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cbwff0ngfamc09tqru63a9yg1E não é que nosso querido ex-Prefeito foi condenado de novo e taxado de “Ficha Suja” pelo TSE?

O Maluf é um daqueles políticos que me dá vergonha. Pertenceu ao Arena na época do regime militar, quando foi nomeado governador “biônico” de São Paulo e concorreu a presidência; depois ajudou a fundar o PFL, e foi presidente de “honra” do PDS e PP (se é que dá pra usar a imagem do político com a palavra honra).

O bordão atribuído a ele, talvez pelo próprio, do “rouba, mas faz”, me enoja. É como se os fins justificassem os meios, como se fosse deliberadamente aprovável executar obras superfaturadas pelo simples fato de executá-las.

Outra frase do político: “Essa assinatura é minha, mas não fui eu que assinei” denota o total descrédito a instituições públicas, a jornalistas, policiais e, sobretudo, ao judiciário. Negar o inegável tornou-se normal para ele; tanto que se dizia inocente pelo simples fato de não (naquele período) ter sido condenado.

Ele declarava a inocência com desdém, vangloriando-se desta ao invés de fazer saber da morosidade da justiça e do sem-fim de recursos que seus advogados “bons” conseguiam nas muitas instâncias e tribunais do país: “Processos em meu nome são muitos, mas nunca fui condenado”

Pois bem, exatamente por conta de uma dessas obras “rouba mas faz” é que o ex-prefeito foi condenado: um túnel que passa por baixo do parque do Ibirapuera que custou mais que o Eurotúnel, que liga a Inglaterra à França (aqui) e cerca de R$100 milhões mais caro por kilômetro que nosso já caro e contestado metrô (aqui e aqui os valores dos kilômetros).
Já condenado pelo TRE de São Paulo, Maluf recorreu. E agora foi condenado pelo tribunal superior eleitoral, a última instância nesta seara. Mas teve votos a favor da manutenção de sua candidatura. Foram três juízes que ficaram ao lado do político, entre estes juízes, ninguém menos que Gilmar Mendes (lembram-se dele? O mesmo que liberou Daniel Dantas, Abdelmassih, etc – post sobre ele aqui). Mas nem com a “ajuda” de magistrados dispostos a usar a lei de modo distorcido Maluf se safou…

Tudo estaria bem se… o julgamento acabasse aí, a candidatura fosse retirada e o partido penalizado(*) por haver inscrito um candidato Ficha Suja. Mas não acabou!

Nosso sistema judiciário permite que haja um novo recurso e que o caso seja transferido ao STF! A situação não é fácil, já que os votos a Maluf só serão computados se ele conseguir fazer valer seu registro no STF ou no próprio TSE.
Mas, com base nos advogados “bem pagos” e juízes sem escrúpulos, é certo pra mim que mais uma eleição está garantida ao engenheiro; que, além de si próprio, conseguirá uma pequena bancada para o seu partido graças às leis eleitorais em vigor no país. (pra quem não sabe, quando um deputado recebe muitos votos, usa os remanescentes num tal de quociente eleitoral e pode “trazer” outros consigo – fonte TSE)
É nocivo para a democracia e inaceitável do ponto de vista ético que, mesmo após a aprovação da lei da Ficha Limpa, políticos como Maluf continuem por aí, registrando-se e recorrendo em tribunais diferentes a cada quatro anos.
Não dá mais!
A Lei da Ficha Limpa custou bastante pra ser votada e pra entrar em vigor, foi alterada pelos parlamentares para que somente processos finalizados (transitado em julgado) fossem considerados, livrando infelizmente, boa parte dos safados habituados com a morosidade dos tribunais. Mas foi aprovada e entrou em vigor! É hora de torna-la clara e aplicável: político condenado em qualquer instância ou tribunal, não pode ter o registro aceito para concorrer a eleições.
Está errado! É revoltante!

Ter dinheiro e bons advogados não deve privar um condenado a cumprir a pena imposta, nem postergar indefinidamente essa condenação. Muito menos se for um político, que na minha opinião, deveria servir de exemplo aos outros cidadãos. Foro privilegiado, renunciar para não ser cassado e perder os direitos, dentre outros benefícios, não devem existir como instrumento de “endeusar” uma casta que abusa destas vantagens em prol de si.
Reforma política e do judiciário já!

por Celsão revoltado.

(*) Um parêntese rápido sobre a pena a ser imputada ao partido… Pra mim, seria justo que devolvessem ao menos metade do dinheiro do fundo partidário, já que é o Maluf o principal “porta voz” e “puxa votos” do partido, é ele que aparece quase que o tempo todo na TV falando de seus feitos.

P.S.: o pior é saber que outros candidatos “puxa-voto” lideram a pesquisa de intenções. Segundo o UOL, além de Maluf, Tiririca, Russomano e Feliciano também estão na lista dos preferidos (aqui)

P.S.2: pra quem quiser ler a notícia sobre o julgamento de Maluf , segue link aqui

figura retirada daqui

brasil-invasao-terreno-itaquera-20140507-001-size-598Há algum tempo vê-se em São Paulo um aumento estrondoso de ocupações de terrenos públicos e privados pelo movimento dos trabalhadores sem teto, ou MTST.
A reivindicação de ter uma moradia, totalmente justa e plausível na minha opinião, carece de organização e de planejamento por parte do governo, no caso, a prefeitura, e também do movimento.

