Posts Tagged ‘ódio’

Começo explicando o título, que vem do poema-figura desse post. O poema é de Ruy Proença, e o encontrei aqui

Os fatos da atualidade me causam estranheza e perplexidade.
Nenhum fato divulgado, por qualquer veículo de imprensa, tem a capacidade de chocar, de fazer pensar, de provocar cisma ou medo, de incitar arrependimento ou reconsideração.
Minto. Nenhum fato que seja contrário ao idealismo atual, ao conceito de verdade, ao que acreditamos.

É como se tivéssemos bloqueado nossos ouvidos para as opiniões contrárias.
Como se o ódio substituísse a razão.
Como se soubéssemos tudo sobre tudo. E sequer respeitássemos opiniões diferentes.

(…)

Por um lado, considero compreensível.
Nos encontramos em um “novo período do conhecimento humano”.
A tal da “pós-verdade” recriou uma nova maneira de entender as coisas, baseado no que se quer acreditar e em truques apelativos para enfatizar, ou fazer valer o pseudo-fato.
O termo, inclusive, existe há alguns anos e foi “turbinado” recentemente, graças às mídias sociais. (Nos links a seguir, a definição na Wikipedia e no Dicionário Informal)

Na pós-verdade, tem-se um desmedido apelo emocional aliado à hermenêutica (interpretação de fatos) que cria versões distorcidas e transfere aos fatos, ou verdades, uma importância secundária.
Vê-se isso em vídeos de propaganda espalhados via WhatsApp.
Vimos isso, recentemente, na distorção proposital das declarações de Cid Gomes e Mano Brown; distorções (ou pós-verdades) criadas por apoiadores de Bolsonaro.

Explicando…
Mesmo que ambos tenham criticado a campanha de Haddad e o próprio PT com razão, veemência e com fatos… não são eleitores de Bolsonaro!
E recriar ou reproduzir os discursos com subtítulos categóricos e emocionais de: “chega de esquerda”, ou “fora PT”, distorce a mensagem que os interlocutores desejavam passar.

No artigo que destaco aqui, assinado por Paolo Demuru no Nexo, o autor destaca correlaciona quatro estratégias dos apoiadores do candidato Jair Bolsonaro à semiótica, atribuída a Umberto Eco por ele como “a disciplina que estuda tudo aquilo que pode ser usado para mentir“.
Abaixo destaco as quatro estratégias:
Objetividade aparente: simplificação de um fato à uma parte que atenda aos objetivos.
Edita-se um trecho de vídeo, declaração ou texto, focando em algo contundente, mas com significado reduzido ou também, diluído do contexto de onde estava inserido.
É o caso da declaração em vídeo de Mano Brown: se os apoiadores de Bolsonaro tomassem, por exemplo, a frase dele “Eu tinha jurado pra mim mesmo nunca mais subir em palanque de ninguém” a rigor, saberiam que a interpretação implícita é: “mas estou aqui, no palanque do Haddad, pois acredito ser a melhor opção contra Bolsonaro“…

A “minha verdade” ou as auto-verdades: vídeos autorais, de pessoas que se identificam, mostram a cara, trazem veracidade e cumplicidade ao discurso, há uma identificação própria e, com isso, um “aumento da realidade”. Mesmo que o discurso não seja factual.
Um pastor evangélico que afirma uma taxação das igrejas, um militar que tem informações privilegiadas do diretório do PT e “sabe” que verbas serão reduzidas, um empresário que afirma que a crise é advinda do governo Lula, um representante das minorias ignorando discursos prévios e ratificando seu apoio ao Bolsonaro…

O êxtase passional: onde maiúsculas, alterações de voz em vídeos e áudios, exclamações dão o tom dramático e transferem ao emocional decisões que são absolutamente racionais.
Esse é a principal estratégia dos grupos de WhatsApp, juntamente com a estratégia temporal a seguir.

A urgência: aqui o tempo é agora! O compartilhamento deve ser feito o quanto antes, e para todos os grupos, para todos os contatos, para que “o PT não volte”.

(…)

Não importa se é uma verdade construída, se há dissonância em relação à verdade. O que importa é mostrar, e difundir, o meu ódio e o meu desacordo.

Aliás, uso os apoiadores de Bolsonaro como os maiores utilizadores das mídias sociais para as pós-verdades e a difamação e os de Fernando Haddad como as maiores vítimas, pois são diversos os relatos na própria mídia dessa supremacia. Aqui e aqui estão exemplos do grupo Exame e do jornal El País, correlacionando o compartilhamento de Fake News em sua maioria por apoiadores do PSL. Sem citar o recente escândalo da campanha patrocinada por empresários…
Sei que o “outro lado” também o faz, o PT e seus apoiadores também espalham boatos tentando se beneficiar por isso. É lamentável.
Mas não creio que eu precise contrabalancear o exemplo, já que tomo a maioria.

Também do lado derrotado (já me dou por vencido), observamos paredes nos ouvidos.

Mas compartilho uma máxima que ouvi recentemente…

Entendo os que votam em Bolsonaro por serem contra o PT. Entendo os que votam no PT por serem contra o Bolsonaro.
Tenho dificuldades de entender os que votam neles por gostarem deles e se identificarem…

Como escrevi recentemente, aqui, julgo ser essa a pior eleição em termos de escolha, que enfrentamos.
Certamente, pra mim, são os piores candidatos possíveis dentre as opções que tínhamos no primeiro turno.

Finalizo com um pequeno texto, recebido via WhatsApp, que faz analogia entre o período que vivemos hoje e o mito da caverna, de Platão…

Imaginem várias pessoas presas num grupo de WhatsApp. Se alguma delas [acordasse to transe] conseguisse fugir e trouxesse verdades do mundo exterior, traria luz e razão aos prisioneiros, mas seria tida como mentirosa e, certamente, duramente agredida.


por
Celsão correto.

figura retirada daqui.

 

Dormi cansado.
A rotina de quem está com um familiar internado definitivamente não é fácil. O stress mental se junta ao cansaço físico e “desmonta” até os mais resilientes.

Eis que passos me despertam.
Como o apartamento é daqueles com piso de madeira antigo, que se expande e retrai, surrado pelo tempo, é quase impossível andar ser sem percebido.
Pensei comigo: “receberei uma visita do filho mais velho. É abraçá-lo e seguir dormindo.”

