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O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.

Tentei tirar férias e “sumir” no curto período das notícias, absurdos e desmandos do Brasil e do mundo.
Quase deu.
Descobri que o intento é bem difícil quando não se “some” realmente do Brasil ou mundo.
Mesmo sem buscar você acaba ouvindo algo, lendo comentários no whatsapp do celular, escutando sem querer uma conversa numa padaria ou metrô…

E nesse intervalo teve goleiro condenado aplaudido em estádio, teve prefeito viajando só para ser elogiado, depois demitindo secretária “ao vivo” na internet; uma quase declaração de Guerra via Twitter, ataque de gás químico, de Estado Islâmico, de terrorista…
E teve também a delação da Odebrecht, com seus oito ministros, 39 deputados, 24 senadores e até três governadores. Uma ferida tão feia e purulenta que acabou de vez com pompas e argumentos de “partido honesto”, “bancada decente”, “político honrado” que alguns insistiam em ostentar.

E um dos textos lidos em meu “retorno” à internet e às leituras me rememorou algo que coloquei aqui na descrição do “integrante” Celsão revoltado, a Dissolução do Congresso. O texto é do Wladimir Safatle, e está disponível aqui e aqui (para assinantes Folha)

Explicando as origens, penso nisso desde o escândalo dos anões, no início dos anos 90. (referência da Wikipedia aqui)
O deputado João Alves, em discurso na CPI disse com cara limpa que “Deus o ajudou e o fez ganhar na loteria”, seguidas vezes!
O rombo, segundo a Wikipedia foi de R$100 milhões. Dentre os envolvidos, temos nada menos que Geddel Vieira Lima, ex-Ministro do governo Temer.

Bem… Na época pensei na injustiça de termos mais de quinhentos sustentados parlamentares, com poder para aumentar o próprio salário e uma distância abissal do povo e de suas aspirações.
Já se fazia difícil e improvável a aprovação de medidas e reformas. Aliás, bem da verdade, qualquer pauta deveria “tramitar” algumas semanas antes de entrar em votação.
E esse “tramitar” possui aspas pois o governo de Fernando Collor tinha que negociar SEMPRE, e com todos os partidos, aliados ou não, cargos e favores.
Algo sujo e indigno.
Os analistas e cientistas políticos diziam que era o “preço” de pertencer a uma legenda pequena, na época; mas eu pensava diferente: mesmo que o presidente tenha boas ideias e queira aprovar leis que beneficiem os mais carentes, não conseguiria. Se essas leis forem contra direitos injustos e mamatas do Legislativo, pior ainda…
A solução?
Dissolver o Congresso!

Em meu sonho utópico, o então presidente (e aqui poderia ser Collor, Itamar, FHC, Lula, qualquer um) começaria um discurso em rede nacional com frases do tipo…
Temos tentado aprovar essa e essa medida, essa e essa reforma”, languidamente narra alguns feitos e os conchavos que precisou fazer para lograr o êxito obtido – “o Ministério tal foi trocado pelo projeto tal, a diretoria de estatal tal foi negociada pelo apoio aqui”…
E nos últimos dois minutos de um discurso de meia hora sentencia:

“Me vejo forçado a dissolver o Congresso Nacional por um período de 30 dias!
 Nesse ínterim convocarei um referendo popular para aprovação ou não dos seguintes pontos:
      – Redução do número de parlamentares
      – Redução do salário, dos benefícios e fim da legislação em causa própria; não será mais possível aumento próprio dos vencimentos
      – Fim do quórum eleitoral e dos ‘carregadores de votos’
      – (…) outros pontos importantes
 Certo de sua compreensão e apoio, aguardo os resultados e acatarei a decisão popular.
 Os pontos aprovados tornar-se-ão lei por decreto e voltaremos a ter um Poder Legislativo Nacional no final desse período”

Hoje eu acrescentaria outros pontos, como fidelidade partidária, atrelando a vaga à pessoa e ao partido; fim dos suplentes, fim da aposentadoria especial, extinção do foro privilegiado, limitaria o número de mandatos (em dois), etc., etc…

Mas na época pensava em resolver esses três pontos, que nunca seriam (nem nunca serão) aprovados pelo legislativo, sobretudo corrupto!

