Posts Tagged ‘manifestação’

manifestação_2013_02Tem uma teoria que repito há alguns anos, não sei se li de algum filósofo/intelectual, ou se aprendi com algum sábio amigo, ou se fui eu mesmo que cheguei até ela a partir de minhas observações. Ela consiste no trato do amor e do ódio.

O amor e o ódio são tratados pela maioria das pessoas como o oposto um do outro. Isso é uma falácia enorme. O amor e ódio são irmãos, são dois lados da mesma moeda. Uma pessoa, num momento de ciúmes, decepção, sentimento de ingratidão, acaba facilmente confundindo o amor com o ódio.

Não é à toa que as brigas entre parentes próximos são tão intensas e constantes. Marido e mulher que se amavam tanto, da noite para o dia, passam a se odiar, muitas vezes gerando até agressões verbais e físicas, e algumas vezes originando até mesmo a morte de um dos dois, ou de ambos. É o amor imaturo, doentio, se transformando em ódio.

E podemos nos lembrar do contrário, quando crianças que eram iguais a cão e gato na escola, futuramente acabam se relacionando, e até se casando, o que deixa então claro que toda aquela repulsa de um pelo outro, era na verdade um amor, paixão, atração mal compreendido(a) devido à imaturidade.

Portanto, o oposto tanto do amor, quanto do ódio, na verdade, é a indiferença. Sentir indiferença é sentir nada. Não há espaço para amor, nem ódio. É a ausência de sentimento. Já o amor e o ódio indicam a presença dos mais intensos dos sentimentos.

Na política, a história é bem parecida.

Vivenciamos em 2013 uma sequência de manifestações de cunho político. E interessantemente muitos dos manifestantes levantavam bandeiras “anti-políticas”, de ódio e negação à política.

Ora, existe algo mais político que ir às ruas protestar contra a política? A negação à política é por si só, um ato extremamente político. Mas muitos dos manifestantes, em sua maioria jovens de 16 a 25 anos, não se deram conta disso, talvez por falta de conhecimento, talvez por ingenuidade, talvez por falta de reflexão, ou uma combinação disso tudo.

O ódio à política está muito próximo do amor à mesma. O que os separa é uma linha tênue.

Exemplificando:
Imagine um jovem, que pintou a cara, foi à rua com cartazes dizendo “Impeachment da Dilma”, “Impeachment de Alckmin”, “Cassação de Renan Calheiros”, “Dissolução do Congresso”, “Político é tudo pilantra”(sic), “vamos tirar essa corja de bandidos do poder”. Todas essas frases carregam uma mensagem de ódio à política. 

Então, imagine que cheguemos a este jovem e lhes mostremos que estamos querendo fundar um novo partido: O “Jovens Contra a Política Suja” (JCPS). Explicamos a este jovem que somos contra “esses partidos”, essa “roubalheira”, essa “safadeza”. Queremos limpar nossa política, lutar por mais ética, mais compromisso com o povo, por um Brasil mais justo. 

Provavelmente esse discurso lhe agradaria, e ao ser convidado, esse jovem provavelmente aceitaria participar do projeto, integrando então o novo partido político.

Pronto, de ódio à política, aquele jovem passou “a ser a própria política”. Foi tanto “amor” que acabou trazendo a política para sua própria vida

Já uma pessoa indiferente à política, não tem qualquer sentimento, não sente raiva de políticos, nem de partidos, muito menos amor ou empatia. Conversas, artigos, livros, debates políticos lhe causam somente um sentimento, o tédio.  Essa pessoa, dificilmente aceitaria participar de um projeto político, jamais irá às ruas protestar, provavelmente continuará justificando sua ausência nas eleições, ou no máximo, votando nulo. Portanto, a indiferença e o ódio à política são muito distintos.

A negação à política, o ódio mostrado por uma parcela dos brasileiros, é algo muito forte, interessantíssimo, mas também perigoso. O envolvimento político é uma das consciências mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade enquanto democracia saudável e para o progresso da Nação. Porém, é preciso muito, mas muito cuidado. O envolvimento imaturo, carregado de emoções não refletidas, não digeridas, originando inclusive o pensamento de estar negando exatamente aquilo que se está fazendo, pode ser uma ferramenta perigosíssima nas mãos daqueles com maior compreensão, experiência e ambições.

Temos nessas eleições de 2014 um grupo político, composto por dinossauros/anciãos da política, pessoas que já participam do processo político em seu mais alto grau há muitas décadas. Políticos, marqueteiros, publicitários, empresários, economistas envolvidos até a cueca, há décadas, neste mesmo processo político atacado pelos manifestantes.

Esse grupo é exatamente igual aos outros grupos. Têm as mesmas intenções, mesmos objetivos, mesmas ambições, porém com uma diferença: O discurso é diferente.

Eles, de forma muito “astuta” e “sagaz”, adentraram numa campanha política, utilizando-se da negação da política, com o claro intuito de conquistar a confiança daqueles milhões de jovens que foram às ruas ano passado. Portanto, é o mais do mesmo, vestido com roupa nova.

Esse grupo é uma repetição do que já aconteceu algumas vezes na história do mundo. Eles representam a Terceira Via. E as experiências que o mundo já teve com tais discursos ludibriadores, não foi nada boa.

Portanto, é muito importante que desempenhos nosso papel em outubro com muita consciência. Não há heróis, não há milagres. Não nos ceguemos pelas emoções. Tragamos o racional á tona e saibamos identificar incoerências. Saibamos identificar mentiras, aplicando um simples toque de lógica. Não deixemos que as manifestações do ano passado tenham servido para colocarmos no poder pessoas que estão utilizando os mais sujos dos jogos psicológicos para com a sociedade. Colocar essas pessoas lá é jogar no lixo a legitimidade dos protestos de 2013 e colocar o Brasil em uma situação de enorme risco, com grandes chances de retrocessos, tanto econômico quanto social.

Sejamos cidadãos responsáveis, eleição não se trata de protesto, de birra, de ódio irracional, sequer se trata de jogos de risco numa mesa de cassino, ou investimento em bolsa de valores. Eleição é o que há de mais sério em nosso papel de cidadania. Saibamos escolher o projeto mais coerente, mais sensato, mais praticável, e mais soberano para nosso país.

* Para ler mais um artigo nosso, que relaciona a opção política com o caráter do eleitor, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui + montagem minha

VaiTerCopaSimEm tempo: Enquanto eu escrevia esse post, já estando bem no final, saiu o pronunciamento da presidente Dilma sobre a Copa. Este pronunciamento converge com muito do que eu escrevi aqui, e veio até em boa hora para embasar ainda mais alguns de meus dados e argumentos. Clique AQUI para assisti-lo na íntegra.

“”””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””

Amanhã, dia 12.06.2014, uma quinta-feira, começa a Copa do Mundo de futebol. O maior evento esportivo do mundo, já há décadas. Futebol  está entre as maiores paixões de várias sociedades espalhadas pelo planeta, mas em nenhum lugar ele é tão idolatrado como no Brasil.

