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img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio

doriaEleições municipais concluídas em São Paulo.
Vitória massacrante, em primeiro turno, da nova estrela da direita, ou centro-direita-anti-PT: João Dória Jr.
O candidato teve pouco mais que 53% dos votos válidos! Desbancando não só o ex-prefeito Haddad, como também o “herói do povo”, Celso Russomano e duas ex-prefeitas: Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Tenho algumas considerações a fazer, ou opiniões a compartilhar, do meu modo “pirata” pra variar. Como estamos no Opiniões em Sintonia Pirata, nada mais natural.

Decepção em relação ao PT e aos outros candidatos? Pode ser.
Falta de opção? Também uma resposta possível.
Afinal, Haddad carregava a estrela do PT, massacrada pela mídia, mesmo evoluindo a cidade com projetos interessantes, como as discussões sobre o zoneamento da cidade (exposto aqui); Marta tinha alta taxa de rejeição, por estórias como Ministra do Turismo, de ex-prefeita, de política polêmica que pensa pouco; e Russomano é aquela incógnita apoiada por evangélicos e radicais conservadores, que sempre começa bem por ser conhecido na mídia antes da campanha da TV…

Pra começar, sabiam que existe um estudo que correlaciona o dinheiro investido, o tempo na TV e o número de votos?
E, nem é tão surpresa assim se pensarmos um pouco, a relação é direta: mais tempo de exposição, maior votação. Aquela velha frase de avó: “quem é visto, é lembrado”.
O estudo está aqui, em PDF. É extenso, mas interessante. Os autores, Bruno Speck e Emerson Cervi, analisam as eleições para prefeito em 2012.
Copio abaixo um trecho da conclusão:

Nos maiores municípios a diferença [do desempenho eleitoral] é ainda maior, com quase nenhuma importância da “memória eleitoral”. O que importa nessas disputas são as condições mais imediatas dos candidatos: estarem em partidos ou coligações com força/tempo de horário eleitoral e conseguirem maior participação no montante de recursos destinados às finanças de campanha.

Ou seja, aquilo que o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do nosso Dória, fez ao negociar uma secretaria com o PP em busca de tempo de horário eleitoral e exposição na TV, valeu muito a pena.
Expulsar uma professora da secretaria do Meio Ambiente fez com que a coligação de João Dória obtivesse um aumento de 25% para o seu sorriso.
Pra quem não leu, a manobra foi tão suspeita que o Ministério Público pediu a cassação da candidatura do peessedebista por desvio de finalidade (aqui e aqui)

Um outro contraponto à “acachapante” vitória de Dória (colei do UOL a rima) é a quantidade de abstenções. Quer seja por falta simples, 21,84% do total, quer seja pela quantidade de nulos (11,35% dos votantes) e brancos (5,3%), somando mais de um milhão, cento e cinquenta mil eleitores, negando todos os candidatos, em análise simples.
Só 65,15% dos eleitores votaram em algum candidato. E os 53% de Dória tornam-se apenas 34,72%…
É relevante? Eu diria que sim, uma vez que o voto é obrigatório em nosso país. Dá pra dizer, de forma distorcida, mas verdadeira, que 65% das pessoas não votaram em João Dória!
(os resultados podem ser obtidos do site do TRE – aqui. Aproveito para colar o link direto para as abstenções e para a votação)

Agora o que julgo ser mais grave: o governo Alckmin beneficiou empresas do “amigo” e afilhado João Dória Jr. em seu governo.
Foram anúncios nas revistas de Dória e eventos patrocinados pelo banco de fomento Desenvolve SP. Os “investimentos” somam R$4,5 milhões entre 2010 e 2015, período em que ambos se tornaram mais próximos.
E não é só nos governos do PSDB, o Grupo Doria usufruiu do “jeito petista de administrar”, de Lula a Dilma. Mesmo apartidário e apolítico, foi patrocinado pela Petrobrás e recebeu repasse dos Correios.
A fonte não é o pragmatismo político ou o Tico Santa Cruz, é a Folha de São Paulo (aqui).

