Posts Tagged ‘terrorismo’

Outros Setembros

Posted: September 27, 2016 in Outros
Tags: , , ,
11162237501418Quando alguém do meio do século XXI abrir livros de História os capítulos começarão todos pela data ocorrida nesse mês: 11 de setembro.
Neste dia, em 2001, o mundo civilizado pediu paz e começou uma guerra que já dura 15 anos.

Foi bonito ver líderes mundiais, comovidos, uníssonos, circunspectos, solidários, pedindo, implorando e até mesmo impondo a paz. Mas os pedidos de paz foram encaminhados para o endereço errado. Não é o fanático que nasceu num gueto, nem o miserável guerrilheiro desdentado que resolveu ser terrorista, o grande fomento de violência.

Ou vocês acham que os miseráveis, os excluídos, os sem-terras, os repatriados, os espoliados, os humilhados e os condenados a viverem sem razão, barrados na grande festa da prosperidade que o mundo globalizado e neoliberal promove para 20% da população mundial que desfruta dos bens e serviços que a modernidade propiciou não querem a paz?

Os pedidos de paz deveriam ser direcionados para os banqueiros que não pagam impostos, aos latifundiários que escravizam e matam camponeses, aos laboratórios e aos planos privados de saúde que fazem a regra do jogo, à televisão com sua programação de violência e mentira. Os pedidos de paz deveriam envergonhar os governantes desonestos, o administradores corruptos, os juízes comprometidos; deveria mudar os “bispos” com letras minúsculas que roubam dízimo de operárias e operários, sensibilizar a polícia barbárie que assusta mais do que acalma.

A retaliação poderia atingir também o protecionismo, os embargos econômicos, a remessa de lucros, a mão de obra barata das multinacionais, o descaso com o meio ambiente, a submissão de governantes pouco éticos e a arrogância dos xerifes da terra.

É claro que até esses querem a paz, mas são eles que fabricam a miséria e a violência. Se quisermos realmente a paz deveríamos tentar distribuir a riqueza do mundo, estender a todos os benefícios dos avanços tecnológicos; partilhar as descobertas científicas, sonhar junto a utopia de uma sociedade justa e igualitária com bom senso.

Não existe violência (ou quase não) onde há prosperidade.
Não há prosperidade sem justiça social. Sem justiça social, não há nada, não há nada, não há nada. Só radicalismo, fundamentalismo, lamentações e entulho arrastado.

por Raul Filho

figura retirada daqui

Baghdad

Peço a atenção de vocês para este desabafo longo. Penso ser de vital importância, e por isso convido nossos leitores a lê-lo até o fim.

Todos vocês já notaram, pelo menos superficialmente, como funciona propaganda e marketing em cadeia na internet, não é mesmo?

Por exemplo, você abre um site como Amazon, ou Mercado Livre, e olha computadores. Quando você abre o Facebook, tem propaganda de computador na lateral do Face sendo anunciado para você.
Essas empresas, como Amazon, Ebay, Mercado Livre, e qualquer outra de venda online, pagam ao Facebook para que os produtos deles sejam mostrados para os usuários, e claro, com uma inteligência de rastreamento ferrada, que direciona os produtos certos para as pessoas certas.

O mesmo acontece quando você abre o youtube, ou outros diversos sites da internet. Através de um Data Mining eficiente, a maioria dos sites podem te rastrear, analisam seu perfil e fazem chegar até você EXATAMENTE aquilo que você QUER !

Não é crítica, nem elogio. Tampouco é uma análise ideológica, ou de opinião. Estou relatando um fato concreto, matemática e inteligência digital sendo usada para fins de marketing e propaganda, consumo.

Da mesma forma, se você tem um blog ou um site, você pode pagar ao Facebook, ao google, etc, para que seus posts, artigos, fotos, etc, sejam “divulgados” como prioridade. Por exemplo, um blog que não paga pelo serviço, é difícil ser encontrado no google. Este é o caso do meu blog, Opiniões em Sintonia Pirata. Você pode digitar no google várias palavras-chave de algum artigo do meu blog, e com muita sorte, o artigo aparecerá na 4°, 5° página.
Diversos outros artigos, de outros sites, que nem possuem todas aquelas palavras-chave no texto, aparecerão antes do meu artigo, o qual você procura. Isso acontece, principalmente, por eles pagarem o serviço, e assim, o google empurra o site deles na frente da lista.

No Facebook eu posso pagar para aumentar o “alcance” dos meus posts do blog, ou até posts pessoais (nunca o fiz, pois meu blog não tem fins lucrativos, pelo contrário, temos uma despesa de 99 dólares por ano, num perfil “TOP”, que nos permite, basicamente, bloquear anúncios em nossa página, e não ganhamos 1 centavo – só fazemos isso, pois eu e Celsão temos a utopia e esperança de estarmos ajudando a sociedade).
Se eu pagar, o Facebook usará ferramentas inteligentes para que mais pessoas, com interesses parecidos, ou com amigos em comum, ou que curtam as mesmas páginas que eu, ou ou ou, tenham contato com o meu post. De repente, o meu blog começará a aparecer ao lado direito do Facebook alheio, ou o Facebook te sugerirá curtir meu artigo, ou minha página, mesmo você não sendo meu amigo no Face.
Isso se chama “impulsionar”.

