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Frankfurt_Protest_04

Um dos males do povo brasileiro: Achar que vive sozinho, isolado do resto do planeta.

Em Frankfurt na Alemanha (fotos), cerca de 17.000 protestantes de diversas ideologias e “tribos” (inclusive Black Blocs) foram às ruas, na quarta-feira, dia 18.03.2015, protestar contra o sistema capitalista e a crise na Zona do Euro, com foco nas políticas do Banco Central Europeu. Frankfurt_Protest_02Os protestos ocorreram, em boa parte, de forma agressiva, com manifestantes depredando patrimônios privado e público, quebrando vitrines, ateando fogo em veículos (inclusive da polícia) e lojas, e com confronto entre civis e policiais.

A polícia teve que usar bomba de gás, canhões de água e cassetete. Os manifestantes usavam pedras e coquetel molotov. Centenas de pessoas foram detidas. Mais de 100 manifestantes, e quase 100 policiais ficaram feridos.

Frankfurt_Protest_01O fato é que, existe uma crise no sistema vigente, e o Brasil não é uma ilha. Até na Alemanha, país mais estável e desenvolvido da Europa, os ânimos estão à flor da pele. A economia da Alemanha desacelerou, tendo crescido, desde 2009, a uma taxa média de 0,7% ao ano, bem menos que a média de 2% do Brasil no mesmo período. O desemprego começa a subir, com grandes empresas fazendo demissões em massa. A sociedade se divide num debate sobre as possíveis soluções para a Zona do Euro. Já se estuda cortes de direitos dos trabalhadores. Ideologias e movimentos fascistas ganham força, e cada vez menos, estrangeiros e refugiados são bem recebidos, não só na Alemanha, como em toda Europa ocidental.

Frankfurt_Protest_03A diferença é que, na Europa, há realmente uma grave crise do Sistema Político-econômico-social e, segundo previsões de especialistas e intelectuais, é um sistema em decadência e a Europa vive um período de transição, onde muito está indefinido.

Já no Brasil, essa crise é principalmente induzida por interesses políticos de grupos que sempre tiveram enormes privilégios em nossa sociedade e viram seus privilégios serem levemente ameaçados ao longo dos últimos anos. E claro pelo clamor da Grande Mídia que pinta um cenário de caos para tentar desconstruir o Governo. Isso gera um pessimismo generalizado, o que resfria a economia, e causa sensação de insatisfação, principalmente com o Governo. Frankfurt_Protest_05E se a crise ainda não existe, é só questão de tempo para ela chegar.

Keynes e tantos outros estudiosos das sociedades e da economia já explicaram os efeitos deste pessimismo. Isso é estratégia conhecida, e pelo que pudemos perceber nos últimos dias, é eficiente.

por Miguelito Formador

Ps.: Clique aqui para uma das notícias da mídia alemã 

Ps2.: Notícia que mostra que o Brasil manteve recentemente seu grau de investimento avaliado pela Standard & Pools, ao contrário do que especulavam aqueles que querem gerar a crise, que diziam que seríamos certamente rebaixados. Clique AQUI
Mais uma prova de que nossa crise é, antes de mais nada, política. 

Imagens daqui e daqui

 

 

 

Reproduzo abaixo o excelente texto de meu amigo Philippe Araújo. Ele trata da isenção fiscal (impostos) para a FIFA durante a realização das Copas do Mundo (tanto no Brasil como em outros países). Com uma abordagem bem argumentada, objetiva, com lógica racional, e com adicional de bons links contendo informações de fundamental importância, essa leitura vem para complementar o meu texto anterior (clique AQUI) sobre verdades e mentiras sobre a Copa do mundo e sobre a revolta de algumas pessoas contra a mesma.

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fifa-corruptionRecentemente tenho visto muita gente criticando as leis tributárias criadas para o período da copa isentando a FIFA de pagar impostos no Brasil. Acho bonito tanta gente se preocupar com as arrecadações de um megaevento, ainda mais num país com uma taxa de sonegação como a nossa. É um costume que deveria dissipar-se por toda a população.

O que acho feio é reproduzir mentiras e usar argumentos vazios. Muito dos argumentos que leio/escuto são do tipo “o Brasil foi a única sede a dar isenção total de impostos” ou “nunca a FIFA lucrou tanto com uma copa do mundo”. Esses dois exemplos são perfeitos para demonstrar como o brasileiro comum* reproduz mentiras e/ou usa argumentos vazios. Vamos lá:

O Brasil não foi o primeiro, nem o segundo nem será o ultimo a dar isenção de impostos à FIFA, simplesmente porque isso é uma EXIGÊNCIA da entidade máxima do futebol. E não é pouco o que eles pedem: todas as subsidiárias da FIFA, toda empresa contratada, todo material comprado, todo serviço prestado referente à organização do evento será livre de taxas. E assim foi na Alemanha em 2006, África do Sul em 2010, agora no Brasil e assim será nas já confirmadas sedes de 2018 e 2022, Rússia e Catar, respectivamente.

Isso não é uma característica isolada dos eventos da FIFA. A organização das olimpíadas também envolve isenções fiscais e inclusive gerou, em 2012 nas olimpíadas de Londres, uma manifestação da população exigindo que os patrocinadores do evento pagassem os impostos. Assim, sem quebrar nada, os ingleses conseguiram garantir uma parte de sua arrecadação tributária.

Quanto aos lucros da FIFA, eu não sei se foram recorde (e duvido que Blatter nos conte. Não é à toa que a conta bancária dele é suíça), mas se foram recorde, isso só mostra a força da economia brasileira e o quão bom é fazer negócios em nossa terra. Eu não estou nem aí para os lucros da FIFA, que se diz uma organização sem fins lucrativos (risos). Eu me importo com o retorno financeiro da copa para o país, que injetará 142 bilhões de reais na economia, criará mais de 3 milhões de empregos e acrescentar 63 bilhões de reais à renda da população.

