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img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio

img-20161130-wa0001Me pareceu que, ontem, a Terra parou.

A brevidade da vida. A imprevisibilidade de um acidente aéreo. A fragilidade do ser humano.

Paramos ontem para lamentar um acidente de uma equipe de futebol que voava para um sonho.
Mas que isso, paramos para analisar a própria vida. E o impacto que a inevitável morte traz, sobretudo aos que ficam.
Impossível não pensar em familiares, amigos e até nos desconhecidos de Chapecó, e no sentimento de perda deles. Improvável não lembrar paralelamente da NOSSA fragilidade e repensar nossas ações e objetivos de ultimamente…
Somos felizes?
Quanto tempo será que ainda temos de vida?

A fatalidade de ontem interrompeu o post quase concluído, sobre a morte de Fidel Castro.
Coincidentemente, fiz quarenta anos ontem. A idade daquela marca de “começo” ou “recomeço” segundo o ditado.
Mas subjetivo impossível.

Donde no puedas amar, no te demores” – roubo a citação de Frida Khalo para lamentar consoante não só a perda e a impotência em mudar certas coisas; mas também lamentar o desperdício de tempo, do dia-a-dia que nos consome atrás daquilo que não sabemos se conseguiremos, nem sempre temos a certeza que o queremos e as vezes nem sabemos ao certo ser correto sob a ótica moral.
Lamentar também, sobretudo, o desperdício de amor!
Com ou sem uma religião ou credo que explique o inexplicável e traga conforto, no amor todos cremos; e muitas vezes é ele, apesar de estranho e desconhecido, que preenche os vazios e dá sentido.
Se o pequeno clube catarinense mostrava grandeza em sua breve história, movia e comovia uma cidade em prol de suas conquistas, o fazia também por amor, pela sensação boa de dever cumprido, pela busca do “algo mais” na incessante batalha diária.
É possível afirmar que todo o país adotou a “Chape” por representar essa busca, por ter a superação como lema, por ver muitas vezes no esporte o espelho da vida. E em suas improváveis e vibrantes vitórias o reconforto desejado.

img-20161130-wa0002E as homenagens do mundo, principalmente as feitas por desportistas de diferentes nacionalidades e esportes, reforçaram o choque da perda e a sensação de que não existem super-homens, não há livramento para tudo, por mais que sejamos famosos e bem sucedidos.
O minuto de silêncio memorável, proporcionado na partida do Liverpool (vídeo aqui), e o símbolo da Chapecoense projetado nos telões da NBA, antes dos jogos dessa terça, deram a proporção do ocorrido. Mostraram que realmente “paramos”, em choque…

Foi como uma “sacudidela” impossível de ignorar. Aquele “toque” para mostrar que nós não somos seres superiores.

por Celsão filosófico

figuras recebidas por whatsapp no dia de ontem. Desconheço a autoria

post_invasao-camaraLi uma frase excelente recebida via whatsapp hoje: a extrema direita e a extrema esquerda se encontram nas costas da democracia.
Não conheço a fonte, e o Google não ajudou… Mas a discussão tratava da invasão à Câmara dos Deputados em Brasília e ao vídeo estranho (pra dizer pouco) que confunde a bandeira do Japão com um símbolo comunista.

Pois bem… Compartilho primeiro o link do Youtube da invasão dos “intervencionistas” à Câmara Federal em Brasília (aqui).
Minha opinião pirata é que o grupo é formado por retardados e desocupados. Dizer que lutam por democracia e contra a corrupção, pedindo uma intervenção militar é incompatível, trágico, descortês para ser polido… e tosco para ser direto!
A história da ditadura militar no Brasil não mostrou democracia ou igualdade, mas sim cerceamento de direitos, tortura, covardia e opressão. (aliás, tudo aquilo que a direita “joga” para a esquerda, usando Coréia do Norte, Venezuela e Cuba como exemplos)

Invadir o Congresso solicitando a presença de um general para a desocupação é um despropósito.
Por mais que existam verdadeiros bandidos entre nossos deputados, temas drasticamente polêmicos em pauta (como a absolvição do caixa dois), por mais que se reclame da falta de representatividade, quer seja pelo modelo eleitoral do legislativo ou pelo pequeno interesse político geral; não consigo admitir um protesto que irrompe uma pretensa visita agredindo seguranças, sobe no palco do plenário interrompendo uma seção corrente e usa como “desculpa” o golpe que a esquerda deu no poder.
Nem pra perceber que a esquerda não se considera situação atualmente! 🙂
É tão absurdo quanto a Marcha da Família ocorrida no Brasil, concomitante ao evento dos cinquenta anos do golpe militar ocorrido aqui, em março de 2014 (post nosso aqui).

Igualmente tosco foi o vídeo divulgado e amplamente comentado ontem, quinta (link aqui, já citado no primeiro parágrafo), em que a manifestante chama a bandeira japonesa de símbolo comunista. Até a explicação posterior da própria autora é confusa e incompreensível (aqui).

O que pensar sobre o fato?
Seria, já, um efeito Trump?
Uma facilidade de ser aceito, uma vez que o governante mais poderoso do mundo partilharia (talvez) o mesmo pensamento?
Aliás, se a xenofobia realmente “virar moda”, me questiono sobre os limites desse extremismo. Haverá ainda turismo em países de outro credo? Ou de distinta forma de governo? Eu seria “aceito” para entrar nos Estados Unidos sem falar inglês?

