou uma pesquisa sobre o assunto: São Paulo x resto do Brasil. Para quem quiser ler sobre uma análise não-convencional feita no site Tijolaço (aqui)

rn188844_0Na semana passada, fomos surpreendidos (ou nem tanto) com uma declaração infeliz de um vereador paraense.
O principal erro do ilustríssimo Sr. Odilon Rocha de Sanção foi ser sincero (a seu modo), considerando que a população, já anestesiada com desmandos e abusos, encontrasse normal a declaração escancarada de corrupção no meio político; “Se não for corrupto, mal se sustenta!” – disse ele.
O político sequer considerou que a cidade de parauapebas, onde legisla, tem renda per capita de R$400; que trabalha quando muito duas vezes por semana; que seus vencimentos ultrapassam os R$10 mil ou 17 salários mínimos considerando despesas com combustível, viagens e telefones; sem contar a nomeação de acessores, que costumam render gordas quantias nos ermos do coronelismo do norte-nordeste brasileiro…
“Se for para eu sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta eu não passaria o padrão de vida que eu levo hoje” – completou ele.
É triste, é pesado ler isso!
Sobretudo num país como o nosso, onde poucos levam a sério a disparidade de condições dos mais ricos comparados aos mais necessitados. Os “de cima” criticam programas sociais e duvidam das reais necessidades e intenções dos “de baixo”, enquanto estes últimos criam antipatias.

Perseguimos aqui e aqui, os médicos, que reclamaram de um piso bem semelhante, por terem muitas outras oportunidades na constante demanda e carente atualidade brasileira. E analisamos aqui alguns salários brasileiros, comparando-os com o resto do mundo.

Ou seja, se o vereador tivesse algum conhecimento de mundo, ou a decência de buscar informação, saberia que está na estreita faixa dos felizes 1% mais ricos do Globo, dado o salário recebido na Câmara de Parauapebas. Desconsiderando outras funções assalariadas que venha a exercer.
Falar em sobreviver é descabido e absurdo. É desconhecer desde a condição humana, passando pela própria comunidade que o elegeu, pelo entorno onde vive e trabalha e chegando à etmologia da palavra. É um insulto!

fotopg5boxMDNa mesma seara está a notícia recente atribuída à Câmara de Blumenau, município catarinense com histórica imigração européia. Os vereadores estudam proposta de aumentar o número de cadeiras em quase 50%, aumentando a casa de 15 para 23 componentes e o gasto público com pagamento de folha de R$400 mil para R$612 mil.
Igualmente abusiva, a medida não para por aí; os gastos aumentariam além das despesas com pessoal, carros, celulares… um novo prédio deverá ser construído, já que o imóvel alugado foi projetado para os atuais 16 gabinetes! (notícia aqui)

Um alento para a população de Blumenau está no protesto de empresários locais, que publicaram frases em outdoors, “provocando” os legisladores, que agora reavaliam a medida. Uma audiência pública sobre este tema foi marcada (provavelmente as pressas) para essa semana.

É inconcebível para mim que haja na lei a possibilidade de definir o próprio salário.
É como se fôssemos contratados para definir nós mesmos o que fazer… Cada um faria o que melhor lhe aprouvesse e no prazo determinado pelas necessidades pessoais. Deixar nas mãos de políticos as definições de salários e benefícios é pedir para que haja problema.

No fim, creio que nem uma drástica reforma política, nem o fim do político profissional, resolveriam tudo. Estes resquícios de “Gerson”, certamente passariam como “brinde” ou “praga” por algumas gerações; até que fossem vistos como imorais ou penalizados exemplarmente.

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui (onde pode ser lida a notícia sobre o nobre vereador Odilon) e daqui. Há um filme sobre a campanha contra o aumento do número de cadeiras em Blumenau aqui.

1424971028509Outro título deste post seria: “Dicas para ser isento numa CPI”.

É absurdo! É revoltante!
Uma nova CPI no Congresso foi instaurada ontem, quinta-feira, para investigar os casos de corrupção na Petrobrás, ou os desdobramentos da operação Lava Jato (notícia aqui).