Por que estou falando tudo isso?

Bom, na época do atentado em Paris, escrevi uma crítica bem diplomática, onde eu explicava porque as pessoas se comovem, mudam fotos, colocam as cores da bandeira, quando uma tragédia ocorre na França, na Alemanha, na Bélgica, nos EUA, etc…. mas quando a tragédia é na Síria, Iraque, Bangladesh, Nigéria, Venezuela, Afeganistão, etc, ou a pessoa nem fica sabendo, ou, se fica sabendo no máximo diz “nossa, que absurdo, que triste”, e no dia seguinte já esqueceu.

Na época expliquei que, a culpa direta não é do cidadão comum, apesar do cidadão comum também ter sua parcela de culpa indireta (explico no fim do texto). Mas o principal culpado para essa indignação e tristeza seletiva é a alienação, e a manipulação exercida por aqueles que detêm os meios de comunicação, e os usam em interesse próprio.

Explicando melhor.
Assim como quando alguém quer anunciar um produto, ele paga por isso, faz seu marketing, as notícias também precisam de financiamento. Quando terroristas islâmicos invadem um jornal francês e matam quase todos da redação, há centenas de diferentes interesses por trás de tal tragédia, por exemplo:
1) países poderosos e imperialistas veem neste episódio a oportunidade de conseguir comoção popular e assim, enfim, legitimar uma possível invasão militar em algum país de onde, “teoricamente”, vêm os terroristas.
2) Um atentado no metrô de Londres pode ser usado pelos grandes jornais do mundo ocidental para conseguir muito IBOPE. Ao encherem os noticiários com aquelas notícias, cobertura ao vivo, etc, lucrarão ainda mais com as propagandas.
3) Fabricantes de armas podem patrocinar a divulgação intensa de certo atentado, para que as pessoas se sintam inseguras, e comprem armas. E claro, no caso de uma invasão militar (item 1), eles irão vender mundos de armas – dinheiro fácil.
4) Políticos com popularidade baixa podem usar tais tragédias para criar um sentimento de “comoção nacional”, o que gera UNIÃO. O resultado desta união é o desvio do foco, fazendo a população esquecer a insatisfação para com o governo. Isso pode até aumentar sua popularidade.

Eu poderia citar muitos outros exemplos aqui, dos interesses que estão envolvidos por trás de tais episódios.
Outro ponto importantíssimo é que estes políticos, fabricantes de armas, meios de comunicação, empresas, etc, podem eles mesmos, armar, organizar e/ou financiar um atentado terrorista, para atingirem seus objetivos. Neste caso, eles podem fazer um acordo com algum grupo radical terrorista, e facilitar e organizar o atentado; como também podem eles mesmos praticarem o atentado com as próprias mãos, e depois adulterarem as provas e manipularem as informações, fazendo parecer que o atentado foi causado por um grupo de terroristas (por exemplo, islâmico). Isso já deixou de ser teoria da conspiração, afinal documentos do Wikileaks e da NSA mostram que essa prática é real, e corriqueira.

Onde quero chegar?

Se você não muda sua foto de Facebook para as cores da bandeira de Bangladesh. Tampouco escreve diariamente sua revolta para com os ataques à Síria. Nem traz para suas discussões em mesas de bar a guerra do Iraque, que perdura até hoje, justificada por presença de armas químicas, e posteriormente gerando um pedido de desculpas do próprio G. W. Bush dizendo que se enganou e que no Iraque não haviam armas químicas. Se você nunca parou para refletir por que a produção de drogas no Afeganistão quase triplicou desde que os EUA, França e Inglaterra invadiram aquele país, e por que eles até hoje não conseguiram implantar um sistema democrático e gerar paz, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem entre Israel e Palestina, nem, nem nem…..

Nunca parou para refletir que, nos últimos 50 anos, todas as guerras que ocidente iniciou na África e Ásia, sempre com o pretexto de levar “democracia” e “paz” para aqueles países, NUNCA geraram paz, nem democracia naqueles países, mas somente mais dor, mais pobreza, mais caos! (dê-me um exemplo como exceção, eu não conheço.)
Se você sequer toma conhecimento das quantas vezes por semana, grupos terroristas, lutas entre grupos de guerrilha, guerras e massacres (quase sempre financiados por empresas e governos das potências ocidentais), ataques de potências mundiais, geram centenas de mortes semanalmente em países da África, Ásia e América do Sul.

Se você pensa no máximo uma vez por mês, quiçá uma vez por semana, nos milhões de refugiados de guerra, que chegam em condições precárias na Europa, buscando fugir do inferno de suas vidas em seus países. Morrem nas fronteiras, por frio e por fome. Morrem afogados em naufrágios na tentativa de cruzar o mar. E quando alojados, vivem com uma esmola de ajuda de custo, e em muitos países, vivem somente com a ajuda de ONGs e doações.
E se, quando pensa nestes refugiados, logo diz “mas eles tem que resolver o problema nos países deles, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, EUA, não têm nada a ver com isso. A Europa não é OBRIGADA a aceitar essa imigração desenfreada. A Europa conquistou sua estabilidade, eles que conquistem a deles”.

