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O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.

doriaEleições municipais concluídas em São Paulo.
Vitória massacrante, em primeiro turno, da nova estrela da direita, ou centro-direita-anti-PT: João Dória Jr.
O candidato teve pouco mais que 53% dos votos válidos! Desbancando não só o ex-prefeito Haddad, como também o “herói do povo”, Celso Russomano e duas ex-prefeitas: Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Tenho algumas considerações a fazer, ou opiniões a compartilhar, do meu modo “pirata” pra variar. Como estamos no Opiniões em Sintonia Pirata, nada mais natural.

Decepção em relação ao PT e aos outros candidatos? Pode ser.
Falta de opção? Também uma resposta possível.
Afinal, Haddad carregava a estrela do PT, massacrada pela mídia, mesmo evoluindo a cidade com projetos interessantes, como as discussões sobre o zoneamento da cidade (exposto aqui); Marta tinha alta taxa de rejeição, por estórias como Ministra do Turismo, de ex-prefeita, de política polêmica que pensa pouco; e Russomano é aquela incógnita apoiada por evangélicos e radicais conservadores, que sempre começa bem por ser conhecido na mídia antes da campanha da TV…

Pra começar, sabiam que existe um estudo que correlaciona o dinheiro investido, o tempo na TV e o número de votos?
E, nem é tão surpresa assim se pensarmos um pouco, a relação é direta: mais tempo de exposição, maior votação. Aquela velha frase de avó: “quem é visto, é lembrado”.
O estudo está aqui, em PDF. É extenso, mas interessante. Os autores, Bruno Speck e Emerson Cervi, analisam as eleições para prefeito em 2012.
Copio abaixo um trecho da conclusão:

Nos maiores municípios a diferença [do desempenho eleitoral] é ainda maior, com quase nenhuma importância da “memória eleitoral”. O que importa nessas disputas são as condições mais imediatas dos candidatos: estarem em partidos ou coligações com força/tempo de horário eleitoral e conseguirem maior participação no montante de recursos destinados às finanças de campanha.

Ou seja, aquilo que o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do nosso Dória, fez ao negociar uma secretaria com o PP em busca de tempo de horário eleitoral e exposição na TV, valeu muito a pena.
Expulsar uma professora da secretaria do Meio Ambiente fez com que a coligação de João Dória obtivesse um aumento de 25% para o seu sorriso.
Pra quem não leu, a manobra foi tão suspeita que o Ministério Público pediu a cassação da candidatura do peessedebista por desvio de finalidade (aqui e aqui)

Um outro contraponto à “acachapante” vitória de Dória (colei do UOL a rima) é a quantidade de abstenções. Quer seja por falta simples, 21,84% do total, quer seja pela quantidade de nulos (11,35% dos votantes) e brancos (5,3%), somando mais de um milhão, cento e cinquenta mil eleitores, negando todos os candidatos, em análise simples.
Só 65,15% dos eleitores votaram em algum candidato. E os 53% de Dória tornam-se apenas 34,72%…
É relevante? Eu diria que sim, uma vez que o voto é obrigatório em nosso país. Dá pra dizer, de forma distorcida, mas verdadeira, que 65% das pessoas não votaram em João Dória!
(os resultados podem ser obtidos do site do TRE – aqui. Aproveito para colar o link direto para as abstenções e para a votação)

Agora o que julgo ser mais grave: o governo Alckmin beneficiou empresas do “amigo” e afilhado João Dória Jr. em seu governo.
Foram anúncios nas revistas de Dória e eventos patrocinados pelo banco de fomento Desenvolve SP. Os “investimentos” somam R$4,5 milhões entre 2010 e 2015, período em que ambos se tornaram mais próximos.
E não é só nos governos do PSDB, o Grupo Doria usufruiu do “jeito petista de administrar”, de Lula a Dilma. Mesmo apartidário e apolítico, foi patrocinado pela Petrobrás e recebeu repasse dos Correios.
A fonte não é o pragmatismo político ou o Tico Santa Cruz, é a Folha de São Paulo (aqui).

Pra concluir, espero que nosso amigo “dazelite” cale minha boca, e realmente administre como um CEO.
Alguns amigos defendem a teoria de que uma cidade é como uma empresa. Sub-prefeitos são conselheiros, vereadores são diretores, secretários acionistas (não necessariamente nessa ordem). Dória pode provar que, racionalmente, há saída lucrativa (ou não-negativa) para uma cidade como São Paulo, terceiro orçamento da Nação.
Por falar em orçamento, se realmente acabar com a indústria da multa do Haddad, saída do petista para aumentar a arrecadação e diminuir a dívida municipal, já fará muito!
Sou contra as privatizações. Vejo o charmoso estádio do Pacaembu e seu clube tornarem-se prédios de alto padrão; e o mesmo pode acontecer com o Anhembi e o Autódromo de Interlagos… Esse último, inviabiliza de vez o GP Brasil de F1 no país, um dos eventos que mais atrai turistas para a cidade, após inúmeras adequações e reformas feitas em outros mandatos…

Quem viver verá!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: sou contra o “esquema” de aumento de arrecadação através de multas aplicadas por guardas que deveriam ter outras funções, por armadilhas montadas nas ruas, por tocaias nos viadutos. Mas entendo o desespero de quem tinha uma grande dívida e pensava em fazer algo para a cidade…

P.S.2: atualizei o link do estudo sobre dinheiro e tempo em TV na campanha para prefeito de São Paulo em 02/11/2016. E coloco aqui outro link para download, passível de cadastramento no site, caso o anterior também mude ou “desapareça”.
Outra leitura que vale a pena, resenha feita por Gabriela Siqueira, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema, citando múltiplos estudos e textos está aqui

Bate bola, jogo rápido: Aulinha de história, bem simples.