É impossível dizer que sediar a copa do mundo é um mal negócio. É, aliás, uma tremenda desonestidade intelectual. Fora ruim, Bélgica e Holanda não estariam também oferecendo 5 anos de isenções à FIFA para sediar uma copa do mundo. A FIFA sabe o quanto de retorno financeiro o seu evento traz consigo e se utiliza disso para maximizar os seus próprios lucros, através de algo do tipo “não vai me isentar? Ok, próximo da fila!” e sempre haverá um próximo na fila.

É mais ou menos por isso que eu acredito que a realização da copa do mundo é a prostituição mais bem-paga do mundo.

Mais sobre…

… as isenções fiscais concedidas pelo governo brasileiro: http://www.jogoslimpos.org.br/destaques/governo-federal-regulamenta-isencao-para-empresas-ligadas-copa-mundo/

… as isenções dos países-sede anteriores (em inglês): http://www.bbc.co.uk/news/10091277

…os protestos na Inglaterra: http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2012/07/16/ingleses-protestam-contra-isencao-de-impostos-para-patrocinadores-e-militarizacao-em-londres/

…e o resultado dos protestos londrinos:
http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2012/07/19/sob-pressao-multinacionais-desistem-de-isencao-de-impostos-em-londres/

…o retorno econômico da copa: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,ERT149593-16357,00.html

…e mais aqui: http://www.ecofinancas.com/noticias/estudos-fgv-ernst-young-diz-copa-2014-vai-gerar-r-142-bi-adicionais-para-brasil

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Ainda como adicional, sugiro a seguinte leitura/vídeo sobre a corporação FIFA. (Clique AQUI)
Abaixo um trecho da mesma:
Blatter: “Somos uma organização sem fins lucrativos”
Jornalista: “Mas com mil milhões de dólares no banco”
Blatter: “Isso é o nosso fundo de maneio”
“Quando tens um fundo de maneio tão grande, é melhor ver se o Tio Patinhas não anda a nadar lá no meio. Já não és uma organização sem fins lucrativos!”, comenta Oliver.

por Miguelito Formador

figura daqui

VaiTerCopaSimEm tempo: Enquanto eu escrevia esse post, já estando bem no final, saiu o pronunciamento da presidente Dilma sobre a Copa. Este pronunciamento converge com muito do que eu escrevi aqui, e veio até em boa hora para embasar ainda mais alguns de meus dados e argumentos. Clique AQUI para assisti-lo na íntegra.

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Amanhã, dia 12.06.2014, uma quinta-feira, começa a Copa do Mundo de futebol. O maior evento esportivo do mundo, já há décadas. Futebol  está entre as maiores paixões de várias sociedades espalhadas pelo planeta, mas em nenhum lugar ele é tão idolatrado como no Brasil.

Em 2007 o povo brasileiro torceu para que o Brasil  ganhasse como sede deste torneio, e vibrou ao ver esse sonho se tornar realidade quando fomos escolhidos. Lembro-me que a euforia era geral. Mas, o tempo passou, chegou 2013, onde uma onda de manifestações espalhou-se pelo Brasil. Tudo começou com os 20 centavos, que era um movimento extremamente legítimo, embasado e com um propósito bem claro. Aos poucos foi se abrindo o leque, e de repente, protestava-se contra tudo. Protestos legítimos se misturavam com protestos oportunistas. A mídia, que inicialmente criticou duramente os primeiros protestos que ainda lutavam por melhoria nos transportes públicos, passou a apoiar muitos dos novos protestos, “coincidentemente”, aqueles com predominância de críticas ao Governo Federal, muitas vezes direcionados à Presidente da República.

Até mesmo o MPL (Movimento Passe Livre) que havia iniciado os protestos dos 20 centavos, declarou estar se retirando oficialmente das manifestações, pois essas haviam tomado rumos contrários às causas pelas quais eles lutavam. As manifestações haviam sido “sequestrados” por grupos oportunistas, defendendo causas conservadoras e com intuito principal de desestabilizar o Governo. Clique AQUI ou AQUI para ler sobre a nota do MPL na ocasião.

No embalo do caos das manifestações, entre os grupos conservadores e/ou oportunistas, começaram a surgir as pautas criticando a Copa do Mundo, os atrasos das obras, os preços elevados das mesmas, e coisas do tipo. E eis que de repente surge o slogan: “Não vai ter Copa”. Pronto, aí começou um movimento que nunca mais parou. Um movimento conservador, sem muita lógica inicialmente, e que foi tomando corpo, criando novas argumentações e conquistando adeptos, principalmente entre os conservadores e entre a Classe Média, mas também entre alguns progressistas e entre as camadas mais pobres.

Acho que posso parar minha introdução histórica, pois penso que daqui para frente todos saibam o desfecho deste movimento, pois ele está aí até hoje a todos vapor. Posso, portanto, começar a fazer meus simples questionamentos e análises objetivas sobre o assunto.

Bom, até 2013 ninguém protestava ou reclamava contra a Copa. A Copa não era um assunto que incomodava o brasileiro, que gerava revolta, indignação, como é o caso da educação, saúde, corrupção, transporte público, etc. Estes problemas já estão no “pacote” de reclamação dos brasileiros há décadas, para não dizer séculos, e com total razão. Mas a Copa, nunca foi. Todos continuavam felizes e vibrantes esperando a Copa nos trazer alegria. Como que, de repente, a Copa vira uma das principais causas de revolta? O brasileiro do nada acordou para este tema? O povo percebeu repentinamente que a Copa era um mal negócio e estava levando a nação para o buraco?

