Posts Tagged ‘reforma política’

eduardo_cunha_em_house_of_cards_2Imagine um reino.
Imagine que nesse reino houvesse um conselho e que o chefe do tal conselho fosse popular, inteligente e apoiado por boa parte de seus colegas.
Agora imaginemos que o rei tenha perdido o apoio dos seus súditos, por diferentes motivos; dentre eles falta de apoio do seu próprio conselho para aprovar leis necessárias e urgentes.
A crise no reino aumenta pois o chefe do conselho contratou bobos da corte para espalhar mentiras e supervalorizar problemas existentes; minando ainda mais qualquer tratativa do rei perante seu povo, vassalos e conselheiros.
Com a situação difamatória supostamente sob controle, o conselheiro chefe passa ele próprio a criticar o monarca e a defender investigações mais duras aos problemas conhecidos, sugerindo também outros possíveis problemas a investigar.

Criemos também um cenário onde o chefe do conselho faça conchavos e aprove tudo o que quer; e, caso não consiga, possa desavergonhadamente, repetir a votação até que o resultado lhe agrade. Sem importar com o que pensam súditos e vassalos.
Com as inevitáveis críticas começando a criar corpo, o conselheiro chefe decide conversar com toda a população, uma vez que tem poder pra isso. Na mensagem, exalta os seus feitos maquiando-os; diz, por exemplo, que tem ajudado o rei nas reformas necessárias, cita que a independência do conselho corre perigo e chama pra si a responsabilidade de trabalhar duro para o bem dos súditos.

Ampliemos agora o universo deste reino inserindo um juri, que foi constituido e designado para apurar denúncias contra o rei e seus vassalos.
O juri cumpre bem o seu papel, investigando e acusando poderosos partidários, mas também opositores do rei. Há apoio de todos, até dos bobos da corte.
Daí surge o inesperado na trama: o juri descobre irregularidades do chefe do conselho e o acusa de receber posses e castelos ilegalmente.
De modo repentino o líder do juri é descredenciado, as testemunhas difamadas e o defensor delas ameaçado de morte. “Que absurdo! Alegar sem provas e num juri formado pelo conselho que o próprio chefe é um bandido!” – bradam os apoiadores. “Eu exijo uma retratação do juri, pois um chefe de conselho deveria ser tratado de uma forma real!” – conclama o pretenso ditador.
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1429885700charge-eduardo-cunha-capaVivemos a história todos os dias.
E infelizmente os conflitos políticos e picuinhas do Legislativo remam contra as urgências atuais da Nação.

O que Cunha vem fazendo parece ter saído de um roteiro de filme.
Independente dos casos de corrupção a investigar, das CPIs a abrir, é importante que os processos sejam concluídos lícita- e transparentemente.
Que venha uma nova investigação após a conclusão da primeira. E, caso não reste nenhum representante para defender o interesse popular, que novas eleições sejam convocadas, sem os candidatos cassados ou impugnados.
Intervir através de “pau mandado”, buscando alterar o curso de um trabalho sério feito por órgãos (ainda) sérios é um inegável absurdo. E não foi somente contra o doleiro delator, que agiu um deputado peemedebista nos últimos dias; o mesmo deputado chamou para depor a advogada de outros réus delatores… para fazê-la revelar segredos da profissão garantidos por lei? Falar sobre conteúdos que não podem ser revelados? Ou somente para desviar o foco da sequência das investigações? (leia notícias aqui e aqui)
Exigir retratação do juiz do caso ou acusar uma testemunha de mentir é leviandade. Não há poder no Legislativo para julgar; para isso existe o Judiciário. E sendo no STJ ou não, todas as denúncias são passíveis de esclarecimento.

O pronunciamento não foi uma preocupação pelo coletivo. Foi propaganda de quem quer ser primeiro ministro. De quem planeja se aproveitar do período de crise e incertezas para sobrepujar os demais ocupantes de uma casa que tem a mais conservadora bancada dos últimos anos.

Não adianta dizer que o Congresso tem trabalhado e produzido “muito mais” se a produtividade não reflete na sociedade.
De nada adiantou, na minha visão, discutir e aprovar a reforma política, se o financiamento de empresas segue possível. Todo o financiamento direcionado de empreiteiras (pra citar um exemplo) continuará ocorrendo.
E, pior ainda, de que vale colocar em pauta um assunto se o mesmo seguirá em “votação contínua” até que o resultado desejado apareça? (post nosso aqui)
Seria mais fácil (e mais barato para o país), nomear o Sr. Eduardo Cunha “Legislador Oficial do Estado” e pronto!

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui e daqui.
quem quiser assistir o pronunciamento do deputado Eduardo Cunha – aqui com texto ou aqui no youtube.

rn188844_0Na semana passada, fomos surpreendidos (ou nem tanto) com uma declaração infeliz de um vereador paraense.
O principal erro do ilustríssimo Sr. Odilon Rocha de Sanção foi ser sincero (a seu modo), considerando que a população, já anestesiada com desmandos e abusos, encontrasse normal a declaração escancarada de corrupção no meio político; “Se não for corrupto, mal se sustenta!” – disse ele.
O político sequer considerou que a cidade de parauapebas, onde legisla, tem renda per capita de R$400; que trabalha quando muito duas vezes por semana; que seus vencimentos ultrapassam os R$10 mil ou 17 salários mínimos considerando despesas com combustível, viagens e telefones; sem contar a nomeação de acessores, que costumam render gordas quantias nos ermos do coronelismo do norte-nordeste brasileiro…
“Se for para eu sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta eu não passaria o padrão de vida que eu levo hoje” – completou ele.
É triste, é pesado ler isso!
Sobretudo num país como o nosso, onde poucos levam a sério a disparidade de condições dos mais ricos comparados aos mais necessitados. Os “de cima” criticam programas sociais e duvidam das reais necessidades e intenções dos “de baixo”, enquanto estes últimos criam antipatias.

Perseguimos aqui e aqui, os médicos, que reclamaram de um piso bem semelhante, por terem muitas outras oportunidades na constante demanda e carente atualidade brasileira. E analisamos aqui alguns salários brasileiros, comparando-os com o resto do mundo.

