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Com 17 anos, após concluído o Ensino Médio, mudei-me para a Alemanha com o intuito de aprender o idioma, ter novas experiências, abrir a cabeça, e quem sabe, cursar a universidade naquele país. Após 7 meses, resolvi voltar ao Brasil, por sentir falta de muita coisa deixada na minha terra natal. Mas uma ideia ficou em minha mente: “durante a universidade quero fazer um intercâmbio na Alemanha, voltando mais maduro àquele país, e tentar ver a vida de lá com outra perspectiva, além de poder ter a oportunidade de absorver conhecimento do ensino superior brasileiro e alemão mutuamente.”

Já no Brasil, fiz 6 meses de cursinho preparatório para o vestibular. Fui aprovado, em 2002, optando pelo curso de Engenharia de Controle e Automação na UNIFEI, em Itajubá-MG.
Já no primeiro mês de aulas dirigi-me ao coordenador do meu curso e perguntei sobre a possibilidade de fazer um intercâmbio na Alemanha.
Sua resposta ficou gravada a ferrete na minha memória. Sorrindo, sarcasticamente, ele disse: “você e a torcida do Maracanã querem um intercâmbio na Europa, rapaz. Você passou aqui, e vai estudar aqui. Nós não temos convênios com qualquer universidade da Europa, isso é luxo.

São muitas as barreiras e dificuldades envolvidas na realização de um intercâmbio. Pontuando algumas delas:

  • Aceitação da Universidade no Brasil, para que o aluno possa ficar 1 ano ou até períodos mais longos fora da Universidade, e ao voltar, continue tendo sua vaga garantida.
  • Não só a garantia da vaga, mais sim o reconhecimento das disciplinas cursadas em outra instituição de ensino superior, aproveitando as mesmas em sua grade curricular, evitando demasiados atrasos para a conclusão do curso.
  • Conseguir uma vaga como intercambista numa Universidade no exterior, principalmente em países desenvolvidos. Há aqui pouca disponibilidade, uma enormidade de exigências e burocracias que tornam este processo quase impossível.
  • Solução das diversas burocracias envolvidas neste processo, como por exemplo: aquisição de visto de moradia e estudo no país de destino, busca de moradia, registro formal em órgão público da cidade onde se vai viver (como prefeitura, polícia), informações sobre transporte público, abertura de conta bancária, registro de água, luz, telefone, celular, etc.
  • Organização da viagem, assim como o pagamento das despesas envolvidas: passagens áreas, passagens de trem e ônibus, seguros, transporte de bagagens extras.

E não irei pontuar outras, para não me alongar ainda mais.
Por isso, apesar de insensível e inflexível, meu coordenador de curso tinha razão ao ironizar meu sonho, e chamar um intercâmbio na Europa de “luxo”.

Passados quase 9 anos após o episódio, mudei-me para Alemanha por motivos profissionais e aqui vivo até hoje.
Vivendo na Europa há 5 anos, tive a oportunidade de acompanhar o processo do programa Ciência sem Fronteiras, e conhecer diversos de seus beneficiados. Muitos dos que conheci viviam na mesma cidade que eu ou nos arredores, mas também conheci tantos outros jovens que residiam e cursavam universidades em outras regiões da Alemanha, e mesmo em outros países, como Bélgica, Portugal, França, etc.

Considerando as dificuldades, já pontuadas acima, para a realização de intercâmbios, o programa Ciência sem Fronteiras é um projeto sensacional! Afinal, o Governo se responsabiliza por resolver todas as burocracias envolvidas neste processo e ainda financia o aluno.

O valor da bolsa para Europa oscila de aproximadamente 1.000 Euros para bacharelandos, até aproximadamente 2.500 Euros para pós-doutorandos, valores que causam inveja e espanto em qualquer estudante alemão (imagine então um estudante português!?!). Eles ainda recebem diversos auxílios como: material didático (1.000  euros), compra de um computador (4.000 reais), auxílio instalação, seguro de saúde, despesas de viagem, curso de idioma durante o período de 6 meses antes do ingresso na universidade, entre outros, além do mais difícil: que é a burocracia para serem aceitos na universidade e no país por 1, 2 ou 3 anos, burocracia essa facilitada pelo governo brasileiro.
Leia Aqui os detalhes do programa no próprio site do Ciência sem Fronteiras. 

Muitos utilizam o excedente da bolsa, que em muitos casos não é pouco, para frequentarem festas e bares, além das viagens, quase em todos os finais de semana, para algum país diferente. Claro que diversão e passeios são necessários e importantes para otimização do processo de vivência, mas quando isso se torna a prioridade/intuito, e o mundo acadêmico é levado em segundo plano, então penso que há uma inversão de valores.
Literalmente, são férias pagas por um ano, ou mais, com a contrapartida de um pouquinho de estudo e conhecimento adquirido, e um idioma arranhado.

