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Reuniões intermináveis. Cada qual com sua carga de deployments e follow-ups.
Como se não bastasse, demandas proveniente de clientes e colegas ocupam o restante dos minutos de forma a concluir que dez, doze horas trabalhadas são asseguradamente insuficientes para entregar as tarefas.
Tarefas que se acumulam. Prazos que se atropelam.
Equipes reduzidas. Cooperação dificultada.
Aquele sentimento de culpa acompanhando o trânsito do final do dia. Aquela carga de responsabilidade que não permite soltar o celular, que faz surgir até tarde da noite novas e constantes mensagens de WhatsApp. O tal “comichão” que faz o computador ser ligado “só por uma hora” para adiantar o trabalho do dia seguinte, que na realidade nada mais é que a tentativa vã e infrutífera de finalizar o trabalho acumulado dos dias anteriores.

Duvido que seja exclusividade desse que vos escreve.
O mundo corporativo atual demanda mais do que o possível de se entregar dia após dia.
Os chavões e clichés que ajudavam num passado próximo, hoje causam risadas.
“Matar um leão por dia”
“Aprender a ser o máximo possível de mim mesmo”
“Tomar as pedras do caminho para fazer a escada do sucesso”

E contrastam com o equilíbrio pregado na sociedade moderna.
Onde é preciso cuidar bem da família, investindo tempo de qualidade; e da saúde, praticando esportes e balanceando a alimentação.
Ser voluntário. Ser sustentável e ecologicamente correto. Ser ético e engajado socialmente.
Estar antenado. Participar de todas as redes sociais com comentários inteligentes e pertinentes…

Quem entra em toda essa pilha?
Quem realmente consegue balancear corporativo e pessoal sem se atrapalhar ou sem comprometer um dos dois?

Os que se dedicam ao mundo corporativo, fatalmente se arrependem.
Ou via cobrança da família, ou via auto-reflexão. Que até pode tardar, mas respeita o cliché, e não falha.
Os mais “frios” estabelecem metas, de idade-limite, de posição na carreira, de salário.
Todos falham.
Pois a idade traz a pressão da experiência. O mundo corporativo cobra uma entrega melhor dos mais experientes.
As posições hierárquicas vêm trazendo implicitamente a dedicação exclusiva, a liderança inspiradora e engajadora e o “algo mais” em termos de esforço pessoal e da equipe.
E o salário também é um inimigo perigoso. O capitalismo exige que um profissional “se pague” com o próprio esforço e tarefas bem realizadas.

Os que se dedicam à família não atingem os objetivos cobrados no capitalismo.
Não viajam para Miami todos os anos. Não trocam de carro com frequência. Não colocam os filhos nos melhores colégios. Não frequentam os melhores restaurantes.
E, fatalmente, vez ou outra, se cobram por isso.
Reiterando a cobrança do “sucesso social” que não possuem. Que o “sistema capitalista”, jargão que odeio, cobra com todas as suas forças.

Solução? Desconheço.
A rápida análise filosófica dessa noite concluiu que nos dedicamos tanto ao trabalho por ego. É como se nosso ego fosse massageado com cada meta batida, com cada hora extra “investida” corporativamente, com o reconhecimento.
Eu arriscaria dizer que é também um vício.
Como o vício de ir à academia malhar. O ego faz com que o tempo investido aumente a medida em que os resultados começam a aparecer, ou a esperança nestes.
Só que, no caso do fisiculturismo, pode-se classificar o vício como saudável.

Me encontrando na situação e filosofando sobre ela, o que decidi fazer? Um post…
Filosofia ajuda. Sempre. Talvez só a desopilar, mas a ajuda é inegável.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

P.S.: atualizo o post adicionando uma sugestão de leitura, enviada por um amigo e leitor. O que nos faz mais felizes: tempo ou dinheiro?

Alberto Carlos Almeida - De Frente com GabiAo contrário do que muitos pensam, política não é algo simples de se entender.

Quando pensamos então em um país como o Brasil, a política se torna algo ainda mais complexo.
Temos uma história “delicada”, passando pela colonização, o praticamente extermínio dos índios, a escravização de índios e negros da África, um golpe militar com 21 anos de ditadura. Vivemos somente a 30 anos um período “democrático”. Vale lembrar que até 1930 somente homens alfabetizados podiam votar, e que 70% da população era analfabeta, o que significa que somente a elite do sexo masculino participava do processo político, os pobres e mulheres não tinham o direito de expor seus anseios nas urnas.

Temos uma elite que herdou o poder e toda uma inércia cultural oligárquica, dominadora e suprema. Uma classe média que devido à nossa heterogeneidade racial e cultural, tem vergonha de assumir seus reais pensamentos, posicionamentos e preconceitos, e temem sofrer um “baque” financeiro sendo “rebaixados” aos grupos sociais excluídos (os quais eles discriminam, porém de forma retórica).  E temos as classes excluídas, principalmente compostas pela classe trabalhadora (trabalhadores manuais qualificados,  não qualificados e rurais), que sofre com a inércia da pobreza, com os preconceitos e com a falta de educação formal, num ciclo vicioso que, muitas vezes, só pode ser quebrado com ações externas (ex.: políticas sociais).
Mesmo com toda nossa miscigenação humana, sofremos com questões de preconceito, como a homofobia, o racismo aos negros e aos índios, o machismo, a xenofobia contra os imigrantes de países pobres da América Latina (Bolívia, Peru), além dos preconceitos inter-regionais, por exemplo, Sudeste e Sul (como preconceituosos) X Nordeste e Norte (discriminados).

Devemos lembrar também, que nossa história “ocidental” é recente e praticamente começa à partir da colonização, há 500 anos. Pensemos ainda por quantas mudanças atravessamos nos últimos 100 anos.
As revoltas, como foram expostas por parte da população brasileira nas ruas em julho de 2013 e que também são visíveis diariamente nas redes sociais, são muitas vezes (mas nem sempre), revoltas válidas, com motivos claros. Porém, em certo momento, faz-se necessário propor soluções para os problemas, ao invés de simplesmente ficar a apontar os mesmos.  E para propor soluções, é preciso entender todo o contexto histórico, cultural, político, geográfico, racial.

Assistam a entrevista no “De Frente com Gabi” com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Ele se denomina um cientista de centro, e por isso busca analisar de forma bastante imparcial a direita e esquerda;  a elite, a classe média, os trabalhadores e excluídos; a cultura política; a psicologia dos brasileiros; nossas questões sociais e históricas, e muito mais.
Entrevista sucinta, porém de grande eficiência no sentido de trazer informações concretas, profissionais, sem sentimentalismo e muito racionalismo sobre a política, sociologia e antropologia brasileira. Uma ótima possibilidade de se informar, principalmente para aqueles que lançam mão de seu direito de emitir opinião, mesmo possuindo pouco embasamento científico.

Para assistir à entrevista na íntegra, clique AQUI 

por Miguelito Formador