Ou seja, se o vereador tivesse algum conhecimento de mundo, ou a decência de buscar informação, saberia que está na estreita faixa dos felizes 1% mais ricos do Globo, dado o salário recebido na Câmara de Parauapebas. Desconsiderando outras funções assalariadas que venha a exercer.
Falar em sobreviver é descabido e absurdo. É desconhecer desde a condição humana, passando pela própria comunidade que o elegeu, pelo entorno onde vive e trabalha e chegando à etmologia da palavra. É um insulto!

fotopg5boxMDNa mesma seara está a notícia recente atribuída à Câmara de Blumenau, município catarinense com histórica imigração européia. Os vereadores estudam proposta de aumentar o número de cadeiras em quase 50%, aumentando a casa de 15 para 23 componentes e o gasto público com pagamento de folha de R$400 mil para R$612 mil.
Igualmente abusiva, a medida não para por aí; os gastos aumentariam além das despesas com pessoal, carros, celulares… um novo prédio deverá ser construído, já que o imóvel alugado foi projetado para os atuais 16 gabinetes! (notícia aqui)

Um alento para a população de Blumenau está no protesto de empresários locais, que publicaram frases em outdoors, “provocando” os legisladores, que agora reavaliam a medida. Uma audiência pública sobre este tema foi marcada (provavelmente as pressas) para essa semana.

É inconcebível para mim que haja na lei a possibilidade de definir o próprio salário.
É como se fôssemos contratados para definir nós mesmos o que fazer… Cada um faria o que melhor lhe aprouvesse e no prazo determinado pelas necessidades pessoais. Deixar nas mãos de políticos as definições de salários e benefícios é pedir para que haja problema.

No fim, creio que nem uma drástica reforma política, nem o fim do político profissional, resolveriam tudo. Estes resquícios de “Gerson”, certamente passariam como “brinde” ou “praga” por algumas gerações; até que fossem vistos como imorais ou penalizados exemplarmente.

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui (onde pode ser lida a notícia sobre o nobre vereador Odilon) e daqui. Há um filme sobre a campanha contra o aumento do número de cadeiras em Blumenau aqui.

Este post é um apelo: um apelo pelo amor, pela amizade, pela coletividade, pela humildade, e pela evolução pessoal de cada um de nós.
Eu apelo para que tentem se abrir para o que vou lhes dizer, reflitam.


Dilma_DiscursoDilma reaparece oficializando pacotes severos de combate à corrupção, para intensificar ainda mais as investigações já existentes, e novas que estarão por vir (a limpeza na corrupção está só começando).
De lambuja, ela lembra que é extremamente necessária uma Reforma Política, mas que ela, sozinha, não pode fazê-la, pois vivemos numa democracia com 3 Poderes, e não numa ditadura onde o Executivo faz tudo que bem entende.

Nem preciso falar que ouvir a Dilma falar é monótono. Ela é devagar, pouco didática, péssima oratória. Mas o conteúdo é o que importa, e desta vez, conteúdo havia.

Vocês que levantam a bandeira anti-corrupção, gostando da Dilma ou não, prestem atenção nas tentativas constantes de intensificar-se o combate à mesma. A lógica de vocês está errada, com todo o respeito. A corrupção não está aumentando, ela está é aparecendo. Abriram a tampa do caixão.
Vocês deveriam estar agradecendo ao Governo por isso.
É por isso que querem tanto tirar Dilma do Governo, para que o Brasil volte a fechar o caixão da corrupção, e engavetar todo e qualquer esquema, como sempre foi feito nos últimos 500 anos. As investigações não incomodam Dilma, senão ela daria um jeito de pará-las ou diminuí-las. As investigações incomodam aqueles que foram donos do Brasil desde as navegações, e por isso estes querem derrubar Dilma a todo custo.

Não se deixem enganar por aqueles que tentam lhe manipular. A Grande Mídia, não é pelo povo. Estudem sobre a história da mídia brasileira, suas parcerias históricas com o Poder, com a ditadura; estudem sobre a riqueza de seus donos (a família Marinho – Globo – é a família mais rica do Brasil, a família Civita – Editora Abril – é a 11ª mais rica).
Link da Forbes AQUI
Você que curte o perfil da Globo ou Veja no facebook, ou que só se informa pelo Estadão e Folha, não se esqueçam: os donos e diretores destes meios de comunicação estão atolados em esquemas de corrupção e sonegação de impostos, e para piorar, recentemente, muitos deles apareceram na lista de brasileiros com contas no HSBC da Suíça.
Vocês vão protestar contra corrupção, e curtem e seguem estas mídias? E pior, acreditam neles?

É hora de pararmos de dar força para golpistas, interesses internacionais, e essa elite que Governou o Brasil por 500 anos, e com Lula começou a perder um pouco de seus privilégios (eu digo um pouco, pois a elite brasileira continuou fazendo dinheiro com o Governo do PT, com a diferença de que a vida do pobre, pela primeira vez na história, também melhorou de forma visível).

Classe média, vocês estão mais perto dos pobres que da elite. Defendendo o interesse da elite, vocês só têm a perder. A sociedade só tem a perder. O pobre e o Governo popular, não são seus inimigos. O Brasil já há mais de 50 anos é um dos países mais desiguais do Planeta, com as mais altas taxa de violência, com os maiores índices de pobreza, com uma das piores educações e sistemas de saúde do mundo. Este é o Brasil de sempre, pois sempre esteve nas mãos de um pequeno grupo de pessoas extremamente poderosas, e pior, desinteressadas pela nação, e somente interessadas pelos seus ganhos individuais. Nestas famílias, que sempre mandaram no país, e que nos trouxeram atrasos centenários em quase todos os setores, não estão inclusas a família de Lula (pobre do sertão), nem da Dilma (classe média mineira), nem de Zé Dirceu, nem Genoíno, nem Haddad…..
Vocês podem achar que eles estão destruindo o Brasil, ou que são corruptos, mas a verdade incontestável é que: Eles chegaram em altos cargos políticos, antes sempre ocupados por pessoas de tradição poderosa, e isso, incomoda, e muito, esses poderosos.

