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Contrariando minha esposa, assisto vez por outra ao programa Fantástico, o “show da vida” ou ainda a “nossa revista semanal”.
O faço sem grandes expectativas. Naquela negação da chegada da segunda-feira e do retorno à rotina estressante da semana.

E não é que nesse domingo fui surpreendido?
Infelizmente, negativamente. O que me surpreendeu foi uma reportagem especial, tomando quase um bloco inteiro, sobre o fuzil-metralhadora AK47.

A notícia trataria supostamente da violência ocorrida na favela da Rocinha, Rio de janeiro, que demandou intervenção militar federal na última semana.
Mas não foram abordados os detalhes do ocorrido. Não se tocou no assunto tráfico de drogas, provável razão principal da briga entre facções rivais. Sequer das implicações sociais da “guerra” instaurada, como cancelamento de aulas, redução do comércio, plausíveis inocentes alvejados por balas perdidas de ambos os lados (e aqui são três os lados: facção A, facção B e polícia/exército)…
A notícia tratou da arma AK47…

Soubemos que o nome vem de “Kalashnikov automática”, fabricada em 1947. Vimos imagens do seu criador, Mikhail Kalashnikov e a sua estátua inaugurada recentemente em Moscou.
Vimos muitas fotos e vídeos do Estado Islâmico, Osama Bin Laden, terroristas em ataque ao Charles Hebdo, treinamentos com crianças árabes. Todas usando a arma.
Fomos “quase” convencidos de que, se russo, é mal. E que a Rússia é a responsável pela violência no Rio de Janeiro.

Somente um telespectador mais atento ouviu que a arma é produzida em diversos países, entre eles Bulgária, Romênia, India e China. Este último maior produtor mundial.
Que os Estados Unidos compram os fuzis de forma legal da China e do Leste Europeu, e são usados como principal entreposto para as Américas e a África.
E que também se fabricam rifles AK47 nos Estados Unidos! (informação aqui).

Num mundo onde o extremismo está cada vez mais presente, é correto aludir ao armamentismo e ao “contra-ataque”?
É saudável mostrar à população todo o poder do crime organizado, cobrando os parlamentares um “endurecimento” sem analisar as causas?

O problema das drogas no Rio de Janeiro, ampliável às armas e ao problema do terrorismo no Mundo, é por si só demasiado complexo e enredado. Não há solução simples e aplicável num curto espaço de tempo, como, por exemplo, um mandato de Prefeito ou Governador.
O que condeno é a abordagem da matéria. De um programa muito assistido, no canal mais assistido do país.
Já perdi as esperanças de discussões filosóficas e aprofundadas. Mas daí a mostrar por dez minutos a arma mais usada… Foi demais!

por Celsão revoltado

Vídeo no Youtube com o “extrato” da matéria pode ser visto aqui

imagem retirada daqui

americafirst_oesp_v2Caro senhor presidente Donald Trump.
Essa é uma mensagem do blog Opiniões em Sintonia Pirata pra você.

Talvez você esteja se perguntando o porquê um blog do Brasil esteja entrando em contato dessa forma.
A ideia aqui é mostrar o quão próximos somos a você.

Nós também odiamos e disseminamos o ódio. Não através de mascarados da KKK ou de simbolismos pouco claros como bandeiras, confederações e afins.
Nós odiamos a elite e tudo o que ela representa em nosso país fragilizado social e economicamente.
Odiamos a manutenção do status quo e os golpes suaves que nossa elite aplica aqui, juntamente com os seus serviços de inteligência.
Pensando bem, se ainda não foi apresentado à nossa elite e aos nossos partidos de direita, não perca seu tempo!
Você os adorará ainda mais que à Marine Le Pen e aos demais ultranacionalistas europeus. E eles sequer darão trabalho… nada pedirão em troca e aceitarão de bom grado a condição de subalternos e subdesenvolvidos…

Nós odiamos a imprensa também. Nisso estamos de acordo.
Mas não da maneira como você os odeia, por publicarem os fatos maquiando um pouco a verdade. Sabia que publicamos uma estória sua com a imprensa americana aqui?
Nosso problema com a imprensa é um pouco pior. Eles buscam perpetuar o “pão e circo”, conhece isso?
Creio que não. É muito culto e muito “francês” pra você.
Bem… a imprensa brasileira promove acesso difuso à informações de baixo impacto no desenvolvimento do povo. A eles interessa que o povão não leia, não se informe, só reclame. Quem realmente não busca se informar por aqui, vive num universo paralelo, semelhante as “Brumas de Avalon“. Que julgo também que não conheça… É muito “Inglês” e muito “feminino” pra você.
E não é que essa odiada imprensa tem sido censurada pelo atual governo (outro ponto adorável, sob sua ótica, no Brasil). Veja aqui as ordens explícitas de censura sobre uma investigação pública da primeira dama

Voltando às mulheres, você não sabe, mas estamos no Brasil. Onde as mulheres são bonitas e bronzeadas…
Mas diferentemente de você e do que prega, queremos que as mulheres tenham mais liberdade, mesmas oportunidades e condições, tenham salários e benefícios equiparáveis aos dos homens.
E nós somos homens! Não é incrível isso?

Não temos mexicanos aqui. Nem no blog, nem no Brasil.
Corrigindo a informação, no Brasil existem mexicanos, americanos, angolanos, italianos, japoneses, libaneses e pessoas de muitas outras Nações. Nós os recebemos e sabemos de sua importância na construção da nossa Nação.
Ao menos nós aqui no blog reconhecemos isso e sabemos que muitos outros brasileiros também.
Ultimamente, tivemos a imigração de muitos Haitianos para o Brasil. Pessoas que escolheram deixar seu lar, sua família, sua história em busca de melhores alternativas para viver, de novas oportunidades.
Ignorá-los ou expulsá-los é algo impensável para nós. Integrá-los para que se sintam nosso país como um novo “lar” e contribuam para o desenvolvimento nacional é uma sugestão nossa para com os mexicanos, cubanos e demais latinos, bem como para os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos.

Falando em muçulmanos, por que não proibiu a entrada em seu país dos muçulmanos da Arábia Saudita?
Eles cultuam o mesmo “Deus dos terroristas”, bem como os iranianos e sírios. São similares em cultura, possuem até, pasme, reservas de petróleo como os demais!