Pra concluir, espero que nosso amigo “dazelite” cale minha boca, e realmente administre como um CEO.
Alguns amigos defendem a teoria de que uma cidade é como uma empresa. Sub-prefeitos são conselheiros, vereadores são diretores, secretários acionistas (não necessariamente nessa ordem). Dória pode provar que, racionalmente, há saída lucrativa (ou não-negativa) para uma cidade como São Paulo, terceiro orçamento da Nação.
Por falar em orçamento, se realmente acabar com a indústria da multa do Haddad, saída do petista para aumentar a arrecadação e diminuir a dívida municipal, já fará muito!
Sou contra as privatizações. Vejo o charmoso estádio do Pacaembu e seu clube tornarem-se prédios de alto padrão; e o mesmo pode acontecer com o Anhembi e o Autódromo de Interlagos… Esse último, inviabiliza de vez o GP Brasil de F1 no país, um dos eventos que mais atrai turistas para a cidade, após inúmeras adequações e reformas feitas em outros mandatos…

Quem viver verá!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: sou contra o “esquema” de aumento de arrecadação através de multas aplicadas por guardas que deveriam ter outras funções, por armadilhas montadas nas ruas, por tocaias nos viadutos. Mas entendo o desespero de quem tinha uma grande dívida e pensava em fazer algo para a cidade…

P.S.2: atualizei o link do estudo sobre dinheiro e tempo em TV na campanha para prefeito de São Paulo em 02/11/2016. E coloco aqui outro link para download, passível de cadastramento no site, caso o anterior também mude ou “desapareça”.
Outra leitura que vale a pena, resenha feita por Gabriela Siqueira, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema, citando múltiplos estudos e textos está aqui

static1.squarespace.comGostaria de usar esse post para divulgar uma mensagem que muito me espantou.
(uns podem dizer que é uma fuga dos temas políticos da semana. Na realidade, quero “digerir” os acontecimentos e fugir dos memes e das conclusões já conhecidas e alarmadas outrora)

Voltando ao tema…
A prefeitura de São Paulo aceitou uma petição criada na página Change.org (aqui a petição e aqui a vitória comemorada no Facebook).
A tal petição pedia para que as bandeiras do orgulho LGBT permanecessem na praça, no caso, no Largo do Arouche, mesmo depois do dia do Orgulho LGBT. E o local já representa na cidade um símbolo de luta contra a homofobia.

Pra quem não conhece São Paulo, pode desmerecer esta vitória. Mas a nossa “megalópole” apresenta múltiplas variações de personagens e personalidades.
Há resistência de todas as minorias; sim, é verdade. E há organização por parte dessas, com pleitos, celebrações e ganhos marginais.
Mas há muito, mas muuuito preconceito (perdão pelo exagero disfarçado de neologismo). Sem mencionar a arrogância.
O preconceito era outrora estampado em célebres gazetas, como o “Notícias Populares”. E ainda segue sua sina em todo rincão ou esquina da cidade. Todo paulistano ou cidadão brasileiro que aqui vive tem a sua opinião distorcida, o seu “quê” problemático e discriminatório. Mas sempre com aquela frase distorcida…
“Nada tenho contra negros, mas…”
“Eu até entendo o problema dos usuários de drogas, na ‘Crackolândia’, só que…”
“O cunhado do meu genro é gay. Eu os aceito, porém…”

Nem é preciso citar exemplos, pois são inúmeros e recorrentes.
De gays agredidos e espancados ao caminhar na rua e em casas de show, a mulheres abusadas moral ou fisicamente todos os dias.

Achei importante a posição tomada pelo prefeito. Acho que este governo Haddad (que já critiquei e elogiei aqui no blog) primou por ouvir, por fazer valer as opiniões e, sobretudo, as diferenças.
Creio honestamente que precisamos, primeiro como cidadãos, “fincar bandeiras” contra as discriminações diversas que sofremos e/ou observamos. Educarmos os mais jovens para que não as pratiquem e reprimirmos os mais velhos para que não as repitam.
E como cidade, como um órgão público e vivo, que seja o princípio da obtenção do pleno direito de ir e vir. Aqui não importando gênero, credo, opção sexual, cor da pele ou condição social. Que sejamos exemplo em algo maior, mais importante e mais amplo que PIB, IDH e desenvolvimento industrial.

por Celsão correto

figura retirada do próprio Facebook do Change.org.

P.S.: da mesma forma que no Avaaz, na página do Change.org é possível iniciar uma petição ou abaixo-assinado a favor ou contra algo. É possível começar a mudança. Pra quem não conhece, sugiro entrar na página e observar o que eles têm feito. No Brasil e no exterior!

 

recorrer-multaNessa semana, entrou em vigor uma das medidas mais impopulares do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Pra quem não viu, nunca esteve em São Paulo ou não teve o “azar” de trafegar nas vias marginais num dia de trânsito intenso, as velocidades limites, que antes eram 90 e 70km/h, passaram a ser 70, 60 e até 50km/h, dependendo do trecho.