Os proprietários, a imprensa e a elite criticam as invasões chamando-as de fantasmas; usando o fato real de que os acampamentos ficam quase vazios durante a noite. Ora, muitos dos integrantes vivem em imóveis alugados ou barracos de madeira em favelas; logo, têm uma moradia que apresenta melhores condições de higiene e segurança que as tendas montadas precariamente nos terrenos invadidos. E, sem ter a certeza de que o novo lar surgirá daquela ocupação, nem o prazo para isso, não dá pra abandonar o kitnet alugado.

Organização e Reurbanização

Do lado do governo, seria interessante um cadastro único e funcional, tanto de membros do MTST, quanto de futuros moradores incluindo os cadastrados para habitações populares, como o Minha Casa Minha Vida; não esquecendo de colocar na lista os terrenos de possível construção das moradias. Essas listas poderiam servir de base para uma reurbanização inteligente da cidade e até do estado.
Por exemplo, se a Mooca, Brás e Barra Funda passam a ser bairros estritamente residenciais; seria salutar para a cidade se terrenos comprados pela prefeitura ou abandonados por fábricas falidas, servissem ao menos em parte, para habitações populares.
Pensando mais macro, existem problemas de mão-de-obra em cidades médias do estado de São Paulo. Estas cidades, que demandam trabalhadores mas nem sempre os encontram, serviriam como base para “migrar” as grandes populações para fora da cidade de São Paulo.
Não é para segregar, mas para garantir ao mesmo tempo moradia, emprego e qualidade de vida; já que em São Paulo os pobres ocupam periferias cada vez mais longe do centro e têm de se deslocar cada vez mais.

Outro ponto importante pra mim é o comprometimento do cidadão beneficiado com uma moradia dessas (serve também para terrenos no caso do MST). Não é justo haver a doação ou benefício e, alguns meses depois, a venda do imóvel e o retorno do beneficiado ao grupo dos reivindicantes. Os bens seriam da prefeitura, portanto, intransferíveis. Isso ajudaria a conter ímpetos gananciosos. Os arruaceiros e os chamados de “zóião” pelo movimento, pessoas que dividem a família e se instalam em mais de um barraco, seriam contidos pelo cadastro unificado.

Compensações sociais

Uma outra medida, que ao meu ver seria eficiente para a recolocação de famílias seria a imposição de compensações sociais aos empreendimentos erguidos Brasil afora por grandes construtoras.
Uma Cirella precisaria aplicar parte do lucro obtido de um prédio comercial no Morumbi em construções populares em Itaquera, no terreno chamado Copa do Povo, por exemplo. Como os custos com a construção e os valores de venda estariam em outra escala de grandeza, não seria difícil para a incorporadora, ou mesmo para os clientes, arcar com parte dos valores das moradias populares.
A lei já prevê que haja compensação ambiental em caso de desmatamento e uma outra compensação nas vias e trânsito feita pela prefeitura, através do recolhimento do imposto sobre serviços (ISS). Imposto aliás, que foi tema recente de escândalo de sonegação por parte de fiscais. (aqui)

Passando há alguns meses por uma invasão perto de casa, fui questionado sobre minha opinião por um taxista.
Disse a ele que pode parecer cruel ao ricaço, que comprou um apartamento de duzentos e tantos metros quadrados por mais de um milhão de reais, ter vizinhos em apartamentos padrão Projeto Cingapura. Mais é no mínimo humano dividir um terreno gigante em torres de alto padrão e prédios populares. E, se a construtora preferir que a compensação social ocorra longe dali, tudo bem.

Mais radical ainda, pensando que 1% dos mais ricos de São Paulo recebem 20% da renda da cidade (link aqui), proponho doações desse povo para diminuir o déficit habitacional. Os menos radicais podem chamar de imposto sobre grandes riquezas. Os abastados poderiam escolher entre doar quantias em dinheiro ou terrenos e prédios. Tal ideia também seria aplicável à grandes fazendas, normalmente controladas por aqueles que detém incontáveis terras.

O que não dá mais pra fazer é ignorar o problema da falta de moradias e de condições para que trabalhadores a possuam; ou sucumbir a caprichos de líderes que buscam ascenção política e/ou financeira.

por Celsão correto

figura retirada daqui

IMG_20140529_073355Era uma vez um país, que tinha um produto chamado retaw.
Era um produto muito importante para o funcionamento das coisas, mas a ele não se dava a devida importância. Era abundante e barato. Com ele era possível se alimentar, gerar energia, limpar a si mesmo e a outras coisas.
Todos tinham acesso ao retaw, era tranqüilo e confortável contar com ele ao longo de todos os dias. As cidades cresciam em torno de suas fontes e se expandiam em regiões onde o retaw abundava.
Algumas cresceram bastante e, estabelecendo influência local, transferiam o retaw presente nas cidades circundantes através de dutos, tornando-se mais atrativas e fazendo com que outras pessoas viessem morar nelas, crescendo ainda mais. Surgiram muitas cidades-metrópole, dentre elas A e B.

Porém, a medida que o tempo passava, a cidade A, maior do país, passou a consumir muito mais retaw do que conseguia retirar das suas reservas e seu entorno. E, uma vez que o retaw não podia ser produzida através de indústrias, começou a enfrentar um problema com sua população.
Campanhas sobre a importância do recurso e sua conservação começaram a ser feitas, mas a população não se atentava a elas, desperdiçar retaw era tão natural quanto respirar ou caminhar. Nunca havia faltado e seguia custando tão pouco que só poderia serem mentirosas as campanhas e alertas da mídia. “Eles querem o retaw só pra eles”, pensavam muitos.