Enfim… pra terminar gostaria de entrar noutro tema polêmico: voto.
Você adoraria o nosso sistema! Aqui votam inclusive os negros (e negras) desde 1932. Acredite, eles também sofrem bastante aqui, até hoje. Mas podiam votar mais de trinta anos antes dos “afro-descendentes” daí!
Nosso voto é obrigatório. Deixamos opcional para maiores de 70 anos e para os analfabetos. Sim, isso mesmo! Nós temos analfabetos mas tentamos tratá-los como gente!
Nosso sistema é eletrônico, de contagem automática. Mas os derrotados, sobretudo quando semelhantes a você, sempre reclamam e dizem que todo sistema eletrônico é burlável.
E o atual presidente, o mesmo da censura, estava na chapa com aquela “inimiga” que ganhou a eleição, mas foi afastada. Usamos até uma palavra em inglês para isso: impeachment.
Pois bem, esse presidente e o partido dele, fantástico, incrível, “a sua cara”, estão envolvidos até o pescoço com corrupção. Aqui está rolando uma operação federal de combate a corrupção, ou estava… O fato é que a chapa do atual presidente está sendo acusada de receber dinheiro ilegal de campanha. Mas ele conseguiu, aparentemente, desvincular-se da própria eleição. Talvez consiga até desvincular sua imagem do partido. Não é realmente incrível?

Coisas que você, certamente, apoiaria!

Então, entendemos e aceitamos que você busque o “America First”. Mas… poderia (des-)considerar o nosso blog nessa briga?

por Celsão irônico

P.S.: Para quem não viu, a Holanda e outros países europeus lançaram vídeos no youtube satirizando o “America First” de Donald Trump. Eles puseram a maioria numa página (essa). Tem Alemanha, Portugal, Suiça, Namíbia, Austrália… Outros internautas fizeram montagens hilárias também, por exemplo: Marte e Mordor.

figura retirada do vídeo de Mordor no youtube e montada com o “nosso símbolo”. Achamos que Mordor representa bem Donald Trump

herero_namaComecemos com um texto publicado esse ano pelo portal UOL (link aqui)

O título do texto é “Por que a Alemanha não se desculpou até hoje pelo primeiro genocídio do século 20” e ele trata do assassinato de dezenas de milhares de africanos assassinados pelo exército alemão entre os anos de 1904 e 1908.

Conhecemos diversos exemplos parecidos com este. Quando um país mais desenvolvido (Europeu – por exemplo), coloniza um país africano (ou de qualquer outro continente) durante décadas, séculos, explorando suas riquezas e enriquecendo enquanto estes empobrecem. Então um dia rebeldes resolvem reagir, e como contra-reação os colonos utilizam da máxima força bruta, crueldade, barbaridade e covardia, levando etnias praticamente à extinção.

Exploram, abusam, estupram, matam, sugam tudo de valioso de suas terras, e quando partem daquele país, deixam somente pobreza, atraso, destruição, traumas e ódio para trás.
Depois os intelectuais, políticos e cidadãos dos países desenvolvidos, algumas décadas mais tarde, dizem que os países explorados não se desenvolvem, pois são corruptos, ou não aproveitam as oportunidades, ou são incapazes de aprender com os erros, ou porque não têm nada a oferecer de volta num possível comércio…. ou seja, a culpa ainda é deles, povos explorados, assassinados, sugados….
Para piorar, os acadêmicos e intelectuais dos países explorados (América do Sul, África, Ásia, etc) aprendem com a mídia e com seus sistemas de ensino, as teorias que convêm e favorecem os interesses dos países exploradores. Em nossas Universidades e em nossos jornais, em na maior parte de nossa literatura, são difundidas ideologias que visam nos manter alienados e dominados. Assim nos ensinam que o neoliberalismo é bom para o Brasil, para o Vietnam, e para a Namíbia. Ensinam que os países Europeus se desenvolveram pois são mais organizados. Que somos atrasados devido ao nosso fracasso, nossa cultura “defasada”. E que a culpa de sermos atrasados, pobres, corruptos, é praticamente toda nossa, e que os  países exploradores têm pouca ou nenhuma parcela de culpa. Também nos ensinam que, se uma etnia foi explorada há algumas décadas, ou mais de um século no passado, não há mais nada a ser retratado, não há mais dívida, pois afinal, 1 século é tempo suficiente para um povo se colocar em pé de igualdade com outro (grande balela!).

Eu sou a favor de pedidos de desculpas e pagamentos justos de dívidas, seja financeiramente, seja com investimentos tecnológicos e acadêmicos naqueles países…. Não por parte da Alemanha somente, mas por parte de todos os países que hoje usufruem de um bem-estar social em parte devido às todas atrocidades feitas em outras regiões e contra outros seres humanos.
Imaginem se uma comoção mundial entrasse em vigor, organizada por ONGs sociais e com apoio da ONU, e uma onda de investimentos em educação, saúde e tecnologia, financiada pelos países ricos, começasse a acontecer nos países que foram explorados e sugados num passado recente? E assim, esses países recebessem um pouco daquilo que lhes foi tomado, e pudessem assim voltar a sonhar com uma certa independência e dignidade de vida?
Até mesmo as sociedades dos países ricos teriam enormes ganhos, pois além de dormir com a consciência mais  limpa, ainda teriam menos problemas com os efeitos colaterais causados pelas massivas imigrações (imigrantes e refugiados), que iriam ser reduzidas fortemente se as condições de vida naqueles países melhorassem, e ainda notariam uma forte redução nas ondas de terrorismo em seus países. Além disso tudo, estes países explorados se tornariam mais civilizados e mais seguros, tornando-se destinos turísticos ainda mais paradisíacos para os cidadãos dos países exploradores.
Como podemos ver, todos ganham!

O fato é que, enquanto nós, nascidos em países explorados, continuarmos reproduzindo o discurso  de quem nos explorou e ainda explora, nossos países continuarão nestas condições, num ciclo eterno de subdesenvolvimento, violência e ignorância. Afinal, o interesse e a vontade de mudança só podem surgir, se houver um despertar de consciência dentro de nós. Esse interesse jamais surgirá dos povos dominantes, pois eles usufruem dos mais diversos benefícios oriundos de nossa ignorância e desinteresse.

por Miguelito revoltado
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Menos violenta, mas não menos genocida, toda a colonização ostensiva Européia terminou “aculturando” civilizações seculares e inocentes na América Latina. As vezes por força da pólvora, como contam os relatos de Aztecas, Maias e Incas, mas muitas vezes simplesmente pela imposição de costumes e religiões.

