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jesus-rosto-realTodo o alvoroço de fim de ano, agregado a alguns prazeres que o dinheiro pode comprar, coisas fúteis e exageradas em qualquer cultura, me fizeram pensar na razão disso tudo.
E então vieram as mensagens de final de ano via whatsapp… e um amigo me lembrou que Jesus era de esquerda.

É inacreditável o quanto se consome, se gasta, se desperdiça, nas duas principais datas do cristianismo: Natal e Páscoa. Coincidentemente, ambas têm relação com o mais famoso dentre os cristãos: Jesus Cristo.

“Se o aniversário é de Jesus, por que você quer presente?” – dizia uma piadinha em meu celular – enquanto eu me perguntava quantos realmente sabiam que era aniversário “dele”, e quantos, mesmo sabendo, se importavam com o fato.
Percebo, infelizmente, que aquele “espírito natalino”, que nos toma e nos acomete de bondade, caridade e boas ações para com o próximo, está um tanto raro. E, num desperdício de “all inclusive”, imagino quantas famílias seriam abastecidas pelo que se consome aqui; e por quanto tempo…

Todo aquele que teve educação cristã, mesmo não sendo um católico ou protestante praticante, sabe que Jesus pregava a igualdade. Condenava a usura, a desigualdade e a exploração do homem por si próprio.
Mesmo que não acredite em toda essa “inclinação política”, sabe também que Jesus pregava contra o domínio irrestrito dos romanos e da elite judaica do seu tempo em Israel. E… andar, sentar-se a mesa com “impuros”, quer sejam eles mendigos, prostitutas e leprosos, era uma afronta às classes dominantes (e por que não dizer), ao imperialismo da época.

Numa das passagens mais famosas da Bíblia, Jesus, criticando o comércio exploratório nas portas do templo de Jerusalém, durante a Páscoa, quebra as barracas e condena aquela exploração; até os historiadores que pesquisam o “Juses real” (link no final do post), acreditam que essa arruaça existiu mesmo e foi causada por um judeu pobre, provavelmente descontente com a desigualdade social e o excesso de tributos.

Citando parte de um texto do comediante Gregório Duvivier (aqui), que escreveu como Jesus em primeira pessoa, fazendo crítica direta ao pastor evangélico Silas Malafaia, como outro exemplo do Jesus-esquerda:

(…) eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro [Bíblia] em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

(…) Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin — esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar.
Mesmo para os que não acreditam, em Deus, Jesus, na “Força” do Star Wars ou em qualquer entidade-pai à qual atribuimos as coisas que não explicamos… Fazer o bem, repartir, compartilhar é esquerda!
E é disso que precisamos para o futuro. É isso que desejo para o ano vindouro: mais esquerda para o mundo!
Se essa “revolução da esquerda” virá através da Alemanha revogando a “devolução” dos refugiados que entraram na Europa nesse 2016, na erradicação da fome, na devolução das terras palestinas ocupadas por assentamentos de Israel, através de mais empregos com salários justos, da doação de fortunas de bilionários, de melhores condições sociais nos países em desenvolvimento, de campanhas de melhoria no saneamento básico, proporcionando melhor saúde para populações carentes, ou, simplesmente de nós próprios, ajudando àqueles que precisam e estão bem próximos… não sei.
Sei que o ser humano, como tal, precisa evoluir. Darwin, na contramão da espiritualidade e da religião, provou que há evolução e ela é constante.
E EVOLUIR, ou ser melhor, na minha opinião, não é possuir mais, comprar mais, mostrar ao outro o que fez e faz…
É, sim, SER mais, no sentido puro, de evolução pessoal, principalmente evolução moral e intelectual. Sem descartar possíveis evoluções espiritual, física e material, que não impedem nem atrapalham necessariamente as citadas primeiramente.

Estou há dias encucado com essa filosofia cristã-consumista-cara-de-pau que temos adotado e atormentado com maneiras de irromper isso em palavras.
Ei-las aqui.

Que os ensinamentos cristãos do primeiro esquerdopata, Yeshua de Nazaré, ou que a evolução de Darwin nos guiem para um 2017 de ensinamentos, evolução e consequentes realizações.

por Celsão correto

figura retirada daqui. É a foto aproximada do Jesus real. Sem o romantismo Europeu que o transformou num ser bonito e mais aceitável…

P.S.: quem quiser disfrutar de duas leituras sobre o tema Jesus e sua real existência, a revista Super Interessante escreveu em 2003 e 2013 dois artigos aqui e aqui.  Outro texto que recomendo, principalmente ao que acreditam em Deus e criticam as instituições que o “amarram” a preceitos e dogmas, é o atribuido ao filósofo Espinoza, chamado “Deus segundo Espinoza” (aqui um link que apresenta ao fim uma breve biografia do autor)

P.S.2: Valeu Fabinho!

11050667_1140171285999582_7130393729177933607_nEstamos num período agitado.
Que nos bombardeia com intermináveis informações e ao mesmo nos força a tomar partido… a nos posicionarmos… a escolher um lado…
Será mesmo?

Dentre as inúmeros textos que li nos últimos dias, um dos notáveis segue abaixo.
Exprime um posicionamento neutro e explica alguns “porquês” das convicções, dos vieses, dos ânimos exaltados.

O texto é de autoria de Vinícius Waldow e pode ser lido em seu Facebook aqui.

Como é de costume em momentos de efervescência política, a razão fica escanteada.

O filósofo Bertrand Russell escreveu: “Todo homem, onde quer que vá, vive envolto por uma nuvem de confortantes convicções, que o acompanham como as moscas no verão.”