Mas então o ouvido encontra a razão real de haver despertado: os passos são bruscos, noutro apartamento, e estão acompanhados de gritos.
Como um que não quer se deixar despertar completamente, forço a consciência a esquecer o episódio ou incorporá-lo num sonho qualquer.

Não dá certo. E sem querer crer no que ouço, escuto a palavra “Bolsonaro“.
Tento mais uma vez (re-)dormir. Mas as vozes falam alto…
“Chega! Sai daqui!”
“É uma vergonha essa discussão numa hora dessas” – o relógio marcava 1:30.
“Eu não quero mais ouvir falar em Bolsonaro nessa casa” – pausa com um som inaudível, provavelmente em resposta – “Nem Bolsonaro, nem Haddad. Chega!”

Nossa! É um casal de namorados repreendido pelo pai de um deles… certo?
“Vá já para o seu quarto!”
Irmãos! Corrijo a subjeção anterior.
“Enquanto morarem nessa casa vocês tem que me respeitar e respeitar o que eu disser…”
O suposto pai fala mais alto que os demais. Está tão exaltado que a voz já se encontra rouca e muita raiva, ódio até, pode ser percebida em seus berros.

Como pudemos chegar nesse ponto? A privação de raciocínio e o ódio alimentado e retroalimentado estão causando irracionalidades.
Não é privilégio dessa família. Cada um tem o seu caso para contar nessas eleições 2018. Alguns envolvendo parentes e amigos bem próximos.

A mente desperta de vez e repenso a definição de democracia, talvez esquecida pelo próprio povo, que a compõe.
Democracia vem do grego: demos é o povo e kratos significa poder. (Wikipedia)
E embora na Grécia antiga fazia oposição à aristocracia. E embora tenha representado um contraste à monarquia e à oligarquia posteriormente… hoje se define como o regime oposto a ditaduras e tiranias. Prega-se que há liberdade de trocar os líderes na democracia, pelo clamor ou decisão popular.

Pois bem, como favorável a democracia que sou, aceito e aceitarei a escolha das urnas do próximo dia 28/10. (mesmo tendo escrito aqui, que ambos os postulantes sejam as piores escolhas possíveis no momento).
Me é estranho ver reclamações do PSL sobre as urnas eletrônicas, como em aqui. Foram essas urnas que contabilizaram número recorde de votos para seus deputados federais e estaduais.
Da mesma forma como me serão estranhos e condenáveis as passeatas e manifestações que virão pós-pleito, motivado pelo lado derrotado.
Se estamos numa democracia. Se a prezamos. O que a maioria escolher deve ser acatado por todos!

Parêntese para uma pesquisa divulgada recentemente.
Foi perguntado a brasileiros qual o melhor regime e a democracia teve aprovação recorde: 69%. (notícia aqui)
As outras opções eram ditadura (12%) e tanto faz (13%). Mesmo que, dentre os eleitores de Bolsonaro, 22% prefiram a ditadura, a maioria, 64%, diz preferir a democracia.

Por que então as cenas de ódio e a polarização estúpida se repetem e certamente se repetirão nas ruas e nas famílias?

Achei um excelente artigo publicado no Nexo em 2016, em plena polarização de impeachment ou pós-eleição de 2014; polarização esta entre PT e PSDB ou entre Dilma e Aécio (artigo aqui).
Sociólogos, psicólogos e cientistas sociais enumeram os elementos que podem trazer o comportamento violento relacionado a manifestações políticas. Tristemente temos, novamente, todos estes elementos presentes:
– Descrença na eficiência da política tradicional – há tempos não temos confiança no modo como fazemos política no Brasil: os conchavos e favorecimentos, as nomeações, os partidos de aluguel, o fundo partidário advindo da reforma política mal feita, etc.
Polarização de opiniões – o voto de ódio fez os eleitores esquecerem-se das propostas dos demais candidatos. E eram muitos, de todo o espectro de orientações políticas.
– Choque moral – corrupção e desvios (acusação ao PT) versus homofobia, racismo, sexismo, entre outros (contra o PSL e Jair Bolsonaro)
Um alvo específico – ambos os lados têm um: Lula versus o próprio Bolsonaro.
Desigualdade social – é um grave problema. Ignorado como elemento de conflito por muitos, até então. Ricardo Azevedo escreveu sobre os motivos que fizeram e fazem os mais necessitados votarem no PT (aqui). Criticando a elite, que preferiu “tiro, porrada e bomba” ao diálogo e avanço pragmático de médio prazo.

O radicalismo não trará qualquer avanço necessário e imprescindível à Nação.
Se pararmos para ouvir, conseguimos (até) encontrar pontos positivos nas duas propostas de governo. O PT fala em combate à corrupção. O PSL fala agora em expansão de investimentos em programas sociais.

Difícil de acreditar? Talvez.
O que penso é que nosso papel seja o de, apenas, aceitar o desejo do povo e protestar sobre o que não concordamos. Sem destilar ódio.
Que o protesto seja, antes de tudo, possível, depois sadio e constante. É impossível concordar com tudo! E é igualmente impossível rejeitar tudo!

Para acabar: eleição sem Lula não é fraude.
E, de forma semelhante, caso o PT ganhe nas urnas [eletrônicas], não será fraude.
E que todos os argumentos do vídeo abaixo sejam abnegados e rechaçados.

por Celsão revoltado.

P.S.: figura e vídeo recebidos por whatsapp. Difícil determinação de autoria.

Decido começar o texto lamentando os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto à presidência da República.
Lamentavelmente, na minha opinião, os líderes das pesquisas são os piores candidatos de esquerda e direita, se tomarmos essa dicotomia ou polarização em consideração.
E, ao contrário do que os opositores pregam, Fernando Haddad, do PT, está longe de ser o extremo da esquerda. O PT está bem mais próximo do centro e, fatalmente (também infelizmente), fará acordos com o MDB e o chamado para governar…

A corrupção escrachada na Lava Jato e a descrença em toda a política gera o perigo do analfabetismo político, da apolítica, do ódio destilado em banho maria contra todos os avanços dos últimos anos.
A descrença gera votos de revolta, de protesto. Gera Tiriricas, Enéas, Levys Fidélix, Bolsonaros…
A intolerância ao diálogo faz com que boas ideias de ambos os lados sequer sejam ouvidas. Geram homofobia, por exemplo, freiam investimentos em desenvolvimento através de parcerias privadas; geram reformas que beneficiam poucos. Leis para os legisladores!
A falta de confiança na politica e nos políticos afastam o povo e a própria Nação das decisões.
E, se não escolhemos, alguém escolherá por nós.