Agora temos legisladores comprovadamente corruptos, respondendo a processos e acusações, de crimes dos mais diversos, decidindo temas importantes para a sociedade e para as próximas gerações.
Um Congresso demasiadamente conservador, com interesses declaradamente escusos. De bancadas pré-estabelecidas, como a bancada chamada de BBB (Bala, Boi e Bíblia), que defende ideias e sugestões de grupos distantes das reais necessidades da população…
Independente de vermelho ou azul, penso que é hora de acabarmos com intermináveis abusos, como viagens em aviões da FAB…
E de quebra tornar todos os citados na Lava Jato e em outras operações, e os demais criminosos pertencentes às duas casas, inelegíveis por ao menos um período eleitoral.

Sim, é radical e anti-democrático. Ditatorial até.
Mas não vejo outra alternativa para realmente “limpar” parte da imunda e indecente lista de representantes políticos da atualidade.
A representatividade é baixa, pelas regras eleitorais, pelo modo como votamos, pelas substituições de legisladores nomeados a outros cargos… Que recomecemos!

Fora da utopia, se o Álbum de Figurinhas que circulou via WhatsApp for realmente lançado, e tem gente se empenhando para que a “brincadeira” se torne verdade (aqui), quem sabe nem precisemos de Ficha Limpa. Os políticos citados, investigados e condenados sairão automaticamente da vida pública…
É… foi utópico de novo…

por Celsão revoltado

figura recebida pelo WhatsApp, do portal de humor Kibe Loco.

Começo compartilhando um vídeo extraído do Youtube (aqui a entrevista completa, para quem quiser ver o original).
Quem fala no vídeo é Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs, ícone do rap nacional, e de toda a periferia paulista, desde o início dos anos 90. A entrevista é sobre o novo disco, o “novo estilo” do músico que “brinca” com a carreira solo.

Meu destaque vai para a análise de Brown sobre o Brasil, em pergunta provocativa já no final da entrevista.
Faz sentido sermos um país hoje “de direita”, enfrentando tantos problemas sociais?
Faz sentido vislumbrarmos o radicalismo de Malafaias e Bolsonaros, na política, antes mesmo de evoluir socialmente e nos certificarmos que nossa nova democracia, nossas jovens instituições funcionam? Antes de assegurar que podemos evoluir em ética (comportamental, política, social)?

Independente do resultado da Lava Jato, da pizza que venha a surgir…
Independente das delações, das listas de Janot, dos conchavos dos políticos que tentarão até o fim safar-se…
Independente dos infindáveis processos do STF, que julga até brigas de trânsito dos ricos em última instância…
Independente do esvaziamento das manifestações pós-PT, como se todos os problemas já estivessem resolvidos…
É preciso continuar lutando!

Por mais ingrato que seja a luta, por mais longo que seja o processo, por mais improvável que seja a condenação, por mais absurda que seja a a lei de última hora, aprovada durante a noite…

É preciso ouvir. É necessário que prestemos atenção aos pequenos grupos, às opiniões pirata, aos pensadores que arriscam “fora da caixa”.
Que os vídeos do Bob Fernandes, que blogs como o do Josias, que revistas como a Piauí e que TVs como a Cultura, sejam lidos e vistos. Principalmente como alternativas ao conteúdo normal de Globo, Estado, Folha e das revistas mais lidas do país (aqui).

Que tenhamos mais Browns, Mandelas, Luther Kings, Mujicas, Angelas Davis, Fred Haptoms…
Mas que a internet nos traga também entidades coletivas, onde a multiplicação da opinião do indivíduo ecoe rapida- e eficazmente, como o Avaaz, o Greenpeace, o Change.org

O tal “Caixa 2” é mesmo crime; e não duas vezes um “Caixa 1”. Qualquer coisa que digam contra ou qualquer isenção que seja aprovada no Legislativo é manipulação das mais reles.
As medidas de combate à corrupção, apresentadas por Dilma no longínquo março de 2015 (avaliadas aqui), quase dois anos atrás, e foco de ação popular pouco depois, não serão adotadas. Não adianta ter esperança nesse ponto. Ao menos não serão aprovadas sem drásticas mudanças. Como já escrevemos recentemente, a Câmara prepara a pizza, pois ainda verifica as assinaturas da ação popular (aqui).
As investigações dos políticos e empresários delatados, sobretudo nessa fase da Operação Lava Jato, levarão muitos anos. E provavelmente não extinguirão a corrupção. Se houverem condenações e prisões, mesmo tardias, teremos iniciado REALMENTE um movimento positivo.
A reforma da previdência, ou reforma trabalhista, será aprovada. Não por ser melhor para o país, mas aproveitando a maioria confortável que o governo Temer tem no Congresso atualmente. Não que eu seja contra reformas, só acho que essa merecia ser exaustivamente discutida e avaliada; sobretudo ouvindo empregados e sindicatos.
As aposentadorias de “marajás”: militares, juízes e políticos, que trabalham por pouco tempo e ganham salários exorbitantes não vai acabar; por mais que queiramos e por mais que seja mais justo e efetivo.