Defendo o direito do protesto. Igualmente assegurado e defendido pela Constituição. Mas os excessos são perigosos.
A liberdade de um termina, sempre, onde começa a liberdade do outro.
Em Junho/Julho de 2013, na época das manifestações seguidas na Avenida Paulista em São Paulo, eu e outros colegas nos questionávamos sobre a situação de pessoas doentes e mulheres grávidas prestes a dar à luz… Como a Paulista é uma região de hospitais e maternidades, qual seria a opinião de um manifestante “impedido” de chegar à maternidade no momento necessário, ou mesmo no horário programado?
Outro abuso é o uso de máscaras, escondendo a identidade, com o intuito sabido de depredar impunemente. Ou queimar uma bandeira brasileira, símbolo nacional, em praça pública.
É bem diferente de marchar e gritar levando cartazes contra Dilma, Temer, Cunha, ou Trump.

No caso ocorrido nessa semana, certamente uma marcha a pé pela esplanada dos ministérios finalizando de frente ao Congresso com cartazes e megafone teria menor impacto midiático que a invasão realizada.
Aliás, analisando bem, é bem estranho o número de câmeras, microfones e repórteres presentes na casa durante e logo após a invasão. Teriam sido eles avisados pelo grupo?

Concluindo, tenho medo do individualismo do brasileiro, que tolera a corrupção quando ele também participa e que aceita a democracia quando é o candidato dele que está no poder.
Tal comportamento não aceita as diferenças inerentes de uma sociedade e não condiz com uma sociedade evoluída.
E é daí, dessa cegueira manipulável, que pode surgir (ou fortalecer) o extremismo nocivo. O mesmo que volta à cena, infelizmente, na Europa e Estados Unidos.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo do youtube, aqui 

P.S.: já falamos sobre a onda nacionalista da Europa, quando em 2014 houve uma votação espantosa e cadeiras obtidas pelos ultranacionalistas (aqui)
P.S.2: páginas com informações sobre os intervencionistas (aqui e aqui no Facebook)
P.S.3: interpretações divertidas sobre outras bandeiras vermelhas – aqui

Coreografia_CavernaImagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles.

Imagina homens que passem para além da parede, carregando objetos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro.
Não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?

Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam.
Se lhe mostrarem imediatamente as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?

Quando você vê uma sombra, Sofia, na mesma hora você pensa que alguma coisa deve estar projetando esta sombra. Por exemplo, pode acontecer de você ver a sombra de um animal. Talvez a de um cavalo, mas você não está bem certo. Então você se vira e vê o animal verdadeiro, que, naturalmente, é muito mais bonito e de contornos mais nítidos do que a imprecisa sombra. É por isso que Platão considera todos os fenômenos da natureza meros reflexos das formas eternas, ou ideias. Só que a maioria das pessoas está satisfeita com sua vida em meio a esses reflexos sombreados. Elas acreditam que as sombras são tudo o que existe, e por isso não as veem como sombras.

Os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.
Nós mesmos contribuímos para o que sentimos e percebemos, pois somos nós que escolhemos aquilo que nos é importante.
… saber que não se sabe também é uma forma de conhecimento.

Os homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram.
Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar.
Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.
Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.

Os que questionam são sempre os mais perigosos. Responder não é perigoso. Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.
… perguntar é importante, mas não é preciso se apressar com uma resposta.


Acima está uma colagem, um tanto quanto aleatória, de passagens dos livros “O pequeno príncipe”, “O mundo de Sofia”, e da “Alegoria da Caverna” presente na obra “A República” de Platão.

Cada um em sua maneira, essas obras visam despertar o bom senso, o senso crítico, o interesse, a moral e ética, o discernimento no leitor, e automaticamente, na sociedade.

Diante dos acontecimentos recentes do Brasil, com uma intensificação da utilização da mídia e da justiça como ferramenta de caça partidária, com a radicalização, principalmente da parcela mais rica e “branca” da sociedade, no ato de condenar de forma “seletiva” atos de corrupção e/ou antiéticos (inaceitável quando praticado por um partido político específico, mas se praticado por outros, ignora-se ou alivia-se). Frente a protestos com direito a abadá, carros alegóricos, madame rica lançando garrafa de prosecco em caminhão da tropa de choque estacionado, “esquentas” para protestos em hotéis de luxo, passeatas regadas a muita cerveja, música e coreografia estilo carnaval.

Diante dos atos de um Juiz e seus comparsas do Ministério Público de São Paulo, em sua caça implacável e irredutível a um ex-presidente e aos integrantes de um partido, atos esses criticados por quase unanimidade dos juristas brasileiros mais respeitados, por ministros do STF, pela OAB, e até mesmo por políticos da oposição ao atual Governo.