Sim, o povo foi às ruas no dia 15 de março, mas infelizmente, a parcela mais rica do povo, pois era raro ver pessoas humildes, ou negras no meio da multidão.
Vocês acham legítimas causas que não aderem os pobres? Será que a classe média precisa mais de ajuda que o pobre faminto? De verdade? Cadê o cristianismo de vocês?

Por que não fugir do simplismo, estudar, buscar entender o sistema, e unirmos então os interesses da classe média com os interesses dos pobres e oprimidos, e assim, juntarmos uma nação contra um par de famílias que não querem dividir o bolo? As causas estão erradas pessoal! Há causas mais certeiras e mais eficientes para serem aderidas. O povo precisa se informar, para buscar algumas causas comuns, que tragam melhorias a todos, e não só a alguns, em detrimento de tantos outros.

Eu, assim como estudiosos da área, estamos sugerindo há tempos causas de extrema urgência: Reforma Política, Reforma Tributária, Lei de Médios, Reforma educacional, Reforma Agrária. Muitas destas causas vêm sendo carregadas desde de Jango.

Essas causas unem os interesses da Classe média e da Classe Pobre, une os interesses de todos nós oprimidos (classe média menos, classe pobre mais oprimida) pelos reais opressores (uma elite pequena, mas poderosa, composta por coronéis da mídia, grandes banqueiros, e grandes empresários – nacionais e internacionais).

Mais sanidade, menos alienação. Mais informação, menos manipulação. E principalmente, mais amor, e menos ódio. É tudo que desejo a todos nós.

Link para o discurso de Dilma AQUI

por Miguelito Formador

Miguel_CelsoCelso opa. Boa tarde pro senhor!

Miguel – Bom dia pra você, mano

Celsocomo você está hoje? Viu o pronunciamento da Dilma ontem (08.03.2015)?

Miguel – ainda não vi. tem um link aí?

Celsojá te passo o link.
ontem fiquei decepcionado. depois que você assistir, te explico os porquês
https://www.youtube.com/watch?v=2VrhIITgVQc
a qualidade não está boa, mas acho que consegue acompanhar…

(…)

Miguel – manda aí sua análise sobre a entrevista
ops, pronunciamento

Celsoeu acho que ela perdeu a chance de comentar sobre temas cascudos
tipo a lista do lava jato
eu proporia o afastamento dos envolvidos enquanto as investigações estivessem em curso
falaria de reforma política
e das outras, lembrando aquela declaração bacana dela anos atrás, durante/após as manifestações de junho (link de publicação nossa aqui)
ela estava a muito tempo “escondida” devido a baixa popularidade
daí decidiu aparecer com a “desculpa” de dia das mulheres
mas falou em classe média (pra fazer média) e omitiu os pobres
e falou difícil com termos de “ajuste fiscal”, ao invés de citar os casos reais
e talvez ganhar pontos com a classe média/brasileiro mediano
fiquei chateado, pois acho que ela perdeu uma bela chance

Miguel – eu sinceramente, nem palpito mais nisso
não sei qual a melhor estratégia de comunicação
tipo, em alguns exemplos que você deu, acho que se ela fizesse isso, pioraria ainda mais
sugerir afastamento de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Fernando Collor, Anastasia, e os 450 envolvidos do PP, acabaria de vez com qualquer tipo de apoio que ela tenha dentro de sua base

Celsomas mano, se ela já está “impopular”, pioraria o que?

Miguel – PP e PMDB são coligados, apesar de sabermos que eles se dividem ao votar contra ou a favor o governo
Eduardo Cunha por exemplo é oposição ao Governo

Celsomas ganharia apoio popular

Miguel – Ganharia mesmo, Celso??? Ganharia apoio de quem?

Celsonão. está certo

Miguel – Você ainda tem esperança que a classe média vai apoiar a Dilma, dependendo do que ela falar?

Celsoo apoio popular, na minha citação ou meu caso, é o da “minha elite”. povo que se informa e ainda espera alguma coisa dela.

Miguel – mas…. sugerir afastamento dos caras, iria piorar a situacao dela dentro da Governabilidade

Celsoenfim…

Miguel – calma pô

Celsotenho esperança pois sou tonto

Miguel – tô te questionando

Celsoeu sei. Estou calmo

Miguel – não desista. eu não tenho certezas.
só dúvidas
é disso que to falando
você diz que ela talvez ganhassse apoio de uma parcela da população
eu desconfio muito disso

Celsomas aparecer pra “não falar nada”, só municia a oposição

Miguel – concordo. falar, ou não falar, essa é a questão.

Celsoacho que pouco a pouco ela perde ainda mais apoio/suporte. Eu e alguns dos que conheço, preferiria ver um posicionamento firme (e criticar depois os meios pra chegar nisso) do que posicionamento algum

Miguel – acho que a parcela anti-PT já é uma parcela perdida
o ódio só aumenta. faça a Dilma o que fizer, fale ela o que disser
pois se não falar, a galera cai matando (sumiu, tá com medo, bla bla bla)

Celsolembra daquele discurso das reformas?
pois é… jogue pro Congresso a responsa

Miguel – ela fala, a galera cai matando
lembro

Celsoé sofrido ver ela se afundando nas próprias palavras

Miguel – bom, eu acho que ela poderia ter seguido outros caminhos no discurso, não esse de sugerir afastamento, mas pegar outros pontos, que mostrassem para a população que ela quer evoluir com reformas, mas sem dar porrada no legislativo

Celso a dúvida é: foi ela que escreveu ou alguém do comitê

Miguel – cara…

Celsomeu primo e tio acham que foi ela, que ela não aceita pitacos. Eu acho que não foi ela

Miguel – certamente foi alguém do comitê, penso. Um assessor.