Tancredo_NevesTodo brasileiro sabe que Aécio é neto, por parte de mãe, de Tancredo Neves. Tancredo foi deputado, senador, ministro de Getúlio Vargas, primeiro ministro de Jango e governador de Minas Gerais no período militar; presidente eleito indiretamente após grande pressão popular do “Diretas Já”! Faleceu na véspera de sua posse, e virou um símbolo de luta contra a ditadura militar. (Leia mais AQUI).

Mas, a história de Tancredo, apesar de ter sido ele realmente um político talentosíssimo e super importante para o Brasil, sempre omite alguns detalhes. Faz-se parecer que Tancredo foi um guerreiro contra a Ditadura Militar, um líder da luta pela democracia. Ora bolas, sabemos que no período militar, qualquer pessoa, artista, intelectual ou político que se opusesse deliberadamente ao regime, era exilado ou preso, torturado e muitas vezes morto pelos militares. Mas, antagonicamente a isso, Tancredo continuou a construir sua carreira política neste período. Isso só foi possível devido ao seu comportamento pacífico e obediente ao sistema (aos militares).

Além disso, Tancredo participou da primeira tentativa de golpe em Jango. (Clique AQUI para ler mais sobre o episódio).

Lembremos também que ele foi eleito indiretamente, ou seja, por votação parlamentar, e não por votação da sociedade. Tancredo foi escolhido por um colégio eleitoral do Congresso vigente na época, Congresso esse, majoritariamente “simpático” ao regime militar, uma vez que os não simpáticos não permaneciam no Congresso e sofriam as penalizações mencionadas acima.

Assim sendo, podemos falar que Tancredo foi tudo, menos herói da luta pela democracia.


Bom, este é um lado da família de Aécio. Mas também há o outro lado, o qual parece que Aécio gosta de tentar omitir em suas biografias.

Aécio_CunhaAécio da Cunha, pai de Aécio, foi deputado Federal pelo ARENA, e pelo PDS. (Leia mais AQUI).

Mas, o que isso significa?

Alguém se lembra do partido ARENA?
Aliança Renovadora Nacional (ARENA) foi um partido político brasileiro criado em 1965 com a finalidade de dar SUSTENTAÇÃO política ao governo militar instituído a partir do Golpe de Estado no Brasil em 1964.

Á partir de 1979, a ARENA foi rebatizada de Partido Democrático Social (PDS). Mais tarde, um grupo de políticos do PDS abandonou o partido e formou a “Frente Liberal”, a qual, depois, tornou-se o Partido da Frente Liberal (PFL), atual DEM. (Clique AQUI e leia mais sobre a história da ARENA).

ARENA, PDS, PFL, DEM = nomes diferentes para o mesmo partido, mesmas ideologias, partido de ultradireita, fascista e sustentáculo do período militar, hoje saudosos desse período. E, onde o pai do Aécio fez sua carreira política, e onde Aécio começou sua carreira, trabalhando como secretário.

Além de ter sido criado e ter trabalhado nesse cenário de vínculos com a ditadura militar e todas as ideologias que ela carrega, ainda lembremo-nos do fato de que o DEM já há décadas é o fiel escudeiro do PSDB, ajudando claramente na guinada do PSDB para a direita reacionária.

O outro avô de Aécio Neves, agora por parte de pai, foi Tristão Ferreira da Cunha, político conservador, que assinou o Manifesto dos Mineiros contra Getúlio Vargas. Tanto Tristão da Cunha quanto Aécio da Cunha (seu filho), participaram do golpe militar em 1964 e receberam dinheiro dos EUA para organizar o mesmo.

Bolsonaro, um dos deputados mais votados do Brasil, é o principal representante no Congresso do saudosismo ao período militar e de ideais ultra conservadores, racistas, homofóbicos, machistas, de extrema direita. Bolsonaro apoia, coerentemente, Aécio nessas eleições.

Caso você não tenha conseguido captar o que estou querendo passar, vou ser mais claro: há uma conexão direta entre os militares do período militar e o projeto de governo do candidato Aécio. A conexão é a ideologia ultradireita, anti-povo, a favor da elite empresarial e completamente voltado para os interesses estrangeiros no Brasil, em detrimento dos interesses de nosso próprio povo. Há outras características parecidas também, como a tendência à censura da mídia e de cidadãos.