Esse raciocínio, de genocídio ou de “extinção programada”, por exemplo, ocorreu com os índios Yamanás e Selknams, que viviam no extremo sul do continente americano.

Nus, não por acaso, estes povos eram adaptados às condições adversas do lugar, eram hábeis com canoas, usufruíam de abundante caça e pesca local, e passavam no corpo gordura de leões marinhos, para suportar o frio intenso. As fogueiras desses índios deram o nome ao lugar: “Terra do Fogo”, chamaram os Europeus.

Que fizeram explorações para cruzar o Cabo Horns, encontrando um caminho diferente entre Atlântico e Pacífico.
Que estudaram a Antártida a partir dali.
Que evoluíram em sua “evolução”, graças a Darwin e também à uma ilha da região.
Que lutaram por outras ilhas: Franceses, Portugueses, Espanhóis e Ingleses…

Mas… infelizmente… não respeitaram o povo oriundo e originário dali!
Impuseram condições, expulsaram das terras, exploraram e grilaram por onde estiveram.
Como, em sã consciência, um sujeito elitizado e capitalista, acostumado com regras europeias, toma por normal a construção permanente de casas, fortalezas e igrejas num terreno que não o pertence?

Seguindo a linha defendida pelo Miguel, o mínimo que o explorador poderia propor era um aluguel temporário.
Oferecer os serviços de benfeitorias, as casas, as igrejas. E, após concluídas, deixar que os habitantes locais determinassem o que fazer com elas.
Alguns relatos locais dizem que os primeiros índios Selknam que foram vestidos pelos Ingleses que lá estiveram e receberam aulas do idioma, abandonaram roupas e voltaram a viver a seu modo poucos meses depois. A insistência das “melhores condições morais e sociais europeias”, dizimou a população indígena do local.

Conclusão óbvia, os primeiros ingleses que realizaram um assentamento de “brancos” na Terra de Fogo, em companhia do Reverendo Thomas Bridges, já estão na 6ª. geração e seguem a morando na Estância Harberton, uma das mais concorridas estâncias de Ushuaia, famosa pos atrações turísticas. Ou seja, as casas e hotéis construídas, estão gerando renda há cinco gerações.
Enquanto que os quase 3 mil Yamanás que viviam naquela região à luz da época desapareceram em 50 anos. Na referência que li (aqui), o autor relata que há (ou havia) apenas uma última índia Yamaná, com cerca de 80 anos de idade. Sendo todos os demais descentes “mestiços e aculturados” (sic).

Finalizando… Quem realmente acredita que as imposições do rico para o pobre pararam?
Que somos e estamos livres ideologicamente nos dias de hoje? E que a nossa ignorância, passividade e subserviência não são comemoradas por países imperialistas e classes dominantes?

Vale o exercício de reflexão.

por Celsão correto.

figura retirada da matéria do UOL sobre os Herero e Nama (novamente aqui)

P.S.: para quem quiser ler a estória dos índios da Terra do Fogo, segue um link de partida bem bacana (aqui)

Baghdad

Peço a atenção de vocês para este desabafo longo. Penso ser de vital importância, e por isso convido nossos leitores a lê-lo até o fim.

Todos vocês já notaram, pelo menos superficialmente, como funciona propaganda e marketing em cadeia na internet, não é mesmo?

Por exemplo, você abre um site como Amazon, ou Mercado Livre, e olha computadores. Quando você abre o Facebook, tem propaganda de computador na lateral do Face sendo anunciado para você.
Essas empresas, como Amazon, Ebay, Mercado Livre, e qualquer outra de venda online, pagam ao Facebook para que os produtos deles sejam mostrados para os usuários, e claro, com uma inteligência de rastreamento ferrada, que direciona os produtos certos para as pessoas certas.

O mesmo acontece quando você abre o youtube, ou outros diversos sites da internet. Através de um Data Mining eficiente, a maioria dos sites podem te rastrear, analisam seu perfil e fazem chegar até você EXATAMENTE aquilo que você QUER !

Não é crítica, nem elogio. Tampouco é uma análise ideológica, ou de opinião. Estou relatando um fato concreto, matemática e inteligência digital sendo usada para fins de marketing e propaganda, consumo.

Da mesma forma, se você tem um blog ou um site, você pode pagar ao Facebook, ao google, etc, para que seus posts, artigos, fotos, etc, sejam “divulgados” como prioridade. Por exemplo, um blog que não paga pelo serviço, é difícil ser encontrado no google. Este é o caso do meu blog, Opiniões em Sintonia Pirata. Você pode digitar no google várias palavras-chave de algum artigo do meu blog, e com muita sorte, o artigo aparecerá na 4°, 5° página.
Diversos outros artigos, de outros sites, que nem possuem todas aquelas palavras-chave no texto, aparecerão antes do meu artigo, o qual você procura. Isso acontece, principalmente, por eles pagarem o serviço, e assim, o google empurra o site deles na frente da lista.

No Facebook eu posso pagar para aumentar o “alcance” dos meus posts do blog, ou até posts pessoais (nunca o fiz, pois meu blog não tem fins lucrativos, pelo contrário, temos uma despesa de 99 dólares por ano, num perfil “TOP”, que nos permite, basicamente, bloquear anúncios em nossa página, e não ganhamos 1 centavo – só fazemos isso, pois eu e Celsão temos a utopia e esperança de estarmos ajudando a sociedade).
Se eu pagar, o Facebook usará ferramentas inteligentes para que mais pessoas, com interesses parecidos, ou com amigos em comum, ou que curtam as mesmas páginas que eu, ou ou ou, tenham contato com o meu post. De repente, o meu blog começará a aparecer ao lado direito do Facebook alheio, ou o Facebook te sugerirá curtir meu artigo, ou minha página, mesmo você não sendo meu amigo no Face.
Isso se chama “impulsionar”.

Por que estou falando tudo isso?