Até aí tudo bem, uns podem até dizer que acabará em pizza, ou seja, que não dará em nada; outros dirão que as CPIs são elementos políticos para provar a força dos partidos na nomeação de líderes e relatores, que a CPI é “ganha” nessa primeira votação, etc.
Por ser a terceira num período curto (menos de um ano), é realmente mais difícil acreditar que algo muito diferente ocorrerá; mas, o que me revoltou mesmo, foi a constatação feita pelo deputado Ivan Valente, do PSOL.
Em discurso no início dos trabalhos, o político lembrou que mais da metade dos deputados que compunham a mesa receberam doações de campanha das empresas investigadas na operação Lava Jato.

Explicando mais uma vez e em outras palavras: a maioria dos parlamentares presentes, que ocupariam (e ocuparão) as cadeiras desta terceira Comissão de Inquérito, que analisarão documentos, depoimentos, votarão e elaborarão um parecer final, receberam dinheiro para suas campanhas eleitorais (do ano passado!) das empresas cujos executivos estão presos em Curitiba, exatamente por suspeita de irregularidades em contratos da própria Petrobrás, investigada.
Ou seja, só pode ser piada… os apadrinhados investigarão os padrinhos! Notícia aqui.

Como não era interessante para os partidos “fortes”, como o PMDB, que elegeu o presidente da CPI, o afastamento dos políticos “suspeitos” não foi levada a cabo. E a casa votou sem problemas ou pudores e elegeu o presidente (Hugo Motta – PMDB) e o relator (Luiz Sérgio – PT).
O deputado Luiz Sérgio, eleito relator, foi inclusive o candidato que recebeu o maior valor dentre os componentes da CPI, valores próximos a um milhão de reais. O presidente eleito da CPI também seria afastado se o pedido de impedimento do PSOL tivesse sido acatado.

Notem que não estou criticando as doações em si. Embora seja contra elas (vejam aqui e aqui algumas opiniões nossas sobre as reformas políticas necessárias ao país de acordo com nosso julgamento), sei que as doações de empresas privadas, como empreiteiras, são lícitas, fazem parte do “jogo” atual para se eleger um parlamentar.
Tampouco quero “ver sangue” nas prováveis críticas à Petrobrás que estão por vir.
Acho que devemos sim investigar os ocorridos e punir duramente os culpados (como já disse aqui), sem condenar toda a empresa que é inovadora e referência mundial na exploração de petróleo.

Mas… precisava mesmo de uma nova CPI?
E… tinha de ser comandada por deputados “de rabo preso” com os investigados?
Copiando uma pergunta da própria página do deputado Ivan Valente, atribuído por ele à Folha: “Entre os financiadores e os eleitores, entre o dinheiro e o voto, de qual lado cada congressista ficará?”

Termino dando os parabéns ao PSOL que levantou a questão e propôs a medida mais cabível ao caso. Parabéns também aos deputados do PPS que foram os únicos a apoiar o PSOL no intento.

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: link interessante para a página do deputado Ivan Valente, que contém o vídeo do pedido de afastamento – aqui

FestaXPobrezaO Brasil parece estar chocado com a informação de que a escola de samba do Rio de Janeiro, Beija-Flor de Nilópolis, foi patrocinada pelo ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, com a quantia de R$10 milhões.

O que eu não entendo é o seguinte: por que tanto espanto?

Nós, adultos, já passamos da fase de nos eximirmos de culpa com a desculpa de falsa inocência ou desconhecimento dos fatos.

Olhem para aqueles carros alegóricos do Carnaval da Sapucaí. Quanto vocês imaginam que custa o projeto e construção de um carro destes? E as fantasias? (sei que muita gente “compra” a própria fantasia, mas isso não é regra, pois muitas fantasias a própria escola “banca”).

Óbvio que, para construir um desfile com chances de vitória, necessita-se de fortunas. E por mais que os participantes, integrantes, organizadores, façam suas próprias doações, isso está longe de cobrir as despesas. Ou seja, de onde vem o dinheiro? Do céu?

Não gente. O dinheiro vem de patrocínios, muitas vezes, de grandes empresas. E qual a grande diferença de ser patrocinado por um ditador da Guiné, ou pela Coca-Cola, ou McDonalds, ou Nike, ou Apple, ou Samsung, ou Alstom, ou Itaú, ou Burger King, ou Shell, ou Volkswagen, ou Kalashnikov?

A diferença é que, se o dinheiro vem diretamente do ditador, então fica clara a conexão deste dinheiro com a barbárie. Agora, se o dinheiro vem de uma grande empresa de petróleo, armas, indústria alimentícia, vestuário, tecnologia, bancos, é primeiro necessário pesquisarmos (mas a minoria se interessa por pesquisar, ler, se informar) para então percebermos como essas empresas fazem negócios sujos pelo mundo, desde um simples cartel com pagamento de propina a políticos e empresários, até a exploração de trabalho escravo, assassinatos, contaminação química em países de legislações degeneradas ou pouco desenvolvidas.