Em meio a tudo isso, e ao notar a celebração, da maioria das pessoas pelas quais tenho apresso, comemorando e concordando com esses absurdos, essas aberrações; e notando assim a que grau de primitividade, insensatez, desonestidade intelectual, baixaria e agressividade o ser humano pode chegar, encontro-me sem palavras para expressar o tamanho de minha dor e frustração.
Sendo assim, ficam as passagens acima, algumas delas pensadas a milhares de anos, mas que hoje se fazem tão necessárias quanto antes, e outras destinadas a um público infantil, mas que podem ser aplicadas muito bem aos adultos das “Avenidas Paulistas” Brasil afora.

por Miguelito Filosófico

A figura é uma montagem de duas imagens, retiradas daqui e daqui

moroÉ incrível como em duas semanas tivemos muita coisa acontecendo, muita história, muita mesmo!
Nesse momento até aqueles que não gostam de política, que são alheios a telejornais e notícias em rádios e internet, se “chocaram” com os vazamentos, as manipulações e as manifestações dos últimos dias…

Começou com indicações arbitrárias e fracas da justiça.
Mandar o ex-presidente Lula para o aeroporto de Congonhas sem provas suficientes para enviá-lo a Curitiba foi criticado inclusive por ícones da direita, como o jornalista Reinaldo Azevedo.
Também o Ministro do STF, Marco Aurélio Mello, comentou abertamente no programa Canal Livre da TV Bandeirantes (aqui) as arbitrariedades do movimento de Sérgio Moro.
A Globo só faltou cancelar as novelas. Estava trabalhando de casa nesse dia e toda a manhã foi de cobertura ao assunto; ignoraram a programação matutina para filmar o aeroporto de Congonhas, a casa do petista em São Bernardo e repetir a mesma estória, infinitamente.
Foi ruim para a democracia e extremamente arbitrário. O processo de investigações da operação Lava Jato corria (a meu ver) de acordo com a Justiça e seus meandros. Focar numa pessoa simplesmente visando incitar revolta “popular” (ou encher uma manifestação) não era necessário, nem justo.

A mídia seguia sendo tendenciosa (pra variar), pois não mencionava os tucanos do discurso vazado “espontaneamente” do senador (ou ex-senador) Delcídio do Amaral.
Aliás, era de extrema estranheza (pra dizer o mínimo) o vazamento de uma delação de quatrocentas páginas, ainda inválida, às vésperas de uma manifestação em prol do impeachment da presidente. Nem é preciso desconfiar que foi proposital. Principalmente se pensarmos na revista que a publicou.
Alguns juristas inclusive afirmaram que tal depoimento poderia ser invalidado com sua divulgação prévia, dado o sigilo judicial necessário.

Porém, até a condução coercitiva de Lula, só haviam desvantagens legais por parte da oposição e do juiz Moro. Nenhuma acusação “real” ou mandato de prisão contra Lula ou Dilma. A mobilização do dia treze estava garantida, de modo pouco honrado, mas garantida.

Daí veio o mandato de prisão ainda “mais fraco” da justiça paulista e com ela a primeira menção ou boato sobre a nomeação do ex-presidente para Ministro de Estado.
Parecia pura especulação, como fazem as pessoas do mercado financeiro (plantando boatos) para ganhar dinheiro no curto prazo, com quedas da bolsa e aumentos de valores de moedas estrangeiras, como o dólar.
Novamente tendencioso e sem muita razão lógica. Coisa típica de golpistas mesmo, de pessoas que querem confundir e “anarquizar”.

Mas não parou por aí…
A Globo seguia com destaque desproporcional àqueles trechos de delações que a interessavam, forçando artificialmente o processo de impeachment.
A manifestação de domingo ocorreu. Foi pacífica e foi um “sucesso” maior aos que pediam impeachment do que aos que clamavam contra a corrupção, de um modo mais amplo.
Interessantes vaias surgiram em São Paulo para os políticos da pseudo-direita que tentaram “pegar carona” na manifestação. Enquanto que no Rio, Bolsonaro foi ovacionado e carregado pelos manifestantes…
Coisas da democracia e do Congresso Dantesco que temos atualmente.

Então, o Congresso começou a aprontar das suas.
A bancada de oposição, aqui já reforçada pelos ratos do PMDB que pulavam do navio do governo, informou que monopolizaria as votações a temas relativos ao impeachment; que fariam “greve” se esse tema não surgisse e que trabalhariam de segunda a sexta (que coisa) até que esse tema avançasse.
Começou um papo de semi-parlamentarismo (!?!) que assustou pela cara de manipulação do próprio poder.

E eis que ocorreu a nomeação do ex-presidente Lula para Ministro da Casa Civil!
Por quê?
Por que compactuar com os desejos íntimos da Globo (que chegou a errar ao vivo, anunciando a nomeação no dia anterior)?
Por que municiar a direita? Por que entregar “tão entregue” esse mar de argumentos?
A nomeação teria mesmo que ser feita nessa semana?
Não há explicação plausível para mim.
Aceito que o Lula seja um excelente articulista e ajudaria bastante ao compor o governo Dilma. Mas não agora!
Aceito também o argumento que as investigações contra ele não serão interrompidas. Mas mudar o foro, passando para a esfera máxima, é “dar munição ao bandido”, é quase assumir a culpa!
É rasgar a coerência, a distinção, a ética e a noção ao mesmo tempo!

O outro lado do embate, representado pelo juiz Sérgio Moro errou novamente de forma grotesca ao divulgar as gravações realizadas em grampos nos telefones de Lula e da presidente Dilma.
Ele o fez por ter a certeza de apoio popular irrestrito. Mas correndo imensos riscos. Mesmo desconsiderando a posição atual de Lula como Ministro da Casa Civil, há conversas vazadas de uma Presidente da República! Ente máximo do Poder Executivo da Nação!

