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ColoniaNa cidade de Colônia – Alemanha, na noite de réveillon de 2015/2016, na praça principal da cidade, em frente à famosa catedral, houve uma série de acontecimentos lamentáveis.

Nos vídeos amadores disponíveis no Youtube, e que também foram utilizados em noticiários televisionados, era possível ver dezenas, talvez centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, aparentemente bastante alcoolizados, e atirando fogos de artifício em todas as direções, e com frequência, na direção de grupos de pessoas.

Rojões explodiam no meio da multidão, outros miravam os fogos na direção oposta da praça, e eram respondidos com outros fogos vindos do outro lado. Cenas de caos, falta de responsabilidade e cidadania completa. (Como exemplo, escolhi um vídeo: clique AQUI)

Contudo, não foi esse episódio que assombrou a sociedade alemã, mas sim algo bem mais polêmico, e ainda mais lamentável.
Segundo o relato de algumas dezenas de pessoas/vítimas, a maioria delas mulheres, grupos de homens com aparência árabe ou norte-africana, passaram a realizar, no meio deste caos, agressões sexuais contra mulheres e também assaltos. As agressões variavam de acordo com os relatos, e iam desde toques nos cabelos e braços, até chegando a tocar as partes íntimas da vítima por dentro da roupa. Houve até um relato de estupro.

Se realmente os relatos forem verdadeiros (muito provavelmente o são), esse episódio marca uma noite lastimável e bárbara na história da cidade de Colônia. Sequer me darei ao trabalho de debater machismo aqui, mas me limitarei a dizer o óbvio: o que aconteceu foi, acima de tudo, crime! Um crime bárbaro onde o criminoso não só desrespeita a lei, mas desrespeita, por completo, o próximo enquanto ser humano. É um crime que mostra um transtorno ético e desvio de conduta simplesmente inaceitáveis!

Dito tudo isso, vamos ao que se desenrolou após tal noite.

Esse acontecimento se popularizou e tomou os debates jornalísticos e nas redes sociais. Prós e contras rapidamente surgiram, alguns mais coerentes, outros mais bárbaros que o acontecimento em si.

Grupos de extrema-direita ou nazistas utilizaram-se do episódio para legitimar seus discursos racistas e xenófobos. Esses mesmos grupos passaram, mais que rapidamente, a escrever em seus jornais, blogs e redes sociais, que os autores dos delitos eram “refugiados”, e a partir desta afirmação especulativa e discriminatória, enfatizaram o discurso de “Alemanha para alemães, fora refugiados, fora estrangeiros”. E o que mais assusta não é ouvir nazista dizendo isso, mas sim ver grupos de pessoas mais neutras (em cima do muro), ou simplesmente mal informadas, passando a concordar com tais ideias. Gente que não participa de movimentos do Pegida, não aprova ideologias nazistas, etc, dizendo: agora esses refugiados passaram dos limites!

É incrível ver como as pessoas, quando se sentem ameaçadas, afrouxam seus valores, sua ética, e sua racionalidade, e passam a pensar e agir de forma emocional e reacionária (reação a uma ação). E não estou falando de gente com pouca escolaridade somente, estou falando de acadêmicos, com curso superior, mestrado, doutorado, pessoas que teoricamente leem jornais diariamente e se julgam não-alienados.

Na internet se lê: “Angela Merkel é culpada, queremos sua cabeça.” “Culpadas são as feministas, que gritam devido a piadas, mas nada fazem frente a algo grave como o episódio.”
Grupos de homens de direita propõem na internet, organizar ônibus de homens para irem a Colônia “defender as mulheres brancas”. Outros grupos planejam reação em massa ao ocorrido, com vingança e justiça com as próprias mãos, inclusive com ataques a abrigos de refugiados.

Muitos se perguntaram: e a polícia, por que não fez nada?
Eu também pergunto isso, afinal, segundo parecer policial, nos arredores da praça havia cerca de 200 policiais, cerca de 1000 pessoas festejando e aconteceram dezenas de delitos, praticados por aproximadamente 60 homens. Se nada foi visto por qualquer policial, há algo estranho, a conta não fecha. Porém eu prefiro esperar mais informações mais completas, antes de especular.
Já aqueles que querem tirar proveito da situação, começam a afirmar que “a polícia está entregue à máfia de estrangeiros”, ou “a polícia tem medo, e finge não ver”, etc. Argumentos, ao meu ver, absurdos, sem nexo, e desprovidos de qualquer vínculo com a realidade alemã.