Pausa para uma propaganda excelente do Burger King. (aqui o vídeo no Youtube, para quem não conseguir assistir o vídeo no post)
A marca entrega um sanduíche a quem diz que votará em branco ou nulo com ingredientes “surpresa” e incompletos. Aludindo à máxima que acabei de escrever:
“Se você não escolhe, alguém escolhe pra você!”
Uma das conclusões é sensacionais:
“Quatro anos desse lanche aqui, hein!?!” – Traduzindo: quatro anos de uma escolha que não é minha… é algo difícil de encarar.

Isso posto e, uma vez que temos 13 candidatos a Presidente, doze candidatos a governador e vinte ao senado em São Paulo…
(Consulte aqui os candidatos do seu estado e Distrito Federal.)

Que tal se escolhêssemos o candidato que melhor represente as nossas ideias hoje?
Que tal se abandonássemos a ideia de voto útil? De votar em “x” para retirar “y” ou de tentar focar nos primeiros das pesquisas…
Aliás, as pesquisas vêm errando há bastante tempo. Desde eleições municipais de Erundina (1988) e Celso Pitta (1996) até João Dória em 2016, citando novamente o estado e a cidade de São Paulo, onde vivo… há vencedores que sequer estavam cotados para o segundo turno. Dória, ganhou em primeiro turno numa eleição em que sequer aparecia na terceira posição um mês antes do pleito.
Deixemos para o segundo turno o eventual dilema, ou mesmo a anulação do voto.
Dou a mão a palmatória dessa vez e aceito, independente do que escrevi em 2014 (aqui); que, talvez seja impossível escolher entre dois candidatos ruins, o menos pior.

Outro ponto a considerar: é normal repensar o voto quando se escuta uma notícia sobre o candidato, seu vice, quando te lembram os detalhes de seu plano de governo, suas ações no passado, ou mesmo quando citam os demais partidos da coligação.
Se não há dúvida alguma, cuidado! Você pode estar confundindo política e eleição com religião!
É um jogo de prós e contras e, perfeição, não há.
Voltando ao assunto religião, muitos dizem que houve um ser perfeito, mandado dos céus à Terra por Seu Pai; e teve a vida terrena encerrada com algo próximo a um linchamento público seguido de uma crucificação…

Para ajudar até os que já se acham decididos, indico dois sites interessantes, onde a opinião do eleitor é comparada à dos candidatos.
No primeiro, com os candidatos a presidente, responde-se perguntas e há comparação com citações dos candidatos e seus planos de governo.
O segundo é focado em Senadores e Deputados Federais. As perguntas que o internauta responde foram feitas aos candidatos e a correlação nas respostas, junto com o “peso” do tema traz o alinhamento em porcentagem.
Vale a pena fazer os dois. Vale responder novamente o questionário e depois estudar onde não houve correspondência na resposta. As vezes, mesmo que exista 75% de compatibilidade, a contradição pode estar num tema chave e gerar repúdio.
O primeiro é a Calculadora de Afinidade Eleitoral, na página do “O Iceberg” (aqui). Note que alguns presidenciáveis responderam com mais detalhe às perguntas que o eleitor responde.
O segundo está hospedado no UOL e Folha. Chamado Match Eleitoral. Link aqui.

Finalizo com o que acho mais importante, coincidentemente é o meu maior medo no momento: é preciso aceitar o resultado dessa eleição!
Quem quer que seja eleito, o será com base em um processo democrático; e na opinião da maioria da população brasileira.
O método pode ser discutido, a urna pode ser impugnada num futuro próximo; porém, até então, é uma ferramenta elogiada noutros países, parte de um processo independente e pátrio.
Aceitarei, por mais que me doa, o resultado advindo das urnas. E torço para que o lado derrotado, sobretudo, aceite e faça uma oposição inteligente…

por Celsão correto

figura retirada daqui. Não sei o porquê escolheram as cores dos candidatos como tal.
[…]
em 02/10 – alteração para inserção de vídeo da propraganda do Burger King citado 

A constante desconfiança de quem te vê e se assusta ao saber que é engenheiro, advogado, universitário.
O mesmo “susto” ocorre quando vêm que você tem condições financeiras razoáveis, casa, carro, pode viajar nas férias…
Daí, invariavelmente, te “clareiam”, como se um tom de pele mais claro o fizesse digno do lugar ou situação. Te chamam e classificam como “moreno”, como se “negro” fosse pejorativo, impróprio, sujo até.

“Mas… você não é negro!”
É uma frase de quem busca aproximação, elogio. A pessoa que a diz geralmente quer causar aquela impressão de que você “é gente”, de que “pertence” a um grupo mais aceito. E não ao grupo dos negros.
Se há contestação de nossa parte, a emenda do interlocutor fica invariavelmente pior que o soneto.
“Tá bom. Eu só quis dizer que você não é negro, neeeegro!”

Os heróis demoraram a aparecer.
Me lembro na década de 80, de Zezé Motta, do Thaide, dos gêmeos Os Metralhas com sua frase inesquecível: “Se hoje eu pareço um vilão pra você é porque antes não me deram chance de vencer”

Só que… Zezé tinha que dividir as oportunidades com Neusa Borges, Ruth de Souza e Chica Xavier.
Na época, quando apareciam oportunidades, não fazia sentido para a TV inserir mais de uma atriz negra como personagem. E só eram atrizes principais quando a estória pedia, como no Xica da Silva de Cacá Diegues.
Na música, igualmente, mesmo aceitos e de certa forma vangloriados, o espaço nas gravadoras e na mídia era maior para rappers como Gabriel, o Pensador, branco.
As acanhadas brechas para se falar abertamente sobre racismo, por exemplo, surgiam fora dos canais e dos horários mais assistidos.

“Verdadeiros heróis, somos nós” – dizia uma letra de um grupo de rap que não chegou a fazer sucesso.
O que Lecão, Xandão e Lord aludiam na época é realidade até hoje. Os periféricos, majoritariamente pardos e negros, acordam mais cedo, por morarem mais longe do trabalho, ganham menores salários e têm de se esforçarem mais (que o normal) para merecerem promoções e melhores condições.
Falar em meritocracia na periferia é pregar uma condição igualitária que não existe.
Não digo que precisamos desistir. Longe disso. Sigo, aliás, contrário às políticas de cotas que consideram somente a cor da pele como critério.