Ah… como eu queria que os políticos tivessem a hombridade de Japoneses, se afastando ao verem vinculados seus nomes a corrupção e outros escândalos…
Será que é pedir muito?
Eduardo Cunha com as contas estrangeiras não declaradas, Fernando Capez e o escândalo da merenda escolar, Aécio Neves… Todos poderiam de espontânea vontade se afastar dos cargos que ocupam enquanto investigações fossem conduzidas contra eles; e regressar caso nada seja provado.

Enfim… Por quê?
As manifestações repentinas de ontem mostram o começo de um fim.
E agora creio que as manifestações serão mais fortes, a pressão será maior. A Grande Mídia e a classe média que perdeu os privilégios de comprar SUVs financiadas a perder de vista e as viagens ostentativas para Miami se fortaleceu com as ações de ontem…

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: coloco uma análise “pirata” sobre os abusos do juiz Sérgio Moro, extraída do Diário do Centro do Mundo (aqui).

P.S.2: copio também (pós-divulgação) um trecho de um texto do Facebook do advogado Geraldo Prado (texto completo aqui) analisando o vazamento das conversas telefônicas…
Se pensas, jurista, que é o teu sentimento cívico, patriótico, que te faz ignorar os deveres da Constituição, saibas que por trás de todo gesto violador há o prazer. Te encontras com este teu prazer, essa “súbita impressão de incesto”, mas não invoque o Direito e a Justiça. Eles não estão contigo.

20160104_091753Vivemos a história todos os dias.
E na Argentina, que elegeu recentemente o direitista Mauricio Macri, podemos e poderemos observá-la bem de perto.

Nos primeiros meses de governo, Macri demitiu 12 mil empregados públicos e colocou em revisão outros 60 mil contratos.
Há acusações de perseguição política por parte dos demitidos e de “Kirchnerismo” por parte da vice-presidente Gabriela Michetti.
O fato é que, mesmo que todos os despedidos sejam militantes de esquerda, demissões em massa certamente não ajudarão o político a ser popular entre os mais carentes; e tampouco auxiliarão na importante soma dos “prometidos” um milhão e meio de novos postos de trabalho. Destacando ainda que, além dos novos postos de trabalho, o empresário-direitista prometeu também “pobreza zero” em campanha.

Além das demissões e revisões contestadas, Macri revogou a lei de médios aprovada por maioria do congresso argentino em 2009. Essa lei visa limitar o controle da mídia por grandes corporações e oligopólios familiares nesse ramo.
Ou seja, o movimento neo-liberal argentino tem a princípio mais cara de ditadura que a esquerda peronista.

Pensando num mundo ideal e perfeito, o presidente Macri pode ter sucesso. Desinchar a máquina pública, movimentando os trabalhadores para a iniciativa privada, dinamizará a economia trazendo dinheiro “novo”, ao mesmo tempo que deixa leve a máquina estatal.
O primeiro problema é jogar uma massa revoltada (e, muitas vezes, de oposição) nas ruas e na Argentina. Sem ter empregos garantidos, certamente essa massa descontente irá protestar.
O segundo é que retomadas econômicas são, geralmente, lentas. Mesmo que haja retomada de confiança, muito do dinheiro investido no país durante essa retomada sera especulativo. Capital que não gera emprego.
Ou seja, investimentos no país provenientes de empresas privadas, que geram emprego, resolveriam (ou acelerariam) os dois pontos. O problema é conseguir tais investimentos num curto espaço de tempo.

trabajos_jpg_1718483346Tive a sorte de viajar para o país do “novo milagre latinoamericano” no final do ano passado.
Acompanhei ao menos três protestos diários, ora por educação, ora por empregos e melhores condições, ora pelas falhas no fornecimento de energia elétrica.
Falando nisso, talvez seja hora de admitir que admiro muitos aspectos dos “hermanos”. E as principais delas são o nacionalismo e a tenacidade/perseverance na luta.
Vi pichações na rua contra o presidente Macri, antes mesmo que as demissões fossem anunciadas (primeira figura do post).
E conversei, como de costume, com diversas pessoas sobre política e as mudanças esperadas. É curioso, pois nesse ponto há muita coincidência com as opiniões que vejo no Brasil atual.
– Os apoiadores de Macri repetem a frase “não dá para piorar”, como se corrupção acontecesse somente em governos de esquerda e como se o governo dele não fosse formado por pessoas.
– Os peronistas (simplificando a classificação), assumem que as medidas do governo não trouxeram o desenvolvimento e que houve piora industrial, com consequente “achatamento” da classe média. A “magia social” aproximou pobres da classe média, mas não deu chance para a classe média enriquecer. Alguns desafiam Macri com: “vamos ver o que ele consegue fazer!”
Algo próximo do que acontece por aqui, pois muitos dos que votaram e acreditaram no PT “abraçaram” o discurso da oposição e não mais acreditam numa retomada da economia.

17877586Retomando às ações intepestivas do Macri, ele também decidiu interromper os subsídios governamentais presentes nas contas de energia elétrica e gás. As contas aumentaram em até 300% para o gás (aqui) e 700% para a energia elétrica (aqui).
Quem será que mais sofrerá com esses aumentos? O dono da mansão ou o funcionário público recém-demitido?
O perigo de prejudicar a camada mais baixa da população no afã de re-industrializar o país é altíssimo e está sendo ignorado. E arrisco a dizer que propositalmente.
O problema dele é que o povo seguirá nas ruas, promovendo protestos e pressionando o governo.

