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Compartilhamos um texto originalmente publicado no viomundo (aqui) e assinado pelo jornalista Renan Quinalha.
Confesso que é estranho pra mim a palavra “brasilianista”, ainda mais quando este tal “estudioso do Brasil” é um americano, vulgo “gringo”.

São estes mesmos especialistas que variam as notas e brincam com o grau de investimento do país. E provavelmente os mesmos que, do outro lado, incentivam seus compatriotas a comprar ações da Petrobrás (aproveitando a temporária desvalorização irreal) e/ou filiar-se a empresários brasileiros da 3G Capital.

Mas a análise feita pelo especialista James Green (a esquerda na foto) é, no mínimo interessante. Principalmente por escancarar o apoio do governo de seu país à ditadura brasileira iniciada em 1964, correlacionando-a ao apoio dado em carta pelo Embaixador Michael Fitzpatrick (direita) sobre o impeachment da presidente Dilma em processo no Brasil.

Aproveito para traçar um paralelo com uma declaração mais recente, do Papa Francisco, sobre o que chamou de “golpes suaves” na América Latina (aqui)

Tirem suas próprias conclusões.

por Celsão correto e Miguelito Formador

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Green_embaixador

Um dos maiores brasilianistas da atualidade, o professor James N. Green da Brown University (EUA), enviou hoje uma carta aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick, representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA), contestando as declarações deste no sentido de que o processo de impeachment no Brasil seria legítimo por estar conforme os procedimentos constitucionais e as regras democráticas.

Green começa a carta afirmando: “Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos”.

Após examinar detidamente como o golpe de 1964 “respeitou” alguns procedimentos formais e legais para manter sua aparência de legitimidade, James Green analisa diversos aspectos do atual processo do impeachment que, guardadas as devidas proporções, em muito se aproximam do golpe que deu início à ditadura militar.

E conclui assim sua carta: “Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la”.

A íntegra da carta segue abaixo, traduzida em português, e na sua versão original, em inglês.

 Renan Quinalha é advogado, doutorando em Relações Internacionais pela USP e Visiting Research Fellow na Brown University, EUA.

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19 de maio de 2016.

Carta Aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick

Representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA)

Caro Embaixador Fitzpatrick,

Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos.

Você declarou o seguinte: “Há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes. No Brasil, é claramente a lei que prevalece, emergindo com soluções pacíficas para as disputas”. Você também afirmou: “Nós não acreditamos que isso seja um exemplo de um “golpe brando” ou, para esse efeito, um golpe de qualquer tipo. O que aconteceu em Brasil cumpriu rigorosamente o procedimento legal constitucional e respeitou totalmente as regras democráticas”.

Esses são precisamente os argumentos que o Embaixador Lincoln Gordon usou 52 anos atrás, quando ele insistiu que a administração Johnson imediatamente endossou a tomada do poder pelos militares, que foi legitimada pela aplicação formal da Constituição e pela votação majoritária do Congresso.

Tenho certeza de que você esteja familiarizado com a história recente do Brasil. Mesmo assim, vale certamente a pena uma revisão, dada a situação atual. Peço desculpas se minhas observações são extensas. Eu sou um historiador e, honestamente, acredito que o entendimento do passado é importante para compreender o presente. E, como o compositor brasileiro Tom Jobim uma vez gracejou, “o Brasil não é para principiantes”.

Em 1960, Jânio Quadros, um candidato de centro-direita, foi eleito presidente. João Goulart, um político de centro-esquerda, tornou-se vice-presidente, porque se votava separadamente para presidente e vice-presidente. Sete meses depois, Quadros repentinamente renunciou do cargo. Setores militares tentaram, sem sucesso, impedir Goulart de assumir a presidência.

A direita, infeliz com o fato de que Goulart assumiu o cargo, organizou uma ampla coalização para retirá-lo do poder. Ela incluiu a Igreja Católica, empresários, grande mídia e grandes setores das classes médias. Esses eventos ocorreram em um contexto de uma crise econômica, inflação e movimentos de base de trabalhadores, camponeses e marinheiros clamando por maior inclusão econômica e social.

Como já foi largamente documentado e revelado pelos documentos liberados do Departamento de Estados dos EUA, o Embaixador Lincoln Gordon e o seu adido militar Vernon Walters ativamente apoiaram a conspiração para depor Goulart. Eles usaram os argumentos da Guerra Fria, segundo os quais Goulart estava sendo manipulado pelo Partido Comunista Brasileiro, que ele era corrupto e que ele queria assumir um poder ilimitado. Eles garantiram aos generais brasileiros que, caso eles forçassem a saída de Goulart do cargo, o governo norte-americano daria apoio ao novo governo que assumisse. A administração de Johnson chegou a organizar a Operação Brother Sam, que mandou porta-aviões, armas, suprimentos, para apoiar as tropas rebeldes caso uma guerra civil eclodisse.

Brasilianistas

No dia 31 de março, tropas marcharam no Rio de Janeiro para depor Goulart. No dia seguinte, o presidente voou do Rio de Janeiro para Brasília para mobilizar apoio político contra essa tomada ilegal do poder. Ele queria evitar o derramamento de sangue, então ele não convocou seus apoiadores a resistir ao golpe de Estado.

Assim que o avião decolou, o Presidente do Senado e o Presidente da Corte Suprema, argumentando que eles estavam seguindo os procedimentos constitucionais, empossaram Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados, como Presidente em exercício. De acordo com a Constituição, o Congresso tinha trinta dias para escolher um novo presidente. Hoje, todo mundo, exceto os que defendem a ditadura militar, chamam esses eventos de golpe de Estado, o golpe de 1964.

Em vários telegramas com a Casa Branca, o Embaixador Gordon argumentou que o que se passou no Brasil cumpria perfeitamente com os procedimentos legais constitucionais e respeitava totalmente as regras democráticas. Ele trabalhou duro para convencer o Presidente Johnson a reconhecer o novo governo, o que foi feito no dia 2 de abril, legitimando o golpe e colocando o selo de aprovação do governo dos EUA nessa mudança ilegal de poder que foi implementada de acordo com “os procedimentos legais constitucionais”.

No dia 11 de abril, os 295 membros do Congresso elegeram o General Castelo Branco como Presidente do Brasil. Isso completou a transição “democrática” de um governo legalmente eleito para uma ditadura militar ilegítima.

Imediatamente depois de reconhecer o governo de Mazzilli, no dia 3 de abril, o Presidente Johnson chamou os líderes do Congresso para a Casa Branca para convencê-los de que o governo dos EUA estava apoiando a democracia no Brasil. O senador democrata Wayne Morse, de Oregon, deixou o encontro e declarou para a imprensa: “os acontecimentos no Brasil não resultaram da ação de uma junta militar ou de um golpe. Ao invés disso, a deposição da presidência do Brasil resultou de um desenvolvimento no qual o Congresso do Brasil, agindo sob a Constituição, foi a força condutora e foi reforçado por um grupo militar que garantiu a preservação do sistema constitucional brasileiro”.

Em comentários para seus colegas senadores mais tarde naquele mesmo ano, Morse reiterou suas conclusões:“Nesta noite, nenhum senador pode citar o Brasil como um exemplo de ditadura militar, porque ele não é. O autogoverno por parte do povo brasileiro continua prosseguindo. Se alguém pensa que não, deixe-o olhar ao que está acontecendo no Brasil com o respeito ao intercâmbio de pontos de vista no Parlamento, na imprensa e em muitas fontes e forças da opinião pública”.

Um ano depois, em outubro de 1965, quando o governo militar aboliu as eleições presidenciais, Morse chegou a uma conclusão diferente. Percebendo que as armadilhas do regime democrático eram só para manter as aparências, ele afirmou: “novidades da captura do poder ditatorial pela junta militar brasileira assinala uma reversão para a liberdade na América Latina. O que é ainda pior é a continuidade do apoio financeiro americano a esse regime (…) As semânticas de Washington e da trama brasileira, buscando acalmar os receios pelas instituições democráticas naquela grande nação, não vão enganar qualquer um, mas aqueles que querem ser enganados”.