Celso – ela é inteligente pra cair num negócio “auto-fuck” desses

Miguel – mas, as palavras mal escolhidas com a lamentável oratória, transforma um discurso numa catástrofe.
não sei. só suponho

Celsoeu também suponho
certamente, num momento delicado desses, qualquer um sairia mais fragilizado
Aécio, Lula, FHC
a questão é: ganhar pontos com alguns ou perder com todos
mas sou muito radical nesse sentido. Não sei fazer política “do jeito certo” e “com as pessoas certas”.
mas aprendi que a verdade é a melhor maneira de dar uma notícia ruim

Miguel – o que me deixa louco é o seguinte: penso que a classe média média e a classe média alta sejam casos perdidos…. essa galera só aliviará o ódio a médio-longo prazo se houver uma diminuição do bombardeio da mídia e da oposição política. Então, a curto prazo, a Dilma só tem os pobres e os esquerdistas. Dos pobres ela tá cortando benefícios, elevando juros, aumentando bens de consumo e impostos….. isso não agrada os pobres. Para os esquerdistas, ela tá chamando ministros conservadores, e fazendo políticas de austeridade, que, numa primeira impressão, assusta….
Então, com isso, ela não conquistará os que já não gostam dela, e está afastando sua base de apoio popular

isso sim me entristece

Celsosim. O lance dos ministros e da “abertura” do espectro dos aliados é de doer

Miguel – mas…. entendo que a situação seja extremamente complicada, são muitas forças que brotaram, tentando empurrar o Brasil para vários lados, e no meio disso, tem lá “nós”, utópicos sonhadores….

Celsofoi um balde gigante de água fria

Miguel – se o Governo ficar o bicho pega, se correr o bicho come
para sair dessas armadilhas atuais, tem que haver jogadas geniais

Celsosim, deveria ter um cara phoda, estrategista do exército pra fugir dessa

Miguel – tanto políticas, quanto econômicas, quanto de comunicação, quanto de parcerias e coligações, etc

Celsoenfim… muito a discutir. E um horizonte não muito bom, dada a crise, a pressão sobre o governo só tende a aumentar

Miguel – eu tenho uma esperança
uns doentes super-estimarem seus poderes, uns militares de direita + um Aécio e PSDB da vida + convencerem uns americanos estrategistas que esta na hora do golpe + os loucos varridos da classe média se juntarem e tentarem um golpe, ou uma paralisação forte

algo que gere violência, atentados, com mais caos que em 2013

Celsoessa é sua esperança?

Miguel – e aí, minha utopia: o Governo decretar Estado de Sítio, e aproveitar para voltar às origens do PT, lançando mão de seu lado mais de esquerda

Celsoah tá

Miguel – prender os golpistas
dissolver temporariamente o Congresso

Celsobeleza. Entendi. Sabe o que penso sobre dissolver o Congresso. Resolveria vários problemas…

Miguel – Daí fazer reformas (midiática, política, tributária, agrária)
e pronto, restitui o congresso de novo após alguns meses
país novo

Celsodissolução, deixar as fronteiras livres pra galera que quiser sair do país e mudar o modo de governar
aí vira do povo e pro povo
mas… haja utopia!
vou colar esse texto num post. O que acha?

por Miguelito Nervoltado e Celsão revoltado

1424971028509Outro título deste post seria: “Dicas para ser isento numa CPI”.

É absurdo! É revoltante!
Uma nova CPI no Congresso foi instaurada ontem, quinta-feira, para investigar os casos de corrupção na Petrobrás, ou os desdobramentos da operação Lava Jato (notícia aqui).

Até aí tudo bem, uns podem até dizer que acabará em pizza, ou seja, que não dará em nada; outros dirão que as CPIs são elementos políticos para provar a força dos partidos na nomeação de líderes e relatores, que a CPI é “ganha” nessa primeira votação, etc.
Por ser a terceira num período curto (menos de um ano), é realmente mais difícil acreditar que algo muito diferente ocorrerá; mas, o que me revoltou mesmo, foi a constatação feita pelo deputado Ivan Valente, do PSOL.
Em discurso no início dos trabalhos, o político lembrou que mais da metade dos deputados que compunham a mesa receberam doações de campanha das empresas investigadas na operação Lava Jato.

Explicando mais uma vez e em outras palavras: a maioria dos parlamentares presentes, que ocupariam (e ocuparão) as cadeiras desta terceira Comissão de Inquérito, que analisarão documentos, depoimentos, votarão e elaborarão um parecer final, receberam dinheiro para suas campanhas eleitorais (do ano passado!) das empresas cujos executivos estão presos em Curitiba, exatamente por suspeita de irregularidades em contratos da própria Petrobrás, investigada.
Ou seja, só pode ser piada… os apadrinhados investigarão os padrinhos! Notícia aqui.

Como não era interessante para os partidos “fortes”, como o PMDB, que elegeu o presidente da CPI, o afastamento dos políticos “suspeitos” não foi levada a cabo. E a casa votou sem problemas ou pudores e elegeu o presidente (Hugo Motta – PMDB) e o relator (Luiz Sérgio – PT).
O deputado Luiz Sérgio, eleito relator, foi inclusive o candidato que recebeu o maior valor dentre os componentes da CPI, valores próximos a um milhão de reais. O presidente eleito da CPI também seria afastado se o pedido de impedimento do PSOL tivesse sido acatado.

Notem que não estou criticando as doações em si. Embora seja contra elas (vejam aqui e aqui algumas opiniões nossas sobre as reformas políticas necessárias ao país de acordo com nosso julgamento), sei que as doações de empresas privadas, como empreiteiras, são lícitas, fazem parte do “jogo” atual para se eleger um parlamentar.
Tampouco quero “ver sangue” nas prováveis críticas à Petrobrás que estão por vir.
Acho que devemos sim investigar os ocorridos e punir duramente os culpados (como já disse aqui), sem condenar toda a empresa que é inovadora e referência mundial na exploração de petróleo.

Mas… precisava mesmo de uma nova CPI?
E… tinha de ser comandada por deputados “de rabo preso” com os investigados?
Copiando uma pergunta da própria página do deputado Ivan Valente, atribuído por ele à Folha: “Entre os financiadores e os eleitores, entre o dinheiro e o voto, de qual lado cada congressista ficará?”

Termino dando os parabéns ao PSOL que levantou a questão e propôs a medida mais cabível ao caso. Parabéns também aos deputados do PPS que foram os únicos a apoiar o PSOL no intento.