As pessoas geralmente acreditam que a sua mente é capaz de obter uma visão precisa da realidade. Contudo, as descobertas em relação ao que se chama de “cognição motivada” colocam por terra essa crença (pelo menos, deveriam colocar).

O viés confirmatório (do inglês, confirmation bias), por exemplo, é considerado o padrão mais robusto já descoberto pela psicologia cognitiva acerca do nosso raciocínio, e consiste na tendência dos indivíduos de procurar e interpretar evidências de maneira parcial em favor das suas crenças, convicções e expectativas prévias.

O viés confirmatório faz com que tenhamos uma predisposição fortíssima de ignorar ou então criticar veementemente as evidências contrárias às nossas convicções (por mais sólidas que sejam essas evidências), bem como aceitar de modo complacente e defender de modo ferrenho as evidências favoráveis às nossas convicções (por mais pífias que sejam essas evidências).

A ideia é que a nossa mente funciona mais como um advogado tentando defender uma causa pré-definida do que como um cientista buscando desinteressadamente a verdade.

Adicione a isso um outro ingrediente bem conhecido da cognição motivada: o grupismo. Essa é a tendência dos seres humanos a se dividirem em grupos-de-dentro e grupos-de-fora (“nós versus eles”) e sistematicamente perceberem e agirem como se os membros do grupo-de-dentro fossem muito diferentes e superiores em relação aos membros do grupo-de-fora.

Agora pense sobre os efeitos que a combinação explosiva entre viés confirmatório e grupismo exerce sobre qualquer debate político.

A visão grupista é a de que o nosso lado é inteligente e dotado de retidão moral, enquanto que o outro lado é composto por burros (que estão sendo ludibriados), mercenários (que foram comprados) e safados (que ludibriam os burros, compram os mercenários e querem acabar com o nosso lado). A partir daí, o viés confirmatório faz o trabalho de avaliar todas as evidências oferecidas de modo a sempre reforçar essa visão básica.

Além de apenas observar evidências, as redes sociais hoje permitem a você criar e distribuir suas próprias evidências, com todos os viéses possíveis.

Em toda manifestação pública de grandes proporções, se você buscar e selecionar bem, vai encontrar um bom número de pessoas com as opiniões e atitudes mais estapafúrdias, grosseiras e simplórias. Filme algumas delas, faça uma boa edição de vídeo e coloque uma manchete que funcione como isca para um público já propenso em concordar, e pronto: muita gente vai obter mais uma evidência de que o outro lado é burro, vendido e safado, e implicitamente de que o seu lado é inteligente e virtuoso.

Se você estiver com preguiça, então basta criar um meme.

Trazendo para o caso concreto do Brasil, se todo petista/tucano é burro, vendido ou safado, não há porque ficar perdendo tempo com os argumentos deles: a vitória é nossa de antemão. Estereotipar e desmerecer o outro lado é um caminho fácil demais para não ter que pensar de fato sobre os argumentos contrários.

“Os petralhas só querem continuar mamando na teta do governo.”

“Os coxinhas só querem manter seus privilégios de rico.”

“E ainda tem burro que defende esses safados.”

Achar que o principal problema do Brasil consiste em um único partido ou político é uma visão extremamente simplória para um problema complexo. Quem dera a solução para os nossos problemas políticos fosse apenas tirar o PT/PSDB/PMDB ou Dilma/Aécio/Cunha do jogo. Como uma hidra de Lerna, não adianta “cortar essas cabeças”: elas nascerão de novo, com outras faces, ou com a mesma face (Collor tá aí ainda).

A solução para problemas estruturais tem de ser estrutural também. Um exemplo: já passou da hora de reformar o nosso sistema eleitoral, que recruta parlamentares com base numa política altamente personalista (em contraste com uma focada em partidos); um sistema que é nitidamente distorcido pelo financiamento de campanha por grandes empresas (a corrupção também está na iniciativa privada).

Outro exemplo é o nosso sistema de governo baseado no presidencialismo de coalizão, o qual parece tornar quase obrigatória a relação fisiológica de “toma-lá-dá-cá” que se estabelece entre os poderes Executivo e Legislativo, e isso independentemente do partido que se encontra no poder.

Kwame Anthony Appiah, diretor do Centro para Valores Humanos da Universidade de Princeton, conta que às vezes lhe questionam com o que ele trabalha, e ele diz que é filósofo. Usualmente, a pergunta seguinte é: “Então, qual é a sua filosofia?” E a sua resposta padrão é: “Minha filosofia é de que tudo é mais complicado do que você pensa.”

Enfim, o convite é esse: que tal dar uma pausa no hábito de dar retruques automáticos, estereotipar o adversário e tratar partido político como se fosse clube de futebol para encarar a complexidade do mundo?

Lembre-se que aquele você tacha de “coxinha” ou “petralha” pode ser menos unidimensional do que você.

por Celsão correto (as vezes me confundo em meus alter-egos)

figura retirada da própria publicação original (aqui)

Guerra_as_DrogasA violência no Brasil anda assustando a população brasileira, assim como os turistas.
O problema da violência transcende Governos, e vem assolando nosso país desde a ditadura militar, e ano após ano numa escalada progressiva.
(clique AQUI e leia nosso artigo onde refletimos sobre a relação entre “real aumento da violência” X “nossas sensações de insegurança, influenciadas pela mídia”).

Mas o que gera a violência?
Podemos apontar vários fatores: Pobreza, desigualdade social, sistema educacional degenerado, uma mídia que incentiva sentimentos como ódio, desejos e inveja; fatores culturais (há culturas mais pacíficas, outras mais agressivas), etc.
E claro, a presença e força do tráfico de drogas nesta sociedade. E é neste ponto que quero me detalhar.

