Posts Tagged ‘saúde pública’

medicos_1Algum tempo se passou desde os nossos posts sobre a vinda dos médicos cubanos (aqui e aqui).

Alguns médicos chegaram, estão em treinamento e devem começar a trabalhar ainda em Setembro.

O objetivo, como muitos sabem mas teimam em mascarar, é prestar um atendimento médico básico em municípios e regiões que não possuem esse serviço.

Agora gostaria de listar meus pontos de revolta, explicando também o porquê do título desse post:

Os médicos brasileiros seguem usando argumentos estúpidos e sem nexo contra a vinda de médicos estrangeiros, principalmente cubanos. Chegam a desconfiar da formação dos profissionais, falam de escravidão dos cubanos e hostilizam os profissionais/colegas de maneiras absurdas e sem a menor explicação lógica (cito como exemplo a entrevista com o presidente do sindicato de médicos do Ceará e a declaração presidente do CRM de minas negando auxílio profissional aos médicos estrangeiros)

– Outro presidente regional do conselho de medicina também disse à rádio CBN que não há condições para exercer a profissão. Disfarçando um falso apoio aos médicos estrangeiros, ele cita o fato dos médicos não virem com a família, a moradia na própria clínica ou região de trabalho e a impossibilidade de exercerem livremente a profissão em clínicas e hospitais particulares, como falta de condições ao exercício da medicina. Para o tal doutor, os médicos estrangeiros deveriam ter seus diplomas equiparados e validados para que pudessem clinicar onde e como lhes aprouvesse.

(Cinismo e hipocrisia dos mais graves! O tal presidente do conselho SABE que os médicos vem como prestadores de serviço do SUS e que o contrato é temporário. Enquanto não se formam mais profissionais no próprio país. É ridículo falar em trazer família, quando diversos outros programas temporários, como uma viagem de estudos ou um pós doc, não contemplam tal prática)

Querem fazer uma avaliação rigorosa técnica e do idioma. Oras… Enumeremos os médicos brasileiros que trabalharam na Amazônia sabendo falar as línguas locais! Não é imprescindível! Mesmo sem falar uma palavra no idioma, vidas podem ser salvas; e somente com atendimento básico! E contra a avaliação técnica, depõe o próprio conselho de medicina, que avalia os formandos brasileiros e sabe que a maioria não seria aprovada se o exame fosse obrigatório para se exercer a medicina. A própria Veja divulgou que o exame tem 90% de reprovação entre médicos brasileiros.

Os salários pagos aos cubanos serão muito baixos, caracterizando trabalho escravo. Aqui outro absurdo. Sabe-se que parte do valor do contrato de prestação de serviços de saúde será repassado ao governo da ilha, que investiu na formação e capacitação dos profissionais. Lá, eles estudam de graça, diferente do que ocorre por aqui; onde ou pagam-se mensalidades altíssimas (nas instituições privadas) ou escolas particulares e cursinhos pré-vestibulares (para ingressar nas públicas). Aqui e aqui também referências do provável valor da bolsa para os cubanos, que varia entre R$2500 e R$4000.

Não há como avaliar o médico estrangeiro. Outro argumento ridículo! Os médicos atenderão no mesmo local, de segunda a sexta-feira. Terão um real contato com os pacientes, bem diferente da rotina médica de um modo geral. Ora, os pacientes poderão avaliar o atendimento diretamente. Uma grávida em pré-Natal, um dependente químico, uma mãe que leva uma criança a um pediatra, agora terão um só médico para se consultar por um longo período. Hoje, os médicos que trabalham no SUS, trabalham também em muitos outros hospitais e clínicas, quando trabalham.

(Aqui um link para nosso post sobre o bate-ponto hospitalar. Aqui outro vídeo de escândalo semelhante no Rio de Janeiro. Os médicos, com acúmulo de 8, 10, 12 empregos, depois de pegos em flagrante, saíram escondidos nos bancos de trás dos carros de funcionários do hospital para não serem abordados pelo repórter)

Os médicos cubanos serão depois devolvidos a Cuba. Sim, lógico! Eu não usaria o verbo “devolver”, como se os profissionais fossem objetos; mas depois de prestarem o serviço contratado, que é a assistência médica básica em cidades e regiões carentes, os médicos retornarão a Cuba ou a qualquer outro país que contrate este tipo de serviço deles. Não é um visto ou emprego no Brasil, mas um contrato temporário com bolsa e auxílios. Ou seja, assim que os contratos (inicialmente de três anos) dos médicos estrangeiros (não só dos cubanos) terminarem, eles também voltarão aos países de origem.

Vale ressaltar que todas essas vagas foram oferecidas a médicos brasileiros, formados aqui e no exterior. Mas alguns acusaram o governo de ultraje por ter oferecido “apenas” R$10.000,00 de salário, além de auxílio moradia.