Bom…. eu não sou tao inocente assim. Para mim está claro que a pauta “Não vai ter Copa” foi uma questão de oportunismo, e como sempre, o povo brasileiro foi, num geral, manipulado. Pelo Governo? Lógico que não, pois protestos contra a Copa é algo ruim para o Governo/Executivo/PT. Manipulado por quem então? Ora bolas, por aqueles que sempre nos manipularam durante 500 anos, a elite conservadora, os partidos de direita e simpatizantes, e os porta-vozes destes dois grupos, a Grande Mídia.

Alguns dirão: Ora, mas para a mídia é ruim se a Copa for um fiasco, afinal, a mídia lucrará bastante neste período. Hei de concordar com essa lógica. Porém, aqui não se trata de uma equação com uma única variável, mas sim com uma complexidade de variáveis.
Precisamos primeiro lembrar que para uma boa parcela da elite, e para quase toda a classe média (estou a  falar da classe média tradicional, em seu sentido amplo sociológico, o que vai muito além de poder aquisitivo), o PT representa um mau governo.
Para uma pequena parcela da elite (principalmente o sistema financeiro e o agronegócio), para uma ainda menor parcela da classe média, e para a maioria dos pobres e da “nova classe média” o PT representa um governo histórico, além de Jango, o único governo realmente com bandeiras sociais e de esquerda que tivemos na história.
Tá certo que, enquanto Governo, o PT é muito mais centro-esquerda que esquerda, mas já é um grande avanço se comparado aos 500 anos de direita elitista em nossa história.

Assim, voltemos à elite, mídia e Copa do Mundo. Num geral, para a elite e para a classe média tradicional, o PT tem que sair urgentemente do poder. A Grande Mídia brasileira está  concentrada na mão de 6 famílias. Essas 6 famílias possuem quase 80% do escopo midiático do Brasil. Dessas 6 famílias, 2 delas estão entre as 15 famílias mais ricas do Brasil. A família Marinho lidera o topo das famílias mais ricas do Brasil, segundo o ranking da Forbes. Clique AQUI
A mídia vive de patrocínio. No caso da Grande Mídia, eles são patrocinados, principalmente por grandes empresas, ou seja, a elite. Desta forma, aquela possuirá obrigatoriamente editoriais que não prejudiquem os interesses desta elite patrocinadora. Isso é  bem óbvio. Imaginem se um jornal X vai escrever algo bombástico que prejudique a imagem de seu principal patrocinador, correndo o risco do patrocinador retirar a publicidade.

Não é teoria da conspiração, é algo 100% lógico e assumido por qualquer especialista que estuda o mercado da mídia. A mídia tenderá a proteger quem lhes garante a sobrevivência, os patrocinadores. A elite empresarial representa no mínimo 80% de todo o patrocínio da Grande Mídia. Esta mesma elite está, num geral, contra o Governo, por este ser de centro-esquerda, e eles (a elite) gostarem de centro-direita ou direita. Assim, a Mídia, para ser coerente com quem lhes banca, bate no PT mais do que fazia com outros governos. E as provas sobre isso temos aos montes.

Com relação à Copa, a Grande Mídia parece ter adotado uma estratégia interessante. Apoiar as manifestações contra a mesma, elaborar editoriais negativos, mostrar pessimismo, e estimular a ideia de que o brasileiro não quer mais o evento. No caso, eles estão fazendo sangrar. Sangram a Copa, sangram o Governo, sangram a presidente Dilma, sangram o PT. Mas não matam….. pois matar seria péssimo! A Copa tem que ocorrer, e bem. Mas antes disso ocorrer, eles fazem sangrar para enfraquecer o Governo, gerar o caos, o ódio na sociedade. Mas na hora H, vão mudar um pouco o rumo do editorial, fazê-lo mais positivo quanto à Copa, fazer fortunas em cima do evento.
Ou seja, o resultado final para eles é: muito lucro na Copa, e um Governo enfraquecido. Mesmo que eles corram o risco da Copa não correr tao bem assim…. mas ela irá ocorrer, e eles terão mesmo assim muito lucro. Mas o Governo sairia extramente enfraquecido. Portanto, eles sacrificariam seus cavalos, para conquistar a rainha.

Agora que você já sabe da postura da mídia, e já se perguntou quando e porque os protestos contra a Copa surgiram, talvez esteja percebendo que seu ódio contra a Copa e contra o Governo, pode sim ter algum embasamento, mas ele é também resultado de um senso comum, de um objeto de manipulação de massas, feitos por muitos daqueles que oprimem as sociedades. Se você já está fazendo essas reflexões, ótimo, pois vou continuar.