Porém, nem o mais crente, alienado ou inocente motorista paulista acredita nos argumentos de redução de acidentes, aumento de segurança ou tendência mundial. A razão direta e de difícil contestação é o aumento de arrecadação em forma de multas, numa “indústria” que fatura cada vez mais.
Desconheço os dados concretos, mas usando o bom senso, posso supor que o “investimento” em radares e novas sinalizações necessárias para as mudanças supera em muitas vezes o valor aplicado em asfalto, reparos diversos e educação no trânsito.
Retomando e repelindo os argumentos dos especialistas do governo municipal, é sabido que a grande maioria dos acidentes indicados (cerca de 70 mortes no último ano) foi de ambulantes, que se aproveitam do tráfego lento para vender alimentos, carregadores de celulares e outras bugigangas.
O outro fator, segurança nas vias, aumentaria proporcionalmente com a redução da circulação de motos e pedestres. As motos já são proibidas de circular na pista expressa desde 2010 e os pedestres, quase sempre vendedores e moradores de rua, não deveriam fazer parte do ambiente.
Falando finalmente em tendência mundial, comparar a metrópole com cidades menores, com boa distribuição urbana e transporte público eficiente é insensatez, no mínimo!

Acredito que o governo, nas suas três esferas, não conheça ou finja não conhecer, algumas leis básicas de economia, como a curva de Laffer.
Curva-de-Laffer-Brasil-300x175Esse economista e alguns outros, como Keynes, argumentaram sobre os limites factíveis de valores arrecadados com impostos e taxas. A esquerda da curva, com carga de impostos próxima a zero, o total arrecadado é injusto para o governo, que deve prover diversos serviços públicos; quanto mais nos aproximamos da direita da curva, passando pelo máximo da parábola, voltamos a observar arrecadação ínfima, pois depois do ponto de máximo da curva, a sonegação aumenta. Empresários avaliam mais detalhadamente os riscos antes de contratar empregados e serviços, por exemplo; depois do ponto de máximo, mesmo aumentando a carga tributária, não há aumento de arrecadação.
Um governo perfeito, acha esse ponto máximo e convence os cidadãos a “aplicarem” seus impostos nos serviços públicos prestados a eles e aos demais moradores daquela região ou país.
O gráfico acima (disponível aqui) mostra a curva do ano de 2014 no Brasil.

Acredito que no Brasil já passamos deste ponto máximo de arrecadação (uma vez que os últimos recordes são observados quando o governo desonera setores e contribuintes), não sobra outra alternativa para arrecadar mais para saúde, transporte, educação, moradias populares que… “roubar”!
E “roubar” nesse caso é buscar outras formas de “tomar” o dinheiro do contribuinte. Que modo seria mais “corretamente perfeito” que aplicar multas indiscriminadamente; não para educar, nem para punir, mas para aumentar o volume dos cofres públicos. (nem entrarei no mérito da corrupção nesse post)

Voltando ao nosso Haddad e ao nosso martírio de caminhar a 70km/h numa via expressa em que 100km/h seriam cabíveis, o que mais dizer?
Talvez ele queira incluir ciclovias em toda a extensão das marginais… talvez sugira o emplacamento das bicicletas após as mesmas se popularizarem… no fim talvez tivéssemos também IPVA para elas.

por Celsão Irônico

figura inicial retirada daqui

P.S.: a tal “indústria da multa” de São Paulo, em 2008, já multava um motorista a cada seis segundos (aqui)

15155110E não é que depois dos rolezinhos com as “invasões” das classes baixas desejosas por aparecer em centros de compras da elite, como a rua Oscar Freire e o Shopping JK; e depois dos funkeiros “ostentação” e seus carrões, cordões e mídia, eis que surje mais um problema para a elite?

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad está revendo o zoneamento da cidade. E, com isso, bairros definidos na década de 70 como “estritamente residenciais” podem ganhar comércios, consultórios e até, pasmem, moradias populares!
“Meu Deus, como vamos fazer nossa caminhada, levar nosso Yorkshire Terrier para passear!” – dizem alguns.
“Estacionar minha Cayenne na padaria ao lado de um Chevette, de um carro mil! E se ele bater em mim? Vai querer me roubar! Nunca pensei que isto aconteceria aqui…” – provável frase de outro.