Isso tudo não é culpa direta sua. A culpa disso é do SISTEMA.
O Sistema não se interessa em gerar uma comoção e revolta sua, quando o problema é num país pobre, pouco conhecido, e principalmente, quando este país tem uma política de resistência a este mesmo sistema ocidental. Por isso, os jornais e revistas não dão a devida cobertura. Por isso, o Facebook não disponibiliza aplicativos para você mudar a cor da foto. Por isso, ao procurar no google, os melhores artigos sobre tais fatos não serão listados no topo da lista. Por isso, seus amigos falarão pouco disso, o que gera pouca reação em cadeia, e tal notícia chegará de forma superficial e rala até você, se chegar.
Quem manda na informação e quem detêm o poder do Capital, não está interessado em “Impulsionar” tais verdades.

Tudo isso é assim, pois há motivos e interesses MUITO CLAROS por trás, interesses que determinam o que deve nos revoltar, e o que deve ser esquecido por nós. Determinam o que devemos ter conhecimento, e o que não deve chegar até nós.
E assim, manipulam o nosso saber, e nos fazem pensar exatamente da maneira que ELES querem que pensemos.

E por que temos culpa indireta?
Ora, pois somos seres pensantes. Se você tiver interesse, se você resolver conscientemente ativar o pininho do “humanismo”, da “ética”, da “solidariedade”, do “não-comodismo”, do “pensamento crítico”, da “sensibilidade generalizada”, do “auto-combate” contra o próprio orgulho, da “predisposição para construir novos valores” e “rever opiniões e formas de pensar”, dentro de você, e escolher por ABRIR SEUS OLHOS, você deixará de ser tão facilmente manipulado, e terá mais chances de entender o mundo, e fazer sua pequena parte para que este planeta se torne um lugar melhor no futuro, para nossos filhos, netos, bisnetos, etc…..

Mas enquanto você aceitar passivo que “ah, é assim, não posso mudar nada”, ou disser “ah, não é culpa minha, pelo menos demonstro minha tristeza e revolta com as mortes na França”; você estará abastecendo esse marketing predatório, imperialista, escravagista, que faz com que as riquezas do mundo, que são muitas, sejam concentradas nas mãos de menos de 0,001% da população do mundo, e que mais de 50% do mundo passe fome, ou viva em áreas de guerra.

E sim, junto com nossa falta de interesse, vem a questão do TEMPO. Sempre dizemos que “poxa, até entendo isso que você está dizendo, mas não tenho tempo de me informar a esse ponto”.
Eu digo: No mundo atual, globalizado e digital, ninguém tem tempo! Ninguém. Mas tempo a gente não tem, tempo a gente ARRUMA! Basta definir prioridades em sua vida, e bingo, achou tempo.

Obviamente, a falta de tempo é também um dos mecanismos do sistema para que não nos informemos, não nos preocupemos, não nos interessemos. Te sugam com cargas diárias de trabalho de 8 a 12 horas. Depois temos que malhar, fazer esporte, fazer compras, arrumar o equipamento estragado, visitar o amigo, cuidar da família, cozinhar, pagar impostos, resolver burocracias idiotas, pesquisar não sei o que na internet, programar as próximas férias, etc…. e nunca sobra tempo para pensar nas barbaridades do mundo.
A falta de tempo é uma das estratégias do opressor, para nos alienar. Simples assim!
Então, arrume tempo. Se interesse.
Sem sua participação, o mundo não vai melhorar, pelo contrário.

Sim, sinta-se mal, pois suas mãos estão sujas deste sangue.

* Aqui, um vídeo crítico sobre o ataque em Baghdad, e a ausência de solidariedade e revolta mundo afora com relação ao ocorrido. 
* E Aqui, um experimento muito bacana e didático, mostrando a força da publicidade e do dinheiro nas redes sociais. 

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio vídeo do youtube

 

Blog_TerrorismoTerrorismo é terrorismo quando aplicado a minorias?
Acho que essa é uma das perguntas polêmicas que o senhor Donald Trump se fez logo que tomou ciência do atentado do final de semana contra gays que estavam numa em Orlando.

Ora… o combate ao terrorismo é uma bandeira de todo e qualquer pré-candidato à Casa Branca nos últimos anos. Acredito até que seja tema obrigatório nos debates, após o onze de Setembro de 2001.
E muitos poderiam afirmar que extremistas do Estado Islâmico apenas reforçam o discurso bélico da extrema direita, ou seja, reforçam uma candidatura como a de Donald Trump.

Se Trump fosse presidente, talvez as duas ou três “entrevistas interrogatórias” feitas pelo FBI ao atirador Omar Mateen tivessem terminado em prisão preventiva. Talvez os Estados Unidos vivessem num constante Estado de Vigilância desgastante e opressor. Mas talvez houvesse realmente algum êxito na prisão dos milhões de muçulmanos; ou não-protestantes, se expandirmos a provável rotulação e discriminação em relação a religião, que Trump prega contra os “diferentes”.

E quanto aos gays?
Certamente não haveria uma boate famosa chamada Pulse. Ou ao menos as festas na boate não teriam divulgação na internet. Seriam festas de um submundo acanhado, de um grupo perseguido.
Se estendermos a análise à festa latina, celebrada naquela noite, a situação pioraria, pois os latinos também seriam perseguidos por Trump; mesmo quando héteros, brancos e protestantes!