Mas, uma vez que a profissão permite, os médicos buscam o mais breve possível a independência financeira em detrimento ao bom atendimento médico para a população. Começam a carreira na residência, de preferência num hospital de ponta, para que o renome alcançado nos dois ou três anos os leve a hospitais privados. Daí, atrelado a uma especialização, abrem o próprio consultório. Pronto! Não é mais necessário trabalhar no SUS ou atender a convênios de saúde. A propaganda boca-a-boca e as indicações acumuladas no início da carreira são suficientes para crer que 15 salários mínimos seja uma afronta…

Enfim, os argumentos são muitos e a estória ainda será longa…

Faço aqui uma aposta: em breve notícias serão divulgadas contra esses profissionais. Ao menor deslize de qualquer deles, a Grande Mídia detonará o programa “Mais Médicos” e aparecerão os experts com as frases prontas de “Eu te disse!” ou “Eu sabia”.

É aguardar e conferir!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

Bate-Ponto dos Médicos

Bate-Ponto dos Médicos

Cliquem AQUI ou clique na figura ao lado para assistirem a reportagem do SBT que mostra os médicos da Maternidade Leonor Mendes de Barros, na Zona Leste de São Paulo, batendo ponto e indo embora, ou seja, recebendo dinheiro sem trabalhar. Um ato que se repete por todos os cantos do Brasil.

Mas isso pouco importa, pois afinal de contas, o SUS é uma sucata, SOMENTE por irresponsabilidade e corrupção do Governo, né?
Afinal de contas, a qualidade e ética dos médicos do Brasil, são impecáveis, né?
Afinal de contas, esses médicos, por serem tão justos, íntegros, éticos, tem todo o direito de chamar políticos de corruptos e brigar contra a vinda de médicos estrangeiros, mesmo que seja a custo de pessoas pobres continuarem a morrer por falta de medicina básica, né?
Afinal de contas, se tem pobres morrendo por falta de atendimento, é SOMENTE por culpa do Governo. O médico luta diariamente para evitar tal situação, né?

Ou será que muitos tem medo de perder essas bocadas? Afinal, aumentando a concorrência, aumenta a necessidade de mostrar serviço. Afinal de contas, os médicos estrangeiros vêm justamente para trabalhar no setor público, que é, o setor das bocadas, ou da maioria delas.

Eu sei que, cada caso é um caso, e este vídeo não representa todos os médicos do Brasil. Mas como TODOS os médicos, gostam de generalizar as coisas, vamos generalizar também, daí, pelo menos, falamos a mesma língua.

Em tempo:   Afinal de contas, o que querem os médicos do Brasil? Clique AQUI
                         E porque tanto escândalo, polêmica e reação contra a importação de médicos? Clique AQUI

por Miguelito Nervoltado

post_medicosTudo começou com a notícia da “importação” de médicos cubanos.

O Conselho Federal de Medicina foi contra, pois afinal, temos profissionais muito mais qualificados e prontos para exercer a profissão, é o governo que não dá oportunidade.

A mídia e a burguesia foram contra. Ignorando fatos conhecidos, como a qualidade da saúde em Cuba, a experiência desses médicos, sobretudo em áreas pobres e em doenças dessas áreas e a recusa dos nossos médicos em atender os pontos longíncuos do país.

Não vou isentar o governo do descaso geral com a Saúde Pública. A falta de recursos, leitos, material humano torna desafiador e trágico o dia-a-dia dos profissionais da saúde na maioria dos confins dessa Nação. Mas houve ação e coragem na idéia. Temos um baixíssimo contingente de médicos estrangeiros e dificuldades em preencher vagas nas regiões Norte e Centro-Oeste, mesmo com salários, comparativamente, mais altos.

Daí vieram os protestos. Médicos e outros profissionais foram as ruas nas principais cidades para criticar a vinda de médicos Cubanos e reinvindicar “melhores condições” de trabalho. Justo o protesto e algumas exigências como teste de validação de Diploma e proficiência em Português, na minha opinião. Injusto pedir auxílio moradia, melhores salários e planos de carreira para irem, por exemplo, para o Tocantins ou o Acre. Parece-me que eles querem “expatriações” dentro do próprio país…

Agora surgiu mais um ponto nesse conto: houve aumento na carga horária dos cursos de medicina; os futuros profissionais deverão trabalhar dois anos no SUS, vinculados à Universidade, recebendo bolsa e ajudas de custo em caso de deslocamento. O anúncio foi feito no lançamento do programa “Mais Médicos para o Brasil” e já gerou críticas de todos os lados. Dizem que agora nossos cursos serão os mais longos do mundo, apontaram como retrocesso e trabalho forçado a medida, e como um impedimento ao desenvolvimento profissional ou especialização.

Bem ou mal, algo está sendo feito. E, cá pra nós… Salários de R$10 mil para atuação nas periferias, a “importação” de profissionais somente em caso de vagas remanescentes e agora da Espanha e Portugal (Cuba deu o que falar), está muito além do que os demais profissionais do nosso país têm.*

O que me faz perguntar: o que afinal os médicos querem?

por Celsão correto

* exceção feita aos políticos e juízes. Mas não entremos em assuntos mais complicados nesse post.

figura proveniente de montagem. Original retirada daqui