Somos poucos. Mas somos inconformados e continuaremos lutando!
No Legislativo ainda temos PSOL, outros pequenos partidos de esquerda como PCB e PCdoB, parte da Rede, do PDT e o que sobrou do PT. Nas ruas temos os inconformados, os pensadores, os curiosos, os críticos…

Terminando com outra frase de Mano Brown…

Nunca foi fácil, junta seus pedaços e desce para arena, mas lembre-se: Aconteça o que acontecer, nada como um dia após um outro dia!

por Celsão revoltado, já que citei Racionais e Congresso. 🙂

P.S.: figura retirada daqui, mais por não saber se o vídeo apareceria como figura no Facebook

P.S.2: abaixo o mesmo trecho de vídeo, no formato MOV, caso alguém tenha dificuldade em abrir o MP4

aroeiramoraes2Agora está feito.
Alexandre Moraes foi nomeado, sabatinado e aprovado em votação do Senado. É o novo Ministro do STF e tomará posse em Março.
É aquela água que misturamos ao vinho. Indissociável. Estará lá por longos 26 anos…

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça foi um “teatro de bonecos”, como escreveu curto e bem, Josias de Souza (aqui).
A começar pelo presidente, Senador Edison Lobão, investigado na Operação Lava Jato, passando por nove outros investigados fazendo parte da mesma sabatina e terminando com outros senadores “da base” elogiando Moraes, sua conduta, suas respostas, seu penteado…

As revistas Veja e Época, notoriamente de direita, portanto extremamente críticas aos governos petistas anteriores e esperançosos (quero crer que somente a princípio) em relação a Temer, divulgaram e divulgam abertamente nos últimos exemplares a verdadeira perseguição à Operação Lava Jato, o provável “estancamento” proposto há algum tempo por Jucá…
A capa da Veja que ilustra esse post é da edição 2517, de 15 de fevereiro.
Dentre as reportagens da Época, destaco essa, “O governo e o Congresso contra a Lava Jato“. São inúmeros os exemplos de medidas lícitas, porém imorais, que as entidades máximas da Nação estão tomando para se protegerem e para “afundar” o inédito combate à corrupção.

post_pizzaO colunista da também conservadora Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, chega a propor aqui que as escolas de Direito devam parar de ensinar as leis e o modo correto de empregá-las, passando a ensinar truques jurídicos.
É isso que estamos vivenciando atualmente: “truques” em todas as esferas: Executivo, medidas e indicações do presidente Temer, Legislativo, com votações rápidas em pontos de interesse próprio, arquivamento de processos de interesses contrários, protelação em alguns casos, sabatinas “teatrais” e até do próprio Judiciário, que arquiteta quando lhe convém suspensões de processos e procrastinações, como o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e a atual “novela” da verificação das assinaturas do projeto popular de medidas anti-corrupção.
O “povo” propôs, com mais de 2 milhões de assinaturas. O Congresso alterou bastante, colocando punições a juízes por abuso de autoridade, o judiciário bloqueia o processo, cria liminar, assinaturas devem ser conferidas, TSE não consegue conferir… pizza a vista! (aqui)

Voltando ao nosso ilustríssimo mais novo Ministro do Supremo, Moraes…
Ele terá o papel de defender Eunício, Maia, Temer. “Defender” não seria a palavra judicialmente perfeita, seria o “truque jurídico”. Enfim… ele vai defender os principais artífices do Executivo e Legislativo atual e blindá-los certamente.
Talvez estenda sua benevolência também a Renan Calheiros e aos tucanos ex-colegas de partido, como Aécio, também citado nas delações da Odebrecht.
Quem tem dúvidas de que Alexandre de Moraes está mesmo “atado” ao PMDB e ao governo Temer, pesquise a primeira visita dele após a votação do Senado (aqui). Ele foi direto para a “casa do padrinho”, pedir a bênção e buscar as primeiras instruções. E essas, aposto, começaram com a sugestão de visita subsequente: Carmen Lúcia.