Para ler mais sobre esta parte da história de Aécio, omissa em suas biografias, clique AQUI.

por Miguelito Formador

figuras retiradas daqui e daqui

Jean_Wyllys_02Replico abaixo uma fabulosa declaração do deputado Federal reeleito pelo Rio de Janeiro, Jean Wyllys, na revista Carta Capital.

Jean se posiciona, como sempre, com muita clareza e sinceridade, sempre em prol daquelas lutas que julga mais importantes, as quais sempre tangem os direitos humanos e direitos civis sendo validados a todo e qualquer cidadão, independentemente de classe social, sexo, cor de pele, origem étnica e sexualidade.

Jean, integrante do partido PSOL, partido de esquerda e oposição ao atual governo, deixa claro que, discordar de duas pessoas, ou duas ideologias, ou dois projetos, não significa colocar ambas no mesmo balaio. Mesmo nenhuma lhe representando integralmente, há sempre diferenças fundamentais entre elas, e assim sempre se faz possível escolher aquele que mais se aproxima de você e daquilo que você pensa ser o correto.

Parabéns Jean pela bela e corajosa nota, típica de suas posturas.

Clique AQUI para acessar o texto, ou role abaixo para ler o mesmo.

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio artigo


Deputado federal reeleito pelo PSOL do Rio de Janeiro destaca que a presidenta e Aécio têm diferenças e que o tucano representa um retrocesso. Leia abaixo carta divulgada por Wyllys em seu Facebook:

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos — o que custou a execução de Jesus — nem sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.

Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.

Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.

Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um/a candidato/a presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos — e, sobretudo, no programa de governo apresentado — um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras “transfobia” e “homofobia” num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.

Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.

A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e pastor Everaldo; do ultra-reacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultra-liberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB) e mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.

Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultra-direita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia!

Vocês que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante estes quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem também que eu tenho horror a esse anti-petismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultra-liberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que eu vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam!

Por isso, avançando um pouco em relação à posição da direção nacional do PSOL, que declarou “Nenhum voto em Aécio”, eu declaro que, nesse segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apóio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.

Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a tod@s @s que me confiaram seu voto.

E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, dessa vez, vai:

1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;

2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário. (Ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);

3. fazer maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/AIDS, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;

4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;

5. e implementar o PNE – Plano Nacional de Educação – de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.

Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir, serei o primeiro a cobrar junto a vocês!

posts entrevistas - jn606Assisti às quatro entrevistas dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas feitas pelo Jornal Nacional, da rede Globo e devo confessar, primeiramente, que me surpreendi com o resultado, sobretudo na primeira.
Julguei, ou melhor, pré-julguei que a emissora entregaria seu apoio descarado a Aécio (ok, talvez a Eduardo Campos também) e perseguiria diretamente o PT.
Um parêntese importante: pra quem não sabe, existe um estudo sério, da UERJ, chamado manchetômetro, que mostra a veiculação de matérias positivas e negativas sobre os candidatos e partidos concorrentes à eleição atual desde o início deste ano (link aqui), nos jornais impressos de grande circulação e no televisivo Jornal Nacional, da Globo (levantamento específico do manchetômetro sobre o JN aqui); e a presidente Dilma lidera em notícias negativas no programa.
Enfim… a birra que a Globo tem com o PT já é antiga.

Pois bem, mal podia crer no que vi na primeira entrevista! Os apresentadores estavam sendo diretos, fazendo perguntas incômodas e “cutucando” feridas do PSDB.
Por exemplo, mesmo o senador Aécio Neves iniciando as entrevistas (definido em sorteio), foram feitas perguntas sobre o mensalão mineiro e o propinoduto do metrô, citando um dos apoiadores dele, Eduardo Azeredo, que ainda está presente nos palanques, e completando a informação que Azeredo só não foi julgado por haver renunciado. Perguntaram também sobre o favorecimento feito por ele, então governador de Minas Gerais, à própria família ao escolher um terreno do tio-avô para construir um aeroporto.
Meu lado desconfiado e “julgador” pensou: se a Globo está atacando assim o Aécio é sinal que deve apoiar o Campos…

Daí veio a entrevista com o pernambucano, um dia antes do trágico acidente, e o questionaram sobre as críticas recentes feitas ao PT, partido que apoiou e auxiliou no governo por sete anos. Além dessa, o candidato teve de se defender de acusações de nepotismo, quando apoiou a própria mãe numa campanha para a escolha à ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), cargo que é vitalício. Assunto espinhoso e desconfortável, pra dizer o mínimo.
O Celso “julgador” se perguntou se seria possível ver a Globo apoiando o PT atualmente, e se viu imaginando um trabalho sério e imparcial da grande mídia.