Em sua maioria, pertencentes à classe média tradicional/alta, esses jovens carregam os clichês e bordões de sua classe no Brasil. Ao notarem algo que funciona bem, ou que é interessante na cultura do outro país, preferem criticar, com o devido asco, o “atraso” do Brasil, ao invés de buscar entender porque e como o outro país chegou àquele resultado positivo, trazendo assim esse aprendizado para o Brasil.
Criticam, sem o menor pudor e desprovidos de conhecimento político, o Governo Brasileiro. Falar em Dilma e PT é garantia de muitas risadas, deboches e verborragias. Porém, se questionados sobre Dilma e o PT serem os responsáveis por eles estarem no exterior torrando o dinheiro do contribuinte brasileiro, eles respondem com mais ódio e deboche, usando algum argumento sem o menor nexo, como por exemplo: “o dinheiro é dos impostos, não é a Dilma que é responsável por estarmos aqui”, ou “CsF sempre existiu, não foi criação da Dilma/PT!”, ou “já que roubam tanto, o mínimo que têm que fazer é patrocinar nossos estudos aqui fora”, ou “se pagam bolsa família para vagabundo, então não é mais que obrigação pagar bolsa para nós estudantes”….


Recentemente, a presidente Dilma enviou ao Congresso uma proposta de redução do orçamento do programa Ciência sem Fronteiras para 2016, com o objetivo de contenção de gastos neste momento de fragilidade econômica. A redução, que ainda pode ser revista pelo Congresso, reduz em aproximadamente 40% o valor do orçamento em comparação com 2015. Desta forma, o novo valor seria assim suficiente para cobrir os contratos já em vigor, ou seja, os gastos dos estudantes que já estão no exterior em processo de bolsa. Novos contratos/bolsas estarão, por enquanto, suspensos.
Clique Aqui para ler notícia da Folha 

Enfim, espero que, passado esse momento de fragilidade financeira do Brasil, que o Governo volte a liberar verba para este programa, mas que aproveitem a oportunidade para rever algumas regras:
Atrevo-me até a palpitar sugestões:

  1. Para o ingresso no programa, além da prova de aptidão, onde o nível de idioma e o desempenho acadêmico são levados em consideração, também deveriam ser observados e avaliados os objetivos, expectativas e perspectivas do aluno para com o intercâmbio.
  2. Para definir o valor do auxílio/bolsa deveria levar-se em consideração o custo de vida real do país onde o aluno se hospedará. Hoje em dia há uma bolsa fixa para Europa, por exemplo, mesmo sendo o custo de vida de alguns países da Europa três vezes maior que o de outros.
    Sei que é muito trabalhoso definir valor específico para cada país separadamente. Então talvez uma solução justa e menos trabalhosa seria separar os países em grupos de custo de vida parecidos, e assim, definir um valor de bolsa fixo para cada um desses grupos. Não será 100% proporcional para todos os países, mas será bastante justo.
  3. Controle de faltas na universidade – atualmente não há controle de presença desses alunos, este só existe para o curso de idioma que eles fazem antes do ingresso na universidade.
  4. Limite de média curricular (nota) para aprovação, por exemplo 70%; e obrigatoriedade de aprovação nas matérias cursadas.
  5. Os alunos devem passar por uma avaliação séria ao regressarem ao Brasil. Essa avaliação não deveria somente verificar o aprendizado acadêmico do mesmo no exterior, mas sim medir também a sua absorção da cultura daquele país, avaliar seu aprendizado geral, seu amadurecimento, a expansão de sua forma de pensar e ver o mundo. Se o desempenho do aluno for ruim, ele poderá ser penalizado, por exemplo, com a perda do reconhecimento daquele ano em sua grade curricular, o que atrasará a sua graduação. Outra forma de penalização poderia ser o reembolso ao Governo, dos investimentos deste para com o aluno.
  6. O valor da bolsa deve ter um teto e um piso para um mesmo país. Para definir qual valor o aluno deve receber entre o teto e o piso, deve ser levado em consideração, no mínimo, as condições financeiras do mesmo e de sua família. Desta forma, um estudante pobre receberia o teto ou algo próximo do mesmo. Já um estudante pertencente a uma classe média receberia um valor entre o piso e o teto, enquanto alguém da classe média alta ou rico receberia o piso ou algo próximo do piso.
    O piso, inclusive, poderia ser 0,00 R$, ou seja, nada. Alguém de condição financeira elevada não precisa do dinheiro público para se sustentar no exterior. Porém, mesmo ele seria e muito beneficiado pela bolsa, uma vez que a dissolução das burocracias envolvidas num processo de intercâmbio são no mínimo tão problemáticas quanto a questão financeira (como explicado mais acima).
    Outra vantagem deste ponto é que, eventuais “filhinhos de papai” que queiram somente curtir seu período no exterior, sem se empenhar ou se preocupar com seu aprendizado, teriam então, muitas vezes, seu desempenho cobrado não só pelo Governo, mas também por seus pais, afinal estes também estariam pagando uma boa parte de sua estadia e iriam, normalmente, exigir resultados.

* Para ler outros 2 artigos nossos sobre o CsF, clique AQUI (Natal do Ciência sem Fronteiras) e AQUI (Tudo na Mesma)

por Miguelito Nervoltado

figura retirada daqui

alienacao-futebolDevido a forças maiores, estou há aproximadamente dois meses afastado da internet. Tenho lido pouco, e escrito muito menos.
Mesmo assim, a Terra continua a rodar, e desconsiderando alguns casos pontuais, muda-se alguns atores coadjuvantes, mas o filme é o mesmo, se repetindo numa história mal contada.

Recentemente, na casa de um amigo meu, ele, eu e seus convidados começamos a conversar sobre o escândalo da Volkswagen. Eu mais que depressa já coloquei meu posicionamento não convencional: “não entendo todo o espanto, só porque é empresa alemã o pessoal acha que não tem corrupção, pilantragens e abusos. É uma gigante do capitalismo, eles visam lucro, por mais que existam programas esporádicos de ‘boa-conduta’, a grosso modo, a maior parte do jogo é sujo”.

