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DelaçãoA notícia dos últimos dias é (ou foi) o vídeo do canal Porta dos Fundos, intitulado “Delação”.
Pra quem não viu, seguem dois links aqui e aqui (pois vai que algum juiz ou desembargador maluco resolva tirar do ar)
O vídeo suscitou inúmeros outros, no próprio Youtube, contendo críticas ferrenhas ao canal, ao ator e diretor Gregório Duvivier e colocou todos os atores no mesmo “balaio” intitulado simplesmente de petralhas.

Mas… quem dissemina o ódio através de palavrões e argumentos difusos, só auxilia a desinformação. Só confunde àqueles que carecem de clareza ou que estão formando o seu caráter.
Infelizmente não é disso que precisamos hoje, dado o momento político delicado…

Então, para continuar o assunto de listas e “perseguidos” da atualidade, a última fase deflagrada da operação Lava Jato, chamada Carbono 14, divulgou estórias de empresas offshore, geralmente localizadas em paraísos fiscais e sempre fora do país de residência das pessoas, muito utilizadas para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal (pra encurtar o assunto).
Os tais “Panamá Papers” contém em sua primeira lista divulgada, 26 brasileiros; alguns do meio político, como o ex-ministro Delfim Neto e políticos como o nobre Eduardo Cunha, além de outros de PMDB, PP, PSD e PSDB.
Pois é… Eduardo Cunha aparece novamente numa lista de empresas quiçá lícitas no exterior. E não existem petralhas, ao menos nessa primeira lista. Como não existem políticos do PSOL, PCO e PSTU citados na Lava Jato até então. Para os que pregam a não-corrupção apartidária, segue como dica de prováveis candidatos para 2016 e 2018! (meu lado extrema esquerda não poderia deixar essa passar…)
Segue link para a lista dos brasileiros citados até aqui. Aliás, nela existem nomes de empresários já atolados em corrupção, de empresas condenadas na Lava Jato, como Odebrecht e Queiroz Galvão.
Existem estrangeiros também: russos ligados a Putin, parentes do primeiro ministro britânico, Maurício Macri, atual presidente argentino (óóóóó) e até o rei da Arábia Saudita (país já conhecido por aqui, dado o cerceamento de direitos, as manipulações, as condenações antidemocráticas, etc) – pra quem quiser a lista completa, de Lionel Messi a Jackie Chan, aqui está.
Adendo interessante: o primeiro ministro da Islândia também estava na lista. E renunciou 48 horas depois do vazamento da mesma. Ah… que inveja da hombridade dos outros…

Voltando a falar do Porta dos Fundos e citando outra lista “famosa” nas redes sociais: a lista de Constantino.
O senhor Constantino, economista e blogueiro de direita, também incitou o ódio ao divulgar uma lista de artistas e intelectuais que “defendem o indefensável PT”, usando palavras dele.
Nessa lista, prévia do AI-5 de 2017 (quem sabe?) constam nomes como Chico Buarque, Laerte, Tico Santa Cruz, Alcione e, também, Gregório Duvivier; ele mesmo!
E o mais espantoso: o Facebook teve a audácia de bloquear o cidadão, sem motivo algum, por sete dias. Ele próprio comenta o fato, chamando-o de “censura petista” (aqui)

Não comprem mais nada deles. Não assistam a seus programas, não leiam suas colunas, não comprem seus livros, não vão a suas peças de teatro, não comprem seus CDs. Eles precisam saber que não será impune atentar contra a democracia brasileira. Xô, petralhas!

Mais um exemplo não só de ódio, mas de polarização burra, resumindo a sociedade em bons e maus e generalizando a esquerda conduzindo-a pro lado mau da estória. (Afinal, Fidel Castro devora criancinhas até hoje!)
Olhando a lista, tá claro que o Porta dos Fundos se encontra nela. Porém, é uma lista, aliás, bem problemática de se seguir à risca, já que atores globais, jornalistas de diferentes meios e músicos de vários seguimentos têm seu nome citado. E… como assim boicotar a Folha e a Rede Globo!?!
A satirização da lista foi enorme, muitos comemorando a presença ou lamentando a ausência. A última versão do próprio blogueiro detinha 767 nomes! Aqui para quem quiser procurar o próprio nome 😉

Mas, diferente de querer somente difundir o ódio ou incitar a violência, termino citando Antônio Tabet, que publicou uma “defesa” do Porta dos Fundos, não só se posicionando politicamente, mas defendendo a liberdade (e o direito) de expressão.

Esse revanchismo bobo só fomenta o ódio. Incentivar a censura ou a intolerância nada mais é que um recibo de que você pode ser tão fascista quanto os fascistas que critica. Sejam eles imperialistas americanos ou comunistas cubanos. Sem falar na ignorância de quem coloca a Lei Rounet no bolo sem saber que não cobramos cachê que cobraríamos em outros filmes, mas pagamos com justiça uma equipe com centenas de profissionais trabalhando no país da crise.

O texto completo do Tabet, humorista sem muita noção e criador do portal Kibe Loco, pode ser lido na Veja, aqui.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo do Youtube, aqui

P.S.: Há um site oficial (em Inglês) sobre o Panamá Papers (aqui); é um trabalho sério, de uma associação internacional de jornalistas investigativos

outro P.S.: compartilho um só link sobre a infrutífera discussão do vídeo “Delação” (aqui). São tantos comentários e vídeos-resposta absurdos, que me entristece e me faz temer Bolsonaros, Cunhas, Felicianos e Marchas da Família.

Coreografia_CavernaImagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles.

Imagina homens que passem para além da parede, carregando objetos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro.
Não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?

Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam.
Se lhe mostrarem imediatamente as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?

Quando você vê uma sombra, Sofia, na mesma hora você pensa que alguma coisa deve estar projetando esta sombra. Por exemplo, pode acontecer de você ver a sombra de um animal. Talvez a de um cavalo, mas você não está bem certo. Então você se vira e vê o animal verdadeiro, que, naturalmente, é muito mais bonito e de contornos mais nítidos do que a imprecisa sombra. É por isso que Platão considera todos os fenômenos da natureza meros reflexos das formas eternas, ou ideias. Só que a maioria das pessoas está satisfeita com sua vida em meio a esses reflexos sombreados. Elas acreditam que as sombras são tudo o que existe, e por isso não as veem como sombras.

Os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.
Nós mesmos contribuímos para o que sentimos e percebemos, pois somos nós que escolhemos aquilo que nos é importante.
… saber que não se sabe também é uma forma de conhecimento.

Os homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram.
Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar.
Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.
Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.

Os que questionam são sempre os mais perigosos. Responder não é perigoso. Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.
… perguntar é importante, mas não é preciso se apressar com uma resposta.


Acima está uma colagem, um tanto quanto aleatória, de passagens dos livros “O pequeno príncipe”, “O mundo de Sofia”, e da “Alegoria da Caverna” presente na obra “A República” de Platão.

Cada um em sua maneira, essas obras visam despertar o bom senso, o senso crítico, o interesse, a moral e ética, o discernimento no leitor, e automaticamente, na sociedade.