O que você acha que acontecerá com o governo Macri?
Reerguerá a Argentina levando-a de volta ao protagonismo regional e mundial ou sucumbirá à pressão popular, trazendo de volta ao poder o federalismo de esquerda?

Qualquer que seja o resultado, será interessante também observar os indicadores sociais e as mudanças na mídia em nosso país vizinho.
Quiçá tenhamos tempo de refletir e evitemos Trumps e Bolsonaros por aqui!

por Celsão irônico

figuras retiradas daqui, daqui e de arquivo pessoal

P.S.: para quem quiser ver um vídeo-resumo interessante sobre o começo do governo Macri (em espanhol), clique aqui.

Este post é um apelo: um apelo pelo amor, pela amizade, pela coletividade, pela humildade, e pela evolução pessoal de cada um de nós.
Eu apelo para que tentem se abrir para o que vou lhes dizer, reflitam.


Dilma_DiscursoDilma reaparece oficializando pacotes severos de combate à corrupção, para intensificar ainda mais as investigações já existentes, e novas que estarão por vir (a limpeza na corrupção está só começando).
De lambuja, ela lembra que é extremamente necessária uma Reforma Política, mas que ela, sozinha, não pode fazê-la, pois vivemos numa democracia com 3 Poderes, e não numa ditadura onde o Executivo faz tudo que bem entende.

Nem preciso falar que ouvir a Dilma falar é monótono. Ela é devagar, pouco didática, péssima oratória. Mas o conteúdo é o que importa, e desta vez, conteúdo havia.

Vocês que levantam a bandeira anti-corrupção, gostando da Dilma ou não, prestem atenção nas tentativas constantes de intensificar-se o combate à mesma. A lógica de vocês está errada, com todo o respeito. A corrupção não está aumentando, ela está é aparecendo. Abriram a tampa do caixão.
Vocês deveriam estar agradecendo ao Governo por isso.
É por isso que querem tanto tirar Dilma do Governo, para que o Brasil volte a fechar o caixão da corrupção, e engavetar todo e qualquer esquema, como sempre foi feito nos últimos 500 anos. As investigações não incomodam Dilma, senão ela daria um jeito de pará-las ou diminuí-las. As investigações incomodam aqueles que foram donos do Brasil desde as navegações, e por isso estes querem derrubar Dilma a todo custo.

Não se deixem enganar por aqueles que tentam lhe manipular. A Grande Mídia, não é pelo povo. Estudem sobre a história da mídia brasileira, suas parcerias históricas com o Poder, com a ditadura; estudem sobre a riqueza de seus donos (a família Marinho – Globo – é a família mais rica do Brasil, a família Civita – Editora Abril – é a 11ª mais rica).
Link da Forbes AQUI
Você que curte o perfil da Globo ou Veja no facebook, ou que só se informa pelo Estadão e Folha, não se esqueçam: os donos e diretores destes meios de comunicação estão atolados em esquemas de corrupção e sonegação de impostos, e para piorar, recentemente, muitos deles apareceram na lista de brasileiros com contas no HSBC da Suíça.
Vocês vão protestar contra corrupção, e curtem e seguem estas mídias? E pior, acreditam neles?

É hora de pararmos de dar força para golpistas, interesses internacionais, e essa elite que Governou o Brasil por 500 anos, e com Lula começou a perder um pouco de seus privilégios (eu digo um pouco, pois a elite brasileira continuou fazendo dinheiro com o Governo do PT, com a diferença de que a vida do pobre, pela primeira vez na história, também melhorou de forma visível).

Classe média, vocês estão mais perto dos pobres que da elite. Defendendo o interesse da elite, vocês só têm a perder. A sociedade só tem a perder. O pobre e o Governo popular, não são seus inimigos. O Brasil já há mais de 50 anos é um dos países mais desiguais do Planeta, com as mais altas taxa de violência, com os maiores índices de pobreza, com uma das piores educações e sistemas de saúde do mundo. Este é o Brasil de sempre, pois sempre esteve nas mãos de um pequeno grupo de pessoas extremamente poderosas, e pior, desinteressadas pela nação, e somente interessadas pelos seus ganhos individuais. Nestas famílias, que sempre mandaram no país, e que nos trouxeram atrasos centenários em quase todos os setores, não estão inclusas a família de Lula (pobre do sertão), nem da Dilma (classe média mineira), nem de Zé Dirceu, nem Genoíno, nem Haddad…..
Vocês podem achar que eles estão destruindo o Brasil, ou que são corruptos, mas a verdade incontestável é que: Eles chegaram em altos cargos políticos, antes sempre ocupados por pessoas de tradição poderosa, e isso, incomoda, e muito, esses poderosos.

Sim, o povo foi às ruas no dia 15 de março, mas infelizmente, a parcela mais rica do povo, pois era raro ver pessoas humildes, ou negras no meio da multidão.
Vocês acham legítimas causas que não aderem os pobres? Será que a classe média precisa mais de ajuda que o pobre faminto? De verdade? Cadê o cristianismo de vocês?

