Posts Tagged ‘Síria’

Anjos e Demônios
A notícia a seguir inspirou esse meu texto: Jovem de 21 anos é condenado à decapitação e crucificação na Arábia Saudita (clique para abrir a reportagem)

Ao que parece, a pena foi motivada pela rivalidade política entre o governo e o tio do rapaz. Inclusive, o tio também foi condenado à pena de morte.

Sem jamais querer defender governos como o da Síria, muito longe disso, mas…. por que ouvimos tanto falar, normalmente de forma grotesca, sobre os governos da Síria, de Cuba, da Venezuela, da Coréia do Norte, do Irã, mas raramente, ou nunca, ouvimos falar de governos no mínimo tão cruéis como estes, como é o caso da Arábia Saudita, Israel, Omã?

Inclusive, de uns anos para cá, ouvimos também pouco sobre dois outros países em estado de guerra civil e horror social: Afeganistão e Iraque.

Bush confessou que se “equivocou” achando que havia armas químicas no Iraque. Armas Químicas foram o argumento principal que justificou a invasão daquele país. Mesmo assim, os EUA continuam lá, em guerra e gerando guerra civil. Por que? E a vida da população do Iraque, assim como a economia do país, melhorou ou piorou depois da invasão da OTAN e EUA?

Lembremo-nos que Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe de Estado apoiado pelo governo americano. Os EUA por sua vez financiaram tal golpe, para garantir, através do Iraque, seus interesses militares, geográficos e econômicos sobre/contra o Irã. Anos mais tarde Saddam resolveu quebrar o pacto com os EUA, pois queria mais independência e nacionalismo em seu país. A partir deste dia começou o trabalho de lavagem cerebral midiático ocidental/americano na sociedade mundial para transformar a figura de Saddam em um diabo personificado.

No Afeganistão a estória não é diferente. Os atentados no World Trade Center e no Pentágono em 2001 abriram as portas para a invasão do país. Teoricamente, há uma confissão do Talibã (Osama Bin Laden) assumindo a autoria do atentado. Mas afinal, esta confissão existe? Quem garante que foi Osama Bin Laden o homem que falava nos vídeos? Quem garante que essa confissão divulgada em canais de TV através de um “vídeo amador” não é uma montagem cinematográfica?

Os EUA financiaram o Talibã para que esse expulsasse a Rússia do território afegão, e assim surge a figura de Bin Laden, ex-agente da CIA, contratado para trabalhar para os EUA em seus interesses naquela região. Mais tarde ele haveria de se voltar contra os EUA por motivos parecidos com aqueles que motivaram Saddam a se rebelar contra os americanos.

Inclusive, o que não falta é documentário, livros, documentos e artigos que mostram as centenas de discrepâncias e contradições das descrições e dos relatórios oficiais sobre este atentado nas Torres Gêmeas. Muitas provas e lógicas racionais indicam envolvimento direto de agentes americanos, do governo e do exército americano, neste atentado.

Mesmo assim, EUA invadiram o Afeganistão, e por causa de algumas centenas de pessoas mortas no atentado das Torres Gêmeas, justificaram uma invasão que matou dezenas ou centenas de milhares de civis afegãos. O país, que já era um caos, hoje é um inferno. Difícil até dizer que há algum tipo de governo lá. A miséria é generalizada, desemprego acima dos 40%, e o risco é constante de morrer em um tiroteio ou bombardeio.

Segundo relatórios e documentos, o Afeganistão é responsável por 80% da produção de ópio do mundo, e é o maior fornecedor de drogas derivadas do ópio para Europa e Ásia. (Clique AQUI para relatório da ONU)

Esse ópio produzido no país é responsável por aproximadamente 90% da heroína mundial. O negócio das drogas é responsável por 50% do PIB do Afeganistão. Em 2001 o Talibã proibiu a produção de papoula (ópio) no país. “COINCIDENTEMENTE” em 2001 o Afeganistão foi invadido pelas tropas dos EUA e da OTAN. Desde então a produção de papoula mais do que dobrou.