Mas no fim, é a mesma coisa.

E é ainda mais inocente pensarmos somente no desfile das Escolas de Samba, e esquecermos do resto das alegorias existentes no mundo, que servem para satisfazer nossas ostentações.
No futebol não é diferente, ou então, como é possível comprar jogadores por algumas dezenas de milhões de dólares? Como é possível sustentar um time que paga, em média, 200 mil dólares de salário por jogador por mês!? Já pensaram o que significa ganhar 200 mil dólares por  mês? Existe alguém no mundo que precisa ganhar isso para ser feliz? Qual a parcela de influência disso na desigualdade social e na fome do mundo?
Ou seja, é gente ganhando dinheiro demais, desnecessariamente, e muitas vezes, dinheiro sujo.

Escolas de Samba, futebol, BBB, prêmio do Oscar, prêmio Grammy, basquete na NBA, festa de réveillon da Globo, propagandas distribuídas em novelas globais e em filmes, e “circus” como os programas do Luciano H. e da Regina C.. Até que ponto tais eventos, esportes, programas, ultrapassam o limite de proporcionar diversão e alegria, e invadem a esfera da busca ilimitada por dinheiro, gerando barbáries mundo afora?

Fala-se muito de “Pão e Circo” quando o assunto é política. Mas o verdadeira tática de “dominação” pão e circo, aparece no nosso dia a dia, e ela só existe, pois há demanda/consumo, ou seja, VOCÊ, EU, NÓS, aceitamos, consumimos, e assim, corroboramos.

Se passarmos a ser mais exigentes e seletivos com nossos lazeres, a oferta também começa a melhorar em qualidade.
Novamente, parece que o segredo e solução está somente em um lugar: VOCÊ!

por Miguelito Nervoltado

P.S.: Complementando o texto, segue um excelente video e análise dos fatos pelo Bob Fernandes (aqui) e a declaração do sambista mais famoso da escola sobre o financiamento (aqui)

figura retirada daqui

Charlie_HebdoQuando cursava a 6ª série do Ensino Fundamental, lembro-me das aulas de Ensino Religioso com o Professor, agora amigo, Evandro Albuquerque. Apesar de estarmos em um Colégio Católico, Evandro ensinava “as religiões”, e não o catolicismo ou cristianismo. Nós, alunos católicos, ríamos dos hinduístas por adorarem um Deus com cabeça de elefante, ou dos budistas por darem três voltas em volta do templo, ou dos judeus com a circuncisão quando criança, ou dos médiuns umbandistas que tomam cachaça e fumam charuto quando “incorporam” e depois dizem que quem bebeu e fumou foi a Entidade e não eles próprios, ou dos muçulmanos que acreditam que, ao morrer, terão no céu um palácio de grandeza diretamente proporcional ao tamanho de sua fidelidade em vida aos ensinamentos do Corão.

Então, Evandro olhava-nos com seriedade e severidade e dizia: “as outras religiões também riem de nós por enfiarmos a cabeça numa bacia de água, supostamente ‘benta’, recebermos um sinal de cruz feito pela mão de um padre em nossa testa, e então acreditarmos que agora fomos introduzidos no ‘Reino de Deus’. Portanto, respeitemos, em integridade, as culturas e crenças do próximo“.

Vivendo fora do Brasil, já tive contato com diversas pessoas crentes no islamismo, e lhes digo uma coisa sem titubear: eles têm cabeça, dois olhos, pelos, cabelo, duas pernas, dois braços, falam, caminham, brigam, sorriem… alguns são antipáticos, outros um doce. Engraçado não? Eles parecem com a gente!

Pois é, muçulmanos não são monstros, mas sim pessoas normais, como todos nós, com crenças particulares, assim como nós.

Com um muçulmano específico tive até a oportunidade de me tornar grande amigo. Um Paquistanês que trabalha na minha firma. Ele está entre as cinco pessoas mais dóceis que já conheci nesse mundão. Simples, competente, amável, prestativo, conquistou até mesmo o carinho dos alemães mais frios do meu departamento. Conversamos muito sobre a vida… uma delícia filosofar com ele, tamanha pureza e nobreza de coração, e clareza de pensamento. Defende o amor como caminho para acabar com a pobreza, as desigualdades do mundo, as injustiças… um sonhador.