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: link interessante para a página do deputado Ivan Valente, que contém o vídeo do pedido de afastamento – aqui

oab-rs-reforma-politicaSou da opinião que não basta ficar parado e reclamar.
É a atitude mais fácil, certamente, mas tem pouca valia.
Essa é uma das razões de ter esse espaço e de “lutar” de algum modo contra a falta de informação nos extratos mais baixos da população, a massificação da informação na TV, a manipulação exercida pela grande mídia, contra o “pão e circo” e contra o chamado quarto poder.

E um dos assuntos que mais temos falado neste blog é a necessidade de reformas no Brasil: na política, no governo, na mídia, etc.
E, concomitantemente, o Jornal da Cultura fez, desde o final do ano passado, enquetes com o público sobre o sistema politico no país para saber, dentre algumas opções dadas, qual seriam as preferências dos telespectadores.

Dentre as perguntas realizadas estavam a reeleição, se o eleitor é a favor ou contra, o tipo de financiamento de campanha mais adequado, com opções como: privado com doações de pessoa física, privado com doações de empresas, privado com recursos do próprio candidato, público ou misto; tipo de sistema para o legislativo e se as campanhas precisariam de um limite. Os resultados destas podem ser encontradas aqui.

Aproveitando a discussão surgida das enquetes, a OAB de São Paulo e o canal, promoverão um seminário com o título “Reforma Política Já” (links aqui e aqui). Bem “em cima” do prazo, pra participar, eu sei. Mas meu destaque não vai para a participação neste evento (eu, por exemplo, queria participar e não poderei). O que quero salientar é que algumas enquetes de internautas tornaram-se um seminário, promovido por um órgão de importância nacional. E, com participação, nos painéis, de dois ministros do STF!

Na mesma linha, a campanha “Fim do Político Profissional” (aqui) coleta assinaturas para uma emenda constitucional que visa proibir a reeleição do Executivo e limitar a uma reeleição todo o Legislativo brasileiro. Lutando para acabar com a perpetuação de parasitas em todas as esferas do governo. Um dos criadores da campanha é também debatedor do Jornal da Cultura.

Ou seja, é possível começarmos algo. Quer seja apoiando eventos que acreditamos, quer seja iniciando nós mesmos uma petição no Avaaz, uma enquete, uma discussão no nosso “microcosmo”, um evento…
E as mudanças começam mais perto do que pensamos; muitas vezes no modo como vemos as coisas.

por Celsão correto

edição feita de figura retirada daqui

P.S.: como o post vai “pro ar” na terça e o evento é na quinta, dia 29, seguem os telefones para confirmar a participação, se ainda houverem vagas: (11) 3291–8191 e (11) 3291-8201.
Aliás, todos os painéis do Seminário serão transmitidos ao vivo pela internet, no site da OAB SP e também pelo CMAIS, canal da internet da TV Cultura.

Reformas_Brasil_03As eleições passaram.
Para o Executivo, vitória de Dilma, o que me traz um pouco de esperança.
Para o Legislativo, o mal pior aconteceu (aumento de 40% da bancada conservadora). Agora, neste novo governo que se inicia, o debate simplista não levará a lugar algum, a não ser para trazer um mínimo de compreensão política para a cabeça da parcela da sociedade mais despolitizada.Mas se quisermos realmente trabalhar juntos com o Governo, fazer nosso papel civil de cidadão, participando do processo sociopolítico do país, entendendo os problemas, participando dos debates e propostas de soluções e exigindo decisões urgentes de nossos governantes; então o debate precisa ser aprofundado, e cada veia e artéria deve ser desobstruída, para evitar derrames.O cenário heróico e perfeito no qual foram desenhados, tanto Dilma quanto Aécio, pelos seus respectivos partidos durante a campanha, não condiz com a realidade destes, tampouco com o que eles podem/poderiam fazer dentro do sistema ao qual estão sujeitos.
Dilma é uma administradora eficiente, e uma mulher de integridade ética inquestionável. Mas se tornou, como outros presidentes, refém do nosso podre sistema político, das coligações prejudiciais com PMDB e outros partidos conservadores, e com alas bárbaras da elite. Com este novo Congresso eleito então, a situação tende a piorar. E Dilma não pode virar as costas para o Congresso. Por isso nós, o povo, precisamos surgir como um novo braço da política, para contrabalancear com o Congresso, que, em sua maioria, representa os interesses do Capital, e não da massa da sociedade.

Na economia, o mundo está sofrendo com a maior crise da história do planeta. Não adianta continuarmos esperando que o Brasil continue crescendo 5% ao ano, com taxa de desemprego de 4,5%, dívida pública caindo e salário mínimo aumentando da forma como aumentou com Lula, e ao mesmo tempo, continuarmos mantendo os banqueiros e multinacionais felizes com seus lucros.
É preciso tomar medidas duras, que desagradarão o povo, ou a elite, ou ambos. Eu espero que sejam medidas que desagradarão mais a elite, o capital especulativo, banqueiros, o capital estrangeiro, que as camadas mais necessitadas de nossa sociedade. Mas o certo é que algo deve ser feito.

É hora de bater de frente com a mídia golpista, é hora de bater de frente com as alas mais podres e conservadoras do capital, é hora de comunicar melhor com a sociedade e solicitar o apoio do povo, dos militantes e dos movimentos sociais. É hora de criar um projeto macro para nossa política-econômica, projeto esse que consiga unir o máximo possível de grupos e classes do Brasil num objetivo em comum.
Não dá para ficar mais 4 anos no banho Maria, negociando migalhas, e empurrando os nossos maiores problemas estruturais com a barriga.

Dilma sabe disso, mas ela governa com mais de 30 ministros, mais outras dezenas de secretários, mais de 500 deputados e mais de 80 senadores. Ela governa precisando representar o trabalhador braçal, o camponês, o latifundiário, o operário, o gerente, o dono da fábrica, o capital nacional e o capital internacional, o especulador, o banqueiro, o funcionário público, o professor, o médico… ela é a presidente de todos. É nosso dever participar e ajudá-la a vencer aqueles coronéis que não querem mudanças profundas no Brasil, com medo de perderem seus privilégios seculares.