Por que não fugir do simplismo, estudar, buscar entender o sistema, e unirmos então os interesses da classe média com os interesses dos pobres e oprimidos, e assim, juntarmos uma nação contra um par de famílias que não querem dividir o bolo? As causas estão erradas pessoal! Há causas mais certeiras e mais eficientes para serem aderidas. O povo precisa se informar, para buscar algumas causas comuns, que tragam melhorias a todos, e não só a alguns, em detrimento de tantos outros.

Eu, assim como estudiosos da área, estamos sugerindo há tempos causas de extrema urgência: Reforma Política, Reforma Tributária, Lei de Médios, Reforma educacional, Reforma Agrária. Muitas destas causas vêm sendo carregadas desde de Jango.

Essas causas unem os interesses da Classe média e da Classe Pobre, une os interesses de todos nós oprimidos (classe média menos, classe pobre mais oprimida) pelos reais opressores (uma elite pequena, mas poderosa, composta por coronéis da mídia, grandes banqueiros, e grandes empresários – nacionais e internacionais).

Mais sanidade, menos alienação. Mais informação, menos manipulação. E principalmente, mais amor, e menos ódio. É tudo que desejo a todos nós.

Link para o discurso de Dilma AQUI

por Miguelito Formador

impeachment2Winston Churchill, político britânico, disse certa vez que a democracia é o pior sistema de governo, excluindo todos os outros. E, embora saibamos que a internet difundiu a informação e fundou uma nova “era”… sabemos também que a imensa maioria dos acessos se concentra em redes sociais (falando de Brasil), ausentes de pesquisas ou buscas por informações com conteúdo.

Por que estou escrevendo isso?
Fui, ou melhor, fomos bombardeados nos últimos dias por um “organizado” protesto que pretende como desfecho o impeachment da presidente Dilma. Faço questão de colar neste post um exemplo de texto divulgado (em figura) e um trecho também muito difundido, abaixo:

ATENÇÃO BRASIL
Dia 15/03/2015, domingo, nos reuniremos e sairemos as ruas de TODO O BRASIL pra pedir o IMPEACHMENT de DILMA ROUSSEFF como fizemos em 1992 com o então presidente Fernando COLLOR de melo.
Não pagaremos R$4.00 no litro da gasolina porque roubaram a Petrobras, não aceitaremos R$3.50 pra andar de ônibus ou trem, não aceitaremos aumento nos impostos já absurdos como IOF, ICMS, IPTU, IPVA e etc.. Estamos sem água graças ao Sr. Geraldo Alckmim que está no governo a 20 anos e nenhum reservatório construiu! Apenas roubaram nosso dinheiro!!! Chega dos mesmos, dia 15/03/2015 todos nas ruas pelo IMPEACHMENT!!!! Nosso protesto é pacifico, não será permitido bandeiras e camisas de partidos políticos e vândalos e black blocs serão detidos e entregues a policia pela própria população. Haverá jovens, adultos e idosos na manifestação, pedimos que todos vão de verde e amarelo como em 1992 com as cores do BRASIL e caras pintadas!!!
(trecho de texto obtido da internet)

As páginas do facebook se multiplicam e as pessoas não sabem sequer o que é o impeachment, o que é necessário para que haja o impeachment, etc…
Inclusive a maioria das propagandas em prol do protesto em Março, como o citado acima, inclui o governador Alckmin e a falta d’água em São Paulo, mas não clama pelo impeachment deste governador (que também é elegível para tal).
Me recuso a comentar as afirmações da figura, deixo-as como exemplo tosco e cômico, como piada; pois penso que o texto só pode ter sido feito de má fé.

Voltando aos argumentos do movimento pró-impeachment, há outras afirmações que pressupõe haver novo pleito e nova escolha de candidatos.
Faço questão de desmentir essa afirmação, embora saiba que os leitores deste espaço não creiam em tudo o que leem e recebem: Não! Não haverá uma nova eleição se houver impeachment; o vice Michel Temer assume e só caso este sofra também um processo (necessariamente movido pelo STF ou Senado Federal) no período de dois anos do mandato atual, serão convocadas novas eleições.
Ou seja, para que, digamos, o Aécio (ou qualquer outro) seja eleito antes de 2018, é preciso que o processo de impeachment contra a presidente Dilma seja aceito pelo Congresso, julgado e condenado por dois terços do Senado, assuma o vice-presidente, haja um processo contra ele (também aceito pelos órgãos “maiores” do país), haja também condenação de dois terços e não seja ainda 2017!

Difícil de acontecer, não?
impeachment4-450x386Não quero desanimar o pessoal do protesto “Fora Dilma”. Mesmo desconfiando do processo apartidário do movimento, eu apoio o ato, como apoio toda manifestação, sobretudo pacífica.

Mas, buscando mais informações, descobri que já foram encaminhadas ao Congresso dez denúncias de crime de responsabilidade contra a própria Dilma no primeiro mandato (resonsabilidade e improbidade administrativa são dois dos crimes passíveis de impeachment). E, antes destes, outros 34 foram apresentados contra Lula e 14 contra FHC.
Todos os 58 foram arquivados pelos presidentes do Congresso.

Na época do Collor, as denúncias entregues ao Congresso que desencadearam na renúncia e cassação do político, foram assinadas pelos presidentes da OAB e da Associação Brasileira de Imprensa; mas é interessante colocar que qualquer cidadão poderia e pode protocolar em Brasília uma denúncia de crime contra governantes e ministros, que será analisada pelo presidente do Congresso e pelos deputados, para ser levado a cabo ou não.