Passados os dias de luto da perda de Campos, foi a vez da atual presidente. E não é que eu estava errado em minhas suposições e a Dilma (lógico) também “apanhou” de Bonner e Patrícia? Enfrentou perguntas sobre o Mensalão, colocações sobre as atitudes dos correlegionários ante as condenações, que trataram os ex-líderes (corruptos condenados, frisou várias vezes Bonner), como guerreiros injustiçados; e falou brevemente sobre a saúde no país e a desaceleração econômica.
Mais astuta, ou mais bem preparada (?), consumiu seu tempo evitando o embate, detalhando e valorizando as respostas. E por isso, provavelmente, foi mais interrompida e mais atacada.

Finalmente chegou a vez de Everaldo Pereira, o Pastor Everaldo, fechando o ciclo. Mais atabalhoado, confessou que pretende privatizar a Petrobrás, em busca de um Estado Mínimo. Mas…Estado Mínimo não é política neoliberal? E o senhor não esteve sempre atrelado às lideranças da Esquerda? – perguntou Bonner. O candidato do PSC ainda assumiu que não tem experiências anteriores, criticou o casamento gay, aborto e o tema das drogas…

Os âncoras do programa, nas quatro oportunidades, interromperam respostas evasivas e insistiram na obtenção de detalhes desejados por eles, quase num esquema CQC.

Mesmo um tanto incomum e não isentas de parcialidade, acredito que entrevistas e debates nesses moldes possam trazer mais luz aos eleitores que os horários políticos e os ataques diretos que não tardarão a acontecer.

Pra quem não viu ou quer rever, abaixo estão alguns links do site da emissora e do youtube…
– Aécio Neves – aqui, sem link da entrevista inteira no youtube
– Eduardo Campos – aqui e aqui
– Dilma Rousseff – aqui e aqui
– Pastor Everaldo – aqui e aqui (em qualidade bem ruim)

por Celsão correto

para ler um outro post, com a opinião do Miguelito, diferente dessa aqui apresentada, clique aqui

figura – montagem de outras retiradas daqui e daqui

IMG_20140529_073355Era uma vez um país, que tinha um produto chamado retaw.
Era um produto muito importante para o funcionamento das coisas, mas a ele não se dava a devida importância. Era abundante e barato. Com ele era possível se alimentar, gerar energia, limpar a si mesmo e a outras coisas.
Todos tinham acesso ao retaw, era tranqüilo e confortável contar com ele ao longo de todos os dias. As cidades cresciam em torno de suas fontes e se expandiam em regiões onde o retaw abundava.
Algumas cresceram bastante e, estabelecendo influência local, transferiam o retaw presente nas cidades circundantes através de dutos, tornando-se mais atrativas e fazendo com que outras pessoas viessem morar nelas, crescendo ainda mais. Surgiram muitas cidades-metrópole, dentre elas A e B.

Porém, a medida que o tempo passava, a cidade A, maior do país, passou a consumir muito mais retaw do que conseguia retirar das suas reservas e seu entorno. E, uma vez que o retaw não podia ser produzida através de indústrias, começou a enfrentar um problema com sua população.
Campanhas sobre a importância do recurso e sua conservação começaram a ser feitas, mas a população não se atentava a elas, desperdiçar retaw era tão natural quanto respirar ou caminhar. Nunca havia faltado e seguia custando tão pouco que só poderia serem mentirosas as campanhas e alertas da mídia. “Eles querem o retaw só pra eles”, pensavam muitos.

Daí a cidade A passou a buscar o retaw em rincões mais e mais distantes para suprir as necessidades dos seus habitantes, ignorando os apelos das associações de defesa do retaw e o crescimento das cidades nestes rincões. A situação só fez piorar…

Com as reservas de retaw muito abaixo do normal, os governantes decidem por bonificar usuários que reduzissem seu consumo. Pouco efeito surtiu, já que consumir retaw é bom e desperdiça-lo já é parte do costume, da “cultura” local.

Eis que o governo da cidade A tem outra ideia: desviar o retaw que abastece a cidade B. Também uma metrópole local, mas com menor população e, por conseguinte, menor consumo. Isso afetará muito pouco a cidade B, pensam os arautos da ideia. E, ademais, não há como convencer as pessoas da iminente escassez do retaw em todo o país!

Obviamente, a cidade B foi contra o roubo descarado de retaw e um problema político virou conflito social e acabou em guerra e separação territorial.
Agora, o retaw custa muito caro, a energia não é gerada mais a partir dele, desenvolveram-se substitutos artificiais para limpar as coisas e, até para consumo próprio, os cidadãos se vêm obrigados a racionar retaw

por Celsão irônico

P.S.: pra quem não “ligou os pontos”, substitua a cidade A por São Paulo, B por Rio de Janeiro e troque “retaw” por água. As consequências e a figura são liberdades poéticas de minha parte.
P.S.2: pra quem não acreditou e/ou quiser ler algo a respeito, seguem três links (1, 2 e 3).

figura – montagem de arquivo pessoal

Serra, patrão do PSDB

Patrão do PSDB

Sensação de Déjà vu…

José Serra já tentou sabotar FHC antes das eleições presidenciáveis de 1994, depois sabotou Roseana Sarney em 2002 e tirou a mesma do páreo, e em 2010 foi a vez de tirar Aécio Neves de cena.
Agora, será que Aécio novamente não “conseguirá” se candidatar, e o PSDB permanecerá na teimosa ideia de Serra para presidente? Tudo está caminhando para que sim.
Cliquem no link AQUI