Diante dos acontecimentos recentes do Brasil, com uma intensificação da utilização da mídia e da justiça como ferramenta de caça partidária, com a radicalização, principalmente da parcela mais rica e “branca” da sociedade, no ato de condenar de forma “seletiva” atos de corrupção e/ou antiéticos (inaceitável quando praticado por um partido político específico, mas se praticado por outros, ignora-se ou alivia-se). Frente a protestos com direito a abadá, carros alegóricos, madame rica lançando garrafa de prosecco em caminhão da tropa de choque estacionado, “esquentas” para protestos em hotéis de luxo, passeatas regadas a muita cerveja, música e coreografia estilo carnaval.

Diante dos atos de um Juiz e seus comparsas do Ministério Público de São Paulo, em sua caça implacável e irredutível a um ex-presidente e aos integrantes de um partido, atos esses criticados por quase unanimidade dos juristas brasileiros mais respeitados, por ministros do STF, pela OAB, e até mesmo por políticos da oposição ao atual Governo.

Em meio a tudo isso, e ao notar a celebração, da maioria das pessoas pelas quais tenho apresso, comemorando e concordando com esses absurdos, essas aberrações; e notando assim a que grau de primitividade, insensatez, desonestidade intelectual, baixaria e agressividade o ser humano pode chegar, encontro-me sem palavras para expressar o tamanho de minha dor e frustração.
Sendo assim, ficam as passagens acima, algumas delas pensadas a milhares de anos, mas que hoje se fazem tão necessárias quanto antes, e outras destinadas a um público infantil, mas que podem ser aplicadas muito bem aos adultos das “Avenidas Paulistas” Brasil afora.

por Miguelito Filosófico

A figura é uma montagem de duas imagens, retiradas daqui e daqui

11050667_1140171285999582_7130393729177933607_nEstamos num período agitado.
Que nos bombardeia com intermináveis informações e ao mesmo nos força a tomar partido… a nos posicionarmos… a escolher um lado…
Será mesmo?

Dentre as inúmeros textos que li nos últimos dias, um dos notáveis segue abaixo.
Exprime um posicionamento neutro e explica alguns “porquês” das convicções, dos vieses, dos ânimos exaltados.

O texto é de autoria de Vinícius Waldow e pode ser lido em seu Facebook aqui.

Como é de costume em momentos de efervescência política, a razão fica escanteada.

O filósofo Bertrand Russell escreveu: “Todo homem, onde quer que vá, vive envolto por uma nuvem de confortantes convicções, que o acompanham como as moscas no verão.”

As pessoas geralmente acreditam que a sua mente é capaz de obter uma visão precisa da realidade. Contudo, as descobertas em relação ao que se chama de “cognição motivada” colocam por terra essa crença (pelo menos, deveriam colocar).

O viés confirmatório (do inglês, confirmation bias), por exemplo, é considerado o padrão mais robusto já descoberto pela psicologia cognitiva acerca do nosso raciocínio, e consiste na tendência dos indivíduos de procurar e interpretar evidências de maneira parcial em favor das suas crenças, convicções e expectativas prévias.

O viés confirmatório faz com que tenhamos uma predisposição fortíssima de ignorar ou então criticar veementemente as evidências contrárias às nossas convicções (por mais sólidas que sejam essas evidências), bem como aceitar de modo complacente e defender de modo ferrenho as evidências favoráveis às nossas convicções (por mais pífias que sejam essas evidências).

A ideia é que a nossa mente funciona mais como um advogado tentando defender uma causa pré-definida do que como um cientista buscando desinteressadamente a verdade.

Adicione a isso um outro ingrediente bem conhecido da cognição motivada: o grupismo. Essa é a tendência dos seres humanos a se dividirem em grupos-de-dentro e grupos-de-fora (“nós versus eles”) e sistematicamente perceberem e agirem como se os membros do grupo-de-dentro fossem muito diferentes e superiores em relação aos membros do grupo-de-fora.

Agora pense sobre os efeitos que a combinação explosiva entre viés confirmatório e grupismo exerce sobre qualquer debate político.

A visão grupista é a de que o nosso lado é inteligente e dotado de retidão moral, enquanto que o outro lado é composto por burros (que estão sendo ludibriados), mercenários (que foram comprados) e safados (que ludibriam os burros, compram os mercenários e querem acabar com o nosso lado). A partir daí, o viés confirmatório faz o trabalho de avaliar todas as evidências oferecidas de modo a sempre reforçar essa visão básica.

Além de apenas observar evidências, as redes sociais hoje permitem a você criar e distribuir suas próprias evidências, com todos os viéses possíveis.

Em toda manifestação pública de grandes proporções, se você buscar e selecionar bem, vai encontrar um bom número de pessoas com as opiniões e atitudes mais estapafúrdias, grosseiras e simplórias. Filme algumas delas, faça uma boa edição de vídeo e coloque uma manchete que funcione como isca para um público já propenso em concordar, e pronto: muita gente vai obter mais uma evidência de que o outro lado é burro, vendido e safado, e implicitamente de que o seu lado é inteligente e virtuoso.

Se você estiver com preguiça, então basta criar um meme.

Trazendo para o caso concreto do Brasil, se todo petista/tucano é burro, vendido ou safado, não há porque ficar perdendo tempo com os argumentos deles: a vitória é nossa de antemão. Estereotipar e desmerecer o outro lado é um caminho fácil demais para não ter que pensar de fato sobre os argumentos contrários.

“Os petralhas só querem continuar mamando na teta do governo.”

“Os coxinhas só querem manter seus privilégios de rico.”

“E ainda tem burro que defende esses safados.”

Achar que o principal problema do Brasil consiste em um único partido ou político é uma visão extremamente simplória para um problema complexo. Quem dera a solução para os nossos problemas políticos fosse apenas tirar o PT/PSDB/PMDB ou Dilma/Aécio/Cunha do jogo. Como uma hidra de Lerna, não adianta “cortar essas cabeças”: elas nascerão de novo, com outras faces, ou com a mesma face (Collor tá aí ainda).

A solução para problemas estruturais tem de ser estrutural também. Um exemplo: já passou da hora de reformar o nosso sistema eleitoral, que recruta parlamentares com base numa política altamente personalista (em contraste com uma focada em partidos); um sistema que é nitidamente distorcido pelo financiamento de campanha por grandes empresas (a corrupção também está na iniciativa privada).

Outro exemplo é o nosso sistema de governo baseado no presidencialismo de coalizão, o qual parece tornar quase obrigatória a relação fisiológica de “toma-lá-dá-cá” que se estabelece entre os poderes Executivo e Legislativo, e isso independentemente do partido que se encontra no poder.

Kwame Anthony Appiah, diretor do Centro para Valores Humanos da Universidade de Princeton, conta que às vezes lhe questionam com o que ele trabalha, e ele diz que é filósofo. Usualmente, a pergunta seguinte é: “Então, qual é a sua filosofia?” E a sua resposta padrão é: “Minha filosofia é de que tudo é mais complicado do que você pensa.”

Enfim, o convite é esse: que tal dar uma pausa no hábito de dar retruques automáticos, estereotipar o adversário e tratar partido político como se fosse clube de futebol para encarar a complexidade do mundo?

Lembre-se que aquele você tacha de “coxinha” ou “petralha” pode ser menos unidimensional do que você.

por Celsão correto (as vezes me confundo em meus alter-egos)

figura retirada da própria publicação original (aqui)

Natal_GuerraE mais uma vez o Natal se aproxima, e traz com ele a virada de ano.

