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Começo compartilhando um vídeo extraído do Youtube (aqui a entrevista completa, para quem quiser ver o original).
Quem fala no vídeo é Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs, ícone do rap nacional, e de toda a periferia paulista, desde o início dos anos 90. A entrevista é sobre o novo disco, o “novo estilo” do músico que “brinca” com a carreira solo.

Meu destaque vai para a análise de Brown sobre o Brasil, em pergunta provocativa já no final da entrevista.
Faz sentido sermos um país hoje “de direita”, enfrentando tantos problemas sociais?
Faz sentido vislumbrarmos o radicalismo de Malafaias e Bolsonaros, na política, antes mesmo de evoluir socialmente e nos certificarmos que nossa nova democracia, nossas jovens instituições funcionam? Antes de assegurar que podemos evoluir em ética (comportamental, política, social)?

Independente do resultado da Lava Jato, da pizza que venha a surgir…
Independente das delações, das listas de Janot, dos conchavos dos políticos que tentarão até o fim safar-se…
Independente dos infindáveis processos do STF, que julga até brigas de trânsito dos ricos em última instância…
Independente do esvaziamento das manifestações pós-PT, como se todos os problemas já estivessem resolvidos…
É preciso continuar lutando!

Por mais ingrato que seja a luta, por mais longo que seja o processo, por mais improvável que seja a condenação, por mais absurda que seja a a lei de última hora, aprovada durante a noite…

É preciso ouvir. É necessário que prestemos atenção aos pequenos grupos, às opiniões pirata, aos pensadores que arriscam “fora da caixa”.
Que os vídeos do Bob Fernandes, que blogs como o do Josias, que revistas como a Piauí e que TVs como a Cultura, sejam lidos e vistos. Principalmente como alternativas ao conteúdo normal de Globo, Estado, Folha e das revistas mais lidas do país (aqui).

Que tenhamos mais Browns, Mandelas, Luther Kings, Mujicas, Angelas Davis, Fred Haptoms…
Mas que a internet nos traga também entidades coletivas, onde a multiplicação da opinião do indivíduo ecoe rapida- e eficazmente, como o Avaaz, o Greenpeace, o Change.org

O tal “Caixa 2” é mesmo crime; e não duas vezes um “Caixa 1”. Qualquer coisa que digam contra ou qualquer isenção que seja aprovada no Legislativo é manipulação das mais reles.
As medidas de combate à corrupção, apresentadas por Dilma no longínquo março de 2015 (avaliadas aqui), quase dois anos atrás, e foco de ação popular pouco depois, não serão adotadas. Não adianta ter esperança nesse ponto. Ao menos não serão aprovadas sem drásticas mudanças. Como já escrevemos recentemente, a Câmara prepara a pizza, pois ainda verifica as assinaturas da ação popular (aqui).
As investigações dos políticos e empresários delatados, sobretudo nessa fase da Operação Lava Jato, levarão muitos anos. E provavelmente não extinguirão a corrupção. Se houverem condenações e prisões, mesmo tardias, teremos iniciado REALMENTE um movimento positivo.
A reforma da previdência, ou reforma trabalhista, será aprovada. Não por ser melhor para o país, mas aproveitando a maioria confortável que o governo Temer tem no Congresso atualmente. Não que eu seja contra reformas, só acho que essa merecia ser exaustivamente discutida e avaliada; sobretudo ouvindo empregados e sindicatos.
As aposentadorias de “marajás”: militares, juízes e políticos, que trabalham por pouco tempo e ganham salários exorbitantes não vai acabar; por mais que queiramos e por mais que seja mais justo e efetivo.

Somos poucos. Mas somos inconformados e continuaremos lutando!
No Legislativo ainda temos PSOL, outros pequenos partidos de esquerda como PCB e PCdoB, parte da Rede, do PDT e o que sobrou do PT. Nas ruas temos os inconformados, os pensadores, os curiosos, os críticos…

Terminando com outra frase de Mano Brown…

Nunca foi fácil, junta seus pedaços e desce para arena, mas lembre-se: Aconteça o que acontecer, nada como um dia após um outro dia!

por Celsão revoltado, já que citei Racionais e Congresso. 🙂

P.S.: figura retirada daqui, mais por não saber se o vídeo apareceria como figura no Facebook

P.S.2: abaixo o mesmo trecho de vídeo, no formato MOV, caso alguém tenha dificuldade em abrir o MP4

oab-rs-reforma-politicaSou da opinião que não basta ficar parado e reclamar.
É a atitude mais fácil, certamente, mas tem pouca valia.
Essa é uma das razões de ter esse espaço e de “lutar” de algum modo contra a falta de informação nos extratos mais baixos da população, a massificação da informação na TV, a manipulação exercida pela grande mídia, contra o “pão e circo” e contra o chamado quarto poder.

E um dos assuntos que mais temos falado neste blog é a necessidade de reformas no Brasil: na política, no governo, na mídia, etc.
E, concomitantemente, o Jornal da Cultura fez, desde o final do ano passado, enquetes com o público sobre o sistema politico no país para saber, dentre algumas opções dadas, qual seriam as preferências dos telespectadores.

Dentre as perguntas realizadas estavam a reeleição, se o eleitor é a favor ou contra, o tipo de financiamento de campanha mais adequado, com opções como: privado com doações de pessoa física, privado com doações de empresas, privado com recursos do próprio candidato, público ou misto; tipo de sistema para o legislativo e se as campanhas precisariam de um limite. Os resultados destas podem ser encontradas aqui.

Aproveitando a discussão surgida das enquetes, a OAB de São Paulo e o canal, promoverão um seminário com o título “Reforma Política Já” (links aqui e aqui). Bem “em cima” do prazo, pra participar, eu sei. Mas meu destaque não vai para a participação neste evento (eu, por exemplo, queria participar e não poderei). O que quero salientar é que algumas enquetes de internautas tornaram-se um seminário, promovido por um órgão de importância nacional. E, com participação, nos painéis, de dois ministros do STF!

Na mesma linha, a campanha “Fim do Político Profissional” (aqui) coleta assinaturas para uma emenda constitucional que visa proibir a reeleição do Executivo e limitar a uma reeleição todo o Legislativo brasileiro. Lutando para acabar com a perpetuação de parasitas em todas as esferas do governo. Um dos criadores da campanha é também debatedor do Jornal da Cultura.

Ou seja, é possível começarmos algo. Quer seja apoiando eventos que acreditamos, quer seja iniciando nós mesmos uma petição no Avaaz, uma enquete, uma discussão no nosso “microcosmo”, um evento…
E as mudanças começam mais perto do que pensamos; muitas vezes no modo como vemos as coisas.

por Celsão correto

edição feita de figura retirada daqui

P.S.: como o post vai “pro ar” na terça e o evento é na quinta, dia 29, seguem os telefones para confirmar a participação, se ainda houverem vagas: (11) 3291–8191 e (11) 3291-8201.
Aliás, todos os painéis do Seminário serão transmitidos ao vivo pela internet, no site da OAB SP e também pelo CMAIS, canal da internet da TV Cultura.