Tirando a já óbvia pizza da Lava Jato a caminho (está obvia até pra Veja e Época), me espantam os problemas de Ministério que nosso atual presidente enfrenta.
Já havíamos levantado alguns prováveis problemas quando os mesmos foram nomeados (aqui).
Mas os números seguem aumentando e surpreendendo. É difícil até de controlar a contagem: a maioria é de réus, enrolados em inquéritos e escândalos.
Moreira Franco, recém nomeado e Bruno Araújo (Cidades) são os ministros atuais citados pela Odebrecht. Que também conta com os já afastados Romero Jucá e Geddel Vieira. Isso no âmbito da Lava Jato.
Temos José Serra, recém saído do quadro, que responde por improbidade administrativa. A ele juntam-se Eliseu Padilha, Hélder Barbalho e nosso querido Kassab.
Mas tem também crimes “raros”, como fraude de licitação (Ricardo Barros – Saúde), desvio de merenda (Maurício Quintella – Transportes), falsidade ideológica (Marx Beltrão – Turismo), peculato (Raul Jungmann)…

É repetido aqui nesse espaço, mas repetirei.
Triste constatar que todo o movimento do “gigante” durante a pressão pró-impeachment era realmente contra Dilma e contra o PT. E não algo contra a corrupção, como muitos diziam.

E… obviamente… meu lado utópico espera estar errado!

por Celsão correto.

figuras retiradas daqui (por Aroeira) e da lista de capas da Veja, aqui

 

post_moraes_imoraisUm jurista exemplar, extremamente técnico e experiente, uma escolha independente.

Acho que nem o mais ingênuo dos brasileiros que têm acompanhado a Operação Lava Jato e as movimentações políticas dos últimos meses acredita nas palavras do presidente Michel Temer após a indicação do ex-secretário e agora ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes para a vaga aberta do Supremo Tribunal Federal (STF).

E, por mais que defendamos que, naturalmente ou inconscientemente, as indicações para o STF, feitas pelo presidente da república em exercício, possuem o seu viés político, inevitável talvez, o jurista e professor Moraes não é uma dessas escolhas “desconfiáveis”, que geram “desconforto” na oposição política.
Pelo contrário: Alexandre de Moraes é mais um golpe à Democracia, o maior sinal de aparelhamento do Poder Judiciário dos últimos tempos, um “cuspe” na cara da esperança popular romântica de combate à corrupção, através da refinada casa de “imortais da Justiça”.

Alexandre é (ou era, pois terá de se desfiliar) filiado ao PSDB.
O fez por convicção, faz parte dos “protegidos” do governador Geraldo Alckmin. Foi Secretário de Justiça em seus governos e passou a Ministro da pasta de Temer logo após fazer um “favor” ao próprio presidente e à primeira dama, prendendo em tempo recorde um chantagista que havia hackeado o celular de Michele Temer.

Alexandre passará pela sabatina “café com leite” da CCJ e se tornará revisor da Lava Jato.
O que, mesmo não representando o papel principal, será ele, ex-Ministro de Temer, parte e influente no governo, filiado a um dos partidos com maiores indicações nas últimas delações… quem poderá atuar em disputas crucias para a continuidade da Lava Jato, como a condenação dos indiciados somente após a última instância, historica- e lamentavelmente longos anos após as primeiras condenações.
É Alexandre de Moraes também, ex-ministro, amigo, PSDB paulista, que atuará nos envolvimentos inevitáveis dos presidentes da República, da Câmara e do Senado nas delações da empreiteira Odebrecht.
É ele que “estancará a sangria”, ação proposta por Romero Jucá, ex-ministro e atual líder do governo no Senado, em gravação vazada há menos de um ano (aqui).

São tantas as correlações e tamanha a imoralidade, que é até difícil concatenar um texto que faça sentido!
Nas planilhas da Odebrecht, “Santo” é Geraldo Alckmin, padrinho político de Moraes. “Caju” é Romero Jucá, afastado do Ministério de Desenvolvimento após esdrúxula confissão de culpa. Outro político com relação direta ao presidente Temer, o “Angorá”, Moreira Franco, aparece como principal captador de recursos para Michel Temer junto à Odebrecht.
Agora Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Temer fez aquilo que Dilma não conseguiu com Lula, quando o juiz Sérgio Moro vazou “acidentalmente” gravações entre a então presidente e Lula.
É o roto fazendo o que fez o esfarrapado, o sujo fazendo pior que o mal lavado…