O Natal é tempo de união familiar, de demonstrar nosso amor aos nossos entes queridos, de dar um abraço gostoso no melhor amigo, nos nossos pais, nossos avós e nossos filhos. Também no Natal, devido ao que ainda resta de vínculo religioso desta data com o cristianismo, lembramos de Jesus, e com isso, lembramos do amor ao próximo. É neste momento que dedicamos pensamentos positivos e orações aos pobres, aos menos favorecidos, aos que sofrem de enfermidades, aos cidadãos de países em guerra.

O Réveillon carrega a esperança do novo. Novamente abraçamos com muito afeto os nossos entes e amigos mais queridos, nos emocionamos, agradecemos pelos maravilhosos momentos vividos juntos no ano que se vai, e desejamos momentos ainda mais maravilhosos para o ano que se inicia.

Aproveitamos essa data para fazermos algumas promessas, definirmos alguns objetivos, normalmente visando tornar nossa vida mais feliz, ou nos tornarmos uma pessoa melhor e/ou mais saudável e/ou mais bem sucedida.

Mas e o nosso cotidiano fora destas datas, como anda? Andamos fazendo nosso dever de casa para que o mundo seja um lugar melhor, e assim, necessite menos de nossas orações e pensamentos positivos? Afinal, o nosso voto em 2014 levou em consideração as propostas daquele político para reduzir a pobreza e a fome no Brasil, levou em consideração suas propostas a favor das minorias que mais sofrem (pobres, deficientes físicos, negros, homossexuais, mulheres, povos indígenas)?

Quantas vezes por ano cumprimentamos o mendigo que vive no nosso bairro? Com qual frequência convidamos o mesmo para tomar um café na padaria conosco? E aquele cobertor que está no armário há quatro anos sem utilização; já pensamos em descer as escadas e oferecer-lhe para o mendigo? Ou mesmo, alguma vez nos interessamos pela sua história de vida; já sentamos ao seu lado para bater um papo e ver o que ele tem a dizer?

Visitamos durante este ano alguma instituição que cuida de meninos de rua, órfãos, ou menores infratores? Será que estudamos ou buscamos nos interessar pelos principais motivos da criminalidade no Brasil, ou no mundo? Visitamos um asilo para perguntar se precisam de alguma ajuda? Fomos num abrigo de refugiados da Síria e Afeganistão para saber como podemos ser úteis e conhecer a forma como estas pessoas estão sendo tratadas?

Quantas vezes nos interessamos, enquanto brancos, em nos colocar no lugar do negro e entender sua dor; ou como hetero, no lugar do homossexual ou transexual; ou como homem, no lugar da mulher; ou como negro, no lugar do índio?

Quantas horas de nosso tempo dedicamos este ano a buscar informação de qualidade, para não nos deixarmos ser manipulados por grandes grupos de monopólio da mídia? Quantas vezes engolimos nosso orgulho, neste ano, quando um amigo, ou professor, ou parente, bem informado e preocupado com as questões do mundo, chegou até nós para nos alertar sobre nossa opinião equivocada sobre algo?

Quantas vezes nos preocupamos se aquilo que escrevemos, falamos, defendemos, argumentamos, realmente são ideias que visam promover um mundo mais justo e ético? Quantas vezes, ao invés de emitirmos rapidamente nossa opinião, não nos sentamos e ouvimos o que o outro tem a falar, e refletimos sobre a possibilidade dele estar certo, e enxergamos uma oportunidade de evoluirmos intelectualmente e espiritualmente?

Refugiados africanos, europeus e asiáticos na Europa; o Congresso mais conservador do Brasil desde 1964, eleito PELO POVO BRASILEIRO, aprovando projetos e leis sem fim que reduzem os já poucos direitos do povo sofrido brasileiro; este mesmo Congresso, com intenções parecidas com as anteriores, caça a Presidente Dilma e busca convencer o povo brasileiro, através da mídia, que a solução para o Brasil é um impeachment, mesmo que não haja argumentos legais para tal; homossexuais continuam a ser espancados e assassinados, enquanto a popularidade de Bolsonaros e Felicianos só aumenta;

Ataques terroristas em Paris justificam o bombardeio de todo um país, com a morte de milhares de civis; este mesmo país é estratégico no controle do petróleo no Oriente Médio pelos EUA e os países aliados da OTAN, mas acreditamos que o bombardeio à Síria se deve ao atentado em Paris; na Alemanha, movimentos como o Pegida crescem e ganham popularidade.

Alguém diz estar ciente que Eduardo Cunha é um bandido e mafioso inescrupuloso, mas defende o impeachment de Dilma, liderado e encabeçado por esse mesmo Cunha;

Afeganistão, Iraque, Egito, e dezenas de outros países da Ásia e África continuam em eterno estado de guerra, com milhares de mortes semanalmente, financiados por empresários e governos de países ricos, mas nós só nos indignamos pra valer quando 100 pessoas morrem num atentado terrorista em Paris, ou nos EUA, ou em Londres.

Eu já escrevi isso anteriormente, mas assim como o Natal e Réveillon se repetem, também irei me repetir: “eu desejo para o próximo ano, que todas as pessoas ajam como se Natal e Réveillon fossem todos os dias do ano”.

por Miguelito Filosófico

figura daqui

alienacao-futebolDevido a forças maiores, estou há aproximadamente dois meses afastado da internet. Tenho lido pouco, e escrito muito menos.
Mesmo assim, a Terra continua a rodar, e desconsiderando alguns casos pontuais, muda-se alguns atores coadjuvantes, mas o filme é o mesmo, se repetindo numa história mal contada.

Recentemente, na casa de um amigo meu, ele, eu e seus convidados começamos a conversar sobre o escândalo da Volkswagen. Eu mais que depressa já coloquei meu posicionamento não convencional: “não entendo todo o espanto, só porque é empresa alemã o pessoal acha que não tem corrupção, pilantragens e abusos. É uma gigante do capitalismo, eles visam lucro, por mais que existam programas esporádicos de ‘boa-conduta’, a grosso modo, a maior parte do jogo é sujo”.

Rapidamente alguém já tirou da gaveta dos clichês a palavra “Brasil”, com a frase: mas não queiramos comparar a Alemanha com o Brasil!
A partir daí foram duas horas de “mais do mesmo”, eu citando episódios, história, histórico de nossa mídia, colonização, cartéis de empresas e governos desenvolvidos em países em desenvolvimento, vassalagem de nossa política aos interesses internacionais, as inúmeras farsas e constante desconstrução ao governo e seus integrantes, etc.

Enquanto eu falava era possível ouvir os murmúrios: “faz sentido”, “é verdade”, “claro, isso todos sabem”, “sim sim, isso ninguém pode negar”, “ah, a reputação da Globo realmente é uma piada”…
Mas, mesmo com todas essas concordâncias, o resultado final era: “mas nada vai me convencer do contrário, o Brasil piorou muito com o PT”, ou “ah, mas vai me dizer que você acha que Lula é Santo”, ou “tudo bem que é mentira que o filho do Lula é dono da Friboi, mas como que ele ficou tão rico de repente, hein, hein?”, ou “mas já viu os discursos da Dilma? Ela fala tudo errado!”, ou “mas aquele Maduro da Venezuela é um louco, num discurso ele disse querer expulsar uma empresa da Venezuela, pois ela estava roubando mais que ele…”.