Aproveito para indicar aqui uma entrevista rápida, com o Dr. Cláudio Lembo, doutor em direito, ex-governador de São Paulo, político colossal, da antiga ARENA, depois PFL (DEM), atualmente filiado ao PSD. Foi aliado muitos anos do PSDB, de Alckmin e de José Serra. Vejam o que ele fala da política brasileira, e principalmente o que ele fala no fim da entrevista sobre José Serra. Vem muito bem a calhar com o cenário que se aproxima.
Entrevista de Bob Fernandes com o Dr. Cláudio Lembo AQUI


por
Miguelito Formador

Manifestante contra o Propinoduto

Manifestante contra o Propinoduto

Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias e que ainda vai dar o que falar é o esquema de cartel nas licitações do Metrô de São Paulo e Brasília, denunciado pela Siemens. Já fizemos um post sobre isso (aqui), mas antes de falar mais sobre este assunto, queremos contar uma historinha que poucos conhecem.

Até o final dos anos 90, a lei alemã permitia que empresários pagassem propina a autoridades no exterior, para facilitar a aprovação de contratos. Nos anos 80, a prática era tão comum, que as companhias podiam até mesmo descontar o valor das propinas do imposto de renda pago na Alemanha.

Não somente na Alemanha, mas em muitos países do mundo, essa prática de cartel e pagamento de propina era uma prática “legal”, pois não existiam leis bem definidas que impedissem as mesmas. Diversas empresas, em diversos países, realizavam práticas parecidas. Ou seja, não era exclusividade da Alemanha, muito menos da Siemens.

Essa prática surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial. As indústrias europeias buscaram mercados em expansão e carentes de tecnologia na época, como a América Latina, Ásia e Oceania para recuperar as economias e sair da recessão provocada pela guerra. Os cartéis e pagamentos de propinas eram comuns nesses mercados e incentivados pelos governos europeus, por significar uma provável “salvação”.

Com o passar dos anos, vários países começaram a atualizar suas legislações, passando a contemplar a proibição de tais práticas.

Na Alemanha, a reforma veio no final da década de 90. Porém, enquanto o mundo “puxava o freio de mão”, a Alemanha dava “totozinhos” no freio. Ao que parece, a cultura desta prática era tão presente no mundo dos negócios por lá, que os empresários alemães tiveram dificuldades em se adaptar às novas regras.

Então, em 2006/2007, tornou-se conhecido o fato de que a Siemens continuava com essa prática em diversos países. O que serviu de estopim para que a mentalidade alemã, no geral, entrasse num processo radical de mudança.

Na Siemens, houve uma verdadeira “faxina”. A “cúpula” da Siemens caiu: presidente, boa parte da diretoria de sua matriz (na Alemanha), além de diretores pelo mundo afora foram demitidos. Alguns foram inclusive presos. Multas milionárias foram aplicadas nos Estados Unidos e Alemanha e houveram sanções em diversos países.

Após esses escândalos, a Siemens adotou uma série de medidas e reformas internas com um único intuito: se tornar exemplo de conduta e de ética no mundo dos negócios.

Com essas novas diretrizes como pré-condição para a realização de qualquer negócio, a Siemens passou a ganhar os mais diversos selos de transparência e ética por todo o mundo e se tornou um exemplo de boa conduta. “

Agora, voltando ao caso específico…

De acordo com a mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas, entre elas a Alstom, Bombardier, Mitsui, CAF, TTrans e a própria Siemens, na disputa das licitações da CPTM e do Metrô de São Paulo e do metrô de Brasília.

Ainda segundo as reportagens, os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagava-se propina para membros-chave do PSDB e para diretores/funcionários do metrô de São Paulo (que é uma empresa estadual). O esquema viria desde o Governo de Mário Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB, afinal de contas, o PSDB governa São Paulo há duas décadas.

Vale uma ressalva aqui: o governador Geraldo Alckmin processou ou processaria a Siemens por conta das denúncias (aqui), ignorando o princípio de leniência aplicado a esses casos, que significa o não-envolvimento dos denunciantes (no caso, diretores da Siemens) nos processos advindos da investigação. Pois bem, para nós, o processo só foi (ou seria) aberto para tentar mostrar repúdio ao esquema e desvincular a figura dele próprio nesse “esquema”. Obviamente não dá pra “cravar” que houve envolvimento dos governadores, mas certamente todos eles serão réus de uma possível CPI ou mesmo investigação do Ministério Público. O governador parece bem confiante, pois até criou uma comissão externa para investigar o caso, chamada Movimento TranSParência (aqui).

Este escândalo ainda está em fase de investigação. O CADE possui mais de 30TB de informação pra ser analisada. E o processo pode durar meses! (aqui e no meio desta notícia)
A Siemens do Brasil não se pronuncia oficialmente sobre o caso, exatamente por estar em investigação.