Temer é citado mais de quarenta vezes na delação da Odebrecht. Moreira Franco mais de trinta.
Para “fechar o pacote de absurdos”, a provável indicação para o lugar de Moraes, no Ministério da Justiça será a de Antônio Cláudio Mariz de Oliveira (aqui), defensor de muitos acusados da Lava Jato e ferrenho crítico da mesma.
Chegou a ser cotado, anteriormente, para o cargo. Na época, Temer desistiu exatamente por conta das críticas feitas por Mariz à Lava Jato (aqui).
Agora, ao que parece, o circo e o fingimento não são mais necessários. A revolta do povo arrefeceu, cessou…

Para terminar, li que em sua tese de doutorado, o próprio Alexandre de Moraes defendeu que nomeações de filiados a partidos políticos e ocupantes de cargos de confiança aos tribunais de justiça, sobretudo ao STF, são imorais, não deveriam acontecer nos mandatos correntes para que não insinuassem prêmio por dedicação, agrado ou recompensação.
Até Alexandre é contra Alexandre!

por Celsão correto

figura retirada daqui

P.S.: sugiro o vídeo revoltado do Bob Fernandes, por representar parte do que sinto (aqui)
E uma indicação de leitura, do colunista Hélio Schwartsman sobre as duas últimas medidas do nosso patético presidente. Pra mostrar que mesmo alguém pró-Temer é contra a ridícula mediocridade (aqui)

img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio

Jucá_grampo
E não é que nem bem o “corpo esfriou” e o atual governo já mostrou as suas verdades…

Grampo telefônico ao Senador Romero Jucá (PMDB-RR), hoje Ministro do Planejamento de Temer, traz revelações “interessantes” sobre as intenções do impeachment e os bastidores da Lava-Jato (trecho da conversa na figura ao lado/acima).
Inclusive, na conversa gravada, o senador afastado havia mencionado que o impeachment de Dilma serviria para frear as investigações da Lava-Jato, a qual envolve todos os grandes partidos brasileiros.

No diálogo telefônico entre Jucá e o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, alguns dos nomes em destaque foram: Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros, Aécio Neves.
Sérgio Machado, antes do PSDB e hoje filiado ao PMDB, diz que “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio [referindo-se a Aécio Neves]”, e que “O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…” (AQUI)

Surpresa?
A minha foi ver explicita- e declaradamente a revelação.
Para os que nos acompanham, para pessoas com discernimento, para outros “esquerdopatas”, o fato implícito da “Operação Fode PT”, a caça à corrupção, era pura maquiagem.
E, infelizmente, o bloqueio à operação Lava-Jato uma vez condenados os políticos petistas e aliados, era uma questão de tempo.

CapturarDiscuti com alguns amigos e colegas nas últimas semanas, expondo o prejuízo que previa, após o afastamento de Dilma: o surgimento de uma “Grande Pizza”, que ofuscaria a corrupção e os desmandos, latente em todos os partidos e instituições.
A “Pizza” serviria como panos quentes aos aliados da oposição a Dilma.
E como “tapa na cara” aos que foram a favor do impeachment usando o argumento de moralização.

Já haviam sinais implícitos, como o próprio corpo ministerial de Temer, divulgado por nós aqui.
Argumentos que os “isentões” ou desinformados poderiam refutar. “Coincidências”, ” teoria da conspiração”, diriam outros.
Mas foi tão explícito e grotesco, que Jucá já foi afastado, ou melhor, “pediu licença”. (aqui)

Também os militares são citados na conversa. Jucá diz: “Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
Ou seja, setores das forças militares, compactuantes com o Golpe, estariam de olho no MST, caso estes decidissem criar resistência e protestar/lutar pela democracia e a favor da Presidente Dilma. Salvando as devidas proporções, ler isso dá um Déjà-Vu de 1964. (AQUI)

Outro fato esdrúxulo da conversa telefônica revelada entre Romero Jucá e Sérgio Machado, é o envolvimento do nosso STF (Supremo Tribunal Federal), o órgão máximo da justiça do Brasil; que no frigir dos ovos não parece ser tão imparcial assim, como alguns insistem em acreditar. (eu mesmo faço minha mea culpa – Celsão)
Jucá fala claramente que um dos únicos Ministros com os quais ele não tem ligação é o Teori Zavascki (AQUI). E que seria preciso encontrar alguém que tenha ligação com este… Caso de cadeia! Obstrução da justiça (ou tentativa de). Algo semelhante ocorreu para que prendessem o agora ex-Senador Delcídio.
Fato que, aliás, desencadeou todo este “esquema”, ou como disseram os próprios envolvidos, “Acordo Nacional”, a ser fechado com Michel Temer, com o Supremo, com todo mundo…

O que acontece daqui para frente?
Teremos uma investigação imparcial de todos os envolvidos? Principalmente aqueles já citados anteriormente em delações da Lava-Jato? Apenas Jucá será deposto e condenado (talvez preso), tornando-se ele próprio o “boi de piranha” necessário ao processo? Teremos realmente a “Grande Pizza” quanto à corrupção e à operação Lava-Jato?