Daí a cidade A passou a buscar o retaw em rincões mais e mais distantes para suprir as necessidades dos seus habitantes, ignorando os apelos das associações de defesa do retaw e o crescimento das cidades nestes rincões. A situação só fez piorar…

Com as reservas de retaw muito abaixo do normal, os governantes decidem por bonificar usuários que reduzissem seu consumo. Pouco efeito surtiu, já que consumir retaw é bom e desperdiça-lo já é parte do costume, da “cultura” local.

Eis que o governo da cidade A tem outra ideia: desviar o retaw que abastece a cidade B. Também uma metrópole local, mas com menor população e, por conseguinte, menor consumo. Isso afetará muito pouco a cidade B, pensam os arautos da ideia. E, ademais, não há como convencer as pessoas da iminente escassez do retaw em todo o país!

Obviamente, a cidade B foi contra o roubo descarado de retaw e um problema político virou conflito social e acabou em guerra e separação territorial.
Agora, o retaw custa muito caro, a energia não é gerada mais a partir dele, desenvolveram-se substitutos artificiais para limpar as coisas e, até para consumo próprio, os cidadãos se vêm obrigados a racionar retaw

por Celsão irônico

P.S.: pra quem não “ligou os pontos”, substitua a cidade A por São Paulo, B por Rio de Janeiro e troque “retaw” por água. As consequências e a figura são liberdades poéticas de minha parte.
P.S.2: pra quem não acreditou e/ou quiser ler algo a respeito, seguem três links (1, 2 e 3).

figura – montagem de arquivo pessoal

20140521153918451196eHá alguns dias, senti na pele o reflexo da paralisação dos motoristas de ônibus em São Paulo. Para quem não acompanhou, apesar de um acordo aceito em assembléia pela categoria, motoristas interromperam viagens e estacionaram os ônibus ao longo das muitas vias da cidade (notícia aqui)

No primeiro dia, estava no centro a caminho da Zona Norte e vi ônibus estacionando ao longo da Rego Freitas, Arouche e Duque de Caxias. No dia seguinte, deparei com a cena na avenida Eliseu de Almeida.
Mais importante que detalhes de onde e como, me imaginei em ambos os lados: na pele dos funcionários que se sentiram traídos pelas pessoas que os representam (no caso, o sindicato da categoria) e também no lado das pessoas “abandonadas” nas ruas, sem transporte público e, não raro, sem conseguir sequer voltar pra casa.

É complicado… sobretudo o lado dos usuários dos ônibus. Sem qualquer culpa, foram penalizados duramente e se viram cerceados do direito de ir e vir.
Por outro lado, defendo as manifestações e greves, pelo direito básico de discordar de uma situação injusta; inclusive defendi as manifestações do ano passado frente a colegas e amigos que criticavam exatamente o direito daqueles que não queriam participar, só queriam voltar pra casa, se locomover.

Quando assisti às entrevistas com o prefeito Haddad e o presidente do sindicato, vi a complexidade do problema: Estado paga as empresas pelo serviço prestado -> empresas definem salários dos profissionais e lucro -> é determinado o número e frequência dos coletivos e o preço da passagem -> o preço influencia diretamente no orçamento do povo, logo, não pode aumentar…
O pior… nas paralisações de dias atrás não houve prejuízo direto às empresas, aos políticos ou à cidade (fora alguns excessos e violência isolados). Somente “o povo” pagou!
E vou além, em outras paralisações ocorridas ou planejadas, como dos metroviários, policiais, professores, garis… quem “paga” a conta são os próprios assalariados, via penalização da falta de serviços.
Temo inclusive pelos movimentos legítimos, pois este “tsunami” de protestos planejados pode minar o apoio popular e até trazer um perigoso apoio à intervenções violentas e desmedidas das autoridades.

Numa análise macro-econômica, o Estado também é penalizado; pois o Mercado sofre com a diminuição da produtividade do país, o aumento dos custos da produção e a não-circulação do dinheiro. O comércio consequentemente encolhe e o crédito diminui. Mas o efeito que mais assusta os governantes é a queda da popularidade!

O que quero com esse post, além de desabafar e refletir sobre meu infortúnio em dois dias de caos na cidade? Ideias utópicas e românticas, como sempre…
– Por que não fazer “catraca livre” nos transportes públicos, em dias de greve
– E se todos seguissem a proposta do movimento Endireita Brasil, que vendeu ontem, em São Paulo, combustível sem impostos (aqui)
– Que tal cancelar todos os contratos públicos e refazê-los, contratos sérios, duradouros e passíveis de multa em caso de descomprimento.
– Investigação pesada nas licitações e empresas que prestam serviços públicos.
– Ajustes salariais automáticos, vinculados a índices econômicos. E aumentos reais vinculados a desempenho
– E pra finalizar o mais óbvio e mais difícil: ampliação do transporte público de qualidade, principalmente metrô e redução de gastos públicos

por Celsão correto

figura retirada da primeira notícia citada

foto_mat_42407As manifestações ocorridas em Junho/Julho desse ano foram não só um marco na história recente do Brasil, como talvez o maior exemplo de manifestação popular desde as “Diretas Já” da década de 70.

