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herero_namaComecemos com um texto publicado esse ano pelo portal UOL (link aqui)

O título do texto é “Por que a Alemanha não se desculpou até hoje pelo primeiro genocídio do século 20” e ele trata do assassinato de dezenas de milhares de africanos assassinados pelo exército alemão entre os anos de 1904 e 1908.

Conhecemos diversos exemplos parecidos com este. Quando um país mais desenvolvido (Europeu – por exemplo), coloniza um país africano (ou de qualquer outro continente) durante décadas, séculos, explorando suas riquezas e enriquecendo enquanto estes empobrecem. Então um dia rebeldes resolvem reagir, e como contra-reação os colonos utilizam da máxima força bruta, crueldade, barbaridade e covardia, levando etnias praticamente à extinção.

Exploram, abusam, estupram, matam, sugam tudo de valioso de suas terras, e quando partem daquele país, deixam somente pobreza, atraso, destruição, traumas e ódio para trás.
Depois os intelectuais, políticos e cidadãos dos países desenvolvidos, algumas décadas mais tarde, dizem que os países explorados não se desenvolvem, pois são corruptos, ou não aproveitam as oportunidades, ou são incapazes de aprender com os erros, ou porque não têm nada a oferecer de volta num possível comércio…. ou seja, a culpa ainda é deles, povos explorados, assassinados, sugados….
Para piorar, os acadêmicos e intelectuais dos países explorados (América do Sul, África, Ásia, etc) aprendem com a mídia e com seus sistemas de ensino, as teorias que convêm e favorecem os interesses dos países exploradores. Em nossas Universidades e em nossos jornais, em na maior parte de nossa literatura, são difundidas ideologias que visam nos manter alienados e dominados. Assim nos ensinam que o neoliberalismo é bom para o Brasil, para o Vietnam, e para a Namíbia. Ensinam que os países Europeus se desenvolveram pois são mais organizados. Que somos atrasados devido ao nosso fracasso, nossa cultura “defasada”. E que a culpa de sermos atrasados, pobres, corruptos, é praticamente toda nossa, e que os  países exploradores têm pouca ou nenhuma parcela de culpa. Também nos ensinam que, se uma etnia foi explorada há algumas décadas, ou mais de um século no passado, não há mais nada a ser retratado, não há mais dívida, pois afinal, 1 século é tempo suficiente para um povo se colocar em pé de igualdade com outro (grande balela!).

Eu sou a favor de pedidos de desculpas e pagamentos justos de dívidas, seja financeiramente, seja com investimentos tecnológicos e acadêmicos naqueles países…. Não por parte da Alemanha somente, mas por parte de todos os países que hoje usufruem de um bem-estar social em parte devido às todas atrocidades feitas em outras regiões e contra outros seres humanos.
Imaginem se uma comoção mundial entrasse em vigor, organizada por ONGs sociais e com apoio da ONU, e uma onda de investimentos em educação, saúde e tecnologia, financiada pelos países ricos, começasse a acontecer nos países que foram explorados e sugados num passado recente? E assim, esses países recebessem um pouco daquilo que lhes foi tomado, e pudessem assim voltar a sonhar com uma certa independência e dignidade de vida?
Até mesmo as sociedades dos países ricos teriam enormes ganhos, pois além de dormir com a consciência mais  limpa, ainda teriam menos problemas com os efeitos colaterais causados pelas massivas imigrações (imigrantes e refugiados), que iriam ser reduzidas fortemente se as condições de vida naqueles países melhorassem, e ainda notariam uma forte redução nas ondas de terrorismo em seus países. Além disso tudo, estes países explorados se tornariam mais civilizados e mais seguros, tornando-se destinos turísticos ainda mais paradisíacos para os cidadãos dos países exploradores.
Como podemos ver, todos ganham!

O fato é que, enquanto nós, nascidos em países explorados, continuarmos reproduzindo o discurso  de quem nos explorou e ainda explora, nossos países continuarão nestas condições, num ciclo eterno de subdesenvolvimento, violência e ignorância. Afinal, o interesse e a vontade de mudança só podem surgir, se houver um despertar de consciência dentro de nós. Esse interesse jamais surgirá dos povos dominantes, pois eles usufruem dos mais diversos benefícios oriundos de nossa ignorância e desinteresse.

por Miguelito revoltado
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Menos violenta, mas não menos genocida, toda a colonização ostensiva Européia terminou “aculturando” civilizações seculares e inocentes na América Latina. As vezes por força da pólvora, como contam os relatos de Aztecas, Maias e Incas, mas muitas vezes simplesmente pela imposição de costumes e religiões.

Esse raciocínio, de genocídio ou de “extinção programada”, por exemplo, ocorreu com os índios Yamanás e Selknams, que viviam no extremo sul do continente americano.

Nus, não por acaso, estes povos eram adaptados às condições adversas do lugar, eram hábeis com canoas, usufruíam de abundante caça e pesca local, e passavam no corpo gordura de leões marinhos, para suportar o frio intenso. As fogueiras desses índios deram o nome ao lugar: “Terra do Fogo”, chamaram os Europeus.

Que fizeram explorações para cruzar o Cabo Horns, encontrando um caminho diferente entre Atlântico e Pacífico.
Que estudaram a Antártida a partir dali.
Que evoluíram em sua “evolução”, graças a Darwin e também à uma ilha da região.
Que lutaram por outras ilhas: Franceses, Portugueses, Espanhóis e Ingleses…

Mas… infelizmente… não respeitaram o povo oriundo e originário dali!
Impuseram condições, expulsaram das terras, exploraram e grilaram por onde estiveram.
Como, em sã consciência, um sujeito elitizado e capitalista, acostumado com regras europeias, toma por normal a construção permanente de casas, fortalezas e igrejas num terreno que não o pertence?

Seguindo a linha defendida pelo Miguel, o mínimo que o explorador poderia propor era um aluguel temporário.
Oferecer os serviços de benfeitorias, as casas, as igrejas. E, após concluídas, deixar que os habitantes locais determinassem o que fazer com elas.
Alguns relatos locais dizem que os primeiros índios Selknam que foram vestidos pelos Ingleses que lá estiveram e receberam aulas do idioma, abandonaram roupas e voltaram a viver a seu modo poucos meses depois. A insistência das “melhores condições morais e sociais europeias”, dizimou a população indígena do local.