(Leia mais sobre esse assunto clicando nos artigos do Viomundo, BBC e Folha: AQUI, AQUI e AQUI)
(E AQUI para ler um texto nosso sobre drogas, onde falamos um pouco do envolvimento dos EUA e da CIA com o tráfico de drogas no mundo)

A Síria de Assad está sendo bombardeada, neste momento, pelas tropas da OTAN, liderados pelos franceses, americanos, ingleses e alemães. Justificativa para bombardear o país, destruindo as tropas do governo e matando civis? Ora, os atentados terroristas em Paris.

Curioso pensar que devido a atentados terroristas, supostamente realizados por rebeldes islâmicos da Síria, o país seja atacado enquanto Nação.
O provável desfecho desta guerra na Síria será: assassinato de Assad, empossamento de algum presidente ou ditador que agrade o ocidente (EUA e Europa), e consequente controle do ocidente sobre o petróleo do país e de sua rota ao mar.
(Para não prolongar-me em demasia neste assunto, indico AQUI um post recente nosso onde publicamos um texto juntamente com um vídeo no youtube, ambos muito didáticos, e que visam explicar os interesses geográficos e econômicos na Síria e no Oriente Médio)

Em paralelo a isso, a Venezuela acaba de passar por um processo eleitoral do Legislativo onde o partido de Maduro foi derrotado, de forma bastante esmagadora. Maduro, mais que rapidamente, foi a público confirmar os resultados, e disse que o momento é de juntar forças para que a Venezuela volte a tomar o rumo do progresso. (Leia AQUI)

Lição de respeito à democracia, que deveria ser seguida por alguns políticos brasileiros na atualidade, os quais não aceitam a sua própria derrota ou a derrota de seus aliados, e buscam a todo modo dar um golpe de Estado e retirar do poder através de impeachment a presidente, eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros.

Enquanto isso, vamos acreditando que Assad, Fidel Castro, Maduro, são demônios que produzem as ditaduras mais perversas existentes no Mundo. Vamos acreditando, como sempre fazemos, e gracas à nossa incapacidade de sermos críticos, o mundo vai rodando em volta das mesmas barbaridades, num ciclo vicioso.

por Miguelito Formador

Montagem feita com figuras dos seguintes links: aqui, aqui, aqui e aqui

Armas químicas na Síria

Armas químicas na Síria

O projetor é ligado. No telão do cinema, os espectadores comem, inertes, sua pipoca e tomam sua coca-cola gelada, de preferência, sem rato. A expectativa é grande, espera-se muita emoção, afinal, todo o filme de guerra proporciona emoções em demasia, e o choque, em alguns mais sensíveis.

O filme começa. O cenário é o Oriente Médio; o país em foco é a Síria. Nas primeiras cenas do filme. Numa sequência de rápidas cenas, mostram-se as instabilidades políticas e sociais do país e da região nas últimas décadas. Vemos conflitos, o rodapé da tela mostra a frase “guerra pela unificação de Egito e Síria. Década de 50“. A união fracassa. Um grande opositor à união, Hafez al-Assad, é nomeado chefe das Forças Aéreas, e o rodapé volta a mostrar “anos 60”. Novos conflitos: “Guerra dos 6 dias”. A Síria é derrotada, perdendo parte de seu território.

“1970”, o Assad dá um golpe de Estado, e assume o poder. Alia-se ao Egito, e começam uma guerra contra Israel. Perdem a guerra. Em Israel, a bandeira americana aparece triunfante balançando ao vento. Vemos cenas do ditador sírio apertando as mãos do ditador soviético, o que remete os telespectadores à Guerra Fria. Outras guerras sucederam-se, como a ocupação do Líbano, ainda na década de 70.

2000″. O presidente sírio tem um ataque cardíaco e morre. Assume a presidência seu filho, Bashar al-Assad. Este aparece em várias cenas discursando e sendo louvado pelo povo. No passar das cenas, entendemos que a euforia do povo havia passado, e volta a instabilidade social.