Tal classificação, “popular”, enaltece a origem e participação de grande parcela do povo, geralmente apolítico, mesmo sem apelo massivo da grande Mídia. Ao contrário das passeatas pedindo o Impeachment do então presidente Collor na década de 90, que contou com o apoio da Veja, Rede Globo, etc..

Os protestos deste ano surgiram com um pequeno grupo de inquietos, buscando abertura para discutir alternativas de transporte público gratuito, tomou corpo contra o aumento de vinte centavos e “tomou de assalto” o país mesclando temas diversos e, de “carona”, abuso policial, certa desorganização e ausência de foco…

A mídia internacional cobriu e avaliou quase sempre positivamente os movimentos. Foi realmente como se um Gigante houvesse acordado.

(Esse blog “se empolgou” e falou sobre as manifestações aqui, aqui, aqui e aqui!)

De saldo, alguns governos recuaram no aumento das tarifas (entre eles, Prefeitura e Governo de São Paulo), grupos mascarados no Rio seguiram pedindo a saída do governador Sérgio Cabral, houve invasão de câmaras, tumultos na Copa das Confederações, no desfile do 7 de Setembro, etc.

Como nem tudo são flores, já dizia o poeta, surgiram os tais Black Bloc‘s por aqui (link Wikipedia); que são em teoria grupos anti-capitalistas organizados (e mascarados) que visam depredar propriedade privada símbolo do sistema (ou da repressão). Nos EUA os alvos principais eram Mc Donald’s e Starbucks. Por aqui foram os dois maiores bancos privados do país. Pois bem, o que era efetivo, justo e apoiado (num segundo momento) pela imprensa, perdeu até o apoio popular dada a violência e vandalismo destes indivíduos.

Greves de professores, funcionários públicos e bancários seguiram a esses acontecimentos; piadas surgiram, relacionando o movimento a uma ação esporádica e finita. Umas das frases amplamente divulgada e compartilhada dizia “O gigante acordou, reservou o ingresso da Copa do Mundo e voltou a dormir”, fazendo um paralelo irônico com a abertura das inscrições para os ingressos da Copa de Futebol, pela FIFA.

Enquanto um contra-golpe era arquitetado por políticos…

O prefeito Fernando Haddad divulgou no início do mês reajustes no IPTU, explicando-os como necessários para subsídio do transporte (aqui notícia e tabela com os aumentos médios por sub-prefeitura. Aqui, vídeo retirado do Jornal da Band com rápida explicação sobre o caso)

O tom da conversa já mudou, a câmara discute diminuir o teto dos aumentos para este ano, mas não o processo de correção do valor dos imóveis pelos valores atuais de mercado.

É no mínimo injusto! Não só por tomar valores atuais fruto de exploração imobiliária, mas principalmente por justificar o aumento de impostos pela fragilidade de um tema que estava em pauta para discussão.

O MPL (Movimento Passe Livre) segue com manifestações programadas para os próximos dias, mas sem entrar no mérito desta decisão ou do imposto municipal.

Como isso afeta também a classe média (ou principalmente a classe média), poderemos ver em breve o “Gigante” de volta às ruas.

É aguardar e conferir…

por Celsão correto

P.S.: figura retirada daqui

Manifestante contra o Propinoduto

Manifestante contra o Propinoduto

Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias e que ainda vai dar o que falar é o esquema de cartel nas licitações do Metrô de São Paulo e Brasília, denunciado pela Siemens. Já fizemos um post sobre isso (aqui), mas antes de falar mais sobre este assunto, queremos contar uma historinha que poucos conhecem.

Até o final dos anos 90, a lei alemã permitia que empresários pagassem propina a autoridades no exterior, para facilitar a aprovação de contratos. Nos anos 80, a prática era tão comum, que as companhias podiam até mesmo descontar o valor das propinas do imposto de renda pago na Alemanha.

Não somente na Alemanha, mas em muitos países do mundo, essa prática de cartel e pagamento de propina era uma prática “legal”, pois não existiam leis bem definidas que impedissem as mesmas. Diversas empresas, em diversos países, realizavam práticas parecidas. Ou seja, não era exclusividade da Alemanha, muito menos da Siemens.

Essa prática surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial. As indústrias europeias buscaram mercados em expansão e carentes de tecnologia na época, como a América Latina, Ásia e Oceania para recuperar as economias e sair da recessão provocada pela guerra. Os cartéis e pagamentos de propinas eram comuns nesses mercados e incentivados pelos governos europeus, por significar uma provável “salvação”.

Com o passar dos anos, vários países começaram a atualizar suas legislações, passando a contemplar a proibição de tais práticas.

Na Alemanha, a reforma veio no final da década de 90. Porém, enquanto o mundo “puxava o freio de mão”, a Alemanha dava “totozinhos” no freio. Ao que parece, a cultura desta prática era tão presente no mundo dos negócios por lá, que os empresários alemães tiveram dificuldades em se adaptar às novas regras.

Então, em 2006/2007, tornou-se conhecido o fato de que a Siemens continuava com essa prática em diversos países. O que serviu de estopim para que a mentalidade alemã, no geral, entrasse num processo radical de mudança.

Na Siemens, houve uma verdadeira “faxina”. A “cúpula” da Siemens caiu: presidente, boa parte da diretoria de sua matriz (na Alemanha), além de diretores pelo mundo afora foram demitidos. Alguns foram inclusive presos. Multas milionárias foram aplicadas nos Estados Unidos e Alemanha e houveram sanções em diversos países.