Conclusão óbvia, os primeiros ingleses que realizaram um assentamento de “brancos” na Terra de Fogo, em companhia do Reverendo Thomas Bridges, já estão na 6ª. geração e seguem a morando na Estância Harberton, uma das mais concorridas estâncias de Ushuaia, famosa pos atrações turísticas. Ou seja, as casas e hotéis construídas, estão gerando renda há cinco gerações.
Enquanto que os quase 3 mil Yamanás que viviam naquela região à luz da época desapareceram em 50 anos. Na referência que li (aqui), o autor relata que há (ou havia) apenas uma última índia Yamaná, com cerca de 80 anos de idade. Sendo todos os demais descentes “mestiços e aculturados” (sic).

Finalizando… Quem realmente acredita que as imposições do rico para o pobre pararam?
Que somos e estamos livres ideologicamente nos dias de hoje? E que a nossa ignorância, passividade e subserviência não são comemoradas por países imperialistas e classes dominantes?

Vale o exercício de reflexão.

por Celsão correto.

figura retirada da matéria do UOL sobre os Herero e Nama (novamente aqui)

P.S.: para quem quiser ler a estória dos índios da Terra do Fogo, segue um link de partida bem bacana (aqui)

Outros Setembros

Posted: September 27, 2016 in Outros
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11162237501418Quando alguém do meio do século XXI abrir livros de História os capítulos começarão todos pela data ocorrida nesse mês: 11 de setembro.
Neste dia, em 2001, o mundo civilizado pediu paz e começou uma guerra que já dura 15 anos.

Foi bonito ver líderes mundiais, comovidos, uníssonos, circunspectos, solidários, pedindo, implorando e até mesmo impondo a paz. Mas os pedidos de paz foram encaminhados para o endereço errado. Não é o fanático que nasceu num gueto, nem o miserável guerrilheiro desdentado que resolveu ser terrorista, o grande fomento de violência.

Ou vocês acham que os miseráveis, os excluídos, os sem-terras, os repatriados, os espoliados, os humilhados e os condenados a viverem sem razão, barrados na grande festa da prosperidade que o mundo globalizado e neoliberal promove para 20% da população mundial que desfruta dos bens e serviços que a modernidade propiciou não querem a paz?

Os pedidos de paz deveriam ser direcionados para os banqueiros que não pagam impostos, aos latifundiários que escravizam e matam camponeses, aos laboratórios e aos planos privados de saúde que fazem a regra do jogo, à televisão com sua programação de violência e mentira. Os pedidos de paz deveriam envergonhar os governantes desonestos, o administradores corruptos, os juízes comprometidos; deveria mudar os “bispos” com letras minúsculas que roubam dízimo de operárias e operários, sensibilizar a polícia barbárie que assusta mais do que acalma.

A retaliação poderia atingir também o protecionismo, os embargos econômicos, a remessa de lucros, a mão de obra barata das multinacionais, o descaso com o meio ambiente, a submissão de governantes pouco éticos e a arrogância dos xerifes da terra.

É claro que até esses querem a paz, mas são eles que fabricam a miséria e a violência. Se quisermos realmente a paz deveríamos tentar distribuir a riqueza do mundo, estender a todos os benefícios dos avanços tecnológicos; partilhar as descobertas científicas, sonhar junto a utopia de uma sociedade justa e igualitária com bom senso.

Não existe violência (ou quase não) onde há prosperidade.
Não há prosperidade sem justiça social. Sem justiça social, não há nada, não há nada, não há nada. Só radicalismo, fundamentalismo, lamentações e entulho arrastado.

por Raul Filho

figura retirada daqui

O palco é a Alemanha. Uma cidade de médio porte, com pouco mais de cem mil habitantes.

Deitado num ponto de ônibus, estava um senhor grisalho, gritando por ajuda. Pessoas passavam e o ignoravam, algumas iam além e riam dele, insultando-o e descarregando algumas de suas frustrações.

Chegando perto pude perceber que o senhor pedia por uma ambulância, na realidade por um médico de emergência (Notarzt), ele gritava.
Foi chegando perto que percebi que ele exalava álcool, havia urinado nas próprias calças e que a pequena cadeira-andador que ele utilizava continha várias garrafas de cerveja terminadas.
Ele explicou, bastante consciente: “Sei que estou bêbado, mas preciso de uma ambulância. Não consigo tirar meu braço do banco”

Outros jovens passaram por mim e me disseram para que não me importasse. Que o bêbado era um velho conhecido daquele ponto, onde sempre dormia.
Quase fui embora, mas algo me fez voltar. Ele continuava gritando por socorro! E não falando palavras desconexas nem xingando ou praguejando, como muitos fazem nessa condição.
Perguntei para alguns taxistas parados nas imediações, que assistiam à cena, o número da ambulância. Se recusaram a informar: “Pra ele? Ele não precisa!”

Voltei ao ponto e pedi ao homem paciência.
Fui até outro ponto de ônibus e expliquei para um homem que eu era estrangeiro e não conhecia o número de emergência, mas que queria auxiliar o bêbado que pedia por auxílio.
O desconhecido me acompanhou, tentamos ambos levantar o senhor e tirar o seu braço preso entre o bando e o vidro do ponto de ônibus, chamamos a emergência, que fez as perguntas de praxe e insistiu para que tentássemos por nós mesmos tirar o homem daquela posição.
Depois de alguma insistência, conseguimos!

E daí foi incrível a sensação!
A expressão de agradecimento em meio a dor, enquanto mexia o braço que provavelmente formigava.
A alegria do companheiro de empreitada, ao desligar o telefone informando que não precisaríamos de ambulância.
E as lágrimas daquele senhor bêbado, que juntou as mãos em agradecimento, enquanto insistíamos que não era necessário…

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humanos_inumanosPor que não tratamos seres humanos como tal?
Por que a aparência conta tanto aos nossos olhos e a nosso julgamento?

Ter preconceito contra bêbados é algo plausível. Cada um tem uma ou mais histórias que podem levar a odiar bebidas alcoólicas e, de tabela, aos que fazem uso abusivo delas.
Mas discriminação é algo que podemos controlar. E… ignorar o modo como interpretamos os seres humanos por serem bêbados inveterados, nordestinos, negros, gordos, mulheres, deficientes, asilados… é algo prejudicial a toda a sociedade!

Existem inúmeros vídeos no Youtube com o título “O que você faria?”. O próprio Fantástico da TV Globo investiu nesse formato algum tempo atrás.
Os vídeos tratam de temas como violência contra idosos, preconceito, bullying…
O vídeo que quero chamar a atenção foi publicado pela UNICEF. E correlaciona a complicada relação entre aparência, roupas e penteado, por exemplo, com a qualidade ou “classificação” da pessoa. E, no caso, da criança.
O vídeo está abaixo.


