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Post_30_empresas_01Listas são coisas mágicas, que nos chamam a atenção.
Se alguém publica “dez coisas a fazer para conquistá-la” ou “oito medidas importantes para conseguir uma rápida recolocação” ou ainda “quinze apps que todos devem instalar no celular”, conseguirá certamente mais acessos que “como conquistar uma garota”, “dicas simples para arrumar emprego rapidamente” ou ainda “apps imprescindíveis para seu smart phone“.
Talvez seja a falta de tempo, ou a noção de praticidade ao nos depararmos com itens, ou argumentos enumerados. Não sei. Assumo aqui que muitas vezes “caio” nessa armadilha das listas.

Foi numa dessas armadilhas que recentemente entrei em duas listas curiosas. Ambas anunciando “30 empresas”, mas com relação oposta: a primeira mostrando empresas que muito se desvalorizaram no período do governo Dilma (aqui) e a segunda com empresas que muito se valorizaram no mesmo período (aqui). Aproveitei inclusive o antagonismo do tema e das figuras que estão nos dois links para ilustrar esse artigo.

Não quero eximir de culpa o governo nem a presidente Dilma dos atuais acontecimentos.
Porém, mesmo tendo os meus problemas com o modo da política atualmente praticada por ela e pelo seu partido, tenho consciência que nem tudo o que temos passado é culpa dela. E também que a oposição enfrentaria problemas bem semelhantes, muito provavelmente.
Meu intuito é “cutucar”, mostrando que se de um lado aparece um Bradesco, valorizado durante os quase cinco anos da presidente, do outro aparece outro banco, o Santander. E, notavelmente, uma coisa que o Estado não fez (e não faz) é incomodar bancos e banqueiros.

Empresas como Petrobrás, Vale e Eletrobrás, que tiveram seu valor diminuído neste período, sofreram com o efeito direto das investigações que acontecem via Ministério Público e Polícia Federal. Afinal, mesmo não acreditando que o “valor”, propriamente dito, da empresa Petrobrás não tenha se reduzido com a investigação Lava Jato, é claro que muitos acionistas foram afugentados.
(aqui vale um parêntese: muitos investidores internacionais compraram ações da Petrobrás após a queda do valor das mesmas – aqui o exemplo de George Soros – agindo contra o esperado em nosso país)

Post_30_empresas_02Mas a OGX, a MMX e a OSX do Eike Batista, investigado por crimes contra o mercado financeiro, também estão na lista das “perdedoras”. E não dá pra culpar o Governo pelas “manipulações” do ex-bilionário. Pelo contrário; o Governo e seus órgãos fomentadores colaboraram e muito com a ascenção e queda das empresas “X”.
Outras empresas que aparecem na lista, como Gerdau e Usiminas tiveram redução de vendas, produção e de número de funcionários ligadas aos baixos preços mundiais de commodities como o aço. E isso aconteceu no mundo inteiro. Não é exclusividade daqui!

Sem entrar no mérito de quem coloca valor nas empresas e como o faz, algo passível de infindáveis discussões, empresas de distribuição de energia como a Equatorial e a Tractebel estão entre as valorizadas, mesmo com CEMIG e CPFL Energia, responsáveis pela distribuição, entre as desvalorizadas. Na mesma linha temos a TIM valorizada e a OI desvalorizada; que mesmo com alguma variação de serviços ofertados: TV por assinatura, internet com fibra óptica, pacotes empresariais… poderiam estar “surfando do mesmo lado da onda”.

Frigoríficos, como BRF, JBS e Minerva em alta. Outras empresas do ramo de Alimentos e Bebidas seguem a valorização, como M. Dias Branco e ambev. Aqui eu arrisco concluir que a ascenção social da população ajudou, logicamente com estilos de gestão diferenciados e, quem diria, também a alta do dólar, uma vez que estas empresas exportam parte de sua produção.
Sem esquecer a WEG, empresa tecnológica catarinense, também presente na lista das empresas que aumentaram seu valor de mercado nos últimos anos. Juntamente com a Embraer e outras nacionais menores, contrariaram com louvor o estigma de país agrário e exportador exclusivo de matéria-prima.
Muito aqui se deve provavelmente a “encarar a crise de outra forma”, buscar alternativas, mercados, diferenciais e também inovação.

Não sei se já buscaram na internet dicas e macetes para vender… São inúmeros os vídeos, as palestras, os “lapidadores de talentos”, usando um termo que li num destes sites; e os cursos mágicos.
Mas uma coisa que todos concordam é que atitude é um fator decisivo.