Houve evolução. Gradativa e lenta, porém inegável.
Graças principalmente ao esforço dos verdadeiros heróis, que surgem e se multiplicam.
A segmentação da revista Raça e da internet, provaram que pode haver desenvolvimento no mercado específico.
A faculdade Zumbi dos Palmares abriu as perspectivas de um grupo que acreditava (arrisco dizer que ainda acredita) que não poderia sequer pisar, usar o espaço de uma USP e de outras Universidades públicas.
Hoje, com ou sem cotas, seguimos na batalha diária de transcender o senso comum, deixando frases como: “É você o Engenheiro/a dentista/a professora da minha filha”, cada vez mais artificiais e ridículas.

Mas a evolução segue esbarrando em Tais Araujo, Lázaro Ramos, Maju Coutinho, Preta Gil.
Provando aos descrentes que o racismo está aí, claro como água, mesmo para quem tem sucesso e é “Global”.
Muitos se incomodam com esse sucesso.
Muitos atravessam a rua quando nos aproximamos pela calçada, independente dos trajes e modos.
Muitos se levantam quando sentamos ao seu lado, sobretudo em ambientes “premium“, como restaurantes caros e salas VIP; e quando não o fazem por impossibilidade, nota-se o indisfarçável desconforto.
Muitos não aceitam que o Mano Brown faça shows na Vila Olímpia; muitos não aceitam Emicida e os seus no São Paulo Fashion Week.

E foi um texto do Emicida que desencadeou esse post.
Não de revolta, daquelas que destilam veneno e esperam passivamente que o mal não atinja a si mesmo. De análise.
São tantas as recordações, tantos exemplos e obstáculos…
A grande maioria igualmente vivido por amigos na mesma condição. Muitas vezes compartilhado. Muitas vezes excluído da memória ou negado pra si mesmo, ora por não querer ver o óbvio, ora esquecido intencionalmente por proteção própria.
“Levanta e Anda” é daqueles hinos que me renovam as energias.

Irmão, você não percebeu
Que você é o único representante
Do seu sonho na face da terra
Se isso não fizer você correr, chapa
Eu não sei o que vai

Juntamente com “Sou mais você”, dos Racionais MC:

Olha aí, mais um dia todo seu
(…)
A preguiça é inimiga da vitória, o fraco não tem espaço e o covarde morre sem tentar

Emicida lançou um clipe recentemente: “Inácio da Catingueira”, enaltecendo um daqueles heróis desconhecidos enquanto conta a própria história, enaltece o que atingiu e “prepara” os detratores para suportar um sucesso, dele, ainda maior.
Inácio foi letrista e poeta, cantor de cordel, escravo iletrado do século XIX.
Emicida é hoje mais um herói, exemplo de sucesso a seguir para os que não desejam a ascensão rápida e perigosa de “Soldado do Morro”. O crime e o tráfico não precisam ser a realidade.

Finalizo como Emicida fez em seu texto, que pode ser lido aqui.

(…)
Acalme seus ânimos e volte pro front com uma mira melhor. De nada adianta ser uma metralhadora giratória se você estiver mirando em seu próprio pé.

Sejamos mais. Sempre.

por Celsão correto

links para letras das músicas citadas. Escolho todas do Vagalume, por constarem também os clipes, para quem interessar…
Sou mais você, Levanta e Anda, Soldado do Morro e Inácio da Catingueira, de onde tirei a figura.

Obviamente, a maioria delas está também no YouTube. Aqui o link para o “Rap da Abolição”, dos gêmeos “Os Metralhas” e aqui uma aparição dos mesmos no programa da Angélica em 1989.

 

Após a eleição, muito se comentava e especulava sobre as primeiras medidas do eleito.
Assim como Collor em 1990, bloqueando investimentos visando reduzir a moeda em circulação e frear a inflação, esperava-se algo igualmente radical de Jair Bolsonaro.
O mesmo se divertiu nos quase sessenta dias entre o resultado do segundo turno e a posse.
Ironizava os repórteres com os trocadilhos de sempre; dizendo que o “seu emprego”, referindo-se ao repórter, estava garantido. E invariavelmente chamava as mulheres que o abordavam com microfone de “querida”.

O dia chegou e, após receber a faixa de Michel Temer, com um largo sorriso no rosto, declarou a extinção do PSOL.
A justificativa é que o partido cria “ignorantes” e os treina para o “mal”.
Foi do PSOL o autor da facada que tomei durante a campanha. Foi do PSOL o atentado moral da cusparada de Jean Wyllys. E se alguém se der ao trabalho de procurar, verá que tudo o que há de errado nesse país tem a presença do PSOL – declarou o presidente.

A reação foi de júbilo dos apoiadores e risos nos círculos de conversas pelo Brasil.
Apesar de absurda, a medida era leve e inofensiva, na opinião da maioria.
A imprensa questionava a efetividade, consultando juristas e cientistas políticos. Uns poucos protestavam nas redes sociais.

Mas os dias se seguiram ao melhor estilo Donald Trump, do qual Jair declarava-se agora, abertamente, fã: uma surpresa diferente a cada dia. E muitas delas estapafúrdias.
“Imponho ao TSE e ao STF que renomeie o PT para ‘Partido dos Trambiqueiros’ no lugar de ‘Partido dos Trabalhadores’. Não existem mais trabalhadores naquele partido; são todos trambiqueiros“. Sentenciou certa vez.
Aplausos e novo júbilo e aquele sentimento de “troco” por parte dos críticos de Lula e Dilma.

O que é respaldo, querida?“, perguntou a uma repórter que o questionava sobre a atribuição e jurisdição das medidas impostas e promulgadas, “Eu faço a lei pois conheço os desejos da população e o que é melhor para o Brasil! Se depois de falado, escrito e encaminhado não houver ação do órgão competente, temos que mudar esse órgão!” – concluiu em ameaça.