Não posso dizer que gosto de tudo o que foi feito até aqui pelo político.
A meta colocada (talvez a si mesmo) de 400km de faixas exclusivas para bicicletas (as ciclofaixas) criou bizarrices inimagináveis, como ciclofaixas interrompidas em pontos de ônibus e postes no meio das mesmas.
Sou a favor da priorização adotada em prol do transporte público e das bicicletas; mas é notório que não houve muito planejamento na escolha das vias e caminhos dos ciclistas.
Diferentemente do ocorrido com o zoneamento, já que várias chamadas públicas para discussão do Plano Diretor Municipal foram feitas, por exemplo, na TV. Nas subprefeituras, certamente o assunto zoneamento foi citado. E, se um minimercado é prioridade para os assalariados que trabalham para a elite, e não teriam tempo de comprar itens de necessidade ao chegarem duas horas depois em Guaianazes ou Interlagos, só seria visto com bons olhos pelos moradores se for um “Marché” ou “Pão de Açucar”;

Argumentar que aumentará a violência, ou trará drogas é pura piada de mau gosto.
Outros bairros nobres têm favelas na vizinhança e elas não são a razão da violência. Igualmente com as drogas: quem consome continuará consumindo, mas terá como provável vantagem o menor deslocamento até a “boca”.
O que a elite não deseja é ver os seus imóveis de vários milhões de reais, ou R$20mil o metro quadrado, da badalada Vila Leopoldina, desvalorizados com a construção de moradias populares.
E isso realmente acontecerá se os novos zoneamentos da cidade forem levados a cabo. A zona predominantemente residencial (ZPR) da Leopoldina passará a conter uma Zonas Especiais de Interesse Social (ou ZEIS).

Gostaria que a cidade convergisse para menores deslocamentos e maior qualidade de vida para a população. Se o zoneamento é a solução, ou se o é a tentativa de diminuição do número de veículos com as ciclofaixas, ou ainda a criação de parques e áreas públicas de lazer… não sei.
Mas… convenhamos no “cá entre nós”… as três medidas, são passos no caminho certo.

Sem querer tocar no tema do post anterior, mas já tocando. Nós paulistas, temos muito a evoluir socialmente. (post aqui)
Só não proponho, como o título propunha, a invasão de Alphaville (bairro “ilha” da elite paulistana), por ser de impossível locomoção com transporte público. Talvez este seja a única barreira que “salva” esta parcela elite da perigosa miscigenação de classes.
Se bem que para o MST, seria uma boa…

por
Celsão Irônico

figura e ideia do post retiradas daqui (valeu Caldo!)

P.S.: para quem quiser se informar mais, leia este post. A blogueira Raquel Rolnik, que o escreveu originalmente na Folha, explica o zoneamento. Aproveitando, aqui há um resumo sobre o assunto “Plano Diretor da cidade”, em posts excelentemente explicados pela Raquel em seu blog. 

P.S.2: outra notícia interessante da “revolta” da elite (aqui). 

P.S.3: Não menos importante, o plano diretor de São Paulo está disponível para download neste link.

bandeiraVocê mora em São Paulo?
Acha que estamos no melhor do Brasil, na nata da nata (ou crème dela crème, como diriam os mais “chic“), que temos os melhores restaurantes, melhores serviços, melhor vida noturna e, sobretudo, melhor “extrato” da população brasileira?

Eu não concordo!

Vivo em São Paulo desde que nasci e gosto da cidade (aqui uns podem dizer que sou estranho, pois gosto do Brasil); mas não acho que somos assim tão bons e tão moralmente inexpugnáveis ou perfeitos se comparados a outros brasileiros.
Motor do Brasil? Talvez. Mas as condições dado o ápice da exploração do café, conseguinte força política no cenário nacional e domínio regional (sobre Minas Gerais), trouxeram o dinheiro pra cá. Com ele vieram as indústrias, os bancos, os trabalhadores em busca de oportunidade…

O fato é que somos egoístas, hipócritas e críticos em demasia.
– Não damos lugar a aposentados e grávidas em coletivos. E mais, brigamos se alguém nos cobra isso. Existem inúmeros vídeos amadores com cenas lamentáveis;
– Somos os mais “espertos” no trânsito e também no transporte público: furamos fila, andamos na contramão, estacionamos em vagas demarcadas à prioridades;
– Moramos em ótimos empreendimentos, com opções ilimitadas de lazer; e temos os mais belos carrões, pela simples necessidade de “ostentar”;
– Criticamos com veemência se algum “desclassificado” tenta frequentar o mesmo espaço, mesmo este sendo público. Tal como parques e shoppings, para citar somente dois exemplos;
– Há preconceito aqui contra negros, mulheres, nordestinos, gays, pobres… Mesmo com massivas campanhas na mídia e movimentos e leis contra todos estes preconceitos;
– O carioca é folgado, o mineiro é caipira, inculto, o baiano é preguiçoso, aliás, todos os nordestinos são baianos (o que mais há por lá?), o sul também é uma “mega-região” que tem praias, mulheres bonitas e vinhos. Rótulos…
Mas, se alguém perguntar sobre o nosso rótulo… seremos trabalhadores, esforçados, perfeccionistas, incansáveis.