Muitos que lutaram contra o regime militar e muitos outros que lembram ou que estudaram sobre o regime autoritário têm sustentado que a manobra política em curso para expulsar o governo eleito democraticamente da Presidenta Dilma Rousseff é um outro golpe de Estado.

Você afirmou, vigorosamente, que “há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes” no Brasil hoje. Mas será mesmo isso? Estaria você, como o Senador Wayne Morse em 1964, talvez sendo enganado pelas aparências de procedimentos democráticos e separação de poderes no processo de impeachment porque não há tanques nas ruas e nem generais no comando do governo?

Como pode ter havido procedimento democrático na Câmara dos Deputados quando Eduardo Cunha, que controlava totalmente essa instituição, foi afastado do seu cargo um semana após a votação de admissão do processo do impeachment? Um pedido para seu afastamento dessa posição havia sido feito em dezembro do ano passado por desvio de finalidade e abuso de poder, mas o membro da Suprema Corte sentou sobre esse pedido até que Cunha tivesse garantido que a oposição teria os dois terços necessários para aprovar o seguimento do processo do impeachment da Presidenta Dilma. Quantos congressistas Cunha e seus aliados compraram ou ganharam com suas promessas de um novo governo? Como um processo conduzido por uma pessoa que é processada por lavagem de dinheiro e por recebimento de suborno pode ser legitimado?

Como pode haver separação de poderes quando integrantes da Suprema Corte fazem afirmações públicas sobre casos que estão sob sua alçada, revelando suas opiniões políticas na mídia, pré-julgando casos e, com isso, influenciando o debate público e os atores políticos? Além disso, a Suprema Corte tem sido excessivamente arbitrária em decidir quais casos analisar, levando quase seis meses para julgar o afastamento de Eduardo Cunha e proferindo uma decisão veloz contra a indicação de Lula para um cargo no governo Dilma. Esses casos são exemplos, dentre tantos outros, das maneiras perversas como o Judiciário se enredou com a política, ao invés de permanecer separado dela.

Como você pode dizer que houve procedimentos democráticos quando agentes da polícia e do sistema de justiça vazam seletivamente informações da Operação Lava Jato para criar um clima hostil ao governo e aos seus aliados? Por que era um desvio de finalidade a Presidenta Dilma nomear o ex-Presidente Lula como seu ministro da Casa Civil sob alegação de que ele estaria supostamente esquivando-se das investigações, quando o Presidente interino Michel Temer indicou sete pessoas sob investigação para ministérios? Não estaria ele abusando do seu poder em um esforço para proteger seus aliados?

Por que a Presidenta Rousseff está sendo acusada de violação à Lei de Responsabilidade Fiscal pela prática de pedaladas, sendo que o Presidente interino Michel Temer fez exatamente a mesma coisa enquanto substituía a presidenta em viagens desta? E os antecessores, presidentes Lula e Cardoso, que também praticaram atos semelhantes, para não falar de pelo menos 16 governadores, incluindo Aécio Neves, que também fizeram as pedaladas?

Você também falhou em assinalar no seu discurso outra deficiência na situação política atual do Brasil, ou seja, a liberdade de imprensa (e das mídias de massa em geral) apenas para os que são proprietários delas. Hoje, as forças conservadoras que controlam os maiores jornais, revistas e canais de televisão sistematicamente apresentam visões parciais dos acontecimentos apenas para influenciar a opinião pública. É como se a Fox New pudesse controlar todos os canais da grande mídia dos EUA. Felizmente, as mídias sociais estão servindo como uma fonte alternativa de informação, mas elas não têm o mesmo peso da mídia hegemônica.

A primeira semana do novo governo revelou uma agenda radicalmente nova, mas verdadeiramente antiga, para o Brasil, que pretende retroceder todos os avanços sociais que tiveram lugar nos últimos 30 anos desde o fim da ditadura. Aqueles que se sentiram ultrajados pelo fato de Michel Temer não ter indicado nenhum mulher ou pessoa negra para posições ministeriais não estão clamando por demagogia. Esse ato não é trapalhada de relações públicas.

Isso simboliza a intenção desse governo. Temer culpou seus aliados por não indicarem nomes de mulheres e negros, em um esforço para se eximir da responsabilidade. Ao menos seus comentários falam alto sobre a natureza dos seus aliados que o levaram ao poder e sobre a natureza desse novo governo “democrático”. Na primeira semana de sua gestão, ele já anunciou que vai reduzir direitos sociais, com cortes no sistema de seguridade social, educação e moradia, que afetam largamente os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la.

Respeitosamente,

James N. Green
Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University
Director of the Brown-Brazil Initiative

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May 19, 2016

An Open Letter to Ambassador Michael Fitzpatrick

U.S. Representative at the Organization of American States

Dear Ambassador Fitzpatrick:

I was extremely disappointed to read today that you have unequivocally argued that impeachment process currently taking place in Brazil is democratic and legitimate. While acknowledging the dangers of comparing historical events from different time periods, the U.S. government is running the risk of repeating a tragic mistake it make in April 1964 when President Lyndon B. Johnson recognized the military dictatorship that had taken power, which ended up ruling the country for twenty-one years.

You have declared that: “There is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers. In Brazil it is clearly the law that prevails, coming up with peaceable solutions to disputes.” You have also stated: “We don’t believe that this is an example of a ‘soft coup’ or, for that matter, a coup of any sort. What happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms.”

These are precisely the arguments that U.S. Ambassador Lincoln Gordon used fifty-two years ago when he insisted that the Johnson administration immediately endorse the seizure of power by the military, which was legitimized by the formal application of the Constitution and a majority vote in Congress.

I am sure that you are familiar with the recent history of Brazil; nevertheless, it is certainly worth reviewing, given the current situation. I apologize if my remarks are extensive. I am an historian, and I honestly believe that understanding the past is important for comprehending the present. And, as Brazilian composer Tom Jobim once quipped, “Brazil is not for beginners.”

In 1960, Jânio Quadros, a Center-Right candidate, was elected president. João Goulart, a Center-Left politician, became vice president on a split ticket. Seven months later, Quadros suddenly resigned from office. Sectors of the military unsuccessfully tried to block Goulart from assuming the presidency.

The Right, unhappy with the fact that Goulart had taken office, organized a broad coalition to overthrow him. It included the Catholic Church, entrepreneurs, the major media, and large sectors of the middle classes. These events took place within the context of an economic crisis, inflation, and grassroots movements of workers, peasants, and sailors clamoring for greater economic and social inclusion.

As has been widely documented and revealed in declassified U.S. State Department documents, U.S. Ambassador Lincoln Gordon and his military attaché Vernon Walters actively supported the conspiracy to overthrow Goulart. They used Cold War arguments that Goulart was being manipulated by the Brazilian Communist Party, that he was corrupt, and that he wanted to assume unlimited power. They assured Brazilian generals that if they forced Goulart out of office, the U.S. government would back the regime that replaced it. The Johnson administration even organized Operation Brother Sam, which sent aircraft carriers, arms, and supplies to back rebel troops should a civil war breakout.

On March 31, troops marched on Rio de Janeiro to overthrow Goulart. The next day, the president flew from Rio de Janeiro to Brasília to mobilize political support against this illegal seizure of power. Realizing that he would be unsuccessful, he took his family to his ranch in southern Brazil. He wanted to avoid bloodshed, so he did not call on his supporters to resist the coup d’état. As soon as his airplane took off, the President of the Senate declared that he had abandoned his office. The President of the Senate and the President of the Supreme Court, arguing that they were following constitutional procedures, swore in Ranieri Mazzilli, President of the Chamber of Deputies, as Acting President. According to the Constitution, Congress had thirty days to choose a new president. Today everyone, except defenders of the military dictatorship, call these events a golpe de estado, the coup d’état of 1964.

In numerous cables to the White House, Ambassador Gordon argued that what happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms. He lobbied hard for President Johnson to recognize the new government, which he did on April 2, legitimizing the golpe and placing the U.S. government’s seal of approval on this illegal change of power that was implemented with “legal constitutional procedures.”

On April 11, the 295 members of Congress elected General Castelo Branco as President of Brazil. This completed the “democratic” transition from a legally elected government to an illegitimate military dictatorship.