Vou atacar agora as críticas mais ouvidas com relação à Copa, pontualmente:

  1. O Brasil não precisa de Copa, mas de educação e saúde
    O que uma coisa tem a ver com outra? Os investimentos com saúde e educação não foram alterados devido à Copa. O dinheiro da Copa saiu uma parte de capital privado, e a parte de investimento público saiu principalmente da verba destinada a infraestrutura e de empréstimos do BNDES. Investimentos com infraestrutura existiriam, com Copa ou sem Copa. O que o evento fez foi canalizar uma parte destes recursos de infraestrutura e acelerar vários projetos que já estavam em andamento, e criar outros novos, o que é muito bom, no ponto de vista urbano.
  2. Muitas obras não ficarão prontas, e muitas outras com atraso
    Verdade. Mas, só porque ficarão prontas  com atraso, significa que não são mais válidas? Quer dizer que, se for para fazer algo com atraso, é melhor sequer fazer? Não entendo essa lógica…. Ex.: Imaginem que queremos investir 500 milhões em educação até 2016. Agora, se só formos atingir os 500 milhões em 2017, então nem precisa investir, melhor não investir nada em educação! É por aí?
    A maioria das obras ficarão prontas. Algumas sem atraso, algumas com atraso, mais a maioria será feita. E se ficará pronta em 2014 ou 2015 ou 2016, o resultado será sempre o mesmo: obras prontas para melhoria na mobilidade pública. Esse é o raciocínio final que deve ser feito. Vejam AQUI o vídeo com o comentário do jornalista Bob Fernandes
  3. Os gastos da Copa são muito elevados
    Bom, os gastos públicos com o evento estão estimados em R$ 26 bilhões. Destes, somente 8 bilhões são para estádios. Os outros R$19 são para infraestrutura, turismo, segurança pública, entre outros, ou seja, excelente. Já os 8 bi gastos com estádios, bem, não dá para fazer Copa sem estádio, convenhamos. No mais, a maioria das reformas e construções foram exigência da FIFA. E além disso, sabemos que ao menos 10, destes 12 estádios, serão sim muito bem utilizados após a Copa. Afinal, futebol além de um amor, é grande negócio no Brasil.
    O PIB do Brasil é de R$ 5 trilhões de reais. Portanto, 8 bilhões de reais representam aproximadamente 0,16% do PIB de 1 ano no Brasil. Mas estes R$ 8 bi foram investidos no decorrer de 4 anos. Portanto, podemos dizer que, no período, o Brasil gastou algo em torno de 0,04% do seu PIB em estádios. Só de 2010 a 2013 o Governo investiu R$1,7 trilhões em saúde e educação, ou seja, 212 vezes o valor dos estádios, ou mais de 65 vezes mais que a soma de todos investimentos diretos com a Copa. Mais sobre essas comparações de valores AQUI e AQUI (e no pronunciamento da Presidente, que possui os valores ainda mais confiáveis)
  4. Precisávamos de 12 sedes?
    Concordo que não. E a FIFA sugeriu 8 sedes. Porém, 18 estados brasileiros pediram para sediar a Copa. Com muita negociação e diplomacia com governadores e prefeitos, o Governo Federal teve que ceder a 12 destes estados.
    Portanto, se você acha um absurdo 12 sedes, ou se acha absurdo alguns estádios em cidades que nem têm tradição de futebol, pois reclame com os governadores, parlamentares, prefeitos, vereadores daquelas cidades. Concentrar as reclamações no Governo Federal, é errado, pois foge do cerne do problema.
  5. A FIFA manda e desmanda nas regiões dos estádios e cidades sede
    Sim, e isso é um absurdo. Mas essa é a FIFA, uma grande corporação e cheia de poder de fogo. Tampouco é culpa do Governo ou da presidente o fato de a FIFA ser assim. Eles foram assim na África do Sul, na Alemanha, nos EUA, no Japão e Coreia do Sul, e em todos os lugares. Se quer reclamar da FIFA, então deixe claro no seu cartaz e na sua fala, que você está protestando contra a empresa FIFA. Não misture as coisas, aproveitando para atacar o Governo hipocritamente por coisas que eles mal podem interferir. Inclusive, indico este vídeo (AQUI), num programa de TV inglês, que mostra de uma forma divertida, a triste realidade de como funciona a FIFA e algumas de suas atrocidades mundo a fora.
  6. Temos os estádios mais caros da história
    Balela. Nas últimas copas do mundo, tivemos 2 estádios mais caros que o nosso estádio mais caro, que é o Mané Garrincha. Obviamente, para avaliar o valor do custo de um estádio, temos que considerar o custo financeiro X tamanho/capacidade do mesmo, pois não dá para se comparar um estádio de capacidade para 10 mil torcedores, com um de capacidade para 80 mil.
    Portanto, ao analisarmos custo do estádio/número de assentos, vemos que não há nada de anormal nos custos de nossos estádios, em comparação com os custos de estádios em Copas em outros países. Cliquem AQUI e vejam a lista dos 25 estádios mais caros da história das Copas. 
  7. A Copa está trazendo prejuízo, devido à ineficiência das obras e da corrupção
    Uma afirmativa abismal! Segundos estudos da FGV e da Ernst & Young, além dos investimentos de R$ 19 bi em infraestrutura, que retornam diretamente para a sociedade como qualidade de vida, a Copa e seu legado futuro ocasionarão um giro de aproximadamente R$ 112 bilhões para nossa economia. Ou seja, mesmo com ineficiência e desvios de corrupção, o retorno de investimento é de 5 vezes o valor do capital investido. Não há como discutir que a Copa é um investimento excelente para a economia. Leia mais clicando AQUI e AQUI
  8. Não sou contra a Copa do Mundo, sou contra a Copa no Brasil
    Esse é o campeão dos argumentos sem sentido e hipócritas. É tão insano que parece até um diálogo com Homer Simpson. Todos os protestos sempre foram a Copa no Brasil, e não contra a Copa em si, isso é óbvio! É tipo falar assim: Eu não torço para que a Dilma, ou Aécio, ou Eduardo Campos não se elejam presidente, eu torço para que eles não se elejam presidente no Brasil…..   Oi?
    Óbvio que estamos discutindo sobre a Copa no Brasil, usar esse argumento é mostrar que você ou é muito desonesto ou você tá mais perdido que goiaba na bananeira.
  9. Muitas comunidades estão sendo removidas sem o devido ressarcimento dos danos
    Aqui concordo em gênero, número e grau. É um absurdo o tratamento que está sendo dado a algumas comunidades indígenas e a comunidades carentes nas redondezas dos estádios. Para estas causas específicas, onde também se incluem os protestos dos Sem Teto, eu sou a favor de protestos sim, contra FIFA, contra a presidente, contra o Congresso, contra o Judiciário, contra governadores, contra prefeitos. Os protestos são válidos e legítimos.
    Mas aqui também há exageros e sensacionalismo por parte da mídia e de outros oportunistas. Dizem por aí que 150 mil famílias foram desalojadas. Segundo dados do Governo, o número oficial é de 6.652 famílias. Outra informação distorcida seria que as famílias estariam sendo deslocadas para construção de estádios. Segundo o Governo, essas famílias foram removidas para a realização de obras de mobilidade urbana, como por exemplo, transporte público coletivo. E todas elas receberam moradias do programa Minha Casa, Minha vida. Clique AQUI para ler a nota de 10 verdades sobre a Copa emitida pelo PT.
    Agora, novamente repito, concentrar críticas infundadas quanto aos desalojamentos na presidente, é novamente um erro.