Após esses escândalos, a Siemens adotou uma série de medidas e reformas internas com um único intuito: se tornar exemplo de conduta e de ética no mundo dos negócios.

Com essas novas diretrizes como pré-condição para a realização de qualquer negócio, a Siemens passou a ganhar os mais diversos selos de transparência e ética por todo o mundo e se tornou um exemplo de boa conduta. “

Agora, voltando ao caso específico…

De acordo com a mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas, entre elas a Alstom, Bombardier, Mitsui, CAF, TTrans e a própria Siemens, na disputa das licitações da CPTM e do Metrô de São Paulo e do metrô de Brasília.

Ainda segundo as reportagens, os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagava-se propina para membros-chave do PSDB e para diretores/funcionários do metrô de São Paulo (que é uma empresa estadual). O esquema viria desde o Governo de Mário Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB, afinal de contas, o PSDB governa São Paulo há duas décadas.

Vale uma ressalva aqui: o governador Geraldo Alckmin processou ou processaria a Siemens por conta das denúncias (aqui), ignorando o princípio de leniência aplicado a esses casos, que significa o não-envolvimento dos denunciantes (no caso, diretores da Siemens) nos processos advindos da investigação. Pois bem, para nós, o processo só foi (ou seria) aberto para tentar mostrar repúdio ao esquema e desvincular a figura dele próprio nesse “esquema”. Obviamente não dá pra “cravar” que houve envolvimento dos governadores, mas certamente todos eles serão réus de uma possível CPI ou mesmo investigação do Ministério Público. O governador parece bem confiante, pois até criou uma comissão externa para investigar o caso, chamada Movimento TranSParência (aqui).

Este escândalo ainda está em fase de investigação. O CADE possui mais de 30TB de informação pra ser analisada. E o processo pode durar meses! (aqui e no meio desta notícia)
A Siemens do Brasil não se pronuncia oficialmente sobre o caso, exatamente por estar em investigação.

O fato é: o que aconteceu no Brasil não é novidade, pois é o mesmo que aconteceu no mundo. Não é boato, nem conspiração, mas sim fato confesso! A diferença  é que, na maioria dos países o caso foi revelado e julgado, mas no Brasil, não. Já em 2008, funcionários da Siemens Alemanha davam depoimentos revelando os esquemas no Brasil. Mas o caso foi ignorado pelo Ministério Público de São Paulo e pela mídia brasileira. E aqui vai uma segunda opinião nossa: tais denúncias devem ter sido abafadas por conta de políticos e empresários envolvidos com o cartel, os quais possuem claramente estreitas relações com o Ministério Público de São Paulo e com a Grande Mídia.

Mas esse escândalo está na mídia” – alguns podem argumentar. Bom, a primeira representante da “Grande Mídia” a tratar do assunto com real atenção e profissionalismo, e principalmente sem atraso foi a revista Isto É, em sua edição número 2279 do dia 19 de Julho de 2013.

Aproximadamente duas semanas mais tarde, o restante da “Grande Mídia” acordou de um sono profundo, como se tivesse sido beijada pelo príncipe, e então começou a divulgar o escândalo. Porém, a maior parte dela divulga com certa cautela, evitando ao máximo dar “porrada” no governo de São Paulo e dando mais foco às empresas privadas envolvidas.

E o povo? Por que ninguém comenta sobre isso no Facebook? Por que ainda não existem e-mails sensacionalistas? Por que este não é o assunto mais tratado das mesas de boteco? Por que o silêncio da população?

Na última quarta-feira, dia 14 de Agosto, o MPL (Movimento Passe Livre) realizou uma manifestação “de panfletagem” com três mil participantes, contra o Propinoduto e juntamente com os metroviários. Justo, afinal já existem cálculos de que o prejuízo com o tal “Trensalão” (nome dado pelo PT) pode chegar a quase dois bilhões de reais, dinheiro que, se utilizado nas passagens de São Paulo, estas custariam algo em torno de R$ 0,90!

Se os cálculos estiverem certos, existe um motivo concreto e claro para justificar protestos e investigações. E mesmo assim, a manifestação do dia 14 contou com meros três mil participantes. Logo agora que existe um motivo concreto para luta, o povo adormece novamente (AQUI para ler sobre o gigante adormecido). Vale voltar a refletir sobre as causas e inspirações das manifestações de julho.

Pra concluir, deixamos outras perguntas pra reflexão: E se ao invés do PSDB, fosse o PT o partido envolvido? Como estaria a mídia? Como estaria o Facebook? Como estariam os e-mails? E como seria a manifestação do dia 14 de Agosto? Como seria……?

por Celsão Correto e Miguelito Formador

Figura daqui

rio212505_270x167Creio que essa seja uma pergunta que muitos se fazem, dia após dia. Principalmente depois de todos os manifestos ocorridos em Junho, de todo o levante popular observado em vários pontos do Brasil e exterior, de todas as tentativas da mídia em desvalorizar, depois explicar e finalmente supervalorizar o ocorrido.

Parece realmente que “a adrenalina baixou” e que os poucos movimentos organizados diminuiram sua agenda de manifestos depois da vitória dos vinte centavos e da PEC 37 (exceção feita aos cariocas que pedem a saída do governador Sérgio Cabral e suas insistentes incursões à casa do mesmo no Leblon).