Bom, na época do atentado em Paris, escrevi uma crítica bem diplomática, onde eu explicava porque as pessoas se comovem, mudam fotos, colocam as cores da bandeira, quando uma tragédia ocorre na França, na Alemanha, na Bélgica, nos EUA, etc…. mas quando a tragédia é na Síria, Iraque, Bangladesh, Nigéria, Venezuela, Afeganistão, etc, ou a pessoa nem fica sabendo, ou, se fica sabendo no máximo diz “nossa, que absurdo, que triste”, e no dia seguinte já esqueceu.

Na época expliquei que, a culpa direta não é do cidadão comum, apesar do cidadão comum também ter sua parcela de culpa indireta (explico no fim do texto). Mas o principal culpado para essa indignação e tristeza seletiva é a alienação, e a manipulação exercida por aqueles que detêm os meios de comunicação, e os usam em interesse próprio.

Explicando melhor.
Assim como quando alguém quer anunciar um produto, ele paga por isso, faz seu marketing, as notícias também precisam de financiamento. Quando terroristas islâmicos invadem um jornal francês e matam quase todos da redação, há centenas de diferentes interesses por trás de tal tragédia, por exemplo:
1) países poderosos e imperialistas veem neste episódio a oportunidade de conseguir comoção popular e assim, enfim, legitimar uma possível invasão militar em algum país de onde, “teoricamente”, vêm os terroristas.
2) Um atentado no metrô de Londres pode ser usado pelos grandes jornais do mundo ocidental para conseguir muito IBOPE. Ao encherem os noticiários com aquelas notícias, cobertura ao vivo, etc, lucrarão ainda mais com as propagandas.
3) Fabricantes de armas podem patrocinar a divulgação intensa de certo atentado, para que as pessoas se sintam inseguras, e comprem armas. E claro, no caso de uma invasão militar (item 1), eles irão vender mundos de armas – dinheiro fácil.
4) Políticos com popularidade baixa podem usar tais tragédias para criar um sentimento de “comoção nacional”, o que gera UNIÃO. O resultado desta união é o desvio do foco, fazendo a população esquecer a insatisfação para com o governo. Isso pode até aumentar sua popularidade.

Eu poderia citar muitos outros exemplos aqui, dos interesses que estão envolvidos por trás de tais episódios.
Outro ponto importantíssimo é que estes políticos, fabricantes de armas, meios de comunicação, empresas, etc, podem eles mesmos, armar, organizar e/ou financiar um atentado terrorista, para atingirem seus objetivos. Neste caso, eles podem fazer um acordo com algum grupo radical terrorista, e facilitar e organizar o atentado; como também podem eles mesmos praticarem o atentado com as próprias mãos, e depois adulterarem as provas e manipularem as informações, fazendo parecer que o atentado foi causado por um grupo de terroristas (por exemplo, islâmico). Isso já deixou de ser teoria da conspiração, afinal documentos do Wikileaks e da NSA mostram que essa prática é real, e corriqueira.

Onde quero chegar?

Se você não muda sua foto de Facebook para as cores da bandeira de Bangladesh. Tampouco escreve diariamente sua revolta para com os ataques à Síria. Nem traz para suas discussões em mesas de bar a guerra do Iraque, que perdura até hoje, justificada por presença de armas químicas, e posteriormente gerando um pedido de desculpas do próprio G. W. Bush dizendo que se enganou e que no Iraque não haviam armas químicas. Se você nunca parou para refletir por que a produção de drogas no Afeganistão quase triplicou desde que os EUA, França e Inglaterra invadiram aquele país, e por que eles até hoje não conseguiram implantar um sistema democrático e gerar paz, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem entre Israel e Palestina, nem, nem nem…..

Nunca parou para refletir que, nos últimos 50 anos, todas as guerras que ocidente iniciou na África e Ásia, sempre com o pretexto de levar “democracia” e “paz” para aqueles países, NUNCA geraram paz, nem democracia naqueles países, mas somente mais dor, mais pobreza, mais caos! (dê-me um exemplo como exceção, eu não conheço.)
Se você sequer toma conhecimento das quantas vezes por semana, grupos terroristas, lutas entre grupos de guerrilha, guerras e massacres (quase sempre financiados por empresas e governos das potências ocidentais), ataques de potências mundiais, geram centenas de mortes semanalmente em países da África, Ásia e América do Sul.

Se você pensa no máximo uma vez por mês, quiçá uma vez por semana, nos milhões de refugiados de guerra, que chegam em condições precárias na Europa, buscando fugir do inferno de suas vidas em seus países. Morrem nas fronteiras, por frio e por fome. Morrem afogados em naufrágios na tentativa de cruzar o mar. E quando alojados, vivem com uma esmola de ajuda de custo, e em muitos países, vivem somente com a ajuda de ONGs e doações.
E se, quando pensa nestes refugiados, logo diz “mas eles tem que resolver o problema nos países deles, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, EUA, não têm nada a ver com isso. A Europa não é OBRIGADA a aceitar essa imigração desenfreada. A Europa conquistou sua estabilidade, eles que conquistem a deles”.

Isso tudo não é culpa direta sua. A culpa disso é do SISTEMA.
O Sistema não se interessa em gerar uma comoção e revolta sua, quando o problema é num país pobre, pouco conhecido, e principalmente, quando este país tem uma política de resistência a este mesmo sistema ocidental. Por isso, os jornais e revistas não dão a devida cobertura. Por isso, o Facebook não disponibiliza aplicativos para você mudar a cor da foto. Por isso, ao procurar no google, os melhores artigos sobre tais fatos não serão listados no topo da lista. Por isso, seus amigos falarão pouco disso, o que gera pouca reação em cadeia, e tal notícia chegará de forma superficial e rala até você, se chegar.
Quem manda na informação e quem detêm o poder do Capital, não está interessado em “Impulsionar” tais verdades.

Tudo isso é assim, pois há motivos e interesses MUITO CLAROS por trás, interesses que determinam o que deve nos revoltar, e o que deve ser esquecido por nós. Determinam o que devemos ter conhecimento, e o que não deve chegar até nós.
E assim, manipulam o nosso saber, e nos fazem pensar exatamente da maneira que ELES querem que pensemos.