O que vejo é que poderíamos:
– Tornar o transporte público, melhor ainda, a vida mais humana. Quem teve a oportunidade de dirigir por cidades como Brasília, Blumenau ou Florianópolis, passou pela experiência de ser chamado de “Paulista!” ao cruzar uma faixa de pedestres sem frear para que os pedestres atravessassem. Nestas e em outras cidades brasileiras, é comum termos faixas sem semáforo, onde o motorista dá a preferência para o pedestre (por incrível que possa parecer);
– Passar a conhecer nossos vizinhos, colegas de trabalho e pessoas “invisíveis” do entorno. Não quero aqui pregar a bondade eterna, mas quem sabe o nome da faxineira da empresa ou do prédio? A mesma que passa pela sua mesa todo dia?
– Entender que uma pessoa que te serviu sem um sorriso ou derrubou seu café pode estar com problemas em casa, ou pode ter enfrentado um dia difícil. Como você, ela é humana! E também entender que as frases: “por que trabalha com público se está com essa cara?” e “foi ela que escolheu esse emprego”, podem não servir;
– Aceitar o trânsito, ou buscar alternativas para minimizar seus efeitos sobre nós, como música, tarefas próximas ao trabalho que modem o deslocamento para um horário alternativo, como aulas de Inglês, academia, prática de esportes. No trânsito, lembrar da maxima do “dia ruim” da outra pessoa;
– E, principalmente, reconhecer que somos imperfeitos, que muito do que foi listado é verdade, que o Carioca e o Baiano têm o mar e preferem, corretamente, balancear a vida privada com o trabalho, não se cobrar tanto. Enxergar que, atualmente, boa parte da “nova” indústria automotiva se instalou no Nordeste e Centro-Oeste. Ou seja, lá também haverá mão-de-obra especializada, lá também serão tomadas decisões, lá também há (e haverá mais) desenvolvimento.

Talvez o título seja exagerado, principalmente por comparar São Paulo e sua sociedade à pequenas cidades, de vida pacata e certo “atraso” cultural. Muitas delas seriam a meu ver, perfeitas para se viver.
Obviamente faço um mea culpa, por errar incontáveis vezes e “seguir a cartilha” que pichei.
E, sem dúvida, muitos outros cidadãos de outras cidades brasileiras (grandes e pequenas) ver-se-ão representados como “paulistas”. Não é um problema de onde se nasce, mas sim da maneira de encarar a vida.

por Celsão irônico

figura – montagem com base em figuras daqui e daqui

P.S.: esse post surgiu de uma agradável e construtiva conversa de bar
P.S.2: A Folha publicou uma pesquisa sobre o assunto: São Paulo x resto do Brasil. Para quem quiser ler sobre uma análise não-convencional feita no site Tijolaço (aqui)

O elevador

Posted: February 23, 2015 in Comportamento
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como_agirA porta abre. Três pessoas em seus mundos estão lá dentro.
Recebo de volta um bom dia, um resmungo intelegível e um muxoxo. Cumprimentar as pessoas, pra mim, é um ato de mostrar que o dia pode começar melhor se as pessoas quiserem; a resposta ou a ausência dela não faz muita diferença no meu dia.

Os intermináveis segundos até fechar a porta são suficientes para olhar os dois suportes de circulares, imutáveis há dias. Não é que eu fuja dos olhares. Mas acho que estes papéis ficam no elevador exatamente para isso.
Porta fechada, percebo um movimento de sobrancelha do senhor, que é baiano de Alagoinhas, segundo me contou noutra ocasião; o mais jovem balança a garrafa d’água e decide “fugir” para o celular, tomando-o na mão direita. Fiquei de costas para o do muxoxo e, embora não tenha sido proposital, deduzo que ele não me olharia nos olhos.

Nova parada. Duas vizinhas entram conversando. Novo muxoxo do que acordou de mau humor (ou não gosta de interações sociais reais). Tento disfarçar a risada enquanto olho novamente um dos papéis pendurados. O plástico está quebrado, mas o aviso sobre a próxima visita de correção dos interfones é lido sem problemas. Meu olhar é acompanhado por outros, enquanto o celular é guardado no outro bolso.
Olhares para os pés e para cima são seguidos do fechamento das portas. Certamente muitos queixaram secretamente… “É incrível como essa porta demora a fechar!”

Na próxima abertura da porta, uma jovem com roupas coloridas e alternativas, pergunta sobre o funcionamento do elevador de serviço enquanto (aparentemente) avalia aborrecida se compartilha a descida com seus vizinhos. Entra e compartilha ao menos o muxoxo do mau humorado, repetindo-o.
Já não há muito espaço e alguém pergunta sobre o trânsito. Decerto também para ganhar instantes preciosos. Dois longos segundos depois, respondo que não olhei, para não deixá-la “no vácuo”. A pobre, no mínimo, sempre morou em casa térrea e tinha amizades dentre os vizinhos.