Immediately after recognizing the government of Mazzilli, on April 3, President Johnson called leaders of Congress to the White House to convince them that the U.S. government was supporting democracy in Brazil. Democratic Senator Wayne Morse of Oregon left the meeting and declared to the press: “The developments in Brazil did not result from action by a military junta or from a coup by a military junta. Instead, the overthrow of the presidency of Brazil resulted from developments in which the Congress of Brazil, acting under the Constitution of Brazil, was the guiding force, and was reinforced by a military group which backed up the preservation of the Brazilian constitutional system.”

In comments to his fellow Senators later that year, Morse reiterated his conclusions: “Tonight no Senator can cite Brazil as an example of a military dictatorship, because it is not. Self-government on the part of the Brazilian people continues to proceed. If anyone thinks not, let them look at what is happening in Brazil with respect to an exchange of points of view in Parliament, in the press, and in many sources and forces of public opinion.”

A year later, in October 1965, when the military government abolished direct presidential elections, Morse came to a different conclusion. Realizing that the regime’s democratic trappings were for appearances’ sake only, he stated: “News of the seizure of dictatorial power by the Brazilian military junta marks a disastrous reversal for liberty in Latin America. What is even worse is the continuation of American financial backing of such a regime. . . . The semantics from Washington and from the Brazilian cabal, seeking to allay fears for democratic institutions in that great nation, will not fool any but those who want to be fooled.”

Many who fought against the military regime and many others who remember or have studied about its authoritarian rule have argued that the current political maneuvers to oust the democratically elected government of President Dilma Rousseff is another coup d’état. You have forcefully argued that “there is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers” in Brazil today. But is that the case? Are you, like Senator Wayne Morse in 1964, perhaps being fooled by appearances of constitutional procedures and separation of powers in the impeachment process when there are no tanks in the streets and no generals heading the government?

How can there have been a democratic procedure in the Chamber of Deputies, when Eduardo Cunha, the president of that body, who entirely controlled that house, was removed from his office a week after the vote to recommend to the Senate impeachment proceedings? An appeal had been made to remove him from that position last December for abuse of power, but a member of the Supreme Court sat on the request until it was clear that Cunha had ensured that the opposition had the necessary two-third vote to favor the impeachment of President Rousseff. How many Congresspersons did Cunha and his allies buy or win over with promises to be in the new government? How can a process overseen by a person who had been indicted for money laundering and taking bribes be legitimate?

How is there a separation of powers when members of the Supreme Court make public statements about cases that are under consideration, reveal their political opinions in the media, pre-judge cases that have not yet been tried, and with this influence the public debate and political actors? Moreover, the Supreme Court has been excessively arbitrary in deciding which cases to review, taking six months to issue an injunction against Eduardo Cunha and then making a speeding decision against the appointment of Lula to a post in Rousseff’s government. These cases are examples, among many, of a perverse ways in which the judiciary has become enmeshed in politics, rather than remaining separate from it.

How can you say that there have been democratic procedures when agents of the police and justice systems selectively leaked information from the Lava Jato (Car Wash) corruption investigations to create a climate hostile to the government and its allies? Why was it an alleged charge of a misuse of a function for President Rousseff to appoint ex-President Lula as her Chief of Staff because she was supposedly shielding him from corruption investigations, when Interim President Michel Temer has appointed seven people under investigation for corruption to ministerial positions? Isn’t he abusing his power in an effort to protect his allies?

Why is President Rousseff being charged with violating the Law of Fiscal Responsibility for pedaladas, when Interim President Michel Temer did the exactly the same thing when he was acting President during times that Rousseff was out of the country? And what about her predecessors, Presidents Lula and Cardoso, who engaged in similar budgetary actions, to say nothing of at least sixteen Brazilian governors, including Aécio Neves, President Rousseff’s rival in the 2014 election.

While you did not mention it in your declarations, you also failed to point out another shortcoming in the current political situation in Brazil, namely, a situation in which there is freedom of the press (and the mass media in general) only for those who own it. Today conservative forces, which control the major newspapers, magazines, and television stations, systematically present partial reporting on events in order to influence public opinion. It is as if Fox News were to control all of the major media outlets in the United States. Fortunately, social media has served as an alternative source of information, but it doesn’t have the weight of the mainstream media.

The first week of the new government has revealed a radical new, but actually old, agenda for Brazil that intends to rollback all of the progressive social changes that have taken place over the last thirty years since the end of military rule. Those who were outraged by the fact that Michel Temer did not appoint a single woman or a person of African-descent to ministerial positions were not clamoring for tokenism. That act was not a public relations blunder. It symbolized the intent of a government. Temer blamed his allies for not provided names of women and Afro-Brazilians, in an effort to free himself of responsibility for the appointments. Yet his comments speak loudly about the nature of his allies that brought him to power and the nature of the new “democratic” government. In the first week of his governance, he has already announced that he is going to reduce social rights in the countryside and introduce cutbacks in the social security system, education, and housing, all of which will largely affect the poorest sectors of Brazilian society.

In 1964, the U.S. government was on the wrong side of history. It never apologized to the Brazilian people for supporting a military dictatorship. Now, five decades later, I fear that it is once again endorsing an illegitimate process. Those who don’t learn from history are forced to repeat it.

Respectfully,

James N. Green

Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University

Director of the Brown-Brazil Initiative

Post_02_Festa desdemocraciaNão sei como intitular o que está se passando…
Mas sei que a votação do impeachment será feita de forma declarada (cada deputado se dirigirá ao centro da casa e terá um tempo para explicar os porquês), iniciando-se as 14h de domingo.

Isso mesmo, DOMINGO. Num estabelecimento onde se trabalha normalmente três dias por semana, de terça a quinta.
Não haverá transmissão de partidas de futebol.
Aliás, sequer haverá partidas de futebol no dia mais tradicional para elas.
Mas, afinal, não é a Globo que manda (também) nos clubes de futebol e no calendário das confederações estaduais deste esporte?

Dizem que tampouco haverá Faustão. A rede televisiva “roubará” a melhor oportunidade de audiência que a TV Câmara terá nos últimos tempos.

E o que se espera de tudo isso?
Óbvio: que a votação chegue ao seu final ou ao menos já esteja definida no horário do Fantástico, a revista semanal do Brasil!
Parece piada, mas não é…

Estamos prestes a afastar uma presidente do poder. Uma presidente que teve (aceitando-se ou não) a maioria dos votos dos eleitores em pleito livre, há menos de dois anos.
E não há a seriedade que o ato de afastamento exige. Não há respeito!
Sequer respeito pelos que seguem contra o impeachment, por qualquer motivo que os leve a isso.
E se houverem confrontos na rua? Em frente ao Congresso em Brasília, na Avenida Paulista e em muitos outros lugares, haverá certamente populares pró- e contra-impeachment.

Ao invés da sociedade prestar um “luto democrático”, de conscientização de voto (imaginando que a esmagadora maioria dos votantes de Dilma tenha se arrependido do ato), teremos festas e celebrações.
(por falar em voto, não esqueçamos que, ainda neste ano, elegeremos representantes municipais, para os poderes Executivo e Legislativo)

Dentre as celebrações, haverá em São Paulo, em frente ao MASP, a apresentação do grupo “Carreta Furacão”, que tem os personagens Capitão América, Fofão, Mickey e Popeye como artistas (notícia aquilink alterado e funcionando).
De novo, não é piada!
O MBL (Movimento Brasil Livre) e seus apoiadores contratarão o grupo do interior de São Paulo para brindar (?), comemorar (?), achincalhar o momento, no melhor estilo “paulista golpista”.
Detalhe: o criador do personagem Fofão, Orival Pessini, é contra a utilização do personagem para esta festa de DESmocracia.

Mas não para por aí. A avacalhação segue…
O Partido Solidariedade, cujo líder é o deputado conhecido como Paulinho da Força, está organizando um bolão entre os deputados.
A meta é acertar o placar final da votação de domingo. E o prêmio vai somente para aquele que “cravar” o resultado. (notícia aqui)
Piada, ou palhaçada?
O Congresso não está preocupado com a repercussão desse fato, não está preocupado com sua própria imagem, nem com a governabilidade após o provável afastamento da presidente. Estão preocupados em qual deles acertará o número final do pleito.
É como se a instituição que melhor representa o povo (ao menos deveria), suas demandas e vontades, estivesse abandonado às chacotas!