E por que temos culpa indireta?
Ora, pois somos seres pensantes. Se você tiver interesse, se você resolver conscientemente ativar o pininho do “humanismo”, da “ética”, da “solidariedade”, do “não-comodismo”, do “pensamento crítico”, da “sensibilidade generalizada”, do “auto-combate” contra o próprio orgulho, da “predisposição para construir novos valores” e “rever opiniões e formas de pensar”, dentro de você, e escolher por ABRIR SEUS OLHOS, você deixará de ser tão facilmente manipulado, e terá mais chances de entender o mundo, e fazer sua pequena parte para que este planeta se torne um lugar melhor no futuro, para nossos filhos, netos, bisnetos, etc…..

Mas enquanto você aceitar passivo que “ah, é assim, não posso mudar nada”, ou disser “ah, não é culpa minha, pelo menos demonstro minha tristeza e revolta com as mortes na França”; você estará abastecendo esse marketing predatório, imperialista, escravagista, que faz com que as riquezas do mundo, que são muitas, sejam concentradas nas mãos de menos de 0,001% da população do mundo, e que mais de 50% do mundo passe fome, ou viva em áreas de guerra.

E sim, junto com nossa falta de interesse, vem a questão do TEMPO. Sempre dizemos que “poxa, até entendo isso que você está dizendo, mas não tenho tempo de me informar a esse ponto”.
Eu digo: No mundo atual, globalizado e digital, ninguém tem tempo! Ninguém. Mas tempo a gente não tem, tempo a gente ARRUMA! Basta definir prioridades em sua vida, e bingo, achou tempo.

Obviamente, a falta de tempo é também um dos mecanismos do sistema para que não nos informemos, não nos preocupemos, não nos interessemos. Te sugam com cargas diárias de trabalho de 8 a 12 horas. Depois temos que malhar, fazer esporte, fazer compras, arrumar o equipamento estragado, visitar o amigo, cuidar da família, cozinhar, pagar impostos, resolver burocracias idiotas, pesquisar não sei o que na internet, programar as próximas férias, etc…. e nunca sobra tempo para pensar nas barbaridades do mundo.
A falta de tempo é uma das estratégias do opressor, para nos alienar. Simples assim!
Então, arrume tempo. Se interesse.
Sem sua participação, o mundo não vai melhorar, pelo contrário.

Sim, sinta-se mal, pois suas mãos estão sujas deste sangue.

* Aqui, um vídeo crítico sobre o ataque em Baghdad, e a ausência de solidariedade e revolta mundo afora com relação ao ocorrido. 
* E Aqui, um experimento muito bacana e didático, mostrando a força da publicidade e do dinheiro nas redes sociais. 

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio vídeo do youtube

 

CapturarSou um crítico convicto.
Do tipo de pessoa que critica inclusive aquilo que acredita e defende.
Ou seja, posso reescrever a frase acima para: sou um crítico da esquerda.

Quando me deparo com textos radicais, de ambos os lados, tendo a discordar mais que concordar com os argumentos lançados. Tomar os meios de produção, estatizar companhias estratégicas, coibir e reprimir oposições soam tão nocivas para mim quanto o conservadorismo, ou permitir que as “forças de mercado” livremente moldem a sociedade, ou privatizar a polícia e ainda a máxima do “garantir direitos individuais acima de coletivos”.

Obviamente, para quem me conhece ou acompanha este singelo blog, sabe que o vértice político-social (ou simplesmente, nosso lado “esquerda”) é muito mais forte.
E, como quem defende um lado mais fraco numa partida de futebol ou briga injusta, evitamos seguir criticando as mazelas da esquerda; não só porque cremos serem menores, mas também por conhecer o poderio “social destrutivo” do outro lado.
O que quero dizer é que: se por um lado sabemos pela história que o comunismo criou outras classes sociais e outras injustiças com seu totalitarismo, que o Estado não evoluiu como imaginado, passando de “transitório” a inexistente… por outro é certo que a injustiça social cada vez mais acentuada do capitalismo priva um número imenso de pessoas de acessos: de oportunidades de bons empregos à cultura, privando também o indivíduo da possibilidade de reação, por desconhecimento simples daquilo que o oprime.

Mas aqui, tomo o título emprestado de um dos capítulos da autobiografia de Martin Luther King para criticar o capitalismo e frisar o avanço do monstro “social destrutivo” representado por ele!
Em novembro de 2013, fizemos um post analisando um vídeo que mostrava, usando dados da ONU, que 2% da população mundial detinha mais dinheiro que os 98% restantes, ou ainda que 300 pessoas possuiam a riqueza de 3 bilhões, equivalente à metade da população mundial (link do post aqui).
Pouco mais de dois anos depois, um novo relatório da organização britânica Oxfam, ligada à ONU, mostra que a situação global se deteriorou ainda mais: agora, pela primeira vez, atingimos 1% da população do mundo possuindo o equivalente aos 99% restante. O estudo, com dados do Credit Suisse, mostra ainda que as 62 pessoas mais ricas tem o mesmo que os 50% mais pobres em riqueza. (link aqui para a notícia no site da bbc e aqui para visualizar o avanço assombroso do número nos últimos anos em gráfico – notícia em Inglês – o gráfico chama-se The wealthy few)

Pensar individualmente e priorizar ganhar a vida a construir uma vida, é fácil e factível para os que já se encontram confortavelmente instalados nas classes “AA” ou faixa dos 10% mais ricos de um país. Para aqueles que anseiam chegar lá, o coletivo é importante, muitas vezes imprescindível, quer seja via oportunidades para ingressar em cursos superiores, bolsas de estudos, programas de incentivo para o primeiro emprego ou auxílios diversos.

14014502Minha “opinião pirata” para os que criticam essa luta contra a desigualdade social, apontando vagabundos profissionais que literalmente “já estão com a vida ganha” com os incentivos governamentais, é simples e direta: inveja! É pura inveja e medo de perder o status de pequeno burguês, medo de dividir uma mesa do Fasano com um porteiro.
Aproveito para deixar outro recado a estes medrosos: fiquem tranquilos, pois isso está muito longe de acontecer! E a figura do post foi colocada propositalmente para o demonstrar; mesmo minimizando as diferenças entre as classes sociais, mesmo com crises, mesmo em períodos de estagnação econômica, haverá aqueles que seguirão tranquilos no topo da pirâmide. E, infelizmente, acumulando ainda mais riqueza, como mostra a evolução dos relatórios da ONU!