Também conversamos muito sobre religião e aprendi com ele um pouco sobre o islamismo no qual ele acredita, e não me pareceu mais radical que algumas igrejas neopentecostais atuantes no Brasil.

Com sua barba até o peito, em homenagem a Maomé, Ahmad certo dia me olhou e disse: “Miguel, terroristas são uma pequena minoria, que nos envergonham no mundo, criando falsos estereótipos sobre nossa religião. Nem mesmo as explorações que sofremos, o imperialismo do ocidente sobre nossos países, a nossa falta de liberdade política, cultural e econômica, as guerras nas quais vivemos devido a interesses estrangeiros; nada disso justifica atos bárbaros, assassinatos, principalmente de inocentes“.

Há poucos dias o mundo novamente entrou em estado de choque com o atentado no jornal Charlie na França. Acompanhando um pouco a imprensa brasileira, notei o foco na barbárie do ato, mas praticamente a ausência do debate da perspectiva cultural e religiosa da ofensa sofrida pelos muçulmanos.

Ora, claro que nada justifica o assassinato daqueles profissionais da imprensa, e eu jamais iria me posicionar a favor desses fanáticos religiosos. Porém penso que o humor, como tudo na vida, tem limites, e agredir e desrespeitar os mais profundos valores de alguém, atinge esses limites. Nossa liberdade termina onde a do outro começa. (Clique AQUI para ler nosso artigo sobre os limites do humor, que acompanha um excelente documentário)

As religiões são as maiores causadoras de guerras no mundo. O fanatismo religioso então, é ainda mais grave.

O ideal seria não existirem extremismos e fundamentalismos religiosos, mas, infelizmente, existem. Assim sendo, custa respeitar certas fronteiras? Custa respeitarmos a cultura e crença do próximo enquanto elas não invadem nossas crenças e culturas?

Em nossa cultura, nós cometemos atos impensados quando agridem nossos pais ou filhos. Na deles, quando agridem seu Deus. O que é mais grave?

Pensemos também no comportamento da imprensa mundial, e como nós, enquanto sociedades, usamos nossa consciência ao consumir uma notícia: o assassinato dos funcionários de um jornal quase desconhecido causa comoção mundial. Cidadãos comuns ficam escandalizados e mostram sua indignação. Líderes de Governos fazem passeatas e discursos eloquentes;
Porém, quando um míssil fornecido pelo governo e indústria americana a Israel, é lançado por este país em cima de uma escola Palestina, matando dezenas de crianças que ali estavam estudando, isso fica no noticiário no máximo durante dois dias, os cidadãos se indignam e já se esquecem no dia seguinte, e nenhum líder faz passeata.
Seria um tipo de hipocrisia, ou no mínimo, uma sensibilidade seletiva?

Eu sou contra o fanatismo religioso, assim como sou contra o imperialismo, as retaliações, a escravização que o ocidente, principalmente os EUA, praticam sobre os países muçulmanos.

O jornal Charlie Hebdo já havia sofrido avisos e ameaças anteriores. Os jornalistas não mereciam a morte, mas poderiam tê-la evitado.

por Miguelito Formador

Indico o excelente artigo de Mino Carta, que entre tantas críticas inteligentíssimas, foca na hipocrisia e na seletividade da indignação mundial, dentro de um jogo político e de interesses danosos à democracia e à evolução do mundo. Clique AQUI

E AQUI vai um artigo de Ricardo Melo, com uma abordagem bem diferente sobre o assunto, com foco no fanatismo religioso e nos danos que as religiões trazem para a história da humanidade.

figura daqui

FRANCE-ATTACKS-CHARLIE-HEBDO-MEDIA-FRONTPAGETodo o planeta acompanhou nessa semana uma massiva manifestação em Paris contra o terrorismo e a favor da liberdade de expressão e imprensa. Foi tão divulgada que é dispensável a colocação de um link.

Pouco quero falar sobre o ato execrável e criminoso dos irmãos, membros da rede Al Qaeda do Iêmen. Saliento somente que nenhuma religião, em sua síntese, prega atos violentos contra quem quer que seja.
O próprio Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, condena atos de blasfêmia somente cometidos por aqueles que foram “educados” na doutrina, ou seja, os castigos deveriam ser aplicadas apenas à muçulmanos (detalhes de estudiosos do livro aqui). Na prática vê-se que países mais radicais na doutrina, como o Paquistão, prendem e executam (cristãos inclusive) por profanar ou blasfemar contra Alá ou Maomé.