Outra do Congresso: a ordem da declaração dos deputados.
Dizem que não seguirá critérios lógicos, como sorteio aleatório, ordem alfabética de nomes, de estados da federação ou ordem por partido (maiores bancadas iniciam, ou menor número de representantes primeiro)…
A ordem será definida pelo Sr. Eduardo Cunha e deve começar com representantes do Sul do país, em ordem “geográfica reversa”.
Como se entende e supõe que o Sul tem maior concentração de deputados contra o impeachment, é uma maneira clara de pressionar deputados que ainda não declararam seu voto e apoiadores. E também de reacender a estúpida disputa ou divisão observada logo após a reeleição de Dilma: Norte-Nordeste ignorante e Sul-Sudeste iluminado.
Como se já não bastasse a recente dicotomia que enfrentamos: direita = o bem, Deus; esquerda = o mau, Diabo, o PT.

Para completar a transmissão da Rede Globo no domingo, sugiro escalar o Galvão Bueno para narrar os votos entre 16h e 18h (com comentários de Casa Grande), Faustão assumir a programação na sequência, e William Bonner apresentar excepcionalmente o Fantástico. No final do programa, Pedro Bial pede que a Dilma renuncie, enquanto ouvimos ao fundo a música do Big Brother Brasil…

por Celsão revoltado

figura retirada de outro vídeo muito bom do pessoal da Porta dos Fundos (aqui). Afinal, nós aqui do blog também comemos caviar, defendemos bandidos e somos satanistas

ColoniaNa cidade de Colônia – Alemanha, na noite de réveillon de 2015/2016, na praça principal da cidade, em frente à famosa catedral, houve uma série de acontecimentos lamentáveis.

Nos vídeos amadores disponíveis no Youtube, e que também foram utilizados em noticiários televisionados, era possível ver dezenas, talvez centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, aparentemente bastante alcoolizados, e atirando fogos de artifício em todas as direções, e com frequência, na direção de grupos de pessoas.

Rojões explodiam no meio da multidão, outros miravam os fogos na direção oposta da praça, e eram respondidos com outros fogos vindos do outro lado. Cenas de caos, falta de responsabilidade e cidadania completa. (Como exemplo, escolhi um vídeo: clique AQUI)

Contudo, não foi esse episódio que assombrou a sociedade alemã, mas sim algo bem mais polêmico, e ainda mais lamentável.
Segundo o relato de algumas dezenas de pessoas/vítimas, a maioria delas mulheres, grupos de homens com aparência árabe ou norte-africana, passaram a realizar, no meio deste caos, agressões sexuais contra mulheres e também assaltos. As agressões variavam de acordo com os relatos, e iam desde toques nos cabelos e braços, até chegando a tocar as partes íntimas da vítima por dentro da roupa. Houve até um relato de estupro.

Se realmente os relatos forem verdadeiros (muito provavelmente o são), esse episódio marca uma noite lastimável e bárbara na história da cidade de Colônia. Sequer me darei ao trabalho de debater machismo aqui, mas me limitarei a dizer o óbvio: o que aconteceu foi, acima de tudo, crime! Um crime bárbaro onde o criminoso não só desrespeita a lei, mas desrespeita, por completo, o próximo enquanto ser humano. É um crime que mostra um transtorno ético e desvio de conduta simplesmente inaceitáveis!

Dito tudo isso, vamos ao que se desenrolou após tal noite.

Esse acontecimento se popularizou e tomou os debates jornalísticos e nas redes sociais. Prós e contras rapidamente surgiram, alguns mais coerentes, outros mais bárbaros que o acontecimento em si.

Grupos de extrema-direita ou nazistas utilizaram-se do episódio para legitimar seus discursos racistas e xenófobos. Esses mesmos grupos passaram, mais que rapidamente, a escrever em seus jornais, blogs e redes sociais, que os autores dos delitos eram “refugiados”, e a partir desta afirmação especulativa e discriminatória, enfatizaram o discurso de “Alemanha para alemães, fora refugiados, fora estrangeiros”. E o que mais assusta não é ouvir nazista dizendo isso, mas sim ver grupos de pessoas mais neutras (em cima do muro), ou simplesmente mal informadas, passando a concordar com tais ideias. Gente que não participa de movimentos do Pegida, não aprova ideologias nazistas, etc, dizendo: agora esses refugiados passaram dos limites!

É incrível ver como as pessoas, quando se sentem ameaçadas, afrouxam seus valores, sua ética, e sua racionalidade, e passam a pensar e agir de forma emocional e reacionária (reação a uma ação). E não estou falando de gente com pouca escolaridade somente, estou falando de acadêmicos, com curso superior, mestrado, doutorado, pessoas que teoricamente leem jornais diariamente e se julgam não-alienados.

Na internet se lê: “Angela Merkel é culpada, queremos sua cabeça.” “Culpadas são as feministas, que gritam devido a piadas, mas nada fazem frente a algo grave como o episódio.”
Grupos de homens de direita propõem na internet, organizar ônibus de homens para irem a Colônia “defender as mulheres brancas”. Outros grupos planejam reação em massa ao ocorrido, com vingança e justiça com as próprias mãos, inclusive com ataques a abrigos de refugiados.

Muitos se perguntaram: e a polícia, por que não fez nada?
Eu também pergunto isso, afinal, segundo parecer policial, nos arredores da praça havia cerca de 200 policiais, cerca de 1000 pessoas festejando e aconteceram dezenas de delitos, praticados por aproximadamente 60 homens. Se nada foi visto por qualquer policial, há algo estranho, a conta não fecha. Porém eu prefiro esperar mais informações mais completas, antes de especular.
Já aqueles que querem tirar proveito da situação, começam a afirmar que “a polícia está entregue à máfia de estrangeiros”, ou “a polícia tem medo, e finge não ver”, etc. Argumentos, ao meu ver, absurdos, sem nexo, e desprovidos de qualquer vínculo com a realidade alemã.

Li, e ouvi da boca de conhecidas: “eu estou com medo, passarei a tomar mais cuidado nas ruas da Alemanha”, ou “a Alemanha sempre foi tão segura, agora tá assim”.
Tudo bem, entendo o receio, mas essa sensação de estado apocalíptico de segurança pública, é impulsivo e emocional. É como se em uma cidade do interior o Brasil, com 100 mil habitantes e com 20 homicídios/ano, acontece um atentado terrorista num baile de formatura e morrem 200 pessoas. Então alguém vem e diz: estou muito inseguro pois a criminalidade da cidade subiu 1000%.
Não, a criminalidade, ou número de homicídios, não subiu, só pelo fato de um maluco, uma vez na vida, ter resolvido explodir um clube.

Ouvi inclusive da boca de brasileiras o mesmo sentimento de insegurança. Então perguntei: “você pretende voltar ao seu país ainda? Pois se está com medo de andar nas ruas da Alemanha, é melhor construir uma fortaleza no Brasil”.

Conversando com dois irmãos alemães, que conheço destes bares da vida, escutei que esse acontecimento é uma prova de que chegamos no limite. Eles me disseram que em Berlim há bairros onde a polícia não pode entrar, dominados por estrangeiros (sério?). Em 20 anos a Alemanha será um país muçulmano, e eles pretendem fugir para o Uruguai em breve (ou seja, eles serão os estrangeiros).
Eu os indaguei, educadamente sobre alguns pontos. Mesmo recebendo respostas em tom agressivo, mantive-me calmo e pacífico. Num certo momento falaram de “adaptação à cultura alemã”. Eu disse concordar que um estrangeiro deveria se adaptar à cultura do país, mas que é preciso tomar cuidado, pois adaptar-se 100% é impossível. Um deles discordou e começou a gritar “se não for 100%, tem que ir embora!!!”. Então eu disse: Eu não me sinto 100% adaptado, no máximo uns 80%.
Ele ficou furioso, disse que eu estava falando besteira, e que eu estou sim 100% adaptado. Então perguntei se ele sabia mais de mim que eu mesmo. A conversa fugiu do controle, e entendi que era melhor eu ir para minha casa.