Se é para protestarmos, por que não aproveitamos a Copa para protestarmos contra a riqueza das 15 famílias mais ricas do Brasil, que juntas acumulam uma fortuna de R$ 270 bilhões de reais, 10 vezes mais que os gastos com a Copa. Somente a família Marinho possui R$ 64 bi, mais que o dobro dos gastos com a Copa, e quase 3 vezes do que é gasto anualmente com o Bolsa Família. Protestemos pela implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas, portanto!
Ou então, por que não protestamos contra a sonegação de impostos feita pela sociedade civil brasileira. Só em 2013 já foram sonegados 222 bilhões em impostos. Daria para fazermos 10 Copas com o dinheiro que o povo deixa de pagar ao Governo, o que é de direito deste, por lei, para poder investir na melhoria do país. Se quiser acompanhar diariamente quanto o povo brasileiro sonega de impostos, acesse o Sonegômetro.

E sabe o que dói? Além dos protestos descabeçados contra a Copa, é ver essa mesma galera protestando contra o Bolsa Família, como se fosse uma dinheirama, e pior, mal aplicada. Enquanto os ricos brasileiros deitam e rolam em fortunas muito maiores que o valor total gasto com o Bolsa Família, e o brasileiro sonega até 20 vezes mais que o valor gasto no Programa.

No mais, deveríamos estar celebrando a oportunidade de sediarmos a Copa, que celebra o futebol, nossa paixão. Se há críticas a serem feitas no processo, que sejam feitas, mas da forma devida e com consciência, sabendo cobrar dos responsáveis.
A Copa já está e continuará girando nossa economia, aquecendo nosso comércio, elevando nosso PIB. Mais dinheiro para os cofres públicos, mais dinheiro para ser investido em infraestrutura, saúde, educação, segurança, e todo o resto. Além disso, a Copa é uma grande oportunidade para quebrarmos certos estereótipos que os estrangeiros têm quando ao Brasil, como sendo um país de florestas, praias onde as mulheres andam nuas, mulheres bundudas, carnaval, samba, criminalidade e futebol. Podemos mostrar que alguns destes estereótipos são falsos, e que também temos muito mais que isso.

É uma oportunidade de exibirmos nossas belezas para o mundo, o que despertará ainda mais o interesse pelo turismo no Brasil, além de alavancar negócios e investimentos estrangeiros no nosso território.

Boicotar a Copa, destruir a mesma através de caos, não fará com que nossos problemas sejam reparados. Pelo contrário, só aumentarão os mesmos. Frustrará os turistas, e espantará o interesse estrangeiro. Perderemos investimentos, o que pode dar uma porrada na economia, que pode parar de crescer, ou desacelerar, gerando regressos sociais, desemprego, redução de direitos trabalhistas e muito mais.
Os estrangeiros tampouco irão nos ajudar por verem que estamos protestando contra nosso Governo. Eles não se importam com nossos problemas. Não adianta achar que a Copa é uma oportunidade de mostrar para o mundo nossas mazelas, afinal, você acha que eles farão o que? Nos ajudar, enviando uma tropa do exército vermelho? Gerar o caos com o Brasil cheio de turistas, é como ter discussão familiar com a casa cheia de visitas. Você e sua família passam vergonha, perdem a confiança da visita, e por fim, não resolveram o problema que estava sendo discutido. Inteligente, né? Não, não é! É de uma imbecilidade sem fim!

Quebrar a Copa, antes de mais nada, não é ser contra o Governo, nem é lutar contra os problemas, ser contra a Copa é ser contra o Brasil !

* Leia também um ARTIGO bem interessante que mostra que outros países que sediaram a Copa também tinham motivos de sobra para protestarem, mas não o fizeram. E mostra também que nós brasileiros achamos que somos os únicos que temos problemas, no nosso velho complexo de vira-latas, e quando resolvemos protestar, protestamos de forma errada, protegendo os opressores e atacando os oprimidos.

** AQUI algumas suspeitas de suborno e negociações ilícitas da Rede Globo com a FIFA pelos direitos de transmissão da Copa.

*** E AQUI a entrevista do empresário Abílio Diniz, presidente BRF, maior empresa de alimentos do Brasil, fala do pessimismo empresarial para com o país, da oposição e ataques à Dilma, e sua opinião sobre o legado da Copa.

por Miguelito Formador

figura daqui

size_590_2013-12-11T232703Z_1614087320_GM1E9CC0KJV01_RTRMADP_3_UKRAINE-EUGostaria de ressaltar nesse post algumas notícias curiosas e interessantes que li sobre acontecimentos recentes pelo mundo.