O fato é: o que aconteceu no Brasil não é novidade, pois é o mesmo que aconteceu no mundo. Não é boato, nem conspiração, mas sim fato confesso! A diferença  é que, na maioria dos países o caso foi revelado e julgado, mas no Brasil, não. Já em 2008, funcionários da Siemens Alemanha davam depoimentos revelando os esquemas no Brasil. Mas o caso foi ignorado pelo Ministério Público de São Paulo e pela mídia brasileira. E aqui vai uma segunda opinião nossa: tais denúncias devem ter sido abafadas por conta de políticos e empresários envolvidos com o cartel, os quais possuem claramente estreitas relações com o Ministério Público de São Paulo e com a Grande Mídia.

Mas esse escândalo está na mídia” – alguns podem argumentar. Bom, a primeira representante da “Grande Mídia” a tratar do assunto com real atenção e profissionalismo, e principalmente sem atraso foi a revista Isto É, em sua edição número 2279 do dia 19 de Julho de 2013.

Aproximadamente duas semanas mais tarde, o restante da “Grande Mídia” acordou de um sono profundo, como se tivesse sido beijada pelo príncipe, e então começou a divulgar o escândalo. Porém, a maior parte dela divulga com certa cautela, evitando ao máximo dar “porrada” no governo de São Paulo e dando mais foco às empresas privadas envolvidas.

E o povo? Por que ninguém comenta sobre isso no Facebook? Por que ainda não existem e-mails sensacionalistas? Por que este não é o assunto mais tratado das mesas de boteco? Por que o silêncio da população?

Na última quarta-feira, dia 14 de Agosto, o MPL (Movimento Passe Livre) realizou uma manifestação “de panfletagem” com três mil participantes, contra o Propinoduto e juntamente com os metroviários. Justo, afinal já existem cálculos de que o prejuízo com o tal “Trensalão” (nome dado pelo PT) pode chegar a quase dois bilhões de reais, dinheiro que, se utilizado nas passagens de São Paulo, estas custariam algo em torno de R$ 0,90!

Se os cálculos estiverem certos, existe um motivo concreto e claro para justificar protestos e investigações. E mesmo assim, a manifestação do dia 14 contou com meros três mil participantes. Logo agora que existe um motivo concreto para luta, o povo adormece novamente (AQUI para ler sobre o gigante adormecido). Vale voltar a refletir sobre as causas e inspirações das manifestações de julho.

Pra concluir, deixamos outras perguntas pra reflexão: E se ao invés do PSDB, fosse o PT o partido envolvido? Como estaria a mídia? Como estaria o Facebook? Como estariam os e-mails? E como seria a manifestação do dia 14 de Agosto? Como seria……?

por Celsão Correto e Miguelito Formador

Figura daqui

IstoÉ_Propinoduto

Figura 1 – Isto É Propinoduto

Para início de conversa, assista ao comentário de Bob Fernandes sobre o Propinoduto. Basta clicar AQUI.

Só mais uma, das inúmeras provas que deixam claro todo o jogo elitista que está por trás da cúpula do PSDB.