Em 2007 o povo brasileiro torceu para que o Brasil  ganhasse como sede deste torneio, e vibrou ao ver esse sonho se tornar realidade quando fomos escolhidos. Lembro-me que a euforia era geral. Mas, o tempo passou, chegou 2013, onde uma onda de manifestações espalhou-se pelo Brasil. Tudo começou com os 20 centavos, que era um movimento extremamente legítimo, embasado e com um propósito bem claro. Aos poucos foi se abrindo o leque, e de repente, protestava-se contra tudo. Protestos legítimos se misturavam com protestos oportunistas. A mídia, que inicialmente criticou duramente os primeiros protestos que ainda lutavam por melhoria nos transportes públicos, passou a apoiar muitos dos novos protestos, “coincidentemente”, aqueles com predominância de críticas ao Governo Federal, muitas vezes direcionados à Presidente da República.

Até mesmo o MPL (Movimento Passe Livre) que havia iniciado os protestos dos 20 centavos, declarou estar se retirando oficialmente das manifestações, pois essas haviam tomado rumos contrários às causas pelas quais eles lutavam. As manifestações haviam sido “sequestrados” por grupos oportunistas, defendendo causas conservadoras e com intuito principal de desestabilizar o Governo. Clique AQUI ou AQUI para ler sobre a nota do MPL na ocasião.

No embalo do caos das manifestações, entre os grupos conservadores e/ou oportunistas, começaram a surgir as pautas criticando a Copa do Mundo, os atrasos das obras, os preços elevados das mesmas, e coisas do tipo. E eis que de repente surge o slogan: “Não vai ter Copa”. Pronto, aí começou um movimento que nunca mais parou. Um movimento conservador, sem muita lógica inicialmente, e que foi tomando corpo, criando novas argumentações e conquistando adeptos, principalmente entre os conservadores e entre a Classe Média, mas também entre alguns progressistas e entre as camadas mais pobres.

Acho que posso parar minha introdução histórica, pois penso que daqui para frente todos saibam o desfecho deste movimento, pois ele está aí até hoje a todos vapor. Posso, portanto, começar a fazer meus simples questionamentos e análises objetivas sobre o assunto.

Bom, até 2013 ninguém protestava ou reclamava contra a Copa. A Copa não era um assunto que incomodava o brasileiro, que gerava revolta, indignação, como é o caso da educação, saúde, corrupção, transporte público, etc. Estes problemas já estão no “pacote” de reclamação dos brasileiros há décadas, para não dizer séculos, e com total razão. Mas a Copa, nunca foi. Todos continuavam felizes e vibrantes esperando a Copa nos trazer alegria. Como que, de repente, a Copa vira uma das principais causas de revolta? O brasileiro do nada acordou para este tema? O povo percebeu repentinamente que a Copa era um mal negócio e estava levando a nação para o buraco?

Bom…. eu não sou tao inocente assim. Para mim está claro que a pauta “Não vai ter Copa” foi uma questão de oportunismo, e como sempre, o povo brasileiro foi, num geral, manipulado. Pelo Governo? Lógico que não, pois protestos contra a Copa é algo ruim para o Governo/Executivo/PT. Manipulado por quem então? Ora bolas, por aqueles que sempre nos manipularam durante 500 anos, a elite conservadora, os partidos de direita e simpatizantes, e os porta-vozes destes dois grupos, a Grande Mídia.

Alguns dirão: Ora, mas para a mídia é ruim se a Copa for um fiasco, afinal, a mídia lucrará bastante neste período. Hei de concordar com essa lógica. Porém, aqui não se trata de uma equação com uma única variável, mas sim com uma complexidade de variáveis.
Precisamos primeiro lembrar que para uma boa parcela da elite, e para quase toda a classe média (estou a  falar da classe média tradicional, em seu sentido amplo sociológico, o que vai muito além de poder aquisitivo), o PT representa um mau governo.
Para uma pequena parcela da elite (principalmente o sistema financeiro e o agronegócio), para uma ainda menor parcela da classe média, e para a maioria dos pobres e da “nova classe média” o PT representa um governo histórico, além de Jango, o único governo realmente com bandeiras sociais e de esquerda que tivemos na história.
Tá certo que, enquanto Governo, o PT é muito mais centro-esquerda que esquerda, mas já é um grande avanço se comparado aos 500 anos de direita elitista em nossa história.

Assim, voltemos à elite, mídia e Copa do Mundo. Num geral, para a elite e para a classe média tradicional, o PT tem que sair urgentemente do poder. A Grande Mídia brasileira está  concentrada na mão de 6 famílias. Essas 6 famílias possuem quase 80% do escopo midiático do Brasil. Dessas 6 famílias, 2 delas estão entre as 15 famílias mais ricas do Brasil. A família Marinho lidera o topo das famílias mais ricas do Brasil, segundo o ranking da Forbes. Clique AQUI
A mídia vive de patrocínio. No caso da Grande Mídia, eles são patrocinados, principalmente por grandes empresas, ou seja, a elite. Desta forma, aquela possuirá obrigatoriamente editoriais que não prejudiquem os interesses desta elite patrocinadora. Isso é  bem óbvio. Imaginem se um jornal X vai escrever algo bombástico que prejudique a imagem de seu principal patrocinador, correndo o risco do patrocinador retirar a publicidade.

Não é teoria da conspiração, é algo 100% lógico e assumido por qualquer especialista que estuda o mercado da mídia. A mídia tenderá a proteger quem lhes garante a sobrevivência, os patrocinadores. A elite empresarial representa no mínimo 80% de todo o patrocínio da Grande Mídia. Esta mesma elite está, num geral, contra o Governo, por este ser de centro-esquerda, e eles (a elite) gostarem de centro-direita ou direita. Assim, a Mídia, para ser coerente com quem lhes banca, bate no PT mais do que fazia com outros governos. E as provas sobre isso temos aos montes.

Com relação à Copa, a Grande Mídia parece ter adotado uma estratégia interessante. Apoiar as manifestações contra a mesma, elaborar editoriais negativos, mostrar pessimismo, e estimular a ideia de que o brasileiro não quer mais o evento. No caso, eles estão fazendo sangrar. Sangram a Copa, sangram o Governo, sangram a presidente Dilma, sangram o PT. Mas não matam….. pois matar seria péssimo! A Copa tem que ocorrer, e bem. Mas antes disso ocorrer, eles fazem sangrar para enfraquecer o Governo, gerar o caos, o ódio na sociedade. Mas na hora H, vão mudar um pouco o rumo do editorial, fazê-lo mais positivo quanto à Copa, fazer fortunas em cima do evento.
Ou seja, o resultado final para eles é: muito lucro na Copa, e um Governo enfraquecido. Mesmo que eles corram o risco da Copa não correr tao bem assim…. mas ela irá ocorrer, e eles terão mesmo assim muito lucro. Mas o Governo sairia extramente enfraquecido. Portanto, eles sacrificariam seus cavalos, para conquistar a rainha.

