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Bíblia_Homossexualidade
Os dogmas e valores das religiões estão cravadas no cerne de qualquer sociedade, e são determinantes na formação das crenças e ideologias de quase todo o ser humano, seja ele um beato, ou um religioso praticante, ou um religioso não praticante, ou até mesmo um ateu. A religião não tem somente influência direta sobre aquele que crê na mesma, mas ela também influencia todo o conjunto cultural de toda a sociedade, como os hábitos, folclores, alimentação, artes, relações pessoais e principalmente os “valores”.

Quando o assunto é homossexualidade, por exemplo, a maior resistência ideológica ao direito de ser homossexual, advém das religiões, no caso do Brasil, estamos a falar principalmente do Cristianismo.

Grande parte da argumentação dos preconceituosos e/ou conservadores contra a homossexualidade, se estrutura a partir de passagens e interpretações da Bíblia, ou na pregação de um pastor ou padre.

Desde que passei a me interessar a fundo pelas questões sociais e relações humanas, religião e preconceitos sempre estiveram no topo da minha lista de interesses. Por isso já tive contato com diversas abordagens que relacionam o tema homossexualidade e Bíblia. Porém, recentemente, tive contato com um vídeo do “esperançar” o qual me encantou, devido à forma didática e leve com a qual o assunto foi colocado.

Segue aqui o vídeo:

O vídeo é imperdível, e dispensa maiores comentários. Mesmo assim, copiarei algumas frases de impacto retiradas do mesmo:

“A Bíblia tem livros que foram escritos ao longo de quase 6000 anos, representando culturas, épocas e sociedades muito distintas. Será que a melhor maneira de interpretar a Bíblia é pegar os seus versos, ler literalmente, interpretar literalmente e aplicar literalmente?”

“…ora, naquele mesmo contexto de códigos de conduta, códigos ritualísticos, também é proibido comer carne de coelho, também é proibido plantar duas sementes distintas conjuntamente…”

“…e o texto que diz que a mulher flagrada em adultério deve ser apedrejada? E o texto que legitima e reproduz, por exemplo, a escravidão? E o texto que diz que a mulher deve ficar em silêncio na igreja, porque ali é o lugar de fala do homem?
Tomar a Bíblia de forma literal, desconsiderando os contextos culturais e históricos, faz com que a gente incorra em vários equívocos.”

“Lamentavelmente, vamos reconhecer e admitir, com tristeza no coração, a Bíblia já foi utilizada para legitimar a escravidão, o Apartheid, a colonização genocida das Américas, a subordinação das mulheres, e sempre em nome dessa ‘fidelidade’ ao que está escrito, e ponto final!”

“…talvez a melhor pergunta não seja: o que está escrito na Bíblia? Talvez a melhor pergunta seja: como eu leio a Bíblia?”

“…lendo a Bíblia a partir de uma narrativa geral que aponta o Deus revelado em Jesus, eu não encontro nenhuma verdade superior ao amor!”

* O vídeo também pode ser encontrado no youtube, por exemplo clicando AQUI

* Para aqueles que gostariam de aprofundar no assunto, indico o documentário “Bíblia e Homossexualidade: Exegese e Hermenêutica”. Pode ser acessado clicando AQUI

por Miguelito Filosófico

figura retirada do documentário

Colorido_conquista_homossexuaisMuitos de vocês leitores não sabem, mas eu e Celsão temos um acordo democrático: antes da publicação de qualquer artigo nosso, o outro tem que ler, tecer comentários, críticas, e depois aprovar (ou não) para que o outro possa postar. É uma das regras que criamos para melhorar a qualidade de nossos escritos, e evitar que nem um, nem o outro, num deslize, corra o risco de publicar algo que esteja contra os valores e a base ética do outro.

Pois bem, Celsão postou anteontem, no dia 01.07.2015, um artigo sobre os coloridos do facebook em homenagem à conquista dos homossexuais nos EUA (para acessar o post, clique AQUI). Como de costume, li o texto antes de sua publicação, e repliquei ao Celsão por e-mail, fazendo críticas construtivas, e mostrando meus receios quanto ao post. Concordamos então que ele publicaria o texto, e que eu deveria usar o e-mail que lhe enviei para fazer um “post resposta”.

Assim sendo, segue abaixo o e-mail enviado ao Celsão.


Mano, bom dia.

Estamos diante de um assunto complexo, pois está dividido de forma que, de um lado encontram-se posições profundamente progressistas e humanistas, e do outro, a futilidade da sociedade modista e escrava do senso comum.

Os modistas, muitos deles racistas e homofóbicos na prática, colorem suas fotos por ser moda, ou por terem amigos gays que eles gostariam que vissem seu apoio: hipócrita.