Intervi: “pessoal, é exatamente essa a ideia dos donos da informação; muitas das mentiras deles serão desvendadas e expostas, muitas informações não farão sentido para a população, muitas informações serão contraditórias, mas isso não importa, pois os detalhes serão esquecidos. O que importa é que no fim, fica uma concepção formada na cabeça do cidadão; ele ouviu e leu tantas coisas que visam criar uma verdade, que aquilo realmente se torna uma verdade incontestável, mesmo que uma grande parte das informações sejam posteriormente confirmadas como mentiras, ou mesmo que a idoneidade e ética daqueles que nos deram a informação (no caso a mídia) seja indubitavelmente inexistente”.
Eu ainda citei, uma vez que estamos na Alemanha, uma frase atribuída a Goebbels, ministro de Propaganda de Hitler: “uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”.

A noite acabou sem consenso. Mas fica a esperança de que alguma semente tenha sido plantada para o futuro.

Antes de ir embora, o meu amigo ainda me disse: parece que agora há risco real de impeachment da Dilma, devido às pedaladas fiscais.
Eu pensei com meus botões: há risco real de impeachment desde quando ela assumiu. A cada tentativa falha, surge uma nova justificativa, teoricamente ainda mais plausível e concreta, que também acaba sendo tida, por fim, como infundada. Lembrei-me ainda que antes de me retirar da internet, o mês de agosto era o mês decisivo, e que se Dilma não caísse em agosto, não cairia mais. Já estamos no meio de outubro e a história se repete, e o povo vai esquecendo o que aconteceu na semana passada, numa repetição lamentavelmente débil dos mesmos erros. Se diversos argumentos e tentativas de impeachment eram vagos ou sem provas, isso indica com quase certeza absoluta que não há motivos para impeachment, e tudo que há é uma tentativa desesperada de cavucar até o fundo do poço buscando qualquer tipo de argumento que soe vagamente moral, e certamente hipócrita e redundante, para conseguirem aplicar o tão desejado golpe.

Num outro episódio, há poucos dias, num restaurante brasileiro em Erlangen, na mesa ao meu lado, tentei evitar, mas os ouvidos não obedeceram, e acabei ouvindo a conversa de seis jovens Cientistas sem Fronteira com um jovem alemão que falava português.

Entre deboches e críticas ao Governo, outros maldizendo a desvalorização do Real; alguém pergunta como funciona nosso câmbio, e uns três dizem “não sei” enquanto os outros se calam. Outros mencionam a avassaladora crise que enfrentamos e afirmam ser culpa do PT, e na sequência uma menina lança o assunto do Habeas Corpus para que Lula não fosse preso.
O alemão pergunta, o que é um Habeas Corpus. Todos se calam. A moça que trouxe o tema diz: “ah, não sei direito, mas é um negócio que você entrega pra justiça para evitar ser preso”; e termina com o pênalti sem goleiro: “não tenho certeza, mas ‘minha opinião’ é que eles iriam prender Lula por corrupção, e ele foi lá e entregou um Habeas Corpus para continuar livre”.

O papo continuou, com os mesmos clichês de sempre. Sobravam achismos, faltavam certezas. Sobravam notícias picadas, faltava conhecimento e crítica. Sobrava superficialidade, faltava estudo. Sobrava preconceito, faltava reflexão. Sobrava ego e vontade de aparecer, faltava interesse em aprender.

Depois a comida deles chegou (graças a Deus) e eles não falaram mais nada: comeram calados seus pratos fartos e caros, pagos pela bolsa do programa Ciências sem Fronteira da Dilma-PT.

por Miguelito Formador

figura retirada daqui

Eduardo_Cunha_Votacao_MaioridadeRecentemente, pela primeira vez de forma tão escancarada na história do Congresso, houve duas votações consecutivas para um mesmo projeto.
Uma “democracia autocrata”, pelo visto.

Num dia, a redução da maioridade penal é rejeitada. No outro, o presidente da câmara resolve, por livre e espontâneo autoritarismo, mexer num detalhezinho do projeto e colocá-lo em votação de novo. Se perdesse, provavelmente teria outra votação no dia seguinte, e assim consecutivamente, até que fosse aprovado.
Essa manobra foi criticado por quase todos os órgãos e entidades da justiça, incluindo OAB, AMB, e ministros “conservadores” do STF, como Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello.

Nestas 24 horas, certamente, rolou um suborninho ali, outro aqui, dinheiro fácil na mão de um e de outro (corrupção), trocas de promessas, e coisa e tal, para fazer com que alguns deputados, em 24 horas, mudassem de opinião. Outro fator que contribuiu para a mudança repentina dos votos de alguns deputados foi a pressão, as ofensas e ameaças que sofreram vindas de seus eleitores, que se indignaram ao saber que o “deputado deles” votou contra a redução da maioridade penal, fazendo com que eles mudassem o voto no dia seguinte. (Mencionamos este episódio em outro post nosso AQUI)

Mas, você conservador e/ou mal informado que não conhece os dados da violência no Brasil (sobre a violência no Brasil, clique AQUI), muito menos se importa com a posição da ONU, UNICEF, OAB, AMB, Anistia Internacional, STF, e tantos outros órgãos sobre o assunto, tá dando a mínima para a corrupção nessas horas, pois o seu objetivo maior está mais perto de ser real: colocar o moleque na cadeia junto com os doutores do crime, para sofrer! O seu gosto por vingança está milhares de vezes acima na escala de prioridade, que o seu repúdio por corrupção. (Para entender melhor alguns dados e fatos sobre maioridade penal no Brasil e no mundo, leia nosso post AQUI)

Tomei conhecimento de uma votação feita numa TV de Ubá, perguntando se os ouvintes eram a favor da redução. Dos 64 votantes, TODOS eles disseram SIM. Ou seja, estão felizes com a vitória de Eduardo Cunha e devem até alimentar simpatia por ele, o homem que manda atualmente no Brasil.

Aí tem gente que se espanta com o Congresso. Se dizem espantados com tanta corrupção, e dizem hipocritamente que o problema não é com o PT, mas a corrupção num geral, sei… Se espantam em como um homem, envolvido em 11 de cada 10 grandes esquemas de corrupção, um fanático religioso, intolerante, que luta contra toda e qualquer causa progressista, só propõe projetos a favor de empresas e ricos e contra os pobres, gays, negros, mulheres, e minorias num geral; chega a ser Presidente da Câmara.

Não se espantem, pessoal. Eduardo Cunha, e os outros mais de 300 deputados conservadores e esdrúxulos que sentam na Câmara, foram sim, eleitos POR VOCÊS! Os mesmos que votam SIM em enquetes sobre a redução da maioridade penal. Os mesmos que votam NÃO em enquetes sobre o casamento igualitário/homoafetivo. Votam SIM pelo legalização do porte de armas. Votam NÃO para enviar nota de repúdio aos EUA devido à espionagem. Votam NÃO ao decidir se os recursos do pré-sal devem ir integralmente para a educação.

E parem de brandar por “eles não me representam”. Sim, eles representam sim, e estão sincronizados com mais da metade da população brasileira. Vocês votaram neles, pois eles representam suas ideias, seus anseios, seu egoísmo. A diferença destes deputados, e seus eleitores, é que os deputados têm o poder de influenciarem e “fod..” nossas vidas.