Agora que você já sabe da postura da mídia, e já se perguntou quando e porque os protestos contra a Copa surgiram, talvez esteja percebendo que seu ódio contra a Copa e contra o Governo, pode sim ter algum embasamento, mas ele é também resultado de um senso comum, de um objeto de manipulação de massas, feitos por muitos daqueles que oprimem as sociedades. Se você já está fazendo essas reflexões, ótimo, pois vou continuar.

Vou atacar agora as críticas mais ouvidas com relação à Copa, pontualmente:

  1. O Brasil não precisa de Copa, mas de educação e saúde
    O que uma coisa tem a ver com outra? Os investimentos com saúde e educação não foram alterados devido à Copa. O dinheiro da Copa saiu uma parte de capital privado, e a parte de investimento público saiu principalmente da verba destinada a infraestrutura e de empréstimos do BNDES. Investimentos com infraestrutura existiriam, com Copa ou sem Copa. O que o evento fez foi canalizar uma parte destes recursos de infraestrutura e acelerar vários projetos que já estavam em andamento, e criar outros novos, o que é muito bom, no ponto de vista urbano.
  2. Muitas obras não ficarão prontas, e muitas outras com atraso
    Verdade. Mas, só porque ficarão prontas  com atraso, significa que não são mais válidas? Quer dizer que, se for para fazer algo com atraso, é melhor sequer fazer? Não entendo essa lógica…. Ex.: Imaginem que queremos investir 500 milhões em educação até 2016. Agora, se só formos atingir os 500 milhões em 2017, então nem precisa investir, melhor não investir nada em educação! É por aí?
    A maioria das obras ficarão prontas. Algumas sem atraso, algumas com atraso, mais a maioria será feita. E se ficará pronta em 2014 ou 2015 ou 2016, o resultado será sempre o mesmo: obras prontas para melhoria na mobilidade pública. Esse é o raciocínio final que deve ser feito. Vejam AQUI o vídeo com o comentário do jornalista Bob Fernandes
  3. Os gastos da Copa são muito elevados
    Bom, os gastos públicos com o evento estão estimados em R$ 26 bilhões. Destes, somente 8 bilhões são para estádios. Os outros R$19 são para infraestrutura, turismo, segurança pública, entre outros, ou seja, excelente. Já os 8 bi gastos com estádios, bem, não dá para fazer Copa sem estádio, convenhamos. No mais, a maioria das reformas e construções foram exigência da FIFA. E além disso, sabemos que ao menos 10, destes 12 estádios, serão sim muito bem utilizados após a Copa. Afinal, futebol além de um amor, é grande negócio no Brasil.
    O PIB do Brasil é de R$ 5 trilhões de reais. Portanto, 8 bilhões de reais representam aproximadamente 0,16% do PIB de 1 ano no Brasil. Mas estes R$ 8 bi foram investidos no decorrer de 4 anos. Portanto, podemos dizer que, no período, o Brasil gastou algo em torno de 0,04% do seu PIB em estádios. Só de 2010 a 2013 o Governo investiu R$1,7 trilhões em saúde e educação, ou seja, 212 vezes o valor dos estádios, ou mais de 65 vezes mais que a soma de todos investimentos diretos com a Copa. Mais sobre essas comparações de valores AQUI e AQUI (e no pronunciamento da Presidente, que possui os valores ainda mais confiáveis)
  4. Precisávamos de 12 sedes?
    Concordo que não. E a FIFA sugeriu 8 sedes. Porém, 18 estados brasileiros pediram para sediar a Copa. Com muita negociação e diplomacia com governadores e prefeitos, o Governo Federal teve que ceder a 12 destes estados.
    Portanto, se você acha um absurdo 12 sedes, ou se acha absurdo alguns estádios em cidades que nem têm tradição de futebol, pois reclame com os governadores, parlamentares, prefeitos, vereadores daquelas cidades. Concentrar as reclamações no Governo Federal, é errado, pois foge do cerne do problema.
  5. A FIFA manda e desmanda nas regiões dos estádios e cidades sede
    Sim, e isso é um absurdo. Mas essa é a FIFA, uma grande corporação e cheia de poder de fogo. Tampouco é culpa do Governo ou da presidente o fato de a FIFA ser assim. Eles foram assim na África do Sul, na Alemanha, nos EUA, no Japão e Coreia do Sul, e em todos os lugares. Se quer reclamar da FIFA, então deixe claro no seu cartaz e na sua fala, que você está protestando contra a empresa FIFA. Não misture as coisas, aproveitando para atacar o Governo hipocritamente por coisas que eles mal podem interferir. Inclusive, indico este vídeo (AQUI), num programa de TV inglês, que mostra de uma forma divertida, a triste realidade de como funciona a FIFA e algumas de suas atrocidades mundo a fora.
  6. Temos os estádios mais caros da história
    Balela. Nas últimas copas do mundo, tivemos 2 estádios mais caros que o nosso estádio mais caro, que é o Mané Garrincha. Obviamente, para avaliar o valor do custo de um estádio, temos que considerar o custo financeiro X tamanho/capacidade do mesmo, pois não dá para se comparar um estádio de capacidade para 10 mil torcedores, com um de capacidade para 80 mil.
    Portanto, ao analisarmos custo do estádio/número de assentos, vemos que não há nada de anormal nos custos de nossos estádios, em comparação com os custos de estádios em Copas em outros países. Cliquem AQUI e vejam a lista dos 25 estádios mais caros da história das Copas. 
  7. A Copa está trazendo prejuízo, devido à ineficiência das obras e da corrupção
    Uma afirmativa abismal! Segundos estudos da FGV e da Ernst & Young, além dos investimentos de R$ 19 bi em infraestrutura, que retornam diretamente para a sociedade como qualidade de vida, a Copa e seu legado futuro ocasionarão um giro de aproximadamente R$ 112 bilhões para nossa economia. Ou seja, mesmo com ineficiência e desvios de corrupção, o retorno de investimento é de 5 vezes o valor do capital investido. Não há como discutir que a Copa é um investimento excelente para a economia. Leia mais clicando AQUI e AQUI
  8. Não sou contra a Copa do Mundo, sou contra a Copa no Brasil
    Esse é o campeão dos argumentos sem sentido e hipócritas. É tão insano que parece até um diálogo com Homer Simpson. Todos os protestos sempre foram a Copa no Brasil, e não contra a Copa em si, isso é óbvio! É tipo falar assim: Eu não torço para que a Dilma, ou Aécio, ou Eduardo Campos não se elejam presidente, eu torço para que eles não se elejam presidente no Brasil…..   Oi?
    Óbvio que estamos discutindo sobre a Copa no Brasil, usar esse argumento é mostrar que você ou é muito desonesto ou você tá mais perdido que goiaba na bananeira.
  9. Muitas comunidades estão sendo removidas sem o devido ressarcimento dos danos
    Aqui concordo em gênero, número e grau. É um absurdo o tratamento que está sendo dado a algumas comunidades indígenas e a comunidades carentes nas redondezas dos estádios. Para estas causas específicas, onde também se incluem os protestos dos Sem Teto, eu sou a favor de protestos sim, contra FIFA, contra a presidente, contra o Congresso, contra o Judiciário, contra governadores, contra prefeitos. Os protestos são válidos e legítimos.
    Mas aqui também há exageros e sensacionalismo por parte da mídia e de outros oportunistas. Dizem por aí que 150 mil famílias foram desalojadas. Segundo dados do Governo, o número oficial é de 6.652 famílias. Outra informação distorcida seria que as famílias estariam sendo deslocadas para construção de estádios. Segundo o Governo, essas famílias foram removidas para a realização de obras de mobilidade urbana, como por exemplo, transporte público coletivo. E todas elas receberam moradias do programa Minha Casa, Minha vida. Clique AQUI para ler a nota de 10 verdades sobre a Copa emitida pelo PT.
    Agora, novamente repito, concentrar críticas infundadas quanto aos desalojamentos na presidente, é novamente um erro.