E o que fazer quanto às armas, vendidas livremente em boa parte dos Estados Unidos?
Elas são importantes para que se garanta o direito (individualista) da liberdade e da propriedade. Inerentes a todo americano pleno de sua cidadania (risos).
Talvez a solução fosse vender armas somente a americanos brancos, sem antecedência imigratória até a terceira geração. Já que o atirador e terrorista Omar Mateen era americano, nascido em Nova York!

O que será que mais dói na mente de um extremista de direita? Na mente de um Donald Trump, de um Bolsonaro, de um Malafaia…
Os gays que se beijam em público, se casam e decidem adotar e educar filhos?
Os muçulmanos que adoram “outro Deus” e distorcem uma desvirtuada família e uma religião “perfeita”?
Os outros forasteiros estrangeiros, que, na maioria das vezes, distorcem o próprio sentido do “sonho americano”, do individualismo típico, enviando dinheiro a seus países de origem ou mesmo trazendo os familiares para  compartilhar o mesmo teto e condições?
Os que usufruem de assistencialismo?

E ainda mais fundo: qual seria a escolha de Trump (ou de Bolsonaro) numa eventual consulta policial no meio da madrugada, após as primeiras notícias sobre o atentado?
Talvez explodir toda a área. Trágico, não?

São perguntas de intrincada análise.
Da mesma forma que são muitos os “se’s” levantados aqui. Condições que espero nunca serem atingidas.

Para concluir, quero trazer para o Brasil e fugir (talvez muito) do tema “Terrorismo”…
Um dos fatos a pensar é que a crise política que vivemos pode trazer a cargo uma crise de representação: o povo percebendo que não é representado por nenhum político ou partido.
Tal crise, reforça muitas vezes uma fragmentação: podem aparecer muitos candidatos diferentes, como na eleição de 1989, que teve vinte e tantos candidatos (aqui).
E, em meio à estas “forças divididas”, pode ocorrer o surgimento de um Bolsonaro, de um Enéas, de um Tiririca, trazendo a negação do atual, a insatisfação. E nessa insatisfação pode-se colocar no poder alguém que seja contra gays, negros, umbandistas, refugiados do Haiti, pobres…

E usando talvez o nome de um Deus distorcido. Usando desculpas armamentistas. Gerando violência com aumento de prisões e redução de maioridade penal.
Um governo que talvez tomasse ações em nome de uma soberania, de uma “liberdade” que desnudada seria apenas a manutenção do status-quo de uma elite (política e apolítica).

por Celsão correto

figura retirada daqui.

Anjos e Demônios
A notícia a seguir inspirou esse meu texto: Jovem de 21 anos é condenado à decapitação e crucificação na Arábia Saudita (clique para abrir a reportagem)

Ao que parece, a pena foi motivada pela rivalidade política entre o governo e o tio do rapaz. Inclusive, o tio também foi condenado à pena de morte.

Sem jamais querer defender governos como o da Síria, muito longe disso, mas…. por que ouvimos tanto falar, normalmente de forma grotesca, sobre os governos da Síria, de Cuba, da Venezuela, da Coréia do Norte, do Irã, mas raramente, ou nunca, ouvimos falar de governos no mínimo tão cruéis como estes, como é o caso da Arábia Saudita, Israel, Omã?

Inclusive, de uns anos para cá, ouvimos também pouco sobre dois outros países em estado de guerra civil e horror social: Afeganistão e Iraque.

Bush confessou que se “equivocou” achando que havia armas químicas no Iraque. Armas Químicas foram o argumento principal que justificou a invasão daquele país. Mesmo assim, os EUA continuam lá, em guerra e gerando guerra civil. Por que? E a vida da população do Iraque, assim como a economia do país, melhorou ou piorou depois da invasão da OTAN e EUA?

Lembremo-nos que Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe de Estado apoiado pelo governo americano. Os EUA por sua vez financiaram tal golpe, para garantir, através do Iraque, seus interesses militares, geográficos e econômicos sobre/contra o Irã. Anos mais tarde Saddam resolveu quebrar o pacto com os EUA, pois queria mais independência e nacionalismo em seu país. A partir deste dia começou o trabalho de lavagem cerebral midiático ocidental/americano na sociedade mundial para transformar a figura de Saddam em um diabo personificado.

No Afeganistão a estória não é diferente. Os atentados no World Trade Center e no Pentágono em 2001 abriram as portas para a invasão do país. Teoricamente, há uma confissão do Talibã (Osama Bin Laden) assumindo a autoria do atentado. Mas afinal, esta confissão existe? Quem garante que foi Osama Bin Laden o homem que falava nos vídeos? Quem garante que essa confissão divulgada em canais de TV através de um “vídeo amador” não é uma montagem cinematográfica?

Os EUA financiaram o Talibã para que esse expulsasse a Rússia do território afegão, e assim surge a figura de Bin Laden, ex-agente da CIA, contratado para trabalhar para os EUA em seus interesses naquela região. Mais tarde ele haveria de se voltar contra os EUA por motivos parecidos com aqueles que motivaram Saddam a se rebelar contra os americanos.