O economista Carlos Góes explica em entrevista que existem desigualdades boas e outras ruins, e que nosso modo de taxar o consumo castiga as classes menos favorecidas, transferindo na realidade dinheiro do pobre para o rico. Ele próprio defende os programas de transferência de recursos aos pobres como uma das soluções (aqui está a entrevista, depois de argumentos unilaterais contra o relatório da Oxfam. Sugiro que pulem para a parte de perguntas e respostas, notando que mesmo ao ser conduzido a concordar, o economista retoma a linha de raciocínio criticando o capitalismo e o enriquecimento desenfreado).
Se Venezuela, Brasil e Argentina foram “mães” para os pobres nos últimos anos, foram esses os programas responsáveis por alguma dignidade para as famílias e foram esses os governos que tentaram, de forma incompleta e muitas vezes equivocada, reduzir as desigualdades sociais dos países em desenvolvimento.

Para finalizar, deixo uma pergunta para reflexão: se pudesse escolher, você estaria nos 10% mais ricos de um país pobre ou nos 10% mais pobres de um país rico?
Quando eu paro para pensar, chego a conclusão que os pobres no país rico usufruem de uma “estrutura” talvez inexistente até para os 10% mais ricos do país pobre, como educação, segurança, saúde. Por outro lado, pertencer aos 10% mais ricos de um país pobre permite luxos impensáveis até aos ricos de países ricos, Pode-se possuir diversos carros importados, apartamentos em diferentes cidades, usufruir de serviços de mordomos, motoristas, empregadas domésticas, etc… Isso leva para outra análise: da riqueza absoluta versus a riqueza relativa.

por Celsão correto

Primeira figura retirada do site das publicações do Credit Suisse aqui. O site tem muitos documentos disponíveis para download. Usei o relatório de 2014.
A segunda figura veio daqui. A fonte no rodapé mostra “Datafolha, Novembro de 2013”. Época da nosso primeiro post sobre o tema.

 

FestaXPobrezaO Brasil parece estar chocado com a informação de que a escola de samba do Rio de Janeiro, Beija-Flor de Nilópolis, foi patrocinada pelo ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, com a quantia de R$10 milhões.

O que eu não entendo é o seguinte: por que tanto espanto?

Nós, adultos, já passamos da fase de nos eximirmos de culpa com a desculpa de falsa inocência ou desconhecimento dos fatos.

Olhem para aqueles carros alegóricos do Carnaval da Sapucaí. Quanto vocês imaginam que custa o projeto e construção de um carro destes? E as fantasias? (sei que muita gente “compra” a própria fantasia, mas isso não é regra, pois muitas fantasias a própria escola “banca”).

Óbvio que, para construir um desfile com chances de vitória, necessita-se de fortunas. E por mais que os participantes, integrantes, organizadores, façam suas próprias doações, isso está longe de cobrir as despesas. Ou seja, de onde vem o dinheiro? Do céu?

Não gente. O dinheiro vem de patrocínios, muitas vezes, de grandes empresas. E qual a grande diferença de ser patrocinado por um ditador da Guiné, ou pela Coca-Cola, ou McDonalds, ou Nike, ou Apple, ou Samsung, ou Alstom, ou Itaú, ou Burger King, ou Shell, ou Volkswagen, ou Kalashnikov?

A diferença é que, se o dinheiro vem diretamente do ditador, então fica clara a conexão deste dinheiro com a barbárie. Agora, se o dinheiro vem de uma grande empresa de petróleo, armas, indústria alimentícia, vestuário, tecnologia, bancos, é primeiro necessário pesquisarmos (mas a minoria se interessa por pesquisar, ler, se informar) para então percebermos como essas empresas fazem negócios sujos pelo mundo, desde um simples cartel com pagamento de propina a políticos e empresários, até a exploração de trabalho escravo, assassinatos, contaminação química em países de legislações degeneradas ou pouco desenvolvidas.

Mas no fim, é a mesma coisa.

E é ainda mais inocente pensarmos somente no desfile das Escolas de Samba, e esquecermos do resto das alegorias existentes no mundo, que servem para satisfazer nossas ostentações.
No futebol não é diferente, ou então, como é possível comprar jogadores por algumas dezenas de milhões de dólares? Como é possível sustentar um time que paga, em média, 200 mil dólares de salário por jogador por mês!? Já pensaram o que significa ganhar 200 mil dólares por  mês? Existe alguém no mundo que precisa ganhar isso para ser feliz? Qual a parcela de influência disso na desigualdade social e na fome do mundo?
Ou seja, é gente ganhando dinheiro demais, desnecessariamente, e muitas vezes, dinheiro sujo.

Escolas de Samba, futebol, BBB, prêmio do Oscar, prêmio Grammy, basquete na NBA, festa de réveillon da Globo, propagandas distribuídas em novelas globais e em filmes, e “circus” como os programas do Luciano H. e da Regina C.. Até que ponto tais eventos, esportes, programas, ultrapassam o limite de proporcionar diversão e alegria, e invadem a esfera da busca ilimitada por dinheiro, gerando barbáries mundo afora?

Fala-se muito de “Pão e Circo” quando o assunto é política. Mas o verdadeira tática de “dominação” pão e circo, aparece no nosso dia a dia, e ela só existe, pois há demanda/consumo, ou seja, VOCÊ, EU, NÓS, aceitamos, consumimos, e assim, corroboramos.

Se passarmos a ser mais exigentes e seletivos com nossos lazeres, a oferta também começa a melhorar em qualidade.
Novamente, parece que o segredo e solução está somente em um lugar: VOCÊ!

por Miguelito Nervoltado

P.S.: Complementando o texto, segue um excelente video e análise dos fatos pelo Bob Fernandes (aqui) e a declaração do sambista mais famoso da escola sobre o financiamento (aqui)

figura retirada daqui

FRANCE-ATTACKS-CHARLIE-HEBDO-MEDIA-FRONTPAGETodo o planeta acompanhou nessa semana uma massiva manifestação em Paris contra o terrorismo e a favor da liberdade de expressão e imprensa. Foi tão divulgada que é dispensável a colocação de um link.