Eu queria focar, primeiramente, na liberdade de expressão e declarar minha “opinião pirata” sobre o assunto: liberdade completa e irrestrita de opinião e imprensa não existe!
Citando exemplos para ilustrar a frase acima…
– Será que a polícia francesa e seus 80 mil homens que buscavam os terroristas agiriam normalmente se manifestantes pró-terroristas fossem às ruas? Ou mesmo se membros dos direitos humanos pedissem clemência para os criminosos?
– O que aconteceria com um jornal satírico nos Estados Unidos após o onze de setembro, caso publicasse tirinhas exaltando Osama Bin Laden ou mostrando a estúpida e exagerada reação americana?
– No Brasil, que não é um dos países mais rígidos em termos de lei, proprietários de blogs na internet podem ser processados por comentários feitos por terceiros. Como alternativa, os comentários devem ser moderados ou cada post deve conter a isenção de responsabilidade, informando que a página não se responsabiliza… (blá, blá) que os comentários não representam a opinião do autor e editores… (blá, blá)
– Pra completar a lista de exemplos, Laerte, um dos maiores cartunistas brasileiros, declarou em entrevista (link)que não existiria um Charlie Hebdo no Brasil, por conta da pressão “bate-assopra” que cobramos uns dos outros aqui.

Isto posto, mesmo com a boa vontade de alguns governos e instituições de tolerar o humor ácido, as provocações e os insultos. Todos os habitantes do mundo não são iguais e é impossível prever a reação de uma pessoa a um ataque ou ofensa. Por exemplo, eu nunca faria charges provocativas contra religiões!
Seguindo essa linha, o ex-presidente francês, Jacques Chirac, criticou uma republicação do jornal Charlie em 2006, dizendo que “tudo o que fere convicções, sobretudo religiosas, de uma pessoa, deve ser evitado”. (a página em Inglês do Wikipedia mostra uma cronologia resumida das matérias polêmicas – aqui)
Mas o jornal, talvez em nome de sua independência (?), talvez apenas por buscar mais fama nas publicações controversas, não se importou com ameaças e processos e segue fazendo a mesma linha polêmica. Para quem quiser ver algumas das mais discutidas capas, segue link aqui (seleção feita com as 16 melhores, em Inglês) e aqui (reunidas pela Folha e UOL)

Voltando à frase “pirata” sobre a ausência de liberdade de opinião no mundo, alguns dos próprios líderes mundiais presentes em Paris na mega-manifestação, têm em seu passado marcas vergonhosas em relação à mídia e imprensa – veja levantamento aqui.
Dentre os hipócritas, estão primeiro-ministros, presidentes e ministros de relações exteriores. A matéria apresenta links para cada uma das acusações feitas.

Finalizando, posso ser cruel, mas não creio que um jornal de 30 a 60 mil exemplares atingiria os 5 milhões desta edição sem o atentado.
E… o que os “novos fãs” não pesam ao buscar o jornal no eBay e cultuar sua “independência” é a linha tênue entre a liberdade de expressão e a crítica ou mesmo preconceito contra a população muçulmana francesa, já estigmatizada.

por Celsão revoltado

figura retirada do portal UOL. Escolhi por ser uma capa inteligente e não apelativa quanto poderia ser.

P.S.: para quem quiser a edição digital, em PDF, no idioma original, segue link.

ÉticaMesmo que vocês não percebam, ou insistam em não enxergar onde as diversas áreas, comportamentos, instituições, pensamentos, da vida se cruzam e tomam o mesmo caminho de mãos dadas; este cruzamento existe.
A corrupção, o individualismo, o narcisismo, a elevação do ego (egoísmo), falta de solidariedade, desrespeito à liberdade do próximo, passividade, preguiça, exploração, subjugação, a indiferença…. são todos face de uma mesma moeda, o MAL.

Se você trata seus próximos com indiferença ou frieza, não é complacente aos problemas e sofrimentos dele…. não se engane, você não é melhor que um político corrupto, ou que um juiz narcisista. Você é farinha do mesmo saco.