Se é para protestarmos, por que não aproveitamos a Copa para protestarmos contra a riqueza das 15 famílias mais ricas do Brasil, que juntas acumulam uma fortuna de R$ 270 bilhões de reais, 10 vezes mais que os gastos com a Copa. Somente a família Marinho possui R$ 64 bi, mais que o dobro dos gastos com a Copa, e quase 3 vezes do que é gasto anualmente com o Bolsa Família. Protestemos pela implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas, portanto!
Ou então, por que não protestamos contra a sonegação de impostos feita pela sociedade civil brasileira. Só em 2013 já foram sonegados 222 bilhões em impostos. Daria para fazermos 10 Copas com o dinheiro que o povo deixa de pagar ao Governo, o que é de direito deste, por lei, para poder investir na melhoria do país. Se quiser acompanhar diariamente quanto o povo brasileiro sonega de impostos, acesse o Sonegômetro.

E sabe o que dói? Além dos protestos descabeçados contra a Copa, é ver essa mesma galera protestando contra o Bolsa Família, como se fosse uma dinheirama, e pior, mal aplicada. Enquanto os ricos brasileiros deitam e rolam em fortunas muito maiores que o valor total gasto com o Bolsa Família, e o brasileiro sonega até 20 vezes mais que o valor gasto no Programa.

No mais, deveríamos estar celebrando a oportunidade de sediarmos a Copa, que celebra o futebol, nossa paixão. Se há críticas a serem feitas no processo, que sejam feitas, mas da forma devida e com consciência, sabendo cobrar dos responsáveis.
A Copa já está e continuará girando nossa economia, aquecendo nosso comércio, elevando nosso PIB. Mais dinheiro para os cofres públicos, mais dinheiro para ser investido em infraestrutura, saúde, educação, segurança, e todo o resto. Além disso, a Copa é uma grande oportunidade para quebrarmos certos estereótipos que os estrangeiros têm quando ao Brasil, como sendo um país de florestas, praias onde as mulheres andam nuas, mulheres bundudas, carnaval, samba, criminalidade e futebol. Podemos mostrar que alguns destes estereótipos são falsos, e que também temos muito mais que isso.

É uma oportunidade de exibirmos nossas belezas para o mundo, o que despertará ainda mais o interesse pelo turismo no Brasil, além de alavancar negócios e investimentos estrangeiros no nosso território.

Boicotar a Copa, destruir a mesma através de caos, não fará com que nossos problemas sejam reparados. Pelo contrário, só aumentarão os mesmos. Frustrará os turistas, e espantará o interesse estrangeiro. Perderemos investimentos, o que pode dar uma porrada na economia, que pode parar de crescer, ou desacelerar, gerando regressos sociais, desemprego, redução de direitos trabalhistas e muito mais.
Os estrangeiros tampouco irão nos ajudar por verem que estamos protestando contra nosso Governo. Eles não se importam com nossos problemas. Não adianta achar que a Copa é uma oportunidade de mostrar para o mundo nossas mazelas, afinal, você acha que eles farão o que? Nos ajudar, enviando uma tropa do exército vermelho? Gerar o caos com o Brasil cheio de turistas, é como ter discussão familiar com a casa cheia de visitas. Você e sua família passam vergonha, perdem a confiança da visita, e por fim, não resolveram o problema que estava sendo discutido. Inteligente, né? Não, não é! É de uma imbecilidade sem fim!

Quebrar a Copa, antes de mais nada, não é ser contra o Governo, nem é lutar contra os problemas, ser contra a Copa é ser contra o Brasil !

* Leia também um ARTIGO bem interessante que mostra que outros países que sediaram a Copa também tinham motivos de sobra para protestarem, mas não o fizeram. E mostra também que nós brasileiros achamos que somos os únicos que temos problemas, no nosso velho complexo de vira-latas, e quando resolvemos protestar, protestamos de forma errada, protegendo os opressores e atacando os oprimidos.

** AQUI algumas suspeitas de suborno e negociações ilícitas da Rede Globo com a FIFA pelos direitos de transmissão da Copa.

*** E AQUI a entrevista do empresário Abílio Diniz, presidente BRF, maior empresa de alimentos do Brasil, fala do pessimismo empresarial para com o país, da oposição e ataques à Dilma, e sua opinião sobre o legado da Copa.

por Miguelito Formador

figura daqui

20140521153918451196eHá alguns dias, senti na pele o reflexo da paralisação dos motoristas de ônibus em São Paulo. Para quem não acompanhou, apesar de um acordo aceito em assembléia pela categoria, motoristas interromperam viagens e estacionaram os ônibus ao longo das muitas vias da cidade (notícia aqui)

No primeiro dia, estava no centro a caminho da Zona Norte e vi ônibus estacionando ao longo da Rego Freitas, Arouche e Duque de Caxias. No dia seguinte, deparei com a cena na avenida Eliseu de Almeida.
Mais importante que detalhes de onde e como, me imaginei em ambos os lados: na pele dos funcionários que se sentiram traídos pelas pessoas que os representam (no caso, o sindicato da categoria) e também no lado das pessoas “abandonadas” nas ruas, sem transporte público e, não raro, sem conseguir sequer voltar pra casa.

É complicado… sobretudo o lado dos usuários dos ônibus. Sem qualquer culpa, foram penalizados duramente e se viram cerceados do direito de ir e vir.
Por outro lado, defendo as manifestações e greves, pelo direito básico de discordar de uma situação injusta; inclusive defendi as manifestações do ano passado frente a colegas e amigos que criticavam exatamente o direito daqueles que não queriam participar, só queriam voltar pra casa, se locomover.