Li, e ouvi da boca de conhecidas: “eu estou com medo, passarei a tomar mais cuidado nas ruas da Alemanha”, ou “a Alemanha sempre foi tão segura, agora tá assim”.
Tudo bem, entendo o receio, mas essa sensação de estado apocalíptico de segurança pública, é impulsivo e emocional. É como se em uma cidade do interior o Brasil, com 100 mil habitantes e com 20 homicídios/ano, acontece um atentado terrorista num baile de formatura e morrem 200 pessoas. Então alguém vem e diz: estou muito inseguro pois a criminalidade da cidade subiu 1000%.
Não, a criminalidade, ou número de homicídios, não subiu, só pelo fato de um maluco, uma vez na vida, ter resolvido explodir um clube.

Ouvi inclusive da boca de brasileiras o mesmo sentimento de insegurança. Então perguntei: “você pretende voltar ao seu país ainda? Pois se está com medo de andar nas ruas da Alemanha, é melhor construir uma fortaleza no Brasil”.

Conversando com dois irmãos alemães, que conheço destes bares da vida, escutei que esse acontecimento é uma prova de que chegamos no limite. Eles me disseram que em Berlim há bairros onde a polícia não pode entrar, dominados por estrangeiros (sério?). Em 20 anos a Alemanha será um país muçulmano, e eles pretendem fugir para o Uruguai em breve (ou seja, eles serão os estrangeiros).
Eu os indaguei, educadamente sobre alguns pontos. Mesmo recebendo respostas em tom agressivo, mantive-me calmo e pacífico. Num certo momento falaram de “adaptação à cultura alemã”. Eu disse concordar que um estrangeiro deveria se adaptar à cultura do país, mas que é preciso tomar cuidado, pois adaptar-se 100% é impossível. Um deles discordou e começou a gritar “se não for 100%, tem que ir embora!!!”. Então eu disse: Eu não me sinto 100% adaptado, no máximo uns 80%.
Ele ficou furioso, disse que eu estava falando besteira, e que eu estou sim 100% adaptado. Então perguntei se ele sabia mais de mim que eu mesmo. A conversa fugiu do controle, e entendi que era melhor eu ir para minha casa.

Um dos argumentos mais utilizados para justificar o discurso de que os delitos foram cometidos por estrangeiros (ou refugiados), foi o do “choque cultural”. Afirma-se que os muçulmanos entendem que uma mulher com roupa curta, ou apertada, está se oferecendo, e portanto, podem fazer o que quiserem com elas.
Se isso fosse verdade, deveríamos ter taxas de estupro e de assédio sexual aumentando progressivamente na medida em que mais muçulmanos chegam na Alemanha. Mas este não é o caso (pelo menos não conheço tais números). O que ocorreu, se ocorreu, não foi choque cultural, mas sim um acontecimento pontual, um crime premeditado e planejado por um grupo de “pessoas”.

Outra afirmação corriqueira é: “a lei deve ser aplicada para todos!” Ora, alguém espera algo diferente disso caso o resultado aponte das investigações aponte para estrangeiros? É óbvio que a lei de um país vale para todos que ali estão.

Resumindo: É preciso esperar o parecer da polícia e o resultado das investigações. Caso o narrado tenha realmente ocorrido da forma como colocado no depoimento das vítimas, e caso culpados sejam encontrados, a lei deve ser aplicada rigorosamente a eles, somando-se todos os tipos de crimes praticados durante estes delitos (roubo, atentado ao pudor, estupro, etc).

Se os culpados foram estrangeiros, ou refugiados, é preciso também investigar as motivações e entender como ela foi planejada, e o porquê da mesma. Exatamente o mesmo processo deve ocorrer, caso conclua-se que alemães também estão envolvidos.
Uma vez conhecidas as motivações e objetivos destes grupos, é preciso que as instituições públicas tomem atitudes rápidas para evitar que novos episódios como esses ocorram.

Qualquer coisa que fuja do descrito acima no último parágrafo, é uma tentativa de utilizar-se de um episódio para legitimar ideologias. Quem assim o faz, não está preocupado com as vítimas, não busca justiça, não tem empatia, não quer soluções racionais; eles só veem uma oportunidade de propagação de suas ideias radicais, uma oportunidade para legitimar seu racismo e sua xenofobia, uma oportunidade de conquistar adeptos, neste momento mais frágeis e carentes de proteção, para comporem o quadro de novos-nazistas europeus.