No Brasil, todos sabemos, temos um enorme problema com drogas. Temos muitos viciados, e o tráfico é fortíssimo. Traficantes mandam em bairros e comunidades inteiras. O combate ao tráfico parece ter se intensificado nos últimos anos, como exemplo, temos as ações policiais com a ajuda do exército no Rio de Janeiro, fazendo uma “limpeza” em algumas comunidades.
Ajudou? Bom, não parece. O número de usuários de crack aumenta a cada dia, traficantes do Rio saíram “corridos” de lá e migraram para outras cidades, onde então o problema das drogas piorou, e no Rio, outros assumiram seus lugares.

Mas afinal, é eficiente combater o traficante? Como fazer isso? O traficante está lá, isolado no morro, sem amigos, sem influência? Ou será que ele, muitas vezes, possui forte rede de contatos e influência, incluindo grandes empresários, policiais, políticos e até juízes?
Penso que, em muitos casos, a segunda opção seja a mais realista.
Então, como o poder público vai lutar contra o tráfico, se o tráfico está entrelaçado com instituições públicas e privadas?

Michael Levine, que foi durante 25 anos agente da DEA (Agência de combate às drogas dos EUA), revela em seus livros, que a CIA tem conexões diretas com o tráfico na Colômbia, México, Bolívia. Há aí uma história de troca de favores e benefícios mútuos entre CIA e as drogas na América Latina, que já atravessa várias décadas.

Michael Levine, hoje com 75 anos, vem publicando documentos oficiais sigilosos, vídeos gravados por ele em reuniões secretas, e livros há cerca de 20 anos. Podemos compará-lo a Snowden, porém do submundo das drogas.
Os livros mais famosos de Levine são: “Deep Cover” e “The Big White Lie” (com tradução em português: A grande mentira branca).

Levine diz que a guerra contra as drogas é ineficiente, pois, para diversas instituições e empresas poderosas, é desinteressante que o tráfico acabe. Ele e outros estudiosos apontam para outra variável óbvia: o tráfico é lucrativo, portanto, combater aquilo que dá dinheiro fácil, é desperdício de energia. Você prende ou mata um traficante, tem uma fila de outros 100 esperando para assumir seu lugar.

Afinal, como então combater as drogas?
Levine e intelectuais apontam possibilidades. Primeiramente, não se deve focar no traficante, mas sim no usuário. O traficante só existe, pois tem mercado, ou seja, há quem compre. Se for possível trabalhar a sociedade para que haja menos necessidade de consumo de drogas, o traficante perde a força, o tráfico perde o sentido.
Mas como causar essa mudança na sociedade?

Bom, primeiro temos que nos livrar de pensamentos preconceituosos, ortodoxos, ultrapassados, nos livrar da hipocrisia de discursos dogmáticos e conservadores, para podermos aceitar possíveis realidades e soluções.

Li um artigo de Johann Hari, autor do livro “Chasing the scream: the first and last days of the war on drugs”, que poderíamos traduzir como “perseguindo o grito: o primeiro e último dias da guerra contra as drogas”, que viaja pelo mundo fazendo uma série de entrevistas, tanto com cidadãos comuns, como com representantes de ONGs contra as drogas, comunidades que enfrentam tais problemas, e também com governos que revelaram suas experiências.

Johann traça algumas reflexões e estudos sobre o vício. Seus estudos apontam que, o vício químico existe, mas é fator pequeno frente ao vício psicológico. Ele mostra estudos feitos tanto com ratos, quanto com seres humanos, que apontam uma tendência clara de que, em condições de vida saudáveis, felizes, com lazer, com as necessidades básicas vitais satisfeitas, tanto seres humanos, quanto ratos tendem automaticamente a não precisar mais de drogas e a preferir a sobriedade.

Johann menciona Portugal, que tinha um problema gravíssimo com Heroína até o ano 2000, cerca de 1% da população estava viciada. O Governo português tentou por vários os anos a guerra contra as drogas, sem sucesso. Então resolveram inovar. Descriminalizaram as drogas e fizeram um rigoroso programa público de educação, conscientização e recuperação dos drogados. O resultado: 50% de redução do consumo de heroína em poucos anos.

Algo parecido acontece no Uruguai, onde o ex-presidente, Pepe Mujica, descriminalizou a maconha fazem 2 anos. Estatísticas já comecem a apontar resultados positivos naquele país.
Ao ser confrontado em entrevista, com a pergunta “mas o senhor tem certeza que dará certo?”, Mujica respondeu: “Lógico que não tenho certeza. Mas eu tenho certeza que o que tentamos antes nunca deu certo, por isso, é preciso tentar algo novo. Se não der certo, mudamos para outra tentativa. O que não se pode é ficar parado repetindo erros!”.
Parece simples não? Mas não é! Afinal o conservadorismo e o medo do novo nos impedem de sermos inovadores, de aceitarmos mudanças, de revermos nossos valores. Aí, ações racionais e promissoras, são hostilizados pela sociedade.

Há outros países com legislações mais flexíveis e que buscam caminhos progressistas para o combate às drogas, como Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega, entre tantos outros.

Por isso vemos que há uma conexão clara entre as drogas e as faltas de oportunidade de viver uma vida saudável e feliz. Ou seja, numa sociedade deteriorada, às margens da pobreza, desigualdade social, preconceitos, racismo, violência, mídia do medo, políticos do descaso, é evidente que há um espaço enorme para o crescimento do consumo de drogas.