Pessoal, tempos difíceis se aproximam, e faça o que fizer Dilma, e participemos nós ou não, efeitos colaterais duros nos esperam. Cabe a nós, ou ficarmos olhando, como sempre calados e conformados, e depois de tudo desandado sairmos reclamando que Dilma ferrou com tudo, que o Brasil é uma porcaria, isso e aquilo; ou então mexermos o nosso popozão, e participarmos, fazendo valer nossos direitos democráticos, e lutando por aquilo que realmente queremos.

Qual a postura que você vai tomar? Ficará passivo esperando a doença tomar conta de seu corpo, para depois entrar em depressão e tomar milhares de remédios para se curar? Ou vai fazer exames de rotina, e se comportando de forma preventiva, evitando que a doença se desenvolva?
Esses são os dois caminhos possíveis para você enquanto cidadão de uma sociedade democrática.

Participem, seja indo as ruas, seja lendo e se informando, seja perguntando ao amigo que entende mais que você, seja participando de conselhos populares, seja escrevendo no facebook e blogs e compartilhando informação. Vamos nos mobilizar.
Mas lembrem-se sempre, por favor: tudo isso tem que ser feito com muito juízo e sempre alerta, pois a elite escravagista e a mídia bandida estarão sempre caminhando ao nosso lado, tentando nos guiar para a contramão, corromper nossa ideologia e ideias, e nos fazer pensar que estamos lutando por algo que é bom para nós, mas que na verdade não é, é algo que só faz com que tudo se mantenha como está (mantendo o Status-Quo).
Disciplina, policiamento, humildade e perseverança nos nossos atos, só assim caminharemos na direção certa.

E pelo que precisamos lutar?
Pelas reformas mais urgentes que o Brasil precisa. São elas:

Reforma Política: fim do financiamento privado de campanhas, maior participação popular através de consultas, plebiscitos e referendos, revisão e limitação do número máximo de partidos políticos, discussão sobre voto aberto ou secreto no Congresso, valor de salários e benefícios de parlamentares, senadores, ministros do Executivo e do Judiciário, Presidente; Sistema Eleitoral: voto partidário, quociente eleitoral, voto majoritário, voto em lista, voto distrital ou não, entre outros. (Mais sobre a Reforma Política AQUI)

Reforma da mídia/Lei de Médios: a mídia brasileira é 95% privada. 75% da mídia de todo o país está concentrada nas mãos de 6 famílias. A mídia não é um mercado como outro qualquer, pois o produto que ela vende é “informação”. Portanto, não se trata de vestuário, ou imóvel, bens materiais, lazer; se trata do intelecto e forma de pensar de cada cidadão. Portanto, é inconcebível não haver, nesse mercado, regulamentação que vise garantir um serviço de excelente qualidade à sociedade.
Uma mídia democrática é uma mídia onde todas as camadas sociais são representadas em pé de igualdade. Por isso é preciso diminuir o poder da mídia privada, e ascender mídia governamental e mídia popular/pública. Assim, tanto o setor privado, quanto o Governo e a sociedade, teriam garantidas suas representações democráticas, e poderiam divulgar informações a partir de seus pontos de vista e seus interesses. O resultado: uma sociedade com acesso a informações diferentes e divergentes, podendo analisar sempre os dois ou os vários lados da moeda, e no fim, chegar a uma conclusão/opinião mais heterogênia, equilibrada e racional. Hoje, toda a informação é convergente/homogênea, pois toda a mídia é privada, e portanto, representam os interesses da elite, raramente os interesses da sociedade. Se a mídia só fornece uma versão dos fatos, obviamente, o cidadão só pode chegar a uma conclusão, aquela que a mídia passou, que foi a única com a qual ele teve contato. E nós sabemos que, ouvir somente uma versão de qualquer história, não é suficiente para chegarmos a conclusões, não é mesmo?.

Reforma Tributária: no Brasil, quanto mais rico se é, menos imposto “total” se paga. Somente revendo nossa pirâmide tributária, poderemos aliviar a carga de impostos da produção, e aliviar a carga tributária daqueles que têm menos dinheiro, mas sem causar efeito negativo no orçamento do Governo. Na maioria dos países capitalistas ricos, as taxações a grandes salários chegam a ultrapassar os 40%. Na Alemanha, Suécia e outros exemplos, chegam até a 50% do salário. No Brasil, abatendo os gastos dedutíveis, não se paga mais de 30%. Nos EUA e na Alemanha, o imposto sobre grandes heranças chegam a 40% do valor total. No Brasil, apenas 4%. (Entenda mais sobre os impostos do Brasil e do mundo, acessando esse artigo AQUI)

Reforma Agrária: ainda é lamentável a situação de concentração latifundiária no Brasil. Precisamos de projetos que garantam a alocação de famílias, e uma democratização das terras. Isso é ótimo para a sociedade e para o meio ambiente. Não é justo que famílias passem de geração em geração fazendas do tamanho da cidade de Belo Horizonte, só porque o tatataravô era um coronel das capitanias hereditárias, principalmente se essas terras são mal aproveitadas.

Reforma do Sistema Educacional: é óbvio que precisamos aumentar os investimentos em educação. Mas só isso não basta. Precisamos de um reforma estrutural completa, que gerará resultados a longo prazo. Precisamos reformar a grade curricular do ensino primário, ensino médio e ensino superior, inserindo de forma radical disciplinas voltadas à ética-social, ao respeito às pluriculturas e diferenças, reforçar a filosofia, sociologia, antropologia, despadronizar o ensino da história e geografia e inserir o ensino das ciências-políticas com ênfase em nossos direitos e deveres democráticos. É preciso maior valorização dos professores e trabalhadores do ensino, assim como tornar mais rigoroso e completo o preparo e formação dos mesmos. Na Alemanha, por exemplo, o professor é um dos profissionais com melhor salário, mas ao mesmo tempo, tem um dos vestibulares mais concorridos, além de ter um curso superior muito duro, que exige muito do estudante.

Sem essas reformas, vamos continuar tomando Banho Maria.

Para acessar o artigo-inspiração de Ciro Gomes na Carta Capital, clique AQUI.

por Miguelito Formador

DISCUR~1Entrevistador – Boa noite candidato. Antes de mais nada gostaria de agradecer a sua presença.
Candidato – Eu que agradeço. Mas espero a compreensão do meu partido e dos meus eleitores sobre as respostas que darei.