Por que o exterior faz tanta diferença?
Acredito ser impossível numa primeira olhadela ou primeiro julgamento não correlacionar aspecto geral de trajes e limpeza com perigo iminente de assalto, por exemplo. (não sejamos hipócritas)
Mas daí a ignorar pedidos de socorro ou empurrar uma criança que se parecia estar perdida e assustada… há uma grande diferença.

Cito o diretor geral da UNICEF, Anthony Lake, no prefácio de um relatório que aponta que 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030…

Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: as vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, gênero ou circunstância

É a velha e interminável discussão do TER e SER.
Verbos independentes que insistimos em manter juntos. Ao menos para muitos, lamentavelmente, só se É, quando se TEM.

por Celsão correto.

figura retirada daqui, retirada certamente do próprio vídeo. Direto no Youtube, caso o vídeo aqui inserido não funcione, assista aqui

P.S.: detalhes dobre o relatório da UNICEF citado podem ser lidos aqui. O relatório em si também pode ser baixado.

estuproÉ triste e é revoltante.
Talvez devêssemos usar a palavra “inaceitável”…

Estupro é um ato grotesto, desumano. Causa indignação e extrema revolta.
É ultrajante! Aqui coloco não só o ato de estuprar alguém, mas incluo o machismo que “se multiplica” em ações imorais deste quilate.

Falamos bastante sobre o machismo do brasileiro, sobretudo do homem, nestes últimos seis meses (exemplos aqui e aqui).
Mas o novo caso, da jovem carioca de dezesseis anos possivelmente estuprada por mais de trinta homens, me choca novamente (e repetidamente), pela “dualidade” do julgamento dos homens!

Me entristecem uma vez mais o “ela mereceu”, “o que ela estava fazendo lá?”, “ela também não é santa”…
O que nós homens precisamos entender é que, mesmo que uma mulher se apresente nua na porta de seu apartamento, não há salvo-conduto para uma relação sexual; sobretudo sem consentimento! Um não dito por ela em qualquer momento da “aproximação” ou “galanteio”, caracteriza um crime. E um crime grave!

Não há motivos suficientes para afirmar o “merecimento” da vítima.
Mesmo que ela tenha participado de orgias em outras ocasiões. Mesmo que use com frequência entorpecentes. Mesmo que tenha comportamento sexual caracterizado como “de alto risco”… Nada pra mim explica o que fizeram os agressores e muito menos transfere a culpa para a menor! Nada!
Culpar a erotização precoce, a televisão, o ambiente “pernicioso” e violento de comunidades e favelas, uma péssima estrutura familiar, eventuais insinuações da moça, a música funk… é como buscar outro culpado que não o que escolheu, por livre-arbítrio (ou distúrbio mental), agir, tomar a atitude de estuprar.

1 a 1 a a a a pesq causas de estuproUsando palavras de um amigo, durante discussão acalorada sobre o tema: “Uma mulher deveria poder ficar bêbada ou drogada em qualquer lugar, sem correr o risco de ser estuprada”
Utópico?
Talvez nos morros cariocas no dia de hoje. Talvez em todo o território nacional. Talvez em países subdesenvolvidos e machistas (não necessariamente correlacionados).
Mas não é normal. Ou melhor, não é sadio se queremos e pregamos um mundo igualitário e civilizado.

Algumas estatísticas chocantes para finalizar.
– Uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no Brasil
– Em São Paulo, estado considerado “mais evoluido”, um estupro ocorre a cada 40 minutos. Totalizando lastimáveis e espantosos 35 estupros por dia!
– Estima-se que somente 10% dos casos sejam denunciados. Em números de 2013, do IPEA, o número é de 527 mil tentativas ou casos de estupro. (fonte aqui)

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui e daqui.

P.S.: relutei em citar exemplos lamentáveis e machistas sobre o caso. Mas como é de um “famoso”, segue link dos comentários do cantor Lobão (aqui), que acredita que mulheres devem ficar em casa ao invés de “rebolar a bunda”.

P.S.2: adendo importante, vindo de um comentário no Facebook: “Só tenho uma consideração: o ato sexual só é consensual quando há aceitação explícita de ambas as partes. Não é apenas com um ‘não’ que se caracteriza a recusa, a ausência de consentimento não pode ser considerada um ‘sim’. Pois em ocasiões onde a mulher se encontra muito dopada, ou até mesmo apagada, ela não tem condições de pronunciar seu desejo”

IMG-20160308-WA0035Todos os anos fico “preso” entre a pieguice das mensagens vazias e da lembrança única e a importância histórica da data na luta das mulheres contra o machismo e a desigualdade.
Busquei no histórico dos outros “Marços” desse blog e, como não encontrei menções ou homenagens à data, resolvi fazer essa menção nesse ano de 2016; mesmo que tardiamente.

Mesmo que tenhamos reiteradamente abordado os temas machismo e preconceito contra as mulheres, por exemplo: aqui, aqui e aqui. Nunca é demais lembrar aos homens e à toda a sociedade o quão preconceituosos e machistas eles são.
Por exemplo, durante o dia de ontem, inúmeras foram as mensagens de cunho machista e sexista que circularam nas mídias sociais, como o WhatsApp.
E, infelizmente, não foi com o intuito de refletir sobre a realidade, mas somente para intensificar e perpetuar a discriminação, o status-quo.

O Google, que sempre prepara desenhos e filmes para ocasiões especiais, os chamados doodles, fez um video interessante sobre o desejo das mulheres de hoje (acesso aqui).
Os anseios variam de acordo com o país e poder aquisitivo, naturalmente; mas é impressionante ver que muitas apenas pedem educação ou igualdade!

IMG-20160308-WA0039Como é possível, no século 21, mais de um século após as primeiras celebrações e o grave incêndio na fábrica têxtil americana, seguirmos sem garantir igualdade às mulheres? (mais informações sobre a data no Wikipedia)
Por que vemos mais exemplos de maus tratos no dia-a-dia, que de êxitos de empreendedorismo feminino?
Por que foi necessário criarmos uma delegacia especial para atendimento à mulher e leis como a Maria da Penha, contra a violência doméstica?
E por que nós homens usamos, no dia delas, frases do tipo: “Os outros 364 dias são nossos”?