Qual seria a solução?
Observando os trabalhos de Levine, Johann, e tantos outros vastos trabalhos existentes mundo a fora, e observando as experiências bem sucedidas de alguns governos, podemos chegar a conclusões que apontam para possíveis boas soluções:

  • Parar de focar no tráfico, no combate da violência com violência. Passar a focar na sociedade e na melhoria da vida dos usuários.
  • Gerar condições de vida que reduzam a necessidade da entrada das drogas na vida das pessoas: erradicação da pobreza, diminuição radical da desigualdade social, melhorar o sistema de saúde, investir em arte e cultura.
  • Melhorar a qualidade da educação em todos os sentidos, e claro, com informação crítica e que conscientize sobre o tráfico de drogas e sobre os danos do uso das mesmas.
  • Descriminalizar ao menos drogas leves, para que o Governo, a Justiça e órgãos públicos, tenham maior controle do consumo da droga e possam ter maior acesso aos usuários, para assim realizarem trabalhos e tratamentos com os mesmos.
    De tabela, enfraquece-se o tráfico, diminuindo a arrecadação destes.

Muito do exposto acima é burocrático, exige mudanças na Constituição Federal, e enfrentará resistência conservadora.
Mas há como iniciar ações rápidas e locais, independentes do Governo Federal. Levine menciona seu livro Fight Back, onde ele aponta ações da própria sociedade e das comunidades para reduzir os problemas com o tráfico.

Ajudar ONGs já existentes, e apoiar o surgimento de novas. Realizar constantemente audiências públicas, com participação da Justiça, promotoria, polícias civil e militar, ONGs, prefeitura, autoridades da saúde e da educação, e representantes de comunidades; e debater possibilidade de melhoria do saneamento básico, da limpeza pública, de ampliar a geração de emprego e aumento salarial, possibilitar a criação de mais áreas e possibilidades de lazer, mais eventos culturais e artísticos, um acompanhamento médico e psicológico, de perto, dos jovens, e tudo mais que lhes traga mais interesse pela vida e perspectivas de felicidade e futuro.


* Para ler entrevista com Michael Levine, com links para seus vídeos e documentos, clique AQUI
* Para ler o artigo de Johann Hari, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui

Colorido_conquista_homossexuaisMuitos de vocês leitores não sabem, mas eu e Celsão temos um acordo democrático: antes da publicação de qualquer artigo nosso, o outro tem que ler, tecer comentários, críticas, e depois aprovar (ou não) para que o outro possa postar. É uma das regras que criamos para melhorar a qualidade de nossos escritos, e evitar que nem um, nem o outro, num deslize, corra o risco de publicar algo que esteja contra os valores e a base ética do outro.

Pois bem, Celsão postou anteontem, no dia 01.07.2015, um artigo sobre os coloridos do facebook em homenagem à conquista dos homossexuais nos EUA (para acessar o post, clique AQUI). Como de costume, li o texto antes de sua publicação, e repliquei ao Celsão por e-mail, fazendo críticas construtivas, e mostrando meus receios quanto ao post. Concordamos então que ele publicaria o texto, e que eu deveria usar o e-mail que lhe enviei para fazer um “post resposta”.

Assim sendo, segue abaixo o e-mail enviado ao Celsão.


Mano, bom dia.

Estamos diante de um assunto complexo, pois está dividido de forma que, de um lado encontram-se posições profundamente progressistas e humanistas, e do outro, a futilidade da sociedade modista e escrava do senso comum.

Os modistas, muitos deles racistas e homofóbicos na prática, colorem suas fotos por ser moda, ou por terem amigos gays que eles gostariam que vissem seu apoio: hipócrita.

Os progressistas e humanistas, em sua maioria colorem suas fotos por verem o país mais poderoso do mundo, de tendência conservadora, extremamente religioso e ortodoxo, e que exerce demasiada influência cultural e ideológica sobre o povo brasileiro, dando um passo democrático e de justiça.

Ora, mas para esses, por que é mais importante os EUA darem um passo, que o Uruguai?
Pois simplesmente é!
Uma coisa é o que idealizamos como mundo ideal, outra coisa é o mundo que existe.

O professor Lopes, meu amigo e meu oráculo, queria um mundo sem igrejas. Assim, ele assume posturas críticas ao Papa e a qualquer membro representante de qualquer igreja, independente do que aconteça. Isso se deve à manipulação ideológica e intelectual que as igrejas exerceram e exercem sobre os povos durante toda a história da humanidade, e por serem elas as maiores responsáveis por guerras e holocaustos no mundo. 
Eu, aprendiz dele, tento passar-lhe meu raciocínio, que, atualmente, pensar em extinguir igrejas é uma utopia impraticável. Por isso, assumindo que o Papa VAI existir, então, melhor que seja um que teça palavras menos radicais e preconceituosas sobre homossexuais, melhor que seja um que ataque o capitalismo e o sistema financeiro, que critique o acúmulo de renda sem controle, e que diga que o problema da pobreza pode ser resolvido entre os homens, e não precise de Deus para tapar o buraco dos pobres.
Ele diz achar meu raciocínio interessante.

Analogamente, se é para haver uma nação imperialista, que domina militar- cultural- e economicamente o mundo, então que essa nação dê cada vez mais exemplos de evolução democrática, nem que seja internamente.