Minha imaginação vai à uma cena de queda de energia ou quebra repentina do elevador…
Busco nos rostos os desesperados, os corajosos e os engenhosos; sem encontrar os dois últimos personagens.
A criatividade sai da prisão não programada para uma improvável festa de amigo secreto do prédio. Como seriam os papeizinhos? Sou a Raquel do 118, gosto de música. Pedro do 215, paixão por automóveis. Suzana, plantas… Já pensou se a síndica convoca uma reunião só para apresentar as pessoas?

Nova parada. “Será possível?!?”
Entra sem titubear um sujeito com uma mochila grande bem cheia e uma mala de puxar.
Pronto! Sorrindo, penso com meus botões que teremos ao menos comida se houver a quebra. Não é possível numa mochila daquele tamanho não ter algo para beliscar…
Novos olhares para as circulares, lâmpadas do teto, câmera interna, piso e celulares.

O suor já brota em algumas faces quando a primeira parada no estacionamento acontece. As vizinhas se despedem combinando o próximo encontro. A jovem também desce. Será que tem mesmo um carro no térreo ou irá de escada aos subsolos?

Inexplicavelmente a próxima (e minha) parada ocorre num intervalo muito breve.
Despeço-me desejando um bom dia a todos, com a certeza que nos fecharemos várias vezes no trânsito nos próximos vinte minutos.

O que mais dizer, a não ser… “Viva a vida social de São Paulo!”

por Celsão irônico

figura: corte feito daqui

5ad1f989-1515-4d1c-ac3a-536a6191e526Era mais do que sabido.
Seca prolongada, ausência de planejamento, de reformas e de novos investimentos, base de geração hídrica, pressão para aumento de consumo interno…

Deu no que deu. Apagão em onze estados, ocorrido através de corte de fornecimento feito pelas geradoras por ordem do operador nacional do sistema (chamado ONS).
Pouco interessa agora se as falhas ocorreram na geração, devido aos baixos níveis das represas; na transmissão para as residências, graças a falhas técnicas; ou se foi uma ação “para evitar o pior”, como foi divulgado pela diretoria do ONS (aqui)
Negar o apagão, chamar de corte seletivo de carga no fornecimento, tampouco me parecem estratégias interessantes; já que teremos um ano de baixo crescimento econômico. Se não investimos para fazer ajustes ou reformas necessárias e nos prepararmos para estiagens prolongadas, por exemplo, não acho aceitável culpar São Pedro, o verão ou estagiários pelas falhas que tendem a se multiplicar.

O que falta é cultura, é o “clic” num povo acostumado a ter água e energia elétrica baratas e em abundância.
Em nosso país, a energia elétrica é algo “mágico”. Basta haver uma nova requisição, por exemplo, através do acionamento de um interruptor e, pronto! A luz acende instantaneamente; não importando se aqueles 16 ou 20W a mais vêm da Usina de Paulo Afonso na Bahia, de Angra dos Reis ou de Jirau em Rondônia.
Para a água é a mesma coisa. Nos acostumamos a banhos demorados em casa e a lavar carros, calçadas ou regar plantas com a mangueira ligada o tempo todo. É trágico e comum, mesmo hoje, encontrar pessoas na região metropolitana de São Paulo, com a mangueira a desperdiçar água dentro da própria garagem, enquanto atende ao telefone, busca uma vassoura…
E já que o tal “clic” não acontece quando alguém reprime o desperdício avisando da escassez atual, vai ocorrer, infelizmente, quando essa pessoa não tiver mais água limpa para o banho ou tiver de usar água dessalinizada para lavar roupas.

É um quadro real e está mais próximo do que imaginamos, lamentavelmente.

Para exemplificar parte dos problemas, recomendo a leitura de um excelente artigo, que recebi pela primeira vez em abril passado e tive a feliz sorte de reencontrar (aqui). É uma aula sobre a crise da água, sobretudo se tomarmos os links indicados pelo Leandro.
O autor/repórter enumera diversos problemas, além da estiagem atacada por todos. Para mim, o principal e crucial é a falta de planejamento das nossas cidades.
Defendo que as cidades precisam ter um limite, crescer até determinado ponto para não esgotar os recursos naturais do entorno e não complicar toda a estrutura logística de manutenção da própria cidade. Logicamente é muito mais factível coordenar transporte, segurança, iluminação, saúde pública, educação numa cidade de 500 mil habitantes do que numa cidade de dois milhões. São Paulo e sua ainda crescente e desordenada expansão é inviável para o poder público em todos os aspectos listados acima.