Quando assisti às entrevistas com o prefeito Haddad e o presidente do sindicato, vi a complexidade do problema: Estado paga as empresas pelo serviço prestado -> empresas definem salários dos profissionais e lucro -> é determinado o número e frequência dos coletivos e o preço da passagem -> o preço influencia diretamente no orçamento do povo, logo, não pode aumentar…
O pior… nas paralisações de dias atrás não houve prejuízo direto às empresas, aos políticos ou à cidade (fora alguns excessos e violência isolados). Somente “o povo” pagou!
E vou além, em outras paralisações ocorridas ou planejadas, como dos metroviários, policiais, professores, garis… quem “paga” a conta são os próprios assalariados, via penalização da falta de serviços.
Temo inclusive pelos movimentos legítimos, pois este “tsunami” de protestos planejados pode minar o apoio popular e até trazer um perigoso apoio à intervenções violentas e desmedidas das autoridades.

Numa análise macro-econômica, o Estado também é penalizado; pois o Mercado sofre com a diminuição da produtividade do país, o aumento dos custos da produção e a não-circulação do dinheiro. O comércio consequentemente encolhe e o crédito diminui. Mas o efeito que mais assusta os governantes é a queda da popularidade!

O que quero com esse post, além de desabafar e refletir sobre meu infortúnio em dois dias de caos na cidade? Ideias utópicas e românticas, como sempre…
– Por que não fazer “catraca livre” nos transportes públicos, em dias de greve
– E se todos seguissem a proposta do movimento Endireita Brasil, que vendeu ontem, em São Paulo, combustível sem impostos (aqui)
– Que tal cancelar todos os contratos públicos e refazê-los, contratos sérios, duradouros e passíveis de multa em caso de descomprimento.
– Investigação pesada nas licitações e empresas que prestam serviços públicos.
– Ajustes salariais automáticos, vinculados a índices econômicos. E aumentos reais vinculados a desempenho
– E pra finalizar o mais óbvio e mais difícil: ampliação do transporte público de qualidade, principalmente metrô e redução de gastos públicos

por Celsão correto

figura retirada da primeira notícia citada

rolezinhonoleblonPois é… Rolezinhos. Aquilo que os jovens de férias pelo Brasil têm marcado via redes sociais, quem diria, está virando um problema político e social.

Político, pois alguns já sugerem que os governantes recebam alguns dos organizadores para entender o que eles querem com isso. (!?!)
Parodiando o grande Stanislaw Ponte Preta e sua personagem Tia Zulmira, a filósofa da Boca do Mato: “Mas os meninos só querem encontrar outros meninos, se divertir, conhecer garotas. Pra quê complicar?

Social, pois estamos diante de uma demonstração clara de preconceito e abuso do poder por parte de empresários.

Aqui vão algumas palavras minhas sobre o tema. Como tudo nesse blog, independentes e diretas…

– É fantástico como as redes sociais realmente pulverizam a informação. Um convite que começou com um “vamos dar uma volta no shopping tal” e “curta e compartilhe”, virou meme (pra quem não sabe o que é, segue o significado de meme) e atraiu milhares de confirmações.
– É incrível como existe um senso de competição entre os jovens. Sadio, quando controlado e sem abusos. O primeiro convite gerou outros e frases do tipo “nós aqui da zona norte(-oeste-sul-leste) temos de fazer melhor que eles!”
– Daí vem, claramente, a incapacidade dos centros de compras em receber de uma só vez alguns mil jovens, não há preparação possível. Muito menos treinamento para os seguranças
– Então entendo (só um pouco) o lado dos donos de shoppings. Sem estrutura e sem preparo, melhor tentar prevenir a “invasão” dessa galera, proibindo-os de entrar.

Pra quem acompanhou o pensamento. Até faz sentido…
Se… os jovens não fossem em sua grande maioria da periferia e negros
Se… esses jovens não chegassem ao shopping ouvindo funk ostentação num alto volume
Se… alguns desses jovens não tivessem a consciência do “choque de acessos” que estão causando
Se… a classe média não se sentisse agora acuada e preocupada com essa apropriação do espaço “dela” pelos desfavorecidos

Este choque entre ricos e pobres e, em menor grau, negros e brancos; entre os dois lados da marginal, entre os que têm e os que gostariam de ter, abre a ferida do preconceito velado. Mostra (aos que sabem ler) a mais nua e crua objeção da classe média aos ascendentes ou àqueles que (com muito esforço) usam as marcas badaladas da própria classe média.
Por quererem ser aceitos, ou melhor, para se sentirem incluídos, parte da sociedade, ou mais profundo ainda, para se sentirem GENTE, os jovens pobres lutam para comprar e ostentar as marcas da moda. 

E a resposta da elite é simples: é o “absurdo” de permitir que pessoas “sem cultura” invadam “nosso espaço”, o espaço das patricinhas dos Jardins (-Mooca-Santana-Leblon).
Se entrarmos no detalhe antropológico do movimento, a elite não vê os pobres nos shoppings, logo eles não existem; e os pobres não sabiam que podiam frequentar o shopping, pois aquele “mundo” não é o meu!
Embora eu não creia que haja real consciência disso na maior parte dos organizadores destes “passeios”, tenho visto isso: a invasão e o choque de acessos! Vejo donos de shoppings perdidos, que não querem perder os clientes, mas não sabem o quê fazer.
Todo jovem negro já foi “seguido” por um segurança (também negro) nos shoppings da elite Paulista (Iguatemi, por exemplo). O problema agora tornou-se maior e fora de controle, pois não é um grupo pequeno de garotos negros, mas milhares deles.

Importante salientar também que, em alguns casos, foram registrados roubos, entre correrias. Ninguém informou se as correrias foram provocadas por ação da polícia ou por própria iniciativa de alguns poucos jovens vândalos. Mas, para a elite, os roubos são um prato cheio…

Vejamos o que mais vem por aí.

por Celsão correto.

– Ao invés de colar links diversos da imprensa sobre o assunto, segue um texto de uma antropóloga – aqui.

– Encontrei também um vídeo-paródia hilário que retrata bem as duas interpretações do “fenômeno”, através dos olhos de um político – aqui.

– Se quiserem ler um pouco sobre Tia Zulmira, segue trecho de entrevista com a personagem. (link)

– figura retirada daqui. Rolezinho marcado no Shopping Leblon com mais de 8000 confirmados!

size_590_2013-12-11T232703Z_1614087320_GM1E9CC0KJV01_RTRMADP_3_UKRAINE-EUGostaria de ressaltar nesse post algumas notícias curiosas e interessantes que li sobre acontecimentos recentes pelo mundo.

O protesto na Ucrânia, onde manifestantes permaneceram por mais de quinze dias acampados na Praça da Independência de Kiev sob temperaturas negativas, deu resultado. Uma representante da União Européia revelou que o país voltou a discutir a assinatura do acordo de livre comércio, contrariando os desejos da Rússia.