Sim, talvez a solução seja fugir para o Uruguai; quem sabe sim, fugindo dos muçulmanos, mas mais provavelmente, fugindo dos próprios alemães.

por Miguelito Formador

Algumas fontes de informação na mídia e em blogs alemães: Aqui, Aqui e Aqui

figura retirada do próprio link do Youtube

NazismoO resultado das últimas eleições do parlamento Europeu, nos trouxe preocupação. Pra quem não acompanhou, partidos de extrema direita, ou ultranacionalistas, conseguiram um número considerável de cadeiras, crescendo bastante em participação total desde as últimas eleições.

Na minha opinião é muito cedo para dizer se isto é uma tendência da política européia, abandonar a social-democracia e focar mais ainda no capitalismo/liberalismo ou se é algo momentâneo, reflexo da crise instaurada em toda a Zona do Euro; cuja palavra da moda, austeridade, vem tirando empregos e piorando condições sociais nos países menos desenvolvidos do bloco em prol do bloco em si. Aliás nem sei se minha classificação destes ultranacionalistas como capitalistas está correta.

De qualquer modo, é assustador pensar que uma sociedade altamente evoluída e um mercado livre, capitalista, estabelecido e tecnológico expulsarão imigrantes ou cercearão seus direitos legalmente.
Mesmo tomando este resultado inesperado como algo momentâneo, o que a alta abstenção nesta última eleição explica, como “trazer de volta” o povo que não votou? Como saber se as prováveis medidas e leis “nazistas” são aceitas por todos? E independente disso… Como seguir crescendo como mercado comum, anexando outros países, sem a participação destes (e do resto do mundo) na economia e ao mesmo tempo, diminuindo o desemprego e aumentando a renda?

por Celsão correto

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Esta ascensão do Nazismo na Europa é ainda mais preocupante, uma vez que se dá de forma institucional, dentro da política. Vários países viram uma elevação da representação nazista e/ou da extrema direita entre seus parlamentares no parlamento Europeu.
Em paralelo, uma crise econômica, política e social na Zona do Euro, gerando desemprego, insatisfações, reduções de direitos trabalhistas, e ferindo direitos humanos. Essas crises, como já é sabido, são fermento para inflar ainda mais ideologias e comportamentos extremistas, como o nazismo e fascismo, no caso. Portanto, a crise no Euro mostra que o nazismo provavelmente continuará crescendo.

Ainda devido ao ocorrido, podemos fazer uma crítica a abstenção política, a cruzar os braços, a não agir, a não participar do processo democrático, a não votar ou votar nulo. Claro, não pretendo aqui falar que os impactos de se votar nulo ou se isolar da política na Europa, é o mesmo impacto de quando se faz isso no Brasil. Tampouco quero colocar todos os que optam pelo voto nulo num mesmo balaio, pois sei que tem gente muito bem esclarecida com motivos para fazê-lo. Mas me entristece saber que, ao votar nulo, a pessoa, principalmente aquela provida de conhecimento político e de ética-social, está abrindo espaço para que o “mais pior” vença, pois se exatamente essa pessoa votasse, certamente, ela não escolheria o “mais pior”, o que enfraqueceria o mesmo e reduziria suas chances de vitória.

Outra reflexão que podemos fazer aqui é sobre a eficiência da democracia. Vemos aí países com mais de 20% de representação nazista. Imaginem se chegarem a 30 ou 40% (o que está bem próximo). Basta fazerem algumas coligações/alianças com outras alas radicais ou que comunguem de alguns interesses em comum, e boom, têm mais de 50% de representação no Parlamento. E aí, é ético, legal, democrático, justo, evoluído, termos governos nazistas em pleno século XXI ascendendo através de um processo “democrático”? Quais as consequências disso para nosso futuro?

A seguir, um texto com a análise detalhada das eleições, extraído do Facebook, na página chamada “Uma Página Numa Rede Social”

Na França, a Extrema-Direita foi a grande vencedora das eleições europeias. O Secretário Geral honorário da Frente Nacional – o partido vencedor – disse, há poucos dias atrás, que o vírus do Ébola resolveria o problema da imigração na França em três meses. O mesmo sujeito disse que as câmaras de gás na II Guerra Mundial foram apenas um pequeno detalhe do regime nazi.