Um dos argumentos mais utilizados para justificar o discurso de que os delitos foram cometidos por estrangeiros (ou refugiados), foi o do “choque cultural”. Afirma-se que os muçulmanos entendem que uma mulher com roupa curta, ou apertada, está se oferecendo, e portanto, podem fazer o que quiserem com elas.
Se isso fosse verdade, deveríamos ter taxas de estupro e de assédio sexual aumentando progressivamente na medida em que mais muçulmanos chegam na Alemanha. Mas este não é o caso (pelo menos não conheço tais números). O que ocorreu, se ocorreu, não foi choque cultural, mas sim um acontecimento pontual, um crime premeditado e planejado por um grupo de “pessoas”.

Outra afirmação corriqueira é: “a lei deve ser aplicada para todos!” Ora, alguém espera algo diferente disso caso o resultado aponte das investigações aponte para estrangeiros? É óbvio que a lei de um país vale para todos que ali estão.

Resumindo: É preciso esperar o parecer da polícia e o resultado das investigações. Caso o narrado tenha realmente ocorrido da forma como colocado no depoimento das vítimas, e caso culpados sejam encontrados, a lei deve ser aplicada rigorosamente a eles, somando-se todos os tipos de crimes praticados durante estes delitos (roubo, atentado ao pudor, estupro, etc).

Se os culpados foram estrangeiros, ou refugiados, é preciso também investigar as motivações e entender como ela foi planejada, e o porquê da mesma. Exatamente o mesmo processo deve ocorrer, caso conclua-se que alemães também estão envolvidos.
Uma vez conhecidas as motivações e objetivos destes grupos, é preciso que as instituições públicas tomem atitudes rápidas para evitar que novos episódios como esses ocorram.

Qualquer coisa que fuja do descrito acima no último parágrafo, é uma tentativa de utilizar-se de um episódio para legitimar ideologias. Quem assim o faz, não está preocupado com as vítimas, não busca justiça, não tem empatia, não quer soluções racionais; eles só veem uma oportunidade de propagação de suas ideias radicais, uma oportunidade para legitimar seu racismo e sua xenofobia, uma oportunidade de conquistar adeptos, neste momento mais frágeis e carentes de proteção, para comporem o quadro de novos-nazistas europeus.

Sim, talvez a solução seja fugir para o Uruguai; quem sabe sim, fugindo dos muçulmanos, mas mais provavelmente, fugindo dos próprios alemães.

por Miguelito Formador

Algumas fontes de informação na mídia e em blogs alemães: Aqui, Aqui e Aqui

figura retirada do próprio link do Youtube

Eu queria não falar de política, não falar de Cunha, não falar de STF, nem do Congresso.
Queria não falar de desmandos, picuinhas, manipulações, desrespeitos e “jeitinhos”.

Por isso, decidi começar falando de futebol…
Mesmo após os recentes escândalos envolvendo a entidade máxima do esporte e demais entidades locais e regionais, resultando em prisões (como a de José Maria Marin, presidente da CBF) e investigações pesadas (por exemplo, da Alemanha, que supostamente comprou votos para ser país sede em 2006), nosso esporte preferido segue na mesma toada: recente veiculação na mídia denuncia que todos os clubes paulistas com direito a voto, votarão em conjunto no candidato “apadrinhado” da situação, ou seja, de Marco Polo del Nero e Marin: Coronel Nunes (notícia aqui)
Não diferente da situação política da Nação, os clubes de São Paulo optam por prováveis regalias na escolha de árbitros, calendário, horários de jogos, transmissão de TV. Optam pela manutenção do status quo, pela hipocrisia, pela mesmice, pela corrupção!
É triste, mas, infelizmente, é o retrato de um ponto em que nada mais assusta. Sequer está assustando os poucos que se revoltavam antes.

Discutindo com o Miguelito hoje, chegamos à triste conclusão de serem inclassificáveis as aberrações que temos visto e vivido no Brasil.
Os bombardeios da mídia, a busca por culpados, o fascismo que desponta como solução indesconfiável…
É como se lêssemos uma estória em quadrinhos da Turma da Mônica contendo uma cena de estupro! E houvesse indiferença por parte de uns e aplausos por parte de outros. Os primeiros diziam apenas: no meu tempo as estórias para crianças não eram assim; os demais mandariam os poucos reclamantes se adaptarem e os acusariam de golpe ao direito de expressão.
Não! Não é normal o que temos visto!

Se durante a campanha eleitoral havia um “salvo conduto” para atacar de formas sujas e ilícitas adversários e companheiros de coligações… Situação deplorável e infelizmente vivida nas últimas décadas, sobretudo para a sucessão presidencial; agora há um “toma lá, dá cá” sem disfarces, sem escrúpulos. Cada qual querendo levar o seu quinhão e apelando a tudo para isso, de cartas “vazadas” a arranjadas delações premiadas (com perdão pela poesia acidental)
Processos são procrastinados indefinidamente por ferirem a interesses; outros são acelerados sem se importar com “os meios” e muitas vezes ignorando a Constituição. E a mídia deforma acusando todos de tudo: os políticos atrapalham, os ministros atrapalham, a polícia atrapalha, procuradores atrapalham! Morte aos corruptos, mas não mexam no meu dinheiro!

O que fazer?
Indignar-se é um bom começo. Filtrar as informações é outro.
Ir às ruas, sabendo o que pedir e contra o quê protestar é igualmente válido!
Rogo para que as teorias conspiratórias de tomada de poder a força, golpe e retorno triunfante da extrema direita (com ou sem militares) estejam erradas. Rogo também para que não hajam mortes, como vimos no passado.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui. Pois estou farto de olhar na cara do Sr. Eduardo Cunha

P.S.: para quem quiser ler notícias diferentes veiculadas nesses dias, aqui a presidente pede para que o Congresso suspenda o recesso e acelere o processo de impeachment (sim, ela mesma!) e aqui e aqui notícias em que o ex-ministro Ciro Gomes (provável candidato à presidência em 2018) acusa Michel Temer de ser o “capitão do golpe” antes mesmo de “vazar” a carta (veja a data das notícias!)

Cunha_Repatriação_02Deus é amor.
Deus é compaixão, solidariedade, Deus é caridade, desprendimento, é fazer para os outros o melhor, é amar o teu próximo como a ti mesmo; Deus é abnegação, é deixar o seu em prol de um bem maior, é pensar na comunidade, no povo de Deus!

Mesmo para aqueles que não confessam uma religião, mesmo para os que não acreditam em Deus, mesmo aos que são avessos a crenças; imaginar um crente, um cristão com as características acima, não é difícil, idealmente falando. E seguir o exemplo D’Ele (de Deus) é o esperado pela assembléia que congrega a mesma fé.

Não sou contra religião alguma. E acho interessante a laicidade declarada do Estado Brasileiro, dando liberdade de religião a todo cidadão. Tampouco condeno, sob qualquer forma, o acúmulo de riquezas que foi uma das razões do surgimento do protestantismo; enfim, acho que todo aquele que produz algo e recebe pelo seu trabalho, deve escolher quando usufruir do seu dinheiro.

Muito bem.
Me pergunto há algum tempo qual seria o Deus do Sr. Eduardo Cunha.
Ele mente, manipula, engana, inventa, transgride. Dá entrevistas afirmando, por exemplo, não possuir conta no exterior. Sua declaração de imposto de renda (aberta ao público por conta da candidatura) não atesta os valores encontrados na Suiça.
A estória muda e passa a usar o nome oblíquo de trust para a titularidade das contas encontradas! Pois é… ele possui mais de uma conta fora do Brasil! Mas mesmo assim ele segue dizendo na imprensa que aquilo não lhe pertence, ao melhor estilo Maluf, da clássica: “Essa assinatura é minha, mas não fui eu que assinei”. Cunha usou: “A conta possui o meu nome, mas não sou eu que a manipulo, não a movimento”.