Inclusive, o que não falta é documentário, livros, documentos e artigos que mostram as centenas de discrepâncias e contradições das descrições e dos relatórios oficiais sobre este atentado nas Torres Gêmeas. Muitas provas e lógicas racionais indicam envolvimento direto de agentes americanos, do governo e do exército americano, neste atentado.

Mesmo assim, EUA invadiram o Afeganistão, e por causa de algumas centenas de pessoas mortas no atentado das Torres Gêmeas, justificaram uma invasão que matou dezenas ou centenas de milhares de civis afegãos. O país, que já era um caos, hoje é um inferno. Difícil até dizer que há algum tipo de governo lá. A miséria é generalizada, desemprego acima dos 40%, e o risco é constante de morrer em um tiroteio ou bombardeio.

Segundo relatórios e documentos, o Afeganistão é responsável por 80% da produção de ópio do mundo, e é o maior fornecedor de drogas derivadas do ópio para Europa e Ásia. (Clique AQUI para relatório da ONU)

Esse ópio produzido no país é responsável por aproximadamente 90% da heroína mundial. O negócio das drogas é responsável por 50% do PIB do Afeganistão. Em 2001 o Talibã proibiu a produção de papoula (ópio) no país. “COINCIDENTEMENTE” em 2001 o Afeganistão foi invadido pelas tropas dos EUA e da OTAN. Desde então a produção de papoula mais do que dobrou.

(Leia mais sobre esse assunto clicando nos artigos do Viomundo, BBC e Folha: AQUI, AQUI e AQUI)
(E AQUI para ler um texto nosso sobre drogas, onde falamos um pouco do envolvimento dos EUA e da CIA com o tráfico de drogas no mundo)

A Síria de Assad está sendo bombardeada, neste momento, pelas tropas da OTAN, liderados pelos franceses, americanos, ingleses e alemães. Justificativa para bombardear o país, destruindo as tropas do governo e matando civis? Ora, os atentados terroristas em Paris.

Curioso pensar que devido a atentados terroristas, supostamente realizados por rebeldes islâmicos da Síria, o país seja atacado enquanto Nação.
O provável desfecho desta guerra na Síria será: assassinato de Assad, empossamento de algum presidente ou ditador que agrade o ocidente (EUA e Europa), e consequente controle do ocidente sobre o petróleo do país e de sua rota ao mar.
(Para não prolongar-me em demasia neste assunto, indico AQUI um post recente nosso onde publicamos um texto juntamente com um vídeo no youtube, ambos muito didáticos, e que visam explicar os interesses geográficos e econômicos na Síria e no Oriente Médio)

Em paralelo a isso, a Venezuela acaba de passar por um processo eleitoral do Legislativo onde o partido de Maduro foi derrotado, de forma bastante esmagadora. Maduro, mais que rapidamente, foi a público confirmar os resultados, e disse que o momento é de juntar forças para que a Venezuela volte a tomar o rumo do progresso. (Leia AQUI)

Lição de respeito à democracia, que deveria ser seguida por alguns políticos brasileiros na atualidade, os quais não aceitam a sua própria derrota ou a derrota de seus aliados, e buscam a todo modo dar um golpe de Estado e retirar do poder através de impeachment a presidente, eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros.

Enquanto isso, vamos acreditando que Assad, Fidel Castro, Maduro, são demônios que produzem as ditaduras mais perversas existentes no Mundo. Vamos acreditando, como sempre fazemos, e gracas à nossa incapacidade de sermos críticos, o mundo vai rodando em volta das mesmas barbaridades, num ciclo vicioso.

por Miguelito Formador

Montagem feita com figuras dos seguintes links: aqui, aqui, aqui e aqui

Síria_FrançaA Roda Viva da história vai girando, causando perplexidade e assombro nos incautos. Para quem conhece – só um pouquinho – a história do Oriente Médio, o cenário atual, o mais complexo das últimas décadas, não causa assim tanta estranheza, ainda que grupos como o ISIS verdadeiramente nos assustem.

Ora, a região vem sofrendo com as intervenções políticas e militares desde o colapso do Império Otomano. Num breve resumo, assistimos:

– O 1º ministro Mossadegh foi derrubado do Irã, em 1954, por nacionalizar a indústria do petróleo. Sua queda deu poderes ilimitados ao monarca Reza Pahlavi, que erigiu um regime corrupto, anti-nacional e tirânico. Em 1979 ele foi deposto por Khomeini, que liderou a revolução Islâmica
– Nasser, presidente Egípcio e pai do Pan-Arabismo, também sofreu sabotagens das potências ocidentais. Viu o canal de suez ser invadido em 1956 por Franceses, Ingleses e Israelenses quando decidiu nacionalizar o canal. Se seguiu um bloqueio político e econômico que o forçou a buscar assistência técnica com os Soviéticos. Após a derrota em 67, na guerra dos 6 dias, viu seu poder minguar até que a morte o encontrou, em 70. Foi substituído por Sadat, militar de carreira, que levou a cabo a guerra de 73 contra Israel. Foi assassinado em 81 após, em tese, ter obtido um acordo com os Israelenses em 78. Seu assassinato possibilitou a subida de Mubarak, um dos mais corruptos líderes políticos da região, que mergulhou o Egito no caos e na pobreza. O Egito se tornou peça chave da geopolítica ocidental na região. A pobreza possibilitou o fomento de grupos fundamentalistas, que arrebanhavam jovens cansados da pobreza e da falta de perspectivas. A irmandade muçulmana venceu as eleições de 2012, após a queda de Mubarak, mas foi destronada poucos meses depois por um golpe militar.
– O Baathismo Sírio e Iraquiano, secularista, nacionalista e de tendências socialistas, inspirado na revolução modernizadora Turca, levada a cabo por Ataturk, manteve durante décadas as pressões internas de grupos distintos, em busca de unidade e lealdade ao poder central. Os Americanos destruíram o Iraque, levando-o para uma guerra sem sentido com Irã (1980-1988), e, falido pelos empréstimos contraídos durante a década passada (insuflado pelos americanos e sauditas), comete o erro de invadir o Kwait em 1993. O estado Iraquiano virtualmente acaba com a invasão americana de 2004.
– E temos assistido, no presente atual, o flagelo Sírio.

Ou seja, o ocidente minou e sabotou as experiências nacionalistas e seculares na região e fomentou (direta ou indiretamente) o surgimento de grupos fundamentalistas (como o ISIS) que arregimentam jovens cansados da pobreza e desacreditados da política.

Veja o caso Palestino. Arafat, filho político de Nasser, foi, durante sua vida, quase uma obsessão da política externa Israelense, que o tratava como terrorista. E quando este cria a gênese do estado palestino, chamado de “autoridade”, Israel torna o seu governo algo virtualmente impossível. Com a queda da OLP, surge o movimento do Hamas, religioso e fundamentalista. O Fatah, herdeiro da OLP e laico na sua essência, continua recebendo ataques israelenses.

Além disso, a Arábia Saudita, cuja família real governa o país com mão de ferro, violando várias leis internacionais de direitos humanos, é a virtual financiadora desses grupos radicais, além de inimiga de primeira ordem do Irã, Xiita e Persa. Aliás, a Arábia Saudita se converteu no GRANDE ALIADO do ocidente na Região.

Falem o que quiserem do Irã, mas ele sempre se portou com um agente geopolítico previsível, constituindo uma teocracia complexa e contraditória, mas previsível, e até certo ponto, responsável. Mesmo seu apoio ao Hezbollah é compressível, considerando que o Irã vive quase um cerco geopolítico e militar desde a revolução islâmica, em 79.

O Ocidente praticamente LEVOU O ORIENTE MÉDIO para o estágio atual de violência e caos, terreno fértil para o fanatismo religioso que despreza o diferente, resultado da frustração e do ódio de décadas e décadas de atrasos, interferências e interrupções dos processos históricos nacionais.

O ISIS é a resposta caótica e violenta da história.

Uma hora a conta chegaria. Chegou.


Este texto é de autoria de Rene Guedes, e foi publicado originalmente em seu facebook.

Clique AQUI para assistir um excelente vídeo sobre a história do Oriente Médio. E AQUI para entender quem, como e porque financiam os grupos rebeldes da Síria. O primeiro vídeo tem somente 10 minutos, e o segundo 14 minutos. Ambos cabem muito bem como complemento e como forma de ilustração ao texto de Rene.
Figura retirada do primeiro vídeo indicado acima.

por Miguelito Formador

Charlie_HebdoQuando cursava a 6ª série do Ensino Fundamental, lembro-me das aulas de Ensino Religioso com o Professor, agora amigo, Evandro Albuquerque. Apesar de estarmos em um Colégio Católico, Evandro ensinava “as religiões”, e não o catolicismo ou cristianismo. Nós, alunos católicos, ríamos dos hinduístas por adorarem um Deus com cabeça de elefante, ou dos budistas por darem três voltas em volta do templo, ou dos judeus com a circuncisão quando criança, ou dos médiuns umbandistas que tomam cachaça e fumam charuto quando “incorporam” e depois dizem que quem bebeu e fumou foi a Entidade e não eles próprios, ou dos muçulmanos que acreditam que, ao morrer, terão no céu um palácio de grandeza diretamente proporcional ao tamanho de sua fidelidade em vida aos ensinamentos do Corão.

Então, Evandro olhava-nos com seriedade e severidade e dizia: “as outras religiões também riem de nós por enfiarmos a cabeça numa bacia de água, supostamente ‘benta’, recebermos um sinal de cruz feito pela mão de um padre em nossa testa, e então acreditarmos que agora fomos introduzidos no ‘Reino de Deus’. Portanto, respeitemos, em integridade, as culturas e crenças do próximo“.

Vivendo fora do Brasil, já tive contato com diversas pessoas crentes no islamismo, e lhes digo uma coisa sem titubear: eles têm cabeça, dois olhos, pelos, cabelo, duas pernas, dois braços, falam, caminham, brigam, sorriem… alguns são antipáticos, outros um doce. Engraçado não? Eles parecem com a gente!

Pois é, muçulmanos não são monstros, mas sim pessoas normais, como todos nós, com crenças particulares, assim como nós.