Utopicamente, desejo que o povo tome consciência do que quer e… se o processo não seguir adiante, dada a escolha dos representantes de Congresso e Senado; ou demorar pra ser concluído, dada a normal morosidade dos órgãos supremos da nossa democracia… que este mesmo povo engajado hoje, busque apoiar as alternativas “mais viáveis” de reformas ao invés de partir para o “quebra-quebra” e para as críticas vazias nas redes sociais.

por Celsão correto

figuras retiradas do site do catraca livre (aqui

P.S.1: Para os que querem mais informação, um jornalista fez um excelente resumo de 10 pontos sobre o impeachment (aqui). O catraca livre fez um post mais simples, mas igualmente informative (aqui)

P.S.2: Se algo não está bom pra você, ou se foi mal atendido ao contratar um serviço, proteste! Sempre! Nem que seja num site como o “reclame aqui”. É seu direito.

figura_post_tarifaNem por R$0,50 ou R$0,40. Agora é contra a corrupção!

Ano novinho em folha começando e aumentos nas passagens de ônibus urbano no Rio e em São Paulo em vigor. No Rio foram quarenta centavos a partir de sábado, dia três, e em São Paulo são cinqüenta de acréscimo desde terça-feira.

Diferentemente das piadas de “agora sou a favor pois facilitou o troco”, acredito (e espero) que as manifestações voltem a ocorrer.
Não pela utópica e impraticável tarifa zero numa cidade como São Paulo, mas pela falta de transparência no setor de transportes.
O Movimento Passe Livre (MPL) já marcou a primeira grande manifestação em São Paulo, que deve ocorrer nesta sexta-feira, dia 09/01/2015.

Pra quem não sabe, o MPL pediu à prefeitura a planilha dos gastos com as empresas prestadoras do serviço de transporte coletivo na capital (que são poucas, e já no comando há muito tempo). Houve até uma CPI na câmara municipal que visava investigar o sistema atual de licitação e prestação de serviços, mas ninguém logrou abrir a “caixa de Pandora” dos custos (ou lucros) das empresas.
Mais absurdo que não rever contratos é continuar pagando empresas prestadoras por cidadão transportado. Notoriamente há sucateamento dos ônibus, num círculo vicioso inevitável, pois busca-se uma maior ocupação (leia-se lotação), o que leva ao abandono do transporte público por aqueles que têm alternative, e a consequente redução do número de veículos por conta da baixa ocupação…
Notícia aqui sobre a conclusão da CPI municipal e aqui sobre uma discussão interessante do modelo de concessão municipal, no site do MPL.
Aliás, o excelente artigo no site do MPL defende que transportar passageiros tem custo fixo, ou quase fixo, e usa exemplos de empresas aéreas (cujo custo do voo não muda com poltronas vazias), corridas de táxi (que tem um preço pela distância e trajeto e independe do número de pessoas transportadas), entre outros.

Independente dessa teoria, todo estudante de economia ou administração sabe, desde o início do curso, que o preço se forma a partir do custo colocando o lucro ou margem; ou de um valor de venda mínimo para que a operação seja viável economicamente. Em nosso caso, valor do contrato da prefeitura com a empresa prestadora criaria esse valor mínimo, ou máximo “pagável” do ponto de vista da prefeitura.

Então bastaria que esse contrato fosse fiscalizado e revisto rigorosamente num momento como esse, de discussão sobre aumento de tarifa, para que se ratificasse o aumento proposto ou servisse de base para negá-lo.
Sem o detalhamento de quanto se paga e como são feitos os cálculos pelas empresas prestadoras, impossível corroborar com o aumento!
E pior ainda… não consigo imaginar como a prefeitura fiscaliza os trajetos, número de ônibus nas ruas (ou por trajeto), dimensionamento para horários de pico e finais de semana…

Ora, pra mim, o “buraco é mais embaixo”!
Há um esquema de corrupção que complica e maqueia propositalmente a tarifa de ônibus e metrô na capital. Contratos não renovados seguem vigentes, uma única família possui mais da metade da frota paulistana. Nem mesmo o mais romântico dos pensadores diria se tratar de preguiça dos governantes ou despreparo da secretaria…

por Celsão revoltado

figura: montagem de figuras extraídas aqui e aqui com fundo do portal UOL.

manifestação_2013_02Tem uma teoria que repito há alguns anos, não sei se li de algum filósofo/intelectual, ou se aprendi com algum sábio amigo, ou se fui eu mesmo que cheguei até ela a partir de minhas observações. Ela consiste no trato do amor e do ódio.

O amor e o ódio são tratados pela maioria das pessoas como o oposto um do outro. Isso é uma falácia enorme. O amor e ódio são irmãos, são dois lados da mesma moeda. Uma pessoa, num momento de ciúmes, decepção, sentimento de ingratidão, acaba facilmente confundindo o amor com o ódio.

Não é à toa que as brigas entre parentes próximos são tão intensas e constantes. Marido e mulher que se amavam tanto, da noite para o dia, passam a se odiar, muitas vezes gerando até agressões verbais e físicas, e algumas vezes originando até mesmo a morte de um dos dois, ou de ambos. É o amor imaturo, doentio, se transformando em ódio.