Em paralelo a isso, na surdina, o Senado votou reajuste dos salários de servidores do judiciário, no valor médio de 59,5% o que representará um impacto de 25,7 bilhões de reais em nossa economia. Sabem quem foi contra o reajuste, mas acabou perdendo? O PT….. As notícias dizem (vitória do Senado representa derrota para o Governo!). Para o Governo??? Ou para os cofres públicos e para o povo pobre e oprimido?
(obs.: não que eu seja explicitamente contra o aumento salarial dos servidores do judiciário. Mas o Governo está cortando gastos para reestruturar a economia, desemprego aumentando em consequência disso, salários congelados e uma série de outros efeitos colaterais. Daí, neste momento de “limpeza”, aprova-se aumento de R$ 26 bilhões nos gastos públicos, com aumento salarial para gente que já ganha, num geral, mais de 7 mil reais, incluindo aí juízes que já ganham salários altíssimos?)

Mas eu sei, já já vocês estão nas ruas de novo, pedindo o impeachment da Dilma e fora PT.

* Sobre a dupla votação da redução da maioridade penal, AQUI
* OAB diz que Cunha rasgou a Constituição. AQUI
* Veja como votou cada Deputado. AQUI

* Conheça os deputados que mudaram seus votos. AQUI
* Sobre o reajuste salarial do judiciário, aprovado pelo Senado, clique AQUI

por Miguelito Nervoltado

figura daqui

Hitler_maioria_FascismoOs episódios recentes de racismo, machismo, fascismo, ignorância, falta de educação, ausência completa de bom senso e respeito ao próximo, elevam meu grau de preocupação com o futuro do Brasil. Há uma grande parcela da sociedade brasileira que está doente, mentalmente doente. Histeria, ódio, irracionalidade, causados pela doença da estupidez.
(Quem quiser ler mais sobre a burrice e estupidez como doença, segue um artigo da filosofa Márcia Tiburi: AQUI)

O ódio que a mídia e líderes radicais de direita geram, e que muitos ajudam a disseminar (isso pode incluir você, então reflita) mesmo que de forma modesta e branda, é um trem desgovernado: depois que embalar, não é mais possível parar.

Se o pior acontecer, e este ódio se institucionalizar de vez em forma de Governo (já começou, com Cunha na presidência do Legislativo e com um Congresso extremamente conservador e repleto de radicais de direita), não chorem suas mágoas depois.

Aquele que diz ser contra o ódio, mas está sincronizado ideologicamente com quase tudo aquilo que os fascistas também defendem (contra bolsa família, contra mais médicos, querem o PT fora, acham que Dilma quebrou o país, contra cotas, a favor da redução da maioridade, contra aproximações com Cuba e Venezuela, se calam quando o Congresso mantem as doações privadas a campanhas eleitorais ou fazem uma mesma votação duas vezes em 24 horas para inverter um resultado do dia anterior, etc), é cúmplice da alavancada da insanidade.
A você, um lembrete: você não será poupado por estes fascistas quando eles tiverem o Poder ilimitado. Afinal, fascistas não irão reconhecer que você defende algumas das mesmas causas que ele; pelo contrário, ele irá somente reconhecer que você não defende algumas de suas causas, e então, irá te perseguir.

Quem também faz vista grossa, não se manifesta, tenta se manter numa falsa, e/ou hipócrita, e/ou covarde neutralidade (em cima do muro), não deve se enganar, pois também não será digno de misericórdia.
Além disso, é sempre bom lembrar: o silêncio dos bons deixa com que a voz dos maus prevaleça e cresça. Portanto, você, com pinta de neutro, é conivente e cúmplice, infelizmente.

Aos fatos:

  1. Adesivos de montagem pornográfica com a Presidente Dilma sendo distribuídos para serem colados nos tanques de gasolina dos carros. Nem vou me aprofundar neste assunto, nem vou descrever detalhes do adesivo (pois todo mundo o viu, o que dispensa minha narração), pois é tão, mas tão baixo, que sinto vergonha de falar sobre isso. Quem chegou a colá-lo no carro, precisa ser internado numa clínica psiquiátrica, pois está sofrendo de sérios problemas mentais, e não é só burrice não. E não estou falando isso para ofender, ou para mostrar meu desprezo (apesar de merecido), estou falando sério, a pessoa tem sérios problemas e precisa de tratamento.
  2. Maju Coutinho, jornalista da Globo responsável pela previsão do tempo no Jornal Nacional, recebeu diversos ataques racistas e machistas na internet. Entre os comentários, estavam os seguintes: “só conseguiu emprego no JN por causa das cotas, preta macaca” e “não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta, não”, além da palavra “vagabunda”, diversas vezes. Ao que parece, a maioria dos perfis que fizeram os ataques, são perfis falsos/fakes, o que para mim, não muda em nada o ocorrido, pois a única diferença entre um perfil fake e um verdadeiro, é que o fake representa alguém covarde, incapaz de se mostrar e expor o que pensa. Para ler mais sobre os ataques, clique AQUI
  3. Deputados do DEM, PR, PSDB, que decidiram ser contra a posição de seus partidos e votaram “contra” a redução da maioridade penal, sentiram por algumas horas, pela primeira vez em suas vidas, a insanidade do ódio. Até então blindados de tais agressões, provavelmente por pertencerem a partidos conservadores, receberam em seus twiters e Facebooks uma série de ataques maliciosos, machistas e sexistas (para as deputadas mulheres), ofensas, ameaças, e tudo mais. Esses deputados se disseram horrorizados, e manifestaram entender melhor agora o que sofrem políticos progressistas.Mara Gabrilli (PSDB-SP), Clarissa Garotinho (PR-RJ) e Professora Dorinha (DEM-TO) foram algumas das vítimas, escreveu o deputado Jean Wyllys. Segundo ele, as três se referiram às injúrias sexistas e às acusações de que eram “comunistas” e “vendidas ao PT”.
    Entre os que sofreram os ataques, muitos mudaram seus votos 24 horas depois (como foi o caso do deputado Celso Maldaner do PMDB, clique AQUI). A maioria nega a relação entre os ataques e a mudança do voto. Mas cá entre nós, o medo físico, e/ou o medo de perder eleitorado, certamente influenciaram a mudança de muitos deles. Também o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, longe de ser um progressista de esquerda, se posicionou contra a redução, e sofreu a ira dos fascistas, muitas vezes acompanhada de ataques racistas.
  4. Durante a comitiva da presidente Dilma nos EUA, uma repórter da Globo fez uma pergunta maliciosa, como de costume, para ser respondida por Dilma: “Senhora presidente, como lidar com a contradição de que o Brasil se vê como uma potência global, mas os EUA veem o Brasil somente como uma potência regional?”
    Obama, que percebeu a maldade da pergunta, se antecipou e disse: “Com licença, mas na parte que toca aos EUA eu preciso responder. Os EUA não veem o Brasil como uma potência regional, mas sim global. Eu poderia dar vários exemplos, mas vou lembrar somente que o Brasil é um dos países mais importantes e respeitados entre os G20, e além disso, o combate às mudanças climáticas e a diminuição da destruição do meio ambiente, só é possível tendo o Brasil como nosso líder.”
  5. E por fim, e talvez o melhor exemplo de como esse ódio fascista é completamente insano, doente e irracional. Durante a mesma visita da presidente Dilma a Obama, um jovem brasileiro, fã de Jair Bolsonaro, se infiltrou na comitiva de Dilma, e filmando começou a gritar e xingar a presidente. Vejam a notícia da Folha, onde também é possível acessar o tal vídeo (AQUI). Entre as ofensas, estavam as palavras: ladra, terrorista, assassina, comunista de merda e vagabunda.