Imagine quantas centenas de milhares, ou milhões de pessoas não foram beneficiadas com esse passo do Governo Americano?!?! Pegando o exemplo onde você, e tantos críticos mencionam o fato de no Brasil já termos desde 2013 o casamento homoafetivo legalizado pelo judiciário, eu preciso te lembrar da simbologia: uma coisa é o pouco conhecido e pouco popular STF se adiantar ao Governo (Legislativo e Executivo) e bater o martelo provisoriamente. Outra coisa é o Presidente da República se pronunciar em nome de toda nação, oficializando uma conquista tanto legalmente quanto ideologicamente. Há aí um abismo, e esse abismo é a distância que existe entre um procedimento burocrático legal e um reconhecimento legal que venha acompanhado de toda a simbologia, coragem e visibilidade que o assunto merece. A simbologia, neste caso, é tão importante quanto a própria conquista, pois somente elas juntas podem levantar a bandeira da conquista. 

Penso que a conquista dos gays americanos deve ser comemorada sim. Tanto por eles, quanto por todos nós. Até porque, mesmo na superpotência há minorias (principalmente lá?), e vitórias como estas devem sempre ser comemoradas.

O seu post é bacana, mas meu medo é o mesmo medo de quase sempre: quem ler, entenderá a crítica seletiva e profunda, ou lerá de forma conservadora e reacionária? Afinal, a maioria das declarações contrárias e críticas à comemoração deste episódio, vieram de reacionários, fascistas, direitistas, e gente que tentou desqualificar essa comemoração, normalmente dizendo que haviam causas mais importantes esperando por nossa comoção, como a fome no mundo (lógico, as pessoas que usaram esses argumentos são classe média ou elite, eleitores de Aécio, e contrários ao Bolsa Família, assim como qualquer programa e ação governamental que visem distribuir renda e trazer dignidade ao povo carente).

Por isso, tenho medo de tais posts. Mas, não acho seu post extremo, nem reacionário. Acho inteligente, e a crítica, se lida da maneira correta, é muito válida. A crítica ao imperialismo e ao quanto algo que acontece nos EUA nos comove, mostrando que somos terreiro destes e precisamos sempre de seu “alvará”, também é super válida e certeira.

Mas….. o meu medo, como de costume, é dos olhos dos leitores, e se estão preparados para “lerem com os olhos certos”, e te entenderem.


por Miguelito Formador

post rarounDeu vontade de manter somente a publicação do colega Raroun como post aqui; tal a sua simplicidade em dar o recado, seu poder de síntese.

Concordamos com a extensão dos direitos civis à comunidade LGBT e com a união legalizada de pessoas do mesmo sexo; Afinal, são pessoas que pagam seus impostos e têm os mesmos deveres de todo cidadão; nada mais justo disfrutar dos mesmos direitos.

Só me espantei, verdadeiramente, com a indisfarçável sincronia entre a aprovação do casamento na terra do Tio Sam (ou “Terra Santa” para os mais alienados) e as cores no Facebook.
Legal. Vamos mostrar que estamos de acordo com o casamento gay, com os direitos civis, que somos contra essa (e outras) discriminações! Nós mesmos colorimos a nossa foto!
Mas… precisava ser após os EUA? Muitos países Europeus possui legislações deste tipo há anos! E a nossa vizinha Argentina garantiu a igualdade de direitos civis a casais do mesmo sexo em 2010 (aqui). E, mesmo nós, tupiniquins e atrasados juridicamente, já extendemos (ao menos) esse direito, já “libertamos” esse grito há algum tempo (achei aqui notícia da aprovação pelo STF no longíncuo 2011)

Essas “ondas” de imitação americana é que me preocupam e entristecem.
Daria para seguir o modelo de desenvolvimento da Coréia, baseado na educação.
Daria para copiar a política de exploração de riquezas naturais do Chile, que privatizou parte da extração, mas guarda uma porcentagem em reservas por saber que as minas de cobre não são eternas.
Daria para se basear no modelo de pequenos financiamentos da Índia, para incentivar pequenos empresários e proprietários de terras, incentivando a agricultura familiar e a pequena propriedade rural.
Daria para buscar no mundo outras referências, menos imperialistas, centralizadoras, nações menos armamentistas e menos racistas (e os Estados Unidos o são, mesmo tendo um presidente negro); nossa referência deveria ser um país mais igualitário!

Sem mais demagogias e delongas, espero de todos os que colorem as fotos não o faça simplesmente por “estar na moda”. Que pratiquem de verdade o exercício da tolerância.

por Celsão correto.

figura retirada do Facebook

opiniãoUm dos princípios dos estudos que tangem a economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura, ou Oferta x Demanda. Esse princípio nos diz que, se há oferta demasiada de um produto X no mercado, o preço deste produto tende a cair. Inversamente proporcional, se há procura demasiada, o preço de X tende a subir.
Dando um exemplo prático: se a maioria dos agricultores de uma cidade começam a plantar milho verde, em um certo momento, não haverá consumidores suficientes para todo o milho produzido e assim este produto começa a “sobrar”. Tentando “eliminar” o excedente, os agricultores começam a reduzir seus preços, visando estimular a venda. Assim, a oferta muito alta, causou a redução do preço.

Pois bem, hoje, felizmente, vivemos em “relativas democracias” na maior parte do planeta, o que garante, à boa parte dos cidadãos, liberdade de expressão. Além disso, a globalização somada ao boom da internet com seus blogs e redes sociais, deu ao indivíduo ainda maiores possibilidades de expressar-se. Temos blogs, vlogs, revistas informais e formais online, youtube, e-mail, redes sociais e muito mais, onde várias milhões de pessoas se expressam diariamente.