Os progressistas e humanistas, em sua maioria colorem suas fotos por verem o país mais poderoso do mundo, de tendência conservadora, extremamente religioso e ortodoxo, e que exerce demasiada influência cultural e ideológica sobre o povo brasileiro, dando um passo democrático e de justiça.

Ora, mas para esses, por que é mais importante os EUA darem um passo, que o Uruguai?
Pois simplesmente é!
Uma coisa é o que idealizamos como mundo ideal, outra coisa é o mundo que existe.

O professor Lopes, meu amigo e meu oráculo, queria um mundo sem igrejas. Assim, ele assume posturas críticas ao Papa e a qualquer membro representante de qualquer igreja, independente do que aconteça. Isso se deve à manipulação ideológica e intelectual que as igrejas exerceram e exercem sobre os povos durante toda a história da humanidade, e por serem elas as maiores responsáveis por guerras e holocaustos no mundo. 
Eu, aprendiz dele, tento passar-lhe meu raciocínio, que, atualmente, pensar em extinguir igrejas é uma utopia impraticável. Por isso, assumindo que o Papa VAI existir, então, melhor que seja um que teça palavras menos radicais e preconceituosas sobre homossexuais, melhor que seja um que ataque o capitalismo e o sistema financeiro, que critique o acúmulo de renda sem controle, e que diga que o problema da pobreza pode ser resolvido entre os homens, e não precise de Deus para tapar o buraco dos pobres.
Ele diz achar meu raciocínio interessante.

Analogamente, se é para haver uma nação imperialista, que domina militar- cultural- e economicamente o mundo, então que essa nação dê cada vez mais exemplos de evolução democrática, nem que seja internamente.

Imagine quantas centenas de milhares, ou milhões de pessoas não foram beneficiadas com esse passo do Governo Americano?!?! Pegando o exemplo onde você, e tantos críticos mencionam o fato de no Brasil já termos desde 2013 o casamento homoafetivo legalizado pelo judiciário, eu preciso te lembrar da simbologia: uma coisa é o pouco conhecido e pouco popular STF se adiantar ao Governo (Legislativo e Executivo) e bater o martelo provisoriamente. Outra coisa é o Presidente da República se pronunciar em nome de toda nação, oficializando uma conquista tanto legalmente quanto ideologicamente. Há aí um abismo, e esse abismo é a distância que existe entre um procedimento burocrático legal e um reconhecimento legal que venha acompanhado de toda a simbologia, coragem e visibilidade que o assunto merece. A simbologia, neste caso, é tão importante quanto a própria conquista, pois somente elas juntas podem levantar a bandeira da conquista. 

Penso que a conquista dos gays americanos deve ser comemorada sim. Tanto por eles, quanto por todos nós. Até porque, mesmo na superpotência há minorias (principalmente lá?), e vitórias como estas devem sempre ser comemoradas.

O seu post é bacana, mas meu medo é o mesmo medo de quase sempre: quem ler, entenderá a crítica seletiva e profunda, ou lerá de forma conservadora e reacionária? Afinal, a maioria das declarações contrárias e críticas à comemoração deste episódio, vieram de reacionários, fascistas, direitistas, e gente que tentou desqualificar essa comemoração, normalmente dizendo que haviam causas mais importantes esperando por nossa comoção, como a fome no mundo (lógico, as pessoas que usaram esses argumentos são classe média ou elite, eleitores de Aécio, e contrários ao Bolsa Família, assim como qualquer programa e ação governamental que visem distribuir renda e trazer dignidade ao povo carente).

Por isso, tenho medo de tais posts. Mas, não acho seu post extremo, nem reacionário. Acho inteligente, e a crítica, se lida da maneira correta, é muito válida. A crítica ao imperialismo e ao quanto algo que acontece nos EUA nos comove, mostrando que somos terreiro destes e precisamos sempre de seu “alvará”, também é super válida e certeira.

Mas….. o meu medo, como de costume, é dos olhos dos leitores, e se estão preparados para “lerem com os olhos certos”, e te entenderem.


por Miguelito Formador

post rarounDeu vontade de manter somente a publicação do colega Raroun como post aqui; tal a sua simplicidade em dar o recado, seu poder de síntese.

Concordamos com a extensão dos direitos civis à comunidade LGBT e com a união legalizada de pessoas do mesmo sexo; Afinal, são pessoas que pagam seus impostos e têm os mesmos deveres de todo cidadão; nada mais justo disfrutar dos mesmos direitos.