 

por Miguelito Nervoltado

figura retirada do facebook, compartilhada por diversos perfis

Fome_01Vivemos tempos em que verdades se misturam e se esvaem no meio de tantas mentiras. Tempos em que acusações se confundem com condenações judiciais. Tempos em que, com uma boa estratégia de marketing, boatos se espalham como vírus, e uma vez espalhados, não há antídoto que os possa conter, a epidemia já se instalou.

Assim, falar em direito de resposta, soa como piada de mau gosto aos ouvidos dos sensatos. O que é o direito de resposta comparado ao estrago feito por uma mentira jogada ao vento e já entranhada no pulmão do senso comum?

O TSE concedeu, por 7×0 votos, direito de resposta ao PT na revista Veja, devido a uma calúnia feita pela revista. Antes assim, pelo menos mostra-se um mínimo de justiça. Mas qual o impacto de “reparo” que um direito de resposta tem frente ao impacto de “destruição” que a calúnia causou? Neste caso foi ainda pior, pois o direito de resposta foi suspenso por uma liminar concedida pelo Ministro Gilmar Mendes(*).

Tempos em que a sociedade não questiona porque depoimentos judicialmente sigilosos sobre possíveis esquemas de corrupção vazam na imprensa, em pleno segundo turno da corrida eleitoral, com o intuito único de manipular a opinião pública em reta final de eleições.

No caso da Petrobrás, primeiro vazaram depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa, que indicavam envolvimento de petistas em esquemas de pagamento de propina, o que gerou muita repercussão. Nesta semana, novos vazamentos do mesmo ex-diretor, dizem que em 2009 o falecido ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, recebeu 10 milhões de propina para engavetar uma CPI da Petrobrás no Congresso. Quando do primeiro vazamento, os anti-petistas voltaram a levantar a bandeira da ética e do “Fora-PT”. Quando do segundo vazamento, os anti-petistas fizeram vista grossa, pois envolve o PSDB.

Nestes tempos, um vídeo amador que denuncia que os correios estariam trabalhando ilegalmente pelo PT, distribuindo panfletos, alcança assustadoramente milhões de pessoas, o que indica que de amador, só tinha o tipo de filmagem, mas que na verdade era muito profissional, com uma força de marketing enorme por trás. Então sai uma nota dos correios comprovando que o serviço é legal, e também foi usado nesta mesma campanha por diversos outros partidos, incluindo o PSB de Marina e o PSDB de Aécio. Também o TSE emitiu nota dizendo que não havia nada de irregular no serviço prestado pelos correios. Mas já era tarde, o boato já havia contaminado aquela parcela da sociedade cega pelo ódio… Para estes, continua “claro” que o PT usou de forma corrupta e ilegal sua força de influência sobre os Correios.

Enquanto isso, a ONU divulga o Mapa da Fome do Mundo, onde pela primeira vez na história, o Brasil encontra-se “fora” dos países que sofrem com a fome crônica. Até 2002, o país possuía aproximadamente 40 milhões de pessoas passando fome, e não sabiam quando seria sua próxima refeição. Hoje, esse número se reduziu para, aproximadamente, 3,5 milhões de pessoas, representando 1,7% da população. Isso exclui o Brasil, portanto, do grupo de países que sofrem com problema crônico de fome. (Clique AQUI e acesse nosso artigo sobre o Mapa da Fome do Mundo, com detalhes do estudo sobre o Brasil, e com trechos da série de reportagens da Globo, realizadas em 2001, sobre a fome no Brasil naquela época).

Em tempos de completa insanidade, e de ódio cognitivo, boatos distorcidos sobre utilização de serviços dos correios, ou vazamentos de depoimentos de ex-diretor de uma empresa, ainda em processo de investigação e sem conclusão judicial, ganham mais popularidade que o fato de acabar com a fome de dezenas de milhões de pessoas.

Detalhe: Se você está cansado da agressividade na campanha eleitoral, lembre-se da lei da Oferta X Procura. Só se oferta, aquilo que se é procurado. Portanto, se os partidos e a mídia estão ofertando violência e chumbo trocado, é porque há uma procura por parte do eleitor/cidadão. Reveja, assim, seus valores, repense quais informações e notícias mais lhe chamam a atenção (fim da fome ou denúncias de corrupção?), e caso reconheça um erro na sua “procura”, reflita e tente se modificar. Depois disso feito, tente influenciar o meio ao seu redor. Quem sabe assim, teremos no futuro a chance de fazermos eleições mais limpas, onde o partido que mais apresenta propostas e se comporta de forma pacífica, conquistará a confiança da maioria.

(*) O Ministro Gilmar Mendes é aquele ministro que concedeu, em 2010, Habeas Corpus para o médico estuprador, Roger Abdelmassih, que violentou pelo menos 37 mulheres (pacientes). Também foi ele que soltou, mais de uma vez, o banqueiro Daniel Dantas, envolvido em escândalos de corrupção e operações ilícitas. E foi o único ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que votou contra a cassação da candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do DF, cassado pelo Ficha Limpa. (clique AQUI e acesse nosso artigo detalhado sobre Gilmar Mendes)

por Miguelito Formador

Reproduzo abaixo um texto que escrevi em meu perfil de Facebook, dedicado a alguns amigos específicos.
Aproveito a replicação aqui no blog para dedicar este texto também a todos vocês leitores que se sentirem identificados no que aqui será exposto.


AmorXódioQueridos amigos. Vocês são muito especiais, e compartilham comigo de uma mesma sensação recente, todos vocês.

A sensação de desilusão.

Sim, aprofundar nos estudos políticos e sociológicos, aprofundar nas observações sobre o comportamento da sociedade, gera uma frustração muito grande. Ao percebermos como o ser humano pode ser desonesto intelectualmente, hipócrita, arrogante, teimoso, agressivo, tudo em prol de defender seu ego, gera em nós um desgosto, um lamento. Como podem ser capazes de alimentar tanto ódio, sem nem mesmo terem motivos reais para o mesmo? Nos perguntamos.

Nós que nos esforçamos em demasia para obtermos o máximo possível de conhecimento e informação, para sabermos daquilo que falamos. Nós que refletimos todos os dias ao deitarmos em nossas camas, e pensamos profundamente sobre tudo, e tentamos ver se há equívocos em nossa maneira de pensar ou agir. Nós que sempre pisamos com os dois pés atrás, antes de acreditarmos em algo. Nós que temos sensibilidade dolorida, e qualquer suspiro de maldade do mundo nos corta a alma. Nós que buscamos desenvolver nosso senso crítico ao extremo, e percebemos assim as mentiras e maldade nos pequenos gestos. E principalmente, a nós que foi dado o dom de conseguirmos pensar nos outros, no coletivo, antes de pensarmos em nós mesmos. Nós que travamos nossa luta pelo próximo, pela melhoria de vida do outro, principalmente daquele que menos tem. Travamos essa luta com muita fidelidade, honestidade, ética, responsabilidade e amor, sem ganhar NADA em troca, simplesmente a consciência limpa de que estamos desempenhando nosso trabalho de formiguinha para construirmos um mundo melhor (mesmo que seja uma utopia, mas como disse Mia Couto, “a utopia nada mais é que a força que nos faz caminhar sempre em frente”).