Pra quem não acompanhou, o governo ucraniano abandonou conversas avançadas com a Comunidade Européia por pressão de Moscou; o que desagradou a população da ex-República Soviética que prefere atualmente acordos com o “ocidente” a acordos com a Rússia. (leia a matéria aqui e o novo caminho das negociações aqui)

protestotaliandiamonge1apNa Tailândia, protestos violentos ocorrem nas ruas desde Agosto deste ano. O motivo? Uma lei polêmica de anistia aprovada pela premiê, Sra. Yingluck Shinawatra (impronunciável). Mas, e qual o problema nisso? Esta lei representa manobras políticas arquitetadas pelo irmão da premiê, Sr. Thaksin Shinawatra, um bilionário que comandou o país com favorecimentos e compra de votos e hoje vive no exílio, depois que foi derrubado num golpe militar em 2006.

Agora a polícia convocou o líder dos manifestantes para conversar, visando minimizar o conflito; que não arrefeceu mesmo com a antecipação de eleições para Fevereiro próximo. A oposição acusa o irmão da premiê da compra de votos das zonas rurais e preferiria que o rei nomeasse outro governante (aqui a notícia de agosto e aqui+aqui os novos acontecimentos)

Alguns tailandeses acreditam que tais manobras são possíveis apenas porque o país vive uma monarquia, onde o rei, já com 86 anos, é muito querido, mas nada manda…

tn_620_600_cartaz_81213No Paraguai (isso mesmo, até no Paraguai!) em protesto contra a corrupção dos senadores, milhares de donos de estabelecimentos em diversas cidades penduraram placas de repúdio, negando-se a receber os senadores responsáveis em seus negócios, sendo eles, restaurantes, mercados, academias, farmácias, dentre outros.

A maioria dos senadores haviam mantido a imunidade parlamentar do Sr. Victor Bogado, que empregava parentes em cargos públicos e até a babá das filhas (que em Itaipu, recebia um salário de quase quatro mil reais).

As placas penduradas, mesmo sabendo que os políticos muito dificilmente entrariam nesses locais, geraram desconforto e, posteriormente, a revogação da lei e a cassação da imunidade do senador Bogado, que poderá ser julgado por má conduta administrativa e fraude. (caso deseje, as notícias podem ser lidas aqui e aqui)

Minhas conclusões para tudo isso:

1) Somos frouxos. Pois reclamamos demasiado e aceitamos corrupção, nepotismo, manobras políticas, manipulação da mídia, governador que usa helicóptero público para fins privados, drogas transportadas em veículos oficiais, dentre outras barbaridades.

2) É triste sentir inveja de países como a Ucrânia, a Tailândia e o Paraguai.

por Celsão irônico

figuras retiradas daqui dos próprios links apontados.

foto_mat_42407As manifestações ocorridas em Junho/Julho desse ano foram não só um marco na história recente do Brasil, como talvez o maior exemplo de manifestação popular desde as “Diretas Já” da década de 70.

Tal classificação, “popular”, enaltece a origem e participação de grande parcela do povo, geralmente apolítico, mesmo sem apelo massivo da grande Mídia. Ao contrário das passeatas pedindo o Impeachment do então presidente Collor na década de 90, que contou com o apoio da Veja, Rede Globo, etc..

Os protestos deste ano surgiram com um pequeno grupo de inquietos, buscando abertura para discutir alternativas de transporte público gratuito, tomou corpo contra o aumento de vinte centavos e “tomou de assalto” o país mesclando temas diversos e, de “carona”, abuso policial, certa desorganização e ausência de foco…

A mídia internacional cobriu e avaliou quase sempre positivamente os movimentos. Foi realmente como se um Gigante houvesse acordado.

(Esse blog “se empolgou” e falou sobre as manifestações aqui, aqui, aqui e aqui!)

De saldo, alguns governos recuaram no aumento das tarifas (entre eles, Prefeitura e Governo de São Paulo), grupos mascarados no Rio seguiram pedindo a saída do governador Sérgio Cabral, houve invasão de câmaras, tumultos na Copa das Confederações, no desfile do 7 de Setembro, etc.

Como nem tudo são flores, já dizia o poeta, surgiram os tais Black Bloc‘s por aqui (link Wikipedia); que são em teoria grupos anti-capitalistas organizados (e mascarados) que visam depredar propriedade privada símbolo do sistema (ou da repressão). Nos EUA os alvos principais eram Mc Donald’s e Starbucks. Por aqui foram os dois maiores bancos privados do país. Pois bem, o que era efetivo, justo e apoiado (num segundo momento) pela imprensa, perdeu até o apoio popular dada a violência e vandalismo destes indivíduos.

Greves de professores, funcionários públicos e bancários seguiram a esses acontecimentos; piadas surgiram, relacionando o movimento a uma ação esporádica e finita. Umas das frases amplamente divulgada e compartilhada dizia “O gigante acordou, reservou o ingresso da Copa do Mundo e voltou a dormir”, fazendo um paralelo irônico com a abertura das inscrições para os ingressos da Copa de Futebol, pela FIFA.

Enquanto um contra-golpe era arquitetado por políticos…

O prefeito Fernando Haddad divulgou no início do mês reajustes no IPTU, explicando-os como necessários para subsídio do transporte (aqui notícia e tabela com os aumentos médios por sub-prefeitura. Aqui, vídeo retirado do Jornal da Band com rápida explicação sobre o caso)

O tom da conversa já mudou, a câmara discute diminuir o teto dos aumentos para este ano, mas não o processo de correção do valor dos imóveis pelos valores atuais de mercado.

É no mínimo injusto! Não só por tomar valores atuais fruto de exploração imobiliária, mas principalmente por justificar o aumento de impostos pela fragilidade de um tema que estava em pauta para discussão.

O MPL (Movimento Passe Livre) segue com manifestações programadas para os próximos dias, mas sem entrar no mérito desta decisão ou do imposto municipal.

Como isso afeta também a classe média (ou principalmente a classe média), poderemos ver em breve o “Gigante” de volta às ruas.

É aguardar e conferir…

por Celsão correto

P.S.: figura retirada daqui

Alberto Carlos Almeida - De Frente com GabiAo contrário do que muitos pensam, política não é algo simples de se entender.

Quando pensamos então em um país como o Brasil, a política se torna algo ainda mais complexo.
Temos uma história “delicada”, passando pela colonização, o praticamente extermínio dos índios, a escravização de índios e negros da África, um golpe militar com 21 anos de ditadura. Vivemos somente a 30 anos um período “democrático”. Vale lembrar que até 1930 somente homens alfabetizados podiam votar, e que 70% da população era analfabeta, o que significa que somente a elite do sexo masculino participava do processo político, os pobres e mulheres não tinham o direito de expor seus anseios nas urnas.