Com um muçulmano específico tive até a oportunidade de me tornar grande amigo. Um Paquistanês que trabalha na minha firma. Ele está entre as cinco pessoas mais dóceis que já conheci nesse mundão. Simples, competente, amável, prestativo, conquistou até mesmo o carinho dos alemães mais frios do meu departamento. Conversamos muito sobre a vida… uma delícia filosofar com ele, tamanha pureza e nobreza de coração, e clareza de pensamento. Defende o amor como caminho para acabar com a pobreza, as desigualdades do mundo, as injustiças… um sonhador.

Também conversamos muito sobre religião e aprendi com ele um pouco sobre o islamismo no qual ele acredita, e não me pareceu mais radical que algumas igrejas neopentecostais atuantes no Brasil.

Com sua barba até o peito, em homenagem a Maomé, Ahmad certo dia me olhou e disse: “Miguel, terroristas são uma pequena minoria, que nos envergonham no mundo, criando falsos estereótipos sobre nossa religião. Nem mesmo as explorações que sofremos, o imperialismo do ocidente sobre nossos países, a nossa falta de liberdade política, cultural e econômica, as guerras nas quais vivemos devido a interesses estrangeiros; nada disso justifica atos bárbaros, assassinatos, principalmente de inocentes“.

Há poucos dias o mundo novamente entrou em estado de choque com o atentado no jornal Charlie na França. Acompanhando um pouco a imprensa brasileira, notei o foco na barbárie do ato, mas praticamente a ausência do debate da perspectiva cultural e religiosa da ofensa sofrida pelos muçulmanos.

Ora, claro que nada justifica o assassinato daqueles profissionais da imprensa, e eu jamais iria me posicionar a favor desses fanáticos religiosos. Porém penso que o humor, como tudo na vida, tem limites, e agredir e desrespeitar os mais profundos valores de alguém, atinge esses limites. Nossa liberdade termina onde a do outro começa. (Clique AQUI para ler nosso artigo sobre os limites do humor, que acompanha um excelente documentário)

As religiões são as maiores causadoras de guerras no mundo. O fanatismo religioso então, é ainda mais grave.

O ideal seria não existirem extremismos e fundamentalismos religiosos, mas, infelizmente, existem. Assim sendo, custa respeitar certas fronteiras? Custa respeitarmos a cultura e crença do próximo enquanto elas não invadem nossas crenças e culturas?

Em nossa cultura, nós cometemos atos impensados quando agridem nossos pais ou filhos. Na deles, quando agridem seu Deus. O que é mais grave?

Pensemos também no comportamento da imprensa mundial, e como nós, enquanto sociedades, usamos nossa consciência ao consumir uma notícia: o assassinato dos funcionários de um jornal quase desconhecido causa comoção mundial. Cidadãos comuns ficam escandalizados e mostram sua indignação. Líderes de Governos fazem passeatas e discursos eloquentes;
Porém, quando um míssil fornecido pelo governo e indústria americana a Israel, é lançado por este país em cima de uma escola Palestina, matando dezenas de crianças que ali estavam estudando, isso fica no noticiário no máximo durante dois dias, os cidadãos se indignam e já se esquecem no dia seguinte, e nenhum líder faz passeata.
Seria um tipo de hipocrisia, ou no mínimo, uma sensibilidade seletiva?

Eu sou contra o fanatismo religioso, assim como sou contra o imperialismo, as retaliações, a escravização que o ocidente, principalmente os EUA, praticam sobre os países muçulmanos.

O jornal Charlie Hebdo já havia sofrido avisos e ameaças anteriores. Os jornalistas não mereciam a morte, mas poderiam tê-la evitado.

por Miguelito Formador

Indico o excelente artigo de Mino Carta, que entre tantas críticas inteligentíssimas, foca na hipocrisia e na seletividade da indignação mundial, dentro de um jogo político e de interesses danosos à democracia e à evolução do mundo. Clique AQUI

E AQUI vai um artigo de Ricardo Melo, com uma abordagem bem diferente sobre o assunto, com foco no fanatismo religioso e nos danos que as religiões trazem para a história da humanidade.

figura daqui

FRANCE-ATTACKS-CHARLIE-HEBDO-MEDIA-FRONTPAGETodo o planeta acompanhou nessa semana uma massiva manifestação em Paris contra o terrorismo e a favor da liberdade de expressão e imprensa. Foi tão divulgada que é dispensável a colocação de um link.

Pouco quero falar sobre o ato execrável e criminoso dos irmãos, membros da rede Al Qaeda do Iêmen. Saliento somente que nenhuma religião, em sua síntese, prega atos violentos contra quem quer que seja.
O próprio Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, condena atos de blasfêmia somente cometidos por aqueles que foram “educados” na doutrina, ou seja, os castigos deveriam ser aplicadas apenas à muçulmanos (detalhes de estudiosos do livro aqui). Na prática vê-se que países mais radicais na doutrina, como o Paquistão, prendem e executam (cristãos inclusive) por profanar ou blasfemar contra Alá ou Maomé.