Agora novamente essa mentira caiu. Uma procuração enviada por autoridades suiças mostra que o próprio Cunha possui plenos poderes de movimentação da conta. (link aqui)

E, como se não bastasse, Cunha a seu modo maniqueísta e manipulador; contando obviamente com seu apoio costumeiro na casa, conseguiu aprovar (pasmem!) uma absurda lei de repatriação de dinheiro ilegal no exterior!
Quer dizer que o dinheiro dele, surgido sem explicação plausível no início de Outubro (aqui), negado e disfarçado de trust após novas denúncias e, muito provavelmente, criminalmente condenável no futuro próximo poderá ser trazido de volta? SIM!
E o absurdo maior pra mim é que a lei vem com anistia a crimes como: lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, falsificação de identidade e documentos para manipulação de câmbio, etc.
Ou seja, se você, deputado pilantra, político corrupto ou empresário inescrupuloso sonegou impostos, pagou salários e propinas para um “laranja” com identidade falsa e usou os paraísos fiscais para mandar os seus dólares, euros ou francos suíços… basta pagar 15% de imposto e outros 15% de multa… aproveitando que a moeda aqui se desvalorizou na mesma proporção.
Cunha e toda a gentalha pode trazer a grana da aposentadoria de volta, sem que sejam considerados criminosos, numa boa taxa de câmbio e com a desculpa perfeita de ajudar o governo a aumentar a arrecadação de impostos! (aqui uma matéria com vídeo do resultado da votação, explicando a proposta absurda)

Não fosse só isso, retomando o ponto da religião, surgiu também nos últimos dias uma declaração de apoio a Cunha, vinda de partidos da chamada “bancada evangélica”, como o PSC (Partido Social Cristão), cujo líder na Câmara, deputado André Moura, foi o leitor da nota.
Pois bem… Aqui temos aqueles que só querem manter Cunha para que ele tire Dilma, como declarou o Solidariedade através do deputado Paulinho “da Força”; temos os que “seguem o fluxo”, como o PMDB; mas temos os que estão apoiando Cunha pelo simples fato dele ser “de bem”, “um homem de Deus”…
Mais uma vez pergunto: que Deus é o dele?

por Celsão revoltado

P.S.: figura retirada do vídeo citado acima, sobre a aprovação prévia da lei de repatriação

PostCorrelaçõesRecebi via WhatsApp (em tempos de hoje, também um bom meio de comunicação e diversão), uma interessante artigo sobre correlações estatísticas.
Os homens já se acostumaram a isso: em transmissões de futebol, quando há pouca ação por parte dos jogadores, comentaristas e repórteres entram para “entreter”, dizendo algo aleatório, quase sempre relacionado a correlações estatísticas. Quando há algo relevante e atrelado a causalidade, ótimo. Por exemplo: “O Flamengo não vence uma partida em Minas Gerais há oito anos” ou “O Atlético ainda não perdeu jogando em casa nesse campeonato”. Mas como falta assunto, as estatísticas espúrias aparecem… “O Figueirense tomou 80% dos seus gols a partir dos 30 minutos do primeiro tempo” ou até “A seleção brasileira nunca perdeu para equipes africanas jogando competições oficiais no continente europeu” (!).

As correlações ditas espúrias, mostram estatísticas que nos brindam com verdades mascaradas; quer seja para ludibriar diretamente ou para fazer parecer que alguma ação tomada surtiu efeito. Dentre as correlações apontadas na matéria (aqui), além da figura deste post, estão outras que “brilham” de tão absurdamente aleatórias!
“Quanto menos filme Nicolas Cage faz em um ano, mais gente morre em acidentes de helicóptero nos Estados Unidos” ou “Quanto menos se produz e vende mel nos mercados, mais jovens são apreendidos por porte de maconha nos Estados Unidos”.

O que nosso Brasil e principalmente nós temos a ver com isso?
Ora, dizer que a redução da velocidade das marginais reduziu em 25% ou 30% os acidentes, pode apresentar uma correlação dessas… Alguém se perguntou o que é definido como “acidente”? Existiram outras campanhas em paralelo de redução de vendedores ambulantes na marginal (que são as principais vítimas de atropelamentos)?

Outro exemplo é dizer que uma maioria de deputados e senadores estreantes traz renovação, novas ideias e novo fôlego para o Legislativo. Era de se esperar, pela lógica, que ao menos os “vícios” dos anteriores não fosse “carregado” pelos recém egressos. Mas sabemos que trocar por grupos específicos e bancadas já comprometidas com sua “turma” de ruralistas ou evangélicos pode ser ainda pior que manter as mesmas figurinhas.

Também gostaria de destacar a alta récorde do dólar. Obviamente a redução do poder do real como moeda, influencia bastante a nossa economia; principalmente após reduções consecutivas do poder da indústria nacional, que poderia exportar máquinas e equipamentos para contrabalancear o efeito. Mas daí a apontar a alta do momento como histórica sem considerar inflação e correções em ambas as moedas é forçar o povo a acreditar no fundo do poço… Aqui e aqui separei matérias (uma delas inclusive com vídeo) que descrevem o erro propositalmente alastrado.

Não menos importante é correlacionar diminuição da maioridade penal com diminuição direta de crimes. Certamente as estatísticas já estão prontas para apontar que esta foi a melhor solução para o problema da violência…

E não para por aí… Dizer que um governo de direita trará desenvolvimento e impulsionará a indústria nacional e que um governo de esquerda promoverá distribuição de renda e programas sociais é uma simplificação perigosa. O primeiro pode se focar em atrair investimentos puramente especulativos (bem como o segundo, infelizmente) e esquecer de fomentar as empresas locais; da mesma forma que um governo mais a esquerda pode cortar gastos com educação e programas sociais antes de cortar financiamentos a empresas e antes também de aumentar os impostos para banqueiros, por exemplo.

Meu recado direto é: desconfie! Buscar informações para entender se os números foram “forçados a dizer o que precisa ser dito” é importante; afinal, a estatística e a contabilidade podem ser usadas para o mal.

por Celsão correto.

figura retirada da matéria da Folha (aqui). Matéria original em inglês aqui.

beatrizMuito se falou nos últimos dias sobre a advogada (ou ex-advogada) Beatriz Catta Preta.
Especialista em delação premiada, gozou de fama e chegou a dar entrevista ao Jornal Nacional da Globo (aqui) por conta de uma convocação dúbia, claramente arquitetada para desestabilizá-la e aos processos de acusações dos politicos, especialmente do PMDB e principalmente do Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Nós mesmos já criticamos esta CPI da Lavo Jato, no momento em que foi constituída, no “longíncuo” Fevereiro (aqui). Na época, criticávamos a ética da formação da bancada, composta por membros receptores de doações de campanha feitas pelas empresas investigadas.
Criticamos também, mais recentemente, aqui, os desmandos do “Reino do Cunha”. Já citando a convocação da advogada para depor na CPI, como subterfúgio ou mudança proposital de foco.

Pois bem, o presidente do STF, Ricardo Levandovski, a OAB e outros orgãos, condenaram a leviandade da convocação, dando não só o tom de absurda, mas também mostrando a confusão na medida do Sr. Celso Pansera (do PMDB).
Mas… como se não houvesse eco nas declarações e no espaço que a mídia deu ao caso, o Sr. Hugo Motta (também do PMDB, coincidentemente o mesmo partido do “recusado-a-ser-acusado” Eduardo Cunha), mudou o discurso e quer a presença da advogada Catta Preta para que ela explique o porquê se sentiu ameaçada.
Cômico? Proposital? Pra mim, não é. É um claro movimento (contínuo) de descredenciar o depoimento de Júlio Camargo, que acusou o rei-presidente Cunha.

Muitas perguntas ficaram até então sem resposta; como, por exemplo, se houve mentiras no primeiro depoimento dado por Júlio, se ele planejava mesmo soltar a “bomba” num Segundo momento ou se a doutora do caso sabia sobre a mentira (proposital ou não) desde o princípio.
Mas, pra mim, alguns fatos são claros:
honorários são rastreáveis; se algum advogado recebe dinheiro ilícito, do tráfico de drogas por exemplo. Mesmo que o declare, uma quebra lícita de sigilo de narcotraficantes pode expor o defensor e colocá-lo numa apertada saia justa
algumas profissões suscitam segredo; um padre não pode delatar as confissões que recebem, um médico não pode expor a saúde delicada de um paciente sem a anuência deste, um psicólogo ou analista não tem o direito de reveler segredos contados em consultório e um advogado não pode alcagüetar aquele que defende.
um animal acuado, ataca; e é o que está acontecendo com empresários e políticos acusados. Desmerecer delatores, testemunhas, juízes, advogados e promotores é só o começo. Certamente as tentativas de desdenhar e as ameaças se intensificarão.