Quando pressionado a cumprir o prometido de redução da máquina pública logo no primeiro mês de mandato, foi a público em rede Nacional.
– Declaro extinta a Defensoria Pública da União e dos Estados da Federação. E também vou diminuir drasticamente o Ministério Público!
– A Defensoria Pública no Brasil tem mais de 8000 cargos existentes, com altos salários! Como estes advogados visam orientar juridicamente bandidos e ouvir as reclamações incabíveis do pessoal dos Direitos Humanos, não precisamos deles. Basta andar na linha e pronto! Se um cidadão se sentir injustiçado, procure os seus direitos com os advogados. Mas não com defensores pagos pelos impostos de quem cumpre as leis… (!)
– O segundo está muito inchado e tem muitos funcionários inativos. Só em São Paulo são mais de 600 servidores inativos para 5000 ativos. Colocarei como meta uma redução de 20% no quadro, começando com os inativos. tem muito vagabundo! Por que o carinha está inativo? O que ele faz no Ministério Público? Hoje em dia, as contas públicas estão declaradas na internet… não precisa de Ministério Público pra isso…
– Como o meu governo não tem corrupto, o trabalho do Ministério Público, de todos os órgãos criados para a corrupção pelo PT, vai diminuir!

No fim do primeiro mês, o presidente Jair Bolsonaro resolve reformar a educação…
– Onde houver professores e membros da diretoria da escola filiados ou simpatizantes de partidos políticos de esquerda, em escolas públicas das esferas federal, estadual e municipal, teremos exoneração! E, se houver falta de professores, num primeiro momento oficiais da reserva das forças armadas e das polícias militares e civis serão convocados para substituí-los. Antes uma educação com base na moral, que uma educação com viés político…

E a vida segue no país dos bananas…


Será que meu cenário fictício é muito descolado de uma provável realidade?
Não há dúvida que o discurso de ódio gera, apenas, mais ódio.

Uma amiga disse, sabiamente, que sequer temos maturidade para usar setas ao realizarmos conversões ou mudarmos de faixa de rolagem no trânsito; estaríamos mesmo aptos a portar armas de fogo?
Há muita correlação entre trânsito e armas para os que defendem o armamentismo.
Mas pra mim a estória que “carro também mata” é rebatida facilmente com “arma só serve para matar”. Não se pode explicar uma decisão ruim com opções contrárias igualmente ruins. É um círculo vicioso e perigoso de irracionalidade.

A mesma amiga, em tom sarcástico, vaticinou que somos como dinossauros votando no meteoro, ao votarmos em Jair Bolsonaro. :))
Não há expectativa de melhora real, em campo algum.
Pior pra mim é quando vejo mulheres e outras minorias defendendo o candidato.
Será mesmo que tudo o que ele disse no passado foi efeito de ações mal pensadas e/ou reflexo de uma personagem?

Talvez a Sociedade Brasileira precise mesmo passar por um governo mais a direita, para vislumbrar a realidade da desigualdade social que vive. E descobrir, a duras penas, que meritocracia sem igualdade de condições de partida é utopia.
Não falo em Social Democracia, bandeira do PSDB e de outros que, na realidade, estão mais ao centro. Falo em Novo e no discurso de renovação real.
No entanto, migrar para uma ditadura conservadora, ou mesmo religiosa, dependendo dos apoios conseguidos da grande “bancada da Biblia” no Congresso, é algo que definitivamente não precisamos, nem merecemos.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

 

americafirst_oesp_v2Caro senhor presidente Donald Trump.
Essa é uma mensagem do blog Opiniões em Sintonia Pirata pra você.

Talvez você esteja se perguntando o porquê um blog do Brasil esteja entrando em contato dessa forma.
A ideia aqui é mostrar o quão próximos somos a você.

Nós também odiamos e disseminamos o ódio. Não através de mascarados da KKK ou de simbolismos pouco claros como bandeiras, confederações e afins.
Nós odiamos a elite e tudo o que ela representa em nosso país fragilizado social e economicamente.
Odiamos a manutenção do status quo e os golpes suaves que nossa elite aplica aqui, juntamente com os seus serviços de inteligência.
Pensando bem, se ainda não foi apresentado à nossa elite e aos nossos partidos de direita, não perca seu tempo!
Você os adorará ainda mais que à Marine Le Pen e aos demais ultranacionalistas europeus. E eles sequer darão trabalho… nada pedirão em troca e aceitarão de bom grado a condição de subalternos e subdesenvolvidos…

Nós odiamos a imprensa também. Nisso estamos de acordo.
Mas não da maneira como você os odeia, por publicarem os fatos maquiando um pouco a verdade. Sabia que publicamos uma estória sua com a imprensa americana aqui?
Nosso problema com a imprensa é um pouco pior. Eles buscam perpetuar o “pão e circo”, conhece isso?
Creio que não. É muito culto e muito “francês” pra você.
Bem… a imprensa brasileira promove acesso difuso à informações de baixo impacto no desenvolvimento do povo. A eles interessa que o povão não leia, não se informe, só reclame. Quem realmente não busca se informar por aqui, vive num universo paralelo, semelhante as “Brumas de Avalon“. Que julgo também que não conheça… É muito “Inglês” e muito “feminino” pra você.
E não é que essa odiada imprensa tem sido censurada pelo atual governo (outro ponto adorável, sob sua ótica, no Brasil). Veja aqui as ordens explícitas de censura sobre uma investigação pública da primeira dama

Voltando às mulheres, você não sabe, mas estamos no Brasil. Onde as mulheres são bonitas e bronzeadas…
Mas diferentemente de você e do que prega, queremos que as mulheres tenham mais liberdade, mesmas oportunidades e condições, tenham salários e benefícios equiparáveis aos dos homens.
E nós somos homens! Não é incrível isso?

Não temos mexicanos aqui. Nem no blog, nem no Brasil.
Corrigindo a informação, no Brasil existem mexicanos, americanos, angolanos, italianos, japoneses, libaneses e pessoas de muitas outras Nações. Nós os recebemos e sabemos de sua importância na construção da nossa Nação.
Ao menos nós aqui no blog reconhecemos isso e sabemos que muitos outros brasileiros também.
Ultimamente, tivemos a imigração de muitos Haitianos para o Brasil. Pessoas que escolheram deixar seu lar, sua família, sua história em busca de melhores alternativas para viver, de novas oportunidades.
Ignorá-los ou expulsá-los é algo impensável para nós. Integrá-los para que se sintam nosso país como um novo “lar” e contribuam para o desenvolvimento nacional é uma sugestão nossa para com os mexicanos, cubanos e demais latinos, bem como para os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos.