Rapidamente alguém já tirou da gaveta dos clichês a palavra “Brasil”, com a frase: mas não queiramos comparar a Alemanha com o Brasil!
A partir daí foram duas horas de “mais do mesmo”, eu citando episódios, história, histórico de nossa mídia, colonização, cartéis de empresas e governos desenvolvidos em países em desenvolvimento, vassalagem de nossa política aos interesses internacionais, as inúmeras farsas e constante desconstrução ao governo e seus integrantes, etc.

Enquanto eu falava era possível ouvir os murmúrios: “faz sentido”, “é verdade”, “claro, isso todos sabem”, “sim sim, isso ninguém pode negar”, “ah, a reputação da Globo realmente é uma piada”…
Mas, mesmo com todas essas concordâncias, o resultado final era: “mas nada vai me convencer do contrário, o Brasil piorou muito com o PT”, ou “ah, mas vai me dizer que você acha que Lula é Santo”, ou “tudo bem que é mentira que o filho do Lula é dono da Friboi, mas como que ele ficou tão rico de repente, hein, hein?”, ou “mas já viu os discursos da Dilma? Ela fala tudo errado!”, ou “mas aquele Maduro da Venezuela é um louco, num discurso ele disse querer expulsar uma empresa da Venezuela, pois ela estava roubando mais que ele…”.

Intervi: “pessoal, é exatamente essa a ideia dos donos da informação; muitas das mentiras deles serão desvendadas e expostas, muitas informações não farão sentido para a população, muitas informações serão contraditórias, mas isso não importa, pois os detalhes serão esquecidos. O que importa é que no fim, fica uma concepção formada na cabeça do cidadão; ele ouviu e leu tantas coisas que visam criar uma verdade, que aquilo realmente se torna uma verdade incontestável, mesmo que uma grande parte das informações sejam posteriormente confirmadas como mentiras, ou mesmo que a idoneidade e ética daqueles que nos deram a informação (no caso a mídia) seja indubitavelmente inexistente”.
Eu ainda citei, uma vez que estamos na Alemanha, uma frase atribuída a Goebbels, ministro de Propaganda de Hitler: “uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”.

A noite acabou sem consenso. Mas fica a esperança de que alguma semente tenha sido plantada para o futuro.

Antes de ir embora, o meu amigo ainda me disse: parece que agora há risco real de impeachment da Dilma, devido às pedaladas fiscais.
Eu pensei com meus botões: há risco real de impeachment desde quando ela assumiu. A cada tentativa falha, surge uma nova justificativa, teoricamente ainda mais plausível e concreta, que também acaba sendo tida, por fim, como infundada. Lembrei-me ainda que antes de me retirar da internet, o mês de agosto era o mês decisivo, e que se Dilma não caísse em agosto, não cairia mais. Já estamos no meio de outubro e a história se repete, e o povo vai esquecendo o que aconteceu na semana passada, numa repetição lamentavelmente débil dos mesmos erros. Se diversos argumentos e tentativas de impeachment eram vagos ou sem provas, isso indica com quase certeza absoluta que não há motivos para impeachment, e tudo que há é uma tentativa desesperada de cavucar até o fundo do poço buscando qualquer tipo de argumento que soe vagamente moral, e certamente hipócrita e redundante, para conseguirem aplicar o tão desejado golpe.

Num outro episódio, há poucos dias, num restaurante brasileiro em Erlangen, na mesa ao meu lado, tentei evitar, mas os ouvidos não obedeceram, e acabei ouvindo a conversa de seis jovens Cientistas sem Fronteira com um jovem alemão que falava português.

Entre deboches e críticas ao Governo, outros maldizendo a desvalorização do Real; alguém pergunta como funciona nosso câmbio, e uns três dizem “não sei” enquanto os outros se calam. Outros mencionam a avassaladora crise que enfrentamos e afirmam ser culpa do PT, e na sequência uma menina lança o assunto do Habeas Corpus para que Lula não fosse preso.
O alemão pergunta, o que é um Habeas Corpus. Todos se calam. A moça que trouxe o tema diz: “ah, não sei direito, mas é um negócio que você entrega pra justiça para evitar ser preso”; e termina com o pênalti sem goleiro: “não tenho certeza, mas ‘minha opinião’ é que eles iriam prender Lula por corrupção, e ele foi lá e entregou um Habeas Corpus para continuar livre”.

O papo continuou, com os mesmos clichês de sempre. Sobravam achismos, faltavam certezas. Sobravam notícias picadas, faltava conhecimento e crítica. Sobrava superficialidade, faltava estudo. Sobrava preconceito, faltava reflexão. Sobrava ego e vontade de aparecer, faltava interesse em aprender.

Depois a comida deles chegou (graças a Deus) e eles não falaram mais nada: comeram calados seus pratos fartos e caros, pagos pela bolsa do programa Ciências sem Fronteira da Dilma-PT.

por Miguelito Formador

figura retirada daqui

Jean_Wyllys_02Replico abaixo uma fabulosa declaração do deputado Federal reeleito pelo Rio de Janeiro, Jean Wyllys, na revista Carta Capital.