As mulheres são o motor do Mundo. Só elas são capazes de planejar o todo e atentar aos detalhes. Só elas são realmente “multi-tarefas” e conseguem dar conta de lares e carreiras. Só pra não me alongar demais…

Que sejamos não só piegas em homenagens e romantismo para com as mulheres de nossas vidas…
Que lutemos com elas contra o peso do machismo e do sexismo do dia-a-dia!
Quer um exemplo simples do que fazer? Pare de compartilhar videos e fotos “roubados” ou “vazados”! Sobretudo aqueles que acompanham pedidos desesperados das próprias mulheres, para que não os divulguemos.
IMG-20160308-WA0040Nós devemos isso a elas. E não somente a elas; devemos isso a um mundo mais justo e igualitário!

por Celsão correto

figuras recebidas no WhatsApp no dia de ontem

P.S.: Para quem quiser fazer “mais”, o doodle do Google direcionava ontem para uma página de apoio à causa da igualdade para as mulheres. Além dessa campanha, podem ser encontradas outras reinvidicações e programas de apoio à mulheres de todo o mundo. É possível aderir a campanha e fazer doações, por exemplo. O acesso pode ser feito aqui. (página somente em Inglês)

 

 

ColoniaNa cidade de Colônia – Alemanha, na noite de réveillon de 2015/2016, na praça principal da cidade, em frente à famosa catedral, houve uma série de acontecimentos lamentáveis.

Nos vídeos amadores disponíveis no Youtube, e que também foram utilizados em noticiários televisionados, era possível ver dezenas, talvez centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, aparentemente bastante alcoolizados, e atirando fogos de artifício em todas as direções, e com frequência, na direção de grupos de pessoas.

Rojões explodiam no meio da multidão, outros miravam os fogos na direção oposta da praça, e eram respondidos com outros fogos vindos do outro lado. Cenas de caos, falta de responsabilidade e cidadania completa. (Como exemplo, escolhi um vídeo: clique AQUI)

Contudo, não foi esse episódio que assombrou a sociedade alemã, mas sim algo bem mais polêmico, e ainda mais lamentável.
Segundo o relato de algumas dezenas de pessoas/vítimas, a maioria delas mulheres, grupos de homens com aparência árabe ou norte-africana, passaram a realizar, no meio deste caos, agressões sexuais contra mulheres e também assaltos. As agressões variavam de acordo com os relatos, e iam desde toques nos cabelos e braços, até chegando a tocar as partes íntimas da vítima por dentro da roupa. Houve até um relato de estupro.

Se realmente os relatos forem verdadeiros (muito provavelmente o são), esse episódio marca uma noite lastimável e bárbara na história da cidade de Colônia. Sequer me darei ao trabalho de debater machismo aqui, mas me limitarei a dizer o óbvio: o que aconteceu foi, acima de tudo, crime! Um crime bárbaro onde o criminoso não só desrespeita a lei, mas desrespeita, por completo, o próximo enquanto ser humano. É um crime que mostra um transtorno ético e desvio de conduta simplesmente inaceitáveis!

Dito tudo isso, vamos ao que se desenrolou após tal noite.

Esse acontecimento se popularizou e tomou os debates jornalísticos e nas redes sociais. Prós e contras rapidamente surgiram, alguns mais coerentes, outros mais bárbaros que o acontecimento em si.

Grupos de extrema-direita ou nazistas utilizaram-se do episódio para legitimar seus discursos racistas e xenófobos. Esses mesmos grupos passaram, mais que rapidamente, a escrever em seus jornais, blogs e redes sociais, que os autores dos delitos eram “refugiados”, e a partir desta afirmação especulativa e discriminatória, enfatizaram o discurso de “Alemanha para alemães, fora refugiados, fora estrangeiros”. E o que mais assusta não é ouvir nazista dizendo isso, mas sim ver grupos de pessoas mais neutras (em cima do muro), ou simplesmente mal informadas, passando a concordar com tais ideias. Gente que não participa de movimentos do Pegida, não aprova ideologias nazistas, etc, dizendo: agora esses refugiados passaram dos limites!

É incrível ver como as pessoas, quando se sentem ameaçadas, afrouxam seus valores, sua ética, e sua racionalidade, e passam a pensar e agir de forma emocional e reacionária (reação a uma ação). E não estou falando de gente com pouca escolaridade somente, estou falando de acadêmicos, com curso superior, mestrado, doutorado, pessoas que teoricamente leem jornais diariamente e se julgam não-alienados.

Na internet se lê: “Angela Merkel é culpada, queremos sua cabeça.” “Culpadas são as feministas, que gritam devido a piadas, mas nada fazem frente a algo grave como o episódio.”
Grupos de homens de direita propõem na internet, organizar ônibus de homens para irem a Colônia “defender as mulheres brancas”. Outros grupos planejam reação em massa ao ocorrido, com vingança e justiça com as próprias mãos, inclusive com ataques a abrigos de refugiados.

Muitos se perguntaram: e a polícia, por que não fez nada?
Eu também pergunto isso, afinal, segundo parecer policial, nos arredores da praça havia cerca de 200 policiais, cerca de 1000 pessoas festejando e aconteceram dezenas de delitos, praticados por aproximadamente 60 homens. Se nada foi visto por qualquer policial, há algo estranho, a conta não fecha. Porém eu prefiro esperar mais informações mais completas, antes de especular.
Já aqueles que querem tirar proveito da situação, começam a afirmar que “a polícia está entregue à máfia de estrangeiros”, ou “a polícia tem medo, e finge não ver”, etc. Argumentos, ao meu ver, absurdos, sem nexo, e desprovidos de qualquer vínculo com a realidade alemã.

Li, e ouvi da boca de conhecidas: “eu estou com medo, passarei a tomar mais cuidado nas ruas da Alemanha”, ou “a Alemanha sempre foi tão segura, agora tá assim”.
Tudo bem, entendo o receio, mas essa sensação de estado apocalíptico de segurança pública, é impulsivo e emocional. É como se em uma cidade do interior o Brasil, com 100 mil habitantes e com 20 homicídios/ano, acontece um atentado terrorista num baile de formatura e morrem 200 pessoas. Então alguém vem e diz: estou muito inseguro pois a criminalidade da cidade subiu 1000%.
Não, a criminalidade, ou número de homicídios, não subiu, só pelo fato de um maluco, uma vez na vida, ter resolvido explodir um clube.

Ouvi inclusive da boca de brasileiras o mesmo sentimento de insegurança. Então perguntei: “você pretende voltar ao seu país ainda? Pois se está com medo de andar nas ruas da Alemanha, é melhor construir uma fortaleza no Brasil”.