Falando em muçulmanos, por que não proibiu a entrada em seu país dos muçulmanos da Arábia Saudita?
Eles cultuam o mesmo “Deus dos terroristas”, bem como os iranianos e sírios. São similares em cultura, possuem até, pasme, reservas de petróleo como os demais!

Enfim… pra terminar gostaria de entrar noutro tema polêmico: voto.
Você adoraria o nosso sistema! Aqui votam inclusive os negros (e negras) desde 1932. Acredite, eles também sofrem bastante aqui, até hoje. Mas podiam votar mais de trinta anos antes dos “afro-descendentes” daí!
Nosso voto é obrigatório. Deixamos opcional para maiores de 70 anos e para os analfabetos. Sim, isso mesmo! Nós temos analfabetos mas tentamos tratá-los como gente!
Nosso sistema é eletrônico, de contagem automática. Mas os derrotados, sobretudo quando semelhantes a você, sempre reclamam e dizem que todo sistema eletrônico é burlável.
E o atual presidente, o mesmo da censura, estava na chapa com aquela “inimiga” que ganhou a eleição, mas foi afastada. Usamos até uma palavra em inglês para isso: impeachment.
Pois bem, esse presidente e o partido dele, fantástico, incrível, “a sua cara”, estão envolvidos até o pescoço com corrupção. Aqui está rolando uma operação federal de combate a corrupção, ou estava… O fato é que a chapa do atual presidente está sendo acusada de receber dinheiro ilegal de campanha. Mas ele conseguiu, aparentemente, desvincular-se da própria eleição. Talvez consiga até desvincular sua imagem do partido. Não é realmente incrível?

Coisas que você, certamente, apoiaria!

Então, entendemos e aceitamos que você busque o “America First”. Mas… poderia (des-)considerar o nosso blog nessa briga?

por Celsão irônico

P.S.: Para quem não viu, a Holanda e outros países europeus lançaram vídeos no youtube satirizando o “America First” de Donald Trump. Eles puseram a maioria numa página (essa). Tem Alemanha, Portugal, Suiça, Namíbia, Austrália… Outros internautas fizeram montagens hilárias também, por exemplo: Marte e Mordor.

figura retirada do vídeo de Mordor no youtube e montada com o “nosso símbolo”. Achamos que Mordor representa bem Donald Trump

6jan2016-o-candidato-a-presidencia-dos-eua-donald-trump-fala-durante-comicio-de-campanha-em-nashua-new-hampshire-trump-ameacou-retirar-investimentos-previstos-na-escocia-no-valor-de-945-milhoes-de-1Péssimo-realismo.

Com a já por mim esperada vitória de Trump, fica ainda mais nítida a gravidade das sombras que pairam sobre este Planeta.

Se eu tivesse a crença em algo grandioso, tipo Deus e Diabo. Se eu tivesse a crença em conspirações do Universo. Se eu tivesse a crença que somos reféns de outros seres vivos, ou alienígenas, ou da natureza.
Se eu tivesse a crença de que somos escravos de enfermidades mentais causadas por vírus, bactérias, ou má formações anatômicas no cérebro, que não nos permitem raciocinarmos nem sermos quem realmente poderíamos ser.
Se ainda me restasse a crença ou me ocorresse qualquer explicação que causasse alívio…..

Mas a realidade que percebo é outra, e ela é cada vez mais assustadora, não só porque ela parece estar a piorar, mas também por ela se revelar cada vez mais clara para mim.
E é por ser assustadora que sinto cada vez mais gosto e necessidade da reclusão.
O duro da realidade, é que o problema somos nós mesmos. Somos nossos próprios demônios. Somos nossos algozes. Não tem vírus, não tem Deus, nem Demônio, nem ninguém. Quem manipula é o ser humano. Quem se deixar ser manipulado, é o ser humano. Quem escolhe o fascismo, o ódio, o individualismo absoluto, é o próprio ser humano. E assim o escolhe por que é falho, frágil, débil, e por que não dizer, mau?

É difícil achar conforto. Na verdade, quanto mais o procuro, menos encontro.
Artes e música se mostram uma boa fuga, onde por breves momentos, nos esquecemos que também estamos nesta ilha.

Sendo nós os próprios algozes do Mundo, não resta sequer o alívio do clichê conformista: “pobre de nós”.
No máximo resta um: “pobre da vida”.

por Miguelito Filosófico

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O que posso dizer?

As insinuações racistas, sexistas, preconceituosas e intolerantes venceram.
O tal do americano “redneck” ou americano médio mostrou-se tão perigoso quanto o terrorista armado, agindo por ódio, egoísmo exacerbado e autodestruição.

A hegemonia não é a resposta para o mundo. Um Trump como líder de uma nação hegemônica é ainda pior.
Queria que não houvesse influência no resto do mundo.
Ou que realmente o discurso de alguns “Ele só disse isso por estar em campanha. Da boca pra fora!” fosse verdade. Difícil de acreditar que uma pessoa que comunga de tal pensamento há anos, mude de ideia exatamente depois de ser escolhido para governar o país mais poderoso do Mundo…
Compartilho abaixo uma carta da Avaaz, disponível aqui para assinatura.

Caro Sr. Trump,

Não há grandeza no que o senhor está fazendo.

O mundo inteiro rejeita seu discurso de medo, ódio e intolerância. Rejeitamos seu apoio à tortura, seu clamor à morte de civis e a forma como o Sr. incita a violência em geral. Rejeitamos seu menosprezo às mulheres, muçulmanos, mexicanos e milhões de outras pessoas que não se parecem com você, não falam como você e não rezam para o mesmo deus que você.

Decidimos enfrentar seu medo com compaixão. Frente a sua desesperança, escolhemos a confiança. E, em vista de sua ignorância, escolhemos a compreensão.

Como cidadãos globais, nós resistimos à sua tentativa de separar-nos uns dos outros.

Atenciosamente,

Celsão correto


figura retirada daqui
P.S.: o link da figura contém alguns argumentos explicando alguns porquês do ódio mundial ao senhor Donald Trump. Vale a pena a leitura.

static1.squarespace.comGostaria de usar esse post para divulgar uma mensagem que muito me espantou.
(uns podem dizer que é uma fuga dos temas políticos da semana. Na realidade, quero “digerir” os acontecimentos e fugir dos memes e das conclusões já conhecidas e alarmadas outrora)

Voltando ao tema…
A prefeitura de São Paulo aceitou uma petição criada na página Change.org (aqui a petição e aqui a vitória comemorada no Facebook).
A tal petição pedia para que as bandeiras do orgulho LGBT permanecessem na praça, no caso, no Largo do Arouche, mesmo depois do dia do Orgulho LGBT. E o local já representa na cidade um símbolo de luta contra a homofobia.