O protesto na Ucrânia, onde manifestantes permaneceram por mais de quinze dias acampados na Praça da Independência de Kiev sob temperaturas negativas, deu resultado. Uma representante da União Européia revelou que o país voltou a discutir a assinatura do acordo de livre comércio, contrariando os desejos da Rússia.

Pra quem não acompanhou, o governo ucraniano abandonou conversas avançadas com a Comunidade Européia por pressão de Moscou; o que desagradou a população da ex-República Soviética que prefere atualmente acordos com o “ocidente” a acordos com a Rússia. (leia a matéria aqui e o novo caminho das negociações aqui)

protestotaliandiamonge1apNa Tailândia, protestos violentos ocorrem nas ruas desde Agosto deste ano. O motivo? Uma lei polêmica de anistia aprovada pela premiê, Sra. Yingluck Shinawatra (impronunciável). Mas, e qual o problema nisso? Esta lei representa manobras políticas arquitetadas pelo irmão da premiê, Sr. Thaksin Shinawatra, um bilionário que comandou o país com favorecimentos e compra de votos e hoje vive no exílio, depois que foi derrubado num golpe militar em 2006.

Agora a polícia convocou o líder dos manifestantes para conversar, visando minimizar o conflito; que não arrefeceu mesmo com a antecipação de eleições para Fevereiro próximo. A oposição acusa o irmão da premiê da compra de votos das zonas rurais e preferiria que o rei nomeasse outro governante (aqui a notícia de agosto e aqui+aqui os novos acontecimentos)

Alguns tailandeses acreditam que tais manobras são possíveis apenas porque o país vive uma monarquia, onde o rei, já com 86 anos, é muito querido, mas nada manda…

tn_620_600_cartaz_81213No Paraguai (isso mesmo, até no Paraguai!) em protesto contra a corrupção dos senadores, milhares de donos de estabelecimentos em diversas cidades penduraram placas de repúdio, negando-se a receber os senadores responsáveis em seus negócios, sendo eles, restaurantes, mercados, academias, farmácias, dentre outros.

A maioria dos senadores haviam mantido a imunidade parlamentar do Sr. Victor Bogado, que empregava parentes em cargos públicos e até a babá das filhas (que em Itaipu, recebia um salário de quase quatro mil reais).

As placas penduradas, mesmo sabendo que os políticos muito dificilmente entrariam nesses locais, geraram desconforto e, posteriormente, a revogação da lei e a cassação da imunidade do senador Bogado, que poderá ser julgado por má conduta administrativa e fraude. (caso deseje, as notícias podem ser lidas aqui e aqui)

Minhas conclusões para tudo isso:

1) Somos frouxos. Pois reclamamos demasiado e aceitamos corrupção, nepotismo, manobras políticas, manipulação da mídia, governador que usa helicóptero público para fins privados, drogas transportadas em veículos oficiais, dentre outras barbaridades.

2) É triste sentir inveja de países como a Ucrânia, a Tailândia e o Paraguai.

por Celsão irônico

figuras retiradas daqui dos próprios links apontados.

foto_mat_42407As manifestações ocorridas em Junho/Julho desse ano foram não só um marco na história recente do Brasil, como talvez o maior exemplo de manifestação popular desde as “Diretas Já” da década de 70.

Tal classificação, “popular”, enaltece a origem e participação de grande parcela do povo, geralmente apolítico, mesmo sem apelo massivo da grande Mídia. Ao contrário das passeatas pedindo o Impeachment do então presidente Collor na década de 90, que contou com o apoio da Veja, Rede Globo, etc..

Os protestos deste ano surgiram com um pequeno grupo de inquietos, buscando abertura para discutir alternativas de transporte público gratuito, tomou corpo contra o aumento de vinte centavos e “tomou de assalto” o país mesclando temas diversos e, de “carona”, abuso policial, certa desorganização e ausência de foco…

A mídia internacional cobriu e avaliou quase sempre positivamente os movimentos. Foi realmente como se um Gigante houvesse acordado.

(Esse blog “se empolgou” e falou sobre as manifestações aqui, aqui, aqui e aqui!)

De saldo, alguns governos recuaram no aumento das tarifas (entre eles, Prefeitura e Governo de São Paulo), grupos mascarados no Rio seguiram pedindo a saída do governador Sérgio Cabral, houve invasão de câmaras, tumultos na Copa das Confederações, no desfile do 7 de Setembro, etc.

Como nem tudo são flores, já dizia o poeta, surgiram os tais Black Bloc‘s por aqui (link Wikipedia); que são em teoria grupos anti-capitalistas organizados (e mascarados) que visam depredar propriedade privada símbolo do sistema (ou da repressão). Nos EUA os alvos principais eram Mc Donald’s e Starbucks. Por aqui foram os dois maiores bancos privados do país. Pois bem, o que era efetivo, justo e apoiado (num segundo momento) pela imprensa, perdeu até o apoio popular dada a violência e vandalismo destes indivíduos.

Greves de professores, funcionários públicos e bancários seguiram a esses acontecimentos; piadas surgiram, relacionando o movimento a uma ação esporádica e finita. Umas das frases amplamente divulgada e compartilhada dizia “O gigante acordou, reservou o ingresso da Copa do Mundo e voltou a dormir”, fazendo um paralelo irônico com a abertura das inscrições para os ingressos da Copa de Futebol, pela FIFA.