Conversando com dois irmãos alemães, que conheço destes bares da vida, escutei que esse acontecimento é uma prova de que chegamos no limite. Eles me disseram que em Berlim há bairros onde a polícia não pode entrar, dominados por estrangeiros (sério?). Em 20 anos a Alemanha será um país muçulmano, e eles pretendem fugir para o Uruguai em breve (ou seja, eles serão os estrangeiros).
Eu os indaguei, educadamente sobre alguns pontos. Mesmo recebendo respostas em tom agressivo, mantive-me calmo e pacífico. Num certo momento falaram de “adaptação à cultura alemã”. Eu disse concordar que um estrangeiro deveria se adaptar à cultura do país, mas que é preciso tomar cuidado, pois adaptar-se 100% é impossível. Um deles discordou e começou a gritar “se não for 100%, tem que ir embora!!!”. Então eu disse: Eu não me sinto 100% adaptado, no máximo uns 80%.
Ele ficou furioso, disse que eu estava falando besteira, e que eu estou sim 100% adaptado. Então perguntei se ele sabia mais de mim que eu mesmo. A conversa fugiu do controle, e entendi que era melhor eu ir para minha casa.

Um dos argumentos mais utilizados para justificar o discurso de que os delitos foram cometidos por estrangeiros (ou refugiados), foi o do “choque cultural”. Afirma-se que os muçulmanos entendem que uma mulher com roupa curta, ou apertada, está se oferecendo, e portanto, podem fazer o que quiserem com elas.
Se isso fosse verdade, deveríamos ter taxas de estupro e de assédio sexual aumentando progressivamente na medida em que mais muçulmanos chegam na Alemanha. Mas este não é o caso (pelo menos não conheço tais números). O que ocorreu, se ocorreu, não foi choque cultural, mas sim um acontecimento pontual, um crime premeditado e planejado por um grupo de “pessoas”.

Outra afirmação corriqueira é: “a lei deve ser aplicada para todos!” Ora, alguém espera algo diferente disso caso o resultado aponte das investigações aponte para estrangeiros? É óbvio que a lei de um país vale para todos que ali estão.

Resumindo: É preciso esperar o parecer da polícia e o resultado das investigações. Caso o narrado tenha realmente ocorrido da forma como colocado no depoimento das vítimas, e caso culpados sejam encontrados, a lei deve ser aplicada rigorosamente a eles, somando-se todos os tipos de crimes praticados durante estes delitos (roubo, atentado ao pudor, estupro, etc).

Se os culpados foram estrangeiros, ou refugiados, é preciso também investigar as motivações e entender como ela foi planejada, e o porquê da mesma. Exatamente o mesmo processo deve ocorrer, caso conclua-se que alemães também estão envolvidos.
Uma vez conhecidas as motivações e objetivos destes grupos, é preciso que as instituições públicas tomem atitudes rápidas para evitar que novos episódios como esses ocorram.

Qualquer coisa que fuja do descrito acima no último parágrafo, é uma tentativa de utilizar-se de um episódio para legitimar ideologias. Quem assim o faz, não está preocupado com as vítimas, não busca justiça, não tem empatia, não quer soluções racionais; eles só veem uma oportunidade de propagação de suas ideias radicais, uma oportunidade para legitimar seu racismo e sua xenofobia, uma oportunidade de conquistar adeptos, neste momento mais frágeis e carentes de proteção, para comporem o quadro de novos-nazistas europeus.

Sim, talvez a solução seja fugir para o Uruguai; quem sabe sim, fugindo dos muçulmanos, mas mais provavelmente, fugindo dos próprios alemães.

por Miguelito Formador

Algumas fontes de informação na mídia e em blogs alemães: Aqui, Aqui e Aqui

figura retirada do próprio link do Youtube

a-origem-das-armas-de-fogo-3Pra começar vou expor minha opinião. Romântica para variar…
Eu acho que arma de fogo deve estar em posse da polícia e dos que têm poder de polícia (forças armadas e alguns correlatos da função de segurança pública, como investigadores). E só. Qualquer outro cidadão que portar uma arma é bandido por exclusão e deve responder criminalmente por esse porte.

Aqui, logicamente, muitos falarão do mundo de Poliana em que me imagino, onde não existiriam meios ilícitos para que bandidos arranjassem armas, da ótima segurança pública e sensação de segurança no Brasil, etc.
Admito que aceito (para deixar claro, eu não apoio, mas aceito) o argumento daqueles que defendem o direito de posse de arma de fogo como mecanismo necessário à autodefesa e como máxima liberdade individual.
Aproveito para afirmar que, no estatuto do desarmamento discutido até então, de 2003, a posse era concedida por tempo determinado, controlada, havia uma idade mínima razoável para a mesma, critérios que proibiam a obtenção da posse e alguns subjetivos que a dificultavam; como por exemplo, o crivo de um delegado analisando o perfil do “candidato” e os seus porquês escritos num formulário. Eram avanços mínimos e ainda passíveis de subterfúgios para a concessão do porte de armas, mas eram avanços!

Pessoas que morem em lugares remotos e/ou que recebam treinamento adequado com reciclagem periódica, profissionais do ramo de segurança privada e outros casos especiais, poderiam ser discutidos como exceções e tratados como tal. Sempre consonante a critérios rígidos de concessão e controle numérico de armamento e munições.

Porém, se o texto aprovado pela tal Comissão passar na íntegra, teremos num futuro próximo uma posse definitiva ao invés de temporária, uma idade mínima reduzida de 25 para 21 anos de idade, o direito de carregar armas nas ruas em contracenso à atualidade, onde o porte é permitido em casa; e outros absurdos.

Deputados e Senadores, por exemplo, ganham status de super-heróis, pois terão direito “automático” ao porte de armas!
Ou seja, salve-se quem puder! Ameaçar deputado pode matar, pois eles poderão matar.
Não bastasse imunidade parlamentar e foro privilegiado, agora teremos políticos alvejando gratuitamente e alegando provavelmente “legítima defesa contra populares”…

Mais um “ou seja”: não é mais necessário reduzir a maioridade penal; basta matar qualquer pessoa com cara de suspeita, ou qualquer um que se oponha aos ilustríssimos deputados e senadores!

Voltando ao texto absurdo recém aprovado, em breve até as pessoas respondendo a inquérito policial e processo criminal, poderão comprar e portar armas, o que hoje é proibido; e… o porte máximo de munições também aumentou: de 120 para 600! Estamos prontos para a Guerra Civil. Azar daquele que não se armar…

Mais uma vez estamos na contramão do Mundo civilizado (e até do “não-tão” civilizado). Os maiores fabricantes e “consumidores” do planeta, os Estados Unidos, avaliam mudanças na lei armamentista, caminhando para um controle mais rígido e o cerceamento de alguns direitos mesmo nos estados onde há legalidade de porte e posse. Isso para não citar Austrália, Canadá, Finlândia que insistem, corretamente a meu ver, no desarmamento da população civil.