Jean se posiciona, como sempre, com muita clareza e sinceridade, sempre em prol daquelas lutas que julga mais importantes, as quais sempre tangem os direitos humanos e direitos civis sendo validados a todo e qualquer cidadão, independentemente de classe social, sexo, cor de pele, origem étnica e sexualidade.

Jean, integrante do partido PSOL, partido de esquerda e oposição ao atual governo, deixa claro que, discordar de duas pessoas, ou duas ideologias, ou dois projetos, não significa colocar ambas no mesmo balaio. Mesmo nenhuma lhe representando integralmente, há sempre diferenças fundamentais entre elas, e assim sempre se faz possível escolher aquele que mais se aproxima de você e daquilo que você pensa ser o correto.

Parabéns Jean pela bela e corajosa nota, típica de suas posturas.

Clique AQUI para acessar o texto, ou role abaixo para ler o mesmo.

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio artigo


Deputado federal reeleito pelo PSOL do Rio de Janeiro destaca que a presidenta e Aécio têm diferenças e que o tucano representa um retrocesso. Leia abaixo carta divulgada por Wyllys em seu Facebook:

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos — o que custou a execução de Jesus — nem sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.

Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.

Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.

Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um/a candidato/a presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos — e, sobretudo, no programa de governo apresentado — um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras “transfobia” e “homofobia” num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.

Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.

A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e pastor Everaldo; do ultra-reacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultra-liberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB) e mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.

Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultra-direita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia!

Vocês que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante estes quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem também que eu tenho horror a esse anti-petismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultra-liberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que eu vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam!

Por isso, avançando um pouco em relação à posição da direção nacional do PSOL, que declarou “Nenhum voto em Aécio”, eu declaro que, nesse segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apóio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.

Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a tod@s @s que me confiaram seu voto.

E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, dessa vez, vai:

1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;

2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário. (Ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);

3. fazer maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/AIDS, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;

4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;

5. e implementar o PNE – Plano Nacional de Educação – de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.

Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir, serei o primeiro a cobrar junto a vocês!

posts entrevistas - jn606Assisti às quatro entrevistas dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas feitas pelo Jornal Nacional, da rede Globo e devo confessar, primeiramente, que me surpreendi com o resultado, sobretudo na primeira.
Julguei, ou melhor, pré-julguei que a emissora entregaria seu apoio descarado a Aécio (ok, talvez a Eduardo Campos também) e perseguiria diretamente o PT.
Um parêntese importante: pra quem não sabe, existe um estudo sério, da UERJ, chamado manchetômetro, que mostra a veiculação de matérias positivas e negativas sobre os candidatos e partidos concorrentes à eleição atual desde o início deste ano (link aqui), nos jornais impressos de grande circulação e no televisivo Jornal Nacional, da Globo (levantamento específico do manchetômetro sobre o JN aqui); e a presidente Dilma lidera em notícias negativas no programa.
Enfim… a birra que a Globo tem com o PT já é antiga.

Pois bem, mal podia crer no que vi na primeira entrevista! Os apresentadores estavam sendo diretos, fazendo perguntas incômodas e “cutucando” feridas do PSDB.
Por exemplo, mesmo o senador Aécio Neves iniciando as entrevistas (definido em sorteio), foram feitas perguntas sobre o mensalão mineiro e o propinoduto do metrô, citando um dos apoiadores dele, Eduardo Azeredo, que ainda está presente nos palanques, e completando a informação que Azeredo só não foi julgado por haver renunciado. Perguntaram também sobre o favorecimento feito por ele, então governador de Minas Gerais, à própria família ao escolher um terreno do tio-avô para construir um aeroporto.
Meu lado desconfiado e “julgador” pensou: se a Globo está atacando assim o Aécio é sinal que deve apoiar o Campos…

Daí veio a entrevista com o pernambucano, um dia antes do trágico acidente, e o questionaram sobre as críticas recentes feitas ao PT, partido que apoiou e auxiliou no governo por sete anos. Além dessa, o candidato teve de se defender de acusações de nepotismo, quando apoiou a própria mãe numa campanha para a escolha à ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), cargo que é vitalício. Assunto espinhoso e desconfortável, pra dizer o mínimo.
O Celso “julgador” se perguntou se seria possível ver a Globo apoiando o PT atualmente, e se viu imaginando um trabalho sério e imparcial da grande mídia.

Passados os dias de luto da perda de Campos, foi a vez da atual presidente. E não é que eu estava errado em minhas suposições e a Dilma (lógico) também “apanhou” de Bonner e Patrícia? Enfrentou perguntas sobre o Mensalão, colocações sobre as atitudes dos correlegionários ante as condenações, que trataram os ex-líderes (corruptos condenados, frisou várias vezes Bonner), como guerreiros injustiçados; e falou brevemente sobre a saúde no país e a desaceleração econômica.
Mais astuta, ou mais bem preparada (?), consumiu seu tempo evitando o embate, detalhando e valorizando as respostas. E por isso, provavelmente, foi mais interrompida e mais atacada.

Finalmente chegou a vez de Everaldo Pereira, o Pastor Everaldo, fechando o ciclo. Mais atabalhoado, confessou que pretende privatizar a Petrobrás, em busca de um Estado Mínimo. Mas…Estado Mínimo não é política neoliberal? E o senhor não esteve sempre atrelado às lideranças da Esquerda? – perguntou Bonner. O candidato do PSC ainda assumiu que não tem experiências anteriores, criticou o casamento gay, aborto e o tema das drogas…

Os âncoras do programa, nas quatro oportunidades, interromperam respostas evasivas e insistiram na obtenção de detalhes desejados por eles, quase num esquema CQC.