Temos uma elite que herdou o poder e toda uma inércia cultural oligárquica, dominadora e suprema. Uma classe média que devido à nossa heterogeneidade racial e cultural, tem vergonha de assumir seus reais pensamentos, posicionamentos e preconceitos, e temem sofrer um “baque” financeiro sendo “rebaixados” aos grupos sociais excluídos (os quais eles discriminam, porém de forma retórica).  E temos as classes excluídas, principalmente compostas pela classe trabalhadora (trabalhadores manuais qualificados,  não qualificados e rurais), que sofre com a inércia da pobreza, com os preconceitos e com a falta de educação formal, num ciclo vicioso que, muitas vezes, só pode ser quebrado com ações externas (ex.: políticas sociais).
Mesmo com toda nossa miscigenação humana, sofremos com questões de preconceito, como a homofobia, o racismo aos negros e aos índios, o machismo, a xenofobia contra os imigrantes de países pobres da América Latina (Bolívia, Peru), além dos preconceitos inter-regionais, por exemplo, Sudeste e Sul (como preconceituosos) X Nordeste e Norte (discriminados).

Devemos lembrar também, que nossa história “ocidental” é recente e praticamente começa à partir da colonização, há 500 anos. Pensemos ainda por quantas mudanças atravessamos nos últimos 100 anos.
As revoltas, como foram expostas por parte da população brasileira nas ruas em julho de 2013 e que também são visíveis diariamente nas redes sociais, são muitas vezes (mas nem sempre), revoltas válidas, com motivos claros. Porém, em certo momento, faz-se necessário propor soluções para os problemas, ao invés de simplesmente ficar a apontar os mesmos.  E para propor soluções, é preciso entender todo o contexto histórico, cultural, político, geográfico, racial.

Assistam a entrevista no “De Frente com Gabi” com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Ele se denomina um cientista de centro, e por isso busca analisar de forma bastante imparcial a direita e esquerda;  a elite, a classe média, os trabalhadores e excluídos; a cultura política; a psicologia dos brasileiros; nossas questões sociais e históricas, e muito mais.
Entrevista sucinta, porém de grande eficiência no sentido de trazer informações concretas, profissionais, sem sentimentalismo e muito racionalismo sobre a política, sociologia e antropologia brasileira. Uma ótima possibilidade de se informar, principalmente para aqueles que lançam mão de seu direito de emitir opinião, mesmo possuindo pouco embasamento científico.

Para assistir à entrevista na íntegra, clique AQUI 

por Miguelito Formador

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Desde que o PT, partido originário da interseção entre sindicatos, movimentos de base da igreja e intelectuais de esquerda, assumiu o Governo Federal, a economia brasileira cresceu fortemente (duas vezes mais rápido que durante governos de FHC). No total, 45 milhões de pessoas que pertenciam às classes D e E, ascenderam à classe C; 15 milhões da classe C ascenderam às classes B e A. O salário mínimo aumentou em 70% em seu valor REAL. Durante os 10 anos de governo, vimos ano após ano, uma redução do desemprego, e hoje temos uma das menores taxas de desemprego do Mundo, que oscila entre 5,5% a 6%.

Foram criadas mais de 20 Universidades Federais, e institutos de ensino e educação foram abertos às centenas! O índice de frequência escolar cresceu absurdamente, e hoje, comparado com que se tinha há 15 anos, praticamente não temos crianças fora das escolas. O Bolsa Família auxiliou mais de 15 milhões de famílias, complementando suas rendas, possibilitando as crianças a irem à escola, e permitindo aos pais colocarem comida na mesa. A miséria reduziu de forma considerável.
Muitas das estradas federais foram reformadas (não que sejam exemplo hoje, mas antes eram sucata, e hoje voltam a ser transitáveis). Podemos enumerar diversos programas federais, como Minha Casa Minha Vida, Ciências sem Fronteira, regulamentação da profissão “empregado doméstico”, entre outras ações positivas.

Aqui levantei somente alguns pontos positivos sobre os últimos 10 anos, mas poderia pontuar muitos outros. Obviamente, nem tudo são flores, e também poderia pontuar tantos outros negativos. Mas meu intuito aqui não é tecer elogios ou críticas, mas sim mostrar que, mesmo com muito esforço e muita má vontade, não é coerente, nem sensato dizer que, nos últimos anos o Brasil regrediu, retrocedeu, sucumbiu. Não é cabível dizer que a qualidade de vida do povo brasileiro piorou. Isso não pode ser dito de forma alguma, e somente o que mencionei acima já seria suficiente para dar embasamento a esse meu posicionamento. Quem afirma que o Brasil passou por um período de trevas, ou por um dos piores governos de sua história, precisa tomar um “chádética”, ou “chádesonestidadeintelectual”, ou então, um cafezinho mesmo já basta, para poder acordar e parar de ter pesadelos.

Contudo, as manifestações que aconteceram em julho deste ano (2013) e que ainda permanecem, porém menos intensamente, mostraram que havia/há uma insatisfação por parte de uma parcela da população brasileira. Como explicar essa insatisfação de milhões de cidadãos? Quais eram os objetivos dos manifestantes? Pelo quê lutavam?
Bom, sabemos que nas ruas havia todo o tipo de gente, lutando pelas mais diversas causas. Mas mesmo assim, é possível levantar estatísticas, e estas mostram que a maior parte dos que estavam nas ruas, pelo menos em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Sul do Brasil, eram estudantes universitários e a classe média num geral.
Neste ponto, vou resumir algo bem complexo, e por isso é essencial que o leitor leia o artigo que está em anexo no fim deste meu texto, para que possa entender melhor essa problemática, e para que não me interprete mal, ou de forma incompleta.

“Lula focou seu governo nos pobres, no proletariado. A maior parte dos programas federais se voltavam para essa população mais carente e necessitada de ajuda (vou ignorar aqui aqueles que acham que tudo não passa de assistencialismo, esmola, compra de votos. Se pensa assim, peço que leia meus primeiro e segundo parágrafos novamente, e depois tome um dos chás que aconselhei).

Mas seria um pouco de ingenuidade pensar que Lula governou o Brasil 8 anos, com tanto sucesso, popularidade e bons resultados, somente com o apoio das classes econômicas inferiores da sociedade. É fato que as eleições foram basicamente garantidas por esta classe. Porém, a governabilidade foi garantida pela elite. Sim, Lula, e principalmente a Dilma, se comprometeram com grandes grupos econômicos, como bancos, agronegócio, petróleo, entre outros. Assim, a base do governo estava garantida pelo proletariado (eleições e aprovação popular) e pela elite (estabilidade política no executivo e legislativo, além do suporte econômico).