Fiquei tão revoltado quando soube da notícia hoje cedo, que acompanhei comentários em jornais televisivos, programas de rádio e portais na internet.
Enquanto uns criticam sem medo a decisão, como o Boechat na Rádio Bandeirantes, outros se mostram esperançosos da não-aprovação do texto no Congresso. Não acredito nisso! Pode ser que existam pequenas alterações no que foi proposto, mas não acredito no veto a esse absurdo (vale lembrar o que fizeram com a proposta do fim do financiamento privado a partidos e campanhas).
E existem aqueles que apoiam o novo estatuto (e não são poucos). As vezes disfarçando esse apoio no que já citei, como direito constitucional de escolha ou autodefesa contra o crime; as vezes aplaudindo, independentemente do preparo do cidadão comum para o uso da arma de fogo. Pasmem, cheguei a ler que o crime será reduzido pois o bandido ficará em dúvida e não assaltará mais!
Em algum dos textos, citaram “bancada da bala”, apelidando a parcela do Congresso que é a favor deste “endurecimento” contra a violência. Será mesmo que isso é endurecer? Fazendo outras perguntas: quem seriam os deputados dessa parcela? Seriam eles de direita ou esquerda? Seriam os Bolsonaro’s, apoiadores da ditadura, da volta dos militares e os preconceituosos?

Um último dado: o jornalista Ricardo Boechat citou em seu programa um dado interessante proveniente de um estudo de 2007 sobre o tema; Em 80% dos casos onde o assaltado reage, o mesmo é baleado. Ou seja, até as estatísticas apontam para a piora no quadro de violência e criminalidade, caso partamos para esse ridículo processo de armar a população.

Decepção com os que nos representam!

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: para quem quiser ver o vídeo onde o Boechat no programa Café com Jornal fala sobre o tema, está aqui. Nem sempre concordo com ele, mas nessa eu assino embaixo!

P.S.2: aqui alguns detalhes do texto e a foto do político peemedebista Laudivio Carvalho, autor desse verdadeiro crime

Guerra_as_DrogasA violência no Brasil anda assustando a população brasileira, assim como os turistas.
O problema da violência transcende Governos, e vem assolando nosso país desde a ditadura militar, e ano após ano numa escalada progressiva.
(clique AQUI e leia nosso artigo onde refletimos sobre a relação entre “real aumento da violência” X “nossas sensações de insegurança, influenciadas pela mídia”).

Mas o que gera a violência?
Podemos apontar vários fatores: Pobreza, desigualdade social, sistema educacional degenerado, uma mídia que incentiva sentimentos como ódio, desejos e inveja; fatores culturais (há culturas mais pacíficas, outras mais agressivas), etc.
E claro, a presença e força do tráfico de drogas nesta sociedade. E é neste ponto que quero me detalhar.

No Brasil, todos sabemos, temos um enorme problema com drogas. Temos muitos viciados, e o tráfico é fortíssimo. Traficantes mandam em bairros e comunidades inteiras. O combate ao tráfico parece ter se intensificado nos últimos anos, como exemplo, temos as ações policiais com a ajuda do exército no Rio de Janeiro, fazendo uma “limpeza” em algumas comunidades.
Ajudou? Bom, não parece. O número de usuários de crack aumenta a cada dia, traficantes do Rio saíram “corridos” de lá e migraram para outras cidades, onde então o problema das drogas piorou, e no Rio, outros assumiram seus lugares.

Mas afinal, é eficiente combater o traficante? Como fazer isso? O traficante está lá, isolado no morro, sem amigos, sem influência? Ou será que ele, muitas vezes, possui forte rede de contatos e influência, incluindo grandes empresários, policiais, políticos e até juízes?
Penso que, em muitos casos, a segunda opção seja a mais realista.
Então, como o poder público vai lutar contra o tráfico, se o tráfico está entrelaçado com instituições públicas e privadas?

Michael Levine, que foi durante 25 anos agente da DEA (Agência de combate às drogas dos EUA), revela em seus livros, que a CIA tem conexões diretas com o tráfico na Colômbia, México, Bolívia. Há aí uma história de troca de favores e benefícios mútuos entre CIA e as drogas na América Latina, que já atravessa várias décadas.

Michael Levine, hoje com 75 anos, vem publicando documentos oficiais sigilosos, vídeos gravados por ele em reuniões secretas, e livros há cerca de 20 anos. Podemos compará-lo a Snowden, porém do submundo das drogas.
Os livros mais famosos de Levine são: “Deep Cover” e “The Big White Lie” (com tradução em português: A grande mentira branca).

Levine diz que a guerra contra as drogas é ineficiente, pois, para diversas instituições e empresas poderosas, é desinteressante que o tráfico acabe. Ele e outros estudiosos apontam para outra variável óbvia: o tráfico é lucrativo, portanto, combater aquilo que dá dinheiro fácil, é desperdício de energia. Você prende ou mata um traficante, tem uma fila de outros 100 esperando para assumir seu lugar.

Afinal, como então combater as drogas?
Levine e intelectuais apontam possibilidades. Primeiramente, não se deve focar no traficante, mas sim no usuário. O traficante só existe, pois tem mercado, ou seja, há quem compre. Se for possível trabalhar a sociedade para que haja menos necessidade de consumo de drogas, o traficante perde a força, o tráfico perde o sentido.
Mas como causar essa mudança na sociedade?

Bom, primeiro temos que nos livrar de pensamentos preconceituosos, ortodoxos, ultrapassados, nos livrar da hipocrisia de discursos dogmáticos e conservadores, para podermos aceitar possíveis realidades e soluções.

Li um artigo de Johann Hari, autor do livro “Chasing the scream: the first and last days of the war on drugs”, que poderíamos traduzir como “perseguindo o grito: o primeiro e último dias da guerra contra as drogas”, que viaja pelo mundo fazendo uma série de entrevistas, tanto com cidadãos comuns, como com representantes de ONGs contra as drogas, comunidades que enfrentam tais problemas, e também com governos que revelaram suas experiências.

Johann traça algumas reflexões e estudos sobre o vício. Seus estudos apontam que, o vício químico existe, mas é fator pequeno frente ao vício psicológico. Ele mostra estudos feitos tanto com ratos, quanto com seres humanos, que apontam uma tendência clara de que, em condições de vida saudáveis, felizes, com lazer, com as necessidades básicas vitais satisfeitas, tanto seres humanos, quanto ratos tendem automaticamente a não precisar mais de drogas e a preferir a sobriedade.