Mesmo um tanto incomum e não isentas de parcialidade, acredito que entrevistas e debates nesses moldes possam trazer mais luz aos eleitores que os horários políticos e os ataques diretos que não tardarão a acontecer.

Pra quem não viu ou quer rever, abaixo estão alguns links do site da emissora e do youtube…
– Aécio Neves – aqui, sem link da entrevista inteira no youtube
– Eduardo Campos – aqui e aqui
– Dilma Rousseff – aqui e aqui
– Pastor Everaldo – aqui e aqui (em qualidade bem ruim)

por Celsão correto

para ler um outro post, com a opinião do Miguelito, diferente dessa aqui apresentada, clique aqui

figura – montagem de outras retiradas daqui e daqui

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Desde que o PT, partido originário da interseção entre sindicatos, movimentos de base da igreja e intelectuais de esquerda, assumiu o Governo Federal, a economia brasileira cresceu fortemente (duas vezes mais rápido que durante governos de FHC). No total, 45 milhões de pessoas que pertenciam às classes D e E, ascenderam à classe C; 15 milhões da classe C ascenderam às classes B e A. O salário mínimo aumentou em 70% em seu valor REAL. Durante os 10 anos de governo, vimos ano após ano, uma redução do desemprego, e hoje temos uma das menores taxas de desemprego do Mundo, que oscila entre 5,5% a 6%.

Foram criadas mais de 20 Universidades Federais, e institutos de ensino e educação foram abertos às centenas! O índice de frequência escolar cresceu absurdamente, e hoje, comparado com que se tinha há 15 anos, praticamente não temos crianças fora das escolas. O Bolsa Família auxiliou mais de 15 milhões de famílias, complementando suas rendas, possibilitando as crianças a irem à escola, e permitindo aos pais colocarem comida na mesa. A miséria reduziu de forma considerável.
Muitas das estradas federais foram reformadas (não que sejam exemplo hoje, mas antes eram sucata, e hoje voltam a ser transitáveis). Podemos enumerar diversos programas federais, como Minha Casa Minha Vida, Ciências sem Fronteira, regulamentação da profissão “empregado doméstico”, entre outras ações positivas.

Aqui levantei somente alguns pontos positivos sobre os últimos 10 anos, mas poderia pontuar muitos outros. Obviamente, nem tudo são flores, e também poderia pontuar tantos outros negativos. Mas meu intuito aqui não é tecer elogios ou críticas, mas sim mostrar que, mesmo com muito esforço e muita má vontade, não é coerente, nem sensato dizer que, nos últimos anos o Brasil regrediu, retrocedeu, sucumbiu. Não é cabível dizer que a qualidade de vida do povo brasileiro piorou. Isso não pode ser dito de forma alguma, e somente o que mencionei acima já seria suficiente para dar embasamento a esse meu posicionamento. Quem afirma que o Brasil passou por um período de trevas, ou por um dos piores governos de sua história, precisa tomar um “chádética”, ou “chádesonestidadeintelectual”, ou então, um cafezinho mesmo já basta, para poder acordar e parar de ter pesadelos.

Contudo, as manifestações que aconteceram em julho deste ano (2013) e que ainda permanecem, porém menos intensamente, mostraram que havia/há uma insatisfação por parte de uma parcela da população brasileira. Como explicar essa insatisfação de milhões de cidadãos? Quais eram os objetivos dos manifestantes? Pelo quê lutavam?
Bom, sabemos que nas ruas havia todo o tipo de gente, lutando pelas mais diversas causas. Mas mesmo assim, é possível levantar estatísticas, e estas mostram que a maior parte dos que estavam nas ruas, pelo menos em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Sul do Brasil, eram estudantes universitários e a classe média num geral.
Neste ponto, vou resumir algo bem complexo, e por isso é essencial que o leitor leia o artigo que está em anexo no fim deste meu texto, para que possa entender melhor essa problemática, e para que não me interprete mal, ou de forma incompleta.

“Lula focou seu governo nos pobres, no proletariado. A maior parte dos programas federais se voltavam para essa população mais carente e necessitada de ajuda (vou ignorar aqui aqueles que acham que tudo não passa de assistencialismo, esmola, compra de votos. Se pensa assim, peço que leia meus primeiro e segundo parágrafos novamente, e depois tome um dos chás que aconselhei).

Mas seria um pouco de ingenuidade pensar que Lula governou o Brasil 8 anos, com tanto sucesso, popularidade e bons resultados, somente com o apoio das classes econômicas inferiores da sociedade. É fato que as eleições foram basicamente garantidas por esta classe. Porém, a governabilidade foi garantida pela elite. Sim, Lula, e principalmente a Dilma, se comprometeram com grandes grupos econômicos, como bancos, agronegócio, petróleo, entre outros. Assim, a base do governo estava garantida pelo proletariado (eleições e aprovação popular) e pela elite (estabilidade política no executivo e legislativo, além do suporte econômico).