Pra quem não conhece São Paulo, pode desmerecer esta vitória. Mas a nossa “megalópole” apresenta múltiplas variações de personagens e personalidades.
Há resistência de todas as minorias; sim, é verdade. E há organização por parte dessas, com pleitos, celebrações e ganhos marginais.
Mas há muito, mas muuuito preconceito (perdão pelo exagero disfarçado de neologismo). Sem mencionar a arrogância.
O preconceito era outrora estampado em célebres gazetas, como o “Notícias Populares”. E ainda segue sua sina em todo rincão ou esquina da cidade. Todo paulistano ou cidadão brasileiro que aqui vive tem a sua opinião distorcida, o seu “quê” problemático e discriminatório. Mas sempre com aquela frase distorcida…
“Nada tenho contra negros, mas…”
“Eu até entendo o problema dos usuários de drogas, na ‘Crackolândia’, só que…”
“O cunhado do meu genro é gay. Eu os aceito, porém…”

Nem é preciso citar exemplos, pois são inúmeros e recorrentes.
De gays agredidos e espancados ao caminhar na rua e em casas de show, a mulheres abusadas moral ou fisicamente todos os dias.

Achei importante a posição tomada pelo prefeito. Acho que este governo Haddad (que já critiquei e elogiei aqui no blog) primou por ouvir, por fazer valer as opiniões e, sobretudo, as diferenças.
Creio honestamente que precisamos, primeiro como cidadãos, “fincar bandeiras” contra as discriminações diversas que sofremos e/ou observamos. Educarmos os mais jovens para que não as pratiquem e reprimirmos os mais velhos para que não as repitam.
E como cidade, como um órgão público e vivo, que seja o princípio da obtenção do pleno direito de ir e vir. Aqui não importando gênero, credo, opção sexual, cor da pele ou condição social. Que sejamos exemplo em algo maior, mais importante e mais amplo que PIB, IDH e desenvolvimento industrial.

por Celsão correto

figura retirada do próprio Facebook do Change.org.

P.S.: da mesma forma que no Avaaz, na página do Change.org é possível iniciar uma petição ou abaixo-assinado a favor ou contra algo. É possível começar a mudança. Pra quem não conhece, sugiro entrar na página e observar o que eles têm feito. No Brasil e no exterior!

 

wersm-facebook-like-gating-657x360Pessoal, bom dia.

Devidos a diversos fatores, os quais alguns de vocês já conhecem por terem uma relação de amizade mais próxima e íntima comigo, irei desativar minha conta de Facebook por tempo indeterminado.

Não quero aqui descrever os motivos, pois eles são muitos e meus. Mas obviamente, não é preciso eu mencionar que um destes motivos é a minha frustração com os caminhos político-sociais escolhidos por uma grande parcela da sociedade brasileira, incluindo-se nesse grupo a grande maioria dos meus conhecidos de longa data, gente que rodeou minha vida desde de meu nascimento, por pertencermos ao mesmo extrato social. Esses caminhos escolhidos por estas pessoas, legitimaram e culminaram na concretização de uma série de aberrações práticas da política brasileira.

Sempre tentei deixar claro que minha luta ideológica não é por mim, mas sim pelos outros. Afinal, se alguém vê interesse pessoal meu quando eu defende os direitos de negros, pobres, mulheres, homossexuais, umbandistas, muçulmanos, obesos, índios; ou dos palestinos, iraquianos, nigerianos, é porque realmente a pessoa não me conhece ou está delirando. Eu sou um homem, brasileiro, branco, hétero, de classe média alta, agnóstico (mas criado numa família católica), magro… simplesmente, não faz sentido eu agir e lutar por interesse pessoal.

Batalhei muito nos últimos anos para evoluir em caráter e espiritualmente. Esforcei-me de forma descomunal (a maior parte de meu tempo livre dedicado a estudos, busca de informação e busca por debates construtivos, o que significa, 1h a 4h diárias, todos os dias, há anos) para, mesmo sendo um engenheiro da área técnica, me tornar uma pessoa bem informada, atenta às mais complexas e diferentes “verdades” sobre o mundo. Informei-me e formei-me, e compartilhei o conhecimento adquirido com o sonho de trazer um pouco de luz nesta escuridão da alienação, individualismo e irracionalidade que assola a sociedade brasileira. Não que eu seja o dono da verdade, mas me esforcei para estar acima da média do conhecimento da massa, e me aproximar mais das possíveis verdades, o que faz, matematicamente, a minha chance de acerto ser bem maior que a chance de acerto de quem se encontra no “senso comum” (a grande massa), os mal informados, ou alienados pela grande mídia.

Tudo isso foi SEMPRE feito por sonhar com uma sociedade mais igualitária, uma sociedade mais respeitosa com as diferenças culturais, anatômicas e vontades alheias, uma sociedade mais consciente e preocupada com o meio ambiente, uma sociedade menos individualista e mais coletiva, uma sociedade menos hipócrita, uma sociedade menos refém dos meios de comunicação e de um sistema educacional deteriorado.
Sempre sonhando…..

E continuo sonhando.

Mas o momento que vivemos, de ascensão da intolerância, intensificação da alienação/manipulação, avanço do ódio e do fascismo, causa-me uma frustração indescritível. Sinto-me preso dentro de um quarto com “vidro falso”, onde quem tá dentro vê o que está fora, mas quem está fora não vê o que está dentro, e esta sala ainda é acusticamente isolada. Eu lá de dentro, vejo as pessoas lá fora sendo comandadas por cordas de fantoche e sendo guiadas para o caldeirão fervente. Eu tento gritar, esmurro o vidro, me desespero, quebro meus bracos, estouro minhas cordas vocais, tentando ser ouvido… mas sem efeito. E no fim, ainda tenho que assistir um por um, desde as pessoas desconhecidas, até aquelas que mais amo, deixarem-se serem atiradas dentro do caldeirão fervente.
Essa dor é uma das mais doídas que já senti.