Nós sofremos muito mais que qualquer outra pessoa. Nós absorvermos toda essa maldade, como um filtro. Um filtro humano, que absorve a sujeira, para que ideias mais puras cheguem ao próximo.
Não pessoal, não é gostoso ser filtro, e estar sempre carregado de sujeira. Mas o que fazer? Fechar os olhos e nos isolarmos em nosso mundinho? Sim… é possível, mas acho que eu não seria capaz. Plagiando Einstein “uma mente que se expande não mais se apequena”.

Ninguém disse que seria fácil. Muito pelo contrário. Eu por exemplo, a todos do meu arredor que me procuraram para que pudéssemos nos ajudar mutuamente e crescer juntos, eu sempre avisei: “Você tem que estar certo de sua decisão, pois é um caminho sem volta, e será cada vez mais doloroso”.
Eu sei que mesmo vocês não entenderam 100% o que eu queria dizer. Mas quem entende o outro 100%? Não há! Pois cada um de nós é um único universo.

Mas percebo que à medida que vocês se aprofundam, e assumem com maior intensidade a luta pelo bem para dentro de vocês, nós (você e eu) nos tornamos mais síncronos e nos entendemos/alcançamos ainda melhor.

Nessas eleições, máscaras caíram, e a hipocrisia, que é um problema crônico da sociedade brasileira, principalmente da maior parte da classe média, foi se desfazendo e se tornando algo claro. Preconceitos, arrogância, elitismo, individualismo, indiferença para com as dores do mundo, egoísmo, foram deixando de estar debaixo da máscara da hipocrisia, e foram se tornando parte de um discurso mais aberto e transparente, por parte de muita gente. E dentro destas “muita gente”, estão colegas, conhecidos, amigos de infância, parentes, família, pessoas que “admirávamos”. E pessoal, é ÓBVIO que isso dói demais em nossa alma! Tira-nos o sono. Causa-nos pesadelo. E muitas vezes, até mesmo nós que também somos seres humanos, sentimos coisas ruins, como preguiça, nojo, raiva!
Ora, só porque buscamos evoluir não quer dizer que sejamos perfeitos. Mas não nos coloquemos JAMAIS no mesmo balaio dos tolos, JAMAIS!
Estamos diante neste momento de compreender com maior plenitude a celebre frase de Che Guevara: “Há de endurecer-te, mas perder a ternura jamais!”

Sempre achamos essa frase bonita. Até mesmo os tais tolos acham essa frase bonita. Mas compreendê-la em plenitude é algo bem mais raro, pois exige uma caminhada individual, uma caminha árdua, mas que expande nossas mentes, e nos livra de correntes culturais do senso comum.
Para entender melhor essa referida caminhada, acesse AQUI meu texto “A escalada da Sabedoria”.

Com todos vocês aqui marcados, tenho conversado inbox no facebook, ou por e-mail, ou por telefone, ou pessoalmente, nos últimos tempos. Temos conversado muito, e sempre o mesmo assunto. Estamos todos cansados, desiludidos, desesperançosos. Queremos ajudar o mundo, mas o mundo parece não querer ser ajudado. Queremos dormir. Queremos fechar a porta para os problemas dos outros, e cuidarmos de nós, pois estamos enlouquecendo no meio de tanta insanidade. Queremos ter paz em nossas vidas! Queremos desfazer o Facebook. Queremos ignorar os e-mails daquele tio com ar de oráculo, mas totalmente alienado. Queremos bloquear dezenas de pessoas no Whatsapp, que ficam mandando fotos e vídeos mentirosos e maliciosos. Queremos evitar embates e debates. Não aguentamos mais!!!
Acreditem, as conversas com cada um de vocês individualmente, foram uma repetição de exclamações e desgostos. Portanto, entendam, compartilhamos exatamente dos mesmos sentimentos.

Assim sendo, eu quero dizer-lhes que, respeitarei em plenitude aqueles de vocês que se isolarem, ou evitarem futuros debates. Se está demais, então deves fazer isso mesmo. Eu te apoiarei, pois entendo sua complexidade, sua profundidade, e sei da dor que sentes.
E se você quiser continuar lutando, se ainda tiver alguma energia aí, conte comigo, como sempre pôde contar. Você não está sozinho, não mesmo. E sabe que minha companhia não é rasa, estou com você por maior que seja o seu inferno astral. Estou com você, antes de estar comigo mesmo.

Aproveito para lembrar que aqui não se trata de política somente pessoal. E sei que mesmo alguns de vocês não entendem quando digo isso, e me criticam. A política, em momentos de tanta tensão como esse, serve para revelar a face mais profunda do caráter das pessoas. Não se trata de apoiar Aécio ou Dilma, Marina ou Levy, Luciana ou Eduardo. Trata-se sim de apoiar a vida, apoiar um mundo mais justo ou não. Apoiar aqueles que já têm uma vida melhor, ou apoiar aqueles que mais sofrem. Trata-se de ser CAPAZ de abrir mão de seus benefícios pessoais, identificando que você já é um ser humano com muitos privilégios, e então lutar por mais direitos ao próximo, que tem menos direitos que você.

Portanto, não estamos lidando só com política, estamos conflitando com a dura realidade do caráter do ser humano, e é justamente isso que nos dói.
Portanto, nossa luta não é só política, mas é uma luta por um mundo melhor, por sociedades mais justas, mais críticas, mais coletivas.

Lembremos que todo ser humano é uma complexidade. Todos temos coisas boas e coisas ruins. No fim, nós somos o resultado de onde alimentamos mais. Se nos alimentamos de coisas boas, nos tornamos melhores. Se ingerimos coisas ruins, piores.

No Brasil, temos uma educação rudimentar, que não prepara o cidadão moral- e eticamente, não nos dá referencia de ética-social, não nos ensina a pensar criticamente, questionar, não nos ensina a aprender com humildade, não nos ensina a respeitar as diversidades e pluriculturas. Temos famílias que herdam uma cultura elitista e preconceituosa de seus antepassados escravagistas e aristocratas, e repassam isso para nós, em maior ou menor grau. Temos a forte presença de igrejas fundamentalistas, radicais e bandidas, com único interesse de manipular seus fiéis para obter grana. E temos uma mídia sem qualquer regulamentação, uma mídia bandida que defende única- e exclusivamente o interesse de seus patrocinadores, grandes empresas, em detrimento do interesse da sociedade.

Portanto, somos alimentados quase o tempo todo por tudo o que há de pior! Não tem segredo. Isso origina essa nossa sociedade, que elege Bolsonaros, Felicianos, etc… que elege o Congresso mais conservador desde 1964. Que protesta por mudança na política em 2013, e em 2014 elege uma política ainda mais podre que a anterior, e pior…. acham que fizeram bem seu papel de cidadãos.
Essas eleições são muito importantes, mas ganhando Dilma ou Aécio, a maior derrota já tivemos, que foi a vitória do conservadorismo no Congresso, e a revelação de quão contaminada está a sociedade brasileira.

Mas nossa luta tem que ir muito além da eleição. Nossa luta tem que continuar no dia a dia. Como fazemos para mudar os 4 pontos descritos acima por mim? Educação, Igrejas, Cultura familiar, Mídia? Pois somente mudando estes pontos, trabalhando aí, podemos ter uma sociedade que fomente o que há de melhor em cada um de nós, e nos faça enfim, nos tornamos um país mais honesto, mais justo, mais igualitário, mais inteligente, mais civilizado, mais coletivo.