Eu queria focar, primeiramente, na liberdade de expressão e declarar minha “opinião pirata” sobre o assunto: liberdade completa e irrestrita de opinião e imprensa não existe!
Citando exemplos para ilustrar a frase acima…
– Será que a polícia francesa e seus 80 mil homens que buscavam os terroristas agiriam normalmente se manifestantes pró-terroristas fossem às ruas? Ou mesmo se membros dos direitos humanos pedissem clemência para os criminosos?
– O que aconteceria com um jornal satírico nos Estados Unidos após o onze de setembro, caso publicasse tirinhas exaltando Osama Bin Laden ou mostrando a estúpida e exagerada reação americana?
– No Brasil, que não é um dos países mais rígidos em termos de lei, proprietários de blogs na internet podem ser processados por comentários feitos por terceiros. Como alternativa, os comentários devem ser moderados ou cada post deve conter a isenção de responsabilidade, informando que a página não se responsabiliza… (blá, blá) que os comentários não representam a opinião do autor e editores… (blá, blá)
– Pra completar a lista de exemplos, Laerte, um dos maiores cartunistas brasileiros, declarou em entrevista (link)que não existiria um Charlie Hebdo no Brasil, por conta da pressão “bate-assopra” que cobramos uns dos outros aqui.

Isto posto, mesmo com a boa vontade de alguns governos e instituições de tolerar o humor ácido, as provocações e os insultos. Todos os habitantes do mundo não são iguais e é impossível prever a reação de uma pessoa a um ataque ou ofensa. Por exemplo, eu nunca faria charges provocativas contra religiões!
Seguindo essa linha, o ex-presidente francês, Jacques Chirac, criticou uma republicação do jornal Charlie em 2006, dizendo que “tudo o que fere convicções, sobretudo religiosas, de uma pessoa, deve ser evitado”. (a página em Inglês do Wikipedia mostra uma cronologia resumida das matérias polêmicas – aqui)
Mas o jornal, talvez em nome de sua independência (?), talvez apenas por buscar mais fama nas publicações controversas, não se importou com ameaças e processos e segue fazendo a mesma linha polêmica. Para quem quiser ver algumas das mais discutidas capas, segue link aqui (seleção feita com as 16 melhores, em Inglês) e aqui (reunidas pela Folha e UOL)

Voltando à frase “pirata” sobre a ausência de liberdade de opinião no mundo, alguns dos próprios líderes mundiais presentes em Paris na mega-manifestação, têm em seu passado marcas vergonhosas em relação à mídia e imprensa – veja levantamento aqui.
Dentre os hipócritas, estão primeiro-ministros, presidentes e ministros de relações exteriores. A matéria apresenta links para cada uma das acusações feitas.

Finalizando, posso ser cruel, mas não creio que um jornal de 30 a 60 mil exemplares atingiria os 5 milhões desta edição sem o atentado.
E… o que os “novos fãs” não pesam ao buscar o jornal no eBay e cultuar sua “independência” é a linha tênue entre a liberdade de expressão e a crítica ou mesmo preconceito contra a população muçulmana francesa, já estigmatizada.

por Celsão revoltado

figura retirada do portal UOL. Escolhi por ser uma capa inteligente e não apelativa quanto poderia ser.

P.S.: para quem quiser a edição digital, em PDF, no idioma original, segue link.

Democracia, liberdade, direito de privacidade. Uma ova!!!

Democracia, liberdade, direito de privacidade. Uma ova!!!

Replicando um texto sucinto, mas assertivo.

Big Brother Obama

Jornal Público, 07/06/2013

 A Administração Obama fez tábua rasa do velho princípio traçado no século XVIII por Benjamin Franklin que advertia: “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.”
Em nome do combate ao terrorismo, um tribunal especial autorizou a Agência de Segurança Interna a aceder às chamadas telefónicas de qualquer cidadão.

Não se discute o putativo alcance desta medida para se obter informações sobre os contatos de prováveis terroristas. O que se discute é se essa probabilidade justifica que um direito elementar dos cidadãos, a sua privacidade, seja violado. Ou se vale a pena constranger a liberdade básica que confere a cada um o direito de falar com quem entender em nome de uma pretensa política de segurança.

Esta pulsão securitária que trata todos como suspeitos é, ao que se sabe, uma herança de George Bush. Esperava-se que Obama, em coerência com o seu discurso, a revogasse. Não revogou. A sua aura de político diferente voltou a degradar-se.

…….

Comentário 1 do blog: Se fosse Hugo Chávez, ou Fidel Castro, a mídia e a classe média já teriam caído em cima chamando esta ação de ditadura, terrorista, comunistas demonizados, e coisas do tipo não é?
Comentário 2 do blog: Onde estão os tão aclamados direitos e liberdades do cidadão, condimentos básicos e triviais da tal Democracia que tanto se enaltece no mundo contemporâneo. Em tempo: Em breve um post que tratará deste termo democracia, e sua função como parte integrante do controle de massa e bestificação das sociedades.
Comentário 3 do blog: Nos últimos anos, várias informações secretas, não só americanas, mas de vários países, grandes empresas, bancos, etc, têm vindo à tona, principalmente após as divulgações do Wikileaks. Só continua alienado, achando que várias questões absurdas são teoria da conspiração, quem realmente quer se manter alienado. Para evoluir e crescer intelectualmente e como indivíduo, tem que ter vontade e humildade, isso já basta.

por Miguelito Formador

->Figura retirada do link