Pouco quero falar sobre o ato execrável e criminoso dos irmãos, membros da rede Al Qaeda do Iêmen. Saliento somente que nenhuma religião, em sua síntese, prega atos violentos contra quem quer que seja.
O próprio Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, condena atos de blasfêmia somente cometidos por aqueles que foram “educados” na doutrina, ou seja, os castigos deveriam ser aplicadas apenas à muçulmanos (detalhes de estudiosos do livro aqui). Na prática vê-se que países mais radicais na doutrina, como o Paquistão, prendem e executam (cristãos inclusive) por profanar ou blasfemar contra Alá ou Maomé.

Eu queria focar, primeiramente, na liberdade de expressão e declarar minha “opinião pirata” sobre o assunto: liberdade completa e irrestrita de opinião e imprensa não existe!
Citando exemplos para ilustrar a frase acima…
– Será que a polícia francesa e seus 80 mil homens que buscavam os terroristas agiriam normalmente se manifestantes pró-terroristas fossem às ruas? Ou mesmo se membros dos direitos humanos pedissem clemência para os criminosos?
– O que aconteceria com um jornal satírico nos Estados Unidos após o onze de setembro, caso publicasse tirinhas exaltando Osama Bin Laden ou mostrando a estúpida e exagerada reação americana?
– No Brasil, que não é um dos países mais rígidos em termos de lei, proprietários de blogs na internet podem ser processados por comentários feitos por terceiros. Como alternativa, os comentários devem ser moderados ou cada post deve conter a isenção de responsabilidade, informando que a página não se responsabiliza… (blá, blá) que os comentários não representam a opinião do autor e editores… (blá, blá)
– Pra completar a lista de exemplos, Laerte, um dos maiores cartunistas brasileiros, declarou em entrevista (link)que não existiria um Charlie Hebdo no Brasil, por conta da pressão “bate-assopra” que cobramos uns dos outros aqui.

Isto posto, mesmo com a boa vontade de alguns governos e instituições de tolerar o humor ácido, as provocações e os insultos. Todos os habitantes do mundo não são iguais e é impossível prever a reação de uma pessoa a um ataque ou ofensa. Por exemplo, eu nunca faria charges provocativas contra religiões!
Seguindo essa linha, o ex-presidente francês, Jacques Chirac, criticou uma republicação do jornal Charlie em 2006, dizendo que “tudo o que fere convicções, sobretudo religiosas, de uma pessoa, deve ser evitado”. (a página em Inglês do Wikipedia mostra uma cronologia resumida das matérias polêmicas – aqui)
Mas o jornal, talvez em nome de sua independência (?), talvez apenas por buscar mais fama nas publicações controversas, não se importou com ameaças e processos e segue fazendo a mesma linha polêmica. Para quem quiser ver algumas das mais discutidas capas, segue link aqui (seleção feita com as 16 melhores, em Inglês) e aqui (reunidas pela Folha e UOL)

Voltando à frase “pirata” sobre a ausência de liberdade de opinião no mundo, alguns dos próprios líderes mundiais presentes em Paris na mega-manifestação, têm em seu passado marcas vergonhosas em relação à mídia e imprensa – veja levantamento aqui.
Dentre os hipócritas, estão primeiro-ministros, presidentes e ministros de relações exteriores. A matéria apresenta links para cada uma das acusações feitas.

Finalizando, posso ser cruel, mas não creio que um jornal de 30 a 60 mil exemplares atingiria os 5 milhões desta edição sem o atentado.
E… o que os “novos fãs” não pesam ao buscar o jornal no eBay e cultuar sua “independência” é a linha tênue entre a liberdade de expressão e a crítica ou mesmo preconceito contra a população muçulmana francesa, já estigmatizada.

por Celsão revoltado

figura retirada do portal UOL. Escolhi por ser uma capa inteligente e não apelativa quanto poderia ser.

P.S.: para quem quiser a edição digital, em PDF, no idioma original, segue link.

De volta ao trabalho

Posted: December 18, 2014 in Outros
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powrót-do-pracy1Bem… As eleições ocorreram há quase dois meses e, após elas, dadas as problemáticas discussões da reta final, amizades se romperam, disfarces foram descobertos e máscaras caíram. Mesmo com muita informação e desinformação, ficou aquele sentimento de que faltou muito a ser dito. E o pior, de ambos os “lados” atuais da política brasileira.

Embora eu já previra que o modus operandi das campanhas seria dos mais torpes e sujos possíveis (ver post aqui), me surpreendi com acusações infundadas, declarações confusas e por programas de negação ao Brasil; onde famosos passaram a fazer alusão a outros países, dizendo que fugiriam caso este ou aquele resultado se concretizasse.
Não discutirei minha escolha, nem farei apologia política nesse momento, mas preciso pedir desculpas pela “ressaca” inevitável que o stress eleitoral me causou.Tal ressaca, aliada à problemas pessoais e a falta de tempo, fez com que sumisse (ou sumíssemos) deste espaço que nos é tão importante e necessário.

Pra tentar encurtar todas as estórias “pendentes” do período, me revoltei com o trânsito, que piora a cada dia em São Paulo para os automóveis particulares, sem melhorar significativamente para os que utilizam transporte público, pois não existe uma política de médio prazo focada e estruturada. Sem citar as ciclo-faixas que surgem aleatoriamente.
Me revoltei também com a falta de educação das pessoas e a inatividade de outras, que insistem em dizer que “não adianta” ao invés de buscar alternativas, como a participação no plano diretor da própria cidade.

Me empolguei com as prisões de empresários do “lava jato” e com todos os 33 indiciamentos do escândalo de trens em São Paulo; mesmo sabendo que tudo aconteceu em primeira instância e que mesmo condenados, levará tempo para que algo mude; pois infelizmente toda a nossa “estrutura” judicial é pesada e lenta e, além disso, existem advogados muito competentes em desconstruir processos com base em pequenas falhas.
Quanto à Petrobrás, que merece post a parte, é estranho como tentam desestabilizar o governo através da reputação de uma empresa problemática sim, mas longe de ser descartável.

Me surpreendi com os trâmites da aprovação da LDO pelo governo; e mais ainda com a reação da oposição (aqui, especificando claramente, o senhor Aécio Neves), que se absteve da votação e não compareceu na manifestação que convocou. Mas não me surpreendi com o Bolsonaro, ícone da direita burra, que insiste em pregar o mais tolo conservadorismo retrógrado.