Eu quero trabalhar, e buscar soluções para estes problemas. Eu continuo sonhando com um Brasil mais bonito, mesmo tendo a impressão de que o próprio Brasil não queira isso. Na verdade, eu sei que o Brasil quer, o problema, é que o Brasil não sabe que quer. Como disse Gilberto Gil “o povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe”.

Então, meu trabalho continuará sendo feito, mesmo que eu não seja compreendido. Pois esse é justamente um dos principais objetivos do meu trabalho, “fazer com que cada vez mais pessoas compreendam e alcancem o que eu, e outros militantes do povo, fazemos”. Eu luto para abrir os olhos da sociedade, para eles “quererem”. Quererem e aceitarem serem ajudados.

Amo vocês, e contem comigo para o que vier. Ao menos chegaremos ao fim de nossas vidas, olharemos para trás e diremos “nós tentamos”, que orgulho e alegria.

Com muito carinho.

* Para ler nosso artigo sobre o ódio e o amor na política, clique AQUI

por Miguelito Filosófico

Figura de edição própria. Figura original daqui

manifestação_2013_02Tem uma teoria que repito há alguns anos, não sei se li de algum filósofo/intelectual, ou se aprendi com algum sábio amigo, ou se fui eu mesmo que cheguei até ela a partir de minhas observações. Ela consiste no trato do amor e do ódio.

O amor e o ódio são tratados pela maioria das pessoas como o oposto um do outro. Isso é uma falácia enorme. O amor e ódio são irmãos, são dois lados da mesma moeda. Uma pessoa, num momento de ciúmes, decepção, sentimento de ingratidão, acaba facilmente confundindo o amor com o ódio.

Não é à toa que as brigas entre parentes próximos são tão intensas e constantes. Marido e mulher que se amavam tanto, da noite para o dia, passam a se odiar, muitas vezes gerando até agressões verbais e físicas, e algumas vezes originando até mesmo a morte de um dos dois, ou de ambos. É o amor imaturo, doentio, se transformando em ódio.

E podemos nos lembrar do contrário, quando crianças que eram iguais a cão e gato na escola, futuramente acabam se relacionando, e até se casando, o que deixa então claro que toda aquela repulsa de um pelo outro, era na verdade um amor, paixão, atração mal compreendido(a) devido à imaturidade.

Portanto, o oposto tanto do amor, quanto do ódio, na verdade, é a indiferença. Sentir indiferença é sentir nada. Não há espaço para amor, nem ódio. É a ausência de sentimento. Já o amor e o ódio indicam a presença dos mais intensos dos sentimentos.

Na política, a história é bem parecida.

Vivenciamos em 2013 uma sequência de manifestações de cunho político. E interessantemente muitos dos manifestantes levantavam bandeiras “anti-políticas”, de ódio e negação à política.

Ora, existe algo mais político que ir às ruas protestar contra a política? A negação à política é por si só, um ato extremamente político. Mas muitos dos manifestantes, em sua maioria jovens de 16 a 25 anos, não se deram conta disso, talvez por falta de conhecimento, talvez por ingenuidade, talvez por falta de reflexão, ou uma combinação disso tudo.

O ódio à política está muito próximo do amor à mesma. O que os separa é uma linha tênue.

Exemplificando:
Imagine um jovem, que pintou a cara, foi à rua com cartazes dizendo “Impeachment da Dilma”, “Impeachment de Alckmin”, “Cassação de Renan Calheiros”, “Dissolução do Congresso”, “Político é tudo pilantra”(sic), “vamos tirar essa corja de bandidos do poder”. Todas essas frases carregam uma mensagem de ódio à política. 

Então, imagine que cheguemos a este jovem e lhes mostremos que estamos querendo fundar um novo partido: O “Jovens Contra a Política Suja” (JCPS). Explicamos a este jovem que somos contra “esses partidos”, essa “roubalheira”, essa “safadeza”. Queremos limpar nossa política, lutar por mais ética, mais compromisso com o povo, por um Brasil mais justo. 

Provavelmente esse discurso lhe agradaria, e ao ser convidado, esse jovem provavelmente aceitaria participar do projeto, integrando então o novo partido político.

Pronto, de ódio à política, aquele jovem passou “a ser a própria política”. Foi tanto “amor” que acabou trazendo a política para sua própria vida

Já uma pessoa indiferente à política, não tem qualquer sentimento, não sente raiva de políticos, nem de partidos, muito menos amor ou empatia. Conversas, artigos, livros, debates políticos lhe causam somente um sentimento, o tédio.  Essa pessoa, dificilmente aceitaria participar de um projeto político, jamais irá às ruas protestar, provavelmente continuará justificando sua ausência nas eleições, ou no máximo, votando nulo. Portanto, a indiferença e o ódio à política são muito distintos.

A negação à política, o ódio mostrado por uma parcela dos brasileiros, é algo muito forte, interessantíssimo, mas também perigoso. O envolvimento político é uma das consciências mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade enquanto democracia saudável e para o progresso da Nação. Porém, é preciso muito, mas muito cuidado. O envolvimento imaturo, carregado de emoções não refletidas, não digeridas, originando inclusive o pensamento de estar negando exatamente aquilo que se está fazendo, pode ser uma ferramenta perigosíssima nas mãos daqueles com maior compreensão, experiência e ambições.

Temos nessas eleições de 2014 um grupo político, composto por dinossauros/anciãos da política, pessoas que já participam do processo político em seu mais alto grau há muitas décadas. Políticos, marqueteiros, publicitários, empresários, economistas envolvidos até a cueca, há décadas, neste mesmo processo político atacado pelos manifestantes.

Esse grupo é exatamente igual aos outros grupos. Têm as mesmas intenções, mesmos objetivos, mesmas ambições, porém com uma diferença: O discurso é diferente.

Eles, de forma muito “astuta” e “sagaz”, adentraram numa campanha política, utilizando-se da negação da política, com o claro intuito de conquistar a confiança daqueles milhões de jovens que foram às ruas ano passado. Portanto, é o mais do mesmo, vestido com roupa nova.

Esse grupo é uma repetição do que já aconteceu algumas vezes na história do mundo. Eles representam a Terceira Via. E as experiências que o mundo já teve com tais discursos ludibriadores, não foi nada boa.

Portanto, é muito importante que desempenhos nosso papel em outubro com muita consciência. Não há heróis, não há milagres. Não nos ceguemos pelas emoções. Tragamos o racional á tona e saibamos identificar incoerências. Saibamos identificar mentiras, aplicando um simples toque de lógica. Não deixemos que as manifestações do ano passado tenham servido para colocarmos no poder pessoas que estão utilizando os mais sujos dos jogos psicológicos para com a sociedade. Colocar essas pessoas lá é jogar no lixo a legitimidade dos protestos de 2013 e colocar o Brasil em uma situação de enorme risco, com grandes chances de retrocessos, tanto econômico quanto social.

Sejamos cidadãos responsáveis, eleição não se trata de protesto, de birra, de ódio irracional, sequer se trata de jogos de risco numa mesa de cassino, ou investimento em bolsa de valores. Eleição é o que há de mais sério em nosso papel de cidadania. Saibamos escolher o projeto mais coerente, mais sensato, mais praticável, e mais soberano para nosso país.

* Para ler mais um artigo nosso, que relaciona a opção política com o caráter do eleitor, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui + montagem minha