Assim configuramos um cenário onde muitas pessoas se expressam simultaneamente, emitindo suas mais diversas opiniões para todos os cantos, gerando uma oferta muito grande deste “produto”. Intelectuais, alienados, tolos, ignorantes, humildes, manipulados, esclarecidos, direitistas, esquerdistas, reacionários, progressistas, conservadores, liberais, todos emitindo informações, uma parte delas metodológicas e científicas, e a maioria que não passam de meras opiniões.

Essa é a “Era das opiniões“. Segundo o filósofo grego Parmênides (530 a.C. – 460a.C.) a opinião (dóxa), é aquilo onde não há nenhuma certeza, mas sim só dúvidas. Assim, as análises baseadas em opiniões são bem distintas das ideias baseadas na observação metódica dos fatos.

A maior parte da sociedade, em muitas circunstâncias, não é capaz de identificar o que é ciência e estudos metódicos, e acabam os colocando na mesma caixinha das “opiniões”. Como na Lei da Oferta e Procura, o produto “opinião”, por ser muito ofertado, acaba perdendo seu valor. Assim, informações de qualidade, números oficiais, estatísticas sérias, estudos acadêmicos, comentários de jornalistas embasados e éticos, são dispersados no meio de um montante de baboseiras, e perdem seu valor. Intelectuais, sábios, cientistas, especialistas e esclarecidos, acabam sendo ignorados pela “massa” de consumo (demanda/procura).

Opiniao_Rachel_SheherazadeIsso é obviamente colaborado pelo fato de termos na maior parte do mundo sistemas educacionais precários, que pouco ou nada estimulam o indivíduo a questionar com senso crítico e objetividade a informação que lhe é oferecida. Assim, ao se deparar com tanta oferta de conteúdo, este indivíduo se perde, não sabendo mais separar o que é bom do que é ruim.
Aliás, falando de “bom e ruim”, penso ser interessante lembrar de uma passagem do documentário Why Beauty Matters do filósofo Roger Scruton:
Em nossa cultura democrática, as pessoas frequentemente pensam ser desrespeitoso julgar o gosto ou a opinião de outros. Alguns se sentem até ofendidos com a sugestão de que existe “gosto bom” e “gosto ruim”… (Leia nosso artigo baseado neste documentário clicando AQUI)

Pois bem, eu concordo com Scruton, há sim muitas questões na vida onde é possível distinguir o ruim, do bom. Assim como há verdades e mentiras, certo e errado, feio e bonito.
É claro que nem sempre existe certo e errado, ou feio e bonito, e há muitas questões que são subjetivas, ou até mesmo tão complexas que é possível haver diversos caminhos plausíveis. Mas temos que analisar cada situação, cada tema, individualmente, para sabermos onde é possível definir verdades e certezas, e onde não é.
Usar o argumento clichê de que “não existem verdades, tudo na vida é relativo”, é um sinal de pobreza intelectual e argumentativa, onde busca-se generalizar tudo, negando a ciência e valores ético-morais. Isso é ruim para o debate, atrasando o avanço intelectual das sociedades. Com essas generalizações vem a negação à ciência. (AQUI uma sugestão de um excelente artigo sobre opiniões e sobre valores de ética-social)

Nesta mesma linha, sabendo-se da desvalorização que as opiniões sofreram nos dias de hoje, estando inclusas aqui informações de cunho metodológico e com propriedade; e sabendo-se que existe um senso comum que afirma não existir “certo ou errado”, chegamos a uma máxima dos tempos modernos: “Respeite minha opinião, pois não existe opinião certa ou errada”. Ou, “todo mundo tem direito de emitir opinião”.
Quem nunca ouviu alguma dessas frases numa discussão no facebook, ou num debate caloroso na mesa do boteco, ou nos comentários de leitores de revistas, ou nos comentários abaixo de algum vídeo no youtube? Aposto que todos, e diversas vezes.
TeletubbiesConheça o método Teletubbies de emitir opinião, clicando AQUI

A questão aqui não é ter o direito ou não de emitir opinião. Todos temos o direito de emitir opinião sim, por mais preconceituosa, alienada, manipulada, desinformada que ela seja.
“Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo“…

A questão é alertar a sociedade, desenvolver um pensamento coletivo crítico no sentido de que, liberdade vem atrelada a responsabilidades. Se a sociedade, o governo, as leis lhe dão liberdade para agir ou falar como bem entender, isso significa que você, à partir deste momento, tem que conhecer os seus limites, os limites do próximo, e ter noção de cidadania e coletividade. Senão alguém vai precisar intervir, contra você, para garantir a liberdade e os direitos dos outros. Afinal, você tem liberdade sim, mas o que acontece quando ela invade a liberdade de outra pessoa? Quem tem mais direito à liberdade?

Portanto, você pode emitir frases racistas, mas tem que ter consciência do dano que você pode estar causando a outrem ao agir assim, e tem que ter conhecimento de suas responsabilidades civis. Você pode sim inventar mentiras sobre alguma pessoa, mas tem que ter consciência que poderá ter que arcar com danos causados a ela. Isso se aplica também aos “curtir e compartilhar” de qualquer tipo de informação que lhe salta aos olhos no facebook. Ao compartilhar um boato ou mentira, difamando e denegrindo a imagem de alguém, além de ser anti-ético, ainda pode lhe gerar processo judicial. Clique AQUI para ler sobre isso.