Quem já me leu e me conhece sabe que positivismo e, por que não, romantismo são minhas bandeiras!

por Celsão correto.

figuras retiradas dos links já indicados aqui e aqui

P.S.: já escrevemos bastante sobre Petrobrás e Lava Jato. Confira aqui e aqui.

Pensador ou marionete?

Pensador ou marionete?

Beethoven disse que Deus se comunica com o homem através da música.
O intelectual, filósofo, pesquisador e escritor, Roger Scruton disse que de todas as artes, a música é, certamente, a que mais lhe comove e encanta.

Mas e quando um artista, como que num momento de transe, vê sua alma repleta de inspiração, e com muita criatividade, talento, senso crítico, cria uma música, que além de música, é uma junção de outras artes, e ainda com um forte e delicioso toque crítico sobre uma realidade do mundo?
Muitos dizem que hoje em dia não se faz música e outras artes no Brasil, como se fazia em outros períodos, como no período da ditadura militar. Acusam a falta de ter “contra o quê lutar” como sendo o motivo da falta de inspiração na arte moderna brasileira. Isso faz todo o sentido! Mas será que estamos mesmo com carência de arte? Penso que não. Basta buscarmos no lado B, no mercado alternativo, que veremos muita coisa fantástica, tanto música, como pinturas, poesias e qualquer outro tipo de arte. Acho que o principal problema do momento, é que a arte de verdade, não se populariza hoje em dia, como se popularizava antigamente.
Mas porque isso acontece?

Bom, eu tenho minhas suposições:
Cada vez mais o mercado capitalista mostra suas garras. A cada ano que se passa, o dinheiro tem mais valor, e grandes empresas ampliam sua hegemonia/monopólios. No mercado da “arte” é a mesma coisa. O que vende mais, Michel Teló ou Cordel do Fogo Encantado (para quem não conhece, procurem essa fantástica banda no youtube)? Daí existe uma combinação de gravadoras querendo vender, com mídia querendo audiência e bestificar os espectadores, somado a um imenso grupo de cidadãos menos politizados e menos críticos (resultado da péssima educação tanto das escolas como a familiar + a influência da mídia alienadora), e bingo, temos uma falta de mercado para a arte de verdade, e cada vez um maior mercado para Michel Teló’s, Sertanejos Universitários, Funk carioca, Britney Spears, Restart.

Assim como a boa música tem pouco espaço nesse mercado moderno, também o têm a boa poesia, o bom jornalismo, a boa crônica, a boa informação, a filosofia crítica, a antropologia e sociologia com real utilidade pública, as boas pinturas, o bom artesanato, o bom teatro, a boa comédia, o bom cinema…… (*)

Esperemos que a internet se popularize cada vez mais, e que os artistas e profissionais de qualidade, que não têm espaço nos meios convencionais, possam atingir uma parcela maior da população através da internet. Também esperemos que os cidadãos se conscientizem cada vez mais de sua alienação, e percebam que não só a internet, mas qualquer meio de comunicação e informação têm, tanto porcarias quanto materiais de ótima qualidade.

Basta tentarmos sermos críticos e sensatos, termos interesse, e então filtrarmos tudo que não presta, e passarmos a valorizar tudo o que mostra ser feito com arte, com criatividade, com conhecimento, e com boa intenção, tendo como prioridade transparecer o interior da alma do autor e ainda de lambuja, se possível, trazer algo de útil para a população, seja um bom sentimento, seja a conscientização sobre algo importante.
Tem que estar claro para todos nós cidadãos que, o consumo determina o mercado. Consumamos qualidade, e a qualidade se popularizará! Nós temos a força e poder nas mãos, basta querermos ser pessoas mais conscientes, seletivas, profundas e críticas.

Aproveitem e cliquem (aqui) para terem contato com uma obra de arte do mundo musical, e que está escondida, como muitas outras, sem espaço para adentrar no “mercado de massa”.

(*) Sei que definir “bom” e “ruim” é um assunto complexo e muitas vezes, subjetivo. Por isso aproveito para indicar duas leituras nossas: 
1) Afinal, o que significa o termo “Cultura”? Clique AQUI
2) Será que é errado julgar algo como “bom” ou “ruim”, “verdade” ou “mentira”, “bonito” ou “feio”, “certo” ou “errado”? Clique AQUI

por Miguelito Formador