Johann menciona Portugal, que tinha um problema gravíssimo com Heroína até o ano 2000, cerca de 1% da população estava viciada. O Governo português tentou por vários os anos a guerra contra as drogas, sem sucesso. Então resolveram inovar. Descriminalizaram as drogas e fizeram um rigoroso programa público de educação, conscientização e recuperação dos drogados. O resultado: 50% de redução do consumo de heroína em poucos anos.

Algo parecido acontece no Uruguai, onde o ex-presidente, Pepe Mujica, descriminalizou a maconha fazem 2 anos. Estatísticas já comecem a apontar resultados positivos naquele país.
Ao ser confrontado em entrevista, com a pergunta “mas o senhor tem certeza que dará certo?”, Mujica respondeu: “Lógico que não tenho certeza. Mas eu tenho certeza que o que tentamos antes nunca deu certo, por isso, é preciso tentar algo novo. Se não der certo, mudamos para outra tentativa. O que não se pode é ficar parado repetindo erros!”.
Parece simples não? Mas não é! Afinal o conservadorismo e o medo do novo nos impedem de sermos inovadores, de aceitarmos mudanças, de revermos nossos valores. Aí, ações racionais e promissoras, são hostilizados pela sociedade.

Há outros países com legislações mais flexíveis e que buscam caminhos progressistas para o combate às drogas, como Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega, entre tantos outros.

Por isso vemos que há uma conexão clara entre as drogas e as faltas de oportunidade de viver uma vida saudável e feliz. Ou seja, numa sociedade deteriorada, às margens da pobreza, desigualdade social, preconceitos, racismo, violência, mídia do medo, políticos do descaso, é evidente que há um espaço enorme para o crescimento do consumo de drogas.

Qual seria a solução?
Observando os trabalhos de Levine, Johann, e tantos outros vastos trabalhos existentes mundo a fora, e observando as experiências bem sucedidas de alguns governos, podemos chegar a conclusões que apontam para possíveis boas soluções:

  • Parar de focar no tráfico, no combate da violência com violência. Passar a focar na sociedade e na melhoria da vida dos usuários.
  • Gerar condições de vida que reduzam a necessidade da entrada das drogas na vida das pessoas: erradicação da pobreza, diminuição radical da desigualdade social, melhorar o sistema de saúde, investir em arte e cultura.
  • Melhorar a qualidade da educação em todos os sentidos, e claro, com informação crítica e que conscientize sobre o tráfico de drogas e sobre os danos do uso das mesmas.
  • Descriminalizar ao menos drogas leves, para que o Governo, a Justiça e órgãos públicos, tenham maior controle do consumo da droga e possam ter maior acesso aos usuários, para assim realizarem trabalhos e tratamentos com os mesmos.
    De tabela, enfraquece-se o tráfico, diminuindo a arrecadação destes.

Muito do exposto acima é burocrático, exige mudanças na Constituição Federal, e enfrentará resistência conservadora.
Mas há como iniciar ações rápidas e locais, independentes do Governo Federal. Levine menciona seu livro Fight Back, onde ele aponta ações da própria sociedade e das comunidades para reduzir os problemas com o tráfico.

Ajudar ONGs já existentes, e apoiar o surgimento de novas. Realizar constantemente audiências públicas, com participação da Justiça, promotoria, polícias civil e militar, ONGs, prefeitura, autoridades da saúde e da educação, e representantes de comunidades; e debater possibilidade de melhoria do saneamento básico, da limpeza pública, de ampliar a geração de emprego e aumento salarial, possibilitar a criação de mais áreas e possibilidades de lazer, mais eventos culturais e artísticos, um acompanhamento médico e psicológico, de perto, dos jovens, e tudo mais que lhes traga mais interesse pela vida e perspectivas de felicidade e futuro.


* Para ler entrevista com Michael Levine, com links para seus vídeos e documentos, clique AQUI
* Para ler o artigo de Johann Hari, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui

Minha amiga e nossa leitora, Jéssica Pereira, escreveu um texto brilhante. Apesar de muito crítico, o texto consegue ser suave e capaz de nos tocar no cerne dos sentimentos: a alma.

Reproduzimos então o texto aqui na íntegra:

por Miguelito Filosófico

figura daqui


por Jéssica Pereira

Meritocracia_CriancaVocê nasceu, cresceu, seus pais trabalharam, você estudou, e hoje tem um emprego.

Espero que este emprego lhe pague mais que um salário mínimo, talvez três, ou quatro, e que além de pagar o aluguel, você possa pagar um jantar pra sua namorada.

Espero que sua namorada tenha um emprego.
E que vocês juntos decidam se casar.

Espero que vocês se casem. E com o suor que cai em vossos rostos, consigam se livrar do aluguel.

Espero que ao comprar uma casa, vocês tenham filhos. E que juntando os salários que você e sua esposa ganham, vocês sejam capazes de incluir seus filhos no plano de saúde. O inverno chegou e as crianças ficam doentes com mais facilidade. E nós sabemos que o SUS não presta.

Espero que seus filhos cresçam com saúde e entrem na escola. Mas que seus salários sejam suficientes para pagar uma escola e dar educação de qualidade, porque o ensino público não presta.

Espero que seu filho se forme e ingresse na universidade. Mas numa universidade privada, porque o ensino básico público não presta e não sei o que lhe faz pensar que a faculdade pública é diferente.

Espero que seu filho deixe a vaga da faculdade pública pra mim, porque meu pai é pedreiro no interior, e ganharia só um salário se não me deixasse sozinha o dia inteiro pra colocar comida na mesa da nossa casa. Eu sou uma criança e não posso trabalhar, é crime.

Espero encontrar alguém que me dê amor em qualquer esquina, porque discurso de ódio eu escuto sair da televisão. Tô crescendo “abandonada”. Meus pais me deixam sozinha, porque precisam me sustentar. Mas sou criança, e choro quando vejo mães com seus filhos de mãos dadas, enquanto a minha corta o cabelo da madame do bairro nobre.

Passei o inverno com pneumonia, o ensino da minha escola é ruim, e o meio que vivo não colabora. Eu sou pobre.

Enxugaram meus recursos básicos e vão torcer pra que eu não mate o teu filho. Na verdade, vão torcer pra que eu mate. É pra isso que alguém vai na mídia e te convence que prisão é a solução. Você tem grana pra pagar por saúde e por educação pro seu filho, o meu pai não. É pra isso que ele trabalha, porque ele sabe que eu, criança, tenho um futuro pela frente. O meu pai acredita em mim.

Lhe fazem – de mim – sentir medo, enquanto lhe arrancam todo dinheiro.

Mas espero que seu filho tenha um emprego, e que este emprego lhe pague mais que um salário mínimo, talvez três, ou quatro, e que além de pagar o aluguel, ele possa pagar um jantar pra namorada.