Outro ponto interessante levantado na leitura do site Cosmopista (aqui e aqui) é a mudança de gestão da Sabesp, empresa de águas do estado de São Paulo, que passou a ter ações na Bolsa e focar no lucro puro e simples, priorizando seus acionistas, ao invés de cumprir o papel a que foi criada (tratamento e distribuição de água).
Maximizar lucros sem investimentos de expansão, manutenção ou redução do desperdício é adiar um problema, ou acender uma bomba com um pavio bem longo. O problema pode até “pular” algumas gestões, mas indubitavelmente, vai aparecer. Apesar de não concordar com todos os argumentos ou “mitos” levantados pelo site, tornar uma empresa essencial privada, é de extremo mau gosto (pra dizer o mínimo).

Mas não sou do tipo “matuto” que culpa o desenvolvimento social e a “nova classe média com seus aparelhos de ar condicionado” pelo pico de consumo.
Creio ser natural e inevitável no ser humano o desejo “por mais” ou o desejo de conforto, após sanadas as necessidades básicas como alimentação e moradia. Privar uma mulher de comprar um secador de cabelos, uma família de ter uma nova TV ou toda a sorte de aparelhos na cozinha, é impedir paralelamente o desenvolvimento do próprio mercado interno.
O que poderíamos fazer é avançar nos programas de eficiência energética, tornando o consumo mais inteligente e eficiente ao invés de limitá-lo.
Usando um exemplo, toda geladeira hoje possui o selo “A” do Procel. Por que não “rebaixar” todas para “D” e passar a exigir uma melhor eficiência por kilowatt consumido?
Outro exemplo, este mais utópico, por que não separarmos a água utilizada no banho ou pia para a descarga, ou mesmo para lavagens externas em prédios? Estudos de dez anos atrás já mostravam a viabilidade de caixas d’água intermediárias para este fim.
Sem falar no potencial das energias alternativas, que, apesar do alto valor inicial a investir, tem menor impacto ambiental e menor custo de megawatt gerado que as termelétricas emergenciais a óleo que temos utilizado.

Bem… ao menos o governador Alckmin admitiu que a situação atual é de racionamento (ou de restrição de fornecimento, usando palavras dele), primeiro passo para evitar o pior desabastecimento da história.
Agora é trabalhar na viabilização das energias alternativas, nas novas usinas, novos contratos de transmissão, na redução dos desperdícios e na conscientização ou “clic” na população para voltarmos ao patamar de fornecimento anterior, sem os riscos de privação.

Só isso?!?
Não. Isso é só o começo.

por Celsão correto

figura retirada daqui

figura_post_tarifaNem por R$0,50 ou R$0,40. Agora é contra a corrupção!

Ano novinho em folha começando e aumentos nas passagens de ônibus urbano no Rio e em São Paulo em vigor. No Rio foram quarenta centavos a partir de sábado, dia três, e em São Paulo são cinqüenta de acréscimo desde terça-feira.

Diferentemente das piadas de “agora sou a favor pois facilitou o troco”, acredito (e espero) que as manifestações voltem a ocorrer.
Não pela utópica e impraticável tarifa zero numa cidade como São Paulo, mas pela falta de transparência no setor de transportes.
O Movimento Passe Livre (MPL) já marcou a primeira grande manifestação em São Paulo, que deve ocorrer nesta sexta-feira, dia 09/01/2015.

Pra quem não sabe, o MPL pediu à prefeitura a planilha dos gastos com as empresas prestadoras do serviço de transporte coletivo na capital (que são poucas, e já no comando há muito tempo). Houve até uma CPI na câmara municipal que visava investigar o sistema atual de licitação e prestação de serviços, mas ninguém logrou abrir a “caixa de Pandora” dos custos (ou lucros) das empresas.
Mais absurdo que não rever contratos é continuar pagando empresas prestadoras por cidadão transportado. Notoriamente há sucateamento dos ônibus, num círculo vicioso inevitável, pois busca-se uma maior ocupação (leia-se lotação), o que leva ao abandono do transporte público por aqueles que têm alternative, e a consequente redução do número de veículos por conta da baixa ocupação…
Notícia aqui sobre a conclusão da CPI municipal e aqui sobre uma discussão interessante do modelo de concessão municipal, no site do MPL.
Aliás, o excelente artigo no site do MPL defende que transportar passageiros tem custo fixo, ou quase fixo, e usa exemplos de empresas aéreas (cujo custo do voo não muda com poltronas vazias), corridas de táxi (que tem um preço pela distância e trajeto e independe do número de pessoas transportadas), entre outros.