Não basta você achar Hitler um bárbaro. Se você chega em casa, senta no sofá para assistir ao futebol ou à novela, e ainda grita com sua esposa (seu marido) enquanto ela (ele) cozinha carinhosamente para você; ou se você briga num estádio de futebol, hostilizando pessoas por terem um gosto diferente do seu; se você briga no trânsito, fechando propositalmente outros motoristas, desrespeita pedestres, ciclistas, motoqueiros; ou se você exige daqueles que se relacionam com você, coisas que você não faz por eles; se você não reflete todas as vezes que passa por um mendigo, e se pergunta porque/como ele chegou até ali, de onde ele vem, e o que você poderia fazer para ajudá-lo; se você discute com alguém próximo, e após a discussão você fica bem e tranquilo, porém percebe que o outro está mal e com dificuldades de superar o episódio, e isso não te incomoda, pois afinal, VOCÊ está bem; significa que você é um(a) bosta! Você é mal!
E não precisa fazer todos acima, não… basta fazer qualquer um deles, ou qualquer tipo de ato semelhante aos descritos, e bingo: você agiu de forma maldosa, e o mundo se tornou um pouquinho pior, por causa de VOCÊ!

Ser bom exige ética, desenvolvimento de valores, coerência e muita, mas muita disciplina e dedicação. Exige vontade!

Assista AQUI ao vídeo do jornalista Bob Fernandes, onde ele analisa as atuais disputas e desrespeitos entre os Poderes Legislativo e Judiciário no Brasil, e como isso é um reflexo do mal da sociedade, do ser humano.
E AQUI indico um excelente artigo, o qual já indiquei anteriormente em outro post, onde o autor mostra detalhadamente que o grande mal do mundo não está em grandes atos bárbaros, mas sim na repetição diária de pequenos atos de falta de atenção.

por Miguelito Formador

figura daqui

Abraço carinhoso entre os amigos Fidel e Mandela

Abraço carinhoso entre os amigos Fidel e Mandela

Antes de mais nada, seguem aqui dois posts anteriores sobre Nelson Mandela:
1) Post mais antigo com uma dica fabulosa de leitura sobre a vida de Madiba. Clique AQUI
2) Nossa homenagem à Mandela em decorrência de seu falecimento. Clique AQUI

Esse artigo não é uma homenagem, nem um texto “bonitinho”. É um texto crítico, que tem a intenção de lembrar a história real de Mandela e despertar no leitor o interesse para uma auto-reflexão.

Não sei se eu tenho definições e valores muito estranhos, ou se a incoerência é uma das características mais marcantes da sociedade.

Por exemplo: Eu acho extremamente incoerente eu admirar alguém que tem como ídolos pessoas pelas quais eu tenho pavor, que eu considero péssimos seres humanos. Digamos que, a pessoa X tenha como ídolo, companheiro, exemplo, amigo, pessoas como Hitler, George Bush ou o general Pinochet. Seria uma extrema burrice, desinformação, alienação, babaquice e falta de coerência minha, admirar e ter como ídolo o senhor X, uma vez que eu tenho horror às pessoas que ele admira. Afinal de contas, um ídolo é algo muito forte, profundo, e desta forma, os valores, ética, sentimentos pelo mundo e pelos seres, têm que ser no mínimo compatíveis com os nossos (o fã).

Por que estou falando isso?
Bom, o mundo encontra-se de luto por ter perdido um dos seres mais magníficos de nossa história, Nelson Mandela.
Acompanhando meus amigos do facebook, vejo centenas de homenagens vindas de pessoas de diversas crenças e posicionamentos ideológicos.

Pois bem. Não sei se vocês sabem, mas Mandela fez uma política fortíssima de ações afirmativas na África do Sul visando retirar o desequilíbrio entre negros e brancos e acabar com o racismo. Mandela lutou, depois de sair da cadeia, pelos direitos dos homossexuais. Mandela foi feminista e lutou pelos direitos das mulheres no mundo. Mandela foi a favor de maior intervenção estatal, mais impostos para os mais ricos e menos impostos para os mais pobres, para que o Estado tivesse mais dinheiro e pudesse assim ajudar mais os mais necessitados.