Isso não é só pelo Impeachment de Dilma, mas sim pela vista grossa e teimosia em não aceitar que o atual governo interino está desmontando o Brasil, e se ficar 2 anos em vigor, nos retrocederá aos fins da década de 80, quando cessado o período militar, ou talvez pior, pois teremos as áreas estratégicas de nossa economia entregue aos corvos gringos. O desmonte social pode ser recuperado no futuro, em algumas décadas de governos razoavelmente honestos e nacionalistas. Mas o desmonte econômico, esse pode durar séculos para ser recuperado, ou talvez, nunca mais…..

….

A maioria que me conhece superficialmente me chama com frequência de “extremamente racional”, e às vezes até de frio e insensível.
Minha mãe, já me disse que sou 100% sensibilidade e emoção.
Alguns dos meus melhores amigos dizem que sou os dois, 100% razão, 100% emoção, afinal, emoção e razão não são conceitos antagônicos.

O fato é que, com a sensibilidade que tenho, está FODA ver “vocês” cavando suas próprias covas. E o Brasil é só uma ilha do arquipélago. Vejam o que ocorre no mundo! Se não sabem do que estou falando, deem uma lida no “meu” blog para verem as questões que mais me incomodam (e ao Celso) mundo afora.

Além de desativar meu Facebook por tempo indeterminado, também entreguei a administração completa do blog Opiniões em Sintonia Pirata https://www.facebook.com/OpinioesEmSintoniaPirata/?fref=ts ao Celsão. Vez ou outra, se calhar, poderei escrever algo para o blog, mas inicialmente tanto a administração quanto a produção literária do blog está concentrada nas mãos do Celsão.
Espero que meus amigos continuem lendo o excelente e admirável trabalho do Celso, pois eu estarei atento a tudo que ele escreve, afinal, é uma de minhas melhores fontes de informação.

Também já avisei à direção do Jornal Gazeta Regional de Ubá, que não pretendo mais colaborar com minha coluna “Do mundo para Ubá: sem meias palavras”.

Peco perdão e a compreensão, dos leitores do blog e do Jornal.

Abraços fraternos a todos, e os meus mais sinceros desejos de um despertar crítico e de evolução espiritual.

por Miguelito “ele mesmo” – licença poética e paródia a Fernando Pessoa feita por Celsão

 

Blog_TerrorismoTerrorismo é terrorismo quando aplicado a minorias?
Acho que essa é uma das perguntas polêmicas que o senhor Donald Trump se fez logo que tomou ciência do atentado do final de semana contra gays que estavam numa em Orlando.

Ora… o combate ao terrorismo é uma bandeira de todo e qualquer pré-candidato à Casa Branca nos últimos anos. Acredito até que seja tema obrigatório nos debates, após o onze de Setembro de 2001.
E muitos poderiam afirmar que extremistas do Estado Islâmico apenas reforçam o discurso bélico da extrema direita, ou seja, reforçam uma candidatura como a de Donald Trump.

Se Trump fosse presidente, talvez as duas ou três “entrevistas interrogatórias” feitas pelo FBI ao atirador Omar Mateen tivessem terminado em prisão preventiva. Talvez os Estados Unidos vivessem num constante Estado de Vigilância desgastante e opressor. Mas talvez houvesse realmente algum êxito na prisão dos milhões de muçulmanos; ou não-protestantes, se expandirmos a provável rotulação e discriminação em relação a religião, que Trump prega contra os “diferentes”.

E quanto aos gays?
Certamente não haveria uma boate famosa chamada Pulse. Ou ao menos as festas na boate não teriam divulgação na internet. Seriam festas de um submundo acanhado, de um grupo perseguido.
Se estendermos a análise à festa latina, celebrada naquela noite, a situação pioraria, pois os latinos também seriam perseguidos por Trump; mesmo quando héteros, brancos e protestantes!

E o que fazer quanto às armas, vendidas livremente em boa parte dos Estados Unidos?
Elas são importantes para que se garanta o direito (individualista) da liberdade e da propriedade. Inerentes a todo americano pleno de sua cidadania (risos).
Talvez a solução fosse vender armas somente a americanos brancos, sem antecedência imigratória até a terceira geração. Já que o atirador e terrorista Omar Mateen era americano, nascido em Nova York!

O que será que mais dói na mente de um extremista de direita? Na mente de um Donald Trump, de um Bolsonaro, de um Malafaia…
Os gays que se beijam em público, se casam e decidem adotar e educar filhos?
Os muçulmanos que adoram “outro Deus” e distorcem uma desvirtuada família e uma religião “perfeita”?
Os outros forasteiros estrangeiros, que, na maioria das vezes, distorcem o próprio sentido do “sonho americano”, do individualismo típico, enviando dinheiro a seus países de origem ou mesmo trazendo os familiares para  compartilhar o mesmo teto e condições?
Os que usufruem de assistencialismo?

E ainda mais fundo: qual seria a escolha de Trump (ou de Bolsonaro) numa eventual consulta policial no meio da madrugada, após as primeiras notícias sobre o atentado?
Talvez explodir toda a área. Trágico, não?

São perguntas de intrincada análise.
Da mesma forma que são muitos os “se’s” levantados aqui. Condições que espero nunca serem atingidas.

Para concluir, quero trazer para o Brasil e fugir (talvez muito) do tema “Terrorismo”…
Um dos fatos a pensar é que a crise política que vivemos pode trazer a cargo uma crise de representação: o povo percebendo que não é representado por nenhum político ou partido.
Tal crise, reforça muitas vezes uma fragmentação: podem aparecer muitos candidatos diferentes, como na eleição de 1989, que teve vinte e tantos candidatos (aqui).
E, em meio à estas “forças divididas”, pode ocorrer o surgimento de um Bolsonaro, de um Enéas, de um Tiririca, trazendo a negação do atual, a insatisfação. E nessa insatisfação pode-se colocar no poder alguém que seja contra gays, negros, umbandistas, refugiados do Haiti, pobres…

E usando talvez o nome de um Deus distorcido. Usando desculpas armamentistas. Gerando violência com aumento de prisões e redução de maioridade penal.
Um governo que talvez tomasse ações em nome de uma soberania, de uma “liberdade” que desnudada seria apenas a manutenção do status-quo de uma elite (política e apolítica).

por Celsão correto

figura retirada daqui.