Mas aqui está faltando uma fatia do bolo, não? Pois é, está faltando a classe média!
Esta foi a menos contemplada nos governos do PT. É fato que também tiveram seus ganhos, mas estes foram menores que aqueles obtidos pelo proletariado e pela elite. Além disso, as melhorias nos serviços  públicos pouco lhes trouxeram vantagens, afinal, os serviços públicos não melhoraram a ponto de se tornarem melhores que o serviço privado. Desta forma, a educação pública, o transporte público, a saúde pública, melhoraram a ponto dos pobres notarem diferença, mas não a ponto da classe média migrar do serviço privado para o público. E assim, de forma simplória, construímos um cenário onde as manifestações são mais facilmente compreendidas, pois essa mesma classe média, menos contemplada pelas melhorias dos governos Lula/Dilma, foi quem estava em peso nas ruas protestando”

Essas minhas palavras são um resumo do meu entendimento sobre o artigo que coloco em anexo logo abaixo. Este artigo, em minha singela opinião é, de todos artigos que já li sobre os governos Lula/Dilma, um dos que possui uma das análises mais imparciais e de mais alta qualidade técnica, além de explicar de forma muito didática e coerente as causas das manifestações de julho deste ano. Eu diria, imperdível!
Para lê-lo, clique AQUI

por Miguelito Formador

Figura: montagem minha. Base retirada daqui e daqui

Planalto Central

Planalto Central

O Gigante foi acordado.

O Brasil surpreendeu a todos com uma demonstração ao mundo de que sua democracia, e seu nível de patriotismo são exuberantes. Fomos às ruas, marchamos, enfrentamos balas de borracha e por fim derrotamos a polícia fascista e a repressão em SP.  Vencemos, reduzimos o preço das passagens que estes políticos que nos exploram nos fazem pagar.

Eu não fui à rua protestar. Não por ser contrário, pois teria ido se as condições físicas atuais me permitissem, protestaria sim, e com certeza agregaria pessoas à reforma política tão necessária para o país. É um workshop político onde partidos políticos não são bem-vindos, O que é um paradoxo para um manifestação democrática. Todas as causas estão presentes, inclusive a extrema direita, o movimento social brasileiro foi às ruas. O MPL foi o estopim de um levante que contaminou uma parte considerável do país. Há muitas causas, inclusive as antidemocráticas e conservadoras, e nenhum partido.

É fato que o MPL foi vitaminado pelos acontecimentos, a ação imbecil da PM e o oportunismo de uma parcela conservadora da sociedade fez crescer a causa de um transporte mais barato para o trabalhador da periferia. Causa justa. Causa que nunca antes na história deste país foi preocupação da classe média que foi ás ruas e exigiu um direito do pobre, mesmo sabendo que este subsídio sairia do bolso do contribuinte.

A sociedade brasileira não será como antes, a classe média conservadora paulista foi indutora de uma revolta política e com isso mostrou ao pobre que este tem direitos, mudou a sua conduta, pois é essa mesma classe média que sempre negou direitos aos pobres avalizando a conduta dos mais ricos.

A dita parcela pensante da sociedade abriu uma caixa de pandora ao deixar o peso dos impostos subir-lhe à cabeça e estourar de raiva ao ver tantos pobres melhorando de vida. Uma revolução conservadora cuja estratégia seria conseguir comprar o apoio do pobre por R$0,20 e com isso vencer Dilma, nas eleições ou derrubá-la antes. Dilma balança. A classe média enfim conseguiu colocar o povo contra o governo.

Quais os motivos para uma classe média tão revoltada? Impostos altos, segurança, trânsito… Sim o serviços são ruins isso é fato. A corrupção é disseminada isto também é fato. O Estado é repleto de corrupção. Obras, legislativo, justiça, polícia, MP, FUNAI… prefeituras e câmaras no Brasil inteiro. Está por todos os lados. Isto é causado por falhas das Instituições do Estado, sobretudo aquelas que não são eleitas pelo povo. Quem garante a impunidade permitindo que a lei não seja igual perante a todos? Quem não processa o empresário corruptor e criminaliza o movimento social?

Algo precisa mudar, isso é fato.

Quais seriam os caminhos pra encampar esta mudança? Existem vários. Todos passam pela reforma política. Porém, a classe média preferiu o caminho revolucionário, demonstrou o tamanho do seu repúdio às práticas da classe política e mostrou ao pobre que ele pode exigir seus direitos, fez algo mais, mostrou ao pobre que ele pode ser superior ao aparato repressivo do Estado.

A classe média, acabou acreditando na ideologia de que é possível não ter ideologias e com isso agiu de forma contrária aos fundamentos conservadores. E ainda não percebeu o que fez.

A classe média, sobretudo paulista, chorou orgulhosa, tão orgulhosa como em 64 quando 500 mil foram às ruas contra a corrupção e o comunismo, O Brasil acordou!! Muitos sentiram esse orgulho de ser brasileiro pela primeira vez na vida, coisa que o pobre nunca perde.

Alguns dizem que a revolta da classe média é contra os políticos.

Porém a própria revolta é política, todos somos políticos, fazemos política quando compartilhamos um meme numa rede social. Xingar políticos de forma generalizada equipara-se a xingar o espelho. Política é algo tão natural quanto o ódio.

Quebrou-se a prefeitura, física e financeiramente, por uma revolta contra a política partidária. A revolta é contra os políticos ligados a partidos. Apenas estes. Não é contra juiz corrupto, o procurador corrupto, o policial corrupto e principalmente não é contra os empresários corruptores.

O Estado é ineficiente e corrupto como um todo. Porque a culpa é única e exclusivamente de uma instituição da sociedade, o partido político?