Entrevistador – Como assim candidato?
Candidato – Serei sincero e verdadeiro nessa entrevista. Quero expor exatamente o que penso, sem rodeios ou respostas evasivas…

(E) – Ótimo. Começo então perguntando sobre a Previdência. O que o senhor acha do fator previdenciário e da desaposentação?
(C) – Boa pergunta! Infelizmente o nosso modelo previdenciário está condenado à falência e ao fracasso. Não temos como suprir salários dignos àqueles que trabalharam e contribuiram por tanto tempo. A medicina avançou, e com ela, a expectativa de vida da população. E agora, mesmo se aumentássemos a data mínima de aposentadoria para 75 anos, não conseguiremos pagar sequer um salário mínimo aos profissionais da iniciativa privada.

(E) – E qual seria a alternativa?
(C) – Não acho que a desaposentação seja. O único que me vem a cabeça é acabar com as aposentadorias integrais dos setores públicos. O teto deve valer pra todos, de pedreiros a juízes.

(E) – Seguindo na mesma linha, que reformas o senhor acredita serem necessárias?
(C) – Mais que necessárias, acho que as reformas tributária e política sejam essenciais nesse ponto. Chegamos no ápice da curva dos impostos e daqui pra frente, a maioria só buscará meios de burlar e sonegar. Vou taxar de verdade as fortunas e fazer uma “sociedade” com aquele 1% mais rico da população, se o Brasil crescer, eles também ganham, se não crescer muito, o dinheiro deles servirá para algo mais útil que iates e viagens caras. Acho que este é um bom momento para cobrarmos uma boa contribuiçào de quem tem muito a contribuir. Você sabia que 1% das pessoas em São Paulo tem 20% da renda da cidade (aqui)?

(E) – E a reforma política candidato, o senhor nada disse sobre ela.
(C) – Sou contra o financiamento de empresas, uma vez que já temos o fundo partidário e pessoas físicas podem doar e abater do imposto de renda. Sou contra as dezenas de partidos que temos e que se aninham para conseguir mais tempo, mais cargos e mais prestígios. É hora de cada um assumir suas ideologias e lutar por elas. Além disso, defendo o voto distrital misto, como forma de erradicar os “Tiriricas” e fazer com que cada “comunidade” seja representada e observe o seu próprio candidato. O problema é convencer os encostados dos parlamentares do meu partido, que teriam de mudar o modo como fazem política.

(E) – O que o senhor acha do crescimento do agronegócio em contrapartida com nossas florestas?
(C) – São questões imcompatíveis! Contraditórios! Ou bem temos floresta e somos o “pulmão do mundo”, ou bem produzimos safras recordes e suprimos todos os bifes comidos na China, sendo o “alimentador do mundo”. Se eu prometer expansão sustentável do agronegócio estarei mentindo! Acho que os Estados poderiam decidir se querem floresta ou soja, natureza ou pecuária. Ainda melhor seria que limitássemos ambos, estabelecendo um mínimo aceitável para floresta (incrementado ano a ano) e um máximo para produção de alimentos e pecuária (que, idealmente, diminuiria ano a ano, aumentando a produção com novas tecnologias). Mas, para isso, teremos de brigar com forças e famílias poderosas…

(E) – E o senhor lutaria pela reforma agrária?
(C) – Claro! Desde que as pessoas interessadas se comprometam a manter-se no campo e não emigrar para as complicadas áreas urbanas. Eu incentivaria a migração pro campo, mas manteria a posse da terra ao Estado, para proibir a venda afastando o latifundiário.

(E) – Plano de governo para a segurança pública, o senhor tem?
(C) – Essa é difícil. Achava que o aumento da renda diminuiria a violência diretamente… Creio que possamos contratar chefes do crime organizado para uma secretaria anti-crime. Da mesma forma como teremos hackers trabalhando na segurança digital, no meu governo.

(E) – E a educação, será prioridade em seu governo?
(C) – Com certeza! Tudo começa com a educação e deve ser pautado nela. Quero escolas públicas fortes, com processos de antigamente, provas, notas, repetência e até alguma evasão, inerente ao processo. Para os evadidos, escolas em tempo integral combinadas a esporte, música ou outro atrativo que os faça render, funcionando como recompensa. De nada adiantam porcentagens e números de alunos matriculados se formamos analfabetos funcionais e péssimos profissionais. Não podemos desistir da formação de profissionais e cidadãos. Embora seja preciso deixar claro pras famílias que escola sozinha não forma caráter!

(E) – Mas isso não é popular…
(C) – Não adianta manter vagabundo batendo na professora e passando de ano sem esforço. Cidadãos e profissionais, este é o objetivo da minha escola.

(E) – O que pretende fazer em infraestrutura?
(C) – Pretendo financiar as obras em estradas com o lucro das montadoras e demais obras com o lucro das construtoras e dos bancos.

(E) – Como? As montadoras reclamam dos impostos, dizendo que eles travam o desenvolvimento.
(C) – São um bando de chorões. Os bancos e construtoras lucram tanto que são os que mais doam para os partidos políticos.

(E) – Finalizando candidato, você acha que conseguirá aprovar alguma dessas leis no Congresso?
(C) – Minha vontade, prezado entrevistador, é dissolver esse Congresso, eleger um colegiado dez vezes menor, que seguiriam em seus empregos e votariam pela internet ou telefone. De quebra, economizaria uma bela quantia…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

voto-nulo1Eleições se avizinhando… E, mesmo com a Copa “no meio”, aquele discurso de voto nulo que tanto me incomoda, volta à tona.
Porém, infelizmente, noto esta manifestação pior agora que antes… Seres esclarecidos e instruídos pregam não haver diferença entre políticos e partidos; e assumem a posição de não participar da democracia.

Não serei demagogo em pregar a importância do ato relembrando ditaduras, crimes hediondos e contagens confusas mundo afora. Mas gostaria de lembrar um texto que paira em minha mente desde a infância. É a descrição do analfabeto político de Bertold Brecht.

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
(Brecht foi um pensador e dramaturgo alemão da primeira metade do século passado – wikipedia).