Meu lado romântico vibra com as prisões e torce para que elas virem condenações. É um marco por estar acusando “branco e rico”; é como se a Justiça com maiúscula despertasse ou “atravessasse a ponte”, fazendo referência a letras de rap e ao rio que separa a “periferia” do “centro” de São Paulo.
Que órgãos como Polícia Federal e Ministério Público sigam essa vocação e realizem seu trabalho sem intervenção.
E que juízes e advogados usem mais a palavra ética em seu dia-a-dia. Palavra que não existe (ainda) no vocabulário do Congresso.

por Celsão Correto

figura retirada daqui

P.S.: para quem quiser ler um artigo do jurista Joaquim Falcão, sobre a nova fase do direito criminalista, que agora busca minimizar os danos ao invés de procrastinar os casos e desqualificar provas, link aqui.

eduardo_cunha_em_house_of_cards_2Imagine um reino.
Imagine que nesse reino houvesse um conselho e que o chefe do tal conselho fosse popular, inteligente e apoiado por boa parte de seus colegas.
Agora imaginemos que o rei tenha perdido o apoio dos seus súditos, por diferentes motivos; dentre eles falta de apoio do seu próprio conselho para aprovar leis necessárias e urgentes.
A crise no reino aumenta pois o chefe do conselho contratou bobos da corte para espalhar mentiras e supervalorizar problemas existentes; minando ainda mais qualquer tratativa do rei perante seu povo, vassalos e conselheiros.
Com a situação difamatória supostamente sob controle, o conselheiro chefe passa ele próprio a criticar o monarca e a defender investigações mais duras aos problemas conhecidos, sugerindo também outros possíveis problemas a investigar.

Criemos também um cenário onde o chefe do conselho faça conchavos e aprove tudo o que quer; e, caso não consiga, possa desavergonhadamente, repetir a votação até que o resultado lhe agrade. Sem importar com o que pensam súditos e vassalos.
Com as inevitáveis críticas começando a criar corpo, o conselheiro chefe decide conversar com toda a população, uma vez que tem poder pra isso. Na mensagem, exalta os seus feitos maquiando-os; diz, por exemplo, que tem ajudado o rei nas reformas necessárias, cita que a independência do conselho corre perigo e chama pra si a responsabilidade de trabalhar duro para o bem dos súditos.

Ampliemos agora o universo deste reino inserindo um juri, que foi constituido e designado para apurar denúncias contra o rei e seus vassalos.
O juri cumpre bem o seu papel, investigando e acusando poderosos partidários, mas também opositores do rei. Há apoio de todos, até dos bobos da corte.
Daí surge o inesperado na trama: o juri descobre irregularidades do chefe do conselho e o acusa de receber posses e castelos ilegalmente.
De modo repentino o líder do juri é descredenciado, as testemunhas difamadas e o defensor delas ameaçado de morte. “Que absurdo! Alegar sem provas e num juri formado pelo conselho que o próprio chefe é um bandido!” – bradam os apoiadores. “Eu exijo uma retratação do juri, pois um chefe de conselho deveria ser tratado de uma forma real!” – conclama o pretenso ditador.
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1429885700charge-eduardo-cunha-capaVivemos a história todos os dias.
E infelizmente os conflitos políticos e picuinhas do Legislativo remam contra as urgências atuais da Nação.

O que Cunha vem fazendo parece ter saído de um roteiro de filme.
Independente dos casos de corrupção a investigar, das CPIs a abrir, é importante que os processos sejam concluídos lícita- e transparentemente.
Que venha uma nova investigação após a conclusão da primeira. E, caso não reste nenhum representante para defender o interesse popular, que novas eleições sejam convocadas, sem os candidatos cassados ou impugnados.
Intervir através de “pau mandado”, buscando alterar o curso de um trabalho sério feito por órgãos (ainda) sérios é um inegável absurdo. E não foi somente contra o doleiro delator, que agiu um deputado peemedebista nos últimos dias; o mesmo deputado chamou para depor a advogada de outros réus delatores… para fazê-la revelar segredos da profissão garantidos por lei? Falar sobre conteúdos que não podem ser revelados? Ou somente para desviar o foco da sequência das investigações? (leia notícias aqui e aqui)
Exigir retratação do juiz do caso ou acusar uma testemunha de mentir é leviandade. Não há poder no Legislativo para julgar; para isso existe o Judiciário. E sendo no STJ ou não, todas as denúncias são passíveis de esclarecimento.

O pronunciamento não foi uma preocupação pelo coletivo. Foi propaganda de quem quer ser primeiro ministro. De quem planeja se aproveitar do período de crise e incertezas para sobrepujar os demais ocupantes de uma casa que tem a mais conservadora bancada dos últimos anos.

Não adianta dizer que o Congresso tem trabalhado e produzido “muito mais” se a produtividade não reflete na sociedade.
De nada adiantou, na minha visão, discutir e aprovar a reforma política, se o financiamento de empresas segue possível. Todo o financiamento direcionado de empreiteiras (pra citar um exemplo) continuará ocorrendo.
E, pior ainda, de que vale colocar em pauta um assunto se o mesmo seguirá em “votação contínua” até que o resultado desejado apareça? (post nosso aqui)
Seria mais fácil (e mais barato para o país), nomear o Sr. Eduardo Cunha “Legislador Oficial do Estado” e pronto!

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui e daqui.
quem quiser assistir o pronunciamento do deputado Eduardo Cunha – aqui com texto ou aqui no youtube.

1424971028509Outro título deste post seria: “Dicas para ser isento numa CPI”.

É absurdo! É revoltante!
Uma nova CPI no Congresso foi instaurada ontem, quinta-feira, para investigar os casos de corrupção na Petrobrás, ou os desdobramentos da operação Lava Jato (notícia aqui).

Até aí tudo bem, uns podem até dizer que acabará em pizza, ou seja, que não dará em nada; outros dirão que as CPIs são elementos políticos para provar a força dos partidos na nomeação de líderes e relatores, que a CPI é “ganha” nessa primeira votação, etc.
Por ser a terceira num período curto (menos de um ano), é realmente mais difícil acreditar que algo muito diferente ocorrerá; mas, o que me revoltou mesmo, foi a constatação feita pelo deputado Ivan Valente, do PSOL.
Em discurso no início dos trabalhos, o político lembrou que mais da metade dos deputados que compunham a mesa receberam doações de campanha das empresas investigadas na operação Lava Jato.

Explicando mais uma vez e em outras palavras: a maioria dos parlamentares presentes, que ocupariam (e ocuparão) as cadeiras desta terceira Comissão de Inquérito, que analisarão documentos, depoimentos, votarão e elaborarão um parecer final, receberam dinheiro para suas campanhas eleitorais (do ano passado!) das empresas cujos executivos estão presos em Curitiba, exatamente por suspeita de irregularidades em contratos da própria Petrobrás, investigada.
Ou seja, só pode ser piada… os apadrinhados investigarão os padrinhos! Notícia aqui.

Como não era interessante para os partidos “fortes”, como o PMDB, que elegeu o presidente da CPI, o afastamento dos políticos “suspeitos” não foi levada a cabo. E a casa votou sem problemas ou pudores e elegeu o presidente (Hugo Motta – PMDB) e o relator (Luiz Sérgio – PT).
O deputado Luiz Sérgio, eleito relator, foi inclusive o candidato que recebeu o maior valor dentre os componentes da CPI, valores próximos a um milhão de reais. O presidente eleito da CPI também seria afastado se o pedido de impedimento do PSOL tivesse sido acatado.

Notem que não estou criticando as doações em si. Embora seja contra elas (vejam aqui e aqui algumas opiniões nossas sobre as reformas políticas necessárias ao país de acordo com nosso julgamento), sei que as doações de empresas privadas, como empreiteiras, são lícitas, fazem parte do “jogo” atual para se eleger um parlamentar.
Tampouco quero “ver sangue” nas prováveis críticas à Petrobrás que estão por vir.
Acho que devemos sim investigar os ocorridos e punir duramente os culpados (como já disse aqui), sem condenar toda a empresa que é inovadora e referência mundial na exploração de petróleo.