Façam suas apostas.

Por Miguelito Formador e Celsão Correto

figura retirada da Mídia Ninja no Facebook

P.S.: Essa noite acompanhei o Jornal Nacional, curioso pela reação de William Bonner. Ele não estava na apresentação do programa, que obviamente não contou com narrações apaixonadas do conteúdo vazado DESSE áudio. O caso foi narrado sem emoção, que surgiu na reportagem sobre a crise de abastecimento na Venezuela, por exemplo…

DelaçãoA notícia dos últimos dias é (ou foi) o vídeo do canal Porta dos Fundos, intitulado “Delação”.
Pra quem não viu, seguem dois links aqui e aqui (pois vai que algum juiz ou desembargador maluco resolva tirar do ar)
O vídeo suscitou inúmeros outros, no próprio Youtube, contendo críticas ferrenhas ao canal, ao ator e diretor Gregório Duvivier e colocou todos os atores no mesmo “balaio” intitulado simplesmente de petralhas.

Mas… quem dissemina o ódio através de palavrões e argumentos difusos, só auxilia a desinformação. Só confunde àqueles que carecem de clareza ou que estão formando o seu caráter.
Infelizmente não é disso que precisamos hoje, dado o momento político delicado…

Então, para continuar o assunto de listas e “perseguidos” da atualidade, a última fase deflagrada da operação Lava Jato, chamada Carbono 14, divulgou estórias de empresas offshore, geralmente localizadas em paraísos fiscais e sempre fora do país de residência das pessoas, muito utilizadas para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal (pra encurtar o assunto).
Os tais “Panamá Papers” contém em sua primeira lista divulgada, 26 brasileiros; alguns do meio político, como o ex-ministro Delfim Neto e políticos como o nobre Eduardo Cunha, além de outros de PMDB, PP, PSD e PSDB.
Pois é… Eduardo Cunha aparece novamente numa lista de empresas quiçá lícitas no exterior. E não existem petralhas, ao menos nessa primeira lista. Como não existem políticos do PSOL, PCO e PSTU citados na Lava Jato até então. Para os que pregam a não-corrupção apartidária, segue como dica de prováveis candidatos para 2016 e 2018! (meu lado extrema esquerda não poderia deixar essa passar…)
Segue link para a lista dos brasileiros citados até aqui. Aliás, nela existem nomes de empresários já atolados em corrupção, de empresas condenadas na Lava Jato, como Odebrecht e Queiroz Galvão.
Existem estrangeiros também: russos ligados a Putin, parentes do primeiro ministro britânico, Maurício Macri, atual presidente argentino (óóóóó) e até o rei da Arábia Saudita (país já conhecido por aqui, dado o cerceamento de direitos, as manipulações, as condenações antidemocráticas, etc) – pra quem quiser a lista completa, de Lionel Messi a Jackie Chan, aqui está.
Adendo interessante: o primeiro ministro da Islândia também estava na lista. E renunciou 48 horas depois do vazamento da mesma. Ah… que inveja da hombridade dos outros…

Voltando a falar do Porta dos Fundos e citando outra lista “famosa” nas redes sociais: a lista de Constantino.
O senhor Constantino, economista e blogueiro de direita, também incitou o ódio ao divulgar uma lista de artistas e intelectuais que “defendem o indefensável PT”, usando palavras dele.
Nessa lista, prévia do AI-5 de 2017 (quem sabe?) constam nomes como Chico Buarque, Laerte, Tico Santa Cruz, Alcione e, também, Gregório Duvivier; ele mesmo!
E o mais espantoso: o Facebook teve a audácia de bloquear o cidadão, sem motivo algum, por sete dias. Ele próprio comenta o fato, chamando-o de “censura petista” (aqui)

Não comprem mais nada deles. Não assistam a seus programas, não leiam suas colunas, não comprem seus livros, não vão a suas peças de teatro, não comprem seus CDs. Eles precisam saber que não será impune atentar contra a democracia brasileira. Xô, petralhas!