E aí tem gente que sem nunca ter estudado ou lido nada a respeito de algum assunto, e sem ter qualquer base de conhecimento, se acha no direito de refutar estudos científicos, baseados pura e simplesmente em suas “opiniões”. Muitas vezes, numa inversão de valores, afirmam que a ciência é manipulável e por isso não deve ser acreditada. Regridem séculos na história da evolução do conhecimento humano e afirmam confiar pura e simplesmente em suas observações individuais/sensoriais (empirismo). Desmerecer ou denegrir o método científico (AQUI), baseado em pura opinião, ou mesmo que utilizando-se vagamente de métodos empíricos, é algo extremamente raso, ultrapassado e de prepotência soberba, beirando o abismo do absurdo e da insanidade.
Quem emite opiniões dessa forma, pode e deve exigir sim o direito de fazê-lo, mas pedir respeito às mesmas já é demais.

por Miguelito Formador
figura daqui e daqui

homofobiaEm minha última visita ao Brasil, em abril/maio de 2014, pude constatar o óbvio: alguns discursos e pensamentos não estão presentes somente na internet/redes-sociais, mas na sociedade em “pele e osso” também. Pessoas defendendo posições e pensamentos idênticos, ou muito parecidos, naquele esquema padrão “senso comum”, “desinformação”. Entre vários destes discursos, um dos que mais me chamou a atenção foi aquele sobre homossexuais e a sua “presença” no cotidiano das “outras pessoas”. Eu nunca puxei esse assunto, mas por saberem de minhas ideologias, acho que estas pessoas se sentem “tentadas” a falar comigo sobre o mesmo.

O discurso, entre vários argumentos preconceituosos como, “eu respeito, mas beijar-se em público é falta de respeito para comigo e minha família”, ou “tem que ficar sentado no restaurante lado a lado e de braços dados?”, ou “eles tem liberdade de ficarem juntos, mas precisam querer casar ainda?”, e por aí vai, ainda ressaltava a presença da homossexualidade na mídia. Acho que em unanimidade, todos que vieram falar comigo sobre o assunto, falaram das novelas. Diziam que as novelas estão fazendo propaganda intensa, lavagem cerebral, para a sociedade achar “comum” a existência de homossexuais (e não é?). Meu coração dispara, me esforçando para deixar a pessoa concluir, sem interrompê-la com um jab de direita no queixo.
E por fim vinha o argumento falando que “quase todas as novelas da Globo” têm homossexuais agora.

Bom, ao invés de atender aos meus impulsos que pediam-me para chamar a pessoa de homofóbica, ridícula, fútil, preconceituosa, conservadora do Status Quo, homem(mulher) das cavernas, atrasada, arcaica e coisas do tipo, eu me segurava e levantava algumas coisas óbvias, tipo:

1) Se uma novela tem um ou outro casal homossexual, será que isso é “forçar a barra”, ou é simplesmente a representação da realidade? Afinal, estima-se que mais de 5% da população brasileira seja homossexual ou bissexual assumida, e este número sobe para aproximadamente 10% se contabilizarmos as pessoas que “decidem” não assumir sua verdadeira sexualidade, pelos mais diversos motivos. Será que numa novela onde vemos 50, 100, 150 casais, a existência de 1 ou 2 casais homossexuais representa, ainda que aproximadamente, a vida como ela é, ou estaria na verdade muito abaixo da média? Se for este o caso, a novela não estaria fazendo propaganda da homossexualidade, pelo contrário, estaria ainda defasada e atrasada!
@ahhh, mas teve uma que o protagonista era homossexual… explica isso agora, Miguel!?!?!?
-> Pede para DEUS te explicar, antes de sua próxima encarnação, criatura amaldiçoada. Qual o problema de um gay ser protagonista de uma novela, filme, música, quadro ou poema???

2) E os travestis? Os transsexuais? E os bissexuais? E aqueles que vivem relacionamentos abertos? E as pessoas Poliamor, sejam elas heterossexuais, homossexuais ou bissexuais?
A representação destes “grupos”, a mim, parece ainda estar esquecida, apesar de estarem cada vez mais presentes na sociedade e representarem algo “muito mais que comum”.
Portanto, mesmo as novelas mostrando um pouco dessa sexualidade “menos convencional”, ainda continuam muito atrasadas. Se pensarmos então na opinião daqueles que estão achando as novelas “muito pra frente” neste sentido, aí nem se fala, é arcaica e retrógrada ao extremo.

3) Por fim, você respeita o homossexual, mas longe de você, né? Hipocrisia pura! Você acha que homossexual não pode beijar na boca em público, sequer fazer carinho. Não pode aparecer na novela nem na TV, nem em filmes, e usa como argumento sua “família”, seus “filhos”, como se, ao ver uma mulher beijando outra, ou um homem beijando outro, seu filho(a) fosse, de repente, “virar” gay!
Amigo(a), sinto muito lhe informar, mas se ele for gay, NADA que você fizer mudará isso. Não será a TV, não será o que ele vir em lugar algum. O único jeito de você “curá-lo”, é matando o mesmo, como no filme Orações para Bobby. (Clique AQUI para assistir a esse maravilhoso filme no youtube)

Cansado dessa sociedade que insiste em não evoluir. E tem gente que acha que a questão é política. Tem hora que cansa…..
Não, a questão é moral, ética social, senso crítico, se sentir parte integrante de um TODO, saber que o outro poderia ser você, e compartilhar das dores e anseios dele, como se fossem seus. TUDO, mas TUDO que eu defendo, tem a ver única- e exclusivamente com isso.
E realmente, não tenho mais paciência com gente babaca, pobre de espírito, maldosa, maquiavélica, hipócrita, individualista, dissimulada, desonesta intelectualmente. Recentemente tenho selecionado muito bem quem entra em meu círculo de amizade e de convívio, e pessoas que apresentam tal linha de pensamento estão definitivamente fora! O mundo é composto por 7 bilhões de pessoas, tem muita gente interessante por aí, para perder tempo com gente arrogante e preguiçosa, que desperdiça sua vida em posturas arcaicas.