Segundo divulgado em alguns meios da mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas na disputa das licitações do Metrô de São Paulo. Tem uma reportagem completa na Isto É. Basta clicar AQUI .
A Siemens é uma das envolvidas no Cartel, mas como a denuncia, ganha imunidade civil e criminal. Segundo apontam as notícias, haveria partido dela (Siemens) as denúncias.
Os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha, dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagavam propina para o metrô de São Paulo (lembrando que o metrô é uma empresa do estado de São Paulo que é governado pelo PSDB há 2 décadas) e para os membros-chave dos governos Tucanos. O esquema viria desde Mário Covas, passando por Alckmin, Serra e Alckmin de novo. Inicialmente se falava em um valor que ultrapassava os R$ 50 milhões, em pagamento de propina. Agora, já se fala que o prejuízo aos cofres públicos tenha sido de R$557 milhões, com a chance de ter sido ainda maior, podendo chegar a R$ 1,925 bilhão! Clique AQUI para ver a notícia da UOL.
Ou seja, valor igual ao do Mensalão (caso sejam confirmados R$ 50 milhões), ou 10 vezes maior que o Mensalão (caso confirmados os R$ 557 milhões), ou 40 vezes maior que o Mensalão (caso o valor seja de R$ 1,925 bilhão). E o brasileiro acreditando na mídia, que o convenceu de que o Mensalão foi o maior e mais perverso esquema de corrupção de nossa história.
Para acessar um gráfico ilustrativo de como ocorria, supostamente o esquema, clique AQUI.
Ainda vale lembrar que, mesmo com todos os holofotes dados ao Mensalão, e mesmo com as polêmicas ocultações de provas a favor da defesa (como assim ocultação de provas? Clique AQUI e tire suas conclusões), e mesmo com todo o esforço de Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Fux e outros Juízes de integridade extremamente questionável em condenar todos os réus com penalidade máxima possível, não existe no julgamento do Mensalão, nenhuma prova que mostre enriquecimento pessoal dos políticos envolvidos no esquema. Ali, a principal acusação é o chamado “caixa dois”, algo aplicado por todos os partidos desde a existência de política no Brasil e também a compra de votos de parlamentares, principalmente da oposição. Ou seja, se alguém enriqueceu, foram alguns parlamentares da oposição.
Já no propinoduto, estamos falando de pagamento de propina aos políticos e funcionários públicos. Milhões e milhões vindos do dinheiro público! Porque dinheiro público? Ora bolas, o cartel jogava o preço 20% acima da cotação oficial. Como o contratante é o governo de São Paulo, significa que o Governo está tirando 20% a mais de sua receita e pagando isso à empresa que ganha a licitação. Esses 20% excedentes, são depois repassados para funcionários do governo, em forma de propina. O que é isso, se não lavagem de dinheiro público para enriquecimento de funcionários públicos e membros do governo?
Outra observação interessante é, mais uma vez, sobre a mídia. Salvo exceções, como é o caso da Isto É, o restante da mídia praticamente se calou, no máximo, emitiu ruídos, nas duas primeiras semanas. Qual o motivo desse comportamento? Alguém vai me dizer que apareceu na Globo, saiu na Folha de São Paulo, no Estadão, etc. Mas só “bater ponto”, não conta! Quero ver dar cobertura, monitorar, pegar pesado, marcar em cima mesmo, e mostrar ao público, com o mesmo sensacionalismo do Mensalão. Sei que nos últimos dias a mídia aumentou a cobertura sobre o caso, e isso ocorreu, pois provavelmente perceberam que não tinha mais como esconder, e então tiveram que começar a falar, porém, com aquele tradicional “pega leve”, sem dar tanto foco partidário/político como deu no Mensalão ou a qualquer outro boato ou escândalo envolvendo o PT.
No Mensalão, foi pancada todas as semanas, todos os dias, desde que o esquema se tornou público através do Roberto Jefferson. E quando foi a julgamento, teve transmissão ao vivo pela grande mídia.
Vejam a figura abaixo, a qual ilustra muito bem o que estou falando.
Folha_Tratamento_PTxPSDB

Figura 2 – Tratamento da Folha – PT x PSDB

Manipulação da mais bandida que existe.

Por exemplo, a Folha recentemente publicou assim numa capa: “Rejeição de Dilma atinge 49%“…. Em outra capa, ela publica assim: “Alckmin tem 26% de aprovação“…..  Preciso falar algo mais? AQUI
Como disse Chico Buarque de Holanda: “A mídia ecoa muito mais o Mensalão do que fazia com FHC, a compra de votos, as privatizações. O FHC sempre teve uma defesa sólida da mídia, colunistas chamados de chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.” Querem me xingar? Não o façam, liguem para o Chico Buarque, foi ele quem disse isso, AQUI. Certamente, ele tem rabo preso com Lula, interesses políticos, afinal, Chico tem uma vasta história de corrupção e apoio a governos bandidos, além de sua conhecida desonestidade Intelectual. Esse Chico não presta! (ironia)
Além disso tudo, fico me perguntando: cadê as montagens sensacionalistas das Redes Sociais? Não vi UM amigo sequer, da minha rede social, falando sobre o propinoduto. Ninguém posta nada! Enquanto as montagens mentirosas contra Lula e Dilma, ou maquiavélicas, até desejando que Lula morra de câncer, estas sim, continuam a todo vapor. As redes sociais são o reflexo da mente do utilizador, que compartilha ali tudo que lhe agrada o ego. Ou seja, criticar o PT, sendo mentira ou não, agrada ao ego da maioria dos utilizadores (que são em boa parte, classe média). E o ego, a mente do cidadão, é um reflexo do que a mídia mostra. E aí nós vemos como tudo está conectado numa jogada de mestre.
A mídia não mostra escândalos tucanos, pois não quer colocar na mente das pessoas que o PSDB tem mais escândalos de corrupção que o PT.
Talvez pensem que estou sendo tendencioso. Pode até ser verdade. Mas para mudar minha forma de pensar, preciso de dados que contradizem o que eu sei.
O que eu sei é:

  1. Pelo projeto Ficha Limpa temos um ranking de partidos que tiveram seus candidatos a prefeitos cassados por corrupção. O PSDB lidera com 56 cassações. Ele vem seguido pelo PMDB com 49. O PT vem em oitavo, com 18 cassados. Mas se considerarmos que o PMDB possui 1024 prefeituras, enquanto o PSDB tem 702, percebemos que o PSDB dá uma lavada de corrupção nas prefeituras, se comparado com o segundo colocado, que é o PMDB. Tá AQUI ou também AQUI.
  2. Tem também o ranking de partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, onde a sequência é: DEM, PMDB, PSDB e o PT na nona posição, ou seja, novamente, lá pra baixo.
  3. Além disso, temos o MUSEU da corrupção no Rio Grande do Sul, fundado por um professor doutor em economia, que faz um ranking dos maiores esquemas de corrupção dos últimos 30 anos. O economista faz um estudo minucioso, com levantamento de dados oficiais do Ministério Público, STF, STJ, CPI’s e dados internos do governo.
    Dos 10 maiores esquemas, 4 ou 5 foram em governos tucanos (PSDB), 2 em governos petistas, e o resto é governo Sarney, Collor, Itamar.