Porém, só parece! A tal “onda” de protestos, segue ativa, e pra surpresa da maioria, ainda no foco da grande mídia. (Que a meu ver teme que ocorra o mesmo fenômeno observado em Junho sem a devida cobertura imparcial e valorização). Atualmente, em quase todos os jornais da TV e portais da internet há um espaço (restrito, é verdade), para as manifestações ocorridas no país.

Mas, nos últimos dias foram noticiadas desde interdição a rodovias, quer seja por agricultores contra feiras clandestinas em Brasília, quer seja por moradores de Cubatão contra um incêndio (aqui), passando por índios reclamando de demarcação de terras (aqui) e chegando ao tema transporte público, bem explorado em Junho, de uma simples interdição de um terminal em Curitiba (aqui) à volta do MPL (Movimento Passe Livre) de São Paulo às ruas em apoio aos metroviários contra o escândalo das obras superfaturadas de trens e metrôs em São Paulo (aqui).

(Fizemos um post também sobre esse caso – acesso aqui.)

O que mudou nas manifestações é, primeiramente, o número de cidadãos envolvidos.

Sobre isso não há conclusão fácil: se por um lado o número diminuto de pessoas traz foco em uma causa e/ou reivindicação, por outro pode não atingir e “motivar” a mudança por aqueles que a podem executar (lê-se o governo, normalmente).

Uma segunda observação desses protestos “pós-despertar” é o invariável desfecho violento. Não somente pela participação da polícia, mas também pelos atos de vandalismo deflagrados pelos manifestantes em si. Bancos e instituições têm sido alvo de encapuzados que, além de depredar o patrimônio público, corroboram para uma contra-ação igualmente violenta das guardas metropolitanas e militar.

(inclusive ocorreu também em São Paulo um ato contra a própria PM, aparentemente sem violência, segundo a Folha)

Antes de concluir, vale “tirar o chapéu” para os cariocas. Não aqueles que têm saqueado lojas de departamento, mas aos que continuam seguindo o governador Cabral, pedindo sua saída (veja aqui) e aos que estiveram na Câmara acompanhando a CPI dos ônibus, recém instaurada. Um protesto silencioso, com mordaças pelos dez manifestantes que lá estão há mais de uma semana é um “tapa de luva de pelica” naqueles que badernam pura e simplesmente (detalhes da seção/vídeo da reportagem)

Aliás, creio que dificilmente o governo de São Paulo escapará de uma CPI para apurar o já batizado de “trensalão”, mesmo negando envolvimento e processando as empresas envolvidas.

Concluo, de opinião pessoal, romântica e crua, que o despertar trouxe benesses, se não a de seguir mobilizando a massa, a de fazer acreditar na mudança aos que se indignam.

O lado revoltado e revolucionário crê que a mídia só tem dado voz a todos os protestos para criar uma banalização dos atos em si e adormecer na classe média essa idéia que teima em dizer que “manifestar-se é bom”!

por Celsão correto

figura retirada daqui

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O nosso trem-bala ou, como vem sendo chamado, TAV (trem de alta velocidade), era sonho de muitos políticos caricatos, mas começou a tomar “corpo” depois que fomos escolhidos como país-sede de dois dos principais eventos esportivos do Globo: Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas.

Havia tempo suficiente (estávamos em 2007) e os powerpoints mostravam que os investimentos eram rentáveis para a iniciativa privada, ou mesmo um modelo diferenciado PPP (parceria-público-privada), em que há isenção de impostos por um período determinado e subsídios para viabilizar o negócio.

Pois bem…

Já estamos com a Copa “às portas” e diversos atrasos contabilizados nos aeroportos, estádios e demais obras de infraestrutura, incluindo aqui uma primeira licitação do TAV em Julho de 2011. E agora o governo avalia, com certa insistência, o leilão do TAV, marcado para meados de Setembro.

Até mesmo a provável ausência do grupo espanhol Renfe, um dos interessados no TAV brasileiro, devido ao acidente ocorrido há alguns dias na Espanha já está sendo “contornada”. Nos documentos exigidos, a inexistência de acidentes com vítimas fatais nos últimos cinco anos não os desqualifica, conforme análise prévia do ministro César Borges (aqui); que argumenta que o acidente ocorreu numa malha considerada de baixa velocidade… Há um certo receio de que “sobre” no leilão apenas o grupo francês, envolvido no escândalo recente de propinas (post aqui)

Me parece que o governo busca no projeto “a vitrine” que anseia e está disposto a gastar muitas fichas nesse objetivo. O que não usaria dinheiro público no início, agora contará com a participação de BNDES e Correios, conforme noticiou o Estadão.

 

Não menos importante para o país, mas menos visível aos olhos, a linha férrea chamada de Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), que interligaria a cidade de Barreiras, no oeste baiano a um porto em Ilhéus, no litoral, possui menos de 20% das obras concluídas, principalmente devido à falta de trilhos, após a data prevista de sua inauguração (detalhes aqui)

Anunciada como obra do PAC em 2010, a ferrovia escoaria a produção de grãos não só da região, mas também do Centro-Oeste. A nova previsão do governo é entregar o trecho entre Ilhéus e Caetité até o final de 2014 e entre Caetité e Barreiras em 2015. Há um projeto de extensão planejado (ainda sem data de entrega) visando interligar a Fiol à Ferrovia Norte-Sul, no Tocantins. Outro exemplo das muitas obras paradas ou atrasadas do PAC e PAC 2.