Mas… precisava mesmo de uma nova CPI?
E… tinha de ser comandada por deputados “de rabo preso” com os investigados?
Copiando uma pergunta da própria página do deputado Ivan Valente, atribuído por ele à Folha: “Entre os financiadores e os eleitores, entre o dinheiro e o voto, de qual lado cada congressista ficará?”

Termino dando os parabéns ao PSOL que levantou a questão e propôs a medida mais cabível ao caso. Parabéns também aos deputados do PPS que foram os únicos a apoiar o PSOL no intento.

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: link interessante para a página do deputado Ivan Valente, que contém o vídeo do pedido de afastamento – aqui

petrobrasPrimeiro foi divulgada a cifra de R$3 bilhões pelo valor econômico e outros veículos da mídia, ainda chamando de Mensalão da Petrobrás (aqui). Depois esse valor cresceu e especulou-se que já passaria dos 10 bilhões e, logo após, dos 20 bilhões de reais (como veiculado pela revista da extrema direita, por exemplo, aqui).
E, há alguns dias, veiculado pela Folha, o número cresceu para R$88 bilhões!!!

Afinal, por que tanta especulação sobre tais valores? Qual a credibilidade desta mídia que salta em poucas semanas de 3 para 88 bilhões? Será que nossos jornalistas e os editoriais dos jornais estão agindo de forma séria e profissional? Aliás, será que ao menos pararam para refletir no absurdo que é a cifra de 88 bilhões de reais?

Somos contra a corrupção e acreditamos que só uma punição exemplar, atingindo os culpados financeira- e moralmente pode começar a mudar a “mania de Gerson” e a sensação de impunidade no país, como escrevemos num post recente sobre a Petrobrás (aqui).

Mas também somos igualmente contra as especulações, manipulações, distorções aplicadas a tais escândalos, neste caso, pela oposição política, através de seu fiel escudeiro, a Grande Mídia. Nesta busca desesperada por sensacionalismo e holofotes, em tentativas de golpes políticos e manipulação da opinião pública, aqueles que levantam as bandeiras da moral, transparência e ética, acabam sendo igualmente tão antiéticos e corruptos quanto os acusados.

E não nos esqueçamos do principal: a cada “pancada” que a Petrobrás leva, mais esta se aproxima de ser privatizada por empresas estrangeiras, o que certamente, seria o maior desastre da economia e soberania brasileira dos últimos 30 anos. Portanto, a todos aqueles que torcem pela quebra da Petrobrás, sua ingenuidade e “vira-latismo” podem fazer com que todo nosso petróleo seja entregue de mãos beijadas a outros países, que ficarão com a maior parte do lucro para si, nos afundando ainda mais na pobreza.
No Oriente Médio, estes países desenvolvidos promovem guerras para se apoderarem do Petróleo. No Brasil, eles promovem golpes políticos e manipulação da opinião pública, forçando uma privatização ilegítima e sorrateira do mesmo.

Não se enganem, no meio deste bombardeio de informações e escândalos, o que acontece por debaixo dos panos é uma guerra violenta, onde um grupo luta pela manutenção da soberania brasileira de nosso Petróleo, e outro grupo luta para nos roubar a mesma.

Abaixo, compartilhamos na íntegra um artigo do DCM (Diário do Centro do Mundo) de Paulo Nogueira. (aqui)

por Celsão Correto e Miguelito Formador

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O festival de asneiras em torno dos 88 bilhões de reais da Petrobrás

Raras vezes tantas tolices foram publicadas e compartilhadas em cima de um número malcompreendido.

Entre no Twitter e digite Petrobras 88 bilhões, e você encontrará uma enxurrada daquilo que de mais imbecil a mente humana pode conceber.

A cifra de 88 bilhões de reais representaria aquilo que foi desviado por corrupção na Petrobras.

Para quem tem o mínimo de familiaridade com números, é um caso parecido com o do homem de oito metros.

Mas poucos tem, e a Folha, origem dos disparates, não está entre estes raros.

Foi a Folha que deu a “informação”. Ela estaria no balanço divulgado pela Petrobras.

Depois, a Folha corrigiu o erro, mas era tarde demais: a asneira já fora transmitida e incorporada por dezenas, centenas, milhares de analfabetos políticos que incluem suspeitos de sempre como Lobão e Danilo Gentilli.

Os 88 bilhões são um cálculo aproximado de ativos supervalorizados.

Imagine que, em vez da Petrobras, se tratasse da Abril. Suponha que a Veja, o principal ativo da casa, tivesse sido avaliada num balanço em 1 bilhão de reais.

Depois, se verificaria que o valor estava inflado em 50%, digamos. No ano seguinte, o balanço corrigiria o excesso, e a Veja surgiria com o valor de 500 milhões de reais.

É mais ou menos isso.

Dentro dos 88 bilhões, existe uma parcela associada aos desvios. Mas ninguém sabe quanto é.

Na reunião de diretoria que aprovou o balanço, chegou-se a cogitar – ou chutar — uma soma de 4 bilhões em desvios, com base nos 3% de taxa de propina de que falou o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Os 88 bilhões não fizeram a festa apenas de internautas sem noção de grandeza de números.

Numa rápida pesquisa no Twitter, encontrei o link de uma entrevista da CBN com um economista para falar dos “88 bilhões em desvios”.

Mesmo confessando não ter condição de analisar o balanço, ele concedeu uma entrevista de mais de seis minutos.

Pobres ouvintes da CBN. Uma rádio competente jogaria luzes onde há sombras. Mas a CBN cobre áreas cinzentas com ainda mais sombras.

Mas não se pode desprezar a contribuição da Petrobras para a confusão.

Tente entender o que a empresa quis dizer na sentença abaixo, que consta do balanço e é assinada por Graça Foster. Um determinado método foi descartado, e a explicação foi a seguinte:

“O amadurecimento adquirido no desenvolvimento do trabalho tornou evidente que essa metodologia não se apresentou como uma substituta ‘proxy’ adequada para mensuração dos potenciais pagamentos indevidos, pois o ajuste seria composto de diversas parcelas de naturezas diferentes, impossível de serem quantificadas individualmente, quais sejam, mudanças nas variáveis econômicas e financeiras (taxa de câmbio, taxa de desconto, indicadores de risco e custo de capital), mudanças nas projeções de preços e margens dos insumos, mudanças nas projeções de preços, margens e demanda dos produtos comercializados, mudanças nos preços de equipamentos, insumos, salários e outros custos correlatos, bem como deficiências no planejamento do projeto (engenharia e suprimento).”

Proust podia escrever parágrafos intermináveis, pelo talento excepcional em juntar palavras, mas nenhum redator de balanços pode fazer o mesmo.

Frases curtas, simples, fáceis de entender: eis o que um balanço deve conter, para ser compreendido para além dos números.

E então você tem o cruzamento de um jornal que admite o homem de oito metros com um balanço escrito numa linguagem não identificada – parecida, apenas, com o português.

Estava tudo pronto para um festival de asneiras nas redes sociais. Falsos gênios chegaram a fazer contas: com 88 bilhões de reais você compra x Fuscas e coisas do gênero.

Claro que o PSDB não poderia faltar.

Em sua conta no Twitter, o PSDB postou um quadro que dizia que “o prejuízo da Petrobras com corrupção pode chegar a 88 bilhões de reais.”

Neste caso, não é apenas erro. É má fé. É manipulação. É cinismo.

E uma tremenda duma mentira. O presidente do PSDB, Aécio, acaba de gravar um vídeo em que diz que Dilma mente.

Antes de ser julgada, a Petrobras tem que ser compreendida.

O barulho em torno dos 88 bilhões de reais mostra que a Petrobras, embora tão falada, é uma ilustre desconhecida para muitos brasileiros. Por isso, é fácil usá-la com propósitos canalhas por quem quer tudo — menos, efetivamente, contribuir para o bem dela.

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figura retirada do próprio DCM (aqui)