Enquanto um contra-golpe era arquitetado por políticos…

O prefeito Fernando Haddad divulgou no início do mês reajustes no IPTU, explicando-os como necessários para subsídio do transporte (aqui notícia e tabela com os aumentos médios por sub-prefeitura. Aqui, vídeo retirado do Jornal da Band com rápida explicação sobre o caso)

O tom da conversa já mudou, a câmara discute diminuir o teto dos aumentos para este ano, mas não o processo de correção do valor dos imóveis pelos valores atuais de mercado.

É no mínimo injusto! Não só por tomar valores atuais fruto de exploração imobiliária, mas principalmente por justificar o aumento de impostos pela fragilidade de um tema que estava em pauta para discussão.

O MPL (Movimento Passe Livre) segue com manifestações programadas para os próximos dias, mas sem entrar no mérito desta decisão ou do imposto municipal.

Como isso afeta também a classe média (ou principalmente a classe média), poderemos ver em breve o “Gigante” de volta às ruas.

É aguardar e conferir…

por Celsão correto

P.S.: figura retirada daqui

Alberto Carlos Almeida - De Frente com GabiAo contrário do que muitos pensam, política não é algo simples de se entender.

Quando pensamos então em um país como o Brasil, a política se torna algo ainda mais complexo.
Temos uma história “delicada”, passando pela colonização, o praticamente extermínio dos índios, a escravização de índios e negros da África, um golpe militar com 21 anos de ditadura. Vivemos somente a 30 anos um período “democrático”. Vale lembrar que até 1930 somente homens alfabetizados podiam votar, e que 70% da população era analfabeta, o que significa que somente a elite do sexo masculino participava do processo político, os pobres e mulheres não tinham o direito de expor seus anseios nas urnas.

Temos uma elite que herdou o poder e toda uma inércia cultural oligárquica, dominadora e suprema. Uma classe média que devido à nossa heterogeneidade racial e cultural, tem vergonha de assumir seus reais pensamentos, posicionamentos e preconceitos, e temem sofrer um “baque” financeiro sendo “rebaixados” aos grupos sociais excluídos (os quais eles discriminam, porém de forma retórica).  E temos as classes excluídas, principalmente compostas pela classe trabalhadora (trabalhadores manuais qualificados,  não qualificados e rurais), que sofre com a inércia da pobreza, com os preconceitos e com a falta de educação formal, num ciclo vicioso que, muitas vezes, só pode ser quebrado com ações externas (ex.: políticas sociais).
Mesmo com toda nossa miscigenação humana, sofremos com questões de preconceito, como a homofobia, o racismo aos negros e aos índios, o machismo, a xenofobia contra os imigrantes de países pobres da América Latina (Bolívia, Peru), além dos preconceitos inter-regionais, por exemplo, Sudeste e Sul (como preconceituosos) X Nordeste e Norte (discriminados).

Devemos lembrar também, que nossa história “ocidental” é recente e praticamente começa à partir da colonização, há 500 anos. Pensemos ainda por quantas mudanças atravessamos nos últimos 100 anos.
As revoltas, como foram expostas por parte da população brasileira nas ruas em julho de 2013 e que também são visíveis diariamente nas redes sociais, são muitas vezes (mas nem sempre), revoltas válidas, com motivos claros. Porém, em certo momento, faz-se necessário propor soluções para os problemas, ao invés de simplesmente ficar a apontar os mesmos.  E para propor soluções, é preciso entender todo o contexto histórico, cultural, político, geográfico, racial.

Assistam a entrevista no “De Frente com Gabi” com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Ele se denomina um cientista de centro, e por isso busca analisar de forma bastante imparcial a direita e esquerda;  a elite, a classe média, os trabalhadores e excluídos; a cultura política; a psicologia dos brasileiros; nossas questões sociais e históricas, e muito mais.
Entrevista sucinta, porém de grande eficiência no sentido de trazer informações concretas, profissionais, sem sentimentalismo e muito racionalismo sobre a política, sociologia e antropologia brasileira. Uma ótima possibilidade de se informar, principalmente para aqueles que lançam mão de seu direito de emitir opinião, mesmo possuindo pouco embasamento científico.

Para assistir à entrevista na íntegra, clique AQUI 

por Miguelito Formador

Planalto Central

Planalto Central

O Gigante foi acordado.

O Brasil surpreendeu a todos com uma demonstração ao mundo de que sua democracia, e seu nível de patriotismo são exuberantes. Fomos às ruas, marchamos, enfrentamos balas de borracha e por fim derrotamos a polícia fascista e a repressão em SP.  Vencemos, reduzimos o preço das passagens que estes políticos que nos exploram nos fazem pagar.

Eu não fui à rua protestar. Não por ser contrário, pois teria ido se as condições físicas atuais me permitissem, protestaria sim, e com certeza agregaria pessoas à reforma política tão necessária para o país. É um workshop político onde partidos políticos não são bem-vindos, O que é um paradoxo para um manifestação democrática. Todas as causas estão presentes, inclusive a extrema direita, o movimento social brasileiro foi às ruas. O MPL foi o estopim de um levante que contaminou uma parte considerável do país. Há muitas causas, inclusive as antidemocráticas e conservadoras, e nenhum partido.

É fato que o MPL foi vitaminado pelos acontecimentos, a ação imbecil da PM e o oportunismo de uma parcela conservadora da sociedade fez crescer a causa de um transporte mais barato para o trabalhador da periferia. Causa justa. Causa que nunca antes na história deste país foi preocupação da classe média que foi ás ruas e exigiu um direito do pobre, mesmo sabendo que este subsídio sairia do bolso do contribuinte.

A sociedade brasileira não será como antes, a classe média conservadora paulista foi indutora de uma revolta política e com isso mostrou ao pobre que este tem direitos, mudou a sua conduta, pois é essa mesma classe média que sempre negou direitos aos pobres avalizando a conduta dos mais ricos.