Mandela foi amigo pessoal e profundo admirador de Fidel Castro, o ditador “sanguinário”, “terrível” para seu povo, e tão odiado por boa parte dos brasileiros e do mundo. Mandela elogiou a vida inteira a revolução cubana e a pessoa de Fidel. (Clicando AQUI, você pode ler o discurso de Mandela em Cuba após sair da prisão, onde ele tece inúmeros elogios e palavras de carinho e gratidão a Fidel Castro, ao povo cubano e à revolução cubana.)
Mandela era radicalmente socialista. Antes de ser preso, apoiou e lutou com os movimentos rebeldes na África do Sul liderados pelo  CNA (Congresso Nacional Africano) do qual foi fundador. Este movimento rebelde na África do Sul na década de 60, era muito parecido em ideais e intensidade com os que aconteciam em Cuba, mais ou menos na mesma época (inclusive, historiadores dizem que Mandela se inspirou na revolução cubana). Eram duas revoluções socialistas que visavam acabar com a exploração da elite sobre a população excluída. No caso da África do Sul, o foco era maior na luta racial, pois lá este problema era muito mais grave que em Cuba. (Leia mais AQUI)

Querem mais um exemplo? Mandela e Lula eram admiradores recíprocos. Lula teve a oportunidade de encontrá-lo algumas vezes. Lula se inspirou-se nas ações afirmativas de Mandela e adaptou ao Brasil, criando, entre várias outras políticas, a política de cotas por condição social e racial (negros e índios). Hoje, as cotas no Brasil são odiadas e criticadas pela classe média branca, os mesmos que estão de luto por Mandela….

Mandela elogiou em algumas oportunidades as conquistas do Brasil durante o governo Lula, e já disse até que outros países subdesenvolvidos e cheios de desigualdades deveriam se inspirar no governo brasileiro.

Lula é um profundo admirador de Mandela. E Mandela também admirava Lula….Mandela apoiou outros governantes que hoje em dia são vistos como demônios pelo mundo. Entre eles, Saddam Hussein. Sim minha gente, é isso mesmo. E o motivo é claro: Mandela sempre se posicionou contra qualquer tipo de exploração interpessoal e contra qualquer tipo de imperialismo. Desta forma, Mandela se posicionava categoricamente como oposição e resistência aos EUA, hegemônicos no mundo desde a Segunda Guerra Mundial. Como Saddam Hussein também lutava contra o mesmo inimigo, Mandela tinha apresso por ele, e dava certo apoio.

Aqui segue o melhor artigo, entre dezenas, que li nas últimas 24 horas sobre Mandela. Um pouco de sua história e da África do Sul. Países que apoiaram o Apartheid militarmente e ideologicamente. Governantes que foram oposição a Mandela e aqueles que foram companheiros de luta. Um artigo curto, porém com muita informação. Clique AQUI.

Se Mandela fosse brasileiro, seria tratado pela mídia e pela classe média local como “terrorista”, para falar o melhor dos adjetivos. E ainda estaria preso, se já não tivesse morrido na cadeia.
Eu sou fã e profundo admirador de Mandela JUSTAMENTE por isso tudo e todo o resto que ele fez e foi. E também sou admirador de todos aqueles que Mandela admirou.
Já uma boa parte da sociedade odeia o Lula, Fidel Castro, e outros colossos da esquerda. Mas têm Mandela como ídolo e exemplo.

Estão percebendo a incoerência? Vocês cortam com uma faca de um gume. Para um lado corta, para o outro amacia. Falta coerência no posicionamento da sociedade. E para essa falta de coerência só existem duas explicações plausíveis:
1) Alienação profunda que impregnou na sociedade pelo sistema educacional frágil e corrompido, e pela mídia bandida a serviço da elite exploradora e imperialista.
2) Uma falta profunda de honestidade intelectual, uma hipocrisia babaca, onde se defende aquilo que lhe traz benefícios individuais (nunca pensando no próximo) e não lhe prejudica a imagem frente à sociedade.

Aproveitem este momento lamentável da história, para fazerem um mínimo de auto-reflexão. Pois vocês estão a admirar um cara que deu sua vida pelo povo. Afastou-se deliberadamente da família e amigos pelos seus ideais maiores. Foi criticado, caçado, ficou 27 anos na prisão, sofreu torturas, foi chamado de tolo, utópico, inocente, bobo. Mandela foi um extremo radical socialista, ou se preferirem um extremo radical de esquerda!
Um cara que lutou não somente ideologicamente, mas sim militarmente. Fez revolução!!!!
E você? Consegue fazer algo mais que postar uma frase pronta de Mandela no seu mural? Consegue se esforçar para ser coerente? Consegue ao menos fazer o mais básico do básico: refletir e tentar melhorar você mesmo?

por Miguelito Nervoltado

figura daqui