Mais um exemplo não só de ódio, mas de polarização burra, resumindo a sociedade em bons e maus e generalizando a esquerda conduzindo-a pro lado mau da estória. (Afinal, Fidel Castro devora criancinhas até hoje!)
Olhando a lista, tá claro que o Porta dos Fundos se encontra nela. Porém, é uma lista, aliás, bem problemática de se seguir à risca, já que atores globais, jornalistas de diferentes meios e músicos de vários seguimentos têm seu nome citado. E… como assim boicotar a Folha e a Rede Globo!?!
A satirização da lista foi enorme, muitos comemorando a presença ou lamentando a ausência. A última versão do próprio blogueiro detinha 767 nomes! Aqui para quem quiser procurar o próprio nome 😉

Mas, diferente de querer somente difundir o ódio ou incitar a violência, termino citando Antônio Tabet, que publicou uma “defesa” do Porta dos Fundos, não só se posicionando politicamente, mas defendendo a liberdade (e o direito) de expressão.

Esse revanchismo bobo só fomenta o ódio. Incentivar a censura ou a intolerância nada mais é que um recibo de que você pode ser tão fascista quanto os fascistas que critica. Sejam eles imperialistas americanos ou comunistas cubanos. Sem falar na ignorância de quem coloca a Lei Rounet no bolo sem saber que não cobramos cachê que cobraríamos em outros filmes, mas pagamos com justiça uma equipe com centenas de profissionais trabalhando no país da crise.

O texto completo do Tabet, humorista sem muita noção e criador do portal Kibe Loco, pode ser lido na Veja, aqui.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo do Youtube, aqui

P.S.: Há um site oficial (em Inglês) sobre o Panamá Papers (aqui); é um trabalho sério, de uma associação internacional de jornalistas investigativos

outro P.S.: compartilho um só link sobre a infrutífera discussão do vídeo “Delação” (aqui). São tantos comentários e vídeos-resposta absurdos, que me entristece e me faz temer Bolsonaros, Cunhas, Felicianos e Marchas da Família.

beatrizMuito se falou nos últimos dias sobre a advogada (ou ex-advogada) Beatriz Catta Preta.
Especialista em delação premiada, gozou de fama e chegou a dar entrevista ao Jornal Nacional da Globo (aqui) por conta de uma convocação dúbia, claramente arquitetada para desestabilizá-la e aos processos de acusações dos politicos, especialmente do PMDB e principalmente do Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Nós mesmos já criticamos esta CPI da Lavo Jato, no momento em que foi constituída, no “longíncuo” Fevereiro (aqui). Na época, criticávamos a ética da formação da bancada, composta por membros receptores de doações de campanha feitas pelas empresas investigadas.
Criticamos também, mais recentemente, aqui, os desmandos do “Reino do Cunha”. Já citando a convocação da advogada para depor na CPI, como subterfúgio ou mudança proposital de foco.

Pois bem, o presidente do STF, Ricardo Levandovski, a OAB e outros orgãos, condenaram a leviandade da convocação, dando não só o tom de absurda, mas também mostrando a confusão na medida do Sr. Celso Pansera (do PMDB).
Mas… como se não houvesse eco nas declarações e no espaço que a mídia deu ao caso, o Sr. Hugo Motta (também do PMDB, coincidentemente o mesmo partido do “recusado-a-ser-acusado” Eduardo Cunha), mudou o discurso e quer a presença da advogada Catta Preta para que ela explique o porquê se sentiu ameaçada.
Cômico? Proposital? Pra mim, não é. É um claro movimento (contínuo) de descredenciar o depoimento de Júlio Camargo, que acusou o rei-presidente Cunha.

Muitas perguntas ficaram até então sem resposta; como, por exemplo, se houve mentiras no primeiro depoimento dado por Júlio, se ele planejava mesmo soltar a “bomba” num Segundo momento ou se a doutora do caso sabia sobre a mentira (proposital ou não) desde o princípio.
Mas, pra mim, alguns fatos são claros:
honorários são rastreáveis; se algum advogado recebe dinheiro ilícito, do tráfico de drogas por exemplo. Mesmo que o declare, uma quebra lícita de sigilo de narcotraficantes pode expor o defensor e colocá-lo numa apertada saia justa
algumas profissões suscitam segredo; um padre não pode delatar as confissões que recebem, um médico não pode expor a saúde delicada de um paciente sem a anuência deste, um psicólogo ou analista não tem o direito de reveler segredos contados em consultório e um advogado não pode alcagüetar aquele que defende.
um animal acuado, ataca; e é o que está acontecendo com empresários e políticos acusados. Desmerecer delatores, testemunhas, juízes, advogados e promotores é só o começo. Certamente as tentativas de desdenhar e as ameaças se intensificarão.