 

Voltando ao TAV, o que mais me incomoda é a ausência de planejamento dos investimentos necessários, nem ao menos o custo total do projeto é conhecido. Estimado em R$30 bilhões não só representaria o maior investimento em infraestrutura do país, como também poderia ser usado em ambos estados em problemas mais urgentes! O presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) estima que este valor resolveria os problemas urgentes do transporte público no Rio e em São Paulo (aqui).

E vocês, o que acham do trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio?

 

por Celsão correto

figura: montagem

IstoÉ_Propinoduto

Figura 1 – Isto É Propinoduto

Para início de conversa, assista ao comentário de Bob Fernandes sobre o Propinoduto. Basta clicar AQUI.

Só mais uma, das inúmeras provas que deixam claro todo o jogo elitista que está por trás da cúpula do PSDB.

Segundo divulgado em alguns meios da mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas na disputa das licitações do Metrô de São Paulo. Tem uma reportagem completa na Isto É. Basta clicar AQUI .
A Siemens é uma das envolvidas no Cartel, mas como a denuncia, ganha imunidade civil e criminal. Segundo apontam as notícias, haveria partido dela (Siemens) as denúncias.
Os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha, dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagavam propina para o metrô de São Paulo (lembrando que o metrô é uma empresa do estado de São Paulo que é governado pelo PSDB há 2 décadas) e para os membros-chave dos governos Tucanos. O esquema viria desde Mário Covas, passando por Alckmin, Serra e Alckmin de novo. Inicialmente se falava em um valor que ultrapassava os R$ 50 milhões, em pagamento de propina. Agora, já se fala que o prejuízo aos cofres públicos tenha sido de R$557 milhões, com a chance de ter sido ainda maior, podendo chegar a R$ 1,925 bilhão! Clique AQUI para ver a notícia da UOL.
Ou seja, valor igual ao do Mensalão (caso sejam confirmados R$ 50 milhões), ou 10 vezes maior que o Mensalão (caso confirmados os R$ 557 milhões), ou 40 vezes maior que o Mensalão (caso o valor seja de R$ 1,925 bilhão). E o brasileiro acreditando na mídia, que o convenceu de que o Mensalão foi o maior e mais perverso esquema de corrupção de nossa história.
Para acessar um gráfico ilustrativo de como ocorria, supostamente o esquema, clique AQUI.
Ainda vale lembrar que, mesmo com todos os holofotes dados ao Mensalão, e mesmo com as polêmicas ocultações de provas a favor da defesa (como assim ocultação de provas? Clique AQUI e tire suas conclusões), e mesmo com todo o esforço de Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Fux e outros Juízes de integridade extremamente questionável em condenar todos os réus com penalidade máxima possível, não existe no julgamento do Mensalão, nenhuma prova que mostre enriquecimento pessoal dos políticos envolvidos no esquema. Ali, a principal acusação é o chamado “caixa dois”, algo aplicado por todos os partidos desde a existência de política no Brasil e também a compra de votos de parlamentares, principalmente da oposição. Ou seja, se alguém enriqueceu, foram alguns parlamentares da oposição.
Já no propinoduto, estamos falando de pagamento de propina aos políticos e funcionários públicos. Milhões e milhões vindos do dinheiro público! Porque dinheiro público? Ora bolas, o cartel jogava o preço 20% acima da cotação oficial. Como o contratante é o governo de São Paulo, significa que o Governo está tirando 20% a mais de sua receita e pagando isso à empresa que ganha a licitação. Esses 20% excedentes, são depois repassados para funcionários do governo, em forma de propina. O que é isso, se não lavagem de dinheiro público para enriquecimento de funcionários públicos e membros do governo?
Outra observação interessante é, mais uma vez, sobre a mídia. Salvo exceções, como é o caso da Isto É, o restante da mídia praticamente se calou, no máximo, emitiu ruídos, nas duas primeiras semanas. Qual o motivo desse comportamento? Alguém vai me dizer que apareceu na Globo, saiu na Folha de São Paulo, no Estadão, etc. Mas só “bater ponto”, não conta! Quero ver dar cobertura, monitorar, pegar pesado, marcar em cima mesmo, e mostrar ao público, com o mesmo sensacionalismo do Mensalão. Sei que nos últimos dias a mídia aumentou a cobertura sobre o caso, e isso ocorreu, pois provavelmente perceberam que não tinha mais como esconder, e então tiveram que começar a falar, porém, com aquele tradicional “pega leve”, sem dar tanto foco partidário/político como deu no Mensalão ou a qualquer outro boato ou escândalo envolvendo o PT.
No Mensalão, foi pancada todas as semanas, todos os dias, desde que o esquema se tornou público através do Roberto Jefferson. E quando foi a julgamento, teve transmissão ao vivo pela grande mídia.
Vejam a figura abaixo, a qual ilustra muito bem o que estou falando.
Folha_Tratamento_PTxPSDB

Figura 2 – Tratamento da Folha – PT x PSDB

Manipulação da mais bandida que existe.