Sendo o partido uma instituição da sociedade qualquer um pode filiar-se e participar de discussões. A classe média julga que eles não prestam e não vale à pena tomá-los de assalto de forma democrática, fazendo-se ouvir dentro dos partidos.

Ou poderia criar um novo, tá aí a REDE da Marina como prova disso. Mas não foi isso que aconteceu. A classe média não quer se envolver com política. Vota pra salvar o mundo do PT e acha isso um saco.

Ela espera que o Estado incompetente e corrupto torne-se eficiente sem que ela própria participe do processo. Espera que um salvador da pátria apareça no cenário, já escolheram um, e resolva tudo. Um conservador que consiga antes de tudo colocar o pobre em seu lugar, que transforme investimentos sociais em segurança pública, contenha os movimentos sociais que a própria classe média acordou.

O verdadeiro gigante acordou e isso não é nada bom do ponto de vista conservador. Historicamente criminalizado no Brasil, o movimento social ganhou força com as manifestações e a classe média conservadora espera usar a PM no futuro pós-PT, como sempre fez, pra colocar o movimento social onde estava antes do levante.

Dizia Einstein que uma mente quando expande nunca volta ao seu tamanho original. No rescaldo das manifestações os grandes derrotados serão os conservadores, pois acordaram o gigante que a elite fez dormir por mais de um século, e não há bala de borracha que consiga fazê-lo voltar ao sono.
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Texto escrito e enviado pelo nosso leitor Erick Nogueira

por Miguelito Formador

Rachel_SBT_Brasil

Rachel_SBT_Brasil

O vídeo do dia nas redes sociais é esse aqui: Rachel Sheherazade – parcialidade, hipocrisia, mentira.
Vejam primeiro o vídeo, depois vejam meus comentários abaixo.

Teve uma galera compartilhando e curtindo, concordando com as palavras dessa jornalista de má índole, a serviço da grande mídia, para variar.
Aos que concordam com as palavras dela, e automaticamente, acreditam na grande mídia, levanto alguns pontos para reflexão.

  1. Ela fala que não adianta ter bolsa família e ter milhões de desempregados:
    Minha gente, o Brasil tem as menores taxas de desemprego de nossa história, oscilando em torno de 5%. Sem considerar que estamos atravessando uma das maiores crises econômicas mundias da história, e boa parte dos países do mundo estão sofrendo com altíssimo desemprego, taxas maiores que 10 ou 15%.
  2.  Ela fala que não adianta bolsa família e não aumentar o salário das famílias:
    Meu Deus, isso dói no duodeno. É informação conhecida, oficial, reconhecida pelos órgão internacionais, que no governo Lula/Dilma o salário mínimo aumentou mais de 70% em valor REAL (onde já se desconta a inflação)!!!! É de muita má fé da repórter fazer essa afirmação, pois ela sabe que está mentindo com cara lavada. Já quem acredita, muitas vezes nem é por má fé, mas é por falta de conhecimento e senso crítico mesmo.
  3. Ela pergunta, o que seria dessas pessoas se acabasse a bolsa família:
    Ora, é fácil saber. Basta olhar como era o Brasil antes dos governos Lula/Dilma.  Aproximadamente 50% da população vivendo na linha da pobreza ou abaixo dela.
    Mas se acabasse a bolsa, não voltaríamos a estes patamares, pois a bolsa já trouxe muitos resultados permanentes. As famílias que conseguiram vingar em seus negócios com a ajuda do governo, as crianças que foram às escolas, pois não precisavam mais trabalhar para ajudar a família, etc, são ganhos que mesmo que a bolsa acabe, não regridem. Dados do governo mostram que mais de 1,7 milhões de famílias já abriram mão do bolsa família voluntariamente, pois se consideram capazes de caminhar com os próprios pés. Ou seja, não me parece que a Bolsa família seja igual a Bolsa miséria.
  4. Ainda sobre a hipótese da extinção da Bolsa Família:
    Não esqueçamos também que não foi somente o Bolsa Família que tirou 40 milhões de brasileiros da pobreza e miséria, mas sim um conjunto de ações, como geração de emprego, expansão da CLT a regiões precárias, aumento do salário mínimo, crescimento econômico, maior fiscalização governamental, entre outros.
    E outra, o que seria do Brasil se acabasse o Bolsa Família? Bom, eu pergunto: O que seria do Brasil se fosse extinto o salário mínimo? O que seria do Brasil se fosse extinto o SUS? O que seria do Brasil se caísse um meteoro? Vamos analisar cada uma dessas hipóteses e falar então que, na verdade, não estamos preparados, ou que o governo é uma farsa???? Bom senso minha gente, bom senso. Não se vive de “se”, mas sim do “é”.
  5. Ela diz: o que seria das famílias que não trabalham, o que seriam das crianças que não estudam….
    A bolsa família incentiva exatamente as famílias a trabalharem, a poderem vingar nos seus pequenos negócios. E incentiva e monitora a escolaridade das crianças. Os dados mostram que o Brasil evoluiu e muito, devido ao Bolsa Família e outros programas do governo, no quesito “taxa de crianças frequentando a escola” e analfabetismo.
  6. Ela acusa a bolsa como um paradoxo, dizendo que os milhões que saíram da miséria dependem da bolsa.
    Cara Rachel, sair da pobreza não significa obrigatoriamente sair por si só. Quem disse isso??? Estar na miséria é uma condição econômica. Se a pessoa deixa aquela condição econômica, independentemente da fonte que a libertou daquela condição, ela saiu da miséria! Essa jornalista é uma toupeira!
  7. Ela ainda afirma que não há fórmula mágica para sair da miséria: 
    Não Rachel, não há fórmula mágica para sair da miséria. Há sim, ações certeiras governamentais, e é isso que o governo brasileiro fez. Não é milagre! É vontade, determinação, foco e técnica! Agora, para você, que teve e tem uma vida de princesa, com salários altíssimos como âncora do SBT, é fácil dizer que só com trabalho duro que se sai da miséria! Hipócrita imbecil. Tente nascer no sertão, passar pela fome, desnutrição, não ter acesso a um mínimo de escolaridade, e mesmo assim, vencer na vida, sem que venha alguém (o governo por exemplo) e intervenha por você, lhe trazendo facilidades para atingir um mínimo que a vida não lhe propiciou. Isso se chama: governo intervindo para quebrar o ciclo vicioso da pobreza. E isso dói na elite e na classe média, pois o governo destina parte de nossos impostos para ajudar esses marginalizados (que a classe média e a mídia gostam de chamar de preguiçosos, bandidos, vagabundos, fracassados, etc).
  8. Ela diz que assistência tem que ser provisória, senão gera parasitismo:
    Sabe, eu acho que ela deveria largar o trabalho de ancora, e virar consultora de governos de países desenvolvidos, talvez ela consiga ensinar algo a estes. Afinal, o bolsa família e outros auxílios do governo, são ou copiados, ou inspirados, à partir dos mesmos programas usados pela Alemanha, França, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, etc etc etc….. Ela precisa ir nestes países alertá-los e dizer-lhes que os auxílios geram parasitas, e é exatamente por isso, que estes países desenvolvidos sofrem com TANTOS problemas sociais.