-> Nossa Miguel, você tá nervoso né?
Querido(a), quem me conhece sabe que estou escrevendo isso tudo feliz da vida, morrendo de rir, e com uma paz interior sem precedentes. Pois não há nada melhor que ter paz na alma, se sentir em harmonia consigo mesmo, entender o movimento do universo e saber entrar em sincronia com ele.
Essas colocações não são emocionais, mas sim racionais e objetivas.

por Miguelito Nervoltado

figura daqui

Violencia X midiaÉ inegável que nossa percepção da violência no Brasil, é de que a mesma tem aumentado substancialmente nos últimos anos.
Até mesmo eu, por passagem de férias no Brasil, tive essa impressão ao ver minha pacata cidade de Ubá vivendo momentos de guerra entre polícia e traficantes, e arrastões no centro da cidade.

Porém, até que ponto nossas percepções/sensações seriam somente pontuais (em nossos estados, cidades, comunidades, ou bairros) e portanto talvez não representem a realidade de toda a Nação? Até que ponto, o cada vez mais claro sensacionalismo midiático não interfere em nossas “impressões”, nos convencendo que a coisa está pior do que realmente é?

Até que ponto somos influenciados por nossos amigos, conhecidos, colegas, que se deixaram cair no desespero propagado pela mídia, e assim acabam nos influenciando com os seus próprios medos? Até que ponto não nos influenciamos uns aos outros?

Sei que é difícil avaliar a “violência” como um todo. A violência é composta por agressões físicas, agressões verbais, assaltos, furtos, ameaças, violência contra a mulher, contra homossexuais, contra negros, contra índios, violência policial, taxa de homicídios, violência no trânsito, e por aí vai… Portanto, precisaríamos avaliar um por um destes componentes. Mas, na minha singela opinião, uma variável que pode nos trazer uma boa ideia da realidade, seria a taxa geral de homicídio. .

Desta forma, fiz uma breve pesquisa e achei um estudo realizado pela Secretaria Nacional da Juventude, vinculada ao Governo Federal. Acesse o mesmo AQUI.
O Documento é extenso, não o li por completo. Mas busquei pontos-chave relacionados ao que eu procurava, e encontrei, na página 21, um gráfico que possui, entre outras informações, a taxa de homicídio em valor absoluto e em percentual (a cada 100.000 habitantes).

Se olharmos o gráfico veremos que do período de 1980 até 1990 (fim da ditadura militar e Governo Sarney), a taxa de homicídio no Brasil subiu de 11,7/100.000 habitantes, para 22,2, ou seja, um aumento de 89,9%.
De 90 até 2000(Collor, Itamar e FHC), subiu de 22,2 para 26,7, aumento de 20%.
E de 2000 até 2011 (fim de FHC, e governo Lula), subiu de 26,7 para 27,1, aumento de 1,6% (ou seja, se manteve praticamente estável, não melhorou, mas também não haveria piorado, como branda a maioria das pessoas).

Conclusão: Esse “absurdo aumento” da violência no Brasil nos últimos anos, pode não ser real, mas sim muito mais fruto de nossas impressões influenciadas, em muito, pela mídia sensacionalista, que além de querer vender notícias (sabendo que o “sangue” vende bem), quer também gerar medo e pânico, o que desestabiliza a sociedade e consequentemente o Governo vigente (e qualquer pessoa com suficiente informação e que seja honesta intelectualmente sabe, que a Grande Mídia brasileira faz dura oposição ao Governo atual). Além disso, o medo gera ansiedade, o que leva ao consumo desenfreado (tão bom para as grandes empresas – elite) o que também é vantajoso para a mídia, que é patrocinada por estas empresas.

Gostaria de salientar que, muitos dirão que estes dados mostrados acima podem ter sido manipulados, afirmação com a qual concordo plenamente. Outros dirão que a polícia deixa de registrar muitos casos de violência e/ou homicídio, a mando dos governos dos estados e prefeituras, ou muitas vezes, por falta de estrutura ou competência. Também concordo com isso.
Mas penso que manipulação de dados sempre houve, e sempre vai haver. E não penso que atualmente essa manipulação seja pior que antigamente. Portanto, mesmo manipulados, os dados científicos vindos de estudos sérios e respeitados, ainda são a melhor forma de nos aproximarmos da realidade.

Vale à pena ao menos refletir sobre isso, não acham?

* Segue aqui o link de um vídeo de apenas 6 minutos, retirado de uma palestra com o filósofo Eckhart Tolle, onde ele fala da violência na mídia, o que isso nos causa, e quais são nossas responsabilidades enquanto seres pensantes para reduzirmos nossa demanda por violência e podridão, e assim, enfraquecermos o negócio tão lucrativo, que é disseminar ódio e futilidades através da mídia. Clique AQUI

* Aqui, dei foco na análise das nossas “percepções, impressões, sensações” a respeito da violência. Por não querer prolongar o texto, não caí em outras abordagens bem diferentes, como por exemplo: Como a violência disseminada pela mídia corrobora diretamente para o aumento da violência efetiva? De tanto presenciar algo, sabe-se na psicologia que este algo acaba se tornando banal. No caso da violência não é diferente. De tanto vermos violência na mídia, acabamos nos tornando mais violentos, e isso acaba por se tornar normal/banal.

por Miguelito Formador

figura retirada daqui