Na Alemanha, o NPD, Partido Nacional Democrático, também conseguiu lugares no Parlamento Europeu. Este partido neo-nazi defende que a Europa é um continente de pessoas brancas, quer expulsar os estrangeiros que vivem e trabalham na Alemanha, e levam para os seus comícios bandeiras proclamando a ideologia nazi do “Nacional Socialismo”.


Na Grécia, os ultra-nacionalistas da Aurora Dourada também conseguiram lugares no PE. O porta-voz do partido enverga, orgulhosamente, uma suástica tatuada no ombro, exclamou que o país tem de libertar-se da escumalha, referindo-se aos imigrantes na Grécia, e vários dirigentes do partido estão actualmente detidos, condenados por crimes de ódio. Foi o terceiro partido mais votado na Grécia.

Na Finlândia, o Finns foi um dos partidos que também assegurou lugares no PE. Este partido defende que só os verdadeiros finlandeses têm o direito a viver no país, quer expulsar os muçulmanos do território nacional e quer proibir a união de casais do mesmo sexo.

Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês teve quase 27% dos votos e duplicou o seu número de eurodeputados. A fundadora do partido defende que a imigração na Dinamarca não é natural nem bem-vinda e alega que os imigrantes na Dinamarca só poluem o país com guerras de clãs, assassinatos e violações.

Na Holanda, o Partido da Liberdade, da Extrema-Direita, conseguiu quatro lugares no PE. O líder do partido quer expulsar todos os muçulmanos do país e já tem tentado formar alianças com outros partidos ultra-nacionalistas de outros países, tentando promover leis europeias de maior controlo de fronteiras e restrição da livre-circulação de cidadãos europeus na Zona Euro.

O Jobbik, na Hungria, é um partido neo-nazi que defende que os judeus que vivem na Hungria devem estar sujeitos a um registo especial, que os sujeite a controlos regulares, pois consideram que os judeus constituem um risco para a segurança nacional. Vários dirigentes do partido também já referiram que gostariam de ver a raça cigana erradicada do planeta. Conseguiram 14,7% dos votos nestas eleições.

Na Áustria, o partido da Liberdade Austríaca aumentou a sua representação no PE para o dobro, conseguindo dois eurodeputados. Este partido, de ideologia ultra-nacionalista, defende que os estrangeiros na Áustria devem voltar para os seus países e que a Áustria não tem lugar para mais imigrantes.

Na Itália, os Lega Nord conseguiram 6% dos votos. Um dos seus eurodeputados disse que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.

Pela primeira vez, o Parlamento Europeu terá um bloco inteiro constituído por partidos da Extrema-Direita, ultra-nacionalistas, defensores da saída dos seus países da União Europeia.

O elemento comum a todos estes partidos é a ideologia fundamentada pelo preconceito racial e xenófobo. Agora, esses grupos têm uma representação europeia forte, que poderá ser decisiva durante os próximos anos, na aprovação e rejeição de muitas das leis que influenciarão a política dos Estados-Membro, incluindo Portugal.

A apatia em relação à política, que se traduziu em níveis massivos de abstenção por toda a Europa, abre espaço para estas dinâmicas eleitorais.
A todos os que se abstiveram, alegando que nenhum dos partidos do boletim de voto os representava, tenham o seguinte em mente: “democracia” não é escolher apenas o partido dos vossos sonhos, que irá realizar todas as políticas que vocês gostariam de ver realizadas. A democracia acontece quando a maioria escolhe o partido cujos valores que mais se aproximam dos valores que o eleitor gostaria de ver defendidos. Não estamos a escolher o partido perfeito, estamos a escolher o mal menor.

E o que acontece quando não nos damos ao trabalho de escolher um mal menor? Ganha o mal maior, como aquele representado pelos neo-nazis que, agora, passarão a influenciar a orientação política europeia.
Com quase 70% de abstenção em Portugal nestas eleições europeias, aqueles que ficam de braços cruzados, dizendo que votar nada irá resolver, têm mais é de abrir os olhos e ver o que está a acontecer à sua volta.

por Miguelito Formador

figura retirada da página Uma Página Numa Rede Social do facebook