* Jéssica possui um blog filosófico-poético, que também não deixa de ter seu conteúdo intimista e crítico. Para interessados, segue o link AQUI

Hitler_maioria_FascismoOs episódios recentes de racismo, machismo, fascismo, ignorância, falta de educação, ausência completa de bom senso e respeito ao próximo, elevam meu grau de preocupação com o futuro do Brasil. Há uma grande parcela da sociedade brasileira que está doente, mentalmente doente. Histeria, ódio, irracionalidade, causados pela doença da estupidez.
(Quem quiser ler mais sobre a burrice e estupidez como doença, segue um artigo da filosofa Márcia Tiburi: AQUI)

O ódio que a mídia e líderes radicais de direita geram, e que muitos ajudam a disseminar (isso pode incluir você, então reflita) mesmo que de forma modesta e branda, é um trem desgovernado: depois que embalar, não é mais possível parar.

Se o pior acontecer, e este ódio se institucionalizar de vez em forma de Governo (já começou, com Cunha na presidência do Legislativo e com um Congresso extremamente conservador e repleto de radicais de direita), não chorem suas mágoas depois.

Aquele que diz ser contra o ódio, mas está sincronizado ideologicamente com quase tudo aquilo que os fascistas também defendem (contra bolsa família, contra mais médicos, querem o PT fora, acham que Dilma quebrou o país, contra cotas, a favor da redução da maioridade, contra aproximações com Cuba e Venezuela, se calam quando o Congresso mantem as doações privadas a campanhas eleitorais ou fazem uma mesma votação duas vezes em 24 horas para inverter um resultado do dia anterior, etc), é cúmplice da alavancada da insanidade.
A você, um lembrete: você não será poupado por estes fascistas quando eles tiverem o Poder ilimitado. Afinal, fascistas não irão reconhecer que você defende algumas das mesmas causas que ele; pelo contrário, ele irá somente reconhecer que você não defende algumas de suas causas, e então, irá te perseguir.

Quem também faz vista grossa, não se manifesta, tenta se manter numa falsa, e/ou hipócrita, e/ou covarde neutralidade (em cima do muro), não deve se enganar, pois também não será digno de misericórdia.
Além disso, é sempre bom lembrar: o silêncio dos bons deixa com que a voz dos maus prevaleça e cresça. Portanto, você, com pinta de neutro, é conivente e cúmplice, infelizmente.

Aos fatos:

  1. Adesivos de montagem pornográfica com a Presidente Dilma sendo distribuídos para serem colados nos tanques de gasolina dos carros. Nem vou me aprofundar neste assunto, nem vou descrever detalhes do adesivo (pois todo mundo o viu, o que dispensa minha narração), pois é tão, mas tão baixo, que sinto vergonha de falar sobre isso. Quem chegou a colá-lo no carro, precisa ser internado numa clínica psiquiátrica, pois está sofrendo de sérios problemas mentais, e não é só burrice não. E não estou falando isso para ofender, ou para mostrar meu desprezo (apesar de merecido), estou falando sério, a pessoa tem sérios problemas e precisa de tratamento.
  2. Maju Coutinho, jornalista da Globo responsável pela previsão do tempo no Jornal Nacional, recebeu diversos ataques racistas e machistas na internet. Entre os comentários, estavam os seguintes: “só conseguiu emprego no JN por causa das cotas, preta macaca” e “não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta, não”, além da palavra “vagabunda”, diversas vezes. Ao que parece, a maioria dos perfis que fizeram os ataques, são perfis falsos/fakes, o que para mim, não muda em nada o ocorrido, pois a única diferença entre um perfil fake e um verdadeiro, é que o fake representa alguém covarde, incapaz de se mostrar e expor o que pensa. Para ler mais sobre os ataques, clique AQUI
  3. Deputados do DEM, PR, PSDB, que decidiram ser contra a posição de seus partidos e votaram “contra” a redução da maioridade penal, sentiram por algumas horas, pela primeira vez em suas vidas, a insanidade do ódio. Até então blindados de tais agressões, provavelmente por pertencerem a partidos conservadores, receberam em seus twiters e Facebooks uma série de ataques maliciosos, machistas e sexistas (para as deputadas mulheres), ofensas, ameaças, e tudo mais. Esses deputados se disseram horrorizados, e manifestaram entender melhor agora o que sofrem políticos progressistas.Mara Gabrilli (PSDB-SP), Clarissa Garotinho (PR-RJ) e Professora Dorinha (DEM-TO) foram algumas das vítimas, escreveu o deputado Jean Wyllys. Segundo ele, as três se referiram às injúrias sexistas e às acusações de que eram “comunistas” e “vendidas ao PT”.
    Entre os que sofreram os ataques, muitos mudaram seus votos 24 horas depois (como foi o caso do deputado Celso Maldaner do PMDB, clique AQUI). A maioria nega a relação entre os ataques e a mudança do voto. Mas cá entre nós, o medo físico, e/ou o medo de perder eleitorado, certamente influenciaram a mudança de muitos deles. Também o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, longe de ser um progressista de esquerda, se posicionou contra a redução, e sofreu a ira dos fascistas, muitas vezes acompanhada de ataques racistas.
  4. Durante a comitiva da presidente Dilma nos EUA, uma repórter da Globo fez uma pergunta maliciosa, como de costume, para ser respondida por Dilma: “Senhora presidente, como lidar com a contradição de que o Brasil se vê como uma potência global, mas os EUA veem o Brasil somente como uma potência regional?”
    Obama, que percebeu a maldade da pergunta, se antecipou e disse: “Com licença, mas na parte que toca aos EUA eu preciso responder. Os EUA não veem o Brasil como uma potência regional, mas sim global. Eu poderia dar vários exemplos, mas vou lembrar somente que o Brasil é um dos países mais importantes e respeitados entre os G20, e além disso, o combate às mudanças climáticas e a diminuição da destruição do meio ambiente, só é possível tendo o Brasil como nosso líder.”
  5. E por fim, e talvez o melhor exemplo de como esse ódio fascista é completamente insano, doente e irracional. Durante a mesma visita da presidente Dilma a Obama, um jovem brasileiro, fã de Jair Bolsonaro, se infiltrou na comitiva de Dilma, e filmando começou a gritar e xingar a presidente. Vejam a notícia da Folha, onde também é possível acessar o tal vídeo (AQUI). Entre as ofensas, estavam as palavras: ladra, terrorista, assassina, comunista de merda e vagabunda.

 

por Miguelito Nervoltado

figura retirada do facebook, compartilhada por diversos perfis