Só me espantei, verdadeiramente, com a indisfarçável sincronia entre a aprovação do casamento na terra do Tio Sam (ou “Terra Santa” para os mais alienados) e as cores no Facebook.
Legal. Vamos mostrar que estamos de acordo com o casamento gay, com os direitos civis, que somos contra essa (e outras) discriminações! Nós mesmos colorimos a nossa foto!
Mas… precisava ser após os EUA? Muitos países Europeus possui legislações deste tipo há anos! E a nossa vizinha Argentina garantiu a igualdade de direitos civis a casais do mesmo sexo em 2010 (aqui). E, mesmo nós, tupiniquins e atrasados juridicamente, já extendemos (ao menos) esse direito, já “libertamos” esse grito há algum tempo (achei aqui notícia da aprovação pelo STF no longíncuo 2011)

Essas “ondas” de imitação americana é que me preocupam e entristecem.
Daria para seguir o modelo de desenvolvimento da Coréia, baseado na educação.
Daria para copiar a política de exploração de riquezas naturais do Chile, que privatizou parte da extração, mas guarda uma porcentagem em reservas por saber que as minas de cobre não são eternas.
Daria para se basear no modelo de pequenos financiamentos da Índia, para incentivar pequenos empresários e proprietários de terras, incentivando a agricultura familiar e a pequena propriedade rural.
Daria para buscar no mundo outras referências, menos imperialistas, centralizadoras, nações menos armamentistas e menos racistas (e os Estados Unidos o são, mesmo tendo um presidente negro); nossa referência deveria ser um país mais igualitário!

Sem mais demagogias e delongas, espero de todos os que colorem as fotos não o faça simplesmente por “estar na moda”. Que pratiquem de verdade o exercício da tolerância.

por Celsão correto.

figura retirada do Facebook

homofobiaEm minha última visita ao Brasil, em abril/maio de 2014, pude constatar o óbvio: alguns discursos e pensamentos não estão presentes somente na internet/redes-sociais, mas na sociedade em “pele e osso” também. Pessoas defendendo posições e pensamentos idênticos, ou muito parecidos, naquele esquema padrão “senso comum”, “desinformação”. Entre vários destes discursos, um dos que mais me chamou a atenção foi aquele sobre homossexuais e a sua “presença” no cotidiano das “outras pessoas”. Eu nunca puxei esse assunto, mas por saberem de minhas ideologias, acho que estas pessoas se sentem “tentadas” a falar comigo sobre o mesmo.

O discurso, entre vários argumentos preconceituosos como, “eu respeito, mas beijar-se em público é falta de respeito para comigo e minha família”, ou “tem que ficar sentado no restaurante lado a lado e de braços dados?”, ou “eles tem liberdade de ficarem juntos, mas precisam querer casar ainda?”, e por aí vai, ainda ressaltava a presença da homossexualidade na mídia. Acho que em unanimidade, todos que vieram falar comigo sobre o assunto, falaram das novelas. Diziam que as novelas estão fazendo propaganda intensa, lavagem cerebral, para a sociedade achar “comum” a existência de homossexuais (e não é?). Meu coração dispara, me esforçando para deixar a pessoa concluir, sem interrompê-la com um jab de direita no queixo.
E por fim vinha o argumento falando que “quase todas as novelas da Globo” têm homossexuais agora.

Bom, ao invés de atender aos meus impulsos que pediam-me para chamar a pessoa de homofóbica, ridícula, fútil, preconceituosa, conservadora do Status Quo, homem(mulher) das cavernas, atrasada, arcaica e coisas do tipo, eu me segurava e levantava algumas coisas óbvias, tipo:

1) Se uma novela tem um ou outro casal homossexual, será que isso é “forçar a barra”, ou é simplesmente a representação da realidade? Afinal, estima-se que mais de 5% da população brasileira seja homossexual ou bissexual assumida, e este número sobe para aproximadamente 10% se contabilizarmos as pessoas que “decidem” não assumir sua verdadeira sexualidade, pelos mais diversos motivos. Será que numa novela onde vemos 50, 100, 150 casais, a existência de 1 ou 2 casais homossexuais representa, ainda que aproximadamente, a vida como ela é, ou estaria na verdade muito abaixo da média? Se for este o caso, a novela não estaria fazendo propaganda da homossexualidade, pelo contrário, estaria ainda defasada e atrasada!
@ahhh, mas teve uma que o protagonista era homossexual… explica isso agora, Miguel!?!?!?
-> Pede para DEUS te explicar, antes de sua próxima encarnação, criatura amaldiçoada. Qual o problema de um gay ser protagonista de uma novela, filme, música, quadro ou poema???