Acompanhei a crise russa, iniciada pela crise na Crimeia e agora intensificada com as manobras do petróleo; manobras capitaneadas pelos Estados Unidos, que viram que o boicote inicial não surtiria o efeito desejado. Como polícia e protetores do mundo, os gringos seguem “passando pano” para expansões do território israelense, através de invasões ilegais a territórios palestinos.

Enfim… caríssimos leitores… esse pequeno post é mais um pedido de desculpas de um ser preocupado com o entorno, que passou por um período complicado, mas que está empolgado e pronto para “voltar ao trabalho”.
Que venham mais revoltas, empolgações e surpresas boas e ruins. Só assim seguiremos nos informando e crescendo!

por Celsão correto

figura retirada daqui

A fome no Brasil

Posted: October 20, 2014 in Política, Sociedade
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Fome_Onu_Brasil_01

Hoje, buscando fontes de maior confiabilidade sobre o Mapa da Fome do Mundo, encontrei o site do “World Food Programme”, parceiro da ONU no combate à fome no mundo.

Neste site encontra-se o mapa da fome no mundo (figura acima). Para acessar ao site do World Food Programme, clique AQUI (acessando o link, basta clicar no download do mapa em PDF).

Percebam que os países em verde claro, são os países que possuem menos de 5% da população vivendo em condições de Fome. O Brasil superou estes 5% desde 2006. Hoje, em 2014, o mais atualizado mapa da ONU aponta para 1,7% da população brasileira vivendo em condições de fome, o que representa 3,5 milhões de pessoas, frente a aproximados 40 milhões em 2001.

Ainda há muito o que ser feito, pois 3,5 milhões de pessoas em miséria absoluta, passando fome, é algo lamentável. Mas também há muito o que ser comemorado, pois tiramos 35 milhões de pessoas destas condições, em 12 anos.
O Brasil ainda foi apontado pela ONU como exemplo a ser seguido, devido ao sucesso de programas como Bolsa Família, merenda escolar para 40 milhões de alunos, geração de emprego, valorização do salário, entre outros.

obs.: A todo mundo que tem ojeriza às palavras “esquerda”, “programas sociais”, “socialismo”, etc, notem que Cuba e Venezuela pertencem também ao seleto grupo de países latino-americanos que não sofrem com a fome crônica.

Clique AQUI e assista um trecho das reportagens da Globo em 2001 sobre a fome no Brasil.

Clique AQUI para ler sobre o relatório da ONU e os resultados conquistados pelo Brasil.

por Miguelito Formador

Palestina_devastadaDeixa eu ver se entendi direito…
Quase um mês de confronto em Gaza e agora me aparece o Obama dizendo que mandará 225 milhões de dólares para o sistema de defesa anti-aérea de Israel?
É isso mesmo?

Nem quero falar do passado, das invasões, da criação do Estado de Israel com o “deslocamento forçado” dos palestinos, falemos só dessa última etapa desta “luta contra o terror”.

Inúmeros alvos civis foram atingidos; de acordo com a versão oficial buscavam-se trinta e poucos túneis secretos que levariam ao território Israelense. Entre os alvos civis, 142 escolas foram bombardeadas, sendo 89 delas escolas-refúgio da ONU. Ou seja, mesmo que houvesse um túnel ali, saindo daquele ponto, este túnel não deveria necessariamente ser explodido numa escola, certo?
A própria Unicef calcula que 408 crianças morreram, 2500 ficaram feridas e mais de 370 mil precisarão de apoio psicológico para transpor o trauma (fonte: Unicef).
E isso só pra citar as crianças! Inocentes e indefesas crianças!
Na fonte da Unicef há uma curiosa comparação: pela extensão territorial e densidade populacional, se fosse feito nos EUA, seria como assassinar 200 mil crianças!

Como pedir que estes jovens sobreviventes a tais ataques não odeiem Israel, os Estados Unidos, e, generalizando, o Ocidente?

Como pode um país com a terceira força bélica do mundo, manter um cerco desumano em Gaza por quatro semanas e assassinar mais de 1800 pessoas? E ainda manter a cara-de-pau de bradar ao mundo que os palestinos também mataram israelenses? (a contagem oficial fala em 67, sendo somente três civis)

Como puderam atacar durante um cessar fogo combinado de sete horas para ajuda humanitária, atirando um míssil e matando mais de 50 pessoas?

Como podem os “pobres judeus” ainda se dizerem perseguidos e dependentes de apoio do “primo rico” Estados Unidos após tantas atrocidades?

232512_630x354Li nalgum lugar e repito aqui: é até cômico ver o povo judeu fechando um cerco a outro povo, deixá-lo sem energia elétrica, saneamento básico, comida, ou seja condições dignas e infringi-lo com mísseis de longo alcance a alto poder de destruição.
É o novo campo de concentração! E permito-me dizer: não deixa nada a desejar a Auschwitz! Dada a dessemelhança de condições, poderio bélico e financeiro.
Longe de mim pregar o anti-semitismo. Não odeio os judeus, nem Israel. Mas foi desproposital, desumano, desnecessário…

Uma professora especialista em Oriente Médio declarou que estamos diante do terceiro grande deslocamento populacional palestino da história. O primeiro foi na instituição de Israel (em 1948), a segunda com a ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia em 1967 e neste deslocamento, tem-se 400 mil pessoas deslocando-se da fronteira arrasada para o centro de Gaza.

Não creio que verei a paz entre esses povos, tampouco a devolução da Cisjordânia ou a legitimação do Estado e Povo Palestino por Israel. Mas o que me emputece é ver o apoio unilateral dos EUA a Israel; pois mesmo sabendo que toda ajuda humanitária se faz necessária em Gaza no mesmo momento (a agência das Nações Unidas pediu ajuda de US$187 milhões para reconstrução e suporte aos que se deslocaram – aqui), decidem enviar US$225 milhões para o sistema de defesa “Iron Dome” israelense (notícia aqui – em Inglês).

por Celsão revoltado

figuras retiradas do próprio vídeo sobre a ajuda solicitada pela ONU (aqui) e daqui

P.S.: dois links de leitura rápida: sobre o rompimento do cessar fogo de sete horas (aqui) e a opinião da ONU (infelizmente inoperante) sobre o ataque às escolas da própria ONU (aqui)