Resumindo: Esse vídeo representa com integridade irreparável como a mídia brasileira funciona. E a reação das pessoas no facebook aprovando (curtindo e compartilhando), representa irreparavelmente como o povo brasileiro é alienado, principalmente a classe média, que além de alienada, é individualista e retrógrada.

por Miguelito Nervoltado

Uma boa reflexão, principalmente para os advogados e profissionais do direito.
Nosso “batman” parece não estar mais no trono, mas sim em “maus lencóis”.
Quando ele representava a esperança do povo brasileiro em ver todos os anos de corrupção de nossa história serem “pagos e acumulados” por um único partido político por causa de um esquema duvidoso de corrupção, ele foi exaltado pelo povo. A mídia, viu a chance de desmontar o partido que não lhes beneficia tanto quanto eles estão acostumados, e também colocaram JB lá em cima. Os partidos de oposição (principalmente PSDB e DEM) viram nele a esperanca de voltarem a apitar no cenário nacional, após anos de queda eleitoral, e fizeram dele seu herói. Porém agora, passado o mensalão, o juiz continua mostrando que ele é duro, direto, sincero, teimoso, incisivo, irredutível. Seja com quem tenha que ser. E aí, enquanto ele crucificou os envolvidos no mensalão (teoricamente por ele realmente achar que havia provas suficientes), ele era herói. Mas agora, ele começa a lançar críticas esporádicas à mídia, a outros políticos que não são petistas, a pessoas públicas, a jornalistas, e agora, à sua própria classe, os advogados e juízes. Então, agora, ele anda atingindo boa parte da elite brasileira, principalmente ao mencionar os juízes e a mídia, e aí, o buraco é mais embaixo. De herói, ele pode virar o vilão, rapidamente.
Isso me lembra Osama Bin Laden, Saddam Hussein, entre outros…. que foram colocados no altar pelos EUA (elite do mundo), porém ao se rebelarem contra os EUA, tiveram suas imagens de heróis destruídas e viraram os demônios do mundo rapidamente. No caso, Saddam Hussein é Joaquim, EUA é a mídia e elite brasileira.
Nota.: Eu, assim como a maioria dos intelectuais (não que eu seja intelectual) que tratam de tais assuntos, não entendo ainda qual é a do Batman. Tem hora que parece que ele joga dum lado, tem hora que parece que joga do outro. Tem hora que parece que quer fazer seu filme e que gosta de holofotes, mas no instante seguinte, ele faz tudo ao contrário. De repente, não tem muito segredo. De repente, ele é um intelectual, muito estudioso e competente, vencedor na vida, mas que sofreu muito até chegar aí. E com o sofrimento veio a intolerância, a falta de paciência. Tem muito senso crítico, e tem consciência da podridão da sociedade brasileira. Isso tudo junto faz com que ele confie em seus próprios critérios pessoais acima de quaisquer outros critérios, confia na sua intuição e no seu conhecimento e é irredutível em suas posições, afinal, ele deve pensar que não vale à pena ouvir os outros, pois a maioria é hipócrita, ignorante, acomodado, desinformado, interesseiro, individualista, etc,…. o que não deixa de ser verdade, em vias gerais.
E então, o tal juiz na verdade, não quer nada, ele age de acordo com seus impulsos, seus critérios e intuições momentâneas. E estaria aí o segredo de tantas polêmicas, e de tanta variação de sua imagem no meio público.

Continuo achando possível sua intenção na vida política, apesar de ele mesmo já ter descartado isso. Mas não dá para afirmar nada. Numa coisa esse cara é bom, e isso é indiscutível: ser misterioso.
Segue link de inspiração:
por Miguelito Formador