A dita parcela pensante da sociedade abriu uma caixa de pandora ao deixar o peso dos impostos subir-lhe à cabeça e estourar de raiva ao ver tantos pobres melhorando de vida. Uma revolução conservadora cuja estratégia seria conseguir comprar o apoio do pobre por R$0,20 e com isso vencer Dilma, nas eleições ou derrubá-la antes. Dilma balança. A classe média enfim conseguiu colocar o povo contra o governo.

Quais os motivos para uma classe média tão revoltada? Impostos altos, segurança, trânsito… Sim o serviços são ruins isso é fato. A corrupção é disseminada isto também é fato. O Estado é repleto de corrupção. Obras, legislativo, justiça, polícia, MP, FUNAI… prefeituras e câmaras no Brasil inteiro. Está por todos os lados. Isto é causado por falhas das Instituições do Estado, sobretudo aquelas que não são eleitas pelo povo. Quem garante a impunidade permitindo que a lei não seja igual perante a todos? Quem não processa o empresário corruptor e criminaliza o movimento social?

Algo precisa mudar, isso é fato.

Quais seriam os caminhos pra encampar esta mudança? Existem vários. Todos passam pela reforma política. Porém, a classe média preferiu o caminho revolucionário, demonstrou o tamanho do seu repúdio às práticas da classe política e mostrou ao pobre que ele pode exigir seus direitos, fez algo mais, mostrou ao pobre que ele pode ser superior ao aparato repressivo do Estado.

A classe média, acabou acreditando na ideologia de que é possível não ter ideologias e com isso agiu de forma contrária aos fundamentos conservadores. E ainda não percebeu o que fez.

A classe média, sobretudo paulista, chorou orgulhosa, tão orgulhosa como em 64 quando 500 mil foram às ruas contra a corrupção e o comunismo, O Brasil acordou!! Muitos sentiram esse orgulho de ser brasileiro pela primeira vez na vida, coisa que o pobre nunca perde.

Alguns dizem que a revolta da classe média é contra os políticos.

Porém a própria revolta é política, todos somos políticos, fazemos política quando compartilhamos um meme numa rede social. Xingar políticos de forma generalizada equipara-se a xingar o espelho. Política é algo tão natural quanto o ódio.

Quebrou-se a prefeitura, física e financeiramente, por uma revolta contra a política partidária. A revolta é contra os políticos ligados a partidos. Apenas estes. Não é contra juiz corrupto, o procurador corrupto, o policial corrupto e principalmente não é contra os empresários corruptores.

O Estado é ineficiente e corrupto como um todo. Porque a culpa é única e exclusivamente de uma instituição da sociedade, o partido político?

Sendo o partido uma instituição da sociedade qualquer um pode filiar-se e participar de discussões. A classe média julga que eles não prestam e não vale à pena tomá-los de assalto de forma democrática, fazendo-se ouvir dentro dos partidos.

Ou poderia criar um novo, tá aí a REDE da Marina como prova disso. Mas não foi isso que aconteceu. A classe média não quer se envolver com política. Vota pra salvar o mundo do PT e acha isso um saco.

Ela espera que o Estado incompetente e corrupto torne-se eficiente sem que ela própria participe do processo. Espera que um salvador da pátria apareça no cenário, já escolheram um, e resolva tudo. Um conservador que consiga antes de tudo colocar o pobre em seu lugar, que transforme investimentos sociais em segurança pública, contenha os movimentos sociais que a própria classe média acordou.

O verdadeiro gigante acordou e isso não é nada bom do ponto de vista conservador. Historicamente criminalizado no Brasil, o movimento social ganhou força com as manifestações e a classe média conservadora espera usar a PM no futuro pós-PT, como sempre fez, pra colocar o movimento social onde estava antes do levante.

Dizia Einstein que uma mente quando expande nunca volta ao seu tamanho original. No rescaldo das manifestações os grandes derrotados serão os conservadores, pois acordaram o gigante que a elite fez dormir por mais de um século, e não há bala de borracha que consiga fazê-lo voltar ao sono.
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Texto escrito e enviado pelo nosso leitor Erick Nogueira

por Miguelito Formador

RevogadoPois é…

O governador e o prefeito de São Paulo anunciaram que o aumento de R$0,20 foi revogado. E ainda foram além, abriram as portas aos integrantes do MPL (Movimento Passe Livre) para que estes participem do Conselho Municipal. Querem dividir com a sociedade parte da responsabilidade pela tarifa do transporte e buscar idéias e sugestões antes que o aumento volte.

Primeira etapa cumprida, eu diria. Ao menos para os iniciadores das manifestações, motivados pelo aumento do transporte. Mas… e agora?

Boa parte dos manifestantes, queira o MPL ou não, está “de carona” com eles, revelando alguma outra (ou várias outras) insatisfações, seja contra o governo, a violência na cidade, os gastos abusivos para a Copa, etc… Se por um lado a presença destes “novos revoltados” ajudou a dar volume ao protesto inicial, agora eles provavelmente se tornarão “órfãos” e deverão organizar as suas próprias passeatas, lideranças, estratégia.

Assisti ao programa Roda Viva na última segunda-feira e confesso que me surpreendi com a articulação dos líderes entrevistados e algumas idéias para o “depois”, como o passe para uso mensal, que já existe em outros países, por exemplo.

Será que os demais cidadãos que “saíram do Facebook” conseguirão se articular a fim de levar a cabo outras manifestações? Torço para que sim, para o bem da Nação.

por Celsão correto

P.S.: A TV Cultura disponibiliza os programas na íntegra pela Internet. O programa citado no post está aqui