Ou seja, é simples…
Se as pessoas que são capazes (ou se julgam capazes) de operar mudanças não votam, os outros votam e o círculo vicioso se perpetua.
Como escreveu um amigo numa discussão solitária com outros tantos que pregavam a ineficiência do voto no Brasil: “dizer que não há diferença entre as pessoas que elegemos é a forma mais simples de sair pela tangente e deixar que os outros decidam por você”.

Outro ponto a discutir e refletir, o chamado “voto de protesto” em artistas e celebridades…
É triste, mas o sistema brasileiro privilegia o partido que consegue um grande número de votos e transforma o quociente eleitoral recebido pelo partido em inúmeras vagas nas Câmaras e Congresso. Ou seja, um deputado eleito com votação recorde, certamente levará consigo outros que sequer receberam votos dos familiares.

Aconteceu com o Enéas Carneiro (lembram-se dele?); fundador do PRONA, que depois de concorrer a algumas eleições para presidente, lançou-se candidato à Câmara dos Deputados. Votação gigantesca. Com mais de 1,5 milhão de votos, Enéas “carregou” outros sete deputados do PRONA consigo. Que, logo após, mudaram de partido e abnegaram o próprio tutor e as próprias convicções do partido que os elegeu…

Assumo que “caí neste golpe”. Porém não como forma de protesto. Julguei que o Dr. Enéas se cercaria de pessoas com os mesmos ideais e objetivos, e que a mini-bancada seria uma opção barulhenta e incorruptível no mar das falcatruas e conchavos.
Me enganei! Creio inclusive que o próprio Enéas também foi ludibriado pelos que o cercavam; mas havia ali uma boa intenção.

Minha proposta aos leitores instruídos e capazes é simples: votem!
Analisem, critiquem, citem nomes aos amigos; perguntem aos políticos sobre temas que vos interessa, ou simplesmente sobre temas complicados a eles, como fidelização partidária, política de coalizão entre o governo e partidos de maioria no Congresso, gasto inapropriado de verbas públicas ou de gabinete, redução destas verbas.

Uma pergunta que fiz certa vez, foi: “o senhor aceitaria o cargo de deputado caso seguisse com o mesmo salário que recebe hoje?”

Só essa pergunta pode render frutos interessantes…

por Celsão correto

figura retirada daqui, onde há um post bem parecido com esse, de 2012

P.S.: em tempo, recebi um texto de um blog, criticando a posição do cantor Ney Matogrosso sobre o tema. A posição foi tomada numa entrevista à Folha (aqui), participaram também Zélia Duncan e João Bosco. Pra quem quiser ler a crítica do blog, segue.

P.S.2: além de defender o voto, e o voto útil, defendo também, como muitos, uma reforma política de base e o chamado voto distrital, que impediria um candidato da região “x” de ser eleito com votos de outras regiões. Mas não acho que estamos preparados para voto não-obrigatório, por mais que soe bem pregar isso ultimamente.

juiz_marlon_reis_livro_direito_eleitoral Me deparei na semana passada com o programa Provocações do canal Cultura e a presença do juiz de direito Márlon Reis. Já o conhecia, sabia que ele era um dos idealizadores do “Ficha Limpa”, mas me surpreendi positivamente com duas “novas notícias”:
– Ele também é um dos arquitetadores do projeto “Eleições Limpas”
– Ele exerce a profissão na comarca de João Lisboa, no Estado do Maranhão

Iniciando pela segunda constatação, fiquei feliz em saber que, mesmo num dos estados mais coibidores e oligárquicos do país, é possível “fazer a nossa parte”; no caso dele, lutar por eleições mais justas e transparentes. O próprio Abujamra em uma das perguntas sentencia: “Como é que você ainda está vivo?” – a entrevista completa pode ser acessada aqui

Mas o ponto mais interessante da entrevista e da luta do juiz é o projeto “Eleições Limpas” proposto pela OAB e já citado nesse blog (logo após o discurso de Dilma em Junho, sobre diferentes reformas propostas por ela – post aqui).
A ideia não é ter somente candidatos de ficha incólume, mas apoiadores sem interesse direto. Ou seja, busca-se eliminar o favorecimento por parte das grandes empresas e corporações a candidatos e partidos em troca de vantagens futuras. O que ocorre hoje em dia e corrompe drasticamente o resultado das eleições são doações de construtoras, bancos, frigoríficos e indústrias de mineração a partidos e candidatos; sem limite estabelecido e com abatimento de imposto (um popular ganha-ganha).

Em site próprio, o juiz Márlon aponta estudos que provam a eficácia desta política, contabilizando para cada real gasto um retorno de R$8,5 em contratos e favorecimentos!
Ou seja, um grande frigorífico por exemplo, sabe que não terá dificuldades em desmatar áreas de floresta para criar gado, ou que certamente gozará de abrandamento da pena ou multa, caso infrinja uma lei. Empreiteiras, bancos e grandes indústrias de exploração da mesma forma…
É algo imensurável, se pensarmos bem. E muito maior que o execrável Mensalão, segundo Antônio Martins (aqui), que cita como engano político o encerramento do processo sem o debate do dinheiro oferecido pelas empresas aos partidos.

E o pior: sabe-se sobre valores e retornos!
O site Política Aberta junta informações do Portal Transparência e do TSE e entrega “mastigado” a quem queira. Na página inicial são vistas as empresas que mais doaram para campanhas em 2012 e os maiores contratos no mesmo ano. Só aí é possível notar que duas construtoras (Odebrecht e Queiroz Galvão) estão no TOP10 das duas colunas.
Aliás dentro do TOP10 dos doadores estão cinco empreiteiras!
É interessante navegar nos detalhes, como partidos e candidatos que receberam ajuda e órgãos que tiveram contrato com essas empresas.

É uma luta árdua, mas importante de ser travada.
É muito importante que não só o “Ficha Limpa” faça parte do cotidiano brasileiro, mas que a luta pela moralização das eleições seja permanente.
Afinal, por que existir financiamento eleitoral se existe o fundo partidário?

por Celsão Revoltado

figura retirada daqui
P.S.: não gosto muito do Provocações. Acho que o entrevistador foge muito do assunto e não deixa o entrevistado expor seu ponto de vista; sempre uma pergunta atropela a anterior. E é demasiado curto.