Por exemplo, a Folha recentemente publicou assim numa capa: “Rejeição de Dilma atinge 49%“…. Em outra capa, ela publica assim: “Alckmin tem 26% de aprovação“…..  Preciso falar algo mais? AQUI
Como disse Chico Buarque de Holanda: “A mídia ecoa muito mais o Mensalão do que fazia com FHC, a compra de votos, as privatizações. O FHC sempre teve uma defesa sólida da mídia, colunistas chamados de chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.” Querem me xingar? Não o façam, liguem para o Chico Buarque, foi ele quem disse isso, AQUI. Certamente, ele tem rabo preso com Lula, interesses políticos, afinal, Chico tem uma vasta história de corrupção e apoio a governos bandidos, além de sua conhecida desonestidade Intelectual. Esse Chico não presta! (ironia)
Além disso tudo, fico me perguntando: cadê as montagens sensacionalistas das Redes Sociais? Não vi UM amigo sequer, da minha rede social, falando sobre o propinoduto. Ninguém posta nada! Enquanto as montagens mentirosas contra Lula e Dilma, ou maquiavélicas, até desejando que Lula morra de câncer, estas sim, continuam a todo vapor. As redes sociais são o reflexo da mente do utilizador, que compartilha ali tudo que lhe agrada o ego. Ou seja, criticar o PT, sendo mentira ou não, agrada ao ego da maioria dos utilizadores (que são em boa parte, classe média). E o ego, a mente do cidadão, é um reflexo do que a mídia mostra. E aí nós vemos como tudo está conectado numa jogada de mestre.
A mídia não mostra escândalos tucanos, pois não quer colocar na mente das pessoas que o PSDB tem mais escândalos de corrupção que o PT.
Talvez pensem que estou sendo tendencioso. Pode até ser verdade. Mas para mudar minha forma de pensar, preciso de dados que contradizem o que eu sei.
O que eu sei é:

  1. Pelo projeto Ficha Limpa temos um ranking de partidos que tiveram seus candidatos a prefeitos cassados por corrupção. O PSDB lidera com 56 cassações. Ele vem seguido pelo PMDB com 49. O PT vem em oitavo, com 18 cassados. Mas se considerarmos que o PMDB possui 1024 prefeituras, enquanto o PSDB tem 702, percebemos que o PSDB dá uma lavada de corrupção nas prefeituras, se comparado com o segundo colocado, que é o PMDB. Tá AQUI ou também AQUI.
  2. Tem também o ranking de partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, onde a sequência é: DEM, PMDB, PSDB e o PT na nona posição, ou seja, novamente, lá pra baixo.
  3. Além disso, temos o MUSEU da corrupção no Rio Grande do Sul, fundado por um professor doutor em economia, que faz um ranking dos maiores esquemas de corrupção dos últimos 30 anos. O economista faz um estudo minucioso, com levantamento de dados oficiais do Ministério Público, STF, STJ, CPI’s e dados internos do governo.
    Dos 10 maiores esquemas, 4 ou 5 foram em governos tucanos (PSDB), 2 em governos petistas, e o resto é governo Sarney, Collor, Itamar.

E estive aqui a pontuar 3 exemplos somente, de tantos dados oficiais que existem sobre esse assunto, onde todos eles comprovam a mesma coisa: PSDB está no topo da corrupção e o PT nem aparece entre os 5 primeiros. Mas tem uns “jênios” por aí no Brasil, que acreditam na mídia e acreditam que o PT inventou a corrupção. É lamentável !

Ou seja, para concluir o raciocínio, o que não aparece na grande mídia, não entra na cabeça do cidadão médio, e por isso, não aparece no facebook.
Não é defesa descarada ao PT, mas sim uma comparação entre o partido do Governo e o maior partido da oposição. Não enxerga quem não quer. Os dados estão expostos aí, é decisão de cada um acreditar em dados ou acreditar em lorotas. Vivemos numa democracia, acreditar em lorotas é permitido por lei, para a sorte de muitos, e para a felicidade da Grande Mídia e da elite.
@ Não posso afirmar com 100% de certeza que todos os dados que apresentei representam 100% da verdade. Quem quiser contestar os dados, tem todo o direito de fazê-lo, mas peço o mínimo de bom senso para que, ao fazê-lo, apresente dados de qualidade equivalente ou melhor, que contradigam aqueles que apresentei. Dar opinião cheia de preconceitos formados através de lorotas, qualquer um é capaz.
por Miguelito Nervoltado

Figura 1 retirada daqui
Figura 2 retirada daqui

RevogadoPois é…

O governador e o prefeito de São Paulo anunciaram que o aumento de R$0,20 foi revogado. E ainda foram além, abriram as portas aos integrantes do MPL (Movimento Passe Livre) para que estes participem do Conselho Municipal. Querem dividir com a sociedade parte da responsabilidade pela tarifa do transporte e buscar idéias e sugestões antes que o aumento volte.

Primeira etapa cumprida, eu diria. Ao menos para os iniciadores das manifestações, motivados pelo aumento do transporte. Mas… e agora?

Boa parte dos manifestantes, queira o MPL ou não, está “de carona” com eles, revelando alguma outra (ou várias outras) insatisfações, seja contra o governo, a violência na cidade, os gastos abusivos para a Copa, etc… Se por um lado a presença destes “novos revoltados” ajudou a dar volume ao protesto inicial, agora eles provavelmente se tornarão “órfãos” e deverão organizar as suas próprias passeatas, lideranças, estratégia.

Assisti ao programa Roda Viva na última segunda-feira e confesso que me surpreendi com a articulação dos líderes entrevistados e algumas idéias para o “depois”, como o passe para uso mensal, que já existe em outros países, por exemplo.

Será que os demais cidadãos que “saíram do Facebook” conseguirão se articular a fim de levar a cabo outras manifestações? Torço para que sim, para o bem da Nação.

por Celsão correto

P.S.: A TV Cultura disponibiliza os programas na íntegra pela Internet. O programa citado no post está aqui