Independente dessa teoria, todo estudante de economia ou administração sabe, desde o início do curso, que o preço se forma a partir do custo colocando o lucro ou margem; ou de um valor de venda mínimo para que a operação seja viável economicamente. Em nosso caso, valor do contrato da prefeitura com a empresa prestadora criaria esse valor mínimo, ou máximo “pagável” do ponto de vista da prefeitura.

Então bastaria que esse contrato fosse fiscalizado e revisto rigorosamente num momento como esse, de discussão sobre aumento de tarifa, para que se ratificasse o aumento proposto ou servisse de base para negá-lo.
Sem o detalhamento de quanto se paga e como são feitos os cálculos pelas empresas prestadoras, impossível corroborar com o aumento!
E pior ainda… não consigo imaginar como a prefeitura fiscaliza os trajetos, número de ônibus nas ruas (ou por trajeto), dimensionamento para horários de pico e finais de semana…

Ora, pra mim, o “buraco é mais embaixo”!
Há um esquema de corrupção que complica e maqueia propositalmente a tarifa de ônibus e metrô na capital. Contratos não renovados seguem vigentes, uma única família possui mais da metade da frota paulistana. Nem mesmo o mais romântico dos pensadores diria se tratar de preguiça dos governantes ou despreparo da secretaria…

por Celsão revoltado

figura: montagem de figuras extraídas aqui e aqui com fundo do portal UOL.

De volta ao trabalho

Posted: December 18, 2014 in Outros
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powrót-do-pracy1Bem… As eleições ocorreram há quase dois meses e, após elas, dadas as problemáticas discussões da reta final, amizades se romperam, disfarces foram descobertos e máscaras caíram. Mesmo com muita informação e desinformação, ficou aquele sentimento de que faltou muito a ser dito. E o pior, de ambos os “lados” atuais da política brasileira.

Embora eu já previra que o modus operandi das campanhas seria dos mais torpes e sujos possíveis (ver post aqui), me surpreendi com acusações infundadas, declarações confusas e por programas de negação ao Brasil; onde famosos passaram a fazer alusão a outros países, dizendo que fugiriam caso este ou aquele resultado se concretizasse.
Não discutirei minha escolha, nem farei apologia política nesse momento, mas preciso pedir desculpas pela “ressaca” inevitável que o stress eleitoral me causou.Tal ressaca, aliada à problemas pessoais e a falta de tempo, fez com que sumisse (ou sumíssemos) deste espaço que nos é tão importante e necessário.

Pra tentar encurtar todas as estórias “pendentes” do período, me revoltei com o trânsito, que piora a cada dia em São Paulo para os automóveis particulares, sem melhorar significativamente para os que utilizam transporte público, pois não existe uma política de médio prazo focada e estruturada. Sem citar as ciclo-faixas que surgem aleatoriamente.
Me revoltei também com a falta de educação das pessoas e a inatividade de outras, que insistem em dizer que “não adianta” ao invés de buscar alternativas, como a participação no plano diretor da própria cidade.

Me empolguei com as prisões de empresários do “lava jato” e com todos os 33 indiciamentos do escândalo de trens em São Paulo; mesmo sabendo que tudo aconteceu em primeira instância e que mesmo condenados, levará tempo para que algo mude; pois infelizmente toda a nossa “estrutura” judicial é pesada e lenta e, além disso, existem advogados muito competentes em desconstruir processos com base em pequenas falhas.
Quanto à Petrobrás, que merece post a parte, é estranho como tentam desestabilizar o governo através da reputação de uma empresa problemática sim, mas longe de ser descartável.

Me surpreendi com os trâmites da aprovação da LDO pelo governo; e mais ainda com a reação da oposição (aqui, especificando claramente, o senhor Aécio Neves), que se absteve da votação e não compareceu na manifestação que convocou. Mas não me surpreendi com o Bolsonaro, ícone da direita burra, que insiste em pregar o mais tolo conservadorismo retrógrado.

Acompanhei a crise russa, iniciada pela crise na Crimeia e agora intensificada com as manobras do petróleo; manobras capitaneadas pelos Estados Unidos, que viram que o boicote inicial não surtiria o efeito desejado. Como polícia e protetores do mundo, os gringos seguem “passando pano” para expansões do território israelense, através de invasões ilegais a territórios palestinos.

Enfim… caríssimos leitores… esse pequeno post é mais um pedido de desculpas de um ser preocupado com o entorno, que passou por um período complicado, mas que está empolgado e pronto para “voltar ao trabalho”.
Que venham mais revoltas, empolgações e surpresas boas e ruins. Só assim seguiremos nos informando e crescendo!

por Celsão correto

figura retirada daqui