Meu lado romântico vibra com as prisões e torce para que elas virem condenações. É um marco por estar acusando “branco e rico”; é como se a Justiça com maiúscula despertasse ou “atravessasse a ponte”, fazendo referência a letras de rap e ao rio que separa a “periferia” do “centro” de São Paulo.
Que órgãos como Polícia Federal e Ministério Público sigam essa vocação e realizem seu trabalho sem intervenção.
E que juízes e advogados usem mais a palavra ética em seu dia-a-dia. Palavra que não existe (ainda) no vocabulário do Congresso.

por Celsão Correto

figura retirada daqui

P.S.: para quem quiser ler um artigo do jurista Joaquim Falcão, sobre a nova fase do direito criminalista, que agora busca minimizar os danos ao invés de procrastinar os casos e desqualificar provas, link aqui.

1424971028509Outro título deste post seria: “Dicas para ser isento numa CPI”.

É absurdo! É revoltante!
Uma nova CPI no Congresso foi instaurada ontem, quinta-feira, para investigar os casos de corrupção na Petrobrás, ou os desdobramentos da operação Lava Jato (notícia aqui).

Até aí tudo bem, uns podem até dizer que acabará em pizza, ou seja, que não dará em nada; outros dirão que as CPIs são elementos políticos para provar a força dos partidos na nomeação de líderes e relatores, que a CPI é “ganha” nessa primeira votação, etc.
Por ser a terceira num período curto (menos de um ano), é realmente mais difícil acreditar que algo muito diferente ocorrerá; mas, o que me revoltou mesmo, foi a constatação feita pelo deputado Ivan Valente, do PSOL.
Em discurso no início dos trabalhos, o político lembrou que mais da metade dos deputados que compunham a mesa receberam doações de campanha das empresas investigadas na operação Lava Jato.

Explicando mais uma vez e em outras palavras: a maioria dos parlamentares presentes, que ocupariam (e ocuparão) as cadeiras desta terceira Comissão de Inquérito, que analisarão documentos, depoimentos, votarão e elaborarão um parecer final, receberam dinheiro para suas campanhas eleitorais (do ano passado!) das empresas cujos executivos estão presos em Curitiba, exatamente por suspeita de irregularidades em contratos da própria Petrobrás, investigada.
Ou seja, só pode ser piada… os apadrinhados investigarão os padrinhos! Notícia aqui.

Como não era interessante para os partidos “fortes”, como o PMDB, que elegeu o presidente da CPI, o afastamento dos políticos “suspeitos” não foi levada a cabo. E a casa votou sem problemas ou pudores e elegeu o presidente (Hugo Motta – PMDB) e o relator (Luiz Sérgio – PT).
O deputado Luiz Sérgio, eleito relator, foi inclusive o candidato que recebeu o maior valor dentre os componentes da CPI, valores próximos a um milhão de reais. O presidente eleito da CPI também seria afastado se o pedido de impedimento do PSOL tivesse sido acatado.

Notem que não estou criticando as doações em si. Embora seja contra elas (vejam aqui e aqui algumas opiniões nossas sobre as reformas políticas necessárias ao país de acordo com nosso julgamento), sei que as doações de empresas privadas, como empreiteiras, são lícitas, fazem parte do “jogo” atual para se eleger um parlamentar.
Tampouco quero “ver sangue” nas prováveis críticas à Petrobrás que estão por vir.
Acho que devemos sim investigar os ocorridos e punir duramente os culpados (como já disse aqui), sem condenar toda a empresa que é inovadora e referência mundial na exploração de petróleo.

Mas… precisava mesmo de uma nova CPI?
E… tinha de ser comandada por deputados “de rabo preso” com os investigados?
Copiando uma pergunta da própria página do deputado Ivan Valente, atribuído por ele à Folha: “Entre os financiadores e os eleitores, entre o dinheiro e o voto, de qual lado cada congressista ficará?”

Termino dando os parabéns ao PSOL que levantou a questão e propôs a medida mais cabível ao caso. Parabéns também aos deputados do PPS que foram os únicos a apoiar o PSOL no intento.

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: link interessante para a página do deputado Ivan Valente, que contém o vídeo do pedido de afastamento – aqui