Mas aqui está faltando uma fatia do bolo, não? Pois é, está faltando a classe média!
Esta foi a menos contemplada nos governos do PT. É fato que também tiveram seus ganhos, mas estes foram menores que aqueles obtidos pelo proletariado e pela elite. Além disso, as melhorias nos serviços  públicos pouco lhes trouxeram vantagens, afinal, os serviços públicos não melhoraram a ponto de se tornarem melhores que o serviço privado. Desta forma, a educação pública, o transporte público, a saúde pública, melhoraram a ponto dos pobres notarem diferença, mas não a ponto da classe média migrar do serviço privado para o público. E assim, de forma simplória, construímos um cenário onde as manifestações são mais facilmente compreendidas, pois essa mesma classe média, menos contemplada pelas melhorias dos governos Lula/Dilma, foi quem estava em peso nas ruas protestando”

Essas minhas palavras são um resumo do meu entendimento sobre o artigo que coloco em anexo logo abaixo. Este artigo, em minha singela opinião é, de todos artigos que já li sobre os governos Lula/Dilma, um dos que possui uma das análises mais imparciais e de mais alta qualidade técnica, além de explicar de forma muito didática e coerente as causas das manifestações de julho deste ano. Eu diria, imperdível!
Para lê-lo, clique AQUI

por Miguelito Formador

Figura: montagem minha. Base retirada daqui e daqui

rio212505_270x167Creio que essa seja uma pergunta que muitos se fazem, dia após dia. Principalmente depois de todos os manifestos ocorridos em Junho, de todo o levante popular observado em vários pontos do Brasil e exterior, de todas as tentativas da mídia em desvalorizar, depois explicar e finalmente supervalorizar o ocorrido.

Parece realmente que “a adrenalina baixou” e que os poucos movimentos organizados diminuiram sua agenda de manifestos depois da vitória dos vinte centavos e da PEC 37 (exceção feita aos cariocas que pedem a saída do governador Sérgio Cabral e suas insistentes incursões à casa do mesmo no Leblon).

Porém, só parece! A tal “onda” de protestos, segue ativa, e pra surpresa da maioria, ainda no foco da grande mídia. (Que a meu ver teme que ocorra o mesmo fenômeno observado em Junho sem a devida cobertura imparcial e valorização). Atualmente, em quase todos os jornais da TV e portais da internet há um espaço (restrito, é verdade), para as manifestações ocorridas no país.

Mas, nos últimos dias foram noticiadas desde interdição a rodovias, quer seja por agricultores contra feiras clandestinas em Brasília, quer seja por moradores de Cubatão contra um incêndio (aqui), passando por índios reclamando de demarcação de terras (aqui) e chegando ao tema transporte público, bem explorado em Junho, de uma simples interdição de um terminal em Curitiba (aqui) à volta do MPL (Movimento Passe Livre) de São Paulo às ruas em apoio aos metroviários contra o escândalo das obras superfaturadas de trens e metrôs em São Paulo (aqui).

(Fizemos um post também sobre esse caso – acesso aqui.)

O que mudou nas manifestações é, primeiramente, o número de cidadãos envolvidos.

Sobre isso não há conclusão fácil: se por um lado o número diminuto de pessoas traz foco em uma causa e/ou reivindicação, por outro pode não atingir e “motivar” a mudança por aqueles que a podem executar (lê-se o governo, normalmente).

Uma segunda observação desses protestos “pós-despertar” é o invariável desfecho violento. Não somente pela participação da polícia, mas também pelos atos de vandalismo deflagrados pelos manifestantes em si. Bancos e instituições têm sido alvo de encapuzados que, além de depredar o patrimônio público, corroboram para uma contra-ação igualmente violenta das guardas metropolitanas e militar.

(inclusive ocorreu também em São Paulo um ato contra a própria PM, aparentemente sem violência, segundo a Folha)

Antes de concluir, vale “tirar o chapéu” para os cariocas. Não aqueles que têm saqueado lojas de departamento, mas aos que continuam seguindo o governador Cabral, pedindo sua saída (veja aqui) e aos que estiveram na Câmara acompanhando a CPI dos ônibus, recém instaurada. Um protesto silencioso, com mordaças pelos dez manifestantes que lá estão há mais de uma semana é um “tapa de luva de pelica” naqueles que badernam pura e simplesmente (detalhes da seção/vídeo da reportagem)

Aliás, creio que dificilmente o governo de São Paulo escapará de uma CPI para apurar o já batizado de “trensalão”, mesmo negando envolvimento e processando as empresas envolvidas.

Concluo, de opinião pessoal, romântica e crua, que o despertar trouxe benesses, se não a de seguir mobilizando a massa, a de fazer acreditar na mudança aos que se indignam.

O lado revoltado e revolucionário crê que a mídia só tem dado voz a todos os protestos para criar uma banalização dos atos em si e adormecer na classe média essa idéia que teima em dizer que “manifestar-se é bom”!

por Celsão correto

figura retirada daqui

protesto-mpl-sp-2Não sei o que foi.

Se foram os inúmeros vídeos “caseiros” mostrando os gritos de “vem pra rua”, se foi perceber a verdadeira participação apartidária e crítica de muitos, se foi a persistência do povo que, mesmo após serem rechaçados pela polícia, remarcaram os protestos para os dias posteriores, se foi a negação inicial da imprensa quanto à manifestação em si, chamando-a de vandalismo… Só sei que estou gostando dessa “nova onda” de protestos no Brasil.

Pra quem viveu os “caras pintadas” durante o processo de impeachment do presidente Fernando Collor e sabe que a maioria daqueles jovens ia pra Paulista pra cabular aula e paquerar, esses protestos são inéditos e empolgantes. Parece realmente que “tiramos a bunda do sofá”, ou “saímos do Facebook”, como dizem as faixas carregadas pelos manifestantes.

Até a mídia, que inicialmente chamava de baderneiros e vândalos, sentiu na pele o abuso por parte da polícia, presenciou os pedidos de não-violência e o caráter pacífico por parte da organização e teve de “dar o braço a torcer”, assumindo parte dos erros cometidos. Obviamente, alguns meios focam nas pixações e depredações, minimizando a legitimidade da maioria. Mas oras, é impossível que, dentre dez mil pessoas, não haja arruaceiros.

E não é somente pelos vinte centavos… Como já aventado por muitos, foi uma gota d’água que transbordou o cheio copo dos problemas sociais e políticos de São Paulo e do Brasil. Qualidade do transporte, violência nas cidades, abuso de gastos com a(s) Copa(s) são assuntos que revoltaram e incitaram a “galera” a se manifestar.

Avanços serão observados no decorrer da semana. O governo já agendou uma conversa com os manifestantes, a polícia militar divulgou que mudará a atitude e não mais prenderá pessoas portando vinagre, por exemplo. E haverá mais manifestações, com câmeras digitais ligadas e atentas, para que diversas versões possam ser divulgadas e avaliadas.

Quem sabe não vejo ainda realizado o meu sonho anarquista mais delirante. A invasão da Rede Globo em pleno Jornal Nacional.

 

por Celso revoltado

P.S.: pra quem acha ainda que os protestos são puramente vandalismo, vejam os vídeos e depoimentos desse link, coletados por um blogueiro.

figura retirada daqui