“2010”. Vemos clima de tensão, dessa vez, no Irã. EUA e aliados ameaçam invadi-los, acusando-lhes de estarem a enriquecer urânio para produzirem bomba nuclear. A interferência diplomática de alguns países evita uma guerra que poderia ser catastrófica. Os anos avançam, no rodapé “2010/2011”. Vemos greves, rebeliões e conflitos militares entre povo e exército. As bandeiras aparecem: Tunísia, Egito, Líbia, entre outras. “Primavera Árabe”. De repente, voltamos à Síria, o presidente discursa dizendo que não será fraco como seus vizinhos, e resistirá com todas as forças à qualquer tentativa de golpe.

A tela escurece, 10 segundos de silêncio. O filme recomeça a rodar em velocidade normal.

“2011/2012”. Vemos intensos conflitos na Síria. Vemos grupos rebeldes de extremistas islâmicos, conspirando e realizando investidas, atentados. A comunidade internacional pede intervenção na Síria, a qual não ocorre. Os conflitos continuam, em ondas, hora mais intensas, hora menos.

“2013”, “arma química lançada contra civis em território sírio”. Vemos cenas fortes, centenas de pessoas mortas, entre elas muitas crianças. A mídia ocidental, mais que depressa, anuncia: Assad usa armas químicas contra civis. Em seguida mencionam que Obama discute a possibilidade de invadir a Síria. Começam pressões internacionais, inclusive da ONU, pedindo que antes de se decidir por uma invasão, seja ao menos investigado quem foi o responsável pela utilização das armas químicas.

Uma equipe da ONU vai até a Síria com o consentimento do governo deste país, e ao chegar ao local onde a arma foi utilizada, são recebidos por tiros. O governo americano acusa o governo sírio. As análises da equipe da ONU prosseguem mesmo assim. Eles confirmam que foi utilizada arma química, mas não conseguem concluir quem a utilizou. Além disso, sugerem que autoria poderia ser dos rebeldes, lembrando que estes já utilizaram armas químicas anteriormente.

O presidente Obama e sua chapa da OTAN ignoram a falta de provas, e buscam apoio em seus legislativos para invadir a Síria. O clima esquenta. Alguns países voltam a se manifestar, dizendo que um ataque à Síria sem provas seria um equívoco e demonstração clara de interesses imperialistas. O Irã diz que se a Síria for atacada, eles (Irã) atacarão Israel, que virará pó! A Rússia diz que auxiliará o Irã, além de atacar a Arábia Saudita (aliado americano). Os rebeldes iraquianos dizem entrar na briga para apoiar a Síria, e que farão ainda mais atentados contra os americanos no Iraque.

E assim, o filme termina.

Não, o filme não acaba, pois não é filme, mas sim, vida real. A história se repete, e a força deixa a história mal contada. Criam-se álibis, a verdade é distorcida, manipula-se a opinião pública, e uma nova guerra se inicia sem que a maior parte do mundo tome conhecimento dos reais motivos da mesma: Dinheiro! Foi assim no Iraque, no Afeganistão, no Irã, e em vários outros conflitos no decorrer da história. Agora, a bola da vez é a Síria.

O discurso da chapa ocidental, liderada pelos EUA, é sempre o mesmo, com ar de “polícia do mundo”, e que querem levar democracia para os outros países. Balela! Aqui estamos a tratar do domínio geográfico do Oriente Médio, maior fonte de petróleo do mundo. Só que desta vez, a guerra pode tomar proporções maiores. Estamos vivendo na iminência de uma Terceira Guerra Mundial.

EUA já controlam, ou têm o apoio da Turquia, Arábia Saudita, Israel, Egito, Jordânia, Qatar, entre outros. Para ter o controle praticamente total de região, resta-lhes controlar a Síria e o Irã, que são os governos mais fortes não aliados.

Enquanto isso, nós cidadãos estamos sentados comendo pipoca e tomando coca-cola, de preferência, com rato. Continuamos nos preocupando com coisas banais de nossas vidas, e damos pouca, ou nenhuma atenção ao fato de que uma Terceira Guerra Mundial pode estar prestes a acontecer, e todos nós, e nosso planeta como um todo, corremos enormes riscos.

por Miguelito Formador