E podemos nos lembrar do contrário, quando crianças que eram iguais a cão e gato na escola, futuramente acabam se relacionando, e até se casando, o que deixa então claro que toda aquela repulsa de um pelo outro, era na verdade um amor, paixão, atração mal compreendido(a) devido à imaturidade.

Portanto, o oposto tanto do amor, quanto do ódio, na verdade, é a indiferença. Sentir indiferença é sentir nada. Não há espaço para amor, nem ódio. É a ausência de sentimento. Já o amor e o ódio indicam a presença dos mais intensos dos sentimentos.

Na política, a história é bem parecida.

Vivenciamos em 2013 uma sequência de manifestações de cunho político. E interessantemente muitos dos manifestantes levantavam bandeiras “anti-políticas”, de ódio e negação à política.

Ora, existe algo mais político que ir às ruas protestar contra a política? A negação à política é por si só, um ato extremamente político. Mas muitos dos manifestantes, em sua maioria jovens de 16 a 25 anos, não se deram conta disso, talvez por falta de conhecimento, talvez por ingenuidade, talvez por falta de reflexão, ou uma combinação disso tudo.

O ódio à política está muito próximo do amor à mesma. O que os separa é uma linha tênue.

Exemplificando:
Imagine um jovem, que pintou a cara, foi à rua com cartazes dizendo “Impeachment da Dilma”, “Impeachment de Alckmin”, “Cassação de Renan Calheiros”, “Dissolução do Congresso”, “Político é tudo pilantra”(sic), “vamos tirar essa corja de bandidos do poder”. Todas essas frases carregam uma mensagem de ódio à política. 

Então, imagine que cheguemos a este jovem e lhes mostremos que estamos querendo fundar um novo partido: O “Jovens Contra a Política Suja” (JCPS). Explicamos a este jovem que somos contra “esses partidos”, essa “roubalheira”, essa “safadeza”. Queremos limpar nossa política, lutar por mais ética, mais compromisso com o povo, por um Brasil mais justo. 

Provavelmente esse discurso lhe agradaria, e ao ser convidado, esse jovem provavelmente aceitaria participar do projeto, integrando então o novo partido político.

Pronto, de ódio à política, aquele jovem passou “a ser a própria política”. Foi tanto “amor” que acabou trazendo a política para sua própria vida

Já uma pessoa indiferente à política, não tem qualquer sentimento, não sente raiva de políticos, nem de partidos, muito menos amor ou empatia. Conversas, artigos, livros, debates políticos lhe causam somente um sentimento, o tédio.  Essa pessoa, dificilmente aceitaria participar de um projeto político, jamais irá às ruas protestar, provavelmente continuará justificando sua ausência nas eleições, ou no máximo, votando nulo. Portanto, a indiferença e o ódio à política são muito distintos.

A negação à política, o ódio mostrado por uma parcela dos brasileiros, é algo muito forte, interessantíssimo, mas também perigoso. O envolvimento político é uma das consciências mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade enquanto democracia saudável e para o progresso da Nação. Porém, é preciso muito, mas muito cuidado. O envolvimento imaturo, carregado de emoções não refletidas, não digeridas, originando inclusive o pensamento de estar negando exatamente aquilo que se está fazendo, pode ser uma ferramenta perigosíssima nas mãos daqueles com maior compreensão, experiência e ambições.

Temos nessas eleições de 2014 um grupo político, composto por dinossauros/anciãos da política, pessoas que já participam do processo político em seu mais alto grau há muitas décadas. Políticos, marqueteiros, publicitários, empresários, economistas envolvidos até a cueca, há décadas, neste mesmo processo político atacado pelos manifestantes.

Esse grupo é exatamente igual aos outros grupos. Têm as mesmas intenções, mesmos objetivos, mesmas ambições, porém com uma diferença: O discurso é diferente.

Eles, de forma muito “astuta” e “sagaz”, adentraram numa campanha política, utilizando-se da negação da política, com o claro intuito de conquistar a confiança daqueles milhões de jovens que foram às ruas ano passado. Portanto, é o mais do mesmo, vestido com roupa nova.

Esse grupo é uma repetição do que já aconteceu algumas vezes na história do mundo. Eles representam a Terceira Via. E as experiências que o mundo já teve com tais discursos ludibriadores, não foi nada boa.

Portanto, é muito importante que desempenhos nosso papel em outubro com muita consciência. Não há heróis, não há milagres. Não nos ceguemos pelas emoções. Tragamos o racional á tona e saibamos identificar incoerências. Saibamos identificar mentiras, aplicando um simples toque de lógica. Não deixemos que as manifestações do ano passado tenham servido para colocarmos no poder pessoas que estão utilizando os mais sujos dos jogos psicológicos para com a sociedade. Colocar essas pessoas lá é jogar no lixo a legitimidade dos protestos de 2013 e colocar o Brasil em uma situação de enorme risco, com grandes chances de retrocessos, tanto econômico quanto social.

Sejamos cidadãos responsáveis, eleição não se trata de protesto, de birra, de ódio irracional, sequer se trata de jogos de risco numa mesa de cassino, ou investimento em bolsa de valores. Eleição é o que há de mais sério em nosso papel de cidadania. Saibamos escolher o projeto mais coerente, mais sensato, mais praticável, e mais soberano para nosso país.

* Para ler mais um artigo nosso, que relaciona a opção política com o caráter do eleitor, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui + montagem minha