2) E os travestis? Os transsexuais? E os bissexuais? E aqueles que vivem relacionamentos abertos? E as pessoas Poliamor, sejam elas heterossexuais, homossexuais ou bissexuais?
A representação destes “grupos”, a mim, parece ainda estar esquecida, apesar de estarem cada vez mais presentes na sociedade e representarem algo “muito mais que comum”.
Portanto, mesmo as novelas mostrando um pouco dessa sexualidade “menos convencional”, ainda continuam muito atrasadas. Se pensarmos então na opinião daqueles que estão achando as novelas “muito pra frente” neste sentido, aí nem se fala, é arcaica e retrógrada ao extremo.

3) Por fim, você respeita o homossexual, mas longe de você, né? Hipocrisia pura! Você acha que homossexual não pode beijar na boca em público, sequer fazer carinho. Não pode aparecer na novela nem na TV, nem em filmes, e usa como argumento sua “família”, seus “filhos”, como se, ao ver uma mulher beijando outra, ou um homem beijando outro, seu filho(a) fosse, de repente, “virar” gay!
Amigo(a), sinto muito lhe informar, mas se ele for gay, NADA que você fizer mudará isso. Não será a TV, não será o que ele vir em lugar algum. O único jeito de você “curá-lo”, é matando o mesmo, como no filme Orações para Bobby. (Clique AQUI para assistir a esse maravilhoso filme no youtube)

Cansado dessa sociedade que insiste em não evoluir. E tem gente que acha que a questão é política. Tem hora que cansa…..
Não, a questão é moral, ética social, senso crítico, se sentir parte integrante de um TODO, saber que o outro poderia ser você, e compartilhar das dores e anseios dele, como se fossem seus. TUDO, mas TUDO que eu defendo, tem a ver única- e exclusivamente com isso.
E realmente, não tenho mais paciência com gente babaca, pobre de espírito, maldosa, maquiavélica, hipócrita, individualista, dissimulada, desonesta intelectualmente. Recentemente tenho selecionado muito bem quem entra em meu círculo de amizade e de convívio, e pessoas que apresentam tal linha de pensamento estão definitivamente fora! O mundo é composto por 7 bilhões de pessoas, tem muita gente interessante por aí, para perder tempo com gente arrogante e preguiçosa, que desperdiça sua vida em posturas arcaicas.

-> Nossa Miguel, você tá nervoso né?
Querido(a), quem me conhece sabe que estou escrevendo isso tudo feliz da vida, morrendo de rir, e com uma paz interior sem precedentes. Pois não há nada melhor que ter paz na alma, se sentir em harmonia consigo mesmo, entender o movimento do universo e saber entrar em sincronia com ele.
Essas colocações não são emocionais, mas sim racionais e objetivas.

por Miguelito Nervoltado

figura daqui

Conchita-Wurst-Life-_Ball_-233x300A foto ao lado é de uma cantora. Na realidade uma personagem criada pelo cantor gay Thomas Neuwirth.
Pois bem, esta cantora ganhou o Festival Eurovisão da Canção 2014, concurso europeu tradicionalíssimo, onde já brilharam a banda ABBA e cantores como Celine Dion e Júlio Iglesias.
Espantoso, não?

A imagem da barba (verdadeira) e do cabelo (verdadeiro, porém implantado) é chocante e até bizarra, digo sem medo de receber críticas, ou de causar polêmica. Mas, apesar disso tudo e de ser Austríaca, Conchita Wurst foi escolhida a melhor no torneio, por sua voz, seu talento e seu desempenho no palco!

Ao receber o prêmio, a cantora dedicou-o àqueles que sonham com um futuro livre de discriminação.
Quanto ao visual, ela própria se diverte com os comentários: “Ao longo dos anos tentei encaixar-me (…) e fazer parte do jogo. De repente, descobri que podia criar as minhas próprias regras”.

Bem… Toda essa minha introdução visava apenas formular as seguintes perguntas instigadoras:
Como seria avaliada a cantora no Brasil?
Como seria encarada pelo público uma classificação num desses shows de talento ou programa de calouros?
Será que ela seria avaliada da mesma forma com esta aparência andrógina?

Digo que não estamos prontos pra Conchita.
Que mesmo com críticas a Felicianos e manifestações contra a homofobia e contra a violência à gays, há uma distância considerável até que encaremos a foto de Conchita com naturalidade.
Assumo que a vi com desconfiança na primeira vez, não sabia como classificá-la, como rotulá-la…
Nós humanos pré-julgamos normalmente, posicionando a imagem em “caixas” conhecidas e emitindo valor à imagem: cantora, mulher, vestido, boa voz, barba (!?!). Sair dessa zona de conforto e encarar o estranho, o desconhecido, carece de mente aberta e muito exercício de não-julgamento.

E você, o que pensou sobre a foto da cantora austríaca?
E se a tivesse ouvido apenas, de olhos fechados?

por Celsão correto

figura retirada daqui
P. S.: para ouvi-la, segue link do YouTube.