E estive aqui a pontuar 3 exemplos somente, de tantos dados oficiais que existem sobre esse assunto, onde todos eles comprovam a mesma coisa: PSDB está no topo da corrupção e o PT nem aparece entre os 5 primeiros. Mas tem uns “jênios” por aí no Brasil, que acreditam na mídia e acreditam que o PT inventou a corrupção. É lamentável !

Ou seja, para concluir o raciocínio, o que não aparece na grande mídia, não entra na cabeça do cidadão médio, e por isso, não aparece no facebook.
Não é defesa descarada ao PT, mas sim uma comparação entre o partido do Governo e o maior partido da oposição. Não enxerga quem não quer. Os dados estão expostos aí, é decisão de cada um acreditar em dados ou acreditar em lorotas. Vivemos numa democracia, acreditar em lorotas é permitido por lei, para a sorte de muitos, e para a felicidade da Grande Mídia e da elite.
@ Não posso afirmar com 100% de certeza que todos os dados que apresentei representam 100% da verdade. Quem quiser contestar os dados, tem todo o direito de fazê-lo, mas peço o mínimo de bom senso para que, ao fazê-lo, apresente dados de qualidade equivalente ou melhor, que contradigam aqueles que apresentei. Dar opinião cheia de preconceitos formados através de lorotas, qualquer um é capaz.
por Miguelito Nervoltado

Figura 1 retirada daqui
Figura 2 retirada daqui
Uma boa reflexão, principalmente para os advogados e profissionais do direito.
Nosso “batman” parece não estar mais no trono, mas sim em “maus lencóis”.
Quando ele representava a esperança do povo brasileiro em ver todos os anos de corrupção de nossa história serem “pagos e acumulados” por um único partido político por causa de um esquema duvidoso de corrupção, ele foi exaltado pelo povo. A mídia, viu a chance de desmontar o partido que não lhes beneficia tanto quanto eles estão acostumados, e também colocaram JB lá em cima. Os partidos de oposição (principalmente PSDB e DEM) viram nele a esperanca de voltarem a apitar no cenário nacional, após anos de queda eleitoral, e fizeram dele seu herói. Porém agora, passado o mensalão, o juiz continua mostrando que ele é duro, direto, sincero, teimoso, incisivo, irredutível. Seja com quem tenha que ser. E aí, enquanto ele crucificou os envolvidos no mensalão (teoricamente por ele realmente achar que havia provas suficientes), ele era herói. Mas agora, ele começa a lançar críticas esporádicas à mídia, a outros políticos que não são petistas, a pessoas públicas, a jornalistas, e agora, à sua própria classe, os advogados e juízes. Então, agora, ele anda atingindo boa parte da elite brasileira, principalmente ao mencionar os juízes e a mídia, e aí, o buraco é mais embaixo. De herói, ele pode virar o vilão, rapidamente.
Isso me lembra Osama Bin Laden, Saddam Hussein, entre outros…. que foram colocados no altar pelos EUA (elite do mundo), porém ao se rebelarem contra os EUA, tiveram suas imagens de heróis destruídas e viraram os demônios do mundo rapidamente. No caso, Saddam Hussein é Joaquim, EUA é a mídia e elite brasileira.
Nota.: Eu, assim como a maioria dos intelectuais (não que eu seja intelectual) que tratam de tais assuntos, não entendo ainda qual é a do Batman. Tem hora que parece que ele joga dum lado, tem hora que parece que joga do outro. Tem hora que parece que quer fazer seu filme e que gosta de holofotes, mas no instante seguinte, ele faz tudo ao contrário. De repente, não tem muito segredo. De repente, ele é um intelectual, muito estudioso e competente, vencedor na vida, mas que sofreu muito até chegar aí. E com o sofrimento veio a intolerância, a falta de paciência. Tem muito senso crítico, e tem consciência da podridão da sociedade brasileira. Isso tudo junto faz com que ele confie em seus próprios critérios pessoais acima de quaisquer outros critérios, confia na sua intuição e no seu conhecimento e é irredutível em suas posições, afinal, ele deve pensar que não vale à pena ouvir os outros, pois a maioria é hipócrita, ignorante, acomodado, desinformado, interesseiro, individualista, etc,…. o que não deixa de ser verdade, em vias gerais.
E então, o tal juiz na verdade, não quer nada, ele age de acordo com seus impulsos, seus critérios e intuições momentâneas. E estaria aí o segredo de tantas polêmicas, e de tanta variação de sua imagem no meio público.

Continuo achando possível sua intenção na vida política, apesar de ele mesmo já ter descartado isso. Mas não dá para afirmar nada. Numa coisa esse cara é bom, e isso é indiscutível: ser misterioso.
Segue link de inspiração:
por Miguelito Formador